Hoje é dia de ante-estreia.
Ridley Scott é um dos meus realizadores preferidos. Quer dizer, não sei se devo colocar a questão desta forma, mas ele é sem dúvida o "dono" de uma mão cheia de filmes que me arrebatam (ainda hoje) os cinco sentidos e me fazem acreditar que existem pessoas que andam sempre um pouco à frente da grande maioria das pessoas e que "vêem mosquitos na outra banda".
A lista, como referi, é extensa e prolonga-se ao longos dos anos (se bem que alguns destes filmes são de anos anteriores ao meu nascimento), mas digo apenas isto Alien o 8º passageiro e Blade Runner. Ele tem muitos outros que adoro, mas estes enchem-me de tal forma as medidas que se ele nunca tivesse feito mais nada eu não me importaria por aí além.
Mas hoje, volto a uma sala de cinema para ver a sua mão sobre O Conselheiro. Estou expectante, mas não o suficiente para me desiludir. Optei por não ver sequer o trailer do filme, e não fazer (como faço sempre) uma longa pesquisa sobre os detalhes do filme, elenco e "trivia". Desta vez vou ao cinema, e pronto.
De qualquer modo, deixo-vos o trailer e a data da estreia que é dia 21 de novembro.
E porque tudo o que vejo, vejo como nos filmes. E porque tudo o que fazemos e sentimos pode ser recordado nas asas de um caleidoscópio em pleno movimento. Se há "acção" eu revelo por aqui.
quarta-feira, novembro 20, 2013
Casa nova para o Luz Câmara Acção
E parece que temos uma casa nova.
O Luz Câmara Acção muda-se de vez para esta nova morada. Há muito que o tencionava fazer mas o apego à velha casa não me permitia levar esta mudança até ao fim, mas hoje é o dia e fico muito contente por vos apresentar o novíssimo: http://luzcamaraaccao.wordpress.com/
O Luz Câmara Acção muda-se de vez para esta nova morada. Há muito que o tencionava fazer mas o apego à velha casa não me permitia levar esta mudança até ao fim, mas hoje é o dia e fico muito contente por vos apresentar o novíssimo: http://luzcamaraaccao.wordpress.com/
sábado, novembro 16, 2013
Equador | A Chocolataria do nosso amor
Corria o frio de novembro de 2010.
Ele levou-a de carro ao cair da noite até ao Porto.
A viagem foi um longo breve momento em que as palavras se somavam e multiplicavam umas às outras, sem nunca se atropelar, sem nunca se sentirem solitárias.
Na manhã seguinte, ou talvez na primeira "leva da tarde", os seus pés entraram juntos pela porta da chocolataria que ela só conhecia dos emails que ele lhe enviara com o roteiro imaginado da sua primeira viagem juntos. A viagem após a qual nada voltou a ser o mesmo.
Com os pés lá dentro, os narizes frios e os corações aquecidos como manteiga que se vai derretendo na frigideira, lá foram eles espreitando e descobrindo os segredos do chocolate, a quem ela já se confessava regularmente e a quem ele se confessava de forma tímida e até um pouco a contragosto.
Aquele lugarzinho pequenino e escondido na longa rua Sá da Bandeira, só se fazia descobrir através do maravilhoso cheiro a chocolate que de lá dentro inundava as suas narinas e do grandioso comboio que estava ainda a ser construído na montra.
Eles provaram chocolate quentinho, bolinhos, chocolatinhos e tudo o que possa acabar em "inho" ou "inhos". Levaram com eles uns "pacotinhos" à antiga atados com rafia e uma caixa de cartão com um soldadinho deitado lá dentro que haveria de ser a estrela dá árvore de natal daqueles dois.
Aqueles dois foram muito felizes ali. Aqueles dois são muito felizes hoje.
Esta é a chocolataria deles, esta é a chocolataria do nosso amor.
Ele levou-a de carro ao cair da noite até ao Porto.
A viagem foi um longo breve momento em que as palavras se somavam e multiplicavam umas às outras, sem nunca se atropelar, sem nunca se sentirem solitárias.
Na manhã seguinte, ou talvez na primeira "leva da tarde", os seus pés entraram juntos pela porta da chocolataria que ela só conhecia dos emails que ele lhe enviara com o roteiro imaginado da sua primeira viagem juntos. A viagem após a qual nada voltou a ser o mesmo.
Com os pés lá dentro, os narizes frios e os corações aquecidos como manteiga que se vai derretendo na frigideira, lá foram eles espreitando e descobrindo os segredos do chocolate, a quem ela já se confessava regularmente e a quem ele se confessava de forma tímida e até um pouco a contragosto.
Aquele lugarzinho pequenino e escondido na longa rua Sá da Bandeira, só se fazia descobrir através do maravilhoso cheiro a chocolate que de lá dentro inundava as suas narinas e do grandioso comboio que estava ainda a ser construído na montra.
Eles provaram chocolate quentinho, bolinhos, chocolatinhos e tudo o que possa acabar em "inho" ou "inhos". Levaram com eles uns "pacotinhos" à antiga atados com rafia e uma caixa de cartão com um soldadinho deitado lá dentro que haveria de ser a estrela dá árvore de natal daqueles dois.
Aqueles dois foram muito felizes ali. Aqueles dois são muito felizes hoje.
Esta é a chocolataria deles, esta é a chocolataria do nosso amor.
Todas as imagens foram retiradas da página de Facebook da Chocolataria Equador (Ilustração de Celestino Fonseca)
quinta-feira, novembro 14, 2013
quarta-feira, novembro 13, 2013
E quando alguém morre
E quando sabemos que alguém morre, uma parte de nós morre também. Não porque nos é próxima, não porque sentimos por ela aquele amor que só entregamos numa caixa de ouro selada com a nossa alma. Não é nada disso. Apenas porque sei que ela partiu e o mundo que vemos neste preciso momento deixou de ser visto pelos seus olhos.
Esta ideia sempre me arrepiou. Esse alguém não vai respirar mais este ar que nem sempre apreciamos. Não se vai emocionar com a mensagem de um anúncio de televisão ou com uma a de um filme, ou com o diálogo final daquela peça de teatro. Não vai voltar a dizer "amo-te", nem vai ouvir essa mesma palavra proferida por aquela outra pessoa que vê nela a sua continuação. Não vai voltar a sentir o sabor do seu fruto preferido, não vai cantarolar no banho, nem vai voltar a apreciar as primeiras horas do dia que nasce.
Lido mal com a morte. Sempre lidei. A ideia de que caminho na sua direcção faz-me questionar uma série infinita de coisas cuja resposta receio. Qual o meu propósito. Serei boa o suficiente? Serei merecedora? Porque é que nunca parti? Quando vou partir? Quando vão eles partir? Quando vão partir aqueles que amo. Voltarei a vê-los? E que lhes digo quando os reencontrar?
Continuo sentada à frente deste teclado e sinto muito pouco, mas o que sinto faz ricochete na cena deste filme...
The Tree Of Life - Terrence Malik
Esta ideia sempre me arrepiou. Esse alguém não vai respirar mais este ar que nem sempre apreciamos. Não se vai emocionar com a mensagem de um anúncio de televisão ou com uma a de um filme, ou com o diálogo final daquela peça de teatro. Não vai voltar a dizer "amo-te", nem vai ouvir essa mesma palavra proferida por aquela outra pessoa que vê nela a sua continuação. Não vai voltar a sentir o sabor do seu fruto preferido, não vai cantarolar no banho, nem vai voltar a apreciar as primeiras horas do dia que nasce.
Lido mal com a morte. Sempre lidei. A ideia de que caminho na sua direcção faz-me questionar uma série infinita de coisas cuja resposta receio. Qual o meu propósito. Serei boa o suficiente? Serei merecedora? Porque é que nunca parti? Quando vou partir? Quando vão eles partir? Quando vão partir aqueles que amo. Voltarei a vê-los? E que lhes digo quando os reencontrar?
Continuo sentada à frente deste teclado e sinto muito pouco, mas o que sinto faz ricochete na cena deste filme...
The Tree Of Life - Terrence Malik
domingo, novembro 10, 2013
Tenho um novo filme na cabeça, chama-se "novembro"
Imagem via: http://www.pinterest.com/pin/130956301638115150/
Este mês tem um poder especial.
Não sei explicar ao certo por palavras que poder é, mas creio que é algo que tem que ver com o poder da antecipação. Novembro está entre outubro e dezembro, dois dos meus meses preferidos, mas por estar no meio não é mediano, e por estar no meio não é como aqueles irmãos de quem nunca se ouve falar, de quem nunca se espera muito. Pelo contrário, eu espero muito de novembro, espero tudo.
Por ele, esqueço que não gosto da sensação de frio quando fico muito tempo no sofá sem uma manta, e esqueço que está na hora de trocar bolas de gelado por pedaços dantescos de chocolate de leite. Por ele, prefiro ficar horas a ver filmes agarrada ao meu marido, do que a suspirar pelas horas de sol passadas na Figueirinha. Por ele, ando de mão dada na rua a pisar folhas de ouro estaladiças e a sorrir sempre que vejo as bochechas rosadas de uma menina criança emolduradas por uma franja e um gorro quentinho.
Novembro é o mês da esperança e dos preparativos mentais. Nada se faz, mas tudo se pensa. Onde vai ficar a árvore desta vez? Será que colei a cabeça daquela peça de presépio partida no ano passado? Onde vou passear na manhã de dia 24. Cabrito, perú ou leitão? Bolo, mousse ou azevia?
Tantos preparativos que "o irmão do meio" tem de equacionar. Novembro é frio, mas não é aquele frio que nos atira para a cama. Novembro é frio o suficiente para nos voltarmos a apaixonar pelo cheiro a castanha assada e pelo som das castanhas a serem balançadas no assador de latão. Novembro são as primeiras luzes, que por serem as primeiras, são alvo de olhares incrédulos mas que depressa ganham o seu lugar, e depressa nos mostram que é natal outra vez.
Novembro foi o mês em que te conheci, se já não bastasse tudo o resto.
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sábado, novembro 09, 2013
Eu, tu e um aquecedor a óleo
Há frases que parecem tiradas de um livro.
Katharine Hepburn, Cary Grant e Baby em Bringing Up Baby, 1938
Esta parece uma delas. Imagino-a feita cena de filme, gravada num único take, o take perfeito para um filme que trata as coisas pelos nomes e que não receia os aplausos mudos da crítica.
"Tu, a Miuccia e um aquecedor a óleo." Foi assim que ele a proferiu, no quarto que ainda está para ter um candeeiro de tecto, o mesmo quarto que escuro que tantas palavras ouviu trocadas ao amanhecer e anoitecer de cada dia que passou.
Ele disse aquelas palavras, e eu vi um filme, um filme diferente. Troquei a gata por ele, e imaginei-me velha, jeitosa, mas velha, sentadinha na cadeira de verga, com uma manta nas pernas e uma chávena de chá ao lado. Os gatos aos nossos pés e a televisão ligada a passar um filme dos anos 30, quando as comédias eram escritas para fazer com que as pessoas se esquecessem dos problemas que tinham vida.
A cena está gravada na minha cabeça. Agora temos ar condicionado (Ámen). Por quanto tempo não sabemos que a vida não está fácil e ninguém morre por abdicar de um bafo quente.
Eu, tu e um aquecedor a óleo, deste-me o nome para algo, eu só ainda não sei bem o quê...
Katharine Hepburn, Cary Grant e Baby em Bringing Up Baby, 1938
Esta parece uma delas. Imagino-a feita cena de filme, gravada num único take, o take perfeito para um filme que trata as coisas pelos nomes e que não receia os aplausos mudos da crítica.
"Tu, a Miuccia e um aquecedor a óleo." Foi assim que ele a proferiu, no quarto que ainda está para ter um candeeiro de tecto, o mesmo quarto que escuro que tantas palavras ouviu trocadas ao amanhecer e anoitecer de cada dia que passou.
Ele disse aquelas palavras, e eu vi um filme, um filme diferente. Troquei a gata por ele, e imaginei-me velha, jeitosa, mas velha, sentadinha na cadeira de verga, com uma manta nas pernas e uma chávena de chá ao lado. Os gatos aos nossos pés e a televisão ligada a passar um filme dos anos 30, quando as comédias eram escritas para fazer com que as pessoas se esquecessem dos problemas que tinham vida.
A cena está gravada na minha cabeça. Agora temos ar condicionado (Ámen). Por quanto tempo não sabemos que a vida não está fácil e ninguém morre por abdicar de um bafo quente.
Eu, tu e um aquecedor a óleo, deste-me o nome para algo, eu só ainda não sei bem o quê...
sexta-feira, novembro 08, 2013
Lisboa que amanhece - Parte I
Por mais que viaje, é em Lisboa que "filmo" o filme da minha vida...
A Avenida da República é para mim um ponto de passagem e paragem diários. Por lá caminho todos os dias de mãos dadas entre pessoas que não conheço faça chuva ou faça sol. Às vezes questiono-me como seria a vida antes de eu ter nascido. Como seria passear pela Avenida da República no tempo de Eça de Queirós? Daria um filme?
Da próxima vez, veremos por onde é que Lisboa irá amahecer...
e actualmente...
A Avenida da República é para mim um ponto de passagem e paragem diários. Por lá caminho todos os dias de mãos dadas entre pessoas que não conheço faça chuva ou faça sol. Às vezes questiono-me como seria a vida antes de eu ter nascido. Como seria passear pela Avenida da República no tempo de Eça de Queirós? Daria um filme?
Da próxima vez, veremos por onde é que Lisboa irá amahecer...
A Avenida antes de 1910 via Lisboa desaparecida
e actualmente...
quinta-feira, novembro 07, 2013
Diários d'um Barrigana - A novidade e o jantar
Para todos os que acham que "COMER" é bem mais do que "dar ao dente".
O projecto é recente mas vale muito a pena. Diários d'um barrigana é uma delícia de ler e ver, sim porque os olhos também comem, e os meus comem e de que maneira.
Com design e fotografia da talentosa Sara Costa, este blogue conta com criações diárias e revela segredos (outros mais escondidos que outros) de lugares que fazem da comida a sua grande estrela colocando-a no devido trono. No entanto, a grande mais-valia deste espaço são as receitas deixadas e as curiosidades sobre alguns alimentos que este Barrigana publica diariamente para nosso deleite.Há pratos para todos os gostos, alguns mais simples, outros mais requintados, mas há um ponto comum entre todos: fariam de nós pessoas mais felizes se os pudéssemos provar.
A parte mais difícil fica para nós, que é replicar as sugestões na nossa casa.
Hoje, terei o prazer de fazer parte do primeiro jantar deste blogue para comemorar os seus primeiros 1.000 gostos num momento de convívio com pessoas novas e pratos deliciosos como hummus de tremoços tex-mex (estou muito curiosa), buffet de chilli com carne e haverá sangria de espumante com frutos vermelhos. Já estão a salivar?
Espero trazer muitas novidades deste encontro e muitas fotos, e espero que gostem deste projecto tanto como eu estou a gostar.
Aqui fica o link da sua página: https://www.facebook.com/diariosdumbarrigana
O projecto é recente mas vale muito a pena. Diários d'um barrigana é uma delícia de ler e ver, sim porque os olhos também comem, e os meus comem e de que maneira.
Tarte tatin de marmelo, pêra e romã
Com design e fotografia da talentosa Sara Costa, este blogue conta com criações diárias e revela segredos (outros mais escondidos que outros) de lugares que fazem da comida a sua grande estrela colocando-a no devido trono. No entanto, a grande mais-valia deste espaço são as receitas deixadas e as curiosidades sobre alguns alimentos que este Barrigana publica diariamente para nosso deleite.Há pratos para todos os gostos, alguns mais simples, outros mais requintados, mas há um ponto comum entre todos: fariam de nós pessoas mais felizes se os pudéssemos provar.
A parte mais difícil fica para nós, que é replicar as sugestões na nossa casa.
Sopa Halloween
Hoje, terei o prazer de fazer parte do primeiro jantar deste blogue para comemorar os seus primeiros 1.000 gostos num momento de convívio com pessoas novas e pratos deliciosos como hummus de tremoços tex-mex (estou muito curiosa), buffet de chilli com carne e haverá sangria de espumante com frutos vermelhos. Já estão a salivar?
Magret de pato com medronho e doce de figo
Espero trazer muitas novidades deste encontro e muitas fotos, e espero que gostem deste projecto tanto como eu estou a gostar.
Aqui fica o link da sua página: https://www.facebook.com/diariosdumbarrigana
Créditos: Sara Costa
quarta-feira, novembro 06, 2013
Ainda dá tempo
Parece que "ainda dá tempo".
Realizado por Cleber Leal de Almeida através da produtora Colisão Filmes e produzido por outro grande talento que é a Helena Canhoto.
Ainda dá tempo é um projeto independente em que a palavra "Mudança" é exigida através dos sonhos de crianças que querem vir a ser felizes no mundo em que acreditam ser um mundo maravilhoso. Em contraposição, estão os seus pais que cansados de guerras, cobardias e desesperos afirmam que o mundo chegou a um ponto sem retorno. É através da voz dos seus filhos que o seu coração muda, e o nosso muda com o deles.
Para ver e partilhar.
Ainda dá Tempo (There is still time) from Ainda da tempo on Vimeo.
Realizado por Cleber Leal de Almeida através da produtora Colisão Filmes e produzido por outro grande talento que é a Helena Canhoto.
Ainda dá tempo é um projeto independente em que a palavra "Mudança" é exigida através dos sonhos de crianças que querem vir a ser felizes no mundo em que acreditam ser um mundo maravilhoso. Em contraposição, estão os seus pais que cansados de guerras, cobardias e desesperos afirmam que o mundo chegou a um ponto sem retorno. É através da voz dos seus filhos que o seu coração muda, e o nosso muda com o deles.
Para ver e partilhar.
Ainda dá Tempo (There is still time) from Ainda da tempo on Vimeo.
terça-feira, novembro 05, 2013
12 years a slave | Trailer
Este é daqueles que promete, e promete e promete.
Um elenco de luxo composto por nomes tão forte e seguros como Chiwetel Ejiofor, Brad Pitt e Michael Fassbender, através da mão e lente do talentoso Steve McQueen.
A história centra-se em Solomon Northup, um escravo liberto e que ao ser sequestrado e que durante 12 anos é forçado a trabalhar numa plantação no Louisiana para ser depois resgatado por um advogado que lhe proporciona a liberdade uma vez novamente roubada.
Steve McQueen (que já nos habituou à sua firmeza no modo como aborda temas controversos como no caso dos esmagadores Shame e Hunger) leva-nos desta vez a uma viagem por uma época sangrenta e injusta da sociedade norte-americana, um capítulo difícil de abordar ainda nos dias que correm.
Acredito que este realizador não nos irá poupar à violência física e psicológica que o roubo da liberdade pode provocar num ser humano, acredito realmente que ele não o irá fazer.
A estreia em Portugal deve ficar marcada para início de 2014, no entanto já estreou nos Estados Unidos. Fico curiosa no que toca a possíveis nomeações aos Óscares, já que a obra conta com um leque realmente talentoso de actores. Veremos...
Um elenco de luxo composto por nomes tão forte e seguros como Chiwetel Ejiofor, Brad Pitt e Michael Fassbender, através da mão e lente do talentoso Steve McQueen.
A história centra-se em Solomon Northup, um escravo liberto e que ao ser sequestrado e que durante 12 anos é forçado a trabalhar numa plantação no Louisiana para ser depois resgatado por um advogado que lhe proporciona a liberdade uma vez novamente roubada.
Steve McQueen (que já nos habituou à sua firmeza no modo como aborda temas controversos como no caso dos esmagadores Shame e Hunger) leva-nos desta vez a uma viagem por uma época sangrenta e injusta da sociedade norte-americana, um capítulo difícil de abordar ainda nos dias que correm.
Acredito que este realizador não nos irá poupar à violência física e psicológica que o roubo da liberdade pode provocar num ser humano, acredito realmente que ele não o irá fazer.
A estreia em Portugal deve ficar marcada para início de 2014, no entanto já estreou nos Estados Unidos. Fico curiosa no que toca a possíveis nomeações aos Óscares, já que a obra conta com um leque realmente talentoso de actores. Veremos...
The Spilling - Oreo nunca desilude
A marca Oreo é uma das marcas cuja presença online mais me fascina e diverte.
Foram já imensas as acções que realizaram e por altura do Halloween, brindaram-nos novamente com conteúdos de luxo.
Desta vez, usaram a rede social Vine para publicar pequenos vídeos de homenagem a alguns dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Este é, sem dúvida, o meu preferido!
Não esquecer que o Vine foi a primeira rede social cuja forma de apresentação de conteúdos se baseava em vídeo e que foi recentemente ameaçada pelo grande sucesso do Instagram a partir do momento em que não só começou a ser possível publicar vídeos (além de fotografias), como esses mesmos vídeos tinham uma maior duração (15 segundos). Uns criam, outros imitam e melhoram, a isto chamamos - Inovação.
Mas voltando à Oreo, mal posso esperar por ver o que esta marca está a "cozinhar" para o Natal.
The Shining passa a ser The spilling
Foram já imensas as acções que realizaram e por altura do Halloween, brindaram-nos novamente com conteúdos de luxo.
Desta vez, usaram a rede social Vine para publicar pequenos vídeos de homenagem a alguns dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Este é, sem dúvida, o meu preferido!
Não esquecer que o Vine foi a primeira rede social cuja forma de apresentação de conteúdos se baseava em vídeo e que foi recentemente ameaçada pelo grande sucesso do Instagram a partir do momento em que não só começou a ser possível publicar vídeos (além de fotografias), como esses mesmos vídeos tinham uma maior duração (15 segundos). Uns criam, outros imitam e melhoram, a isto chamamos - Inovação.
Mas voltando à Oreo, mal posso esperar por ver o que esta marca está a "cozinhar" para o Natal.
The Shining passa a ser The spilling
segunda-feira, novembro 04, 2013
The Last Days on Mars | Trailer
Eu sou, decididamente, do tipo de pessoas que não se cansa desta fórmula em que alguns astronautas se juntam num planeta que não a Terra e se confrontam com aliens. Obviamente, nem sempre de aliens e efeitos especiais vivem estes filmes, normalmente existem também algumas camadas a explorar no que toca às personagens bem como os seus medos mais profundos que são do mais humano que há.
A ver o que nos reserva o filme de Ruari Robinson e que conta com as interpretações de Liev Schreiber, Romola Garai e Elias Koteas.
Estreia prevista para Dezembro de 2013.
A ver o que nos reserva o filme de Ruari Robinson e que conta com as interpretações de Liev Schreiber, Romola Garai e Elias Koteas.
Estreia prevista para Dezembro de 2013.
Karl Lagerfeld lança linha inspirada na sua gata Choupette
Há algo que não vai faltar por aqui... gatos.
São uma fonte de inspiração, de amor profundo e apelido.
Por isso, claro que fiquei curiosa quando li que Karl Lagerfeld tinha acabado de criar toda uma linha inspirada no seu... gato, a bela Choupette. A linha é toda ela em tons de branco e preto, e tem até um chapéu com orelhas de gato, e os nossos gadgets do dia-a-dia como tablets, iPhones e companhia são contemplados.
A catwoman que se ponha a pau!
Notícia via: Vogue
São uma fonte de inspiração, de amor profundo e apelido.
Por isso, claro que fiquei curiosa quando li que Karl Lagerfeld tinha acabado de criar toda uma linha inspirada no seu... gato, a bela Choupette. A linha é toda ela em tons de branco e preto, e tem até um chapéu com orelhas de gato, e os nossos gadgets do dia-a-dia como tablets, iPhones e companhia são contemplados.
A colecção está à venda a partir de 12 de novembro em exclusivo nas lojas Karl Lagerfel em várias cidades da Europa e Ásia numa edição limitada não muito acessível.
A catwoman que se ponha a pau!
Notícia via: Vogue
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karl lagerfeld
domingo, novembro 03, 2013
O Preço de Arthur Miller
Tem sido difícil a vida do Teatro Aberto. É incrível como um corpo de artistas empenhados em fazer do público português, um público mais culto porque mais conhecedor, esteja sempre em pontas dos pés com medo de fechar.
Brecht tem sido muito "bem tratado" por ali, com grandes encenadores e actores a trazer de volta um dos maiores nomes do Teatro do mundo.
Desta vez, tive o prazer de ver Arthur Miller homenageado por um brilhante quarteto de actores que através da visão de Vera Sampayo de Lemos me fez lembrar a grandiosidade do talento de Arthur Miller.
O preço é uma peça sobre fantasmas, sobre a passagem do tempo no seio de uma família com segredos e mágoas que os anos não souberam desfazer.
Após a morte do pai, dois irmãos voltam a encontrar-se dezasseis anos depois para desocupar a casa que foi palco das suas infâncias e adolescências. Estamos em 1968. Nova Iorque sofreu vários acontecimentos, estamos na era do descartável e das casas pequenas. Tudo é caro e tudo tem um preço. Um velho avaliador chega à casa para lhes fazer o seu preço pelo recheio da mesma, mas o processo demora mais que o esperado, e é esse processo a que assistimos ao longo de noventa minutos, numa peça que começa antes de começar (quando o público entra na sala para se sentar no seu lugar, uma das personagens "vagueia" pela casa recordando-se de velhos momentos e alegrias) deixando-nos entrar no seu mundo.
E se tudo tem um preço, tudo é fruto de escolhas. Arthur Miller é ágil na sua construção dramática, revelando pouco (a pouco e pouco) num rodopio de palavras que guardam memórias que aguardam o confronto final. O que fez e não fez, o que era um dever, para quem, porquê?
A magia do Teatro está na sua intemporalidade, os temas debatidos em O preço são temas de sempre, como a esperança e a compreensão do ser humano e as obstruções à nossa capacidade individual de escolher. Neste caso, Arthur Miller explora o modo como as dependências familiares nos fazem preferir a rotina à verdade e como podemos empenhar a nossa vida ao acreditarmos que não tivemos escolha.
Bem haja, aos actores António Fonseca, João Perry, Marco Delgado e São José Correia pela sua coragem e a Vera Sampayo de Lemos pela gestão dos seus talentos.
E como diria o Mestre: Maybe all one can do is hope to end up with the right regrets.
E atenção que O Preço só está em cena até dia 17 de novembro.
ESPECTÁCULOS
4ª a sábado às 21h30
Domingo às 16h
FICHA ARTÍSTICA
4ª a sábado às 21h30
Domingo às 16h
FICHA ARTÍSTICA
Versão João Lourenço | Vera San Payo de Lemos
Dramaturgia Vera San Payo de Lemos
Encenação e Luz João Lourenço
Cenário António Casimiro | João Lourenço
Figurinos Dino Alves
Supervisão audiovisual Nuno Neves
Com António Fonseca| João Perry | Marco Delgado| São José Correia
Dramaturgia Vera San Payo de Lemos
Encenação e Luz João Lourenço
Cenário António Casimiro | João Lourenço
Figurinos Dino Alves
Supervisão audiovisual Nuno Neves
Com António Fonseca| João Perry | Marco Delgado| São José Correia
segunda-feira, outubro 28, 2013
É isso que eu vou fazer
O Cinema foi e será sempre uma das minhas grandes paixões. Ao longo de todos estes anos tenho ocupado a minha mente - e o meu coração - com momentos repletos da intimidade própria de uma sala de cinema. Chorei, ri, voltei a chorar, a suspirar, a assustar-me e a viver com personagens de bons e maus filmes, de excelentes obras e outras não tão grandiosas, mas que por motivos vários me tocaram.
O saldo é positivo, cresci entre corredores de salas escuras, de sessões ao início e meio da tarde, início e final da noite, só e acompanhada, com e sem pipocas. Cresci e cresci muito, constitui família, vibrei com sucessos e derrotas próprias do caminho que tenho vindo a traçar sempre de mãos dadas com a Sétima Arte.
Costumo dizer que tudo o que dizemos e vivemos dava um filme. É só querermos.
E o Luzcamaraccao cresceu comigo. Às vezes mais "alimentado", outras vezes menos e nem sempre pelo seu tema-rei: o Cinema. A verdade é que eu própria descobri em mim outros gostos e outras vontades, descobri o digital e o Marketing, as Redes Sociais que me dão um gozo tremendo e me mostram que o dia está a mudar, todos os dias.
Mal ou bem fui pioneira nos primeiros tempos de blogger. O meu grande Amor (poderia lá eu imaginar) nasceu de um comentário deixado e esquecido por aqui, anos mais tarde, vim a descobrir que a pessoa que amo já me "seguia" ainda nos tempos de faculdade, vim a descobrir um grande amor. Um amor tão alto e tão forte que me faz querer mais, e escrever mais. E é por isso que volto sempre, volto sempre aqui a este espaço que é onde me sinto bem, é a minha casa das palavras que poderiam dar filmes.
Do Cinema resta pouco, escrevo pouco sobre ele, mas volto "devagar, devagarinho". O Luzcamaracção vai continuar a viver, e não vai mudar de nome, exactamente porque tudo é uma questão de perspectiva: tudo pode ser transformado em filme. Se escrevo sobre memórias, é porque na minha cabeça elas voam nas asas de um caleidoscópio.
Este meu mundo vai continuar a mostrar aquela que sou, do movimento do digital, das redes que me movem e de casos que encontro e que acho que devem ser espalhados aos sete ventos. Do Facebook ao Instagram, do vídeo à imagem, das causas esquecidas e dos artistas que ficam por escutar. É isso que vou fazer. A partir de hoje. É isso que eu vou fazer.
Imagem via Pinterest
domingo, outubro 27, 2013
O sonho
Parece que foi um sonho. Rápido, mágico e arrebatador. O dia amanheceu contigo e comigo juntos, de mãos dadas, como se fosse véspera de Natal.
Trocámos juras de amor, do nosso amor, e o nosso pequeno-almoço foi tomado com as nossas canecas, as nossas torradas, os nossos gatos, e os seus pêlos. Fui buscar o bouquet ao atelier improvisado na traseira de um carro e lá fui surpreendida mais uma vez. A brancura das flores escolhidas em contraste com o verde das suas folhas e com a fita de veludo azul que o prendia fizeram dele uma verdadeira jóia. A minha jóia.
Levei-o para casa e mostrei-to, sorriste-me em sinal de aceitação e até olhaste para o boutonniere com outros olhos, os olhos de quem muda de ideias. Despedimo-nos com a promessa de que nos voltaríamos a ver dali a umas horas, despedimo-nos com a certeza de que quando os nossos olhos se voltasse a cruzar, tu estarias de fato e eu de vestido, tu estarias à minha espera e eu iria em teu encontro. E assim foi.
Passei a tarde entre detalhes e preparativos, os cachos de cabelo agarrados e soltos, os saltos e a cauda. A gravação de momentos naquele quarto de hotel com vista para um jardim que parecia saído de um conto de fadas. E saí ao cair dos primeiros brilhos da noite, quando o céu esmorece e o seu azul quebra para dar lugar a um azul cinza que desabrocha num azul muito escuro. O azul do mar abençoou a nossa união e eu subi as escadas convicta de que o momento pelo qual esperámos tinha acabado de chegar.
E eu vi-te, do outro lado, a sorrir para mim e a dizer-me que eu estava linda com o olhar, eu fitei-te e sorri para que só tu soubesses que ver a tua cara naquele momento era o realizar de um desejo muito profundo, o nosso desejo cumprido. Abraçámo-nos e beijámo-nos, como nos filmes, sentámo-nos e ouvimos o discurso da nossa amiga que nos embaciou os olhos e apertou o coração. Ela terminou e foi como se um espartilho se abrisse para voltarmos a respirar.
Beijos e abraços, e deixei de te ver, tinhas desaparecido para te voltar a encontrar alguns minutos mais tarde. Nunca mais te larguei (ou pelo menos tentei), dançámos e flutuámos, trocámos olhares e dezlizámos pelo mármore frio do espaço escolhido.
Não poderia ter sido diferente, foi tudo o que quisemos e muito mais. Feliz por sermos assim, feliz por sabermos fazer as nossas escolhas, feliz por saber que temos algo difícil de ter e que é fácil para nós. Lemos juntos o nosso livro, um último beijo e um último deitar.
Somos felizes, a felicidade não é um momento, a felicidade é um mar de dias.
Trocámos juras de amor, do nosso amor, e o nosso pequeno-almoço foi tomado com as nossas canecas, as nossas torradas, os nossos gatos, e os seus pêlos. Fui buscar o bouquet ao atelier improvisado na traseira de um carro e lá fui surpreendida mais uma vez. A brancura das flores escolhidas em contraste com o verde das suas folhas e com a fita de veludo azul que o prendia fizeram dele uma verdadeira jóia. A minha jóia.
Levei-o para casa e mostrei-to, sorriste-me em sinal de aceitação e até olhaste para o boutonniere com outros olhos, os olhos de quem muda de ideias. Despedimo-nos com a promessa de que nos voltaríamos a ver dali a umas horas, despedimo-nos com a certeza de que quando os nossos olhos se voltasse a cruzar, tu estarias de fato e eu de vestido, tu estarias à minha espera e eu iria em teu encontro. E assim foi.
Passei a tarde entre detalhes e preparativos, os cachos de cabelo agarrados e soltos, os saltos e a cauda. A gravação de momentos naquele quarto de hotel com vista para um jardim que parecia saído de um conto de fadas. E saí ao cair dos primeiros brilhos da noite, quando o céu esmorece e o seu azul quebra para dar lugar a um azul cinza que desabrocha num azul muito escuro. O azul do mar abençoou a nossa união e eu subi as escadas convicta de que o momento pelo qual esperámos tinha acabado de chegar.
E eu vi-te, do outro lado, a sorrir para mim e a dizer-me que eu estava linda com o olhar, eu fitei-te e sorri para que só tu soubesses que ver a tua cara naquele momento era o realizar de um desejo muito profundo, o nosso desejo cumprido. Abraçámo-nos e beijámo-nos, como nos filmes, sentámo-nos e ouvimos o discurso da nossa amiga que nos embaciou os olhos e apertou o coração. Ela terminou e foi como se um espartilho se abrisse para voltarmos a respirar.
Beijos e abraços, e deixei de te ver, tinhas desaparecido para te voltar a encontrar alguns minutos mais tarde. Nunca mais te larguei (ou pelo menos tentei), dançámos e flutuámos, trocámos olhares e dezlizámos pelo mármore frio do espaço escolhido.
Não poderia ter sido diferente, foi tudo o que quisemos e muito mais. Feliz por sermos assim, feliz por sabermos fazer as nossas escolhas, feliz por saber que temos algo difícil de ter e que é fácil para nós. Lemos juntos o nosso livro, um último beijo e um último deitar.
Somos felizes, a felicidade não é um momento, a felicidade é um mar de dias.
Castanho
Castanho. Não costuma ser uma cor de eleição, pelo menos, não costumo ouvir como sendo uma cor especial. Mas a magia do outono faz desta cor, uma cor real, uma cor extraordinária. Há dias viajei pelo norte do nosso país, vi o Douro. Finalmente, o Douro. Que bonito, que mágico, que grandiosidade feita de terra e folhas. As folhas, que foram verdes, são agora uma trilogia cromática repleta de magia ancestral. O dourado, o castanho e o vermelho. São as cores das uvas, do cheiro a terra orvalhada e cigarras cantantes nas noites amenas e estreladas. O castanho das madeiras, dos frutos secos, do cacau em pó. O castanho avermelhado dos topos das casas e do asfalto longo e paciente. O castanho dos doces e amargos, dos campos e das folhas, das mãos fortes que com os seus machados talham o quadro da viagem que fizemos os dois. Castanho.
Imagem via: Pinterest
Imagem via: Pinterest
quarta-feira, setembro 18, 2013
Uma criança que tarda
O elevador tardava. É sempre assim quando se está à espera.... tudo tarda. Ele sorriu timidamente e disse num português de quem vem de fora "Boa Noite". Continuaram à espera, até que ele lá se decidiu e perguntou-lhe com um simpático sorriso "O elevador costuma parar?". Ela ouviu a pergunta e pensou que ele era o rapaz mais doce que lhe tinha aparecido naquela semana, tão doce como uma criança, uma criança que tarda.
domingo, agosto 25, 2013
Por mais tempo que passe
Voou.
O tempo voou. Parece que foi ontem, que foi há uns meses, há umas horas.O dia de sol quente no norte do país em frente ao lago verde, habitado por simpáticos e vigorosos patos que entre bicadas e guinchos compuseram a mais bela banda sonora da nossa tarde passada naquela cidade que é a cidade mais simpática que conheço. Uma tarde como as outras transformada na nossa melodia desde então.
Por mais tempo que passe, recordarei para sempre o nosso encosto um no outro como duas rochas que com a passagem dos anos se fundem tornando-se numa só. Recordarei os pequenos riachos que dos nossos olhos nasciam e que caiam em forma de pequenas cascatas frescas e salgadas sobres as nossas mãos.
Por mais tempo que passe.
Hoje, e passados tantos meses estamos mais perto que nunca do desfecho de mais um capítulo do nosso livro, o livro que abrimos juntos e que escrevemos a quatro mãos sempre que os nossos desejos se realizam.
E contigo meu amor, os meus desejos realizam-se todos os dias, e todos os dias adormeço com a certeza que a mais bela história de amor foi inventada numa noite escura de Novembro. Quando acordo, apercebo-me que tenho vivido dela desde então, e que não há outra forma de viver.
Por mais tempo que passe.
O tempo voou. Parece que foi ontem, que foi há uns meses, há umas horas.O dia de sol quente no norte do país em frente ao lago verde, habitado por simpáticos e vigorosos patos que entre bicadas e guinchos compuseram a mais bela banda sonora da nossa tarde passada naquela cidade que é a cidade mais simpática que conheço. Uma tarde como as outras transformada na nossa melodia desde então.
Por mais tempo que passe, recordarei para sempre o nosso encosto um no outro como duas rochas que com a passagem dos anos se fundem tornando-se numa só. Recordarei os pequenos riachos que dos nossos olhos nasciam e que caiam em forma de pequenas cascatas frescas e salgadas sobres as nossas mãos.
Por mais tempo que passe.
Hoje, e passados tantos meses estamos mais perto que nunca do desfecho de mais um capítulo do nosso livro, o livro que abrimos juntos e que escrevemos a quatro mãos sempre que os nossos desejos se realizam.
E contigo meu amor, os meus desejos realizam-se todos os dias, e todos os dias adormeço com a certeza que a mais bela história de amor foi inventada numa noite escura de Novembro. Quando acordo, apercebo-me que tenho vivido dela desde então, e que não há outra forma de viver.
Por mais tempo que passe.
domingo, agosto 18, 2013
Há uns anos
Às vezes lembro-me das tardes que passava em salas de cinema. Chegava a ver o mesmo filme duas e três vezes no escurinho das salas que ficavam mais próximas da faculdade onde me ia entretanto entre as cadeiras de Análise filmica e História de Arte. Agora que olho para trás, com aquele olhar que a idade adulta nos transforma e devolve numa doce carícia na alma, e não me apetece voltar. Fui feliz, imensamente feliz, aprendia tudo, absorvia tudo, tinha tempo para ver e rever, ler e reler, passar a limpo e estudar com antecedência, era tudo fácil e não era mais do que aquilo.
quinta-feira, agosto 08, 2013
A ponte
O tempo passa.
O nível da água sobe e desce numa constante luta silenciosa. A paisagem permanece muda e presencia todos os movimentos ascendentes e descendentes, calada e profunda.
A ponte constrói-se. A quatro mãos, a dois corações. Ao mesmo tempo e em tempos quebrados pela distância. A ponte constrói-se fruto de uma vontade mútua, de uma vontade que não se amedronta, que é despida de interesses e livre de motivos inferiores.
A ponte só resiste ao tempo se construída (para uma dia) ser caminhada lado a lado na linha final da vida, quando o reflexo dos nossos rostos nessa mesma água revelar o valor daquilo que fomos um dia…juntos.
[Imagem via: http://eukendei.deviantart.com/art/The-Bridge-study-2-359979814]
[Imagem via: http://eukendei.deviantart.com/art/The-Bridge-study-2-359979814]
sexta-feira, junho 07, 2013
Há uma pessoa
Há uma
pessoa lê as linhas dos livros que não escrevo. Que ilumina os dias mais
sombrios. Esta pessoa deita-se numa cama mal feita, ou até mesmo por fazer,
porque há alguém (não vou dizer quem) que não tem gosto em tratar disso. Há uma
pessoa que ouve as palavras mudas e as devolve em desejos realizados. Uma
pessoa que passa os dedos por entre os meus fios finos de cabelo e diz que eles
cheiram bem, duas, três vezes por hora. Uma pessoa que respira o meu ar, que
bebe a minha água e que partilha o meu guardanapo. A pessoa que me ilumina, me
resguarda, me engrandece e me segue sempre até ao encontro enamorado. Essa
pessoa és tu. Sim, tu.
quinta-feira, junho 06, 2013
As suas penas mexiam ao sabor do
vento febril da manhã de Junho. Olhei-o de cima, como os olhos de Deus penetram
no mundo. Senti-me tudo. Tudo, menos Deus. Aquela criatura fria e dura teve um
fim triste e o mais certo é acabar no fundo de um contentor do lixo. Está só, e
deu o último sopro entre buzinas e carros, transeuntes de passagem apressados e
sem tempo para compaixões de início de dia. Por segundos, vi-me naquele chão
sujo e cinzento, por minutos imaginei-me morta e fria a ser espezinhada pelos
demais, por uns segundos apenas porque tive de seguir em frente com os olhos
postos no futuro.
Imagem retirada daqui: http://browndresswithwhitedots.tumblr.com/page/9
Todos nós
Às
vezes é-se bom, outras vezes é-se mau. Tem dias em que o interesse é maior e a
fraqueza acompanha-a. Outros em que sorrimos mais, e outros em que choramos
mais. Dou por mim a subir muitas vezes a Avenida e a olhar para as expressões
das caras de quem passa por mim. Já vos deve ter acontecido certamente. Olhar
para elas, e parar para ver que as suas caras estão tristes, que as linhas que
figuram os lábios estão em sentido descendente, o mesmo sentido da linha do
olhar. Dou por mim a olhar e a ver dor, e a dor transforma-se em aperto no
coração e o coração vacila em bater. Dou por mim a pensar também que ninguém é
totalmente bom e ninguém totalmente mau. Não tenho pena delas, eu sou como
elas, não tenho pena, apenas paro para pensar nisso, porque nada posso fazer
por elas. Todos nós temos um pouco de Dr Jekyll e Mr Hyde em nós. Todos nós
somos capazes de trucidar corpos de inocentes num dia, e ter bondade no coração
capaz de transformar o mundo no outro. Todos nós.
sexta-feira, maio 31, 2013
A arrogância dos sábios
A arrogância dos
sábios cansa-me. Ser dono da razão é das coisas mais chatas e aborrecidas do
mundo. Saber tudo e nem sequer querer ouvir o outro ponto de vista, mesmo que
errado, mesmo que louco. Porque é que dois mais dois terão de ser sempre e
invariavelmente quatro? Porque é que não posso pegar nos primeiro dois e
transformá-lo em andorinhas, e nos outros dois e transformá-los em gomas e
dizer que afinal dois mais dois são três, porque entretanto uma das andorinhas
decidiu voar para longe dos sábios.
Na minha perspectiva,
se continuarmos a acreditar nos sábios, e nos factos perdemos uma capacidade
maravilhosa: a de tirar os pés da terra para poder sonhar. Sonhar é a nossa
janela para o mundo em que queremos viver para o resto da nossa vida. É que nos
sonhos podemos ser
quem quisermos, sermos dotados de força ou medo irracional.
E depois aparece o
sábio e diz-me que dois mais dois são quatro e eu perco as forças. O
sábio que em vez de particularizar e se espantar com o novo, generaliza o seu
próprio conhecimento e transforma-o em banalidades repletas de verbosidades
impenetráveis.
quinta-feira, maio 30, 2013
Voltar a escrever com força.
Voltar a escrever com força.
A mesma força dos
sentimentos que os sonhos me impõem. Escrever sobre estórias de filmes e de
vidas reais, escrever sobre acordares e adormeceres ao peito de alguém, na
almofada de alguém, no colo de alguém.
Voltar a escrever com amor, porque tudo o que vai
sobrar de nós é isso mesmo, amor. E é amor que quero deixar ao partir deste
mundo.
Voltar a escrever ao sabor da pena, sem dó nem
piedade, e às vezes sem razão. Aprisionar as imagens em palavras e devolvê-las
em vislumbres de seda.
Voltar a escrever com força.
Imagem retirada de: http://www.behance.net/gallery/a-due-Colori/3367841
domingo, abril 21, 2013
Aquele abraço apertado
Aos Domingos recebo sempre uma visita especial. Chegado o final da manhã, ela chega com o seu andar repenicado, a sua saia travada e o seu colar que varia da pérola ao plástico. Traz sempre um tacho cheio de sopa e umas laranjinhas. Às vezes também tem um plasticozinho com uma carne assada e gosta de me deixar uma notinha na gaveta do aparador. Deixa-as lá e nem me diz nada. No dia seguinte ao telefone costuma dizer-me "É para os teus cafezinhos.". Esta é a minha mãe.
Depois conversa muito, conta como foi a sua semana, fala-nos da sua nova patroa, do meu pai, que tem saudades da mana e que começou a fazer um vestido novo.
Eu fico sentada no braço do sofá, com as pernas empoleiradas e ele mete-se ao meu lado, como que a aparar uma queda que ao acontecer é tudo menos grande, e vem o abraço, o abraço apertado. Sinto-lhe o peito, o mesmo que me alimentou durante quatro anos e meio. O peito que tantas vezes me confortou, o peito da minha mãe.
Depois conversa muito, conta como foi a sua semana, fala-nos da sua nova patroa, do meu pai, que tem saudades da mana e que começou a fazer um vestido novo.
Eu fico sentada no braço do sofá, com as pernas empoleiradas e ele mete-se ao meu lado, como que a aparar uma queda que ao acontecer é tudo menos grande, e vem o abraço, o abraço apertado. Sinto-lhe o peito, o mesmo que me alimentou durante quatro anos e meio. O peito que tantas vezes me confortou, o peito da minha mãe.
Vergonha
Estendem a mão e pedem. Pedem com a mão, com os olhos e com a boca. A boca que pede comida, as mãos que pedem boa vontade e os olhos que pedem.... com vergonha.
E eu fico com vergonha, vergonha de não poder ajudar todos os que me pedem ajuda e vergonha de não saber sequer o que é pedir na rua. Pedir é um acto de vergonha. E vergonha é uma morte sem morrer.
Na zona onde vivo, pedem-me muitas vezes. Já me bateram à porta a pedir comida "o que tiver, que não como desde ontem. O que puder...", e eu dei, com vergonha. Quando passeio e mais não tenho que dar tento oferecer o meu melhor sorriso, mas é um sorriso repleto de vergonha, porque eu tenho para onde voltar e o meu frigorífico está cheio e a minha barriga não tem do que queixar.
Por aqui, vejo pessoas mais velhas, que pela primeira vez na vida pedem "o que tiver, o que puder", têm vergonha, vão pelo passeio, olham-nos timidamente a ver se conseguem perceber se as vamos recriminar ou simplesmente ignorar. Dois caminhos fáceis para esconder a nossa vergonha. Vergonha essa que eles sentem ao estenderem a mão e projectarem timidamente a voz e que eu percebo com o coração partido ao meio.
Que vergonha que eu sinto. Que vergonha.
Imagem retirada daqui: http://www.etsy.com/listing/77165399/old-hands-8x8-custom-print
E eu fico com vergonha, vergonha de não poder ajudar todos os que me pedem ajuda e vergonha de não saber sequer o que é pedir na rua. Pedir é um acto de vergonha. E vergonha é uma morte sem morrer.
Na zona onde vivo, pedem-me muitas vezes. Já me bateram à porta a pedir comida "o que tiver, que não como desde ontem. O que puder...", e eu dei, com vergonha. Quando passeio e mais não tenho que dar tento oferecer o meu melhor sorriso, mas é um sorriso repleto de vergonha, porque eu tenho para onde voltar e o meu frigorífico está cheio e a minha barriga não tem do que queixar.
Por aqui, vejo pessoas mais velhas, que pela primeira vez na vida pedem "o que tiver, o que puder", têm vergonha, vão pelo passeio, olham-nos timidamente a ver se conseguem perceber se as vamos recriminar ou simplesmente ignorar. Dois caminhos fáceis para esconder a nossa vergonha. Vergonha essa que eles sentem ao estenderem a mão e projectarem timidamente a voz e que eu percebo com o coração partido ao meio.
Que vergonha que eu sinto. Que vergonha.
Imagem retirada daqui: http://www.etsy.com/listing/77165399/old-hands-8x8-custom-print
quarta-feira, abril 10, 2013
I.
Anda depressa sem saber para onde ir.
As primeiras flores a florir,
Colhidas as palavras no regaço,
Devolvida a chuva e o vento,
pois deles já não queres saber.
Pés ávidos de sabor a terra e sorriso nos lábios.
A doce e intoxicante melodia dos nossos sonhos.
Cabelos em canudos desfeitos.
Bainha da saia desfeita.
Vontade de ser gota de água infiltrada no profundo do teu ser.
Noite caída, brisa fresca.
Um voltar erguido e vibrante.
Seda rasgada, copo entornado, trovão mudo.
Assim somos.
Foto retirada daqui
As primeiras flores a florir,
Colhidas as palavras no regaço,
Devolvida a chuva e o vento,
pois deles já não queres saber.
Pés ávidos de sabor a terra e sorriso nos lábios.
A doce e intoxicante melodia dos nossos sonhos.
Cabelos em canudos desfeitos.
Bainha da saia desfeita.
Vontade de ser gota de água infiltrada no profundo do teu ser.
Noite caída, brisa fresca.
Um voltar erguido e vibrante.
Seda rasgada, copo entornado, trovão mudo.
Assim somos.
Foto retirada daqui
segunda-feira, abril 08, 2013
Dissecar um bolo de arroz
Desde pequenina que gosto de bolo de arroz.
O bolo de arroz, é aquele bolo, que não leva arroz, mas que se chama bolo de arroz. E é um bolo perfeito. Doce e dourado, com "rótulo" branco e letras a azul. À antiga.
Era eu uma menina pequenina e lambia-me só de pensar no bolinho de arroz que comia com perícia no café do Pinheirinho mesmo ao lado da minha casa.
Dissecar um bolo de arroz tinha muito que se lhe diga. Ou leiam só:
Primeiro retirava a película da base, com cuidado para não perder nem uma migalhinha do bolo. Quando esta tarefa era terminada com sucesso, passava à segunda etapa, etapa essa que me poderia vir a proporcionar de seguida o momento mais aguardado: a prova. O invólucro que envolve o bolo era também ele retirado com calma e carinho, devagar, devagarinho.
Momento de sedução. A menina a olhar para o bolo desnudado à espera da sua primeira dentada. Mas não pensem vocês que o bolo de arroz (que não leva arroz) se come assim, do pé para a mão. Não, não e não. Agora é o momento em que se parte o bolo de arroz em dois: "capacete" dourado e açucarado para um lado e "corpo vegetante" do bolo para o outro.
E está feita a operação. Primeiro come-se o corpo, depois a cabeça. Não costuma ser assim entre os adultos também? Segundas interpretações ao vento, é assim que se prova um bolo de arroz. E eu ando mortinha para meter a minha boca ao barulho com um, e de preferência com o meu velho à minha frente para eu te explicar como se faz ao vivo a cores.
quinta-feira, abril 04, 2013
quarta-feira, abril 03, 2013
Sem arrependimentos
Às vezes fecho os olhos e não durmo.
O exercício é feito para contemplar momentos que por um motivo ou outro me escapou por entre as horas dos dias. Todas as vezes que me deixo ir, apercebo-me de algo reconfortante, algo que me permite sorrir por dentro, abro os olhos e digo: não me arrependo de nada do que fiz na minha vida.
Tambem é verdade que ainda não vivi muitos anos, pelo menos é o que ouço quando me perguntam a idade, e eu lá respondo que estou na casa dos vinte, naquela número muitos antes do trinta.
Mas é verdade, não me arrependo de nada do que fiz na minha vida. Todas as opções que tomei, certas ou erradas levaram-me ai sítio onde estou agora, e eu adora o "agora". Há problemas, claro que sim, eles existem e sempre irão existir. Mas não passam disso, problemas com soluções, sejam elas mais fáceis ou mais difíceis. Não me arrependo das pessoas que até hoje passaram pela minha vida, das pessoas que se afastaram de mim ou daquelas das quais me afastei. Não me arrependo de ter trocado Londres por Lisboa, por ter desistido desta ou de outra oportunidade profissional, e muito menos das que tive e que deixei de ter quando assim o decidi.
Depois há os "pequenos nadas", aquelas pequenas decisões, pequeninas, pequeníssimas, não me arrependo de nenhuma. Nem das três fatias de bolo comi no Domingo passado. Inventar para quê?
O exercício é feito para contemplar momentos que por um motivo ou outro me escapou por entre as horas dos dias. Todas as vezes que me deixo ir, apercebo-me de algo reconfortante, algo que me permite sorrir por dentro, abro os olhos e digo: não me arrependo de nada do que fiz na minha vida.
Tambem é verdade que ainda não vivi muitos anos, pelo menos é o que ouço quando me perguntam a idade, e eu lá respondo que estou na casa dos vinte, naquela número muitos antes do trinta.
Mas é verdade, não me arrependo de nada do que fiz na minha vida. Todas as opções que tomei, certas ou erradas levaram-me ai sítio onde estou agora, e eu adora o "agora". Há problemas, claro que sim, eles existem e sempre irão existir. Mas não passam disso, problemas com soluções, sejam elas mais fáceis ou mais difíceis. Não me arrependo das pessoas que até hoje passaram pela minha vida, das pessoas que se afastaram de mim ou daquelas das quais me afastei. Não me arrependo de ter trocado Londres por Lisboa, por ter desistido desta ou de outra oportunidade profissional, e muito menos das que tive e que deixei de ter quando assim o decidi.
Depois há os "pequenos nadas", aquelas pequenas decisões, pequeninas, pequeníssimas, não me arrependo de nenhuma. Nem das três fatias de bolo comi no Domingo passado. Inventar para quê?
segunda-feira, março 25, 2013
Só peço sol
Só peço sol. Não peço mais nada.
Juro a pés juntos, que tudo o que queria era acordar amanhã e dar de trombas com um sol esmagador e vibrante capaz de me dar todas as energias (e receio que mais algumas) para enfrentar o dia com outra alegria.
É que isto pode desembocar num caso sério.
Ora vejamos: a pessoa acorda, até que bem disposta porque não tem o hábito de descontar nas pessoas logo pela manhã, porém alguns são os perigos com os quais nos podemos cruzar nas primeiras horas seguintes ao acordar, neste dias que não são nem carne nem peixe.
Perigo #1 a pessoa está descalça, porque é orgulhosa e recusa-se a dormir de meia, e mete o pezinho no chão. Dá o arrepio frio na espinha (e não me refiro a sem vergonhices) e está o caldo entornado.
Perigo #2 a pessoa toma o seu banho. Tudo bem. Água quentinha, pressão q.b, há champoo e há gel de duche, o desodorizante é coisa que brota no armário da casa de banho como se de cogumelos se tratasse, também há cotonete, creme hidratante, e remédio para as unhas. Tudo bem. Por aqui estou safa.
Perigo #3 ui que frio! Resolução: ligar o aquecedor do cabelo e enquanto não trato da juba, toca a aquecer os pezinhos com o bafo quente que este instrumento emite. Não só resolve a situação como dá um certo reboliço no coração, porém cuidado: pode queimar o pé e a perna (ou qualquer outra parte do corpo que se lembrem de aquecer).
Perigo #4 a pessoa tem que se vestir, e ao contemplar o seu vasto guarda roupa não só constata que tem muito mais roupa do que aquela que alguma vez usará, constata que não gosta de nada do que se apresenta à sua frente. E a culpa não é da roupa, é do frio que insiste em ficar e nós não podemos mais levar com o casaco de fazenda, a galocha, o cachecol e a camisola de lã de gola alta que pica que se farta e que nos faz parecer uma baleia anã com ares de coiso e tal. Que m*****!
Perigo #4 a pessoa não sai de casa sem a barriguinha cheia. O café aquece, a torrada... está a torrar, pois claro, e há que passar o corrector de olheiras. Hmmm mas que cheiro é este, ai as minhas ricas torradinhas, lá se vai a magia poética de uma torrada feita em pão de Rio Maior cravejada com duas generosas colheres de sopa de manteiga. Fico-me pela torrada queimada e o cenário deprimente que vejo da janela do meu quinto andar.
Basicamente é isto.
Tenham cuidado com os perigos da manhã, que com este tempo ridículo se podem consubstanciar num verdadeiro crime digno de letras gordas na capa do Correio da Manhã, tendo como criminoso esta bela pessoa que vos escreve.
quinta-feira, março 21, 2013
A bailarina
Dançava por entre as sombras das árvores despidas.
A Lua ameaçava aparecer envolta numa névoa fria.
Sentou-se ali a seu lado, os nós dos dedos doíam cansados.
A Lua ameaçava aparecer envolta numa névoa fria.
Sentou-se ali a seu lado, os nós dos dedos doíam cansados.
De olhos prostrados no céu parecia procurar algo,
o seu corpo movia-se ao sabor da brisa,
os cabelos ondeavam por entre as finas camadas de gelo gelado.
Ninguém a estava a ver.
Ninguém a poderia ver e como tal, jamais alguém iria escrever sobre si.
Os anjos caíram todos na noite passada.
As casas mudaram de lugar, a terra deixou de girar sobre si mesma.
o seu corpo movia-se ao sabor da brisa,
os cabelos ondeavam por entre as finas camadas de gelo gelado.
Ninguém a estava a ver.
Ninguém a poderia ver e como tal, jamais alguém iria escrever sobre si.
Os anjos caíram todos na noite passada.
As casas mudaram de lugar, a terra deixou de girar sobre si mesma.
Para quem dançaria ela, agora refeita de coragem deixada pelo pó largado pelas estrelas?
Porque continuaria ela a dançar...esperaria alguém?
Dançaria apenas pelo prazer do toque fino das pontas dos pés entre as ervas e os galhos partidos de árvores doces sem vontade de a magoar?
Seria ela algo em transformação, seria ela visível aos olhos dos demais, para além da pessoa que escreve estas linhas?
Porque continuaria ela a dançar...esperaria alguém?
Dançaria apenas pelo prazer do toque fino das pontas dos pés entre as ervas e os galhos partidos de árvores doces sem vontade de a magoar?
Seria ela algo em transformação, seria ela visível aos olhos dos demais, para além da pessoa que escreve estas linhas?
Primavera
Adoro a Primavera. Mais do que gostar da Primavera, gosto do seu início. Daquele encantamento febril dos primeiros dias mais longos, dos tímido raios de sol que se começam a alastrar com uma firmeza cada vez maior e mais assertiva.
Nesta altura do ano, as cores regressam, as bochechas ruborizam e já não nos são permitidas umas cavas por debaixo das malhas finas, as meias de lã são trocadas por algumas menos quentes enquanto as sandálias continuam guardadas no armário à espera do derradeiro momento em que podem dar o ar de sua graça.
Por volta desta época, as idas às compras também ganham outra motivação, as frutas multiplicam-se e vejo morangos, nêsperas, laranjas e cerejas: ah que maravilha!
Tudo melhora nesta fase. Tudo melhora.
Porém... este ano a Primavera tarda. Estará ela em consonância com a tristeza que nos vai na alma?
Será que também ela está a demorar porque simplesmente não estamos preparados para a primavera dos nossos corações. Não há sol, não há calor, não há risos e sorrisos nos parques infantis das cidades, as crianças não brincam nas ruas, as frutas no mercado ainda são as mesmas, e eu caminho mais lentamente tal é o peso das roupas que envergo.
Embora estejamos em plena Primavera, é o Inverno quem reina. Sinto que o Inverno que sinto é igual ao Inverno que não nos abandona. Tivesse eu o poder de o pontapear daqui para fora.
Nesta altura do ano, as cores regressam, as bochechas ruborizam e já não nos são permitidas umas cavas por debaixo das malhas finas, as meias de lã são trocadas por algumas menos quentes enquanto as sandálias continuam guardadas no armário à espera do derradeiro momento em que podem dar o ar de sua graça.
Por volta desta época, as idas às compras também ganham outra motivação, as frutas multiplicam-se e vejo morangos, nêsperas, laranjas e cerejas: ah que maravilha!
Tudo melhora nesta fase. Tudo melhora.
Porém... este ano a Primavera tarda. Estará ela em consonância com a tristeza que nos vai na alma?
Será que também ela está a demorar porque simplesmente não estamos preparados para a primavera dos nossos corações. Não há sol, não há calor, não há risos e sorrisos nos parques infantis das cidades, as crianças não brincam nas ruas, as frutas no mercado ainda são as mesmas, e eu caminho mais lentamente tal é o peso das roupas que envergo.
Embora estejamos em plena Primavera, é o Inverno quem reina. Sinto que o Inverno que sinto é igual ao Inverno que não nos abandona. Tivesse eu o poder de o pontapear daqui para fora.
domingo, março 10, 2013
Aquele lugar
As suas mãos quentes, pequenas e macias procuravam as minhas mais velhas, mais vividas, mais frias. Os seus olhos ávidos de curiosidade pareciam querer falar-me. Mas os bebés não falam, pelo menos era o que eu pensava quando o segurei ao colo.
Ao pegá-lo, depressa me apercebi que havia algo de diferente, um peso mais leve que o normal apenas sentido por aqueles que pegam em bebés assim.
Olhei pela janela e vi a casa cor-de-rosa lá ao longe, a casa que sempre imagino, repleta de memórias impregnadas de vento e terra, História, se quiserem chamar-lhe. O bebé continuava ao meu colo, menina ou menino, não sei dizer. De repente, os seus olhos grandes e repletos de vida olharam-me e ele falou.... Tu não sabes quem és. E nada mais disse. Fiquei a olhá-lo, não estava muda pela surpresa, porque nos sonhos tudo é possível, e os bebés podem falar e chamar-nos à razão.
Mais do que pensar que devo estar a ensandecer, pensei que aquele bebé e aquela frase fazem sentido. Um bebé é sinal de rejuvenescimento , de vida, de novos começos, e muitas vezes procura-se num bebé um sentido para a vida. Quando já nada pode funcionar o bebé ele vai preencher o vazio, os silêncios e tudo aquilo que resultar menos bem. Este meu bebé pode significar algo completamente diferente, algo novo, arrebatador, o meu bebé não é chave para nada, nasceu para me mostrar que aquilo que sou continua a formar-se e que por mais que me leiam, só eu sei o pulsa cá dentro e só eu sei porque sonho tantas vezes o mesmo sonho, o sonho de encontrar aquele lugar em vida
sexta-feira, março 01, 2013
A rua espera por nós
Doentes, cansados e desiludidos.
Estamos todos assim.
Manter a atitude positiva é uma prova de esforço, porque é assim que estamos, é assim que vivemos. Em esforço. Uma amiga no outro dia disse-me que ia abandonar o país, o país que não é o dela, mas que a recebeu há muitos anos com os dois braços abertos. O mesmo país onde eu nasci e onde receio ficar. Essa minha amiga vai embora, diz que está quase a passar fome. Eu fecho os olhos, e imagino “poderia ser eu, e não quero vir a ser eu”. Em esforço. O país que estava de braços abertos para ela, assim ficou… à espera que se fechassem.
Pela minha amiga e por mim, manifesto-me amanhã pacificamente em plena cidade de Lisboa. Pudesse eu crescer e tornar-me num gigante. Amanhã manifesto-me, porque os meus filhos vão nascer num país que foi e continua a ser incinerado por políticos e gestores mal preparados e mal formados. Pessoas que não se conseguem pôr na pele dos outros, que acham que o contentamento é uma coisa linda e entenderam mal os versos de Camões, porque o poeta ao dizer que o Amor “É um contentamento descontente”, não se referia a algo bom.
Querem-nos contentes, contentados, resignados à vidinha mal levada, ao rebaixamento, ao muito trabalho para pagar a dividazinha, porque temos papás para nos sustentar. Quem vive bem, está-se nas tintas para quem vive mal. Nas tintas. Além de mal formados, foram mal educados.
Vão mas é ler Camões, que nós já aprendemos a lição e a rua espera por nós.
segunda-feira, fevereiro 11, 2013
Do sonho
Voltei a sonhar com aquele sítio. Aquele sítio. Há uma paz qualquer naquele sítio, que parece ficar ao pé de uma cidade de costas para o mar. As vezes penso no que vejo nos sonhos, e se já não os terei visto realmente em vida.
Depois durante o sono, o cérebro arranja forma de me fazer crer que aquele sítio não existe, que "so em sonhos" e que nunca lá estive. Juro por mim que sei que há um sítio assim. Algures. No mundo em que vivo. Que paz. Ali poderia viver em paz. Ali não há morte. Ali nunca morreríamos.
Os sonhos tem uma força incrível. O poder de nos fazer duvidar. O poder de nos dar a ver sítios onde já estivemos. Eu já ali estive. Acredito tanto nisto como no amor que sinto por aqueles que vejo sempre que chego a casa ao final do dia. Mal posso esperar por sonhar outra vez. E quero que o meu sonho seja este sonho. Os sonhos têm um força incrível. Têm forca suficiente para nos fazer duvidar da vida. Da vida que é um sonho e do sonho que é a vida.
Sonhemos. Vivamos e voltemos a sonhar.
Depois durante o sono, o cérebro arranja forma de me fazer crer que aquele sítio não existe, que "so em sonhos" e que nunca lá estive. Juro por mim que sei que há um sítio assim. Algures. No mundo em que vivo. Que paz. Ali poderia viver em paz. Ali não há morte. Ali nunca morreríamos.
Os sonhos tem uma força incrível. O poder de nos fazer duvidar. O poder de nos dar a ver sítios onde já estivemos. Eu já ali estive. Acredito tanto nisto como no amor que sinto por aqueles que vejo sempre que chego a casa ao final do dia. Mal posso esperar por sonhar outra vez. E quero que o meu sonho seja este sonho. Os sonhos têm um força incrível. Têm forca suficiente para nos fazer duvidar da vida. Da vida que é um sonho e do sonho que é a vida.
Sonhemos. Vivamos e voltemos a sonhar.
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
Se não era um iphone, era um comando
O Carnaval não me encanta. Nada mesmo. Há o pânico a andar na rua, somado à probabilidade esmagadora de levar com um balão cravejado de água em cima, e o facto de nem sequer ser feriado para me refugiar no quentinho do lar. Depois há a programação carnavalesca em rounds sucessivos entre o Carnaval do Brasil e o Carnaval da Mealhada, onde meninas flácidas e desnudadas se abanam como se estivem em cima de plataformas nervosas a cantar “u cárnáváu".
Porém, há uma parte de mim que se recorda do Carnaval de menina. Aquele em que fui capuchinho vermelho, Pierrot, palhaço, madeirense, lavadeira e Cleópatra. Fui outra, uma fórmula ingénua de heterónimo em que por dois ou três dias ocupava o meu lugar na terra. Era mágico sair à rua e ver os restos mortais dasserpentinas e bolinhas coloridas despojadas pelo chão, e os velhinhos sentados nós bancos dos jardins a sorrir e a acenar-nos. Alguns eram nossos avós, nunca meus mas dos meninos que iam comigo.
Quando era pequenina adorava o carnaval, a magia das roupas feitas à antiga, ia para escola feliz porque era um dia diferente em que não havia lugar para os livros e os cadernos. Hoje, subi a rampa e vi crianças que eram iguais àquela que fui também. Vi a mesma magia nos seus olhos. As roupas agora são um pouco diferentes, a espanhola leva a rosa na cabeça e as bainhas mal amanhadas, o pirata ainda não teve tempo de pôr a pala, e o vampiro tem falta de dentes caninos.
A magia do Carnaval em Portugal devia pertencer única e exclusivamente às crianças. Entre bombinhas de mau cheiro, estalinhos e pinturas faciais, ganha a ideia do sonho.
Porém, devo admitir que o menino vestido de iphone teve muita piada. Se não era um iphone, era um comando. Decididamente.
Porém, há uma parte de mim que se recorda do Carnaval de menina. Aquele em que fui capuchinho vermelho, Pierrot, palhaço, madeirense, lavadeira e Cleópatra. Fui outra, uma fórmula ingénua de heterónimo em que por dois ou três dias ocupava o meu lugar na terra. Era mágico sair à rua e ver os restos mortais dasserpentinas e bolinhas coloridas despojadas pelo chão, e os velhinhos sentados nós bancos dos jardins a sorrir e a acenar-nos. Alguns eram nossos avós, nunca meus mas dos meninos que iam comigo.
Quando era pequenina adorava o carnaval, a magia das roupas feitas à antiga, ia para escola feliz porque era um dia diferente em que não havia lugar para os livros e os cadernos. Hoje, subi a rampa e vi crianças que eram iguais àquela que fui também. Vi a mesma magia nos seus olhos. As roupas agora são um pouco diferentes, a espanhola leva a rosa na cabeça e as bainhas mal amanhadas, o pirata ainda não teve tempo de pôr a pala, e o vampiro tem falta de dentes caninos.
A magia do Carnaval em Portugal devia pertencer única e exclusivamente às crianças. Entre bombinhas de mau cheiro, estalinhos e pinturas faciais, ganha a ideia do sonho.
Porém, devo admitir que o menino vestido de iphone teve muita piada. Se não era um iphone, era um comando. Decididamente.
domingo, janeiro 27, 2013
Luz verde
Hoje, pegámos em nós e fomos correr. Embora o quente dos cobertores fizesse chantagem psicológica comigo, decidimos ter força de vontade e fazer o que era certo: correr.
No chão da calçada havia ainda marcas de chuva da manhã invernosa, fazia vento e devo dizer que muitos foram os pensamentos derrotistas que me passaram pela cabeça enquanto descia a rampa a caminho do jardim (parcialmente destruído) do Campo Grande. Mas lá fomos nós, primeiro a andar, depois a andar mais depressa e depois a correr. Dei por mim a sentir os músculos das pernas a querer ceder, de frio passei a sentir calor, muito calor, e a respiração não queria acompanhar o passo. Inspira pelo nariz, e expira pela boca dizia-me ele. Eu sei como é, dizia eu. Só não consigo é fazê-lo coordenadamente e sem me estalar uma veia na testa. E quando a franja se mete à frente dos olhos? Fico mesmo irritada. Depois de... cinco (ou terão sido cinco horas) a correr, e eu ter vontade de cuspir o meu coração e todas as minhas entranhas pela boca, decidimos parar para caminhar. E claro, fomos ultrapassados três vezes por um senhor com o dobro da nossa idade e o triplo do nosso vigor, e uns gémeos de meter inveja ao casal novato nas andanças. Claro que só escrevo por mim, acho que o meu marido atrasou, e muito, o passo para eu não me sentir muito inferior. Dizem que é amor. Decidimos dar mais uma corrida, adoptei a técnica do "se passar aquela árvore ganho uma medalha imaginária, e se passar a seguinte estou a abater as três fatias de bolo de chocolate que comi ontem depois do meu almoço, e se chegar à última árvore sou uma menina bonita. Assim foi, chegámos à última árvore, e fizemos o caminho de volta para casa em jeito de passeio. O dia continuava com aquela beleza própria de Janeiro, que é como quem diz um dia mesmo muito feio, mas que dentro de tanta cinzentisse e chuvisse tem o seu encanto, nem que seja pela ideia de o passar estacionada no sofá, a emborcar pão com manteiga e a ver filmes na televisão. No caminho de regresso, apercebemos-nos que todos os semáforos da zona estavam amarelos. Que coisa? Pensámos nós, isto é um perigo. Um sinal intermitente, é uma bela metáfora para a vida neste país, neste momento. Avancem, mas com cuidado. É assim que andamos por agora, com cuidado, com receio, com vontade de transgredir. É como se estivéssemos à espera que algo de mal acontecesse a qualquer momento e precisássemos de uma alternativa com sinal verde. Avancem, que não vem ninguém do outro lado. Avancem, porque merecem mais, avancem porque do outro lado há coisas maravilhosas à vossa espera. Veremos se assim é. Ao menos por hoje, sei que fiz algo por mim e pelo meu corpo que não fazia há muito tempo e que bem que me soube. Agora só falta a luz verde para o resto.
No chão da calçada havia ainda marcas de chuva da manhã invernosa, fazia vento e devo dizer que muitos foram os pensamentos derrotistas que me passaram pela cabeça enquanto descia a rampa a caminho do jardim (parcialmente destruído) do Campo Grande. Mas lá fomos nós, primeiro a andar, depois a andar mais depressa e depois a correr. Dei por mim a sentir os músculos das pernas a querer ceder, de frio passei a sentir calor, muito calor, e a respiração não queria acompanhar o passo. Inspira pelo nariz, e expira pela boca dizia-me ele. Eu sei como é, dizia eu. Só não consigo é fazê-lo coordenadamente e sem me estalar uma veia na testa. E quando a franja se mete à frente dos olhos? Fico mesmo irritada. Depois de... cinco (ou terão sido cinco horas) a correr, e eu ter vontade de cuspir o meu coração e todas as minhas entranhas pela boca, decidimos parar para caminhar. E claro, fomos ultrapassados três vezes por um senhor com o dobro da nossa idade e o triplo do nosso vigor, e uns gémeos de meter inveja ao casal novato nas andanças. Claro que só escrevo por mim, acho que o meu marido atrasou, e muito, o passo para eu não me sentir muito inferior. Dizem que é amor. Decidimos dar mais uma corrida, adoptei a técnica do "se passar aquela árvore ganho uma medalha imaginária, e se passar a seguinte estou a abater as três fatias de bolo de chocolate que comi ontem depois do meu almoço, e se chegar à última árvore sou uma menina bonita. Assim foi, chegámos à última árvore, e fizemos o caminho de volta para casa em jeito de passeio. O dia continuava com aquela beleza própria de Janeiro, que é como quem diz um dia mesmo muito feio, mas que dentro de tanta cinzentisse e chuvisse tem o seu encanto, nem que seja pela ideia de o passar estacionada no sofá, a emborcar pão com manteiga e a ver filmes na televisão. No caminho de regresso, apercebemos-nos que todos os semáforos da zona estavam amarelos. Que coisa? Pensámos nós, isto é um perigo. Um sinal intermitente, é uma bela metáfora para a vida neste país, neste momento. Avancem, mas com cuidado. É assim que andamos por agora, com cuidado, com receio, com vontade de transgredir. É como se estivéssemos à espera que algo de mal acontecesse a qualquer momento e precisássemos de uma alternativa com sinal verde. Avancem, que não vem ninguém do outro lado. Avancem, porque merecem mais, avancem porque do outro lado há coisas maravilhosas à vossa espera. Veremos se assim é. Ao menos por hoje, sei que fiz algo por mim e pelo meu corpo que não fazia há muito tempo e que bem que me soube. Agora só falta a luz verde para o resto.
sexta-feira, janeiro 11, 2013
O resto do meu percurso foi um percurso menos feliz
Não há visão mais triste que a do abandono.
Ao subir a rampa, esta manhã, tive uma dessas visões.
Ali estava ele, caído, usado, gasto, mudo e sem cor.
Foi aí que me apercebi, como as coisas às vezes parecem pessoas.
O pinheiro foi rei no mês e Dezembro numa das casas daquele prédio.
Animou uma família, foi guardiã dos presentes de pais, filhos e avós.
Aquele pinheiro serviu de pouso para a estrela mais perfeita,
Foi ele enfeitado pelas mãos ágeis da dona de casa mais que habituada àquela tarefa.
Aquele pinheiro ali jogado, fez-me pena. O resto do meu percurso foi um percurso menos feliz.
A minha vontade era levá-lo comigo, a minha vontade é que fosse Dezembro todos os dias.
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