segunda-feira, novembro 27, 2006

MãosFriasCoraçãoQuente

(faz sentido ler e ouvir Jem ao mesmo tempo)
Ontem apaguei parte do meu passado.
Recolhi todos os pedaços, outrora estilhaços de um espelho azarento, juntei-os numa capa amarela que nunca tocarei, e mandei-a para longe, para terra de ninguém.Alguém que dela se encarregue, que eu faço como o outro lá "na terra onde se crucifica depressa" e lavo as minhas mãos.
É destes momentos decididos e decisivos (gosto de palavras semelhantes graficamente mas com sentido não tão assemelhado) que se compõe a minha vida: uma ideia brilhante, um impulso gratificante, uma acção motora, uma batida cardíaca irregular, um folha de papel que voa ao vento, um cordel áspero, um "delete" apreciável...delicioso.
Soube tão bem.A liberdade de facto só tem valor e sabor porque é algo que se conquista, porém só o é quando para ela se está preparado: e eu estou, fi-lo sozinha, confiança pequenina, confiança. Não é de um dia para o outro mas também não demora assim tanto quanto isso, é uma questão não de tempo, mas de improviso, e muita, muita imaginação.
Uma receita fácil para donas de casa desesperadas por algo maior que uma casa sem amor. Afinal de contas, qual o gozo de se fazer um bolo se não podemos lamber as taça de onde o vertemos para a forma...
Ah desgraçado, tanto que tens a aprender. Eu também, a isso não quero fugir, mas felizmente o meu Ego tem dois ou três dedos de testa e não se importa de usar uma saia às pregas com muita convicção, e se de facto não tem a quem idolatrar, tem a quem amar!
Sua alteza não queira ser mais do que não é, seja carne, sangue, espírito e ferro, harmonia e brilho, água e terra, ar e fogo, como todos os outros.
Renda-se às evidências, o amor é dar e receber não é o que se diz por aí...então acho que há alguem que sabe bem tirar, mas tem alguns problemas em dar...resolve-se, mas um passo a mais e a ponte que me unia a mim mesma partia-se, e isso já não se resolvia assim tao facilmente.
Nem sei bem porque escrevo isto, acho que porque estou feliz, morbidamente feliz por saber que matei alguém...eu outra vez com as ideias de um gótico remoto, feito de catedrais e vitrais iluminados por artistas escondidos em mosteiros austeros, eu não sou vidro...sou vitral!
Estou feliz, quero que os que à minha volta dançam o sejam também...ah e tu que dizes que a vida às vezes tem "toques de malvadez", sim tu companheiro recente de uma ida à Suiça...sim a vida tem os seus dias malvados, sim às vezes é de uma ironia arrepiante, mas olha que nós também temos os nossos caprichos, quais princípes duma corte absolutista, e ela só é assim para nós, para nos chamar à atenção...é que ás vezes ela sente a nossa falta!Nunca reparaste que a vida gosta de nós?
Sabes bem porque digo isto, porque acordei de noite com a garganta seca, bebi um copo de água "del cano" e fui à varanda: céu escuro e sem estrelas "Que pena!" pensei eu, chuva nem vê-la, apenas vestígios "pocianos" espalhados pelo chão, voltou a calma temporal, um frio fino e tocante cola-se à minha cara, as mãos têm frio, mas ironia das ironias o coração também, e eu nao tenho nem bolsos nem sono, hoje é o aniversário de alguém "Parabéns!", e sabes quem é que nasce também daqui a nada??
A aurora nem mais.
O Sol espreita por cima do meu ombro esquerdo.Faz sentido nascer assim!
(Se virem uma Aurora qualquer a passear pelas ruas do Chiado, shhhhhhhhhiu...)

1 comentário:

Anónimo disse...

Quanto mais leio mais aprecio o k escreves e o k pensas, ja percebi k es uma princesa com muita alma, e um espirito inigualavel.se eu um dia tiver a sorte de poder editar livros estas na minha lista, pensa num nome, numa capa, num prefacio k eu trato do resto.vou ficar atento

fica bem
quem me dera ter sido o estranho do oriente mas sou mais do outro lado e ele nao devia ter ido embora mas antes ficado so para te ver mais um pouco

R.