E porque tudo o que vejo, vejo como nos filmes. E porque tudo o que fazemos e sentimos pode ser recordado nas asas de um caleidoscópio em pleno movimento. Se há "acção" eu revelo por aqui.
sábado, outubro 01, 2011
Mudar
segunda-feira, setembro 26, 2011
Woody Allen volta a fazer um grande filme.domingo, setembro 11, 2011
Já não sei escrever
Apercebo-me disso. Não por aquilo que escrevo mas por aquilo que não sinto, e escrever é uma questão de sentimento, mais do que outra coisa qualquer.
Outrora foi uma libertação, uma forma de expressão, um corredor largo e alto que percorria de pena na mão, lenta e docemente. Hoje as paredes são apertadas e baixas, o chão escorregadio e não encontro métrica ou forma.
Pergunto-me se foi a minha libertação o que me condenou. Escreverei melhor quando preciso de espaço? Penso no que sempre me levou a escrever, sobre o que escrevo e no que gostaria de escrever. Apercebo-me de que não sei. Não faço a mais pálida e comum ideia. Aliás, senso-comum é coisa cada vez menos comum no mundo em que vivo.
Analiso o problemo, disseco as partes que previamente separei e coloquei em lamelas. Chego o microscópio para junto de mim, afasto a poeira incómoda e olho pela lente.
Espaço. Distância que posso ou não pedir aos demais, distância em que permaneço ou abandono, distância que percorro calma ou a passo acelerado. Espaço é coisa que não me falta. Os caminhos são percorridos a seu tempo, nunca fui apreciadora de corrida, quanto muito de passo-corrida e se me apanharem a fazê-lo, finjo que não sou eu. Peço espaço com regularidade para me encontrar comigo mesma, para reflectir e para logo sentir que não preciso de muito desse mesmo espaço para ser feliz.
Sempre gostei de escrever. Desde pequena. Recordo as composições que a Professora Maria Manuel mandava fazer em casa ou na escola, escrevia sempre demais, enquanto houvesse carvão e folhas. Escrevia, sobre o mar, o campo, a familia e os amigos, os passarinhos, o jogo da macaca, o vestido aos quadradinhos brancos e cor de rosa. Escrevia sobre o Natal, o Pão por Deus e a Páscoa, os pardais aninhados nas telhas da escola e as abelhas que nos picavam no recreio e se me fosse pedido escrevi a até sobre o Universo, mesmo ciente de que era uma coisa muito grande e que só me seriam ensinadas mais coisas quando fosse mais crescida e mudasse de escola.
Hoje escrevo exactamente sobre as mesmas coisas, com mais ou menos detalhes, e com a vantagem de já ter vivido uns anos e perceber qua antes as coisas eram de uma forma e agora são ridiculamente iguais. Mudando-se alguns adjectivos, fazendo uso de advérbios de modo e revelando aqui e ali algum je ne sais quoi de cultura geral.
De futuro gostaria de continuar a escrever sobre estas coisas mas de forma mais pueril. Porém como o posso fazer se hoje sei mais do que ontem e amanhã é para mim uma janela aberta a uma paisagem composta por milhares e milhares de perspectivas animadoras? Precisarei de me desligar de algo a mais, precisarei de algo a menos? Sempre gostei mais de prosa, acho-a a mais apaixonante que a poesia, a arte dos que se apaixonam por tudo o que respira. Não quero com isto dizer que não me derreta com versos de Wordsworth, que não reflicta ao ler Victor Hugo, que não me encante com um presente recente de nome Emily Dickinson. Quero sim afirmar que esses eram grandes demais, souberam fazer da frase curta um hino à gransiosidade da palavra.
Eu não o sei fazer, prefiro a prosa que me permite escrever tudo o que me vem à cabeça, porém acho sempre que escrevo frases curtas exactamente porque apreciso poesia que transformo em prosa. Talvez não tenha ainda encontrado a forma certa, talvez apenas a encontre quando deixar de procurá-la e ela sentir-se livre e por isso preparada para mim.
sexta-feira, agosto 19, 2011
sexta-feira, agosto 12, 2011
Para o meu pai
quarta-feira, agosto 10, 2011
Porque dominar é preciso - e comer também.
segunda-feira, julho 18, 2011
A Árvore da Vida
sexta-feira, junho 24, 2011
domingo, junho 12, 2011
domingo, maio 22, 2011
O sonho que nunca mais esqueci
Ela sonhava com o pai.sexta-feira, maio 06, 2011
O menino no tractor
Van Gogh, Path through a field with willows, 1888
terça-feira, maio 03, 2011
Uma noite assim
segunda-feira, abril 11, 2011
segunda-feira, abril 04, 2011
Uma tarde como outra qualquer
sexta-feira, abril 01, 2011
Escuro
segunda-feira, março 28, 2011
Chuva para o almoço
Às vezes, mesmo sabendo que não temos razão, prosseguimos e não avistamos para lá de entre as gotas de chuva. O Sol deixa de espreitar e não conseguimos opor-nos aos nossos próprios sentimentos, mesmo sabendo que não temos razão. Trata-se de uma sensação ridícula, um cansaço da alma que corrompe os sentidos e não nos permite ver com a clareza que precisamos. Saber que não se faz o certo e mesmo assim persistir, saber que a vida é boa e bela demais para ser medida em folhas de papel mal impressas. Deixemos a chuva cair e levar com elas os nossos medos, nada há a temer. Nada. Viver apenas, respirar o teu corpo e deixar-nos cair no trapézio sem rede que é a nossa vida.
quinta-feira, março 17, 2011
segunda-feira, março 14, 2011
quarta-feira, março 09, 2011
127 horas
segunda-feira, março 07, 2011
A dois
terça-feira, março 01, 2011
Mudar de casa...mudar de vida?
domingo, fevereiro 13, 2011
F.u.t.u.r.O
Futuro.quarta-feira, fevereiro 09, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
Hino
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Do que gosto?
quarta-feira, dezembro 29, 2010
sábado, dezembro 18, 2010
sábado, dezembro 11, 2010
Porque o coração não sabe ler
sexta-feira, dezembro 03, 2010
A ave
segunda-feira, novembro 29, 2010
domingo, novembro 07, 2010
sábado, novembro 06, 2010
Incrível
domingo, outubro 31, 2010
Amor é o lugar de onde se parte, é o caminho que se trilha e o lugar a que se chega.
domingo, outubro 24, 2010
Embalada
quarta-feira, setembro 15, 2010
Outono
O verão está a morrer. Está a despedir-se depressa demais. Não sentem? Não concordam, ainda ontem parecia estar tão presente. Será que foi alguma coisa que fiz e ele agora está a vingar-se, partindo repentinamente. Mau este Verão, ser vil e sem coração. Que fazer? Prosseguir, com ou sem o ar quente dos meses do meio ano, e não menosprezar aquilo que os que ainda estão para vir me podem oferecer.
Tardes calmas, aninhadas na manta ao sofá. Chá, e bebidas quentes horas frias, refeições reconfortantes, matinés em que adormecemos antes do filme terminar, o enroscar do gato no nosso colo. Aquele frio ao acordar e que nos empurra ainda mais fundo entre os cobertores, aquela vontade que falta uns dias e que teima em ser forte nos outros. A de ficar, ali toda uma manhã.
Noites frias com vidros embaciados, revisitar de momentos puros, nostalgias anciãs, a memória de aniversários remediados, de festividades felizes, de surpresas simples.
Outono que aí vem, folhas amareladas e quebradiças estendidas no chão feitas manto de retalhos, retalhos que teimam em permanecer quietos e murchos, tal como alguns corações, ternos, adormecidos, expectantes, sombrios, em sobressalto, corações descompassados e que precisam de ganhar ritmo, um novo bater, um bater esperançado, um bater feliz, um bater disposto e prosseguir, um bater majestoso e desejoso de mais, apenas um pouco mais.
terça-feira, agosto 24, 2010
A memória
É um corte abrupto na carne, bem no centro. São fios a rebentar por não conter a força do movimento de dentro para fora, arde uma luz que na sua própria aura consome o que resta do corpo dormente. Uma dor tão forte que dá ideia de que o coração quer abrir caminho pelas costas, não temos asas e agora não temos coração.
O ar deixa de entrar. Fechamos os olhos e quando os voltam0s a abrir, está tudo igual, tudo menos o coração que permanece fora do corpo, e o ar que não entra por ele a dentro.
Decidimos sair em busca do Sol e voltar para casa sabendo que não o encontrámos e sentir bem lá no fundo que não o vimos, porque ele saiu também à nossa procura. Assim se gera o apaziguamento doce e que se vai instalando calmo e feliz clamando por Liberdade, aí sabemos que temos de buscar o nosso próprio Sol.
A memória permite acesso a coisas extraodinárias, relembra-nos do que queremos que fique e do que queremos que vá, que fiquem os mapas nos nossos corpos, as manchas nas nossas almas, os olhares tão cheios de vida, o gosto do gosto de outros, o resto que vá.
A memória relembra-nos que há dor, que se olharmos para a ferida dói mais, ganha vida. A memória permite-nos abrir todas as portas que se fecharam, permite-nos correr até que nos faltem as forças até àquilo que queremos, a memória busca-nos quando nos esqueçemos dela. A memória é intruiguista e ávida de conquistas, e quase tão bela... Isso faz dela invejosa, a memória gostava de ser corpo como nós, sentir dor, alegria, prazer e toque humano, mas a memória não pode, é mera escrava do ar que envolve tempo que já foi.
quinta-feira, agosto 12, 2010
Deveres
Devemos correr atrás do que queremos.
Devemos sempre prestar atenção ao que nos rodeia, a quem nos rodeia e a quem rodeamos.
Devemos perdermo-nos para nos voltar a encontrar.
Devemos deixar sempre a porta entreberta para que os fantasmas percebam que não os tememos.
Devemos repetir sempre aquilo que já sabemos que o outro sabe.
Devemos deixar que as oportunidades não escorram por entre os nossos dedos.
Devemos partilhar o pouco que temos, para que o pouco se transforme em algo grandioso.
Devemos morrer se queremos renascer, sem deixar morrer o calor que emana do nosso coração acorrentado à carne fria.
Devemos beber do suór da Lua, cantar com as lágrimas secas do Sol, maravilharmo-nos com o odor das estrelas em noite escura e quente, devemos fechar os olhos para assim vermos toda a uma vida.
Devemos contemplar o Vazio que sentimos engrandecer-se na derrota dos nossos actos.
Devemos deixar o Vazio instalar-se, comprazer-se na nossa dor, deixá-lo mais um pouco.
Devemos apelar às forças que já não acreditamos ter, alimentá-las do que de bom ainda possuimos, pegar na espada da Vitória e despedaçar o Vazio, deixá-lo ir com a brisa fresca da saudade e sair vitorioso no seu lugar.
Devemos partir, se nunca abandonarmos o nosso lugar.
Devemos ficar, se nunca tivermos vontade de partir.
segunda-feira, agosto 02, 2010
domingo, agosto 01, 2010
A Vida parece ter vontade própria
Sabem quando vos apetece fugir, esquecer, relativizar, simplificar, esconder de tudo e todos com a máscara de um sorriso escavada na mais dura rocha na encosta da solidão?
Sabem quando se tenta apagar da memória, mesmo que temporariamente, os bons momentos vividos, as alegrias partilhadas, os sorrisos cúmplices, os despertares felizes... e tentamos e tentamos, em vão...
Parece que estamos a produzir uma imitação da vida, uma forma desesperada de não sentimento, de não desejo, de não cumprimento do dever, de esquecimento. Um rio que não desagua em mar algum...
E eis que a Vida ganha força, mais uma vez, e parece ter vontade própria, esbofeteia-nos, diz que nos portámos mal, que estamos a fugir de algo que está dentro de nós e que ecoa numa sombra pesada. A sombra é nossa prisioneira, ou nós dela.
E eis que a Vida ganha força, força como a do corpo enraivecido, força como a lágrima que escorre sem poder ser contida, força como a do vento em noite de tempestade, força como a da entrada de um corpo no outro num balanço terno, força como a das amarras do passado, força como a da sombra que rouba a luz do nosso dia, força como a do espaço da palavra escrita porque não a posso proferir de viva voz, força como a da alma que acredita que a sua carne se unirá a ela uma vez mais.
E eis que a vida me faz deparar com isto...e eu lembro tudo outra vez...é a Vida.
"Um beijo teu é como água salgada, quanto mais se bebe...mais sede se tem."
Drummond de Andrade
segunda-feira, julho 26, 2010
Hoje odiei o mundo por duas vezes
Desde o dia 15 de Junho que odeio o mundo. Faço sempre o mesmo caminho em direcção ao meu trabalho e o mesmo para regressar a casa ou a outro sítio qualquer.
Tem dias em que odeio o mundo. Desde o dia 15 que ao mesmo tempo que me encaminho para o escritório vejo um homem velho, de cabelo e barba branca, com sacos de plástico numa ou em ambas as mãos. Nas mãos cheias que me parecem vazias. Mas só as mãos parecem vazias, olho-o sempre revoltada e fico triste, não sei o que lhe aconteceu, o que fez ou o que lhe fizeram. Não sei como e quantas pessoas magoou, não sei se mentiu, se maltratou, se roubou ou se matou sequer. Juro que não sei. Não lhe conheço a voz, nem a morada. Só vejo com o meu olhar entristecido que procura o olhar triste dele, e nesta procura terna de vidas fugidias fico sem saber porque odeio o mundo e por ele nada consigo sentir.
Apenas sei do que vejo, e quando o vejo, olho-o a ver se me olha, procuro-lhe a íris mas ele olha sempre o chão e nunca as pessoas de frente, não sei se por vergonha, se por medo. Ele não me olha, e tem dias em que acho que se o conseguisse encontrar com o meu olhar que lhe conseguiria ler a alma e dizer-lhe sem palavras que não tem que fugir das pessoas. Um dia se o vir sentado no banco do jardim frente à igreja como também já o cheguei a ver, vou falar com ele. Devia tê-lo já feito. Hoje vi-o a caminho do emprego e a caminho de casa. Hoje vi-o duas vezes. Hoje odiei o mundo por duas vezes. E hoje não o consigo esquecer.
domingo, julho 18, 2010
Entre as linhas
Há poemas que se escrevem e que jamais serão lidos.
Há cores inventadas e que jamais impregnarão uma tela.
Há lugares do coração que nos esquecemos de procurar.
Há medos que por mais que combatamos não se esgotam ao nascer do dia.
Há verdades imensas, valiosas, donas da Humanidade.
Há coisas que gostaríamos que fossem fáceis, e só o são se assim o quisermos verdadeiramente.
Há partes de nós que são estilhaços que nos cortam a nós e aos outros.
Há palavras que não queremos vir a precisar de dizer.
Há caminhos que não queremos percorrer.
Há que percorrê-los, a pé, a voar, contigo, por ti, ou apenas para te alcançar.
Há sentimentos que se alojam nas encostas da nossa alma, tal como as rochas tumulares nas praias fazem alterar a morfologia do mundo.
Há coisas que quando nos imaginamos sem, fazem com que o reino dos nossos sentidos se desmorone.
Ritmo.
Obra.
Devaneio.
Revelação.
Inimaginável.
Gesto.
Obrigatório.
Há o verso curto e há a composição escrita. As entrelinhas que foram inventadas para que consigamos descobrir o que deixou de ser visível, as frases feitas para nos redimir, e...as mesmas, capazes de nos condenar.
domingo, julho 11, 2010
É bom...
É bom quando chegamos, sentir que foi como se nunca tivéssemos partido!
Também gosto da sensação de partir, e nesse mesmo momento vislumbrar a minha chegada. Por melhor que seja o motivo da ida, só é de facto bom, se tivermos uma razão ainda melhor para regressar. Sempre vi assim as minhas viagens. Fui sempre na intenção de voltar. Houve apenas uma vez que não o desejava, queria lá ficar, nem sei bem porquê...estava a gostar por demais da novidade e a achar que aqui no lugar onde tinha de ficar não tinha grandes coisas para fazer, a não ser continuar a aprender um pouco sobre tudo e nunca muito sobre coisa alguma. "Adolescentes" diz a irmã!!
Mas a verdade é que voltei. No ano seguinte regressei pela mesma altura, os planos foram alterados à última da hora, peguei em mim, comprei um bilhete e meti-me no avião, queria desaparecer...mesmo que fosse só por 10 dias, mesmo sabendo que o longe é sempre perto demais. Voltei tristíssima por sair de lá, foi uma verdadeira tortura, mas voltei. Alterada. Tomei decisões, mudei tudo, desisti do que havia a desistir e formulei uma recuperação: nos entretantos fui celebrando a vida!
Desde então a viagem que fiz foi por aqui mesmo, a do ano passado não conta...e este ano também não prevejo nenhuma no horizonte!
Viajarei nos sonhos, que vou trilhar por entre caminhos feitos em chão de pedra dourada coberta por todo um manto feito de retalhos de alegria e cheiro a moringa.
Além dos sonhos, viajarei com as palavras, nos intervalos dos esforços laborais, nas noites quentes e abafadas de Verão, nas manhãs cheias de esperança e frescura, nos entardeceres calmos e abraçados, sim o entardecer é capaz de nos abraçar: normalmente é nesse momento que o nosso coração se deixa inflamar.
sábado, julho 03, 2010
Manifesto ao Prazer
Creio que preciso de descodificar o prazer. Afinal o que é isso de "prazer". Sei sentir, mas não sei explicar. Não sei se coloque a questão em termos físicos, ou siga outro rumo que desemboque numa ressonância magnética à alma.
O prazer poderá ser dor?
Acho que sim. Pode gerar ou ser gerado por ela. Deveriam ser antagónicos, mas vejo-os um ao lado do outro, de mãos dadas. Porém, e é aqui que entra a grande questão: o prazer proporciona felicidade. Andamos todos à procura de ser felizes, mas dou por mim a olhar para isto tudo e a crer que procuramos de maneira errada. É como se a felicidade fosse uma meta e não todo o chão que pisamos até chegar a ela...A felicidade meus caros é algo que está sempre connosco, dentro de nós, e para onde quer que vamos, a felicidade está em nós, é tudo aquilo que somos, o que de bom nos alegrou e o que de mau nos fez mudar, mudar para melhor. Sejamos independentes e encontraremos forma de dar a quem precisar de receber. Talvez a questão à qual não quero responder seja "És feliz?", mas sim "Podes ser ainda mais feliz?", prefiro responder à segunda questão.
E eis que me lembro do prazer, e nas suas variações, o prazer na dor como já mencionei, o prazer como escape, o prazer como manifestação sensorial dos nossos sentimento, ( a sensação de sentir...jamais esquecerei isso), o prazer como resultado explosivo do afecto que sentimos por alguém, o prazer em dar, o prazer de receber, o prazer da carne pura e dura, o prazer na vontade que se gera entre duas pessoas sem que precisem de fazer uma pergunta que seja, o prazer de um simples acordar silencioso, porém majestoso em gestos, o prazer de ouvir a voz de alguém de quem se gosta e que nos faz falta, o prazer em achar que há muito para fazer, por isso o que está feito se feito com prazer não precisa de qualquer recriminação.
O prazer. Sintam-no, mas não façam dele um sedativo, não vejam no prazer uma sensação momentânea, um escape para os problemas da vida, problemas sempre teremos, resolvemos uns e logo surgem outros, com o prazer é a mesma coisa, deixamos de ter prazer numas coisas para ter noutras, e o mesmo com as pessoas, e o mesmo com as cores, e o mesmo com a felicidade, hoje sou feliz, mas amanhã quero ser mais!
domingo, junho 27, 2010
É de noite que os deuses descem à Terra dos Sonhos
sábado, junho 26, 2010
Afinal do que é que não gosto
domingo, junho 20, 2010
Respiro entre Vento e Aguarela
(fotograma do filme, E tudo o ventou levou, 1939)
sexta-feira, junho 18, 2010
Pessoas
domingo, junho 13, 2010
Passarinho na gaiola!
"Disseste-me tu!"
Sinto as grades, as asas presas e o espelho que reflecte a imagem que não apetece admirar.
A prisão que esgota, suga a energia, e cola as asas à carne que não se vê.
E dentro da gaiola há o pauzinho suspenso por dois fios feitos de arame que o transformam num balouço, sinto o arrepio do balanço, o medo de cair...mas não caio, eu devia cair.
Não percebo..eu devia cair.
Uma coisa é não querer, outra é não poder, um coisa é ser, outra é algo que não sei o que é.
Quero voar, pode ser baixo, naquele voo tangente ao solo que por timidez roça na ponta da erva orvalhada que arrepia a barriga ao toque, mas quero voar. Mas não consigo cair primeiro.
Não rasga, não corrói, não verga, não expulsa, o que entra fica e não sai.
Não corre, não parte, não estica, o que respira transpira e não molha.
Bate as asas passarinho, que o gato está a ver-te por entre as grades da gaiola.
sábado, junho 05, 2010
A um passo da Eternidade







