domingo, junho 20, 2010

Respiro entre Vento e Aguarela

(fotograma do filme, E tudo o ventou levou, 1939)
"Mais. Por favor."
Transbordo de sensações. Misto de embaraço e avidez, numa aparente calma movediça. Palavra como cor de aguarela aguada, ténue e translúcida.
E se a chuva vier? E se a impiedosa chuva vier e fazer desaparecer a aguarela da face da Terra. E se a chuva vier? Como é que se anda erguido debaixo da chuva? Aliás como se protege a aguarela para que não se misturem as cores?
Respiro. Por um pouco. A tela ainda ali está, a aguarela é que teima em secar.
E se fechar os olhos, por um momento que seja...será que o momento se esvai?
Abro as janelas para que a brise entre, se chegue a ela e num abraço fresco a faça secar mais depressa. O abraço descai num longo beijo entre apaixonados, o Vento e a Aguarela.
Respiro. Respiro mais uma vez. Nem sempre é fácil respirar, teima em sair, o ar amedrontado, mas mais não é possível. Respiro.
Gota de suór deslizante, entre os fios que definem os corpos. Respiro. Páro. Recomeço. Um respirar solenemente prolongado. E depois há aquilo que não se vê, que não se mostra, que não se materializa, a agurela não penetra. Respiro em pequenas doses enquanto o momento não chega.
Vento forte, capaz de destruir. Mas o vento é também elíxir quando chega em boa hora. A aguarela espera pelo vento, que é capaz de vaguear pelo mundo enquanto ela fica húmida e fresca entranhando-se na mais bela tela que quiseram pintar.
( E só escrevo porque ao escrever, respiro.)

sexta-feira, junho 18, 2010

Pessoas

Algumas gostam de sorrir. Outras de chorar a rir, outras preferem chorar antes e rir depois.
Pessoas grandes, pequenas, altas, magras, daqui e dali, viajantes do ar, da terra e do mar. Sonhadoras convictas ou idelistas inertes. Pessoas que gostam de pessoas. Pessoas que gostam de comunicar, de agradecer, de fazer sorrir. Pessoas que não temem, que vão em frente. Pessoas que sofrem, que já sofreram e mesmo assim não desistem, por saberem que o bom do sofrimento é que este termina eventualmente. Pessoas que dançam sem música. Pessoas com o dom de tocar um instrumento, ou de tocar alguém. Pessoas que antecipam, outras que se esquecem do que está para vir. Pessoas que deixam outras para trás. Pessoas que esmagam outras, pessoas que não pensam nos outros. Pessoas de quem gostamos. Pessoas com quem nos cruzamos, pessoas que nos cedem a passagem, pessoas que se aproveitam da nossa passagem pela vida delas. Pessoas que largamos, pessoas com quem vibramos. Pessoas a quem fazemos confissões, pessoas que esquecemos de nos lembrar. Pessoas que jamais esquecemos, outras que nunca nos esquecem quando delas já nada queremos saber. Pessoas que matam a fome que as atormenta com sabores de outros mundos, com sons de outros universos. Pessoas com sensibilidade, pessoas que nos abraçam, que nos sentem, que entram em nós e não queremos que deixem de se entranhar nos nossos poros.
Pessoas como tu.
Pessoas como eu.

domingo, junho 13, 2010

Passarinho na gaiola!

"Disseste-me tu!" Sinto as grades, as asas presas e o espelho que reflecte a imagem que não apetece admirar. A prisão que esgota, suga a energia, e cola as asas à carne que não se vê. E dentro da gaiola há o pauzinho suspenso por dois fios feitos de arame que o transformam num balouço, sinto o arrepio do balanço, o medo de cair...mas não caio, eu devia cair. Não percebo..eu devia cair. Uma coisa é não querer, outra é não poder, um coisa é ser, outra é algo que não sei o que é. Quero voar, pode ser baixo, naquele voo tangente ao solo que por timidez roça na ponta da erva orvalhada que arrepia a barriga ao toque, mas quero voar. Mas não consigo cair primeiro. Não rasga, não corrói, não verga, não expulsa, o que entra fica e não sai. Não corre, não parte, não estica, o que respira transpira e não molha. Bate as asas passarinho, que o gato está a ver-te por entre as grades da gaiola.

sábado, junho 05, 2010

A um passo da Eternidade

Já se deram conta da imensidão da vida que já se esvaiu?
Já se sentiram abençoados tamanha é a felicidade que contém o vosso coração, transbordando para lá da linha do Horizonte, desafiando a lógica, a convenção,... a normalidade.
Às vezes damos por nós a pensar que nunca somos os eleitos, que são sempre os outros os primeiros, que a nossa vez tarda sempre, mas depois quando chega sentimo-nos lisongeados, vingados, glorificados.
As dúvidas deixam de ser dúvidas porque a noite as desfaz na brisa da madrugada.
O quente do corpo ao nosso lado, adornece a nossa alma de sonhos felizes como que em catadulpa, a brisa instala-se, permanece, vibra e nós quietos, abraçados, respirando ao ritmo do mesmo compasso binário.
E tudo isto num encosto de peitos apertados um contra o outro, num jogo dançante que de calmo se torna cheio de movimentos e avidez, de sussurros e olhos que quando fechados vêem toda a realidade. E nesse mesmo encosto que se encaminha para outros lugares, o corpo fala a linguagem dos sentidos, do sentimento mais primário. As línguas secam de sede, os dedos das mãos tentam sentir vida ao tocarem a superfície do corpo que está à sua frente, ao entrar nele e ficar. As luzes, as sombras, a luz, a sombra, o desejo que encadeia, os olhares cruzam-se na antevisão da sensação frenética que pára e recomeça e que me lembra que estou a um passo da Eternidade.
E depois a calma, a reflexão, a vontade de sorrir, a vontade dar beijos incontáveis, de não arrancar o cheiro que se entranha nos poros, a vontade de não fechar os olhos por recear que aos abrir já lá não estejas, mesmo sabendo que isso não é possível, porque estás, estás mesmo.
O que se segue, o que acontece no dia seguinte...e depois e depois? É a Eternidade pois claro. Que se aninha no nosso dia a dia, que nos faz sentir falta do dia que já foi e do dia que está para vir. A Eternidade é a ideia de que somos capazes juntos, que podemos prosseguir, que a hora seguinte vai ser melhor que as anteriores, que os desafios podem vir que estamos cá para eles. A Eternidade é o espaço que se gera entre nós e que ecoa como um grito silencioso dos nossos corações. E eu espero, o tempo que for preciso.
A Eternidade é o que te dou, e é tudo o que tenho para te dar.

sábado, maio 29, 2010

O Passado é capaz de vos libertar

Olhem para a frente porque para trás não há nada que nos faça avançar. É incrível como por vezes se o usa o passado para não se prosseguir, como se ali, naquele tempo que se foi estivesse a caixa de Pandora capaz de nos fazer felizes (outra vez, como se foi outrora). Tão errado. A vida mais não é que uma sucessão de passados. Uns mais curtos, outros maiores, uns bons, outros errados, uns constantes e uns inundados em mar revolto. Passado é sinónimo de Lição. Presente também. Pensem nisso. Passado é a casa de infância, o cheiro a leite com chocolate e pão com manteiga. Passado é o cheiro do primeiro amor, que é apenas o primeiro dos sortudos que amam muitas vezes porque se entrgam, se deixam ir, e voltam ao mesmo lugar que é a si mesmos, alterados e melhorados. Deixem-se de padrões, construam algo novo, brinquem com a vida, brinquem com os brinquedos que vos são oferecidos pela vida. Amem o passado mas por aquilo que vos foi ofertado e não por aquilo que vos foi retirado, ou por aquilo que não souberam fazer perdurar (se soubessem não deixaria de ser passado). Usem o Passado. Abusem dele. Sintam-no para atingir Liberdade. Sim, o Passado é capaz de vos libertar. Quando libertos, o Presente é mais vivo, mais colorido naquela cor que é transparente de tanta clarividência, aquela que nos permite ver o que éramos e aquilo que conseguimos ser.

domingo, maio 09, 2010

Porque a Felicidade é um Império

E por vezes renunciamos à Felicidade por vaidade.
Por vezes, são vezes demais.
Entretanto chega uma diferente, aquela em que nos deixamos ir...numa doce queda, terna e sem rede por percebermos que a rede mais não é que vaidade camuflada.
Por isso, se estivermos felizes a rede deixa de ser precisa, e se sentirmos a felicidade a rede desaparece para sempre, aquele "sempre" que o nosso olhar conseguir alcançar.
Felicidade um Estado. Felicidade que se torna num Império.
Pausa breve.
Segue-se a sensação de alegria ao contemplar a manhã.
Pausa mais breve e ....
Recomeçar: o corpo insurge-se, move-se numa dança leve contemplada pelas estrelas que nunca estiveram tão perto. O corpo pára, serpenteia, sobe e baixa, reclama o grito abafado, comprime-se num espasmo absoluto e tremulamente quieto.
O corpo permanece, nú, íntimo, endeusado, vibrante, quente, desarmado e sedento do outro. Que fazer?
Abraçá-lo, entregar-me, e trocar-me pelo outro para poder ser livre.
E nisto surgem as palavras..., conheço-as profundamente e opto por não as escrever. Prefiro dizê-las, com a boca, com o olhar, com o ventre firme porém nervoso ao toque dos lábios, digo-o com a respiração ofegante, de cabeça encostada no peito ritmado ao batimento cardíaco naquele compasso binário transformado em caixinha de música. Digo-o com as mãos que se tocam e abraçam por já se conhecerem.
Prefiro dizê-las sonhando com o toque da espuma do mar na ponta dos pés, a espuma feita de aroma a sal que mais não é que a lágrima que cai quando choramos felizes.
Sou tudo o que mudou, alterada, guiada até este ponto, melhorada, e eternizada no Presente.
Gosto de saber que nada do que fiz é fonte de arrependimento, que tudo acontece para me fazer chegar a algum lado, ou a alguém que me destabiliza, me faz confiar na sua presença e me faz sonhar com a ideia de que a sua felicidade mais não é que a visão da minha própria felicidade. E essa felicidade tem a extensão de todo um Império.
E assim vieste... e alteraste tudo o que até hoje sabia... engraçado é que dou por mim a compreender a grande Lição que me dás: a de que sabia tão pouco.
Contudo, isso fica em segredo, mas Tu podes dizer-me aquilo que me costumas dizer, quantas vezes quiseres que eu escutá-las-ei a todas!
E prometo dizer-tas sempre que a minha boca fugir para a verdade.
Tua.
L.

Para a minha amiga

Por tudo o que já dissémos uma à outra.
Por tudo o que já te contei e tu ouviste, aconselhaste e consolaste.
Por tudo o que nos une, nos separa, e nos traz de volta.
Por tudo o que vimos juntas, rimos e voltámos a rir.
Por todos os momentos estranhos, as conversas desconexas e os risos epiléticos.
Por todos os dias que já passei sem ti e que são infinitamente maiores que aqueles que passámos na companhia uma da outra.
Por todas as palavras amigas, de consolo, de gratidão desnecessário.
Por todas as etapas superadas e as que ainda estão por vir.
Por todos os sonhos realizados e aqueles que ainda havemos de sonhar.
Por todas as garfadas juntas para que ficássemos a par uma da outra.
Por todas as perdas, consequências e regressos.
Por todas as desilusões, as injustiças, e as incompreensões.
Por todos os dias de sol, as tardes cálidas e uma de nós algures à espera da outra.
Por todos os momentos nas estações de Metro.
Por todas as vezes que não dissémos "adoro-te", por acharmos que não era preciso.
Por todas as horas, minutos e segundos partilhados.
Por todas as horas, minutos e segundos por partilhar.
Por tudo o que temos e teremos.
Por tudo o que perdeste, eu perdi também.
Por tudo o que eu ganhar, será teu sem pedires.
Por tudo isto e muito mais.
Por tudo o mais que nunca será muito.

domingo, abril 25, 2010

A profetisa das sensações

Vamos tornar os nosso dias menos solitários quando acompanhados. Vamos deixar de abrandar a perseguição dos sonhos que não sabemos revelar. Vamos fazer do medo condição que se mata com beijos ao acordar dados ao acaso por entre os lençóis. Vamos fazer do sorriso fonte inesgotável do espírito físico. Vamos fazer do Amor a Religião mais nobre, mais completa e mais duradoura. Façamos do leito catedral, do lar o confessionário, e do corpo o altar a adorar e refúgio do carinho animal. Vamos ter esperança e fazer dela a bandeira mais vibrante para que seja vista pelos olhos ávidos do Universo. Vamos fazer dos minutos, horas mornas, das horas dias sorridentes e dos dias nascerão anos cada vez mais ricos, cada vez mais frescos e cada vez mais frondosos. Esqueçamos aquele que deixa cair a pedra por orgulho, esqueçamos que já tivémos essa pedra na nossa mão, esqueçemo-la, lembremo-nos da mão que toca, agarra, larga puxa, envolve, amacia, dedilha, controla e deixa-se tocar, agarrar, largar, puxar, envolver, amaciar, dedilhar, controlar e sempre, sempre sentindo. Lembremo-nos da mão, porque quando os olhos já não conseguem ver, a mão sente por eles. A mão lembra-se do que é sentir quando nós achamos que já não o sabemos fazer. A nossa mão sabe o caminho, ela guiar-nos-à qual profetiza das sensações.

Mar

Saudades da praia. Ai que lamento sonhador aquele que sonha com o sentir do primeiro toque da planta do pé em areia fina ou grossa, não importa. Ah que loucura prolongada de prazer pueril, o da frieza do mar que sobe pernas acima, congela o corpo, aviva a memória, e é mordaz no corte que faz na barriga que nos faz esquecer de repirar. A frieza que mesmo assim aquece todo um coração sedento de consolo salgado de amar.
E a criança ama tanto, vai adiante, sobe a montanha amorosa que só ela conhece, toma as rédeas da fera oceânica e sente o frio a sorrir e a gritar como que no "toque e foge". E enquanto criança é assim, depois cresce e tem medo de sentir a frieza do mar, diz "não consigo" e faz caretas, vai entrando devagar, devagar até molhar a cabeça naquele mergulho feito de coragem acobardada.
Sintamos mais uma e uma vez. Sintamos a água gelada e espumosa na pele macia e agora arenosa temperada ao Sol. Percamos o medo da Dor essa maldita criatura que só tem força se a quisermos alimentar.

domingo, abril 18, 2010

A primeira viagem da pequenina

Ela pegava na mão pequena da pequenina e levava-a por entre as ervas finamente verdes. "Já falta pouco, já falta pouco". O caminho era curto, mas por saber que iria culminar numa surpresa parecia longo, interminável, inesgotável. A mão pequena e segura da pequenina escorregava, e a força exercida mesmo pouca, parecia capaz de esmagar a mão da menina, a mão e os sonhos sonhados para ela. O Sol lá no alto mas também longe anunciava uma Primavera fresca e demorada, "o frio já lá vai", agora que venha o quente, o mais quente e o laranja dourado do Verão que se vê nas cearas em trigo.
A menina de perninhas anafadas e baixinhas, fugia por entre uma ou outra flor que teimava em travar-lhe a caminhada, impetuosa e vaidosa como uma flor deve ser. A menina em surdina falava com elas: "não perdem pela demora, alguém virá ainda mais vaidoso que vocês e tirar-vos- à do vosso lugar, a Terra deixará de ser a vossa morada, e o Vento o vosso namorado para a vida.".
A menina parou porque a sua companheira de viagem parou antes dela, a sua guia olhou para o céu, deixando-se ficar a admirar a viagem das andorinhas que por ali se deixavam conduzir....e pensava "gostava de ser como elas, não saber como mas saber sempre para onde ir, mas já falta pouco para mostrar à pequenina as fadas mais mágicas que conheço. Mágicas pela sua cor, pela sua curta existência, e por conseguirem transformar-se em bailarinas sangrentas. Adoro-as...e ela vai adorá-las também quando vir o manto majestoso que prepararam para seu deleite.".
A pequenina estava cansada, farta de andar, as perninhas já trôpegas, a azeda nos lábios, o chapéu de palha com o laço branco que deixava fugir a franja cerrada e os caracóis longos e castanhos escuros, escuros como casco ardido, e brilhantes ao Sol, tal como a Lua brilha quando sobe ao altar nocturno.
Chegadas.
Vivas.
Como sempre devem estar, era isto que a mãe te queria mostrar "Apresento-te as papoilas".

domingo, abril 11, 2010

Escolham as vossas......

Há o doce que se gosta e o salgado que se deseja. A Luz que se adora e a sombra que se teme. Mão para dar e pé para repudiar. Voo picado para controlar e voo contra-picado para nos libertar. Ar para respirar e Terra para pisar. Veneno que queima e antídoto que refresca. Guerra interior e paz ganha sem esforço. Homem que quer e Mulher que é querida. Absolvição para uns e Pena para outros mais. Há magia no olhar e pragmatismo na concepção. Demagogia para os que não sabem nada de nada e frontalidade para os que sabem antever. Há a palavra que nem sempre se profere e a ideia que não nos abandona o pensamento vigilante. Sopro nocturno e Inspiração matinal. Peça que encaixa e Argumento que a guarda a sete chaves. Cor no acto e "preto e branco" na recordação do mesmo. Há Silêncio para a reflexão e música para a deixar fluir. Há liberdade e comodismo. E depois, há tudo aquilo que queremos que seja. É um história interminável que não se esgota nas frases feitas, nem nas que ficam por contar. Há o pesado que se deixa algures e o leve que levamos no coração. O quente dos dois juntos e o fresco do outro lado da cama. Há a harmonia sentida e a desarrumação controlada. Há o esforço para lá chegar e a leveza do ser que nada precisa fazer. Há o feitiço diário e a descrença que já lá vai. Há o deitar feliz e o acordar ainda mais feliz. Há o verso livre e o texto censurado. Há a película que aprisiona e o digital que engana. Há o sonho e o pesadelo, há o sono leve e a leveza ao acordar. E depois...depois deixa de haver o resto.

sexta-feira, abril 02, 2010

Como que em círculos

Os momentos que escolhemos para sermos felizes, recolhidos na doce contemplação do momento vivido são os que contam. Os que contam são os que recolhidos na doce contemplação do momento vivido, e de facto vivido e latente, cresce fresco mesmo depois de tanto tempo.
Os momentos que escolhemos para sermos felizes são os momentos que podem ter sido bons ou maus: se bons, recordamo-los para sorrir, se maus ,a escolha recai sobre o momento da superação, aquele momento em que reaprendemos a valorizar tudo aquilo que perdeu o devido valor. E é assim, simplesmente assim, fácil, leve e apaziguador. Fácil agora, mais difícil na altura, não fosse o tempo uma corrente de ferro que nunca, nunca se corta.
Tudo nasce do momento da escolha que fazemos sem que disso nos apercebamos, passamos o dia a fazer escolhas, hoje ou amanhã, aqui ou ali, assim ou assim, de lado ou de frente, contigo ou sem ti, sorrindo ou chorando, andando ou a voar, ao acordar ou ao deitar, agora ou daqui a cinco minutos, com manteiga ou queijo fresco, em casa ou na rua, porque sim ou porque não, por mim ou por ti, por nós ou por ninguém.
Perpetuar como que em círculos, fazê-los rodar, rodar com eles e para eles, fazer do violeta a junção do vermelho e azul, rodar com as cores, correr ao vento com elas, respirar o ar que agora é violeta e ontem era cinza, olhar o céu e ver coisas sem fim, ver coisas que ninguém vê, ou talvez veja mas não se atreva a dizer-nos.
Escolhemos o ser, a carne, e o espírito que é tudo menos santo, porque a santidade está no coração e não naquilo em que cremos. Devoramos o que há para devorar, esticamos o tempo concedido pelo som da harpa, vibramos com a imaginação feita acção ritmada, recordamos o dia, a noite, a hora e o minuto, do geral para o particular, do perfil para o sorriso aberto. Recordar, guardar, usar e preservar. Fazer do velho, novo, e tornar o novo nalgo mágico. Questionar e reflectir sobre o valor do abstracto e do concreto. O que vale mais? O que perdura? Será que escolhemos as lições a aprender? Pedir paz e lembrar que a paz começa em nós, no nosso coração e na nossa alma.

sábado, março 27, 2010

d e v a n e i o

Quando penso em "devaneio" lembro-me disto
Mar Adentro Mar adentro, mar adentro. Y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños
se juntan dos volunta
despara cumplir un deseo.
Un beso enciende la vida con un relámpago
y un truenoy en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo,
es como penetrar al centro del universo.
El abrazo más puerily
el más puro de los besos
hasta vernos reducidos
en un único deseo.
Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo,
sin palabras 'más adentro', 'más adentro'
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.
Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto,
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.
Ramón Sampedro

domingo, março 14, 2010

Fogo gelado

Um quente que gela. Uma luz que se une a outra no escuro e que se iluminam em compassos ritmados de tempo, que de tão longo parece curto. Saber que nada se quer desperdiçar, absorver cada poro, cada gota de suór, cada cheiro, entrar na catedral e sentir a magia da contemplação profetizada, sentida, inspirada, realizada, vivida e sorvida. Um calor frio, que arrepia, que junta e afasta os corpos, que os remete para a dança dos sentidos e os faz abraçar numa queda doce e macia. Nisto, nasce a liberdade feita e refeita numa doce manifestação física. Lembramo-nos das coisas que realmente importam e nos faltam, das que nos fazem rir quando o riso é preciso, dos primeiros instantes, da imprevisibilidade da vida, da fruição dos encontros "energéticos" e "vibrantes", das horas que passam depressa demais quando o tempo parece querer fugir, da hora que termina e adormecemos aninhados para as aproveitar melhor. Porque tudo o que é bom acaba, e assim damos-lhes mais valor e queremos mais, mais e mais, como se o "mais" fosse humanamente impossível. (Porém, nunca o é) Querer o toque astuto, a língua ávida, o sopro uivante, o gesto majestoso, o elogio marcante e não temer o silêncio, não temer o silêncio que se gera entre os seres no intervalo das horas, quando o dia começa!

quinta-feira, março 11, 2010

Estás-me nos dedos

Esta noite estou sozinha.
É estranho. Dou por mim a achar que ainda é cedo para estar sozinha, como se o tempo tivesse alguma coisa a ver com isto, e como se o ponteiro me contasse ao ouvido algo mais que as horas.
Sinto-me alterada, o silêncio incomoda-me porque não há risos que não os meus, não há o cheiro e o toque aos quais me tenho vindo a habituar sem esforço algum. Não há, e eu queria. Porém consigo escutar o arrepio, não o sinto de momento, mas escuto-o.
Pareço uma criança mimada a quem foi roubado um doce, e eu mulher menina sem doce acho-me meio perdida no quarto escuro porque fui posta de castigo.
A parte mais poética de tudo isto é que não há mal nenhum em sentir o que escrevo, mal nenhum porque estás-me nos dedos.
A parte mais luminosa de tudo isto é que estes dias mostram-nos que os outros foram tão bons e que muitos outros virão.
A parte gloriosa de tudo isto é que damos aquilo que queremos e não aquilo que podemos e se assim for é porque está tudo bem.
A parte verdadeira de tudo isto é que foi bom, muito bom, e há algo ainda melhor por descobrir!
A parte encantada de tudo isto é que hoje adormeço ao som de uma voz que não está a meu lado.

sexta-feira, março 05, 2010

"Daqui à Eternidade"

"Quantas horas tem a Eternidade?", perguntaram uma vez.
Quererá a resposta dizer que é para sempre, ou isso não passará de mero consolo inversamente ambicioso?
As horas que vivemos são as únicas que realmente valem, as dos outros, não nos servem, não as percebemos, não as queremos, as dos outros não, só as nossas importam.
Olhamos sempre para trás, na tentativa de apreender, e deixar de fazer o uso da repetição, colhendo os frutos que achamos preciosos para que de futuro tudo seja diferente...eterno.
O mundo é assim: passado, presente, futuro. O passado é História, documento, folha ardida, feito irremediável. O presente é cor, consciência consciente, aquilo que interessa. O futuro, nem devemos pensar no seu significado, porque não o tem, o futuro é aquilo que nunca chegamos a experienciar. Só o presente é vivido em pleno. E só os "pequenos nadas" são capazes de preencher cada minuto.
Claro está que, na maioria das horas conscientes, não nos lembramos delas, o acordar de mau humor, a leitura do livro de cabeceira, o toque dos dedos no pêlo no animal de estimação, aquele beijo roubado na noite chuvosa, aquela gargalhada, aquele olhar, aquela aquisição, aquele desabafo, aquele sorriso da menina desconhecida, aquele minúsculo momento irrepetitível. So nos lembramos deles no dia seguinte, é a memória que imortaliza, não o tempo em si.
A partir do momento em que algo é dado como facto, é já parte integrante do passado, deixou de ser futuro e no presente deixou apenas um rasto para ser caprichosamete seguido, como aquelas pegadas na areia molhada da praia no toque e foge das ondas mais azuis espumadas.
Já fugiram das vossas sombras, ou já as tentaram apanhar? Quando fugimos delas, as sombras são o passado que clama do outro lado. Se as tentarmos alcançar elas transformam-se no futuro: nunca as alcançamos, nunca astocamos, desconhecemos o seu cheiro, a sua composição, nem cara para esbofetear ou acariciar têm...é assim que vivem as sombras.
Só o presente tem cor, porque o passado costuma ser a preto e branco e o futuro é brilhante demais para ser aprisionado pela íris.

terça-feira, março 02, 2010

De génio

A juventude é uma coisa maravilhosa. Que pena desperdiçá-la em jovens.
Bernard Shaw, (1856- 1950)

sábado, fevereiro 27, 2010

Quando alguém morre

Às vezes as pessoas vão embora e nunca mais as voltamos a ver. Decidem ir. Nem sempre acontece apenas porque não nos voltamos a encontrar neste pequeno grande mundo, acontece apenas porque algumas pessoas deixam de o pisar e nós continuamos por cá. Assim de repente. Não há concolações, nem memórias que as tragam de volta, não há a memória trazida pelo seu cheiro, e tudo o que nos deixam de nada nos serve, fica só o vazio, e o vazio toma conta do espaço. Podemos ter estado, ou não, muito ligados ao que se foi , podemos até nem ter passado muito tempo com essas pessoas, mas a partir do momento em que morrem, nós ficamos, e só as vemos quando fechamos os olhos. Eu lembro-me de ti. Quando te conheci nunca pensei que um dia deixaria de te ver. É algo em que não pensamos quando conhecemos alguém, normalmente só começamos a pensar nisso momentos mais tarde. Foi já há algum tempo, e o tempo passa depressa. Nunca fomos amigos regulares, nem conhecidos ausentes, estávamos sempre próximos por um motivo ou outro, uma ponte a ruir aqui e outra a surgir ali. Nunca te vi da outra margem do rio (ou talvez sim), nunca partilhámos uma sandes mista (ou talvez sim), nunca te mandei uma mensagem às 6 e meia da manhã (ou talvez sim), nunca te disse que "o Amor é coisa de adultos" (ou talvez sim), nunca te vi a tratar mal alguém (não, isso nunca vi). As coisas que nunca fizémos jamais as iremos fazer, as coisas que me perguntaste, bem essas a partir de agora só te posso responder se for à tua morada eterna, tamanha parvoíce, e sabes que eu deixei de gostar de cemitérios, escrevo então, nunca me lerás, mas também não me lias quando respiravas. Foste embora, eu fiquei, na hora em que foste, muitas outras pessoas foram também, e muitas mais ficaram, não sei se me alegre ou se me entristeça por isso. Não me apetece sorrir ou chorar por ti, tenho fome mas perdi o apetite. Também não te fui dizer adeus, estive contigo dias antes, disseste que estava tudo bem, e eu acreditei, não escutei para lá do que disseste, espero que nesse dia ainda não soubesses que ia ser um dos últimos dias da tua vida. Porque se já sabias, então é melhor que quando for a minha vez de morrer tu me desapareças da frente.

Uma noite como esta

Será mesmo assim?
Tão fácil partir... e voltar. Pode ser tudo imaginação, tudo fruto fresco, maduro e sumarento desta minha mente sedenta de cor e calor, pode ser sim, mas não quero saber, sigo em frente, como sempre, sem ponderar as consequências. Acho que sou a pessoa mais irresponsável que conheço, a melhor conselheira dos outros, a pior para mim mesma, não quero saber, deixei de querer saber. Ontem disseram-me assim "gostar, gostamos disto e daquilo", parece que não gostamos das pessoas, das pessoas queremos, sentimos e fazemos outras coisas. Precisamos, queremo-las perto de nós, queremos sabê-las por perto, queremo-las inconscientes e precisamos da ideia de que precisamos das pessoas para nos mantermos sãos. Ontem à noite apercebi-me disso, estou sã, sorri e deitei-me para o outro lado, olhei-te e não te contemplei mais. Morre-se assim, e nasce-se também. Foi numa noite como esta, sem querer, sem pedir sinais, sem pedir nada de nada nem ninguém. Eu ainda acredito na magia, na vida, nas promessas mudas, no sangue que corre vibrante, eu ainda acredito que há um tempo para tudo, eu ainda acredito na dignidade dos gestos, eu ainda acredito que um carinho deve ser puro, um toque desejado, e a dor criou-se para ser esquecida ao deitar. Esqueçamos o passado, já lá vai, a ferida já não sai, pode ser ultrapassada, sim, claro que sim, mas jamais será o mesmo, se mais ninguém souber...eu saberei sempre. Eu acredito na magia, e no espaço que se cria entre os seres, eu acredito que esta chuva vai terminar e que nada mudará só por ela terminar. Nunca imaginei sentir isto assim tão de repente, trocar as posições das coisas, tomar consciência tão facilmente que transmito medo e admiração, que não me consigo resignar e baixar os braços.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Entretenimento

Estão sempre a dizer-nos que precisamos de ter cuidado.
Cuidado com o que comemos, com o que não comemos e devíamos comer, com o que comemos demais e aquilo que comemos de menos. Segue-se depois o que se bebe...o que se bebe em excesso, e o que nos passa ao lado. Depois há que ter cuidado, com quem se anda, com que deixámos de andar, com quem andamos e nos faz mal, com os que não andamos e até nos fazem muito bem. Seguem-se os avisos, os que ouvimos e não damos cavaco, os que ignoramos prontamente "não é uma questão de não conseguires, mas sim uma questão de não quereres". Depois há os dias em que estamos receptivos e os outros em que não. Os que acordamos com um sorriso estampada na cara, e os em que nos dá uma súbita vontade de assassinar meia população do sítio onde estamos a morar. (Felizmente essa sensação tende a desvancer-se com o passar das horas)...o mesmo não acontece com os problemas.
Porém, há solução para eles: primeiro passo é o diagnóstico, depois a prescrição de tratamento, segue-se o tratamento em si e a fase mais complicada de todas: aprender a viver sem o problema.
Às vezes acho a vida simples demais, arranjamos os problemas para nos entretermos!

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Juro pela minha saúde

que quando este Inverno terminar vou a Fátima, de joelhos.
Mesmo que não o faça fisicamente, lá estará o meu espírito viajante e cristão.
Parece que hoje é Carnaval e apetece-me tanto brincar como engolir pregos. Fico em casa por agora, mas saí cedo hoje, fui dar uma volta, tudo fechado, um frio de me cortar a franja, e eu odeio andar encasacada e anafada. Regressei sem tema de conversa porque o gato ainda fala muito mas escuta pouco, e sem tema de escrita. Achei que seria uma boa ideia encontrar uma piada sobre o carnaval, mas a única coisa que me lembro é que está um frio levado da breca e as meninas a desfilar que nem baianas devem estar com os mamilos duros de frio...coitadas das meninas...espero que sofram e vão para a terra delas que é mais quentinho.
Porém, farei programa de tarde, estou a pensar no quê e com quem...fizeram-me um convite e estou quase que a aceitar, mas só se cozinharem para mim. Ah é verdade, também me irritei hoje porque queimei a língua a beber capuccino e só depois me lembrei que já não tenho gelado no congelador para travar a dor. Opá...claro que poderia ir ali ao supermercado comprar, mas sabem como é quando estas coisas acontecem, chegar lá, escolher e pagar, trazer para casa e sacar da colher para o devorar..até lá passa-me a vontade e a dor.
Já vos aconteceu certamente e sabem como é, ou se tem logo o que se quer, ou então depois já não vale a pena que é retardado. O bom é haver sempre barras de chocolate no armário e gelado no congelador, e estar ali à mão de semear..é para isso que servem as listas de compra, para que nada do que realmente importa nunca faltar em casa.
É Carnaval e depois???

Muse: Endlessly (live@Wembley 2003)

Lá terei de os voltar a ver e ouvir!

domingo, fevereiro 14, 2010

Adaptações

Comprei-o na Quinta à tarde e comecei a ler. Fui dormir à noite e li um pouco mais de manhã. De tarde fui ver o filme, foi como se me tivessem esmurrado durante duas horas. A minha amiga sentiu o mesmo. Precious é demasiado forte, realista e profundo. Porém convém ser visto, porque há coisas assim ... que merecem o nosso respeito. Terminei Push na mesma tarde.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Who's Gonna Save My Soul

Sim Gnarls Barkley! Sou devota :) (não é a minha canção preferida, mas amoooo o vídeo)

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

A Single Man

mais este (só me falta encontrar a banda sonora)

'Shutter Island'

Mais um...

'Precious'

esta semana esgoto o meu cartão UCI...

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Quero mais

Quero mais um pouco de tudo, porque pedir pouco deixou fazer sentido. O "sentido" nasceu da nossa vontade em ver uma razão para tudo, e a razão é coisa da nossa cabeça e nada mais.
A razão é ela a apaixonada do coração, que bate intenso e apressado por ela. O que o coração não sabe é que a cabeça não nasceu para amar, a cabeça nasceu para viver na ilusão do pensamento.
Quero mais. Quero mais sinais e ter o desejo de não os evitar.
Quero mais Sol, mais e mais. Quero-o para o poder partilhar com o resto do mundo.
Quero mais, exijo mais. Quero carne arrancada da barriga da perna como que em possessão pelos deuses em rituais antigos e vibrantes.
Quero visões, aparições, ousar o absurdo. Quero mais sonhos, mais mãos, mais chamas incadescentes, mais gelo escorrendo do pescoço até ao ventre. Quero venenos mortais, terra vermelha e morna, línguas presas e cativas. Quero mais, sem ter de esperar por nada, meter o Tudo num saco e levá-lo comigo. Quero acordar às 5 da manhã, sair de casa e percorrer a floresta lá do fundo. Quero ouvir o grito gentil das árvores, e o bater das asas dos pássaros sonâmbulos. Quero deixar de ter frio. Quero nevoeiro, saber a que cheira, onde nasce e onde se dissipa para dar espaço ao ar. O nevoeiro sufoca. E eu deixei de o querer.
Quero mais, de ti, de mim. Quero mais fome, mais sede, mais espaço, mais caixas escondidas por debaixo da cama. Quero mais imagens, fortes, tão fortes como aquela imortalizada pela íris cansada. Quero espelhos longos e por partir. Quero mais e não quero dar, só receber. Quero ser o que sou, e não ter que me preocupar com isso. Quero viver para morrer, mas sem a parte "do morrer". Quero ter asas infinitas, alvas e finas. Quero descer dos céus nas primeiras horas da madrugada, acariciar os cabelos de alguém como quem toca violino com a crina de um cavalo, e voltar ao céu nas primeira horas da amanhã. Quero mais. Quero depois acordar e agir como mortal. Quero a minha amiga, aquela e a outra. Quero-te a ti, a mim, sem te ter, e sem me teres tu a mim. Quero mais. Quero mais. Quero mais. Gelo. Fogo. Suór. Arrepio.

domingo, fevereiro 07, 2010

Atonement - Briony ♪

(O único óscar que este filme ganhou foi o de Melhor banda sonora) Dario Marianelli transforma brilhantemente para notas musicais as palavras da história de Atonement, e este tema é só o início da viagem. Leiam o livro e depois vejam o filme, o resultado é espantoso, porque Atonement é dos poucos casos em que a adaptação de romance a Cinema é excelentemente conseguida!

Recomendadíssimo

Coisas genias podemos ver no cinema numa chuvosa tarde de Domingo!
Esta "coisa" é prova disso, e não está na corrida aos óscares o que por si é já uma coisa de louvar num ano que são 10 os filmes nomeados! Felizmente nós sabemos que uma não nomeação a óscar é muitas vezes presságio de algo muito bom de assistir. Há coisas assim...

sábado, fevereiro 06, 2010

Sombra pesada II

Desta vez é diferente. Digo-o e repito-o vezes sem conta a mim mesma. Da primeira vez foi novidade. A segunda deveu-se à saudade. A terceira considero um "tira teimas". Só pode ser isso. Não há nada que una as linhas desta esfera desenhada no papel já ardido. A noite já não era nova, o chão estava para lá de frio e senti-o com os meus pés decalços, e a casa escura aguardava a sombra pesada. Definiu-se um sorriso nos meus lábios aquando da sua aparição. Sabendo do erro, do equívoco e tendo o poder de a fazer desaparecer, decidi recebê-la de braços abertos. Num aperto sôfrego, os corpos flutuaram pelo espaço envolvente, descobrindo o que já conheciam, aventurando-se por entre aquilo que o tempo recente havia tentado apagar. Acabou tal como começou. Não foi recordar, não foi reviver, não foi amar. Os dias passaram, e passam sempre. A vida seguiu o rumo. Os estranhos continuaram a estranhar-se regularmente. Novos projectos, novas caminhadas, novos programas, novos desentendimentos, novos procedimentos, novo mês, e pensar "não me estás na cabeça". Vazio? Nem por isso, preenchimento total. Novo aproximamento, "porque não?". Porque sim manifesto. Que fazer ao corpo se já não tem alma? Faz-se uma opção. Optar às vezes custa, no meu caso nem tanto. Opto deliberadamente. Vejo o único monte no meio do nada e embato nele com agrado. Sei o que quero, o que preciso, o que gosto. Há também um penhasco bem frente a mim, antevejo a queda, já me sinto a flutuar, mas ainda não sinto a dor do choque. Quando o sentir será terrestre e audível. Já comecei a preparar o terreno. Todos nós sabemos que nos vamos magoar, até lá é aproveitar ao máximo a adrenalina da queda! É bom quando volta a ter e poder fazer o que se quer. A sombra pesada é assim.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Vamos a parar com a chuva 'tá?

Já não posso mais com as gotas de água que continuam a cair do céu, ele fica tão mais bonito quando está azul brilhante e majestoso....bem vou iniciar a compilação dos meus textos que já devia ter começado ontem, mas a minha glândula levou a dela avante...é hoje....a ver se o meu novo projecto segue em frente. É hora.

sábado, janeiro 30, 2010

RJD2 - Ghostwriter

E isto faz-me lembrar "Prime" e a minha tarde fica ocupada =)

'The Ghost Writer' Trailer HD

(e agora lembrei-me da música)....Roman Polanski o dono da sobriedade!

"A experiência"

Ainda não tinha sentido o entusiasmo suficiente para me debruçar sobre Avatar. Não me entusiasmei com a aparição dos primeiros trailers, não me entusiasmei com as notícias massivas e os disparos dos media sobre o Box Office, não me entusiasmei por se tratar de um sonho imaginado por James Cameron durante 10 anos, e não me entusiasmei quando finalmente me sentei numa cadeira e pus uns óculos escuros lente 3D para ver uma imagem definida porém com cores menos bonitas caso optasse por visioná-lo sem o auxílio do objecto.
Que dizer sobre Avatar? Bem não se trata bem de Cinema, e a palavra "experiência" para falar deste filme cansa-me os neurónio cinéfilos. Cinema é isso mesmo, entusiasmo, vibração, coisas que mexem connosco, como que num caleidoscópio de sensações...sabem quando não estão muito entusiasmados com algo e depois têm uma grande desilusão? Bem, não foi isso que senti por Avatar, sabem quando não "estão nem aí" e depois são surpreendidos grandemente pela obra? Também não foi o caso. Saí da sala exactamente como de lá entrei.
Não posso negar tratar-se de uma coisa extremamente bem feita, extremamente rica e extremamente bem vendida, mas falta a chama da vida, por mais que queira os bonecos azuis não me convenem e se nomearem a Zoe Saldana a Óscar terei de me auto-flagelar com a agulha da anestesia que vou levar na próxima semana. Trata-se da crição de um Universo imaginário extraodinário, mas não é arrebatador...lembram-se da adrenalina sentida ao verem pela primeira vez Blade Runner ( sem nunca esquecer o Metropolis) ? Ou até mesmo, Jurassic Park...ou até mesmo o Rei Leão...? Esses sim possuem planos picados de tirar o fôlego, inovam, emocionam: praticam Cinema. Deixemos a experiência. Muitos sabem que defendo, qual leoa defende os seus petizes, Steven Spielberg: faz de tudo, cria tudo, inova em tudo, faz Comédia, Drama, filma a guerra, e faz ficção científica, podemos escolher qualquer um dos filmes, e qualquer um deles mostra algo de novo.
James Cameron é a mente por detrás de uma das minhas sagas preferidas, Alien, mas ver no seu novíssimo filme uma Sigourney Weaver a fazer lembrar a valentona Ripley é suplício a mais...por isso termino este texto com a ideia da "experiência" que em nada me emociona. Avatar está visto e duvido que o volte a ver, vou aguardar antes pelo próximo do Spielberg ;)

WICKED GAME [HD] Chris Isaak

Hoje vou ouvir isto o dia todo!

sexta-feira, janeiro 29, 2010

No dia em que a minha mãe aprovou o belo do sushi

No dia em que a minha mãe aprovou o belo do sushi, ela não só aprovou, como voltou a aprovar...na realidade, se a minha mãe pudesse, ainda estaria a esta hora sentada naquela mesa a aprovar. Lá fomos as duas, a medo, primeiro o prato mais cozinado, depois aquele half-cooked estaladiço e depois sim o fsmoso crú, de cor viva e de textura encorpada! A senhora gostou e eu arranjei mais uma pessoa para me fazer companhia, porque meus amigos, este é um ponto muito importante nas nossas vidas: as pessoas que nos acompanham nas coisas que mais gostamos devem ser as mesmas a acompanhar-nos nas que mais detestamos.
É como aquele limiar entre a ternura e o ridículo, a pessoa que nos vê no pico da nossa graciosidade terá o direito de nos ver numa maca a suar que nem uma porca e a praguejar diabolicamente enquanto alguém lincenciado em Medicina nos tenta retirar uma coisa viva de dentro de nós, coisa essa que um dia também praguejará e será açoitada por isso (isto se for minha filha).
Hoje acordei cedíssimo, não queria acordar, adormeci rápido demais, tão rápido que dormi profundamente e é nessas vezes que custa mais a abrir a pálpebra calona, estava uma manhã bonita, lá me estiquei até à janela para correr a cortina porque os raios de sol feriam-me a íris. Banhinho, pequeno-almoço reforçado, depois vesti-me (sim eu como após o banho e a antes de me vestir), apaguei a televisão e corri até ao metro qual coelho no país das maravilhas. Encontro a minha mãe e lá vai ela comigo acompanhar-me ao consultório, ouvi as notícias que não me apetecia ouvir, era bom que o antibiótico fizesse o trabalho todo, mas não...lá terei eu de ver o braço espetado e lá vão os senhores de bata pedir-me para contar do 10 para trás...devo chegar ao 4 e apagar!
Bem, mas no Domingo é que sei se será mesmo assim..até lá toca a fazer o antibiótico e a fazer outras coisas importantes e giras!
Ainda não tinha entrado para o gabinete do médico e já me atinha apercebido que não tinha o meu telemóvel comigo, "mas como..se mexi nele quando estava a comer o pão de Deus no Gou..." ah pronto Leila deixaste lá o traste! Toca de ligar ao antigo local de trabalho e pedir encarecidamente que o procurem algures pelo Atrium...ligam-me de volta e era do meu número, a voz simpática do outro lado a dizer que claro que ninguém iria querer ficar com um telemóvel cujas teclas verde e vermelhas não funcionam, que tem um autocolante de uma flor cor de rosa nas costas e ainda tem outro colado a dizer "Pincesa"....Nisto tenho a consulta, nisto saio de lá com a minha mãe e rumamos ao antigo local de trabalho, nisto subimos no elevador e nisto ainda tenho um encontro imediato de terceiro grau com esse ser megalómano de nome Sá Pinto ... suei pela minha vida e pela da minha mãezinha, nisto passam quase 45 minutos no escritório e nisto desco e desafio a Dona Lurdes para uma patuscada nipónica...nisto ela gosta! Depois foi passar na farmácia e caminhar até casa, morri para a vida a tarde toda, agora que já escrevi alguma coisa, é jantar e ler, fazer planos para a noite e rezar para que a glândula se salve! Amén.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Jefferson Airplane - Somebody to love

Traz milho!

Lion King - Circle of Life

Falam em "experiência" no que respeita a Avatar...eu prefiro "Cinema"...The Lion king em 3D..isso sim é qu era! What an entrance!!!!

AINDA SOBRE NINE

Antes de me debruçar sobre Avatar...aqui ficam as palavras sábias de MJT !!

quarta-feira, janeiro 27, 2010

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Le temps destruit tout

PORQUE O TEMPO DESTRÓI TUDO.PORQUE ALGUNS ACTOS SÃO IRREPERÁVEIS. PORQUE O HOMEM É UM ANIMAL. PORQUE O DESEJO DE VINGANÇA É UM SENTIMENTO NATURAL. PORQUE A PERDA DE UM AMOR DESTRÓI-OS COMO UM RELÂMPAGAO. PORQUE O AMOR COMANDA A VIDA. PORQUE TODA A HISTÓRIA DESCREVE-SE COM SÉMEN E SANGUE. PORQUE AS PREMONIÇÕES NÃO ALTERAM O PERCURSO DAS COISAS. PORQUE O TEMPO REVELA RUDO. O PIOR E O MELHOR. (retirado do dvd distribuído em Portugal pela PRISVIDEO, IRREVERSIBLE, 2002) Este sim um filme que perturba, que enoja, enjoa, choca, altera-nos e revela-se um lição. Inteligentemente realizado e montado, capaz de levar o espectador a uma viagem alucinante no tempo através do seguimento não linear da mesma. Vemos o final no início e percorremos a obra de trás para a frente, de cima para baixo: somos a câmara, e esta é a personagem. Fascinante, o modo como o início do filme (visto no final) consegue apagar qualquer vestígio de mal-estar que possamos ter sentido. Confusos? Vejam...mas percebam que o tempo destrói tudo. Se acharem que ainda não estão preparados, é porque ainda não é o vosso Tempo.

=)

domingo, janeiro 24, 2010

Wonderful Life

esta canção cheira a Infância, a minha Infância!

sábado, janeiro 23, 2010

Este texto é para ti.

Tu que gostas do que eu escrevo. Tu de quem eu gosto muito. Tu que fazes já parte da minha vida. Tu que me lês. Tu que facilmente percebes o que sinto. Tu que eu respeito e que quero que me critiques. Tu que sintonizas a mesma rádio que eu (quando eu sintonizo uma). Eu que sou assim, e quero mudar, mas sou assim. Eu que pensei perder um amigo. Eu que às vezes chateio as pessoas porque elas não se chateiam comigo. “A culpa foi do arco-íris” essa não esqueço. Olha que também tu escreves muito bem. As coisas mudam, o passado muda-nos, e nós somos aquilo que dadas as circunstâncias conseguimos fazer mudar também. Somos o vento que guia, as asas dos pássaros a esvoaçar perdidos, porque a Primavera chega mais cedo que o previsto. Somos a água que cai a mais, a Terra que bebe demais, o Sol que queima no Verão e fica tímido no Outono, somos as tardes frias, as manhãs geladas e o meio- dia cálido. Somos a acção e a consequência, somos a faca e a ferida, o antídoto e o ardor, a cicatriz e a memória póstuma que não nos deixa voltar a cortar. Somos o melhor, o pior e mais...somos o que somos e o que estamos para ser.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Nove

às vezes o gato é morto pela curiosidade (ahaha tão bom trocar os complemetos directos, pelos indirectos)!
Foi um dia imenso, longo, de leituras e descobertas, redescobertas e no final apeteceu-me um filmezinho, o musical foi a escolha.
Começa a preto e branco, com um close up de Guido Contini, interpretado pelo Daniel Day Lewis, um realizador de cinema que está a atravessar uma grave crise de criatividade.
A premissa: inicar as gravações do seu filme já anunciado à comunicação social "Itália"...o guião, não existe, a musa não sabe o que dizer, a pessoa responsáel pelo guarda roupa não sabe o que costurar, os produtores não sabem a quem ligar e Guido não sabe onde se inspirar. Tenta em todas as mulheres da sua vida, a esposa, a amante, a musa, a prostituta que lhe ensinou os valores de um bom italiano, a mamma, e a sua costureira..nisto vem também atrelada a jornalista da Revista Vogue americana! E Nove é sobre elas.
Rob Marhall diz-se inspirar no cinema de Fellini, no filme uma das personagens fala em "Neo- realismo", mas este musical é pobre em magia. Vive de pequenos momentos aqui e ali engraçados, mas que não passam disso mesmo, nenhuma sequência musical é genial, não há uma abertura como em Chicago ao som de "All that jazz" e às vezes tudo o que se precisa é de uma boa entrada. Não existem grandes interpretações, porque todas as aparições são demasiado curtas e todas as personagens demasiado estereotipadas. Falta o magnestismo do musical, falta um final electrizante e nisto bato na mesma tecla, o final de Chicago é de arromba cheio de energia, e Nove não.
Porém Nove é uma homenagem ao cinema, em forma de musical, é o modo encontrado para dizer que o Cinema nasceu para ser visto e que as palavras só servem para o matar, Nove é sobre a busca mais do que da inspiração, a busca pelo equlíbrio e pela adrenalina de sentar numa cadeira de realizador.
É comovente o final, desprovido de imagens magnetizantes, apenas o criador na sua cadeira lá do alto, acompanhado pela sua alma de criança que não quiz crescer.
As cenas memoráveis ficam a cargo do emotivo desempenho de Marion Cottillard ao cantar "Take it all" e de Nicole Kidman em "Unusual way", a decepção vem do momento musical de Fergie, que canta como ninguém o tema mais forte de toda a obra e é tão pouco encenada, tão pouco aproveitada. Melhor é mesmo a parte da cena a preto e branco em que vemos Saraghina a brincar com os "little italian devils" que depois serão veemente castigados...e a lufada de ar fresco é a luz de Kate Hudson com "Cinema italiano" que embora mais pareça um videoclip realizado pelo mesmo senhor que faz os anúncios da Martini, possui energia e empenho por parte da actriz.
De resto, Penélope não deslumbra a fazer o papel da amante burra, espalhafatosa e pouco desembaraçada (se bem que parece inspirar-se na mandona da Anna Magnani), e há depois as senhoras donas da palavra Mulher: Judi Dench e Sophia Loren, que são como as grandez actrizes do cinema mudo, nem precisam dizer uma palavra.
Nove...torna-se o nome de "Itália" E MAIS NÃO DIGO.
Vejam :)

NIcole Kidman "Unusual Way": Nine

A cena mais bonita do filme é dela!

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Uma manhã como esta

Frio. Nevoeiro. Sono. Manhã. Frio. Muito frio. Cinzento. Orvalho. Olhar. Escadas. Beijo. Manhã. Sorriso. Estrada. Suspiro. Nevoeiro. Manhã. Queda. Absolvição. Pena. Nevoeiro. Carro. Embate. Sorriso. Quente. Mesa. Cadeira. Caminhada. Humidade. Transtorno. Medo. Pena. Absolvição. Penhasco. Queda. Colchão. Pena. Mais frio. Memória. Lágrima. Dor. Medo. Preocupação. Suspiro. Compreensão. Alívio. Eu respiro uma manhã como esta.

domingo, janeiro 17, 2010

Grease Lightning

Keep talkin' oh keep talkin'!!

domingo, janeiro 10, 2010

Amanhã (que será Hoje e passará a Ontem)

É amanhã que tu chegas e a tua pequenina está feliz. É amanhã que tu e a tua pequenina vão estar juntinhas, caminhando de braço dado, de mãos dadas de corações dados. Hoje estou eu deitadinha no sofá, enroladita numa manta, aquela que tu odeias quando está repleta de pêlos do Max, junta-lhe aos pêlos uma quantidade infinitamente contabilizada de migalhas de bolachinha Maria! Amanhã a esta horas estamos sentadas a uma mesa, a ser servidas por senhoras que tremem de medo por não saberem o que é um chá de camomila, e a quem tu muito contente dizes "Glacias" e prossegues com a conversa que estavas a ter comigo. Está frio aqui sabes, acho que onde estás faz muito mais, mas eu tenho muito frio e sei que amanhã terei menos. E amanhã dormimos juntinhas no quartinho cor de rosa, agarradinhas naquela cama de "corpo e meio", aquela caixinha cor de rosa inserida bem no meio da casa. E a parte boa, é que depois de amanhã voltas a estar com a tua pequenina, acordamos juntas, fazemos torradas, eu ponho manteiga e tu queijo fresco ou requeijão, bebemos longos e doces cafés e pomos mais conversa em dia: vamos estar no Pinheirinho. Ajudaremos o papá a apagar mais uma velinha, cantaremos os parabéns como se estivessem duzentas pessoas naquela casa, brindaremos ao facto de estarmos ali todos juntos e iremos deitar não muito tarde como o bom povo faz. E depois vais partir (naquela estrada) , e eu cá ficarei à espera de uma desculpa para podermos estar juntas outra vez, a ver aquelas coisas juntas que nós vemos outra vez, as palavras que nem precisamos de pronunciar outra vez, os problemas que afastamos com toda a graciosidade que nos foi entregue desde sempre, outra vez. Disseram-me que "quando pedimos algo com carinho parece que as coisas funcionam", tu e eu somos assim também. Li isto num poema, parece que se adequa a ti "És a carne dos deuses...(e o poeta prossegue), És aquele alimento de quem, farto de pão, anda faminto". Mana.

sábado, janeiro 09, 2010

Dia e Noite

Lá estão eles, separados no tempo e nos espaço.
Não se sabe qual deles existiu primeiro, se foi primeiro dia e nasceu a noite, ou se da noite se fez dia. Apenas podemos imaginar e continuar a imaginar.
É como ter os pés na terra e haver alguém que voa, parecem mundos diferentes, mas se não nos importarmos de nos aventurar, sonhamos sonhos jamais sonhados.
É como optar por reservar e esconder, e quando ousamos dar e revelar damos os primeiros passos numa nova realidade já ou não enveredada.
É como aquele limiar de satisfação que temos medo de esgotar.
É como acontece com o dia e a noite.
Qual é que gostamos mais? Qual deles o mais intenso, o mais revelador, o mais presente?
Dizer que gostamos dos dois é sensato, mas será real?
Levemo-nos pela ousadia dos sentidos e a realidade fará do sonho mais que uma ideia, um facto, um argumento, uma dádiva, uma rotina. A rotina mais bela das nossas vidas. Sonhemos noite e dia, vivamos noite e dia, brindemos noite e dia.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Elvis

"Always on my mind"

Nos dias que correm...

vejo coisas, bonitas, luminosas e alegres.
Nos dias que correm, pára a chuva para dar lugar ao Sol que brilhou fortemente e tranformou uma parcela de céu húmido em arco-íris (outra vez). Nos dias que correm eu vejo o arco-íris num ponto da cidade, e no outro alguém o fotografa e mo oferece sem pedir nada em troca.
Nos dias que correm, faz-se por sorrir nas carruagens do metro por volta das 8 da manhã entre a multidão cabisbaixa que lê jornais gratuitos e... olha tristemente para as suas páginas. Nos dias que correm só eu pareço destoar. Nos dias que correm penso em papoilas e na sua cor, na sua presença e do quanto a minha mãe se alegra com elas. Nos dias que correm esqueço-me de coisas e deixo-me ir. Nos dias que correm olho para trás e não me arrependo de nada. Nos dias que correm lembro-me de Londres por sentir uma fragrância numa desconhecida. Nos dias que correm provo a torrada em pão saloio do bar da faculdade de Letras.Nos dias que correm penso em lugares que não conheço e nas pessoas que se dirigem para lá. Nos dias que correm brindo à felicidade com garrafa de leite achcolatado Ucal. Nos dias que correm, pareço ausente para uns, demasiado feliz para outros, e "normal" para os demais. Nos dias que correm revejo três caras amigas, e todas elas me dizem "bom ano!". Nos dias que correm permito-me ao egoísmo e torno-me misteriosa. Nos dias que correm percebo que ouvimos a mesma canção. Nos dias que correm tenho vontade de escrever mas as palavras fogem-me. Nos dias que correm contam-me novidades sobre o nome que me foi dado. Nos dias que correm fazem-me sorrir fácil e docilmente. Nos dias que correm, o sol de Inverno beija-me a cara e sussurra "hummm".

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Porque há pessoas que não conhecem....

o meu Stevie Wonder! " 'till I reach the highest ground"

Inside Man (opening sequence)

São genéricos inciais assim que me entusiasmam, ardilosamente sedutores! Temos a entrada muscial a acompanhar os "nomes" da indústria, e o filme começa e nem nos damos conta, é-nos dado o close-up, o enigma ( e a sua resolução), a cidade e a envolvência musical que nos deixa flutuar pelas pistas deste mosaico fílmico e cultural que é Inside man. Spike Lee? "therein lies the rub"...é mesmo Shakespeare!

segunda-feira, janeiro 04, 2010

The English Patient

Já que falo em "adeus" e "fim", aqui fica o do "Principezinho"!

...ia deitar cedo, mas este paciente que parece ser inglês intrometeu-se. Este paciente que mais não é que "o Principezinho" caso o mesmo tivesse crescido. Lá para as três da manhã adormeço, e terei sonhos dourados como a areia do deserto escrita pelas riscas feitas pelo vento e ritmadas pelos cânticos húngaros que embalavam o aviador em criança.

Adeus. E um galão bem quente.

É uma palavra que nem sempre se deseja dizer, essa do "adeus".
Muitas vezes é necessária, mas sabe tão mal, tão mal que é a última coisa que temos no nosso pensamento.
Há pessoas que não temem essa palavra, não se apegam, não se deixam tocar porque acham que são fortes, porque são seguras e porque são necessárias demais a alguém, seja quem for. O "adeus" delas é quase doce de tão frio que é, quase como que uma benção.
Mas o "adeus" manifesta-se. Mais tarde ou mais cedo, vem, diz-se e sente-se.
Dizemos adeus aos momentos felizes, aqueles que não voltam mais, aqueles que só podemos sentir em sonhos. Dizemos "adeus" aos que mais amamos, aos que mais amámos repito com mais força, porque nem sempre amamos todas as pessoas ao longo das nossas vidas do mesmo modo. Às vezes amamos mais, outras vezes com menos força...às vezes esquecemos de os amar, e outras há em que os amamos tanto que esquecemos de nos amar a nós mesmos, e aí é um "adeus" diferente que deve ser pronunciado.
Isto para dizer, que não há mal algum em dizer "adeus", as coisas menos boas só existem para nos lembrarmos das Muito boas! E o bom do "adeus" é saber largar o fio, deixar ir, dar espaço e voltar a respirar, respirar naquele momento em que parece que já não vamos aguentar mais, naquele preciso momento em que o mundo se parte em dois e que desejávamos vender a alma se fosse preciso. A parte boa vem depois quando nos aperecebemos que essas ideias são tolas e que vale a pena dizer "adeus" para depois dizer "olá"!
As coisas de que me lembro enquanto aqueço leite para fazer um galão!!

quinta-feira, dezembro 31, 2009

O último arco - íris de 2009

fotografia gentilmente cedida por um captador de arco- íris (JP Arantes)

quarta-feira, dezembro 30, 2009

A surpresa do final do mês

Mas o Sherlock Holmes é realizado pelo Guy Ritchie e eu só fico a saber de tal aquando do genérico final (que é a coisa mais valiosa da obra??)...ando taralhoca! O filme é bastante divertido, mas falta o rigor na recriação da época, e embora Robert Downey Junior seja genial (como sempre) na interpretação rejuvenescida do detective mais astuto de todos os tempos, emparelhado com o também fantástico Jude Law no papel do médico Watson, falta brilho à trama e ao desenvolvimento da trama, falta aquele secretismo quase de folhetim tão importante nas séries, e falta algo mais, talvez uma Londres mais enovoada. É um filme à la Guy Ritchie, ou seja, tem pormenores inteligentes, um humor seco mas competente e alguma acção incorporada pelo humor das situações em si. E com isto regressaram as saudades de Baker Street...

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Papel de embrulho

o que é que fica depois do Natal?
Papel de embrulho, no chão, debaixo do sofá, em cima da mesa, papel colorido, vermelho, com ursinhos, velas e azevinho..acabei de ver um rapaz a apaixonar-se por uma rapariga...e laços gastos por todo o lado. Adoro a multidisciplinaridade da minha existência.
O Natal leva com ele a doce ilusão, aquela magia do não saber o que está do outro lado. (tal como acontece quando nos apaixonamos, e até quando percebemos que deixámos de amar). O dia passa na azáfama, aquele friozinho na barriga, as ideias daqueles tempos remotos, as lembraças de Natais passados, as mensagens de telemóvel que agora tomam o lugar de votos de outros tempo, os telefonemas apressados, o cheiro a bolo acabado de fazer nas casas, do bacalhau que fica de molho e de tangerinas descacadas à pressa na bancada da cozinha.
Depos do dia mais mágico, segue-se o verdadeiro dia.
E depois desse dia...o vazio. Parece que se esvai a esperança, sentimos os sintomas não físicos de uma ressaca emocional, dói a alma, pensa-se no resto, no que está para vir, no que já foi, nos nossos medos.
Planos...bem 2010 que me diga o que pretende de mim, eu tenho cá os meus, mas para já não os vou revelar, o ano passa num instante e daqui a nada a estarei para aqui a debitar mais coisas sobre 2011.
O que eu sei é que neste momento dou poucas coisas por garantidas, e o que hoje é em 2010 deixará de ser, e o que for em 2010 é porque em 2009 deixou de ter razão de existir e manifestar.
As coisas boas e a más ensinam-nos isto, é bom chegar a conclusões, mas é ainda melhor afastarmo-nos delas por curtos períodos de tempo.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

domingo, dezembro 20, 2009

Será isto que os distingue?

No homem, o desejo gera o amor. Na mulher, o amor gera o desejo.
Jonathan Swift
ou seja, os homens estão sempre em busca de algo para serem felizes e as mulheres acreditam ser felizes com aquilo que têm? WHY DO YOU MOCK ME, OH LORD!!????

sexta-feira, dezembro 18, 2009

E porque é Natal

E como é Natal recordo-me do cheiro a papel de embrulho, a tangerinas, do cheiro de erva orvalhada e do aroma a vinho do porto vertido num copo pequeno colocado à ponta da mesa.
E como é Natal, e só porque é Natal, deito-me feliz à noite por saber que os que quero e me querem bem, estão comigo, ou a caminho de mim, e sonho sonhos vermelhos, verdes e dourados. com mantas aos quadrados e chávenas de leite quente a acompanhar bolachas de manteiga, Nesses sonhos, um urso de gorro lê aconchegado na sua cama as cartas que lhe escrevem e os postais de Natal que recebe. Esse urso vive numa casinha de madeira no meio da neve, tem uma chaminé na sala, e nela estão colocadas as meias com os presentes dos seus familiares.
O Natal é isto. O Natal é uma doce ilusão, e são estas ilusões que o transformam num dos momentos mais pacíficos da nossa vida.
Amor perfeito.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Torradas frias

Já vos aconteceu deixar esfriar as torradas ou servirem-vos torradas frias numa pstelaria?
E não acharam que essa seria a coisa mais maravilhosa que vos podia acontecer??
Eu adoro quando tais coisas me acontecem a mim!!
Mas isso é porque eu adoro torradas frias com imensa manteiga!
Passo a explicar para não acharem que doidas varridas como eu passam por vós a toda a hora e algo de mal se passa no mundo devido a este facto.
Odeio aqueles pacotes de tostinhas e afins que se vendem nos hipermercados, detesto simplesmente, vêm nuns pacotes de plástico que lhes conservam o falso sabor a pão. Não percebo como é que se pôe aquilo na boca e sabe, não a pão mas sim a uma massa endurecida devido a um qualquer processo de radiação mal explicado pelos senhores donos das fábricas das tostas para canapés e afins, e há pessoas a gostar daquilo...
Quando eu era pequenina, a minha mãe deixava o pão endurecer, depois cortava-o em bolinhas espalmadas e metia-as no forno, tirava-as e deixava num cesta tapada com um pano a arrefercer, eu ia comendo-as nos dias seguintes. Aquilo sim são tostas a saber a pão!
E adoro fazer torradas, tirá-las da torradeira e deixá-las a arrefecer até àquele limiar em que ainda não esfriou por completo, mas sim o suficiente para não fazer derreter a manteiga. Tal como Julia Child acredito que este mundo só é mundo porque foi inventada a manteiga, sem ela grande parte da nossa felicidade estava condenada à não fruição!
E tenho dito.
Sou fã.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Sabem o que é que fazemos e faremos vezes sem conta?

Havemos de nos apaixonar vezes sem conta. Se já aconteceu muitas vezes, apaixonar-nos-emos menos é certo, talvez por prudência. Se ainda não aconteceu em número imenso, preparem-se! Preparem-se para sorrir, para sonhar acordados, para sentir prazer inimaginável e felicidade avassaladora. Preaparem-se para sofrer e para fazer sofrer. Preparem-se para seguirem em frente, aconteça o que acontecer. Preparem-se para não se esquecerem da vossa dignidade e jamais coloquem a dignidade do outro em risco. Preparem-se para o Adeus, quer queiram, quer não. Lembrem-se que vão um dia deixar a pessoa que gosta de vocês para ficaram com a pessoa de quem gostam. E fiquei cientes que a pessoa de quem gostam, um dia vai gostar de outra pessoa.
Seguir em frente.
Saber que tudo o que começa, acaba, tudo o que nasce, morre. E uma flor sem terra, sem água e sem sol murcha e nunca mais dá alegria ao mundo.
Mas lembrem-se também, temos de acreditar sempre que será para sempre, depois logo se vê!

sábado, dezembro 05, 2009

Gosto

Gosto de gelado e de bolo de chocolate. Gosto de torradas cheias de manteiga e de chá de limão. O galão pode ser bem quente e muito clarinho. Gosto de meias com bonecos. Gosto dos cartões com descontos em lojas. Gosto de quadros de Renoir vistos de longe. Gosto de toalhas de mesa de linho. Gosto de manhãs cinzentas. Gosto de sentir as mãos e os pés a aquecerem. Gosto de produtos de marca branca, principalmente iogurtes e manteigas. Gosto de ver cavalos a correr pela janela da minha sala de estar. Gosto de afiar lápis de carvão. Gosto de desenhar sem olhar para o papel. Gosto de me sentir livre e gosto de ver aviões a descolar. Passear? Pode ser no aeroporto de Lisboa? Gosto de arroz de pato e bacalhau com natas com muita noz moscada. Gosto do som de violino. Gosto do cheiro do papel fotográfico. Gosto de gostar. Gosto de sentir que também gostam. Gosto de desembrulhar presentes cujo interior desconheço. Gosto de adormecer abraçada. Gosto de vernizes vermelhos, rosa, cor de salmão, beige e roxo. Gosto de começar de novo. Gosto de jogar ao Monopólio durante horas e horas. Gosto de elevadores antigos com portas de correr. Gosto de me sentir segura. Gosto de saber que sou oportuna. Gosto que sintam a minha falta. Gosto de luvas de cabedal. Gosto de sapatos rasos. Gosto que as minhas canções preferidas durem mais que 4 minutos e meio. Gosto que me façam perguntas e que se riam das minhas respostas. Gosto que discordem de mim. Gosto de festas no couro cabeludo. Gosto de lamber as taças onde se fazem os bolos. Gosto que acreditem em mim. Gosto de saber que se pode fazer alguém feliz sendo feliz com e como ele.