Desde o dia 15 de Junho que odeio o mundo. Faço sempre o mesmo caminho em direcção ao meu trabalho e o mesmo para regressar a casa ou a outro sítio qualquer.
Tem dias em que odeio o mundo. Desde o dia 15 que ao mesmo tempo que me encaminho para o escritório vejo um homem velho, de cabelo e barba branca, com sacos de plástico numa ou em ambas as mãos. Nas mãos cheias que me parecem vazias. Mas só as mãos parecem vazias, olho-o sempre revoltada e fico triste, não sei o que lhe aconteceu, o que fez ou o que lhe fizeram. Não sei como e quantas pessoas magoou, não sei se mentiu, se maltratou, se roubou ou se matou sequer. Juro que não sei. Não lhe conheço a voz, nem a morada. Só vejo com o meu olhar entristecido que procura o olhar triste dele, e nesta procura terna de vidas fugidias fico sem saber porque odeio o mundo e por ele nada consigo sentir.
Apenas sei do que vejo, e quando o vejo, olho-o a ver se me olha, procuro-lhe a íris mas ele olha sempre o chão e nunca as pessoas de frente, não sei se por vergonha, se por medo. Ele não me olha, e tem dias em que acho que se o conseguisse encontrar com o meu olhar que lhe conseguiria ler a alma e dizer-lhe sem palavras que não tem que fugir das pessoas. Um dia se o vir sentado no banco do jardim frente à igreja como também já o cheguei a ver, vou falar com ele. Devia tê-lo já feito. Hoje vi-o a caminho do emprego e a caminho de casa. Hoje vi-o duas vezes. Hoje odiei o mundo por duas vezes. E hoje não o consigo esquecer.
E porque tudo o que vejo, vejo como nos filmes. E porque tudo o que fazemos e sentimos pode ser recordado nas asas de um caleidoscópio em pleno movimento. Se há "acção" eu revelo por aqui.
segunda-feira, julho 26, 2010
Hoje odiei o mundo por duas vezes
Desde o dia 15 de Junho que odeio o mundo. Faço sempre o mesmo caminho em direcção ao meu trabalho e o mesmo para regressar a casa ou a outro sítio qualquer.
Tem dias em que odeio o mundo. Desde o dia 15 que ao mesmo tempo que me encaminho para o escritório vejo um homem velho, de cabelo e barba branca, com sacos de plástico numa ou em ambas as mãos. Nas mãos cheias que me parecem vazias. Mas só as mãos parecem vazias, olho-o sempre revoltada e fico triste, não sei o que lhe aconteceu, o que fez ou o que lhe fizeram. Não sei como e quantas pessoas magoou, não sei se mentiu, se maltratou, se roubou ou se matou sequer. Juro que não sei. Não lhe conheço a voz, nem a morada. Só vejo com o meu olhar entristecido que procura o olhar triste dele, e nesta procura terna de vidas fugidias fico sem saber porque odeio o mundo e por ele nada consigo sentir.
Apenas sei do que vejo, e quando o vejo, olho-o a ver se me olha, procuro-lhe a íris mas ele olha sempre o chão e nunca as pessoas de frente, não sei se por vergonha, se por medo. Ele não me olha, e tem dias em que acho que se o conseguisse encontrar com o meu olhar que lhe conseguiria ler a alma e dizer-lhe sem palavras que não tem que fugir das pessoas. Um dia se o vir sentado no banco do jardim frente à igreja como também já o cheguei a ver, vou falar com ele. Devia tê-lo já feito. Hoje vi-o a caminho do emprego e a caminho de casa. Hoje vi-o duas vezes. Hoje odiei o mundo por duas vezes. E hoje não o consigo esquecer.
domingo, julho 18, 2010
Entre as linhas
Há poemas que se escrevem e que jamais serão lidos.
Há cores inventadas e que jamais impregnarão uma tela.
Há lugares do coração que nos esquecemos de procurar.
Há medos que por mais que combatamos não se esgotam ao nascer do dia.
Há verdades imensas, valiosas, donas da Humanidade.
Há coisas que gostaríamos que fossem fáceis, e só o são se assim o quisermos verdadeiramente.
Há partes de nós que são estilhaços que nos cortam a nós e aos outros.
Há palavras que não queremos vir a precisar de dizer.
Há caminhos que não queremos percorrer.
Há que percorrê-los, a pé, a voar, contigo, por ti, ou apenas para te alcançar.
Há sentimentos que se alojam nas encostas da nossa alma, tal como as rochas tumulares nas praias fazem alterar a morfologia do mundo.
Há coisas que quando nos imaginamos sem, fazem com que o reino dos nossos sentidos se desmorone.
Ritmo.
Obra.
Devaneio.
Revelação.
Inimaginável.
Gesto.
Obrigatório.
Há o verso curto e há a composição escrita. As entrelinhas que foram inventadas para que consigamos descobrir o que deixou de ser visível, as frases feitas para nos redimir, e...as mesmas, capazes de nos condenar.
domingo, julho 11, 2010
É bom...
É bom quando chegamos, sentir que foi como se nunca tivéssemos partido!
Também gosto da sensação de partir, e nesse mesmo momento vislumbrar a minha chegada. Por melhor que seja o motivo da ida, só é de facto bom, se tivermos uma razão ainda melhor para regressar. Sempre vi assim as minhas viagens. Fui sempre na intenção de voltar. Houve apenas uma vez que não o desejava, queria lá ficar, nem sei bem porquê...estava a gostar por demais da novidade e a achar que aqui no lugar onde tinha de ficar não tinha grandes coisas para fazer, a não ser continuar a aprender um pouco sobre tudo e nunca muito sobre coisa alguma. "Adolescentes" diz a irmã!!
Mas a verdade é que voltei. No ano seguinte regressei pela mesma altura, os planos foram alterados à última da hora, peguei em mim, comprei um bilhete e meti-me no avião, queria desaparecer...mesmo que fosse só por 10 dias, mesmo sabendo que o longe é sempre perto demais. Voltei tristíssima por sair de lá, foi uma verdadeira tortura, mas voltei. Alterada. Tomei decisões, mudei tudo, desisti do que havia a desistir e formulei uma recuperação: nos entretantos fui celebrando a vida!
Desde então a viagem que fiz foi por aqui mesmo, a do ano passado não conta...e este ano também não prevejo nenhuma no horizonte!
Viajarei nos sonhos, que vou trilhar por entre caminhos feitos em chão de pedra dourada coberta por todo um manto feito de retalhos de alegria e cheiro a moringa.
Além dos sonhos, viajarei com as palavras, nos intervalos dos esforços laborais, nas noites quentes e abafadas de Verão, nas manhãs cheias de esperança e frescura, nos entardeceres calmos e abraçados, sim o entardecer é capaz de nos abraçar: normalmente é nesse momento que o nosso coração se deixa inflamar.
sábado, julho 03, 2010
Manifesto ao Prazer
Creio que preciso de descodificar o prazer. Afinal o que é isso de "prazer". Sei sentir, mas não sei explicar. Não sei se coloque a questão em termos físicos, ou siga outro rumo que desemboque numa ressonância magnética à alma.
O prazer poderá ser dor?
Acho que sim. Pode gerar ou ser gerado por ela. Deveriam ser antagónicos, mas vejo-os um ao lado do outro, de mãos dadas. Porém, e é aqui que entra a grande questão: o prazer proporciona felicidade. Andamos todos à procura de ser felizes, mas dou por mim a olhar para isto tudo e a crer que procuramos de maneira errada. É como se a felicidade fosse uma meta e não todo o chão que pisamos até chegar a ela...A felicidade meus caros é algo que está sempre connosco, dentro de nós, e para onde quer que vamos, a felicidade está em nós, é tudo aquilo que somos, o que de bom nos alegrou e o que de mau nos fez mudar, mudar para melhor. Sejamos independentes e encontraremos forma de dar a quem precisar de receber. Talvez a questão à qual não quero responder seja "És feliz?", mas sim "Podes ser ainda mais feliz?", prefiro responder à segunda questão.
E eis que me lembro do prazer, e nas suas variações, o prazer na dor como já mencionei, o prazer como escape, o prazer como manifestação sensorial dos nossos sentimento, ( a sensação de sentir...jamais esquecerei isso), o prazer como resultado explosivo do afecto que sentimos por alguém, o prazer em dar, o prazer de receber, o prazer da carne pura e dura, o prazer na vontade que se gera entre duas pessoas sem que precisem de fazer uma pergunta que seja, o prazer de um simples acordar silencioso, porém majestoso em gestos, o prazer de ouvir a voz de alguém de quem se gosta e que nos faz falta, o prazer em achar que há muito para fazer, por isso o que está feito se feito com prazer não precisa de qualquer recriminação.
O prazer. Sintam-no, mas não façam dele um sedativo, não vejam no prazer uma sensação momentânea, um escape para os problemas da vida, problemas sempre teremos, resolvemos uns e logo surgem outros, com o prazer é a mesma coisa, deixamos de ter prazer numas coisas para ter noutras, e o mesmo com as pessoas, e o mesmo com as cores, e o mesmo com a felicidade, hoje sou feliz, mas amanhã quero ser mais!
domingo, junho 27, 2010
É de noite que os deuses descem à Terra dos Sonhos
Às vezes sinto que o dia presente, será o último dia em que usarei palavras.
Normalmente adormeço com esse pensamento. Durante a noite algo de mágico acontece. É como se me despedisse milhares de vezes de alguém, e no dia seguinte ele voltasse a aparecer na minha vida. Ao acordar, as palavras estão já deitadas a meu lado leves e sorridentes. De noite costumam acontecer coisas mágicas, os deuses descem à terra e ofertam-nos com os seus encantos, mas fiquem atentos, porque os deuses são caprichosos. É de noite que os deuses descem à terra dos sonhos. Pairam sobre nós, sussuram-nos palavras doces e tornam os nossos sonhos em matéria. Afinal de que são feitos os sonhos? Hei-de morrer sem saber a resposta, apenas a posso imaginar.
Imaginar e depois escrever, sendo que escrever nada mais é que reviver um momento que já não se repete, apenas o podemos voltar a imaginar, tentar decifrar pedaços da nossa existência e criar laços a partir daí. Laços que quando dados e depois recolhidos no fio da memória nos arrancam sosrrisos rasgados. É assim, doce e frenético...o sonho, o momento que se sonha. O meu último sonho foi uma realidade. Estava meia que a dormir, mas sem dormir verdadeiramente, digamos que estava naquele momento em que internamente travamos uma batalha entre vontade e necessidade, que nem sempre são a mesma coisa, mas quando são, é de facto um momento maravilhoso. E meia que a dormir, era chamada ao meu mundo por uma voz, ela estava ali colada ao meu ouvido, como que um zumbido, fazendo com que a necessidade fosse rebaixada pelo desejo, porque eu desejava ficar acordada durante horas. De repente, o zumbido tornou-se um grito, a distância que eu imaginava encurtou-se, e senti a adrenalina nos minutos que antecediam a abertura dos presentes no Natal quando era pequena. Saltei da cama, juro que saltei da cama para ver com os meu próprios olhos aquilo que os meus ouvidos me diziam. Não era mentira. A melhor prenda, pele com pele, voz com voz, toque com toque, sentir algo a crescer, o mundo poderia começar a arder nesse preciso momento que não daria conta, será que ardeu? Parece que parou de girar, ou então começou a girar mais depressa que nunca. A noite envolta tornou-se madrugada, os deuses por ali, sobre nós, por entre, de dentro para fora, entrando e saindo. Os deuses só nos deixaram quando afugentados pelos primeiros raios de sol. Para nossa sorte, nós ficámos, por uma vez, completamente a sós.
sábado, junho 26, 2010
Afinal do que é que não gosto
Ora aqui está um tema importante. Do que é que não se gosta...podemos não saber ao certo do que é que gostamos, mas é realmente importante sabermos aquilo de que não gostamos, digamos que é um atalho, que hoje em dia parece que "não há tempo a perder"!
Não gosto da palavra "não": parvoíce eu sei, mas não gosto de a usar, e muito menos de começar frases como acabei de fazer com a presente...também já não a vou apagar, não vou não. Note-se que além de não gostar de começar frases com esta palavra, também não gosto de as terminar. Onde é que ia eu..ah pois bem, do que é que não gosto...Não gosto de favas. Não gosto de enguias, vivas ou cozinhadas. Não gosto de não ter nada para fazer. Não gosto de ter coisas por fazer. Não gosto que me caia a pele, como me está a cair neste preciso momento. Não gosto que me batam na nuca. Não gosto quando tenho a certeza que pus uma coisa num sítio e quando lá vou cadê da coisa. Não gosto de Saramago, tenho muita pena que tenha falecido, mas não gosto do que escreve, como escreve e muito menos da entoação que dá (dava) às palavras quando falava. Não gosto da morte, da minha e dos que amo. Não gosto do cheiro do milho cozido. Não gosto de sapatos lindos de morrer, caros como o raio co parta e que magoam como se não houvesse amanhã. Não gosto quando os filmes que quero ver no cinema demoram para lá de três meses a estrear no Cinema. Não gosto de não ter imaginação para mais, e por isso mesmo escrever que nem uma idiota sobre as coisas que não gosto. Não gosto de iogurtes em que misturamos os cereais. Não gosto do preço das malas Louis Vuitton. Não gosto de música (muito) clássica. Não gosto de Tony Carreira, mas não é por mal, juro. Não gosto de falsas modéstias. Não gosto de meninas púdicas. Não gosto de meninos gays e que nem sequer gostam de outros meninos. Não gosto de "dominar" sobre um assunto. Não gosto de acordar tarde. Não gosto quando quero muito uma coisa e ela nunca mais chega. Não gosto quando me apetece comer alguma coisa e não percebo o que é. Não gosto de banana, nem de polvo, e de galinha que sabe a cânfora. Não gosto de "performances", nem "Arte" contemporânea que envolva acrílicos, saliva, pregos e guardanapos sujos. Não gosto de guardar segredos, mas guardo 'tá? Não gosto quando me quero explicar e as palavras vão a correr na direcção da outra pessoa antes de eu me aperceber e quando dou por mim já vou tarde. Não gosto daqueles dias depois do Natal em que rebolamos de casa em casa, e depois ainda nos sentimos cheios e temos de saltar e dançar muito, e pedir desejos na noite do ano novo (mas gosto do beijo que se dá à meia noite, embora nunca tenha dado nenhum ;). Não gosto que estraguem surpresas. Não gosto quando o ipod fica sem bateria e não tenho o cabo USB por perto. Não gosto quando tenho o nome da canção na ponta da língua e a filha da p*** não sai cá para fora. Não gosto quando no Telejornal dizem "as imagens que se seguem podem ferir a sensibilidades dos teleespectadores"...e mesmo assim mostram. Não gosto quando cortam a minha música na rádio com Publicidade. Não gosto de ver maratonas de séries em casa, como se não houvesse uma vida para viver, seja em casa, na cama, encostada à parede, ou até mesmo no supermercado a comprar sacos do lixo. De que é que não gosto mais...deixa cá ver...pois da guerra, da corrupção, da maldade, de doenças para as quais não há uma cura. Não gosto de perder, coisas e pessoas que amo. Não gosto de ser deixada para trás, não gosto de sentir frio, não gosto quando bato com o dedo mindinho no pé da mesa, não gosto quando mordo a língua e deita sangue pois, não gosto mesmo nada disso. E enfim, há mais coisas que não gosto, e possivelmente são muito parecidas com as que vocês não gostam, portanto este texto é ridiculamente fora de qualquer propósito e em nada vos vai enriquecer após a sua leitura. Não me odeiem, vá está bem só um bocadinho assim para o pequenino.
domingo, junho 20, 2010
Respiro entre Vento e Aguarela
(fotograma do filme, E tudo o ventou levou, 1939)
"Mais. Por favor."
Transbordo de sensações. Misto de embaraço e avidez, numa aparente calma movediça. Palavra como cor de aguarela aguada, ténue e translúcida.
E se a chuva vier? E se a impiedosa chuva vier e fazer desaparecer a aguarela da face da Terra. E se a chuva vier? Como é que se anda erguido debaixo da chuva? Aliás como se protege a aguarela para que não se misturem as cores?
Respiro. Por um pouco. A tela ainda ali está, a aguarela é que teima em secar.
E se fechar os olhos, por um momento que seja...será que o momento se esvai?
Abro as janelas para que a brise entre, se chegue a ela e num abraço fresco a faça secar mais depressa. O abraço descai num longo beijo entre apaixonados, o Vento e a Aguarela.
Respiro. Respiro mais uma vez. Nem sempre é fácil respirar, teima em sair, o ar amedrontado, mas mais não é possível. Respiro.
Gota de suór deslizante, entre os fios que definem os corpos. Respiro. Páro. Recomeço. Um respirar solenemente prolongado. E depois há aquilo que não se vê, que não se mostra, que não se materializa, a agurela não penetra. Respiro em pequenas doses enquanto o momento não chega.
Vento forte, capaz de destruir. Mas o vento é também elíxir quando chega em boa hora. A aguarela espera pelo vento, que é capaz de vaguear pelo mundo enquanto ela fica húmida e fresca entranhando-se na mais bela tela que quiseram pintar.
( E só escrevo porque ao escrever, respiro.)
sexta-feira, junho 18, 2010
Pessoas
Algumas gostam de sorrir. Outras de chorar a rir, outras preferem chorar antes e rir depois.
Pessoas grandes, pequenas, altas, magras, daqui e dali, viajantes do ar, da terra e do mar. Sonhadoras convictas ou idelistas inertes. Pessoas que gostam de pessoas. Pessoas que gostam de comunicar, de agradecer, de fazer sorrir. Pessoas que não temem, que vão em frente. Pessoas que sofrem, que já sofreram e mesmo assim não desistem, por saberem que o bom do sofrimento é que este termina eventualmente. Pessoas que dançam sem música. Pessoas com o dom de tocar um instrumento, ou de tocar alguém. Pessoas que antecipam, outras que se esquecem do que está para vir. Pessoas que deixam outras para trás. Pessoas que esmagam outras, pessoas que não pensam nos outros. Pessoas de quem gostamos. Pessoas com quem nos cruzamos, pessoas que nos cedem a passagem, pessoas que se aproveitam da nossa passagem pela vida delas. Pessoas que largamos, pessoas com quem vibramos. Pessoas a quem fazemos confissões, pessoas que esquecemos de nos lembrar. Pessoas que jamais esquecemos, outras que nunca nos esquecem quando delas já nada queremos saber. Pessoas que matam a fome que as atormenta com sabores de outros mundos, com sons de outros universos. Pessoas com sensibilidade, pessoas que nos abraçam, que nos sentem, que entram em nós e não queremos que deixem de se entranhar nos nossos poros.
Pessoas como tu.
Pessoas como eu.
domingo, junho 13, 2010
Passarinho na gaiola!
"Disseste-me tu!"
Sinto as grades, as asas presas e o espelho que reflecte a imagem que não apetece admirar.
A prisão que esgota, suga a energia, e cola as asas à carne que não se vê.
E dentro da gaiola há o pauzinho suspenso por dois fios feitos de arame que o transformam num balouço, sinto o arrepio do balanço, o medo de cair...mas não caio, eu devia cair.
Não percebo..eu devia cair.
Uma coisa é não querer, outra é não poder, um coisa é ser, outra é algo que não sei o que é.
Quero voar, pode ser baixo, naquele voo tangente ao solo que por timidez roça na ponta da erva orvalhada que arrepia a barriga ao toque, mas quero voar. Mas não consigo cair primeiro.
Não rasga, não corrói, não verga, não expulsa, o que entra fica e não sai.
Não corre, não parte, não estica, o que respira transpira e não molha.
Bate as asas passarinho, que o gato está a ver-te por entre as grades da gaiola.
sábado, junho 05, 2010
A um passo da Eternidade
Já se deram conta da imensidão da vida que já se esvaiu?
Já se sentiram abençoados tamanha é a felicidade que contém o vosso coração, transbordando para lá da linha do Horizonte, desafiando a lógica, a convenção,... a normalidade.
Às vezes damos por nós a pensar que nunca somos os eleitos, que são sempre os outros os primeiros, que a nossa vez tarda sempre, mas depois quando chega sentimo-nos lisongeados, vingados, glorificados.
As dúvidas deixam de ser dúvidas porque a noite as desfaz na brisa da madrugada.
O quente do corpo ao nosso lado, adornece a nossa alma de sonhos felizes como que em catadulpa, a brisa instala-se, permanece, vibra e nós quietos, abraçados, respirando ao ritmo do mesmo compasso binário.
E tudo isto num encosto de peitos apertados um contra o outro, num jogo dançante que de calmo se torna cheio de movimentos e avidez, de sussurros e olhos que quando fechados vêem toda a realidade. E nesse mesmo encosto que se encaminha para outros lugares, o corpo fala a linguagem dos sentidos, do sentimento mais primário. As línguas secam de sede, os dedos das mãos tentam sentir vida ao tocarem a superfície do corpo que está à sua frente, ao entrar nele e ficar. As luzes, as sombras, a luz, a sombra, o desejo que encadeia, os olhares cruzam-se na antevisão da sensação frenética que pára e recomeça e que me lembra que estou a um passo da Eternidade.
E depois a calma, a reflexão, a vontade de sorrir, a vontade dar beijos incontáveis, de não arrancar o cheiro que se entranha nos poros, a vontade de não fechar os olhos por recear que aos abrir já lá não estejas, mesmo sabendo que isso não é possível, porque estás, estás mesmo.
O que se segue, o que acontece no dia seguinte...e depois e depois? É a Eternidade pois claro. Que se aninha no nosso dia a dia, que nos faz sentir falta do dia que já foi e do dia que está para vir. A Eternidade é a ideia de que somos capazes juntos, que podemos prosseguir, que a hora seguinte vai ser melhor que as anteriores, que os desafios podem vir que estamos cá para eles. A Eternidade é o espaço que se gera entre nós e que ecoa como um grito silencioso dos nossos corações. E eu espero, o tempo que for preciso.
A Eternidade é o que te dou, e é tudo o que tenho para te dar.
sábado, maio 29, 2010
O Passado é capaz de vos libertar
Olhem para a frente porque para trás não há nada que nos faça avançar.
É incrível como por vezes se o usa o passado para não se prosseguir, como se ali, naquele tempo que se foi estivesse a caixa de Pandora capaz de nos fazer felizes (outra vez, como se foi outrora). Tão errado. A vida mais não é que uma sucessão de passados. Uns mais curtos, outros maiores, uns bons, outros errados, uns constantes e uns inundados em mar revolto.
Passado é sinónimo de Lição. Presente também. Pensem nisso.
Passado é a casa de infância, o cheiro a leite com chocolate e pão com manteiga. Passado é o cheiro do primeiro amor, que é apenas o primeiro dos sortudos que amam muitas vezes porque se entrgam, se deixam ir, e voltam ao mesmo lugar que é a si mesmos, alterados e melhorados. Deixem-se de padrões, construam algo novo, brinquem com a vida, brinquem com os brinquedos que vos são oferecidos pela vida.
Amem o passado mas por aquilo que vos foi ofertado e não por aquilo que vos foi retirado, ou por aquilo que não souberam fazer perdurar (se soubessem não deixaria de ser passado).
Usem o Passado. Abusem dele. Sintam-no para atingir Liberdade. Sim, o Passado é capaz de vos libertar. Quando libertos, o Presente é mais vivo, mais colorido naquela cor que é transparente de tanta clarividência, aquela que nos permite ver o que éramos e aquilo que conseguimos ser.
domingo, maio 09, 2010
Porque a Felicidade é um Império
E por vezes renunciamos à Felicidade por vaidade.
Por vezes, são vezes demais.
Entretanto chega uma diferente, aquela em que nos deixamos ir...numa doce queda, terna e sem rede por percebermos que a rede mais não é que vaidade camuflada.
Por isso, se estivermos felizes a rede deixa de ser precisa, e se sentirmos a felicidade a rede desaparece para sempre, aquele "sempre" que o nosso olhar conseguir alcançar.
Felicidade um Estado. Felicidade que se torna num Império.
Pausa breve.
Segue-se a sensação de alegria ao contemplar a manhã.
Pausa mais breve e ....
Recomeçar: o corpo insurge-se, move-se numa dança leve contemplada pelas estrelas que nunca estiveram tão perto. O corpo pára, serpenteia, sobe e baixa, reclama o grito abafado, comprime-se num espasmo absoluto e tremulamente quieto.
O corpo permanece, nú, íntimo, endeusado, vibrante, quente, desarmado e sedento do outro. Que fazer?
Abraçá-lo, entregar-me, e trocar-me pelo outro para poder ser livre.
E nisto surgem as palavras..., conheço-as profundamente e opto por não as escrever. Prefiro dizê-las, com a boca, com o olhar, com o ventre firme porém nervoso ao toque dos lábios, digo-o com a respiração ofegante, de cabeça encostada no peito ritmado ao batimento cardíaco naquele compasso binário transformado em caixinha de música. Digo-o com as mãos que se tocam e abraçam por já se conhecerem.
Prefiro dizê-las sonhando com o toque da espuma do mar na ponta dos pés, a espuma feita de aroma a sal que mais não é que a lágrima que cai quando choramos felizes.
Sou tudo o que mudou, alterada, guiada até este ponto, melhorada, e eternizada no Presente.
Gosto de saber que nada do que fiz é fonte de arrependimento, que tudo acontece para me fazer chegar a algum lado, ou a alguém que me destabiliza, me faz confiar na sua presença e me faz sonhar com a ideia de que a sua felicidade mais não é que a visão da minha própria felicidade. E essa felicidade tem a extensão de todo um Império.
E assim vieste... e alteraste tudo o que até hoje sabia... engraçado é que dou por mim a compreender a grande Lição que me dás: a de que sabia tão pouco.
Contudo, isso fica em segredo, mas Tu podes dizer-me aquilo que me costumas dizer, quantas vezes quiseres que eu escutá-las-ei a todas!
E prometo dizer-tas sempre que a minha boca fugir para a verdade.
Tua.
L.
Para a minha amiga
Por tudo o que já dissémos uma à outra.
Por tudo o que já te contei e tu ouviste, aconselhaste e consolaste.
Por tudo o que nos une, nos separa, e nos traz de volta.
Por tudo o que vimos juntas, rimos e voltámos a rir.
Por todos os momentos estranhos, as conversas desconexas e os risos epiléticos.
Por todos os dias que já passei sem ti e que são infinitamente maiores que aqueles que passámos na companhia uma da outra.
Por todas as palavras amigas, de consolo, de gratidão desnecessário.
Por todas as etapas superadas e as que ainda estão por vir.
Por todos os sonhos realizados e aqueles que ainda havemos de sonhar.
Por todas as garfadas juntas para que ficássemos a par uma da outra.
Por todas as perdas, consequências e regressos.
Por todas as desilusões, as injustiças, e as incompreensões.
Por todos os dias de sol, as tardes cálidas e uma de nós algures à espera da outra.
Por todos os momentos nas estações de Metro.
Por todas as vezes que não dissémos "adoro-te", por acharmos que não era preciso.
Por todas as horas, minutos e segundos partilhados.
Por todas as horas, minutos e segundos por partilhar.
Por tudo o que temos e teremos.
Por tudo o que perdeste, eu perdi também.
Por tudo o que eu ganhar, será teu sem pedires.
Por tudo isto e muito mais.
Por tudo o mais que nunca será muito.
domingo, abril 25, 2010
A profetisa das sensações
Vamos tornar os nosso dias menos solitários quando acompanhados. Vamos deixar de abrandar a perseguição dos sonhos que não sabemos revelar. Vamos fazer do medo condição que se mata com beijos ao acordar dados ao acaso por entre os lençóis. Vamos fazer do sorriso fonte inesgotável do espírito físico. Vamos fazer do Amor a Religião mais nobre, mais completa e mais duradoura. Façamos do leito catedral, do lar o confessionário, e do corpo o altar a adorar e refúgio do carinho animal. Vamos ter esperança e fazer dela a bandeira mais vibrante para que seja vista pelos olhos ávidos do Universo. Vamos fazer dos minutos, horas mornas, das horas dias sorridentes e dos dias nascerão anos cada vez mais ricos, cada vez mais frescos e cada vez mais frondosos. Esqueçamos aquele que deixa cair a pedra por orgulho, esqueçamos que já tivémos essa pedra na nossa mão, esqueçemo-la, lembremo-nos da mão que toca, agarra, larga puxa, envolve, amacia, dedilha, controla e deixa-se tocar, agarrar, largar, puxar, envolver, amaciar, dedilhar, controlar e sempre, sempre sentindo. Lembremo-nos da mão, porque quando os olhos já não conseguem ver, a mão sente por eles. A mão lembra-se do que é sentir quando nós achamos que já não o sabemos fazer. A nossa mão sabe o caminho, ela guiar-nos-à qual profetiza das sensações.
Mar
Saudades da praia. Ai que lamento sonhador aquele que sonha com o sentir do primeiro toque da planta do pé em areia fina ou grossa, não importa. Ah que loucura prolongada de prazer pueril, o da frieza do mar que sobe pernas acima, congela o corpo, aviva a memória, e é mordaz no corte que faz na barriga que nos faz esquecer de repirar. A frieza que mesmo assim aquece todo um coração sedento de consolo salgado de amar.
E a criança ama tanto, vai adiante, sobe a montanha amorosa que só ela conhece, toma as rédeas da fera oceânica e sente o frio a sorrir e a gritar como que no "toque e foge". E enquanto criança é assim, depois cresce e tem medo de sentir a frieza do mar, diz "não consigo" e faz caretas, vai entrando devagar, devagar até molhar a cabeça naquele mergulho feito de coragem acobardada.
Sintamos mais uma e uma vez. Sintamos a água gelada e espumosa na pele macia e agora arenosa temperada ao Sol. Percamos o medo da Dor essa maldita criatura que só tem força se a quisermos alimentar.
domingo, abril 18, 2010
A primeira viagem da pequenina
Ela pegava na mão pequena da pequenina e levava-a por entre as ervas finamente verdes. "Já falta pouco, já falta pouco". O caminho era curto, mas por saber que iria culminar numa surpresa parecia longo, interminável, inesgotável. A mão pequena e segura da pequenina escorregava, e a força exercida mesmo pouca, parecia capaz de esmagar a mão da menina, a mão e os sonhos sonhados para ela. O Sol lá no alto mas também longe anunciava uma Primavera fresca e demorada, "o frio já lá vai", agora que venha o quente, o mais quente e o laranja dourado do Verão que se vê nas cearas em trigo.
A menina de perninhas anafadas e baixinhas, fugia por entre uma ou outra flor que teimava em travar-lhe a caminhada, impetuosa e vaidosa como uma flor deve ser. A menina em surdina falava com elas: "não perdem pela demora, alguém virá ainda mais vaidoso que vocês e tirar-vos- à do vosso lugar, a Terra deixará de ser a vossa morada, e o Vento o vosso namorado para a vida.".
A menina parou porque a sua companheira de viagem parou antes dela, a sua guia olhou para o céu, deixando-se ficar a admirar a viagem das andorinhas que por ali se deixavam conduzir....e pensava "gostava de ser como elas, não saber como mas saber sempre para onde ir, mas já falta pouco para mostrar à pequenina as fadas mais mágicas que conheço. Mágicas pela sua cor, pela sua curta existência, e por conseguirem transformar-se em bailarinas sangrentas. Adoro-as...e ela vai adorá-las também quando vir o manto majestoso que prepararam para seu deleite.".
A pequenina estava cansada, farta de andar, as perninhas já trôpegas, a azeda nos lábios, o chapéu de palha com o laço branco que deixava fugir a franja cerrada e os caracóis longos e castanhos escuros, escuros como casco ardido, e brilhantes ao Sol, tal como a Lua brilha quando sobe ao altar nocturno.
Chegadas.
Vivas.
Como sempre devem estar, era isto que a mãe te queria mostrar "Apresento-te as papoilas".
domingo, abril 11, 2010
Escolham as vossas......
Há o doce que se gosta e o salgado que se deseja. A Luz que se adora e a sombra que se teme. Mão para dar e pé para repudiar. Voo picado para controlar e voo contra-picado para nos libertar. Ar para respirar e Terra para pisar. Veneno que queima e antídoto que refresca. Guerra interior e paz ganha sem esforço. Homem que quer e Mulher que é querida. Absolvição para uns e Pena para outros mais. Há magia no olhar e pragmatismo na concepção. Demagogia para os que não sabem nada de nada e frontalidade para os que sabem antever. Há a palavra que nem sempre se profere e a ideia que não nos abandona o pensamento vigilante. Sopro nocturno e Inspiração matinal. Peça que encaixa e Argumento que a guarda a sete chaves. Cor no acto e "preto e branco" na recordação do mesmo. Há Silêncio para a reflexão e música para a deixar fluir. Há liberdade e comodismo. E depois, há tudo aquilo que queremos que seja. É um história interminável que não se esgota nas frases feitas, nem nas que ficam por contar. Há o pesado que se deixa algures e o leve que levamos no coração. O quente dos dois juntos e o fresco do outro lado da cama. Há a harmonia sentida e a desarrumação controlada. Há o esforço para lá chegar e a leveza do ser que nada precisa fazer. Há o feitiço diário e a descrença que já lá vai. Há o deitar feliz e o acordar ainda mais feliz. Há o verso livre e o texto censurado. Há a película que aprisiona e o digital que engana. Há o sonho e o pesadelo, há o sono leve e a leveza ao acordar. E depois...depois deixa de haver o resto.
sexta-feira, abril 02, 2010
Como que em círculos
Os momentos que escolhemos para sermos felizes, recolhidos na doce contemplação do momento vivido são os que contam. Os que contam são os que recolhidos na doce contemplação do momento vivido, e de facto vivido e latente, cresce fresco mesmo depois de tanto tempo.
Os momentos que escolhemos para sermos felizes são os momentos que podem ter sido bons ou maus: se bons, recordamo-los para sorrir, se maus ,a escolha recai sobre o momento da superação, aquele momento em que reaprendemos a valorizar tudo aquilo que perdeu o devido valor. E é assim, simplesmente assim, fácil, leve e apaziguador. Fácil agora, mais difícil na altura, não fosse o tempo uma corrente de ferro que nunca, nunca se corta.
Tudo nasce do momento da escolha que fazemos sem que disso nos apercebamos, passamos o dia a fazer escolhas, hoje ou amanhã, aqui ou ali, assim ou assim, de lado ou de frente, contigo ou sem ti, sorrindo ou chorando, andando ou a voar, ao acordar ou ao deitar, agora ou daqui a cinco minutos, com manteiga ou queijo fresco, em casa ou na rua, porque sim ou porque não, por mim ou por ti, por nós ou por ninguém.
Perpetuar como que em círculos, fazê-los rodar, rodar com eles e para eles, fazer do violeta a junção do vermelho e azul, rodar com as cores, correr ao vento com elas, respirar o ar que agora é violeta e ontem era cinza, olhar o céu e ver coisas sem fim, ver coisas que ninguém vê, ou talvez veja mas não se atreva a dizer-nos.
Escolhemos o ser, a carne, e o espírito que é tudo menos santo, porque a santidade está no coração e não naquilo em que cremos. Devoramos o que há para devorar, esticamos o tempo concedido pelo som da harpa, vibramos com a imaginação feita acção ritmada, recordamos o dia, a noite, a hora e o minuto, do geral para o particular, do perfil para o sorriso aberto. Recordar, guardar, usar e preservar. Fazer do velho, novo, e tornar o novo nalgo mágico. Questionar e reflectir sobre o valor do abstracto e do concreto. O que vale mais? O que perdura? Será que escolhemos as lições a aprender? Pedir paz e lembrar que a paz começa em nós, no nosso coração e na nossa alma.
sábado, março 27, 2010
d e v a n e i o
Quando penso em "devaneio" lembro-me disto
Mar Adentro
Mar adentro, mar adentro.
Y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños
se juntan dos volunta
despara cumplir un deseo.
Un beso enciende la vida con un relámpago
y un truenoy en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo,
es como penetrar al centro del universo.
El abrazo más puerily
el más puro de los besos
hasta vernos reducidos
en un único deseo.
Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo,
sin palabras 'más adentro', 'más adentro'
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.
Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto,
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.
Ramón Sampedro
domingo, março 14, 2010
Fogo gelado
Um quente que gela. Uma luz que se une a outra no escuro e que se iluminam em compassos ritmados de tempo, que de tão longo parece curto.
Saber que nada se quer desperdiçar, absorver cada poro, cada gota de suór, cada cheiro, entrar na catedral e sentir a magia da contemplação profetizada, sentida, inspirada, realizada, vivida e sorvida.
Um calor frio, que arrepia, que junta e afasta os corpos, que os remete para a dança dos sentidos e os faz abraçar numa queda doce e macia.
Nisto, nasce a liberdade feita e refeita numa doce manifestação física. Lembramo-nos das coisas que realmente importam e nos faltam, das que nos fazem rir quando o riso é preciso, dos primeiros instantes, da imprevisibilidade da vida, da fruição dos encontros "energéticos" e "vibrantes", das horas que passam depressa demais quando o tempo parece querer fugir, da hora que termina e adormecemos aninhados para as aproveitar melhor.
Porque tudo o que é bom acaba, e assim damos-lhes mais valor e queremos mais, mais e mais, como se o "mais" fosse humanamente impossível. (Porém, nunca o é)
Querer o toque astuto, a língua ávida, o sopro uivante, o gesto majestoso, o elogio marcante e não temer o silêncio, não temer o silêncio que se gera entre os seres no intervalo das horas, quando o dia começa!
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