sexta-feira, março 30, 2007

Pediram-me que escrevesse qualquer coisa

"Apresentações feitas" e apetece-me pensar que não nos tratamos de pessoas assim tão diferentes.
A minha irmã disse-me outrora: "Crescer custa!", e custa, custa parece-me a mim, mais a uns que a outros, os outros porque não pensam nisto crescem simplesmente para cima sem procurar o sol, crescem rectos e sem propósito, e os "uns", esses alegram-se por crescer, procuram o sol por quererem ultrapassá-lo, crescem tortos, para mais tarde se endireitarem!
E nada mais prazer me dá que Comer finas lascas de chocolate de leite Sentir a ansiedade pela chegada da última palavra escrita de um livro Olhar o céu estrelado durante um apagão na cidade Ouvir o canto das andorinhas numa fresca manhã de Primavera Adormecer com a minha cabeça pousada numa almofada de penas molemente endeusada Acordar leve porque sonhei com a resolução de todos os meus problemas Escutar a canção preferida como se fosse hoje decretado o fim da existência da Música Saborear café pela manhã envolto em duas colheres de açucar, abraçado a pão lambido com manteiga Receber uma carta, um postal, um "olá" que não seja seguido de @mail.com...
Quem disse que "quem torto nasce nunca se endireita"??

quinta-feira, março 22, 2007

BEM VINDA PRIMAVERA!

I am your for the walk, and specially when I walk away.
William Shakespeare

domingo, março 18, 2007

Quantas e quantas vezes...........

....me senti no lugar da gaivota faladora.

sexta-feira, março 16, 2007

"Mano quero ver passarinhos!!"
Dizia ela com a sua voz inocentemente imperativa, contestatária, doce e irrepreensível, teimosa e inesgotável.
O lume do Céu rasgava os panos do Tempo, a viagem leva anos a percorrer, talvez quinze, talvez catorze, pedindo às Parcas para fazer um recuo imaginário, é recorada a descida leve da Primavera daquele ano...talvez o de 1991, talvez o de 1992, o pólen invisível pairava sobre a menina, e o alpendre vazio.
Um pouco mais longe, água cristalizada consolava as amendoeiras mais próximas, pareciam diamantes finamente delapidados à espera que ela crescesse e os usasse orgulhosamnete nas suas orelhas finas e escondidas pelos seus cabelos cor de ébano, furiosos tentáculos que reinavam na sua cabeça e que só ela conseguia domar.
"Vamos pôr pão molhado no alpendre!"
Disse ele, numa tentativa de acalmar a menina, de fazer sorrir os seus olhos,de acalmar se possível os furiosos, enfim numa tentativa de satisfazer a vontade dela e sua (secretamente sentida). O pão, esse manjar, colocaria um fim à espera maldita, um início de algo maior.
Amanheceu frescamente. Ela acordou, despertou insatisfeita como sempre, os seus pés finos tocaram o ladrilho frio cortando como agulhas a base do seu corpo alado, frágil, macio...obrigando a tocá-lo minimamente, fingiu ser bailarina nessa manhã.
Ele disse, "Agora, agora!"
Ela sorriu como só uma criança o sabe fazer.
Quanta emoção aquele passarinho lhe proporcionou, aquele ser tão ou mais frágil que ela, dádiva dos Céus, porque só a ele pertence, maravilha natural, pequena e mole aninhada na palma de uma mão protectora e contente. Comendo o pão comprado no dia anterior na padaria da D.Emíla.
Devolvidos os anos às Parcas, (porque só a elas pertence), numa manhã de Primavera como a de hoje, a menina de outrora olhou o alpendre e nada do que era continua a ser, não há passarinho, não há amendoeira, há o alpendre nú...e eis que de repente, como se algo maior e mais forte que ela percebesse a sua perda, o Ser surge, o alpendre foi coberto momentanemente. Que felicidade, que inesgotável alegria ela teve naqueles segundos breves e fugidios, tantos e tão poucos enquanto o passarinho lá ficou, voou para outro alpendre, foi beijar os olhos de outras meninas como ela!
Horas depois, ela procurou o mano e disse:
"Esteve um passarinho tão bonito no nosso alpendre.", disse ela hoje já com uma voz firme, mas ainda adocicada como outrora.
Ele: "Temos de pôr pão molhado!"
Ela sorriu, virou-lhe as costas e silenciosamente alegrou-se. "Ele lembrou-se." Tudo faz sentido, aquilo que senti não foi uma ilusão, a vida faz sempre sentido, seja para quem for. O passarinho guiar-nos-à no sentido certo, eles sabem sempre o caminho em direcção ao nosso alpendre!
Estou feliz.
Já não sou criança, nem a menina de outrora mas continuo a gostar de passarinnhos.

sábado, março 10, 2007

É difícil nomear coisas

Se se procurar ao longo de toda uma curta vida o caminho mais fácil, encurtamos ainda mais a nossa passagem por esta Terra desavergonhadamente atraente.
Escolhe-se o menos sinuoso, por vezes o menos sombrio...e tudo isto na esperança de alcançá-la num curto fragmento temporal, tanto quanto um pássaro leva a bater uma asa frágil e pequena, bela e fina...como se a felicidade fosse trivial. Encontro-a em pequenas insignificâncias, mas não é por isso ninharia, pelo contrário, tomara muitos perceber o quão majestosa ela se torna quando contemplada e vivida segundo a segundo. Por vezes sinto-a chegar por entre bolhas de ar azuis claras que a brisa carrega no seu ventre inquebrável trazendo palavras sussuradas até aos ouvidos cândidos. Encontro-a no Amor, tome Ele a forma que mais lhe convir, tome Ele a forma que mais deseje, tome Ele a forma que um capricho mais caprichoso, vivido porque se quer vivo, esse agente secreto que segue as pistas mais contraditórias, ilusionista de sentidos falíveis. E se eu disser que o amor não é o caminho, nem tão pouco o destino?... Materializamo-lo ortograficamente, desenhamos símbolos virtuosos, divinizamos nomes, repetindo-os furtuitamente em linhas de cadernos já repletos de palavras vãs, colorimos folhas brancas, que agora tingidas com uma cor que nós pensamos ser a do sangue (não é tão vivo no entanto) são também elas agora escravas dum sentimento atribuido ao coração...como se ele tivesse culpa. Focar-me-ei no caminho, gosto muito de caminhos, de andar quando o Sol me beija os cabelos e o aclara sem para isso pedir permissão. Caso o caminho se torne difícil e eu não tiver vontade de desistir, levarei a bússola. O caminho solitário não tem piada, é muito silencioso, mais lento, se ao menos levar a bússola, pode ser que com sorte eu não me perca, pode ser que desfrute mais por ao menos me sentir descansada, sem pressões e com tempo, todo o que o mundo me quiser oferecer... E se a bússola for a outra metade a tal que tanto procuramos desviando-nos do caminho?? Talvez só com a bússola chegemos a tempo de sermos felizes (verdadeiramente felizes), talvez com ela tracemos uma rota que nos permita de facto encontrar o sentimento. Ainda estou a construir a minha bússola, peça a peça, umas compro, as outras troco com alguém que já as usou e danificou...(os que uns estragam os outros arranjam)...as outras peças encontramos por acaso, ao acaso, recolhemos de sítios abandonados já que outros não as puseram usar. Depois quando reunidas durante o caminho, tentamos astuta e secretamente que se encaixem umas nas outras. Estamos todos a fabricar as nossas bússolas, umas são mais perfeitas que outras, mais ricamente compostas, mais funcionais, mais enganosas, e outras por mais que arranjemos, precisam sempre de revisão. E como qualquer apetrecho fabricado, nem sempre funciona, por vezess com uma abanão...mas não muito forte que se estraga para sempre. Sei sabiamente que a bússola levar-me-á "tempo e dinheiro" a construir, podemos pedir a outros para a fazer, mas não tem o mesmo valor, disso estou segura. E quando miraculosamente construída pelas mãos da princesa incansável, bafejada pelo sopro celestial das fadas, a bússola funcionará, o coração indecifrável no centro espalhará as vértices da rosa, o caminho surgirá claro como lágrima percorrendo a face alva da figura feminina... ........a Norte e a Sul, Tu......a Este e Oeste, Eu.....

sábado, fevereiro 24, 2007

Diário de um tal Jesus

A premissa:
Nas profundezas das terras arídas de Jerusalém foram descobertos manuscritos intocados. Alguns suspeitam que se trata de uma verdadeira "aldrabice" outros afirmam ser a prova que faltava no puzzle. Transcrever-se-ão aqui algumas passagens do diário encontrado, sabemos que se trata de uma liberdade assegurada, não pretendemos ferir quaisqueres susceptibilidades, não pretendemos brincar com nenhuma fé. A verdade: Trata-se de um exercício livre, uma combinação imaginativa daquilo que poderia ter sido, e se calhar foi. Qualquer crítica, por favor batam na consciência desta pobre alma que escreve ao sabor da insatisfação e cujos dedos se movem involuntariamente guiados apenas pelas leis da ortografia. Os autores destes texto são uma e uma só pessoa, o uso da segunda pessoa do plural exige-se por um qualquer capricho da autora, talvez uma vontade de se sentir "universal". Se existe uma bíblia que se diz regedora de leis e moralidades, porque não um diário aladrabado e sentido, se o Vaticano pode dizer como devemos viver e aquilo em que devemos acreditar desde que o façamos de consciência limpa, pois bem, a minha consciência está imaculada, escrevo sem reservas e medos de represálias. A fé essa está intacta e não serão palavras que a minimizarão, se pensarmos assim, então a liberdade deixa ser condicionada, e encontramos o verdadeiro caminho para a felicidade. 27 de Dezembro de 0000 Nasci há dois dias! Parece que no dia 25 vieram 3 senhores que exigiram um teste de paternidade à minha mãe, mas ela pôs-se a dizer que o que interessa é o que está no coração. Mulheres!! Ela continua a dizer-se "virgem" e o meu pai, esse passa o dia a adorar-me e a limpar o estábulo. O Baltasar diz que eu puxei à mãe, o Belchior diz que eu ao José não saio de certezinha, e os vizinhos dizem que eu tenho mas é cara de terrorista... Parece também que têm todos grandes planos para o menino: "Salvador" e blá blá blá. Eu só sei é que toda a gente me quer fazer favores, e oferecer-me fraldas todas limpas, vou mas é a proveitar esta maré de devoção, antes que se esgote. Por agora fico-me por aqui, a mamã já se alambazou com o baú que tinha escrito "ouro", as outras deu-as ao Zézinho ( é como ela chama o meu papá) alegando que ele não tinha carregado nada durante 9 meses que não sabia bem o que era, ele disse baixinho "não sabias não". É engraçado ver como funcionam as relações amorosas, o Amor é uma coisa muito bonita de se ver, e é impressionante como percebo aquela coisa do " ler nas entrelinhas" acho que isso define qualquer ligação entre humanos. Bem vou mas é pedir o almoço, que isto de ser o "tal" é espiritualmente esgotante.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

É tempo!

(não é um prado de daffodils, mas um lago de Monet. Entusiasmo: a Arte existe!)
Em dias de consumismo desenfreado como o dia dos Namorados, acontecem imprevisbilidades previsíveis, frustrações apelativas, dramas "arrufados", o amor (ah) o amor também acontece: ao virar da esquina, nas escadas rolantes de uma qualquer centro comercial, na fila na loja do cidadão, na sala de aula, na paragem do autocarro, na sala de espera do dentista, enfim tanto lugar, tanto amor!!
Num dia como este é de esperar que o nosso "mais que tudo" nos brinde com um sorriso especial, um swatch horroroso comemorativo da data, um peluche detestável da Bunny's, uma caixa de chocolates em tons vermellhos e em forma de coração. Já não se oferecem cd's (sacam-se), dvd's (sacam-se), cartas de amor (messenger, e sms estão cá para quê?), jantar à luz das velas (McDonald's please!!), romantismo moderno?
Pena que já não possamos ler livros a falar do amor( correspondido ou não), em que amantes se conhecem sem nunca se ter visto, que se procuram inconscientemente, misto de desenganos, bilhetes entregues por conhecidos, uma flor "esquecida" à nossa porta, um beijo roubado numa carruagem de terceira, um reino repleto de "daffodils" amarelas (para quem viu Big Fish faz sentido).
Num dia como este espero sempre caras alegres nas ruas, mas deparo-me com pessoas FEIAS e SOMBRIAS, saídas de uma obra de Munch, e porquê ?
Estava eu numa fila da florista, sim havia uma grande fila na florista, (eles não podem passar o dia com elas mas ofererecem umas rosas jeitosas) a fila era um desânimo para qualquer monge de nome Valentim ou para qualquer Cupido barroco, não vi uma expressão de felicidade, de emoção...nada, e nisto olho para a beira do passeio e vislumbro uma pomba branca e etérea num universo tão pouco lírico, a pomba esse símbolo estava lá, agora aquilo que ela simboliza longe, longe e ela ali tão perto!
Não espero que se amem mais no dia de São Valentim, eu própria o que amo faz mais sentido num "dia normal", espero que continuem felizes como nos outros dias, e se não o são, comecem a fazer por isso, é tempo!
E se por acaso "meninas" algum moço excitar os vossos neurónio afectivos, não se façam de desentendidas, aquela de ah "fazer-se de difícil" é um jogo astucioso, mas meninas astutas essas são poucas, acham-se mas enfim...!! E meninos não se ponham já a pensar que "está no papo" porque não está..nunca está!

sábado, fevereiro 10, 2007

Pietà

(Michelangelo, Pietà)
Texto surdo a um comentário audível
Há coisas para o qual estamos preparados, outras para as quais nunca nos prepararemos, só vivendo essas mesmas situações "recolhidas na tranquilidade", como já dizia um tal de William Wordsworth.
Afirmar hoje que se tem pena de alguém é já um lugar comum, tivesse eu a capacidade, a oportunidade, a vontade sequer de sentir pena de alguém, mas não consigo.
Acredito que "ter pena" de alguém é simplesmente algo que nos protege...e muitas vezes o que dizemos não é o que sentimos...protege-nos fazendo com que não tenhamos mais pena de nós próprios, e isso sentimos mas nunca dizemos.
Vejo fome, guerra, morte e não sinto pena, aliás ninguém sente, segue o seu caminho, desses ninguèm diz "tenho pena" ou então diz, mas só porque se não o fizer foge aos cânones morais da boa educação.
Eu não sei sentir pena de ninguém, não preciso de o fazer para me sentir superior, porque no fundo trata-se de um jogo de equilíbrios, dois pesos desiguais em dois pratos da balança, o mais forte tem pena, o mais fraco é aquele sobre a qual a piedade é exercida.
Ponhamos mão nas nossas consciências, e percamos essa necessidade mesquinha e trivial, porque a vida é mais do que isso, muito mais...pena (e uso agora a palavra propositadamente) que só consigamos ver aquilo que queremos ver, e aquilo que mais nos convém. Triste, é vermos más caras por entre a multidão, como se o mundo fosse nosso inimigo. minha vontade faço por segui-la, quero "voar mais, e mais alto", nem que para isso esse voo seja sobre terras mais altas!
Bem hajam

terça-feira, janeiro 30, 2007

AlegriaS e DecepçõeS

(from The queen, 2006)
Depois de uma ausência não premeditada e muito menos consentida pela voz da consciência, farei os possíveis para recuperar o tempo perdido ( impossibilidade óbvia) ou pelo menos tornar o presente aprazível e consequentemente o futuro sorridente e florido!
Tristemente assisti à emissão do AXN da gala dos Golden Globen: o atentado cultural do século?
Mas infelizmente o público, esse sabedor pouco ou nada pode fazer quanto às "caras da TV", é que aquela jornalista (se é que não é antes filha de algum conhecido) não teve o mínimo de profssionalismo, o mínimo de gosto, o mínimo de tacto para o trabalho que executou...e ainda executa, para mal dos nosso pecados.
MAs falando de coisas mais positivas!
Agora que os dados estão lançados, é com grande alegria que vejo alguns dos nomeados que interiormente professava naqueles écranzinhos rodeados de estatuetas douradas!!
Fico feliz pela senhora, que é uma rainha e que me adocicou o coração de forma magistral: Grande Helen Mirren, é a ele que quero ver subir as escadas para receber o belo troféu, fico agradada pela nomeação de Penélope Cruz (num Volver inexplicavelmente esquecido), fico contente com Mark Wahlberg numa interpretação de encher o olho (e a boca)!!
Fico ainda mais satisfeita em ver que tanto Babel (embora não aprecie a mensagem do "politicamente correcto" para a qual remete) e Little miss sunshine estão na luta pela estatueta, mas não me espantaria ver The queen a levar o prémio dourado, convenhamos que Stepehen Frears (esse eclético bravo) também não se importaria, mas shhhhh que quero mesmo é ver o Little miss sunshine a brilhar nesta noite!!
Scorcese para melhor realizador, já ia sendo tempo, para melhor actor...só me pronuncio depois de ver Dreamgirls e Venus que ainda não tive o prazer, para melhor actriz secundária escolho a menina Abigail Breslin...can't touch this!!
(A ordem está sem lógica, mas é que o dia ainda é longo e a mente...bem essa anda a vaguear num mundo paralelo muito frio e sombrio, sinto-me como se estivesse dentro dum daqueles bibelots muito bonitos e coloridos que abanamos e vemos os flocos de neve a cair...não estou lá dentro parada, sou um desses flocos, embrulhados num turbilhão vivo e musical!)
Folgo em saber que Children of men não foi esquecido de todo, mas decepciono-me com as ausencias de Volver como já referi, Marie Antoinette, Inside man, mas enfim nobody's perfect...
E se hoje não faço sentido...assim que me resolver a ver o Sol a brilhar e voltar a comer cerejas o cenário muda....e como muda!!
A vida anda triste, que ganhe uma comédia o prémio mais esperado!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

domingo, janeiro 07, 2007

Open up your heart as well as your eyes

(imagens do filme)
"A stones's throw from Jerusalem
I walked a lonely mile in the moonlight
And though a million stars were shining
My heart was lost on a distant planet
That whirls around the April moon
Whirling in an arc of sadness
(...)
And from the dark secluded valleys
I heard the ancient songs of sadness
(...)
They say a city in the desert lies
The vanity of an ancient king
But the city lies in broken pieces
Where the wind howls and the vultures sing
These are the works of man
This is the sun of our ambition(...)" ,Mad about you by Sting
O novo de Alejandro González Iñárritu estreou há pouco.
Foi um estranho visionamento para mim, não sei se gostei ou se simplesmente me senti incomodada e por isso o detestei. Acho que um misto dos dois.
Ao abandonar a sala percebi que ainda vivo na torre de Babel e de lá nunca sairei, estou feita prisioneira não de uma barreira liguística, mas de sentimentos, são eles (ou a falta deles) que nos aprisionam, os nossos preconceitos, as nossa situações-limite, os nossos receios, os nossos costumes, o nosso amor pelos outros finito...muito finito, a linguagem não é barreira, nunca foi, não nos percamos.
Mais uma vez este realizador traça uma linha cheia de curvas e estradas paralelas, que se cruzam (chocam) apenas quando o espectador já sabe exactamente e já se encontra preoparado para o pior, e quando o pior não acontece o espectador fica impaciente, a acção alonga-se, e o espírito inquieta-se.
Passando pelo Japão, Marrocos e a fronteira do México, são nos dadas a ver diferentes estórias quase em sinal de protesto silencioso, "Páre, escute, perceba, sinta..." parecem estas as ordens que o realizador deu ao seus actores e não actores nesta obra, e eles como bons alunos aplicaram-se e o resultado a nível de interpretações é assombroso, não é preciso "muito tempo de antena" basta um segundo para o conceito "Babel" ser construido.
Lindos são muitos dos momentos no filme, seja a dedicatória final do realizador, seja a visão de um Japão estigmatizado pela luz e isolamento...dançar sem ouvir música, falar sem mover os lábios...uma fenomenal Yuko Murata...um provocador de angústia Gustavo Santaolalla, que parece escolher notas musicais e acordes de violino cegos de tanta dor.
Babel pode nunca ter sido construída, mas somos sem dúvida prisioneiros de uma torre de afectos"...se quer ser entendido...escute."

quarta-feira, janeiro 03, 2007

A lista

E para começar 2007 com pensamentos ainda não muito profundos, depois da ressaca das horas e das passas, aqui vai a minha lista de 2006, aquilo de que gostei e aquilo que não passou do "por aí além"...de notar que muitos dos filmes não são do ano passado, mas isso tem a ver com os atrasos das estreias em território do Senhor Cavaco Silva (respeitosamente), é este ano amigo, é este ano que a coisa se compõe!!
Top 10 (filmes)
1 Litle Miss Sunshine
2 Volver
3 Thank you for smoking
4 The departed
5 Brokeback mountain
6 Inside man
7 Matchpoint
8 Walk the line
9 Children of Men
10 Marie Antoinette
E as outras coisas...
Maior gargalhada o "pão de forma" de Little miss sunshine
Maior lágrima o silêncio da montanha Brokeback
Não estava mesmo à espera Mark Wahlberg dirigido por Scorcese
Acriz Penelope Cruz em Volver
Actor Clive Owen em Inside man e vá lá Marky Mark em The departed
Não me sai da cabeça O porco insuflável ao ar livre em Children of men
Canção Can't touch this
So fashion that hurts Meryl Streep em The devil wears Prada
Mauzinho Casa na Lagoa
Muito mau Casa na lagoa
Visão O feminino para Almodovar
Bom ano!!

sábado, dezembro 30, 2006

E para 2007...

...o sabor de eleição é o sabor a limão!!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Agora que voltaste à casa que construi para nós

Frio, muito frio tanto que quse sinto o gelo nas pontas dos meus dedos, quais estalactites valiosas. Noite, noite fria, mais uma, uns chamam a este frio de "Inverno" eu chamo de "Ausência", a minha ausência.
Gritam por mim...tu não ouves, ouviste?
Tremo mas não pela "baixeza" da temperatura, antes pelo medo: calculado, premeditado, suor frio, um véu esbranquiçado, uma dor prazerosa.
És mesmo tu?
Porque me persegues?
Porque te busco?
Estás comigo mas não estás, dormes comigo mas não te sinto, magoar-te não consigo, só não quero sofrer....
Ofereceste-me vermelho, mas tudo o que tenho é negro, e eu prefiro vermelho, e tu possivelmente azul, tenho azul para ti se quiseres, se ainda quiseres, se ainda me quiseres. Sei fazer todas as cores, sou perita em magia cromática, nunca te contei? Não tive tempo...dá-me tempo, rouba-o se for preciso, arranja o relógio, dá-lhe corda, estica-a, há tempo, houve...e esse não volta mais.
E tu a mim, que me fazes?
Vendas-me os olhos, corrompes o chão com rosas brancas arrancadas da terra húmida, trespasas-me o corpo com os teus lábios, catapultas os teus braços em direcção ao meu pescoço, e consomes-me numa dança aprofundada pelo teu aroma, fragrância desconhecida, um veneno, um elixir, um enigma, uma vontade incontrolável de ser controlada por ti: paixão dizem eles...o amor, espero que não seja isto.
Continuo aqui, fechei, abri, voltei a fechar e a abrir os olhos, e tu...dormes profundamente, vives iluminado por outro Sol, contemplas uma outra Lua, choras ao ver outro mar, fere-te um outro vento, partilhas uma outra janela.
Eu era para morrer ontem, velada na neblina sepulcral da casa que mandei construir no monte esguio e macio, sepultada no seu topo: "Aqui jaz a tela pintada por ti". Tu havias pedido mil violinos a tocar ao vento, e eu os teria ouvido por debaixo do véu com que me cobriste a face alva e ainda morna por te sentir.
Virás sempre.
Virás sempre e eu sempre aqui permanecerei, a minha pele rosada ficará branca, os meus cabelos negros mais negros ficarão, os meus olhos jamais se voltarão a abrir...mas ver-te-ei, sim, incesante e apaixonadamente. O meu coração não voltará a bater, mas escutará o bater do teu.
Tu subirás o monte todas as manhãs, ao raiar do sol, lerás a frase, chorarás duas lágrimas, uma por mim...a outra por ti. Vais desejar-me mais do que nunca, lembrar-te-ás do quão felizes fomos e do quão seremos quando eu voltar, eu voltarei, nos teus sonhos far-te-ei sorrir, e ao acordares tornarei a tua sombra o meu amante, o ar que respiras ficará frio, vais sentir-me sem me sentir, desejarás a vida, a morte, o meu corpo: tudo aquilo que te foi negado.
E eu lá dentro suavizarei os teus dias até ao do nosso casamento...será Novembro próximo, choverá de tarde, corvos carregarão o meu véu, não haverá altar, nem cúpula gótica, só tu e eu, o monte e a brisa dourada, teremos gatos vadios como testemunhas.
Além do nosso casamento celebraremos a felicidade terrestre, no nosso leito conceberemos a paz e ofertá-la-emos aos deuses para que eles a façam molhar as cabeças dos homens, adormecendo o ódio num sono profundo e amaldiçoado, escondido e aniquilado.
Faremos os outros felizes, para isso voltarei, serei feliz só por te fazer feliz.
Casa comigo. Em Novembro próximo. No monte londrino, depois da floresta, de lá ouviremos as badaladas do gigante de pedra: serão três, uma atrás da outra, uma por ti, uma por mim...a outra para que tudo seja perfeito.
Tu vais trazer-me de volta à vida.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

The pursuit of happyness

Se esta é uma época de mensagens bonitas e valores que espelham as atitudes dos outros, chega-me aos ouvidos (e aos olhos) um novo filme que estreará em breve: The pusruit of happyness.
Este filme conta com Will Smith como protagonista, interpretação que lhe valeu já uma nomeação aos golden globes, "this man can act" (when he wants).
A estória trata a relação entre um pai e um filho, relação familiar transportada da vida real para a película, uma relação já forte mas que se alicerça como nunca, em momentos mais difíceis: o que fazer se ele tiver fome e eu não tiver como o saciar, o que fazer se ele tiver frio e eu não o poder aquecer, o que fazer se ele não sorrir??
Podia trazer ao meu blog a antecipação de Babel, um grande, grande filme, mas muitos o farão e eu fiquei tão sensibilizada com a estória deste "nouveaux" de Gabriele Mucino, que já me suavizou uma vez a alma (recentemente) com o seu L'ultimo bacio (2001), dois anos amis tarde com o magnetizante Ricardati di me (2003), e agora entra em terras do Tio Sam para mostrar a italianada "à la arrabiata" que nos comove, faz pensar, responsabiliza!
Afinal o amor, tome ele a forma que tomar, só faz sentido se a partir dele fizermos o outro sorrir, se o pusermos à nossa frente, se antecipar-mos os seus sentimentos, se as nossas mãos falarem mais que as nossas bocas, se os nossos olhares espreitarem para lá do poço e virem uma luz amarela gelada!
Vão ao cinema, vejam Babel, vejam L'ultimo bacio (em dvd)...e percebam que o amor não morre com a rotina dos dias, mas é exactamente nesse moemnto que dá provas da sua grandeza, vejam The pusruit of Happyness (18 de Janeiro- estreia nacional), veja, escutem, felicitem, sorriam, peçam um desejo, e talvez ele se realize...não fosse esse muitas vezes o nosso maior medo!
http://www.sonypictures.com/movies/thepursuitofhappyness/

domingo, dezembro 24, 2006

***Ho ho ho***

E como disse hoje um senhor na "télévisão"...
Hoje que se calem as armas que o tempo é de paz!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Querido Pai NataL:

Desde aquela noite fria e limpa que tudo mudou.
A ansiedade pelas doze badaladas, a cozinha a ferver pela multidão que de lá entrava e saía e "que só quer ajudar", o colinho à mesa com os olhos virados para o tronco doce e o bolo a que chamam de "rei"...
Andei o ano todo a sonhar com este dia, como se tivesse medo, muito medo que não chegasse nunca, idealizei cenários paisagistas ingleses cravados a neve e bolinhos de gengibre, a árvore gigantesca e luminosa, esse monstro da floresta, o chão branco, o céu azul escuro cravejado de jóias de ouro.
Andei o ano todo a sonhar com um só dia, a família que se une mais que nunca, numa azáfama incompreendida por alheios ao ritual, o cheiro a café e a pão torrado lambido com quilos de manteiga num beijo delicioso...não passam de descrições, é disto que eu gosto!
E não me digam que o Natal é comércio.
E não me digam que no Natal não devemos comer muito.
E não me digam que no Natal ninguém perde tempo a dizer "amo-te".
E não me digam que neste Natal não vai nevar (mais uma vez).
E não me digam que neste Natal tudo passará a voar.
E não me digam que é só no Natal que nos lembramos de ajudar
....pelo menos no Natal lembramo-nos....
E não em digam que não acreditam no Pai Natal.
E não me digam que afinal o menino Jesus nasceu num outro dia (lá para a altura do Verão).
Desde aquela noite fria e limpa tudo mudou, eu vi-te, sim eras tu, eu sei que eras, por mais que digam o contrário, terei sempre de lutar contra as opiniões dos outros (eles só não te viram como eu vi), se o sei é porque é só para eu saber.
Já fiz a minha lista ao Pai Natal, já pedi aquilo que queria, e pedir mais é injusto para o meu coração, que hoje está mais esponjoso que nunca emaranhado em fios de prata acorrentado a uma visão, escondida num cadeado, cuja chave tens tu!
Agora basta-me seguir a estrela até ao infinito.
Neste Natal pedi uma chave para abrir o meu coração!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

É bom saber que não sou a única

L'ultimo bacio de Gabriello Muccino, 2001
(...) l'eroico coraggio di un feroce addio sono lacrime mentre piove, piove (...)

sábado, dezembro 16, 2006

Boneca de trapos

Alison Lonham, in Big Fish (2003)
Ontem vi-te!
Não quero acreditar que eras tu, mas acho que eras, e se eras, despedaçaste-me o coração feito de linhas azuis e vermelhas, frágeis como qualquer linha azul e vermelha!
Estava eu no meio da multidão, andando por andar, e vi-te, acho que eras tu!
E tu viste-me a mim, se eras tu.
Não pude dizer "olá!", e tu não me disseste "muito prazer!".
Por mais incrível que pareça não me recordo da tua cara, mas tenho a certeza de que te reconheceria em qualquer parte do mundo, eu reconheci-te.
Passaste, e eu virei-me para trás.O tempo parou como no Big fish, em que a personagem do Ewan Mcgregor teve de afastar as pipocas suspensas no ar para se mover melhor, eu não movi pipocas, mas olhei para trás, tu prosseguiste e não restribuiste a paragem.
Segui em frente, virada para Oriente ( onde tudo parece acontecer no meio de nuvens vermelhas espumosas)...
Mais tarde entrei na mesma carruagem de sempre, fazia frio, muito frio, a noite estava parada como se nunca tivesse existido outra igual, e eu vim para casa, sem sorrisos, sem esperanças, só comigo mesma.
Agora sei que me sinto como uma boneca de trapos desfiados, aquela que depois da idade dos carinhos às coisas simples, é lançada para o fundo do baú numa posição sentada, com a cabeça baixa e os olhos cingidos ao colo, nós nunca conseguimos ver a cara das bonecas de trapos por estarem nesta posição.
Ainda bem, porque na maioria das vezes elas estão a chorar por mal de amores, porque não passam de bonecas feitas de trapos, com duas tranças negras, um vestido colorido e um coração despedaçado.
A princesa que se torna numa comum mortal.
A comum mortal que se torna numa linda boneca de trapos.
Não deixem as vossas bonecas fechadas nos baús.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

A feiticeira

Numa troca de correio electrónico recentissímo debrucei-me sobre os temas preferidos das cartas de Amor: a felicidade e o Amor, a vida e o sonho...pares sempre abraçados, alianças trocadas numa catedral sem muros de pedra, sem pombas brancas, sem laços vermelhos a esvoaçar.
Não preciso das pombas nem do laço vermelho.
Se por algum (a)caso nos cruzarmos com a Felicidade, essa feiticeira de cabelos escuros e vestido branco como a neve, de mãos finas como galhos nús de árvores e voz doce como açucar fresco da cana, não a percamos de vista, não a afugentemos, não a silenciemos, deixemo-la rastejar, andar, correr e voar comnosco.
Tenho por vezes a sensação de que ela é só um momento na vida, não é um estado permanente... a feiticeira é como um espelho que se parte.Cai no chão e nós pensamos: "Tudo perdido!"...
... mas não, o que quebra pode ser colado, com cola feita de amadurecimento e cor (para dar consistência).
A feiticeira quando se parte, espalha no chão todos os momentos felizes, todas as alegrias, e ao serem reunidas de novo são como que réplicas que ecoarão para sempre nas nossas mentes.
São pedaços de vidros maiores uns que os outros, outros mais cortantes, outros mais escondidos por debaixo do tapete, outros mais visíveis.
O vento roçou agora o vidro da minha janela.
Por isso acho que ninguém pode ser feliz todos os dias da sua vida, acredito antes que só valorizamos a felicidade, porque a sabemos frágil e efémera e por isso tão valiosa, não a queiram dentro de uma caixa dourada e fechada a 7 chaves...arriscam-se a perder a chave, e depois só se podem fiar na vossa memória...e ela falha tantas vezes.
Quanto ao outro tema das cartas: a vida e o sonho. Não os consigo distinguir é só isso. Não acho o sonho um filme que invade a minha cabeça quando a encosto na almofada (que esta semana é verde) e descanso durante intermináveis horas. Não. O sonho é para mim vida. É o seu seguimento, é a sua Natureza. O sonho existe para dar seguimento àquilo que vivo acordada, eu preciso dos sonhos para que a vida faça sentido, se tivesse que viver sem sonhar ou sonhar sem viver diria ao meu raptor: "Mas como é que eu faria tal coisa?..Prefiro que me mate antes!Talvez morta continuasse a sonhar!O que me pede é perverso".
E ele deixa-me ir, e eu sigo para Oriente.
A realidade. Gosto dela. Ao menos é verdadeira.
Não me lembro dos passos. Lembro-me da linha: era vermelha como o laço de que não preciso.
Lá fora há luzes de natal a piscar. A Lua parece presa e não consegue sair. O gato que passou é seguido por outro. As estrelas já não caem como antigamente.
Estás à espera de quê? Vai, leva a Lua, ela pede, ela impõe, ela dança, ela seduz, ela vive aprisionada à noite. Ela não quer a noite. Ela quer o Sol, mas o Dia roubou-a e não a devolve. Antigamente, muito antigamente, a Lua aparecia de Dia e o Sol de Noite...depois vieram os alquimistas e agora é tudo o que temos.
Ouço um miar, qual dos gatos será?