sábado, dezembro 30, 2006

E para 2007...

...o sabor de eleição é o sabor a limão!!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Agora que voltaste à casa que construi para nós

Frio, muito frio tanto que quse sinto o gelo nas pontas dos meus dedos, quais estalactites valiosas. Noite, noite fria, mais uma, uns chamam a este frio de "Inverno" eu chamo de "Ausência", a minha ausência.
Gritam por mim...tu não ouves, ouviste?
Tremo mas não pela "baixeza" da temperatura, antes pelo medo: calculado, premeditado, suor frio, um véu esbranquiçado, uma dor prazerosa.
És mesmo tu?
Porque me persegues?
Porque te busco?
Estás comigo mas não estás, dormes comigo mas não te sinto, magoar-te não consigo, só não quero sofrer....
Ofereceste-me vermelho, mas tudo o que tenho é negro, e eu prefiro vermelho, e tu possivelmente azul, tenho azul para ti se quiseres, se ainda quiseres, se ainda me quiseres. Sei fazer todas as cores, sou perita em magia cromática, nunca te contei? Não tive tempo...dá-me tempo, rouba-o se for preciso, arranja o relógio, dá-lhe corda, estica-a, há tempo, houve...e esse não volta mais.
E tu a mim, que me fazes?
Vendas-me os olhos, corrompes o chão com rosas brancas arrancadas da terra húmida, trespasas-me o corpo com os teus lábios, catapultas os teus braços em direcção ao meu pescoço, e consomes-me numa dança aprofundada pelo teu aroma, fragrância desconhecida, um veneno, um elixir, um enigma, uma vontade incontrolável de ser controlada por ti: paixão dizem eles...o amor, espero que não seja isto.
Continuo aqui, fechei, abri, voltei a fechar e a abrir os olhos, e tu...dormes profundamente, vives iluminado por outro Sol, contemplas uma outra Lua, choras ao ver outro mar, fere-te um outro vento, partilhas uma outra janela.
Eu era para morrer ontem, velada na neblina sepulcral da casa que mandei construir no monte esguio e macio, sepultada no seu topo: "Aqui jaz a tela pintada por ti". Tu havias pedido mil violinos a tocar ao vento, e eu os teria ouvido por debaixo do véu com que me cobriste a face alva e ainda morna por te sentir.
Virás sempre.
Virás sempre e eu sempre aqui permanecerei, a minha pele rosada ficará branca, os meus cabelos negros mais negros ficarão, os meus olhos jamais se voltarão a abrir...mas ver-te-ei, sim, incesante e apaixonadamente. O meu coração não voltará a bater, mas escutará o bater do teu.
Tu subirás o monte todas as manhãs, ao raiar do sol, lerás a frase, chorarás duas lágrimas, uma por mim...a outra por ti. Vais desejar-me mais do que nunca, lembrar-te-ás do quão felizes fomos e do quão seremos quando eu voltar, eu voltarei, nos teus sonhos far-te-ei sorrir, e ao acordares tornarei a tua sombra o meu amante, o ar que respiras ficará frio, vais sentir-me sem me sentir, desejarás a vida, a morte, o meu corpo: tudo aquilo que te foi negado.
E eu lá dentro suavizarei os teus dias até ao do nosso casamento...será Novembro próximo, choverá de tarde, corvos carregarão o meu véu, não haverá altar, nem cúpula gótica, só tu e eu, o monte e a brisa dourada, teremos gatos vadios como testemunhas.
Além do nosso casamento celebraremos a felicidade terrestre, no nosso leito conceberemos a paz e ofertá-la-emos aos deuses para que eles a façam molhar as cabeças dos homens, adormecendo o ódio num sono profundo e amaldiçoado, escondido e aniquilado.
Faremos os outros felizes, para isso voltarei, serei feliz só por te fazer feliz.
Casa comigo. Em Novembro próximo. No monte londrino, depois da floresta, de lá ouviremos as badaladas do gigante de pedra: serão três, uma atrás da outra, uma por ti, uma por mim...a outra para que tudo seja perfeito.
Tu vais trazer-me de volta à vida.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

The pursuit of happyness

Se esta é uma época de mensagens bonitas e valores que espelham as atitudes dos outros, chega-me aos ouvidos (e aos olhos) um novo filme que estreará em breve: The pusruit of happyness.
Este filme conta com Will Smith como protagonista, interpretação que lhe valeu já uma nomeação aos golden globes, "this man can act" (when he wants).
A estória trata a relação entre um pai e um filho, relação familiar transportada da vida real para a película, uma relação já forte mas que se alicerça como nunca, em momentos mais difíceis: o que fazer se ele tiver fome e eu não tiver como o saciar, o que fazer se ele tiver frio e eu não o poder aquecer, o que fazer se ele não sorrir??
Podia trazer ao meu blog a antecipação de Babel, um grande, grande filme, mas muitos o farão e eu fiquei tão sensibilizada com a estória deste "nouveaux" de Gabriele Mucino, que já me suavizou uma vez a alma (recentemente) com o seu L'ultimo bacio (2001), dois anos amis tarde com o magnetizante Ricardati di me (2003), e agora entra em terras do Tio Sam para mostrar a italianada "à la arrabiata" que nos comove, faz pensar, responsabiliza!
Afinal o amor, tome ele a forma que tomar, só faz sentido se a partir dele fizermos o outro sorrir, se o pusermos à nossa frente, se antecipar-mos os seus sentimentos, se as nossas mãos falarem mais que as nossas bocas, se os nossos olhares espreitarem para lá do poço e virem uma luz amarela gelada!
Vão ao cinema, vejam Babel, vejam L'ultimo bacio (em dvd)...e percebam que o amor não morre com a rotina dos dias, mas é exactamente nesse moemnto que dá provas da sua grandeza, vejam The pusruit of Happyness (18 de Janeiro- estreia nacional), veja, escutem, felicitem, sorriam, peçam um desejo, e talvez ele se realize...não fosse esse muitas vezes o nosso maior medo!
http://www.sonypictures.com/movies/thepursuitofhappyness/

domingo, dezembro 24, 2006

***Ho ho ho***

E como disse hoje um senhor na "télévisão"...
Hoje que se calem as armas que o tempo é de paz!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Querido Pai NataL:

Desde aquela noite fria e limpa que tudo mudou.
A ansiedade pelas doze badaladas, a cozinha a ferver pela multidão que de lá entrava e saía e "que só quer ajudar", o colinho à mesa com os olhos virados para o tronco doce e o bolo a que chamam de "rei"...
Andei o ano todo a sonhar com este dia, como se tivesse medo, muito medo que não chegasse nunca, idealizei cenários paisagistas ingleses cravados a neve e bolinhos de gengibre, a árvore gigantesca e luminosa, esse monstro da floresta, o chão branco, o céu azul escuro cravejado de jóias de ouro.
Andei o ano todo a sonhar com um só dia, a família que se une mais que nunca, numa azáfama incompreendida por alheios ao ritual, o cheiro a café e a pão torrado lambido com quilos de manteiga num beijo delicioso...não passam de descrições, é disto que eu gosto!
E não me digam que o Natal é comércio.
E não me digam que no Natal não devemos comer muito.
E não me digam que no Natal ninguém perde tempo a dizer "amo-te".
E não me digam que neste Natal não vai nevar (mais uma vez).
E não me digam que neste Natal tudo passará a voar.
E não me digam que é só no Natal que nos lembramos de ajudar
....pelo menos no Natal lembramo-nos....
E não em digam que não acreditam no Pai Natal.
E não me digam que afinal o menino Jesus nasceu num outro dia (lá para a altura do Verão).
Desde aquela noite fria e limpa tudo mudou, eu vi-te, sim eras tu, eu sei que eras, por mais que digam o contrário, terei sempre de lutar contra as opiniões dos outros (eles só não te viram como eu vi), se o sei é porque é só para eu saber.
Já fiz a minha lista ao Pai Natal, já pedi aquilo que queria, e pedir mais é injusto para o meu coração, que hoje está mais esponjoso que nunca emaranhado em fios de prata acorrentado a uma visão, escondida num cadeado, cuja chave tens tu!
Agora basta-me seguir a estrela até ao infinito.
Neste Natal pedi uma chave para abrir o meu coração!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

É bom saber que não sou a única

L'ultimo bacio de Gabriello Muccino, 2001
(...) l'eroico coraggio di un feroce addio sono lacrime mentre piove, piove (...)

sábado, dezembro 16, 2006

Boneca de trapos

Alison Lonham, in Big Fish (2003)
Ontem vi-te!
Não quero acreditar que eras tu, mas acho que eras, e se eras, despedaçaste-me o coração feito de linhas azuis e vermelhas, frágeis como qualquer linha azul e vermelha!
Estava eu no meio da multidão, andando por andar, e vi-te, acho que eras tu!
E tu viste-me a mim, se eras tu.
Não pude dizer "olá!", e tu não me disseste "muito prazer!".
Por mais incrível que pareça não me recordo da tua cara, mas tenho a certeza de que te reconheceria em qualquer parte do mundo, eu reconheci-te.
Passaste, e eu virei-me para trás.O tempo parou como no Big fish, em que a personagem do Ewan Mcgregor teve de afastar as pipocas suspensas no ar para se mover melhor, eu não movi pipocas, mas olhei para trás, tu prosseguiste e não restribuiste a paragem.
Segui em frente, virada para Oriente ( onde tudo parece acontecer no meio de nuvens vermelhas espumosas)...
Mais tarde entrei na mesma carruagem de sempre, fazia frio, muito frio, a noite estava parada como se nunca tivesse existido outra igual, e eu vim para casa, sem sorrisos, sem esperanças, só comigo mesma.
Agora sei que me sinto como uma boneca de trapos desfiados, aquela que depois da idade dos carinhos às coisas simples, é lançada para o fundo do baú numa posição sentada, com a cabeça baixa e os olhos cingidos ao colo, nós nunca conseguimos ver a cara das bonecas de trapos por estarem nesta posição.
Ainda bem, porque na maioria das vezes elas estão a chorar por mal de amores, porque não passam de bonecas feitas de trapos, com duas tranças negras, um vestido colorido e um coração despedaçado.
A princesa que se torna numa comum mortal.
A comum mortal que se torna numa linda boneca de trapos.
Não deixem as vossas bonecas fechadas nos baús.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

A feiticeira

Numa troca de correio electrónico recentissímo debrucei-me sobre os temas preferidos das cartas de Amor: a felicidade e o Amor, a vida e o sonho...pares sempre abraçados, alianças trocadas numa catedral sem muros de pedra, sem pombas brancas, sem laços vermelhos a esvoaçar.
Não preciso das pombas nem do laço vermelho.
Se por algum (a)caso nos cruzarmos com a Felicidade, essa feiticeira de cabelos escuros e vestido branco como a neve, de mãos finas como galhos nús de árvores e voz doce como açucar fresco da cana, não a percamos de vista, não a afugentemos, não a silenciemos, deixemo-la rastejar, andar, correr e voar comnosco.
Tenho por vezes a sensação de que ela é só um momento na vida, não é um estado permanente... a feiticeira é como um espelho que se parte.Cai no chão e nós pensamos: "Tudo perdido!"...
... mas não, o que quebra pode ser colado, com cola feita de amadurecimento e cor (para dar consistência).
A feiticeira quando se parte, espalha no chão todos os momentos felizes, todas as alegrias, e ao serem reunidas de novo são como que réplicas que ecoarão para sempre nas nossas mentes.
São pedaços de vidros maiores uns que os outros, outros mais cortantes, outros mais escondidos por debaixo do tapete, outros mais visíveis.
O vento roçou agora o vidro da minha janela.
Por isso acho que ninguém pode ser feliz todos os dias da sua vida, acredito antes que só valorizamos a felicidade, porque a sabemos frágil e efémera e por isso tão valiosa, não a queiram dentro de uma caixa dourada e fechada a 7 chaves...arriscam-se a perder a chave, e depois só se podem fiar na vossa memória...e ela falha tantas vezes.
Quanto ao outro tema das cartas: a vida e o sonho. Não os consigo distinguir é só isso. Não acho o sonho um filme que invade a minha cabeça quando a encosto na almofada (que esta semana é verde) e descanso durante intermináveis horas. Não. O sonho é para mim vida. É o seu seguimento, é a sua Natureza. O sonho existe para dar seguimento àquilo que vivo acordada, eu preciso dos sonhos para que a vida faça sentido, se tivesse que viver sem sonhar ou sonhar sem viver diria ao meu raptor: "Mas como é que eu faria tal coisa?..Prefiro que me mate antes!Talvez morta continuasse a sonhar!O que me pede é perverso".
E ele deixa-me ir, e eu sigo para Oriente.
A realidade. Gosto dela. Ao menos é verdadeira.
Não me lembro dos passos. Lembro-me da linha: era vermelha como o laço de que não preciso.
Lá fora há luzes de natal a piscar. A Lua parece presa e não consegue sair. O gato que passou é seguido por outro. As estrelas já não caem como antigamente.
Estás à espera de quê? Vai, leva a Lua, ela pede, ela impõe, ela dança, ela seduz, ela vive aprisionada à noite. Ela não quer a noite. Ela quer o Sol, mas o Dia roubou-a e não a devolve. Antigamente, muito antigamente, a Lua aparecia de Dia e o Sol de Noite...depois vieram os alquimistas e agora é tudo o que temos.
Ouço um miar, qual dos gatos será?

quarta-feira, novembro 29, 2006

O estranho do Oriente

Uma cena digna de filme.
Um metro que perdi.Estava cansada e desanimada, estranhamente desalinhada, mas impecavelmente em sintonia com os meus pensamentos.Achei melhor sentar-me, não fosse o banco sentir outro corpo e eu ter de repensar tudo de novo...em pé.
Entretanto dois polícias distintamente endireitados e de bastão na mão inspeccionavam suspeitamente a estação, e as linhas dos carris, olham um para o outro e vão embora, para surpresa e desalento de todo o público "das 17"na estação.
Um grupo de três chama-me a atenção, conversam alegremente sobre auto-rádios enquanto comem gelados em copos de plástico.
E o metro sem chegar....
De repente..............................................................
Passa alguém, não o conheço nem ele a mim suspeito seguramente.Ele move-se apreensivo, seria o bombista o carteirista, o furagido??Não, não devia ser.
Percebi que me olhava há algum tempo, percebi-o quando ergui os meus olhos e ele nervosamente desviou o olhar...vocês sabem como é. Mexe atrapalhadamente no telemével, não consegue estabelecer comunicação.Baixo os olhos, mas percebo que ele se move de um lado para o outro. Sinto-o no meio do barulho dos anúncios musicais com músicas natalícias e ofertas de cd's de bandas sonoras às melhores cinco frases a concorrer: "Eu até podia tentar!"...
Virou as costas: "Já posso olhar?"...enverga um blazer de bombazine não sei se verde seco ou castanho claro, sei que conjuga ambas as cores, já só não me lembro do como...consegue finalmente falar...ao telemóvel, parece-me aliviado.
O metro chega.
Ele podia chegar-se à frente para entrar primeiro, mas prefere ceder-me o lugar em pé encostada à porta.Ele continua a falar, parece estar a resolver um qualquer problema de trabalho, mudanças na casa nova, projecto para entregar...por aí...por ali...eu olho para tudo e não vejo nada, ele olha enquanto fala pelo vidro das portas que se abrem consoante a paragem e o arranque sem solavancos do transporte rápido e fantasmagórico, acaba o telefonema, e se eu, e se ele..ninguém diz nada, que tristes que somos, também dizer o quê?
Chegámos, ele sai primeiro, mas caminha devagar, eu ultrapasso-o e ele percebe e sorri..eu subo as escadas apressada, ele prefere as rolantes, eu não gosto das rolantes...percebo também que ele vai sair da estação,a viagem dele está no fim, a minha vai continuar...foi na Alameda que deixei de o ver.E nem sequer nos despedimos.
Que nome terá ele?
Espero voltar a ver-te e dizer "Prazer em conhecer-te!", e tu "O prazer foi meu!"
Porque é que há tanto por onde escolher?
Prometo que da próxima vez descubro o teu nome.
Ah o meu é Leila.
E ao pensaer nisto, a única coisa que em vem à cabeça é "You're beautiful..", parece que o tenho a cantar-me isto ao ouvido, há coisas que acontecem a toda a gente não é?

segunda-feira, novembro 27, 2006

MãosFriasCoraçãoQuente

(faz sentido ler e ouvir Jem ao mesmo tempo)
Ontem apaguei parte do meu passado.
Recolhi todos os pedaços, outrora estilhaços de um espelho azarento, juntei-os numa capa amarela que nunca tocarei, e mandei-a para longe, para terra de ninguém.Alguém que dela se encarregue, que eu faço como o outro lá "na terra onde se crucifica depressa" e lavo as minhas mãos.
É destes momentos decididos e decisivos (gosto de palavras semelhantes graficamente mas com sentido não tão assemelhado) que se compõe a minha vida: uma ideia brilhante, um impulso gratificante, uma acção motora, uma batida cardíaca irregular, um folha de papel que voa ao vento, um cordel áspero, um "delete" apreciável...delicioso.
Soube tão bem.A liberdade de facto só tem valor e sabor porque é algo que se conquista, porém só o é quando para ela se está preparado: e eu estou, fi-lo sozinha, confiança pequenina, confiança. Não é de um dia para o outro mas também não demora assim tanto quanto isso, é uma questão não de tempo, mas de improviso, e muita, muita imaginação.
Uma receita fácil para donas de casa desesperadas por algo maior que uma casa sem amor. Afinal de contas, qual o gozo de se fazer um bolo se não podemos lamber as taça de onde o vertemos para a forma...
Ah desgraçado, tanto que tens a aprender. Eu também, a isso não quero fugir, mas felizmente o meu Ego tem dois ou três dedos de testa e não se importa de usar uma saia às pregas com muita convicção, e se de facto não tem a quem idolatrar, tem a quem amar!
Sua alteza não queira ser mais do que não é, seja carne, sangue, espírito e ferro, harmonia e brilho, água e terra, ar e fogo, como todos os outros.
Renda-se às evidências, o amor é dar e receber não é o que se diz por aí...então acho que há alguem que sabe bem tirar, mas tem alguns problemas em dar...resolve-se, mas um passo a mais e a ponte que me unia a mim mesma partia-se, e isso já não se resolvia assim tao facilmente.
Nem sei bem porque escrevo isto, acho que porque estou feliz, morbidamente feliz por saber que matei alguém...eu outra vez com as ideias de um gótico remoto, feito de catedrais e vitrais iluminados por artistas escondidos em mosteiros austeros, eu não sou vidro...sou vitral!
Estou feliz, quero que os que à minha volta dançam o sejam também...ah e tu que dizes que a vida às vezes tem "toques de malvadez", sim tu companheiro recente de uma ida à Suiça...sim a vida tem os seus dias malvados, sim às vezes é de uma ironia arrepiante, mas olha que nós também temos os nossos caprichos, quais princípes duma corte absolutista, e ela só é assim para nós, para nos chamar à atenção...é que ás vezes ela sente a nossa falta!Nunca reparaste que a vida gosta de nós?
Sabes bem porque digo isto, porque acordei de noite com a garganta seca, bebi um copo de água "del cano" e fui à varanda: céu escuro e sem estrelas "Que pena!" pensei eu, chuva nem vê-la, apenas vestígios "pocianos" espalhados pelo chão, voltou a calma temporal, um frio fino e tocante cola-se à minha cara, as mãos têm frio, mas ironia das ironias o coração também, e eu nao tenho nem bolsos nem sono, hoje é o aniversário de alguém "Parabéns!", e sabes quem é que nasce também daqui a nada??
A aurora nem mais.
O Sol espreita por cima do meu ombro esquerdo.Faz sentido nascer assim!
(Se virem uma Aurora qualquer a passear pelas ruas do Chiado, shhhhhhhhhiu...)

sexta-feira, novembro 24, 2006

"The name's Bond...James Bond"

Sangue novo, jogo melhorado e com bluff à mistura, vilão minimalista mas que sangra de um dos olhos aquando de uma qualquer excitação, bond-girl ambígua, Bond prepotente, forte, selvagem, carismático, e torturado até á exaustão, de fazer parar o coração!
"Ah" de satisfação.Até que enfim.Foi por um 007 como este que tenho estado à espera.
Não sendo uma grande fã da saga, não lhe sou totalmente indiferente, como se fosse possível eu ficar indiferente a um espião secreto e ainda por cima inglês, e ainda por cima com fatos feitos à medida!!
Casino Royale está á altura das minhas expectativas.
Brincando um pouco com o nosso imaginário Bond( entre Martini's assassinos, clichés usados nos momentos certos, mas não nos momentos esperados, the car que não é o primeiro a ser aprsentado,Rolex transformado em Omega) . Martin Campbell usa com astúcia o nosso conhecimento sobre o universo da saga, e dá-se ao luxo de se render ao humor fácil, mas que delicia, porque não se trata de uma comédia negra, mas sim de um filme de acção que tem como base o realismo e quem sabe um drama romântico.
Uma viagem por paraísos emblemáticos, cenas de acção simples, masculinas, animalescas, nada coreografadas, sem qualquer pudor de mostrar o quão iguais os seres humanos são no que toca a tentar sobreviver a um duro golpe.
Não são muitos os gadgets desta nova incursão e ainda bem, mas não se pense por isso que o nosso Bond não está a par das novas tecnologias, nada disso, está a par puramente, não está à frente, não há cá maquinetas futuristas que daqui a um mês, toda a gente já sacrifica cabras pelo modelo a seguir!
É um Bond de 2006, em 2006.
E não, o meu fôlego não se fez notar pela sua ausência, o fôlego que nos é tirado por um qualquer arrepio aquando do momento em que Daniel Craig sai da água na praia, não esse momento verificou-se aquando sou apresentada ao belo Aston Martin DBS cortesia de miss M (o qual Jorge Costa, esse vulto azul é incessantemente copiado pelo James, e não o contrário)... aqueles porta-luvas, aqueles estofos Dear God!
Agora Daniel Craig:o actor faz deste James Bond um humano frio, calculista, de frase pronta para toda a situação, rude por vezes, e educado ao extremo quando a situação assim o exige, de olhar não enignático, algo mais crú, talvez perverso, sim perverso.Manequim pelo porte e não por não saber representar, porque este senhor sabe e duvido muito que se fique por James Bond no seu leque de personagens num futuro próximo.
Este novo agente continua brilhantemente intuitivo, numa rede apostas de milhões, lucros do terrorismo que não não mete árabes, mas o que importa é fazer dinheiro e não governar o mundo...finally!
O "não" do filme, não não é o tema de Chris Cornell que o senhor do Diário de Notícias diz ser o pior" da História do Bond, pior é o senhor escrever sobre um filme e contar a história quase toda, pelo menos avise "spoilers ahead"... o mau é mesmo o genérico inicial de Casino Royale, que envolto num imaginário de gambling não seduz por aí além; esperava bem mais, e a longa duração da película, estende-se por 144 minutos, talvez fosse possível dizer o mesmo em menos tempo.
E para o público feminino, ponham os olhos em Vesper Lynd (mas não em Eva Green, que lhe falta qualquer coisa) e para o público masculino, depois de ver casino Royale pensem duas vezes antes de vos ser cedida uma cadeira para se sentarem...ai que sensíveis que eles são!

quinta-feira, novembro 23, 2006

Doença

Não avisa porquê, não avisa quando, não avisa que vai avisar, instala-se apressadamente, como se fugisse de algo, como se corresse para algo, dói demoradamente, a princesa cai, é levada para o leito real, chegam-se todos um pouco..."vai passar, logo, logo!".
Podemos pensar que nos enfraquece, mas não o creio.Com ela sinto-me mais viva, mais capaz, de certo modo mais alerta e mais solicitadora de interferências.
Dói.Dói bastante, à custa disso dou mais valor ao estado contrário, sei que não me limito a respirar, a roubar o ar dos outros, a usurpar o perfume lilás do frasco transparente. Primeiro um cansaço repreensível. Um suor frio. Ignora.Um pressentimento calculado.Uma noite passada em sobressalto.Um desejo por realizar...e finalemnte a primeira dor, física, carnal, dilacerante, quase vislumbro um bisturi cortando finamente a camada exterior de pele, o corte é firme e preciso, a carne rija e esticada, o arrepio é controlado, chamem-me naturalista. Ignora. Acordo. Os ponteiros do relógio esperneiam quatro e meia da manhã em sinal de protesto por ter aceso a luz.Que faço eu? Deixo-me ficar, mexo na barriga, não há sinal de nenhum corte, sangue não há, bisturi nem vê-lo: "talvez debaixo da cama??!...", não não está lá nada, apaga a luz!Ignora.
Amanhã o dia é longo, tanto por fazer.Continua a doer.E se eu chamar...e se eu apenas me deixar estar, assim quieta, quieta, no vazio da escuridão, sozinha comigo mesma. O que me apetecia mesmo era ficar inconsciente, latente, nobremente adormecida.Ignora.
Eu ignoro, não te preocupes.
Oito da manhã e mais não consigo, sinto uma mão fria na testa real, que por ela passa mais do que uma vez, em movimentos ternos e macios...vou sentir tanto a tua falta...a mão está docemente aflita, vou sentir tanta falta...Gosto de ti, é verdade que sim, tens uma mão tão bonita e presente, é a mão mais bonita do mundo.A palma rosada, as unhas por limar, são insubstituíveis, vou sentir tanto a tua falta. Ignora.
Desta vez não consigo.
Não estou aliviada mas tenho quase tudo o que preciso, amanhã há mais.Hoje já não tenho forças.Não tenho que fazer, até tenho, mas só me apetece fazer aquilo que não é urgente, aquilo que pode esperar, ah vejo-te outra vez, minha cidade amiga, minha confiante sedutora, minha tranquilidade citadinha, minha neve em Fevereiro, minha friorenta em pleno jardim das traseiras, volto um dia!Ignora.

Chorar não, não preciso, se o quisesse já o teria feito, não acredito na intelectualização da sensação que se transforma em sentimento, parece um processo científico, elaborado entre tubos de ensaios e experiências mal pensadas, feitas por cientistas loucos e filósofos frustrados, acredito sim na expressão do sentimento em palavras, na intuição, no estalar dos dedos como se se espalhasse brilho por entre eles, acredito no olhar, e que as minhas palavras cantem tudo o que não disse, o que não digo ou o que nunca direi...um dia digo-as e deixo as palvaras escritas esquecidas numa caixa de Pandora!

Dias tão diferentes, uns tão bons e outros tão maus. Ir para longe...ignora.Vou ficar, cobrir-me até ao pescoço, beber o chá de limão quente e doce, amarelo e forte, que não sei se faz bem, só sei que sabe bem.A dor vai dissipar, dissipa sempre.

"Dorme mais um bocadinho menina, a mãe chega mais cedo hoje e traz a fruta que pediste."

Acendo a luz, está um fio de cabelo na mesa de mármore, deixa ver melhor (o que eu faço para não sentir)...acho que é meu, infelizmente não tenho comigo o estojo do C.S.I que o Horatio me deu de presente de aniversário. Quando terá ele caído..porque é que caíu em primeiro lugar?

Ainda bem que sirvo para mais do que isso.Ignora.Ignora. Quando doer menos sento-me ao computador e passo estas linhas para o écran.

Até lá, ignora.

domingo, novembro 19, 2006

Grandes expectativas

"Comer ou não comer.Eis a questão." parafraseia Strindberg. No fundo tudo se resume a isso: fazer ou não fazer, ir ou não ir, descer ou subir, entrar ou sair, rodar ou balançar, preto e branco..sempre pólos mais ou menos positivos, mais ou menos negativos.
No fundo vivemos numa qualquer órbita binária, feita de escolhas e vontades, certezas e arrependimentos.É o pensar no "mais tarde", tão errado, o "mais tarde" simplesmente não existe, já passou...e nem dei por isso.O alfa e o ómega.O humano e inumano.
Sinto-me inumana.Como se tivesse prestes a arder, a fazer um sorriso de uma gota de agua fresca, quase, perto, perto..longe, muito longe.
Inumana pelo egoísmo da minha vontade, por não amar os demais e preferir antes a sombra da minha existência, ferindo os que comigo se cruzam e abraçando-os num género de última dança...
Não quero decepcionar ninguém, mais do que isso não me quero decepcionar, o andar que não é ritmado, a noite que não é fria, os olhos que não se encontram.
É com tristeza profunda que a tinta azul chora estas palavras e penetra a parte superior destas linhas gravadas nas finas folhas de papel não reciclado, e por isso mais branco e por isso gosto mais. Eu não queria que assim fosse..ele sabe que eu não queria.
Eu queria, mas não é, não tinha de ser, não tem de...ser...Felizes os que não pensam. " Eu
sou daquelas"(lembras-te? odiei quando me disseste isto naquela noite) que se questiona, faço-o todos os dias e afasto de mim os que não se querem questionar, prosseguir comigo, preferiste a competição "no love , no glory" diz Damien Rice, não não és tu é um outro "tu".
Questiono-me hoje em plena Avenida Augusta por entre o cheiro a castanhas assadas e transeuntes cinza-azul, evito os olhares dos estranhos, baixo a cabeça e procuro a minha sombra, como se ela me seguisse num final de tarde escuro.
É a perversão dos sentidos, a fogueira da desilusão, a feira dos suspiros.
Sartre disse "l'infern c'est les autres", ele não sabia o quão errado estava, não são "les autres" somos nós mesmos...Sartre não se questionou no como os outros se sentem por causa de "nous".
Não queria iludir...não mesmo, não quero ser a águia...

sexta-feira, novembro 17, 2006

.................................desculpa

Hoje vou dormir sonhar prosseguir pensar não muito hoje para não ficar triste...

terça-feira, novembro 14, 2006

"Um ano especial"

Os outros não têm de perceber não é?... Foi com muito gosto que entrei de rompante à famosa AE no corredor de Hogwarts para me debater "educadamente" com a senhora que lá estava: "Por acaso não tem nada para uma tal de Aurora?", "não" foi a resposta, "oh procure lá bem, a mim falaram-me numa gaveta...sim eu sou a Aurora.." e assim foi que consegui a correspondência do Prometheus!! Foi também com muito agrado que li a folha "GENERIS" escrita com a caneta "que escreve bem" dada numa conferência de Imunolgia (como gostava de saber mais sobre imunologia). Foi também com agrado que automaticamente respondi "sim" ao convite feito de forma tão delicada...a Princesa só tem um pequeno problema. A princesa nunca foi ao local "algures não sei onde" mais tarde dado como (Fórum Lx)...a princesa precisava de ser guiada até ao loco!! A princesa entra muito cedo amanha, às oito horas da manhã mais propriamente, a princesa espera que o Prometheus leia a tempo estas palavras e arranje um loco de encontro, a princesa está "livre" das amarras académicas a partir das dezoito e trinta. A princesa mandou outra mensagem ao Prometheus, uma menos visível a leituras alheias, espero que o Prometheus a receba. E porque agora tornei este meu espaço numa troca de correspondência, uma última constatação: o nevoeiro de hoje maravilhou-me, parece que um tal de Prometheus fez das suas e roubou o fogo mais uma vez, desta vez um fogo maior, não se contentando com pouco, o Prometheus levou o Sol.

domingo, novembro 12, 2006

Porque é que há de ser azul?

River Bend, Winter Tenho tanto para fazer, por fazer...a cabeça dói, a noite ficou mal resolvida, não cheguei ao sétimo céu...primeiro, segundo, terceiro, quarto...fiquei por aí, e mais nao fui capaz, o elevador não quis subir, a porta nao quis abrir, e o meu sonho ficou por sonhar, mas nada de lamentos, ha muitas noites pelas frente, muitos prédios modernos com elevadores super sónicos que me levarão à torre mais alta, da montanha mais fria, do castelo mais luminoso!! Hoje dormi mal, tinha sono, mas as vezes isso não chega...eu sei que me percebem. Acordei cedo, não tinha café, saí à rua, manhã cinzenta,asseguro-me que trouxe tudo o que preciso...o novelo no bolso, o fio sai pela parte inferior da porta,e não se partiu, vidros embaciados, um Sol ao fundo dourado e delirante, enfim o café desceu pela minha garganta, um "ah" de satisfação, contento-me com tão pouco, no que toca a pequenas coisas, agora tudo o que for o "resto" quero mais, maior, mais forte, mais alto, mais rico, mais feliz, mais vivo, mais contemplativo, mais sonhador...o carro não deu problemas, o coração bate mais forte. A camisola vai ficar bonita não duvidemos! Nem sei ao que escrevo, nem o porquê, pouco interessa, não escrevo por obrigação, não sou escrava agrilhoada das palavras, sou princesa do som da grafia, escrevo porque me imponho a mim mesma, escrevo porque me faz bem, escrevo porque faz parte dos sentimentos inatos,tento imaginar um mundo sem palavras...perdida! Escrevo por se não o fizesse daria em lúcida e odeio a lucidez, a lucidez é mesquinha, caíamos antes na inconsciência, rememos antes num mar prateado, porque é que há de ser azul?

quinta-feira, novembro 09, 2006

Quando o Sol brilha

Caspar David Friederich
Quando o Sol brilha tudo se relativiza, suaviza, ameniza, e tudo aquilo que terminar em "izas" que normalmente são só coisas boas, se não pensar em palavras como "inferniza" ou agora faltou-me a outra...acontece-me muito!
É nestes dias (em que o Sol brilha) que não devemos pensar nos que nos faz mal, não devemos pensar ponto. Apenas sentir, acreditar e sorrir. Esperar, agir e reagir, esperar, interiorizar e exteriorizar.
Cada vez mais, percebo que damos atenção a coisas sem o minímo de interesse, talvez para não sabermos o que realmente interessa, por receio de nos virmos a esperançar por algo de infinitamente melhor.
Um jantar à luz das velas.Uma dança corpo a corpo lenta e compassada. Uma flor num vaso cor de tijolo. Um beijo roubado debaixo da chuva. Um olhar que podia ser só mais um, mas não, porque é aquele e só aquele, e porque nenhum outro o pode igualar... repetir, e o fio que não se parte.
Vivo todos os dias coisas novas, sublimes dignas de espalhar ao mundo, vou ao Japão copiar as modas, ao Chiado jantar com o meu amigo Eça, à Lua contemplar a Terra, ao porta bagagens buscar qualquer coisa que caiu dum saco...tudo grandioso, formidável, e tenho tanto para dar!
A vida às vezes proporciona-me felicidade tal que sinto como se me tirassem o chão que piso, que fizessem com que as escads que subo descer, que baixassem a cortina sobre mim, que me empurram do precipício e me soprassem da terra para voltar ao topo. E gosto tanto de sentir tudo isto.
É por isso que gosto do amanhecer, de espreitar pela janela e ver o Sol a romper as largas nuvens num misto rosa e azul, tenho tanto. Se o dia nasce sempre é porque também eu devo nascer, não seria justo de mim para com ele, não o posso desapontar, e o fio que não se parte.
Gosto da sensação se não poder tirar os olhos de alguém, gosto da sensação de tentar e não obter sucesso, amo a vontade que tenho em chegar a um ponto onde já não posso voltar atrás, porque ainda percorro esse caminho largando o novelo de lã para poder voltar atrás arrepender, e o fio que não se parte.E continuando a enumerar, gosto da sensação de saber que vou chorar e mesmo assim usar rímel (esse inimigo da emoção), gosto de sentir a dificuldade em me exprimir e mesmo assim continuar a olhar nos olhos do que se me opõe, gosto de sentir a garganta seca por não ter de beber, gosto de desembrulhar presentes com laços dourados, gosto de gostar, e o fio que não se parte. E como me aproximo a passo-corrida para essa época de amor e e bolas vermelhas, luzes brancas, pinheiros verdes e cheiro a tangerina, não posso deixar de o fazer.
Hoje dormi com o novelo debaixo da almofada, ao acordar o Sol vai brilhar e eu vou levá-lo no meu bolso, um dia largo-o e alguém segue o fio que não se partiu.

terça-feira, novembro 07, 2006

Sombras Vs (...)

Quem é o meu "antigo colega de carteira de francês"??
Surgiu-me esta dúvida ao ler um dos ultimos comments deixados neste inglório e inconscientemente apaziguador blog...Quem és?
ACUSA-TE!!!
Eu sei que sei quem és, apenas não te consigo vislumbrar já que o iceberg da minha mente esta completamente submerso de momento...hmm então de momento nao é um iceberg, por agora é algo invisível (porque está debaixo de água portanto)...
Não sei se sentem o mesmo, mas ao observar esta imagem é como se me empurrassem para um lugar longe, longe, muito longe, mas presente algures, em todos os dias frios que se adivinham, na brancura dos nossos pensamentos, na linhagem dos nossos ideias, nas lágrimas das senhoras que esperam por outra coisa na paragem que não o autocarro, nos sorrisos que não mostramos porque nos comportamos como sombras...
...mas nós não somos sombras, somos muitos mais que isso, somos aquilo pelo qual vale a pena lutar.

segunda-feira, outubro 30, 2006

A escolha da imagem tendo em vista o "assunto" do qual se escreve

Apetece-me escrever hoje, Segunda feira de manhã, e dou comigo a chegar à conclusão de que estou sem assunto. Mas e não posso escrever sobre o facto de não ter assunto?Não é isso no fundo um assunto: o "não ter assunto". Eu acho que sim, e a parte de mim que já bebeu café concorda, e por vontade da maioria temos assunto: "não ter assunto", ao fim e ao cabo é legítimo... ... (EU OLHANDO INCRÉDULA PARA O MONITOR) ... Ah! Ontem ouvi uma música que me ficou no ouvido, às tantas coisa e tal a voz feminina dizia na língua dos bretões: "Chega-te mais um pouco...eu tomo conta de ti..." e continuava " ...a tua reacção á minha acção, era tudo o que eu queria ver...", não soa muito bem traduzido à letra bem sei, por isso é que me encontro neste exacto momento a escrever sobre coisa alguma. Mas e porque raio é que no messenger, em vez de escrevermos o nosso nome seja ele "Maria" ou "Bonifácia"( como a minha piriquita, que já enterrou dois seus semelhantes), optamos antes por escrever alcunhas idiotas e sem significado algum, coisas vazias, aquelas frases clichés (em inglês), ou frases diga-se assim, um bocado, vá lá...PARVAS! Eu própria dou comigo a escrevê-las: chama-se partilha de pensamentos. Bem deixa-me lá ver as horas, incrível passaram-se exactamente cinco minutos e ainda não consegui produzir nada de de produtivo efectivamente ( uma redundância usada propositadamente que realizei no intuito de "queimar"( mais uma figura de estilo) alguns caracteres), ah e o uso de advérbios de modo é consciente, tornam o texto mais válido. Estou eu aqui a blá, blá, blá, a ver se tenho piada, mas ah no outro dia estava eu no Alvaláxia e deu-me assim vontade de ir a um, como é que se diz?? WC, que naquele lugar parecem umas salas de tortura soviéticas mas em "amarelo canário" que servem de anestesia visual, e que quase, eu diria que quase, nos fazem perder a vontade de lá ir fazer (seja o que for)..diazia eu, que ía para entrar e nisto vejo uma senhora (reformada) à porta, eu igonorei-a como tão bem sei fazer, e comecei a abrir a dita da porta, então nisto a senhora demove-me com todo o seu emepnho e engenho "Oh menina está ocupada!Entrou lá UMA senhora"...silêncio ( ) da minha parte, naquele preciso momento apeteceu-me escalfar um ovo ( a mente tem destes preciosismos), "mas minha senhora existe mais do que UMA casa de banho lá dentro, pode comprová-lo se tentar rodar a maçaneta, vá agora sem medos..", a senhora incrédula mas infinitamente espantada face a tamanha circunstância, lá foi à sua vida..eu, entretanto fui atacada pelo amarelo e pensei: "oh que se lixe, fica para a próxima". Veêm? Mais um bocadinho e escrevo sobre qualquer coisa de carácter filosófico-político, numa de pseudo-intelectual de esquerda tão próprio da minha geração. Quem me dera terminar com uma tirada de génio, qualquer coisa como: "O propósito do Amor é amar.", citação de Oscar Wilde em De Profundis. Mas o máximo que consigo hoje é: José Cid tem um álbum de rock progressivo. Deixo-vos agora com este meu pensamento que certamento escreverei no messenger, espero que reflictam muito, tanto até também a vós vos apetecer escalfar um ovo, tomem banhinho, cuidado com as castanhas podres, e como dizia uma sábia amiga "façam o favor de serem felizes!" e se vos fiz perder tempo, oh pelo amor da santa não me vão culpar por isso também!! Assim sim. Deuce. Deucement. Lg

sábado, outubro 28, 2006

Children Of Men ("the last one to die please turn out the light")

Distopia é a existência de um mundo onde tudo é negativo.
Alfonso Cuáron leva-nos a ver o nosso mundo negativamente, retirando tudo o que dele no poderia fazer sorrir. Amar quem? Amar porquê? Amar a quem?
Sentimos a tristeza no vaguear de uma população triste e cansada, sentimos a tristeza da terra infértil e seca pelos pés de Clive Owen. Revoltei-me comigo própria, com os filhos que ainda não tive, com os filhos que nunca serão pais, com os pais que nunca serão filhos, revoltei-me com a ideia de que um dia me tirarão a razão de viver... "creseci e multiplicai-vos", de que nao terei a oportunidade de ver a minha carne nas feições de um outro ser, de não sentir as suas mãozinhas a puxar-me o dedo indicador, de não ouvir o seu riso, de não o poder proteger dos males do mundo, de ter o poder para afugentar os pesadelos, de lhe ler a estória antes de dormir. No fundo revoltei-me com o facto de me dizerem "The last one to die please turn out the light"...vazio..., o som do silêncio que perturba, a venda do "quietus" como resposta profunda e consoladora, o ranger da porta como destabilizador catalizante de sensações...arrepio na coluna. A fé que se perde, a camara que não limpa o sangue, o grito de dor, o choro pelos 18 anos que mais uma vez despedaçam o coração fraco de lutar, mais uma batalha perdida, mais uma lágrima que não se chora..." ele tinha os teus olhos.." Pára, recomeça.. "Eu tive uma irmã!" Children of men é poderosamente poderoso, perturbador e realista, uma realidade à qual não percebemos que lugar ocupar, que não queremos ocupar. Prefiro pensar que o meu futuro se condensará numa utopia na qual caminho para a perfeição, no qual as maçãs são vermelhas, na qual posso profetizar a minha fé no meu sangue, no qual posso optar e partilhar, partilhar sabe tão bem. Alfonso Cuáron ( o meu próximo génio) faz algo que para mim era até ontem inimaginável, conjugar medo, milagre, arte enclausurada, autocarros londrinos futuristas mas curiosamente iguais aos dos nossos dias, e um porco insufável que vagueia na janela de um ministro...a arte aprisionada, mutilada, "animals" de outrora, para quem ainda se recorda, ou para os que nunca esqueceram. Saí da sala atordoda, acho que com dores de cabeça, pensativa e curiosamente hoje numa igreja enquanto assistia a uma dessas consagrações da nossa cultura religiosa, dei comigo a pensar.."no mundo de Theodore isto jamais aconteceria...", perdidos! Não me deixem perder a esperança, não me deixem esperar pelo barco na manhã enovoada, nao me deixem sozinha num apartamento a beber café, não me deixem...não vão...não me deixem apagar a luz.