terça-feira, junho 12, 2007

"I'm not Avery" (alguns spoilers, eu aviso sempre!)

Ontem assisti à mais longa investigação criminal de David Fincher.
Zodiac é longo, mas cada minuto da obra é de um pormenorismo incrível, não se tratam de cenas vagas feitas ao desvario, e atenções a belas paisagens, muito pelo contrário, tudo o que não é "conversa" no filme são vistas de São Francisco, o passar dos anos, as construções a ganhar forma, a manipulação da imagem para melhor nos dar a ilsuão (real) de que se passa muito tempo sem nada de relevante acontecer.
Os diálogos entre as personagems por serem tão bem interpretadas prendem-nos, envolvem-nos na teia, extremamente bem tecida e desfeita lenta e eficazmente durante mais de 20 anos.
O filme de Fincher foge ao seu estilo, mas de Fincher o que é de Fincher, este é um exercício livre e artístico sobre os anos 60, e 70 principalmente. A tendência noir é uma constante, ali qualquer um pode ser The Zodiac, até mesmo a intoxicante Chloe Sevingny podia, podia!! Esta obra revela-se como cinema dentro de cinema, o assassino e a ligação ao cinema mudo é brilhantemente tratada na obra, bem como a cena na cave, o clímax do filme em que a personagem que guia o cartonista nos faz lembrar um senhor de nome Nosferatu, esta reminiscência surge nos gestos, no movimento e na postura.
Os desempenhos são brilhantes, há um belo trabalho na composição das personagens, Jake Gyllenahll (um dos grandes da sua geração),Robert Downey Jr e Mark Ruffalo , e os secundários mas fortíssimos Brian Cox, Antony Edwards e Dermot Mulreony. Estão todos genias, e dizer isto é pouco mas muito, porque hoje em dia enfim é complicado ver filme em que os actores desempenham papéis ( e é para isso que são pagos).
A recriação de época torna Zodiac num bilhete postal, tudo é 70's: guarda roupa, música, Dirty Harry, cenários, pormenores como o pin do presidente Nixon na redacção, o logo da Warner Bros a preto e branco que foi possivelme encontrado nas gavetas da distribuidora, por vezes a excessiva obsessão por esta recriação fiel torna-se um pouco irrealista, um pouco caricatural até, mas resulta tão bem.
Ena gostei mesmo do filme, fiquei mesmo contente, as cadeiras reclináveis é que me tramaram o pescoço, ah e intervalo para quê?
Ah e agora Robert Downey Jr, acho por bem escrever umas linhas sobre este mal amado e "bom actor que sa farta", no filme faz de jornalista que no rodopio dos anos 70 se deixa envolver em dois turbilhões, o da investigação sobre o serial killer que se torna próxima demais, e o outro turbilhão aquele que envolve álcool e drogas, não sei se estão a ver qual é...
A sua personagem muito activa numa fase inicial, vai-se ausentando dando lugar ao também grande Mark Ruffalo notável no papel de polícia que tudo o que quer fazer é encontrar o assassino e "fazer o seu trabalho".
Robert Downey Jr, tem aqui possivelmente o papel mais autobiográfico da sua carrira, uma das suas últimas cenas é hilariante sentado num banco de bar com uma bomba de oxigénio, vemos a sua decadência de Avery e a sua entrega ao medo e à frustração de não encontrar o culpado, e que aparecendo fugazmente transmite o pouco humor do filme.
Em tom conclusivo, Zodiac é definitivamente um filme a ter em atenção, David Fincher não desilude não senhor, o que faz é abrir caminho, e mostrar que faz muitas coisas e tudo o que faz (oops.. Panic Room) fá-lo bem!

sábado, junho 09, 2007

"...sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura"

Bruno Nogueira é provavelmente um dos grandes comediantes do momento no panorama português, poderia eu ficar aqui a cravejar de diamantes linhas a fio elogiando o rapaz, afirmando a pés juntos o quão bom ele é, e o quão inteligente se mostra no como tem dirigindo a sua carreira no caminho turtusoso, que é a comédia por estas bandas.
O jardim de inverno é brindado até dia 30 de Junho, sugiro que se apressem porque o espectáculo esgota "que é uma coisa parva", a hora e meia passa voando pelo início da madrugada e de lá saímos com aquela ideia de que o humor é uma coisa muito, muito difícil de fazer, e que actores há muitos, poucos são os que com a simplicidade da sua presença e textos bem articulados e actuais nos entusiasmam, nos fazem rir e pensar "eh pá de facto somos mesmo uma cambada de insensíveis".
O Bruno Nogueira faz-nos pensar que de facto ridendo castigat mores, e que não se trata de uma questão de tamanho ou altura, de cultura ou laisser passer, basta apenas pôr a mão na consciência, ver as coisas como elas são e que o facto de nada fazermos para mudar o mundo não siginifica que não nos apercebamos exactamente do que é que o faz rodar!
Riam-se com os estrábicos, com a fome em África, com o the falling man, com a irmã Lúcia (agora reunida com Xico e Jacinta) , e com os anões, está lá tudo, o raio do puto topou-nos a todos!

Os 13 do Oceano!

Até que enfim que saí de uma sala de cinema feliz e contente!
É isso que acontece quando criamos expectativas ligeirinhas e nos aventuramos no início do Verão a ver alguma coisa que não possua a alcunha de "Bloco enorme", que é mais ou menos blockbuster em português (é melhor tirar isto da net, não vá nenhuma alminha importante ler isto e mandar esta dica para cima de uma mesa de reuniões, daquelas em que são decididos os nomes a dar a coisas que já têm nome nos outros países).
Para fãs do hilariante Ocens's 11 , este desfecho, que não é um desfecho, porque não se trata de uma trilogia, é totalmente do meu agrado. Os ingredientes mágicos estão todos lá, as privates jokes entre amigos, o guarda roupa, as personagens estilosas interpretdadas por actores que se sentem bem nessa pele, e o cheiro do gambling, e das slots a girar!
A premissa não é nova, o gang prepara mais um roubo a uma colossal casino, desta vez não porque precisem de dinheiro (embora venha sempre a calhar), mas antes para vingar um grande amigo! Claro que o casino tem um dono muito mau e rezingão (ou não fosse ele interpretado por Al Pacino), claro que vilões antigos regressam para o bem e para o mal ( Andy Garcia e Vicent Cassel) e há ainda um vislumbre do feminino, que a meu ver é a única peça que não encaixa no puzzle, desta vez muito simples montado por Soderbergh.
Ocean's 13 tem comopor base, uma ideia : diversão, não há papelões, mas sim reminiscências do Cinema antigo, o uso da cor quase obsessivo que parece pintado à la mode dos anos 80 (aquilo que fizeram com o Casablanca!!), cores vivas, muito vivas, realisticamnete irreais.
De juntar a tudo isto uma banda sonora do meu agrado, muito disco sound e muito "saxofonizada" (a partir de agora tenho uma nova palavra preferida em português!).
Se querem sair (nem que seja por um bocadinho) do marasmo próprio da explosividade desta época do ano, vão ver Matt Damon, Brad Pitt, George Clooney, Casey Affleck, Don Cheadle e quem sabe Oprah numa sala próxima de vocês.
É que não vão perder mesmo nada!
(Ah e sim fui ver o filme ao Alvaláxia, e sim a imagem é tirada do folhete semanal, cortesia Cinemas Millenium)

quarta-feira, junho 06, 2007

"Jazuj"

Num meio dia de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
(...)
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pesoa da Trindade
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
(...)
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
(...)
O seu pai era duas pessoas...
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
(...)
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
(...)
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
o espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
(...)
E esta é a história do meu Menino Jesus.
Isto é Pessoa meus caros!
Guardador de rebanhos, Alberto Caeiro

sábado, junho 02, 2007

Esta pérola já cá canta!

"QUEM DÁ MAIS?" MAIS UMA PÉROLA CINEMATOGRÁFICA PARA A PAREDE DO QUARTO NO MEU PALÁCIO!

Parabéns!!

Lá fora (refiro-me a Inglaterra) as revistas de cinema trazem suplementos assim!! Picture from Collector's suplement, FILM magazine

Piaratas, piratinhas...e essas coisas do mar!

Mas também diz a bélica excelência
Nas armas e na paz, da gente estranha
Será tal, que no mundo ouvido
O vencedor, por glória do vencido
Os Lusíadas, est 56, canto VIII, v.5 a 8
Velhos truques, por vezes não passam de truques e velhos, coisas da idade. E num universo como é o cinema, coisa do ano passado é também coisa desse mesmo passado.
Sou fã incondicional de Johnny Depp, mas às vezes não chega o carisma do Homem mais versatilmente duvidoso da História do Cinema Contemporâneo. Nem chega mesmo o facto de o du, tri, quaduplicarem na tela...nem sempre cola, por maior que seja a geniosidade deste Johnny from wonderland!
Parece encerrada a história dos piratas, ou não...( para quem assistiu à pérola final) http://www.youtube.com/watch?v=b5FI4ZnHhnA), Orlando Bloom diz que o final desta trilogia é digno de uma grande epopeia, eu cá acho, Senhor Bloom que o melhor é esticar bem as velas que a nau precisa de abrandar (peço desculpa mas domino muito mal o vocabulários das lides marítimas). De facto a história do Capitão Sparrow terminou ( e é aqui que fazemos buáaaaaaaaaaaaa), mas por agora não faz sentido algum prosseguir.
Quanto a outras personagens, sim pode-se arranjar qualquer coisita, mas por favor esperem mais um pouco, aí uns 10 aninhos ou coisa do género!
O mar navegado por Gore Verbinsky, banhou todo um mundo, atingiu as metas comerciais a que se comprometeu, manteve um belo elenco, uma bela filosofia visual, a argumentativa, essa sim uma verdadeira banhada.
Não consegui deixar de notar grande cansaço (não, não do público, esse ficava 4 horas na sala se preciso), mas dos actores fulcrais à trama, nomeadamente o par romântico que numa de "ele ama-me, ele não me ama" não atava nem desatava, com diálogos fracos e olhares desviados.
A estrela da companhia é inantigível, não há critica negativa no meu horizonte, ele são os desequílibrios, os olhares estrambólicos, a peruca que de tão falsa só podemos dizer "ena pá parece memo verdadeira".
De louvar, está o guarda roupa, os cenários e os efeitos especiais, principalmente na cena envolvente (não pelo par) mas pela fusão de céu e mar ambos esterlados, entre Will e Elizabeth, uma mar reflectido no céu...ou seria o contrário (também quero uma noite assim!!).
Outra cena a referir é a esmagadora cena em que é descoberta a forma de alcançar os confins do mundo, e a entrada nesse mesmo lugar.
O bom deste franschise é o casamento entre Acção e Humor, da qual nasce o logotipo da Disney: brilhantismo cómico que já nos havia habituado nos dois primeiros filmes da trilogia, aqui o humor torna-se mais físico e feio, voam piratas, olhos, dedos congelados, e o resto fica a cabo do "you know who"!!
Mas, e este ano estão a haver muitos "mas", este Piratas não prende do início ao fim, o fogo é apagado a meio, nos "mares nunca navegados", nem as alusões odisseicas a ninfas Calipsos asseguram a frescura, nem a aparição da pedra rolante cuja esposa se assemelha ironicamente a um coco, nem Ken Watanabe, nem Jack Sparrow, ele multiplica-se mas não é (ainda) Deus!
Para dar estrelas, em 5 dou 4 (numa constelação puramente blockbusteriana)
e aqui estão elas
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quarta-feira, maio 30, 2007

Parece-me bem,

parece-me muito bem! Produções fictícias em grande, como sempre.

quarta-feira, maio 23, 2007

A passagem do tempo

"- Preciso de comprar uma agenda filho! - Mas tu já não tens uma agenda mãe? - Ai filho, mas a que eu tenho, é que até tenho vergonha..." Escuto conversas todos os dias. Escuto os meus pais a conversar com o meu irmão; as senhoras na televisão; eu converso com o meu cão enquanto engomo roupa na varanda, a minha mãe sussura palavras frescas às plantas que rega. E quando não escuto, imagino conversas, escuto as cordas do violão a dialogar com as teclas do piano ao som de Miles DAvis, escuto Eça a ditar as palavras que verte para folhas amareladas na sua escrevaninha, Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável, escuto a moldura enquanto se espreneia gritando-me que gostava mais da fotografia antiga que lá havia feito refém. Imagino o que escuto, mas nem sempre escuto o que imagino. E hoje escutei uma mãe a dizer a um filho que precisava de comprar uma agenda nova. Uma agenda. Já ninguém usa agendas. Sim aquelas agendas com sepradores de letras, uma letra para cada nome, para cada cara conhecida ou irreconhecível, para cada vizinha, para cada vivo e falecido, para cada membro da família, para que não seja ninguém deixado ao abandono por não ter uma morada e um número de telefone. Eu também tenho uma agenda, as pessoas que conheço é que já não têm morada, já ninguém diz onde vive, eu se calhar sou "à moda antiga", tudo comigo é à moda antiga, daí que goste de princesas. A mãe deste filho, tem uma agenda nova, comprou-a, mas não era aquela que ela queria relamente, ao que parece tem só duas folhas para cada letra, " não cabe quase ninguém". Até os comerciantes, acham que as agendas já não fazem sentido, tornou-se um bem desnecessário, e pouco avançado. Para quê uma agenda, se já ninguém mora? Se o correio hoje é electrónico e nem necessita de selo??! Que é feito do anúncio em que se cantava :" A minha agenda, a minha agenda!!"

segunda-feira, maio 21, 2007

Muito barulho para nada

A pequena e frágil Madelaine desapreceu. As equipas televisivas inglesas estão a "desmontar o estaminé" na Luz, parece que a possibilidade de fotografar sangue e fazer capas e capas de jornais sensacionalistas já não é uma realidade próxima. Coisas da vida. Mas o que importa é encontrar a criança. O que mais se me infiltra nas veias é ver tanta coisa em tanto lado e só ouvir falar da "caça ao raptor", a Madelaine fica melhor nos cartazes do que o retrato robô do dito raptor baseado em não sei o quê, que não sei quem achou que talvez lhe tenha parecido com... Coisas da vida. Tanta informação cruzada, tanto profissional da imprensa, e ninguém (repito ninguém) soube informar ( o uso da palvra "info" flexionada é intencional) que o russo afinal tem 22 e não 30 anos como passou em todos os rodapés de todos os canais televisivos...seria a polícia a querer enganar alguém na tentativa de salvaguardar informações preciosas que a levarão à recuperação do raptor, quer dizer da pequena Madelaine? Tanta informação revelada e não passa pela cabeça de ninguém que o dito raptor também deve ter uma televisão e que a ele lhe deve dar um jeitaço saber todos os "pums" dados pela PJ?? Entristecem-me injustiças e falsas modéstias, entristece-me a pedófilia, a prostituição inafantil e o tráfico de orgãos, entristece-me o esquecimento. Entristece-me que usem a imagem de uma criança para fazer "upa-upa" às audiências, entristece-me saber que foi feito um clip com imagens da Madelaine ao som de Simple minds e que isso seja também notícia na Sic...don't you forget about me... Não se esqueçam que todos os dias, e nos 10 minutos que levei a escrever este texto (tento escrever o mais depressa possível para diminuir o tempo e o número...falso consolo) dezenas de crianças despareceram. Hipermercados, cadeias e fast-food, gasolineiras vão afixar fotos de Madelaine para que não se esqueçam dela, quem dera que se tivessem lembrado disto antes, ou entao juntem a Madelaine as fotos de outras crianças, vítimas de todas as horas, de todos os anos, de todos os pesadelos. Sou cruel, mas só queria que aparecessem todas, as fotos e as crianças.

domingo, maio 20, 2007

Insensível

Muito, muito antigamente era assim...
Tornámo-nos nuns insensíveis.
Antigamente, ou há coisa de uns 4 ou 5 anos atrás, ver um filme ou seguir uma série televisiva era algo digno e respeitável, um ritual semanal!
Hoje?
Hoje, não é mais que um hábito desprovido de qualquer excitação. A quantidade iguala a qualidade dos produtos, o problema não são as séries em questão, o problema é o público. Antigamente, ou há coisa de uns 4 ou 5 anos atrás, uma em dez séries era boa e seguia em frente.
Hoje?
Hoje, dez em dez são tão boas que duram uma média de 5 temporadas.
Nós somos quem vê tudo sôfrega e desconfortavelmente na cadeira, com pouca ou nenhuma qualidade de imagem, com som desfasado e legendas em hebraico, nós que falamos tanto na qualidade das séries, não nos importamos nem um pouco de as seguir nestes propósitos, os artistas devem adorar ser aplaudidos vaziamente numa sala escura num écran do tamanho de um envelope!
E não nos ficamos por aqui, além de termos deixado escapar qualquer pingo de dignidade televisiva, escapou também aquela ansiedade de "cenas do próximo espisódio", já não conversamos com os nossos amigos (e uns quantos desconhecidos) sobre detalhes do último episódio exibido, sobre a possibilidade de virmos adquirir um desencaroçador de maçãs da teleshop que vimos no intervalo. Agora, falamos antes sobre qual o novo site onde já esta online a seguinte temporada, e extasiados comentamos "wow, ainda nem estreou nos EUA!".
É como ver um Guernica na net, e dizer o que nos vai na alma ao contemplá-lo (online), é tão poderoso como ler frases desconexas no messenger, frases descompensadas, com piscar de olhos e smiles marados, privates jokes tão privadas que não se dirigem sequer aos "privates".
Cadê a magia da caixa que mudou o mundo?

quarta-feira, maio 16, 2007

Coimbra 12 de Maio de 2007

Ladies and Gentleman Mr George Michael!
Someone has to shoot the dog!!
Nunca imaginei possível ver nascer o Sol às 11 horas da noite...

quarta-feira, maio 09, 2007

B.A.S.T.A

Ao folhear o Diário de Notícias de dia 8 de Maio de 2007 na parte inferior da página 28 deparei-me com uma das incontáveis atrocidades cometidas diariamente neste inóspito mundo, governado por homens tristes e autênticas bestas humanas, (passo a expressão).
Estou cada vez mais triste por saber que faço parte da raça humana, é triste mas é a verdade. Não sei se tenho o direito de mostrar no meu blog imagens e texto retirados de um jornal, se não tenho esse direito peço desculpa e caso me seja pedido retirarei ambos o mais depressa possível, mas tinha de mostar a minha revolta, o meu desespero, como criança que fui, mulher que sou, e humana que cada vez mais tenho vergonha de ser.

sábado, abril 28, 2007

Um deus que não pode decidir

Seres frustrados são aqueles que não toleram sequer por um minutos a felicidade dos que os rodeiam, tornando-lhes a vida num real inferno. Tornam-se seres amorfos e são mais ou menos assim... Uma janela que não se pode abrir Um poeta que não sabe rimar Uma pena que não consegue escrever Uma criança que não é deixada brincar Um fugitivo que não tem para onde fugir Um lamento que não consegue magoar Um mágico que não ilude Uma batalha que não se pode travar Um professor que já não pode aprender Um dado que não se pode lançar Uma montanha que não se pode subir Uma agulha que já não fere Um bailarino que já não pode dançar Uma mão que não se pode fechar Um fio que não se pode partir Uma sombra que não se pode matar Uma dor que não se pode sentir Um aplauso que não se pode agradecer Um instante que não se pode viver Uma flor que deixou de crescer Um amante que não pode amar

terça-feira, abril 24, 2007

ÉS GRANDE

E o sábio diz:
"Take a look at the girl next door, she's a player and a downright Whore, Jesus loves her but she wants more, oh bad girls get you down." e prossegue: "I went walking with my mama one day, when she warned me what people say, live your life until love is found, or love's gonna get you down. " Lollipop, Mika

quarta-feira, abril 18, 2007

Três horas, um amor (monólogo, porque falava com um morto)

Noite fria. Não. Noite muito fria. Uma cama fria. Uma cama muito, muito fria. O relógio diz em tom silencioso que são cinco e seis da manha, e nem mais um minuto, talvez mais alguns segundos, segundos, segundos, segundos, segundo. Faço contas à vida, e eu que nunca fui muito boa de contas. Nunca gostei de números, nunca me senti uma privilegiada pelos números, nunca lhes fui fiel, e tanto quanto sei nem eles a mim, nem tu a mim, e nem eu a ti, por isso estamos quites e não pensemos mais nisso. Penso em ti, sei que não és o ser mais maravilhoso do mundo, mas são tantos os maus seres, que a tua bondade, vejo-a como uma luz ténue e apaziguadora, és bom, e nada mais interessa. Olho para ti, não me vês, dormes profundamente, dormes ainda? Não interessa, não vejo a tua sombra, não interessa, é melhor prosseguir. Apetece-me falar, gosto muito de falar, às vezes não parece mas gosto muito, quero falar contigo, acorda estúpido! É tempo! Acorda estúpido quero conversar, não me interessa que amanhã tenhamos de acordar cedo, amanhã? Não, hoje ainda daqui a pouco temos de acordar. Pelas oito da manhã, é esse o nosso tempo, e falta muito pouco tempo para esse tempo chegar. Quero falar. Quero falar contigo, quero falar sobre nada, quero falar do passado, quero falar do tempo em que dormia no ventre da minha mãe, quero falar do susto que ela apanhou quando confrontada com a verdade, quero falar do tempo de reis e majestades, quero falar de campos verdejantes, praias desertas, batas azuis, quero falar de impaciência, de bilhetes esgotados, da minha camisola de lã preferida encolhida na máquina, quero falar da agenda que perdi, do diário que escrevi, quero falar das coisas que nunca te disse, e das que sei que nunca me dirás. Queres falar? Dormes tão profundamente, jazes a meu lado, não vejo a tua sombra, morreste há muito tempo. Passou algum tempo, consegui preencher com ideias cerca de três minutos terrenos, mas quero mais. Oh como quero muito mais. Farta de ideias estou eu, comigo são só ideias, apetece-me verbalizá-las gritá-las em voz alta, tão alto quanto a minha alma desejar. Não vejo a tua sombra.

sexta-feira, abril 13, 2007

Irritabilidade literária

Muito se tem escrito e dito nos últimos dias sobre o universo dos blogues. A mim só me apetece dizer, escrever que, enfim gosto de escrever e ninguém é obrigado a ler, por isso também não me venham com aquela máxima que tanto me irrita e tanta vontade me dá, de correr toda uma sala de arma em punho e espetar um balázio numa dezena de convencidos e com a mania das grandezas... porque já publicaram um livro! Até me esqueci da máxima, ah já me lembro, " então mais valia estar quietinha!", ai estas coisinhas que se dizem são tão passivas, tão mesquinhas, tal como muitas pessoas que se dizem "amantes da Literatura", tenham calma, há espaço para todos, se de facto metade destes blogues "pretensiosos", como já por aí li, não possuirem conteúdo algum, todos nós sabemos o que lhes acontecerá, o mal não é fazer-se mal feito, tenho cá para mim que o problema é mesmo acreditar que não se sabe e fazer e preferir ficar quietinho! Escrevam muito, com erros, sem erros, com elogios e desdenhices baratas, critiquem, escrever mais não é do que libertar letrinhas pequeninas acorrentadas a um orgão esponjoso e oh tão feio como é o cérebro humano!! Escrevam no metro, no quarto, num encontro romântico, na praia, num encontro romântico daqueles mesmo muito, mas mesmo muito chatos, numa aula leccionada ao ritmo da lesma: daquelas que nem com uma dose cavalar de alguma substância mais energética vos servirá para alguma coisa...escrevam, mesmo que seja a fingir, escrevam! E os senhores das letras, continuem a invejar mas deixem de ser invejosos, que esse sentimento álem de envelhecer a pele, causa muito sofrimento e solidão! Ai!

sábado, abril 07, 2007

Tal como diz o coelhinho

Façam o favor de ser e fazer os outros felizes...a Páscoa não passa de um pretexto para reforçar a ideia!

sexta-feira, abril 06, 2007

This is Sparta!!

Como não tenho vindo a rechear linhas com pensamento cinéfilos, hoje parece-me um bom dia para tal efeito. Diz-se que esta Sexta feira é diferente das outras, diz-se que é Santa, pois eu não me apercebi, não me lembro bem do que é que ela fez para ser canonizada, mas também não é sobre isso que vou debruçar(por agora).
Muito se tem já dito e escrito sobre 300.
Graças a esse "zum zum" proporcionado por um trailer apelativo, uma banda sonora entusiasmante e uma falsa modéstia tão própria do nosso tempo " pois nós fizémos este filme com um orçamento muito reduzido!", obtém-se como resultado algo não muito mau, fazendo com que só se possa dizer bem, o que acaba por iludir.
Assiste-se a duas horas que passam num ápice, graças a um grande ritmo próprio do campo de uma batalha, não se perdem minutos precioso a pensar grandes planos de ataque e defesa, não o Rei Leónidas tem o seu papel bem decorado.
Está lá tudo, violência (que não é brutal), sangue (que não jorra como é de esperar), e muitas frases feitas, há também a amostra exageradamente heróica dos 300 frente a um rei que se vê como a um Deus, que tudo o que quer é que se ajoelhem a seus pés...mas os espartanos também só querem andar de cabeça bem erguida, daí a guerra.
A mensagem política de que tanto se tem falado por fora dos circuitos cimatográficos, torna-se um aspecto importante e que vem trazer ainda mais publicidade à película, fala-se muito de "liberdade" ao longo de 300, um povo que não se quer subjugar a um outro só porque este é maior e porque se acha no direito divino de mandar e desmandar onde muito bem lhe entender. O rei Xerxes menciona "trocas culturais" e "económicas", mas Leónidas percebe "escravidão" e vazio pessoal, O rei Bush menciona "educação" e o Médio Oriente percebe Jesus Cristo em vez de Maomé...se ao menos fizesse sentido...
Incompreensão. Poder. Domínio. Morte. Religião. Petróleo. São as palavras de ordem, no passado a última não se usava, mas também não se faziam pastilhas elásticas na altura.
Esquecendo a "mensagem", fiquei com aquela sensação de dejà vu ao ver 300, percebi-o como um híbrido entre Gladiador ( as cenas idílicas nas cearas de trigo) e Sin City (mas a isso não podemos criticar, trata-se do Universo Frank Miller). Não vi nada de novo, não me entusiasmei, não cheguei a torcer pelos espartanos, não senti o pulso forte do seu rei, não me emocionei com aquela rainha sensível e inteligente ( pelo menos era isso que queria dar a entender), e não saí satisfeita da sala, apenas minimamente confortada.
Dourado e vermelho são cores bem combinadas, 300 usa-as como estandarte, mas água que as dissolveu foi muito mal engarrafada por Zach Snyder, e ateção não é por falhar a fidelidaded ao comics, pelo contrário, talvez por uma colagem tão desavergonhada que a tentativa de superação não vai álem do efeito visual e esse sim esmagador. Não deixa de ser um dos filme de 2007, pelo menos muito se dirá sobre ele!
"Alguma mensagem para a Rainha?
Nenhuma que deva ser dita."