domingo, setembro 03, 2006

No belo do BUS

Vai a rapariga muito bem sentada no belo do Bus em hora de ponta, depois de enganar 3 idosos e ter ganho a corrida silenciosa a duas senhoras de idade desconhecida (mas que eu suspeito que se situe entre os 35 a 50 anos). Cansada de mais um dia universitário pouco produtivo, onde o único ponto positivo foi na cartada no bar dos "junkies", o que ela mais queria era chegar viva da Silva a casa e desfrutar de um belo jantar seguido de um belo serão na companhia não da Floribela ou morangada , mas antes dos seus amigos imaginários, outros quaisqueres que não eles. Mas Deus tinha outros planos. Eis que entra aquela que ela não aguenta, mas que não a larga por nada deste ou do outro mundo (seja também ele afectado pela camada do ozono ou não), a sua lapa pessoal, que no fundo é o mesmo que representa o chamado "personal Jesus" para os Depeche Mode, está pertinho, pertinho. A lapa não arranja lugar e permanece ao lado da rapariga: "Porquê??" E começa então a sua sessão de tortura, sem mais rodeios: "- Sabes uma coisa? Um amigo meu disse-me que não tomar banho todos os dias fazia mal..." (pára tudo no belo do Bus, fosse lá o que fosse que estivessem a fazer) A vítima em questão continuava a teclar nervosamente no telemovel dando o seu ar de extrema e preocupadamente ocupada. "La tortura" continua... " É que eu não tenho tomado banho e estou um pouco preocupada." .............................Twilight Zone.......................... " O que achas?" Entretanto ela, a torturadora de serviço, toca acampainha, despede-se da rapariga como se fosse voltar ao Ultramar e sai na paragem seguinte, deixando perceber que não queria uma resposta, mas antes desabafar da sua grande preocupação, pobre torturadora, uma alma atormentada. A rapariga ainda sentada, sente uma multidão a olhá-la, será que também alguns dos membros daquele ajuntamento tinham razões para se preocupar?? Pior que isso, será que mais de 90 por cento da população portuguesa se prepara hoje para enfrentar uma grave e terrível doença, futuramnete conhecida como "DFB" ( ou doença da falta de banhoca). Ou muito me engano, ou o investigador Grissom e a sua equipa ( sim o surdo, a loura boazona, a morena chata, o tipo do anúncio do shampoo e o fashion da coisa), já se ocuparam de um caso semelhante, no qual uma portadora de "DFB" morre depois de acidentalmente provocar também a morte de todos os membros da sua famíla por contágio. Nini esta é em tua honra!

Always London...

Hoje disseram-me que ía chover em Londres. Fiquei triste. Não sei porquê.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Jack Sparrow and the horizon he brought us

Neste que é um Verão como outro qualquer, quente, pegajoso, abafado, enfadonho e inundado, nao por água, mas por obras de arte dirigidas a um público devorador de pipocas doces e salgadas...que é tão digno e merecedor de respeito como aquele que as não ingere por "preferir prestar toda a sua atenção à fita pela qual pagou alguns euros" e porque comer pipocas não é "in" ou whathever, os blockbusters aqui estão sentadinhos à nossa frente:Os piratas estão de volta!!! Mais aventuras, lucros para a Disney, e humor gerado do bom desempenho dos actores que se divertem à fartasana a fazê-lo. Abram alas ao Johnny! Johnny!! Este sim é um grande Senhor. Um génio para muitos, e continua a ser, porque convenhamos...só um génio para convencer Marlon Brando a fazer "O bravo"!!, para mim um homem que devia ser idolatrado qual Che, era de valor ver a cara dele estampada em tudo o que é t-shirt e afins expostos com orgulho e pompa! É a partir dele que os piratas ganham vida, aliás a vida no filme nasce do sangue que este actor doa durante as 2 horas e 40 minutos, um pouco longo não? Esta é a meu ver a falha e bónus do filme, falha porque as cenas prolongam-se demasiado, desencadeando estórias paralelas até certo ponto, mas não durante muito tempo, já que a sua intersecção está sempre eminente, e estórias essas que por vezes podem demorar a fazer todo o sentido ao espectador, mas isso é uma questão sobre a qual não me vou alongar já que é só a minha opinião e talvez neste dia os meu neurónios não estivessem ao nível máximo das suas capacidades já de si limitadas.O bónus, bem os fãs gostam de tudo, e quanto mais tempo para se deixarem levar no espírito dos mares e dos bandidos, melhor! Mas o grande problema do filme, o único veradeiramente falando, é o facto deste não ser o primeiro, não cheira a novidade, Os piratas das Caraíbas lavou a alma aos filmes do género, este não lava, apenas passa por água, e por mais extraordinário que seja, por mais (ainda mais) emocionante e por mais alta que seja a fasquia, não é o primeiro. Para se perceber melhor digamos que, a interpretação de Johnny Depp é tao ou melhor como no primeiro filme, a diferença é que destra vez ele não vai ser nomeado a Óscar..acho que me faço entender! De assombro é o universo recriado, as maravilhas das novas tecnólogias no que toca à personagem de Davi Jones e respectiva tripulação, bem como o espaço variado e complexo no qual a trama se desenvolve. A surpresa do (re) aparecimento de personagens que vêm remeter para o pasasdo e para o futuro...o drama amoroso que se adensa, mas repito a minha opinião quanto a mr Bloom, ele ainda não é leading man, ainda terá que "crescer" pelo menos por enquanto, falta qualquer coisa para ser aquilo que ele pode vir a ser, a fama e o poder que este franchise lhe trouxe, a ele e a Keira, trarão os seus frutos, mas a seu tempo. Por isso, 3 cheers para os piratas: 1 porque voltaram 2 porque voltam para o ano, e 3 porque não vai haver o 4( que é o novo preto, pois tanto Indiana Jones e Die Hard estão confirmados e talvez Missão Impossível, isto claro se entretanto o Tom Cruise quiser casar com a Katie Holmes!!))

quarta-feira, agosto 23, 2006

(TA)VIRAr da página prateada

Fugir do mundo, é conquista árdua. Partir para longe é louvável, mas resta sempre algo de nós, de esperança, de sonho, de espuma, uma acendelha à espera de um sopro que teima em arder. E eu fugi nas asas de um pássaro terrestre, veloz e de voo firme que contemplava a minha tristeza cansada, o meu alívio solitário na companhia dos outros... e ouvir o som das asas que balançam. Os dias passaram: quentes, frios, chuvosos, com ou sem vento, com ou sem gaivotas assassinas. Campismo selvagem porque não? Há tentos que fazem mentalizados, convictos...a minha convicção nasceu da força da circunstância...o improviso faz maravilhas, e a mim ofereceu-me o céu estrelado, todo e inteiro, que me beijou os olhos ensonados e me deixou entregar nas delícias dos sonhos encantados, queimando tempo. Seguiram-se mais dias, silêncios, palavras, sorrisos, caminhos trespasasdos por espadas do passado capazes de desmoronar baralhos de cartas que são mais, muito mais do que um jogo. Falou-se, escutou-se, falou-se, aconselhou-se, desafiou-se, desentedeu-se? Enquanto houver confiança. O tempo que passou num ápice, assim é quando se gosta verdadeiramente, quando se reina sem poder concedido pelos deuses e crucifixos. E no último dia , na manhã do farol ouvi o silêncio do mar, escutei o que ele tinha para me dizer, o segredo murmurado que vem por debaixo do chão. Canção incessante que do azul se faz prata, que me ensurdeceu, cegou, calou, e os ossos das mãos que congelaram, nessa manhã de brisa fina. E sabes o que te digo??: Luta. Se perderes. Luta mais. Sangra, se for preciso, dá o teu sangue a beber à vampira que dele precisa sem saber. E se morrer, mais vale uma boa morte que uma não vida. Não queiras pouco, exige tudo, porque tudo é o que a vida exige de ti e ela escorre como lava apressada, e nós não ficamos senão, na memória dos outros enquanto a também eles, ela não faltar. Eu vou lutar, qual guerreira revigorada, qual dama afortunada sem o saber, qual mulher que arde num fogo intenso, e se perder..ou morrer, a memória ( a dos outros) manter-me-à viva, ou pelo menos não morta.

segunda-feira, agosto 21, 2006

And "He" returned (finally)

Foi com agrado que vi regressar o extraterrestre mais querido do mundo do cinema (logo atrás do E.T, pois claro). O responsável por esta experiência extremamente dedicada e humana é Brian Singer, que após muitas voltas e reviravoltas conseguiu fazer renascer das cinzas mais um grande franchise...é agora ver t- shirts com um "S" estampado tamanho XL, por essa Lisboa fora, enfim mais super heróis por esse mudo. Facilmente se percebe a razão pela qual a crítica se mantém tão favorável ao eterno Kal-El, enquanto que as bilheteiras se mostram um pouco mais reticentes, pelo menos da parte norte americana. É que quem está à espera de assistir a lutas desenfreadas, entre bons e maus da fita, amores de novela extraídas do sex appeal dos actores, e clichês dignos do livro "as mais bonitas frases do mundo", bem pode tirar o cavalinho da chuva...mas é que bem pode mesmo. A nível de frases, vá, deixamos passar as palavras de Marlon Brando no papel de de pai de Kal El, frases paternais essas repetidas pelo próprio herói mais lá para o final ad pélícula! Sexo não há. Acção também não. Resultado: menos vendas. O máximo que se vê é Kal El a ser sovado como nunca, depois de exposto ao seu pior inimigo natural, e mais não conto. Brandon Routh , tem talento e seguramente um futuro no mundo cinematográfico, é carismático e expressivo tanto como Clark Kent ou Kal El, fazendo mesmo pensar num possível James Dean (sem um final trágico e precoce rezemos) dos nossos dias, mas isso já sou eu a premeditar coisas!! O actor em causa transmite sem dúvida humanidade através do olhar algo perdido e incompreendido um "outcast" como ele próprio se julga. E arrepia vê-lo e pensar em Christopher Reeves por breves momentos, mesmo sabendo que aquele azul intenso mais não é que um adereço e quem sabe algum trabalhinho de pós produção..as maravilhas das novas tecnologias, tecnologias essas com a devida publicidade no belo do movie não é Samsung??!! Há uma certa névoa em toda a fita que paira não como uma sombra de um fantasma mas mais como uma brisa apaziguadora que assegura a comunhão entre enredo e espectador, algo entre tradição e pertença, entre harmonia e saudade. Lex Luthor esse vilão na pele de Kevin Spacey ou vice versa!!, é arrasador, bem como a sua fiel Cocô Chanel, interpretada pela versátil Parker Posey, tão deslumbrada e mal amada, enfim é difícil amar quem não ama. Os efeitos especiais elevam a película a voos maiores que por mais ceguinhos que estejamos deixamo-nos levitar pelas acrobacias do Super-herói moldável como um pedaço de plasticina vermelha e azul. Superman returns foi feito com o coração , demorou, custou muito, mas compensa sem dúvida,é dinheiro bem empregue num Verão impregnado (ao qual já nos habituámos) de piratas e polícias à caça de barões da droga, vestido à Boss e afins. As cores deste fim de Verão são o azul e o vermelho (deixei o preto e o cinzento para o Inverno). A vénia deve ser feita, o esforço recompensado. É tocante a dedicação final a Christopher e Dana, esses sim os verdadeiros heróis face a uma vida difícil e confusa, temida e vazia. É sempre bom recordarmo-nos e que a morte de facto pouco poder deve possuir e que em casos destes não é ela quem se deve recordar, celebremos antes a vida, essa luz que não se extingue nunca e que existe para nos apercebermos que os sonhos devem ser sempre uma realidade.

quarta-feira, agosto 02, 2006

As palavras sao como pólvora, e estas como os nossos sentimentos

...Porque não existe melhor caracteristica própria do Homem que a insatisfação, e não percebo qual o real propósito que me põe aqui neste determinado ponto do mundo.Porque é que nos sentimos únicos nesta enorme esfera, porque é que parecemos amar, e fazer do amor a nossa primordial e viva chama.. Os sentimentos alimentam aquilo a que chamamos de vida, e quanto mais intensamente sentirmos, mais sangue fazemos correr, mais gestos aprendemos, mais (enfim) vivemos. E viver mais nao é que esticar uma linha à espera que ela não rompa, viver mais não é que espreitar para lá da linha do horizonte, viver mais não é correr ate não poder mais enquanto procuramos o fim do mundo. Choro ao pensar nas estrelas, invejo-as sem se me sentir invejosa, elas que contemplam a passagem do tempo, elas cada vez mais novas e nós cada vez mais velhos, elas cada vez mais brilhantes e nós ofuscados. Parto para longe, como se fosse a primeira da última vez, parto para respirar, para invejar as estrelas, para correr, para balançar nas ondas do mar, para abraçar a brisa que com dois beijos frescos me saúda a cada manhã abençoada, que eu ignorei por tantas vezes. Basta de lamentos e coisas por dizer, basta de medos de luas assombradas e alabatrozes esfomeados, basta de pesadelos e olhos raivosos, basta...recomeça, pára, ondula, os cabelos negros ao sabor do vento, a pele macia a saber a maçã. Aquilo que sinto, faço-o hoje porque amanhã é outro dia, nova pólvora, novo sentimento, o mesmo sangue, novo tiro, novo olhar, amanha recomeço. A mala está feita, as ideias guardads, os sentimentos num baú fechado a sete chaves e perdidos no fundo do mar, revisitado pela sereia muda que os trás logo pela manhã enquanto deixo as minhas marcas na areia que o mar irá beber. Porque o mar apaga e a sereia não tem língua para contar.

domingo, julho 23, 2006

Peça

Nervos à flor da pele. A estreia que não se quer que estreie nunca. Suor em cursos de água regulares. Garganta seca com tanto para dizer. E se eu calasse para não mais falar. E se eu falasse para não mais chorar. E se eu chorasse para não mais sorrir. E se eu sorrisse para não mais esconder. E se eu escondesse para não mais encontrar. E se eu dissesse que... ...que fiz tudo dentro da carne e nada fora dela. E que cada raio de Sol despertou em mim sentimentos que eu julgara já ardidos. E que cada rajada de vento faz esvoaçar os esqueletos dos bailarinos assombrados. E se. Se eu e tu também. Eu não quis, tu não pediste. Eu não pedi, tu não quiseste. E tinha sido tudo tão fácil, agradável. Mas não, nunca foi, e nunca será. Fim do primeiro acto. Cortinas de veludo vermelho entre os amantes. Véus brancos em cascatas transparentes. Estofos azuis confundidos com a noite. E a brisa que teima em trespassar a alma, a alma doce e quente que já não te afaga. Feliz o que deixou de tentar. Infeliz o que tudo fez para se salvar. Salvação que mais não é que perdição. Corropios de sons em espiral de emoções. Palmas. O "tu" esse mudou, é tempo. O "eu" permance mudado, é tempo. Desculpa mas o protagonista teve de morrer. Tive de o matar, não não morreu de morte natural. A naturalidade da morte fui eu quem a criou. Eu não morro nunca, o meu egoísmo não o permite. Desculpa-me mais uma vez. É o espectáculo do "nós". Amanhã, começa de novo à mesma hora. Novo público, os mesmos actores, a mesma solidão. O vazio na sala cheia. Mais palmas.

quarta-feira, julho 19, 2006

Clave de Sol

Hoje fazia calor. Os raios de Sol encurralados na clave e nas linhas espaçadas milimetricamente espreitavam por entre as persianas sem licença, o ar quente bebia-se como limonada quente, os movimentos dolentes e calados...um inferno na casa. A casa é aquele lugar onde sabemos que nada nos pode acontecer, mesmo quando acontece e tudo não parece mais do que um pesadelo ou uma lembrança longíqua, ambos encurralados por entre quatro paredes brancas caiadas pela tinta da nossa imaginação.A casa é a clave de Sol no início da mais bela das melodias, é a nota apagada pelo professor que a trocou por uma semi-colcheia, por ser mais breve. Está quente, a casa queima, o meu centro de gravidade desintegra-se, a minha vontade desmotiva-me, os meus actos são irreflectidos. Verão. esse inimigo. Esse inimigo das palavras. Apagador, atenção não é corrector. Corrigir mais não é que cobrir co pasta branca aquilo que não se quer ler, não vemos mas está presente e mais tarde ou mais cedo, a camada desfaz-se em pó, e nós relembramos o quanto perdidos nos encontramos. Se apagramos está feito! Não há como voltar atrás...descobertos. Estou ciente de que o mais saudável é corrigir, como todos dizem ser o correcto, ams porque não apagar?Não seria ebm mais fácil? A resposta é não. Não nos esqueçamos que possuímos memória. Esse incansável "post-it" amarelo (ou cor de rosa) , que aquando da sua inoportuna tarefa tudo o que faz é ofuscar-nos, tornar-nos humanos. Sem nunca percebermos se alguma vez tivémos ou iremos ter a hipótese de optar, será que ser inumano é ser maldoso? Não o somso todos os dias? Não nos damos ao luxo de não sentir todos os dias. Não é sentir mais do que uma acção irrfelctida que ecoa no nosso ser cada vez mais distante? Sentir... Não me considero má, quando criança questionava-me, hoje já não o faço, hoje afirmo-o, sei-o no mais fundo da minha essência: Sou boa. E a minha maldade existe, é ela quem alimenta o meu lado bom, é a mladade que me dá força... a uns consome, a outros direcciona e aos que sobram, bem a esses dá sangue...em mim faz com que ele corra com mais força. Sou boa. Sinto-o. Ponto.

domingo, julho 09, 2006

Nevar no Verão

Busco-te na fina neblina, encontro-te por breves instantes...e eu tento mais uma vez, fujo à fera, que se esconde e ataca, e tu ris-te de mim uma outra vez. A manhã é sem dúvida uma feiticeira, a noite, a sua capa, o seu refúgio, um embuste. Já a noite é traiçoeira e nada clarividente, gosta de passear pelo labirinto da minha mente, só gosto da noite de Inverno, não gosto da de Verão, porque nem sempre me percebe, é cor a mais, som a mais, não ha possibilidade de fusão. A manhã é verdadeira, pura..eu sou a manhã...tu és a noite.Por isso fomos condenados a tocar-nos apenas por breves instantes, tu a és a capa e eu a feiticeira sem poder, tu o embuste e eu a Aurora. Os meu poderes jamais te alcançarão, já tu... fa-lo todos os dias, proteges-me magoando, dilaceras-me a carne, partes-me os ossos, contrarias-me, fazes-me feliz, obrigas-me a escrever, mas o meu nome fica...alguns segundos...dois ou três minutos, para depois se desfazer, qual lágrima no oceano dispersa no véu da memória. Dor? Não. Há muito que deixei de sentir. Tudo o que me resta são fragmentos, tinta preta, folha manchada, sentimento nobre em câmara lenta. E se algum dia eu fizesse sentido, o mínimo que fosse...por favor faz-me desistir. Vem ter comigo e mata-me sulplico-te. Costumo fugir nos meus sonhos. Sonhos? Todos os dias, costumas sonhar? É aquilo que acontece quando vivemos uma vida que não a nossa. É aquilo que acontece quando nos vemos a realizar acções inacabadas, acontece quando subimos a escadaria de uma palácio, voamos sobre uma aldeia branca, choramos ao ver o verde da relva, sentimos o tic-tac de um relógio gigante...a cidade que chama, a badalada que ecoa. Consegues ouvir? Cala-te é uma ordem!Cala-te...ela chama-me. O sonho? Tive-o quando era menina pequenina, pequenina demais para sofrer, pequenina demais para perceber o quão sábia era. Belos tempos que já não voltam. Era tão feliz sem saber, tão humana, tão quante. Agora sou carne, olhos, mãos, e tão única que eu era naquela casinha cor de rosa, banhos no rio, cantos an chuva, volta, volta que preciso de ti. Contigo? Perdida. Sem ti...inacabada, desgraçada. Sou a insatisfação, nunca serei plena, nunca durará, isso é coisa que não existe. O que há são momentos, fragmentos, cores de aguarelas, pó de giz branco...a felicidade é isso...um...e pensar que muitos se não todos morrem sem nunca perceber quando a sentiram. Ainda não a senti, se senti, sou mais uma dessas pessoas...temos tempo...sou tão frágil, até a chuva já o percebeu que já nem ela em brinda com a sua frescura.Amanhã vai nevar. Quero ser feliz para o resto da vida, o entardecer será vermelho, os pássaros pousarão no parapeito da minha jenela, a música perderá o compasso, a lua cantará de dentro da minha caixa de música, a minha sombra cobrirá a minha aura, a minha voz ultrapassará o limite do som, tu evaporarás, serás espuma azul, gumes de faca a sangrar-me as plantas dos pés, serás a bruxa má que me corta a língua e a esconde num fraco de vidro, serás a capa. Lembras-te? Noite. Manhã. Capa.Feiticeira.Neve. Aguarela. Relógio. Sonho. Tu. Eu. Tu. Eu. Tu. Eu. Tu. Eu.

terça-feira, junho 20, 2006

The New world

Mãe?? Terra.. Porque é que ele foi? Porque é que só me sinto completa com ele? Porque me sinto ele... O cheiro, o som, o zumbido, as folhagens arrastadas, os pássaros a levantar voo, o curso do rio, o ancorar da nau, o aço a cortar madeira, a doença a estragar as carnes...o silêncio, o pó...o silêncio. The New World, o novíssimo e elaboradíssimo de Terrence Malick é um festival de sensações absorvidas lenta e harmoniosamente. Fiquei completamente estarrecida com tamanha obra de arte, um verdadeiro festival natural, fruto de trabalho local, anos de produção, e mestria do realizador. De notar também o envolvimento do actores no filme, porque protagonizar O novo mundo imagino não ser uma tarefa fácil, ainda por cima quando se tem poucos diálogos e temos que dizer tudo com um simples olhar, um silmpes saudar do sol, ou um simples adeus ou ainda uma simples vénia: "Encontraste as tuas Índias?" "Acho que lhe passei ao largo." (Ela faz uma vénia digna da sociedade inglesa do século XVI e vira as costas) Palmas e palmas para a brilhante Q'Orianka Kilcher (16 anos) e eu duvido que tão cedo encontre outro trabalho em Hollywood e Christian Bale (um dos meslhores da sua geração). Já Colin Farrell nao encanta, digamsos que ele é um bom actor, não acho que não, mas que nunca chegou a evoluir, a aperfeiçoar e isso vê-se nos seus últimos trabalhos. Absolutamente fascinada foi como fiquei com esta obra, a banda sonoro é envolvente mas sem roubar o lugar e protagonismo aos sons da Natureza, Ode a James Horner por isso. E a entrada no genérico final...absolutamente divina(nao revelarei para não estragar surpresas). Mas mais do que Naturexa neste filme somos confontados com o Amor e a barreira de culturas, a barreira da língua que se vê desmistificada e insignificante, mas a transponibilidade do vazio e o silêncio...o amor parece ser feito desses dois aspectos, e quando estes são preenchidos, há como que um voltar para outros horizontes "outras Índias"...procurar outras crenças, outras razões de viver, no fundo uma morte do Amor (que é imortal) e de todas as crenças que nos rodeiam... " He has killed the God within me" No fundo The new world poderá ser uma profecia de um velho mundo, um mundo ideal, longe de tudo aquilo que repudiamos onde só pode existir um amor puro, essencial, desinteressado, comunicativo nas pegadas deixadas na terra molhada, tal como diz o capitão John Smith: "They are gentle, loving, faithful, lacking in all guile and trickery. The words denoting lying, deceit, greed, envy, slander, and forgiveness have never been heard. They have no jealousy, no sense of possesion. Real, what I thought a dream. " E o sonho começou... Os anos passaram. A morte morreu. O luto deu lugar à cor. Ele voltou...a morte voltou...ele partiu...a morte ficou. "Tudo o que nasce tem de morrer." Ela morreu. Pocahontas morreu.

domingo, maio 14, 2006

Le petit Prince

Perdido num novo mundo. Maior, perigoso, só, louco, estranho, longíquo e esquecido. E tu meu pequenino, eu só queria fazer como ele o fez, pegar-te ao colo, balançar-te, cantar-te baixinho ao ouvido, esperando a tua estrela que não partiria primeiro sem uma lágrima minha. Feliz ele que te viu no deserto, que procurou contigo um poço, e que só acreditando o encontrou, que te viu encantar uma serpente venenosa...que ilusão, tu eras o veneno dela. A mim só me resta procurar uma seara e procurar-te por entre o trigo, acariciar-te o cabelo ao sabor do vento cálido numa tarde quente de Verão, enquanto escuto os cânticos dos anciões. A mim só me resta cuidar da flor, que sendo igual a todas as outras, me cativou...e espera por mim naquela que é a sua sepultura terrena ou pela raposa que a rapte e a sepulte noutro paraíso. Meu menino adorado, foste tu quem me ensinou a viver, a amar, a perceber o que no fundo já sabia, mas esqueci, porque infelizmente nos esquecemos daquilo que de mais puro alguma vez já tivémos, aquela coisa curta, e vivida longamente, mágica, curiosa, sagrada, colorida, a cheirar a rebuçados de limão e da cor dos cogumelos vermelhos com bolas brancas. Infância. Queria casar contigo, ser a tua princezinha, viver no teu reino que nunca será teu porque nunca serás adulto, admirá-lo, coberta pela tua capa e avistá-lo por entre os teus cachos de cabelos doirados que seriam a minha luz no mais escuro dos universos. E se não voltas?...tu prometeste que vinhas. Tu vens. Eu sei. Só os adultos é que não cumprem promessas. Vai ao deserto Principezinho, ajudar a alma do aviador.

quarta-feira, maio 10, 2006

HOSPITAL

By Frida Kahlo Ao nascer lembrei-me que já havia algum tempo que não morria, curiosamente todos dizem ou pensam que morremos sem precisar de nascer (os vencidos da vida), mas o que no fundo queremos é nascer sem precisar de morrer, queremos aquilo que não podemos ter..e não é sempre assim? ...odeio aquele sítio, o cheiro, a cor, a energia mórbida da espera, as conversas vazias entre desconhecidos, porque ali o nome não é importante, apenas o autocolante colocado em local visível, e a audição em plena sintonia com a voz esganiçada do altifalante que pronunciará sim o nome, de modo seco e arrogante, como se o doente fosse culpado do mal que padece. A sala é um espectáculo triste, quase como um jogo cinzento em que tenhamos que adivinhar por onde é que a sombra da morte vai pairar... Entretanto voltei e não sei por onde queria ir, mas recordo-me enquanto vou para lá que tenho medo deste caminho, medo desta calçada e destas árvores, lembro-me do gelo na barriga que sentia ao subir a rampa ampla e barulhenta, e entrar no edificio grande e cinzento, do qual só conhecia parte, a parte que menos gostava, calma, asseada, sem alma, o corpo inerte do meu pai numa cama fina e opaca de metal, o tic-tic-tic da máquina azul com luzes verdes a piscar initerruptamente...ditando vida... a parede de borracha, o vaso com flores de plástico..dálias, vejo eu. A conversa seca e metódica do momento, com frases de circunstância e expressões de boa vontade lançadas no calor do momento. A alegria momentânea e a beleza da vida fracamente apreendida, nem pelo mais talentoso dos pintores impressionistas...apenas o helicóptero pousado no espaço que lhe era reservado aguaradando a fraqueza de mais alguma alma em sopro desistente. Há dois dias voltei lá, e senti o mesmo, repeti o sentimento por mais estranho e inexplicável que pareça (porque não acredito em sentimentos repetidos), estarei a mudar, a desistir, a chorar..................quando lá iá fazia frio e o vento reunia-se todo no meu tronco a fim de sair pelos meus olhos, no outro dia fazia calor e em vez de vento era o sol que se encolhia todo dentro de mim, senti-me queimar friamente, mas o sol não me saiu pelos olhos, está ainda aqui a queimar. Vou ser fria para ele não me magoar mais.

sexta-feira, abril 28, 2006

(entre) tanto

(Entre) tanto fico sem perceber se sou uma força do Mal ou se sou apenas uma vítima dele?... Tanto (entre) as luzes que se escondem por entre os véus da deusa obscura que não me deixa ver e adormecer, porque eu vejo em sonhos, e nós nunca daríamos certo porque eu sou muito ganaciosa e tu cioso da minha ganância, não te deixas dormir. Eu não quero dormir, apenas adormecer, não quero ser a continuidade da inexistência, os suspiros lamentosos de uma cria ensaguentada, o uivo de um vulto esbranquiçado que se esquece de soprar e vive para me ver chorar. Eu quero matar para não morrer, embora ao fazê-lo estou também eu já morta, se é que alguma vez vivi. Quero? A vontade é-me estranha, por vezes perco-a, alimento-me da dos outros, renego os sentidos e deixo-me absorver pela manifestação física do corpo. Confusão? Não. Perfeição. Na noite, a vida torna-se morte. E apraz-me, seduz-me a ideia de inexistência mantida por breves longos momentos, como se algo de dentro de mim deixasse de ser, como se o ar deixasse de me entrar nos pulmões, um sussurro, um arfar, um momento breve, longo, rápido, lento, frio, morno, um coração...qual? Um, dois, nenhum, será preciso o coração?Já ninguém o usa. O perfume intoxicante começa a fazer efeito, vejo tudo de uma cor nova, é tudo feito de um amarelo gelado...e eu voltei a abrir os olhos. Que vejo eu? Tudo. Nada.O gelo do amarelo. Que vês? Não responde. Não vê? Não quer ver. Não sinto. Não o sinto. Perdida. Entretanto volta, mas a cor essa mudou. Já não gosto dela. Tanto entre ela e eu que já me esqueci de que cor é o amarelo gelado.

segunda-feira, abril 24, 2006

Parabéns meu Anjo

E há dias em que me sinto positivamente feliz, sem medos, como se a sombra já lá fosse longe e me tivesse desprendido para eu poder enfim respirar, voar, desmaterializar! Fim do desabafo... Mas o que me leva hoje a escrever não é uma sombra, é um anjo, um anjo que como todos os anjos, caiu, mas que cedo se ergueu. Ele sabe que é um anjo, ja lho disse, mas ainda não tinha partilhado. A queda dos anjos é algo fundamental e miraculoso: um estrondo, uma cratera manifesta-se na escura e fria terra, um jacto de luz, e um homem, ja não é anjo porque as asas cairam, desintegraram-se, e voltam a nascer em breve rápida e docemente. Eu já vi um anjo a cair, mas melhor que isso, vi-o a voar, e um anjo quando voa é algo de maravilhoso, tão ou mais maravilhoso do que todas as belezas deste universo. Não chorar, não baixar os braços, lutar, lutar, é esta a mensagem que lanço ao mundo dos homens, é esta a mensagem que te deixo este dia tão feliz, que eu quero que seja feliz para ti, memorável, digno de recordação, de celebração! Oh meu anjo querido se tiveres que cair de novo, chama pela tua aurora, grita pela Humanidade, diz o que tens a dizer, esgota as tuas forças, queima as folhas de papel, lava a tua alma, anda pelo teu caminho...porque tens um mesmo à tua frente, só tens que o descobrir por entre os arvoredos. Se nada disto te apaziguar sussura-me que eu apareço, choras no meu ombro, mas por pouco tempo, porque quero ver-te sorrir, sempre, hoje, amanhã e por todos os aniversários da tua vida! **Feliz vigésimo primeiro aniversário** (a imagem escolhida não é descabida de todo)

quarta-feira, abril 19, 2006

Enquanto puder

"This is the end... my dear friend..." já dizia Jim Morrison numa das suas noites de criação, noites altas, enfumaradas e alcoolizadas, noites de inspiração, de sonhos, de voos mais altos do que aquilo que as asas muitas vezes nos permitem alcançar. Quanto mais voamos, mais vivos nos sentimos, as crias ganham essência e independência, caiem do nosso regaço, ganham forma e libertam-se de nós, é agora delas a vez de voar. Todos temos a isso direito, não nos deve ser negado, não nos deve ser tirado.Porque pior do que não ter é deixar de ter, não há nada de pior para o Homem do que ter algo, e no momento seguinte perdê-lo. O sentimento de perda é das piores coisas de que tenho ideia, escrevo por experiência própria, porque mentir e escrever não é uma combinação saudável, embora como já dissesse Pessoa:" O poeta é um fingidor", talvez no fundo não seja só o poeta aquele que finge, o poeta somos todos. Todos nós somos poetas mal ou bem, todos nós sentimos, por isso de poetas todos temos um pouco, tal como de loucos. Mas não confundamos os conceitos, o poeta é quele que sente as palavras a brotar de dentro de si, acorda de noite para apontar duas ou três linhas que se vão transformar, ou não, que ficaram guardadas como que fósseis se à espera de serem encontrados por debaixo da terra e mostrar ao mundo todo o seu esplendor. Comecei o texto com dois versos ou uma linha (consoante a métrica a adoptar) de Jim Morrison porque ele era um poeta e um louco e por ser isto não tenho dúvidas de que ele sentia (todos nós sentimos), mas Jim sentia aquilo que o mundo não o deixava espelhar. Usou a excentricidade e as modas da época (algumas que ele ditou), para revelar o seu interior, interior esse que mesmo assim se mantém preservado numa concha (outro fóssil). Jim incendiava, encadeava, renascia, bebia da vida os líquidos funestos, poetizava. E se as asas gritam "És louca!", eu respondo "Enquanto puder..."

segunda-feira, abril 17, 2006

2006 vai já no seu quarto mês e só agora surge algo de refrescante nas salas portuguesas. Spike Lee é o culpado desta proeza, diga-se de passagem porque este não é mais um filme de mindgames (obrigado Pedro por essa), de twists, e intrigas policiais.Não senhor. Inside man ou Infiltrado como preferirem é uma comédia...a meu ver com laivos de triller e joguinhos(psicológicos...).Comédia porque não esxiste um diálogo nesta obra que não seja inteligente, não existe um diálogo que não nos faça rir, e não há um diálogo que não seja provavelmente indicador de algo. O mesmo se aplica a cenas, acções (por mais pequenas que sejam), cenários, pormenores, enfim tudo o que se possa imaginar. A cena de abertura é genial e de facto está lá tudo, claro que o público (que nunca é estúpido) só se apercebe disso no fim, ao som da voz de Clive Owen (voz colocada e calma como convém a um assaltante de bancos) que se repete mas agora com uma linha de entendimento que o público (aquele que não é estúpido) já pode seguir e fá-lo inevitavelmente. É sem dúvida um filme de interpretações, o incontornável Denzel Washington brilha inescapavelmente nesta obra, ofuscado em momento pelo não menos brilhante Clive Owen e pela sempre correcta e implacável Jodie Foster (como lhe ficam bem papéis de Senhora poderosa!), ah e Christopher Plummer embora um pouco "apagado" também dá as suas cartadas. Ainda relativamnete ao elenco uma pequeno achega...num papel secundariozíssimo temos Willem Daffoe...mas porque é que sempre que eu vejo este homem o imagino com uma coroa de espinhos??!! Mas deixando esta parte de lado, falemos de música de fundo, a película brilha magestralmente aos acordes de sons meio árabes e hip-hop (uma misturada que resulta na perfeição), contrastados com sons "à la Hollywood" de suspense. O tema de fundo que à partida é um assalto, à partida repito, tarnsforma-se numa incursão numa América (ainda) pós 11 de Setembro "we never forget", movida por forças exteriores a ela e que sobrevive graças a elas, essas forças são pessoas diferentes, mas pessoas que podem ser ladrões ou reféns...e as canetas podem ser preciosas durante 30 minutos.... Uma reflexão sobre os conflitos raciais de um país que os promove recriminado-os e os recrimina promovendo-os..uma e outra não são a mesma coisa! Ah e não esquecer que profissionais de alta qualidade e que escolhem cuidadosamente as palavras que usam, só abandonam o local de trabalho quando o trabalho está feito.Done.

sábado, abril 15, 2006

A beleza ao nascer do dia

...e eu não me lembro do meu nome. Vivo porque escuto o bater do coração, essa preciosíssima caixa de música (in)quebrável, essa melodia para ouvidos meus, essa calma... ...e eu não... E o rio segue o caminho lenta e sanguinariamente, enquanto rasga a terra profunda e esquecida. E eu sigo o rio por pensar que ele me leva onde quero ir, mas não...ele sem querer sabe para onde vai, eu querendo não sei para onde sou levada. Quero ser vermelho e banhar de sangue as caras feias do mundo, incomodar as almas dos melévolos, aliviar a dor dos que sofrem em silêncio(porque em silêncio não se faz sofrer mais ninguém). ... me lembro do meu nome... Quero ser como ela, morrer a tempo de me ver (re) nascer, quero arder...melhor quero que me vejam arder e (re) erguer-me das cinzas ardidas que alguma coisa purificaram. Quero ser tela, sentir o artista a vislumbrar-me por entre as linhas do pano branco, ver-me em noites acordado porque o enfeitiço, o confundo, o transtorno, o satisfaço. Quero ser manhã e amanhecer na beleza dos sentidos, na exactidão dos raios de Sol, no amarelo da aguarela que ao se misturar com água se amantiza com o toque e se esvai sofregamente. Quero esgotar-me, sentir exaustão, e continuar porque esgotamento e exaustão acalmam. ...e eu não me lembro do meu... Esquecer.Esquecido. Esquecimento.Esquecida.Esquecidamente. ...nome...que chamam, que não é meu, que não sou eu, que sou outro que choro por dentro (em silêncio)...porque toda a beleza tem um fim.

domingo, abril 09, 2006

Operação coelhinho da Páscoa (continuação)

- Daqui gatinha do matagal escuto! - Branca de neve agente 277 escuto. Aguardo coordenadas superiores para começar a busca, escuto. - As coordenadas são: descida de rampa a velocidade bastante moderada a fim de visualizar o veículo suspeito de matrícula shsksskshssksksdhh.... (interferencia) - Escuto, mensagem mal recebida, abortar missão? - Abortar missão (era então não era?), fora de questão, as ordens foram bem claras, procurar até à exaustão, não vá o suspeito contactar com o inimigo, escuto. - Escuto, fico então a aguradar novas coordenadas, só mudo de turno às 4 da manhã até lá há muitos mapas a analisar e situações a prever, over and out. À vontade, gatinha do matagal agente 278, over and out!

sábado, abril 08, 2006

"...a tua alma alegre que patina no meu vapor..."

Existem dias que nascem só para nos enriquecerem, ontem fui muito rica para a cama(que de si não é nada de especial: apenas o facto de ser a minha cama). Sabia lá eu que o encontro com uma pessoa (conhecida há tantas eternidades, que relógios comprados não serviam para contar todos os segundos), ela emprestou-me um livro que a partir de agora fica retido na minha memória por todo o devir, a obra chama-se No dia em fugimos tu não estavas em casa da autoria de Fernando Alvim...esse Senhor! Sempre engracei com o rapaz, com o seu humor fora dos parâmetros, o seu cabelo algo desalinhado e estranho (convenhamos), as suas piadas que parecm fugir aos cânones do bom gosto mas que intimamente fazem rir o nosso âmago, mas desconhecia redondamente, ou será quadradamente(?) esta sua faceta pura e vivida. "Quero que saibas que a minha paixão por ti é orfã de pai e de mãe mas vive feliz na casa do Gaiato." F. Alvim Ai pessoa que me deu o livro a ler...Bem hajas, apetece-me dizer-te mil e duas coisas mas as palavras às vezes são assim marotas e parecem ter vontade própria fugindo da ponta dos nossos dedos escondendo-se nas membranas dos hemisférios do nosso cérebro...há que aguardá-las e zás usá-las e usá-las, sim porque não acredito em escrita por pré esquematização, a escrita surge, do nada e do tudo, podemos sentar-nos à frente de uma folha branca sem ideia alguma, e no segundo que se segue imediatamente, termos tantas ideias capazes de nos dar uma valente senhora dor de cabeça, e aí é mau, é árduo conciliar beleza a organização...quando isso acontece é respirar fundo e contrariar as palavras, fazermo-nos de difíceis e saber dizer "Não!"...elas gostam disso!!(private joke) Claro que não podia deixar de mencionar os 2 Cd's desse filósofo optimista céptico dos nossos tempos...ouvir aquilo que já sabemos em composições haroniosas ritmadas e esgalhadas (adoro esta palavra) com rimas e vogais que só um Deus musical poderia criar! Sim ele é um Deus! Mais uma vez o meu muito obrigada. Tu minha linda pessoa, és isso mesmo linda, forte e senhora de sim mesmo, tens planos, sonhos, medos e manias, tudo isto faz de ti um ser único (ok cada ser humano é único) mas a tua unicidade não se resume a caracteristicas estereotipadas que nos habituamos a realizar mentalmente e a escrever mecanicamente nos profile comments do Hi 5..do you know what I mean?? Se agora é um momento menos bom, o que acho que está verdaeiramente no final dos seus dias, "enquanto houver estrada para andar", tu só tens que seguir um caminho seja ele qual for,"...sempre em frente não se pode ir muito longe..." seja qual for o resultado que daí nasça, pensa assim: tudo tem um propósito(cada dia penso e acredito mais nisso), talvez tenhas algo de grandioso à tua espera, aqui ou ali, ali ou acolá, se tiver que ser lá a vida encaminhar-se-á de te lá levar, tal como o vento leva o pólen de uma flor para a outra sem fazer qualquer tipo de perguntas sobre a paternidade do rebento ou sequer se ele tem condições para a sustentar! O vento sabe por onde seguir, ninguém lhe diz nada, tu não precisas que ninguém te diga nada, segue, faz isso...já diz o outro "viver todos os dias cansa", se o faz é porque não vive, limita-se a estar e isso cansa porque não te chega! (citações de Fernando Alvim, Jorge Palma, Pedro Paixão e Saint Exupèry)

segunda-feira, abril 03, 2006

Paragem no tempo

...o som ritmado ao compasso do bater do coração que bate, bate, cada ves mais e mais depressa. Conegues ouvi-lo? Retém a respiração, retém, retém...suspira, o olhar que se se fecha, o movimento que se repete, o rodopio de luzes apagadas, pára. Recomeça e pára, esvai-se e pára de novo. O cheiro que se entranha na pele como se dela nunca tivesse saído e que teima em não desaparecer, o cheiro que fica e que recorda...ah como o faz tão bem. O toque pausado, e suave, que se contrai e foge, escorre e harmoniza. ...eu sei que voo para cair, e que caio para voar, que me calo para cantar, que canto para me calar ( canto quando estou feliz, e estou feliz quando canto), espero para ter, e tenho para esperar, ouço para (re) agir, e (re)ajo para ouvir, dou para receber, e recebo para dar, dou para ver a felicidade nos olhos do outro e saber que sim, ele sopra-me nas pálpebras no vazio( private joke, can't help it)...e saber, tenho um plano maior do que viver. ...o início, é bom começar pelo início, parece já tão longíquo...tão vago, tão bem amado... ...os planos, as horas, os minutos, os segundos...tic-tac,tic-tac..já nenhum efeito tem. ...o meio, o momento, a adoração, a alegria da hora chegada, o silêncio que tudo diz... ...o azul do céu e do mar, a inconstância do corpo, a calma aparente, o respeito, o valor... ...o fim, não até nunca mais, e pensar... Não quero pensar, quero ficar inconsciente, quero que este seja o último dia em que penso, ou pelo menos o último em que ultimo este penasamento. Confusão? Algo entre... Entre algo... Acreditar... Eu acredito, sim todos os dias, ao entrar em casa.