sábado, outubro 11, 2008

tatuagem

A Mafalda Veiga tem uma canção com este nome, estive a escutar e digamos que não percebi a ligação do tema ao poema em si, prossigamos. Aliás, e voltando à Mafalda, ela sempre me fez alguma confusão, acho-a um bocado André Sardet, as músicas são giras mas não são sempre iguais? É impressão minha, ou ouvimos uma e ficamos a conhecer todo o álbum... É como o Jack Johnson no fundo. Mas a estória da minha tatuagem, venho partilhá-la com os demais. Sempre foi um desejo desta miúda, sempre fui uma "gaja das artes", a sonhadora, e achei que por isso deveria ter uma obra de arte para sempre comigo. Não ligo muito à questão histórico-cultural da arte de pintar o corpo, quem me conhece sabe que sou fútil, e que sendo do signo Balança (que às vezes tantos dissabores me trás) também gosto de tudo o que tem a ver com a estética, sou uma esteta, sou uma Oscar Wilde, dandy, palerma e muito convencida, não me considero homossexual, porém acho a Angelina bem fofinha ( quem não a achar que atire a primeira pedra ou faça a sua primeira tatuagem)! Dois anos atrás mencionei que queria fazer uma tatuagem, “ah isto passa-lhe! Não a devíamos ter levado ao Sudoeste!”, pois não passou, estudei a História da tatuagem, as origens, os desenhos mais comuns, os símbolos e ficou sempre coladinha a mim a ideia, mas o mundo não se faz de ideias, faz-se de acções, sabia até o que queria: A Fénix! Na altura desenhei uma, de asas abertas como se se estivesse a preparar para o seu último voo antes de rensacer das cinzas. O fogo era importante. O Renascimento também. Mas só este ano a vontade se reacendeu, acordei uma manhã, liguei a uma jovem, e disse-lhe vamos a isso, alguns telefonemas depois, alguns conselhos e fui ao Bairro Alto. Fui muito mal tratada, a dona da loja assim que viu o que queria pensou “coitadinha” mandou-me ir ver uns quantos catálogos para tirar umas ideias, porque aquilo que eu queria…”o corpo é uma superfície pouco lisa, isso tornar-se-á apenas numa mancha“, entretanto a ave de asas abertas mudou para uma ave de asas tão abertas que se tocavam formando um círculo (quase) perfeito…e como queria um círculo porque a vida faz-se de círculos e tudo o que é importante podemos colocar dentro de formas circulares…onde ia eu, ah pois fui ver catálogos! Encontrei uma coisa gira e simples, não gosto nem de uma nem da outra palavra mas aqui tem a sua importância: uma andorinha a voar em direcção oposta ao sol, apaixonei-me e eu sou assim, quando me apaixono esqueço o resto, digamos que é uma pequena falha na minha personalidade felina e digo-o do fundo do meu coração! Regressei no dia seguinte de costinhas preparadas, e o meu tatuador estiloso que fez todo o trabalho de boina na cabeça, mostrou-me a obra de arte, quase chorei, estava perfeito, de facto um artista é alguém especial e é isso o que as pessoas não percebem na arte de tatuar, se é para a vida tem de ser perfeito, íntimo, profundo e Belo, mencionei que sou uma esteta certo? Ele tornou a minha Fénix numa ave naturalista, fez-lhe uma cauda trascendental, manteve o corpo tal como lhe pedi, e fez o sol, porque eu queria um círculo algures, mãos à obra...et voilà quando movo as costas ela parece ganhar vida e voar! Não pensei na dor sequer por um segundo, a dor nunca me deteve, é estranho dizer isto, mas normalmente o nosso primeiro instinto é fugir à dor, ao tatuarmos estamos a ir de encontro à dor, é de facto um paradoxo, mas sendo a obra de arte uma coisa tão desejada, sentimos cada picada como se de uma abelha se tratasse, e a cada picada sentimo-nos mais perto do traço final, do últimos preenchimento e quase que nos esquecemos que as melhores coisas custam a conquistar! A agulha começou a picar a minha coluna, não dói muito o contacto com os ossos, a mim doeu-me mais nas partes “mais molinhas“, estava virada para um rapaz que estava a tatuar algo no topo das costas entre as omoplatas, e comecei a notar na estética daquele espaço, senti-me numa daquelas barbearias à antiga, com azulejos pretos e brancos, muitas fotos de motards, tudo meio surrealista e kitsch, fotos de santas como no videoclip do Believe in me do Lenny Kravitz, o arcanjo Miguel, a Betty Page, o Diabo e Deus lado a lado, e comecei a sentir-me mal, deixei de sentir basicamente e apaguei…pois desmaiei, não de dor, mas o meu organismo reage assim a agulhas, sejam elas para tirar umas gotas de sangue ou para tatuar uma fénix, lá acordei quando fui esbofeteada pelo tatuador que teve a amabilidade de me dizer que recomeçavamos quando eu quisesse, a dona da loja ofereceu-me caramelos e ainda conversámos sobre a mala que eu levava e de que ela gostou muito, “é de Londres” “ah vou lá esta Quinta feira, mas já não é o que era, já não há Punks…há 15 anos era outra coisa!”, como veêm as mulheres têm sempre alguma coisa de que falar.
A tatuagem continuou, a dor perfeitamente suportável, levou-me umas duas horas e fazer de mim uma gaiola para a minha ave mitológica! Saí da loja feliz, volto a dizer que o valor simbólico não é para mim o mais importante, só o é na medida em que simboliza algo que só partilho com quem mais quero partilhar, se gosto da Fénix por saber que faz apenas parte da minha imaginação e que gosto de pensar que poderia renascer das cinzas sempre que morresse, sim é algo por aí, se consigo sonhar com isso porque não fazer do sonho uma realidade física?! Ele, o tatuador disse-me “tens a noção que esta é a primeira mas não ser a última?”, sorri. De momento não tenho mais nenhum sonho a tornar realidade, pelo menos não no meu corpo, os sonhos que tenho estão todos em marcha mas fora do corpo porque é dele que saiem, de todos os poros, de todos os actos, de todas as vontades, de todos os segundos não calculados, de todas as amarras libertas, de todas as palavras que digo, sinto, explico e concretizo, se penso nisso, sim, mas ainda não tenho motivo, tenho porém o local do corpo que será brindado!
Tatuador: Alberto Freitas Loja: Bad Bones Desenho: Fénix

quinta-feira, outubro 09, 2008

:) O feliz mundo em que eu vivo feliz :)

Vivo num mundo estranho, e diabos me levem em como não o trocava por outra coisa qualquer, e isto porque:
No outro dia ia no metro e vi que um cego (acho a palavra "invisual" seca e pouco harmoniosa), notei (sim eu vejo bem) que ele ia bater no separador entre as duas passadeiras dos tapetes rolantes na estação do Marquês de Pombal, ajudei-o a não ir de encontro ao mesmo, e puxei-o para o lado certo do tapete e lá foi ele na direcção Baixa-Chiado. Lá foi ele o caminho todo a dizer “Filha da puta!” era eu?
Que eu saiba a minha mãe nunca…enfim ele também não poderia dizer que tinha visto alguma coisa. Mas também gosto deste mundo porque descobri que passam programas e concursos muito levados da breca na Mtv, ok são mesmo parvos mas vá acho que a malta que participa é feliz e se as pessoas forem felizes a fazerem aquilo de que gostam é meio caminho andado para fazer do mundo em que eu vivo um mundo em que gosto de habitar, e se as mesmas pessoas ficarem felizes por verem que os outros lutam por algo, bem é ouro sobre azul, ou sobre vermelho, ou sobre mim, ouro em mim com padrão tigre (divagação das minhas).
Há de tudo, mães a pensar que são como as filhas, míudos com detectores de sémen no quarto de estranhos, há uma rapariga que está com dúvidas quanto à sua orientação sexual, tem nome de bebida alcoólica e ora anda com esta e com aquele, não exactamente por esta ordem nem sequer em tempos diferentes. Sei também que alguém deixou o Angélico Vieira lançar a sua carreira com um grande álbum que é já disco de Ouro, sim há pessoas que compram, aí umas milhares, mas também com versos lindíssimos como “Caem várias flores no meu jardim,/ algumas delas até bem bonitas,/ mas existe uma em especial,/ que eu quero só para mim” portanto ele quer uma flor só para ele?? O Angélico Vieira é feliz, está infeliz porque a flor que ele quer mandou-o à fava, mas é feliz porque lançou um álbum à custa disso!
Mas há mais, coisa bem profunda a que se segue: “É engraçado como a vida nos prega partidas, /quanto mais fortes pensamos que somos, caímos em aramadilhas” tchii isto digam o que disserem é digno de nobel da Literatura, estou até meio atordoada, e olhem que gosto de Espanca, e Shakespeare, e Wilde, mas ele vaí mais adiante, segue-se a introdução de vocábulos ingleses: “No problem, não preocupações” como é que ninguém tinha ainda escrito uma coisa assim, e o poeta prossegue: “ Cruzei-me com um girassol, colocou o meu coração num beco sem saída” Meu Deus a metáfora poderosíssima. De facto deviam bater-me com um pau na cabeça, atirarem-me de um nono andar, ir lá abaixo ter comigo e espetar uma faca enferrujada na barriga aí umas 14, 15 vezes, porque há gente feliz a fazerem coisas assim,e porque por mais que eu viva nunca vou conseguir ler algo tão bonito e estúpido como isto, but I kinda like it...porque o Angélico Vieira é feliz e eu cá comprazo-me com a felicidade dos outros. O mundo vivido por mim é o mundo que a única coisa de decente que consigo ver na Tv são as biografias dos psico e sociopatas que passam no Biography channel, o Miami Ink no People & arts e o Shameless na Sic Radical que dá quando calha! O mundo em que eu vivo é um mundo bonito, cheio de cor, abandonado pelo Verão, mas com um convite deliciso ao Outono, uma ida semanal ao Japa do Campo Pequeno, passeios junto ao mar, sorrisos largados com inocência, continuo a comer gelados, estou entusiasmada com os novos passos, tenho saudades de pão com chouriço com leite com chocolate da Ucal, Gostava de ver o espectáculo Cavália, porque gosto de cavalos... basicamente é por isso, e porque Cavália faz-me lembrar Portugália e comem-se bons bifes por lá e eu nunca digo não à carne, por mais que me digam para resistir! Neste momento tenho planos que estou a colocar em acção, o portofólio está a ganhar forma, e eu fico Happy por me estar a tornar uma Happy woman, já tenho a minha tatuagem, já vi o Some like it hot, sim eu fui a pessoa que ao tatuar tinha como companhia a Betty Page nua do lado direito, e a Marylin não menos nua do outro, bem e não me importei muito, ah e estava a ouvir Elvis e o seu Suspicious minds (my fav)! O mundo em que eu vivo é aquele que eu quero que seja, cheio de scones com manteiga, pessoas sem piada com a mania, pessoas simples e que me agradam ferozmente, coisas dispersas, viver até que é giro, até que faz sentido!
Gosto de ser assim, gosto de me sentir feliz, gosto de saber que fui feita para fazer algo grande!
obs: o uso abusivo do vocábulo "feliz" não é um acaso literário de uma mente fraca e redundante

quarta-feira, agosto 13, 2008

Sombra pesada

Sinto cada minuto como um presente escondido. Procurar deixou de ser uma necessidade. Hoje sei que a imagem produzida pela luz da manhã, da tarde, da noite aprisionada pelas persianas, pelas frechas das janelas, pelos vidros embaciados, são a imagem de um acto que nada de vivo tem, é todo ele animal e que se prolonga para lá das linhas das plataformas sensoriais. Hoje percebo que o som dos violinos que tanto adoro e que escuto quando o vento assobia quando estou à porta de casa, é frio e forte ao contrário de ti que eras quente mas tão mais forte e me aquecias o coração, dilaceravas a carne fazendo os poros dilatar, a mente ousar. Está a doer? Sim. Queres parar? Não. Embora a luz da manhã tentasse entrar naquele quarto, não te vi a maior parte do tempo, mas trocava o nada pelo pouco, trocava a ausência pela presença da tua sombra pesada a pairar sobre mim. A mesma sombra pesada e ausente que ainda me sufoca, que me agarra e me vira, a sombra que se torna numa benção amaldiçoada, um toque ritmado ao compasso binário do bater dos dois corações que quase se esquecem de que mais não têm de fazer que empurrar sangue, deixá-lo entrar e deixá-lo sair. E nesse momento senti no fundo do meu corpo que os sonhos se podem mesmo realizar, os sonhos podem mesmo juntar vontades e cumprir todo um desejo. Já não há vontade de ver um reflexo, parece ter-se esvaído, é como usar alguém com todo o carinho que um acto de luxúria permitir, é como descer até lá abaixo, tão fundo como se o centro da terra ficasse debaixo daquele colchão, e sinto-me em pleno poder para dizer adeus a todo o mal do mundo, porque acordo sempre, e sempre desejo estar ao pé de ti, se não vir os meus cabelos perseguidos pela tua boca.
.....porque "as sombras são tão importantes como a luz"

Percurso

Apeteceu-me um passeio. Escolhi o meu blog. É estranho aperceber-me que sou a mesma sem o ser, de onde comecei, por onde andei e onde fui desmbocar, é estranho, sinto-me estranha. Quando escolhi este percurso, imaginava uma vida rebobinada em câmara lenta, cheia de anotações à margem, com repetições, analepses, pedidos de ajuda, finais felizes para cada uma das personagens, agora volto ao percurso e percebo que a "vida dá muita volta" e sim "o mundo é pequeno" (ou do tamanho de um bidé). Escolho seguir outro percurso, o blog seguirá pelo mesmo caminho, sem atalhos, sem sinais de proibido, sem perder tempo, ganhando tempo, roubando-o se preciso às parcas. Há um leque que se abre bem frente a mim, um rio de perspectivas que fluem montanha abaixo e eu pendo da mesma montanha, balaçando ao vento, brincando aos deuses, com vontade de cair a ver se sou agarrada. É suposto ser assim? É suposto ter pensamentos de grandeza, abdicar do que nos é ofertado e desejar o que de nós nos é afastado, será essa a beleza? A vontade de roubar, recusar, tocar e fugir. Sempre me achei uma insatisfeita, nunca nada me chegou, hoje mais que nunca, quero mais e mais por saber que estou longe e mais longe, e irei para mais longe ainda, se preciso. Ontem disseram-me que não tenho nada. É verdade, não tenho nada, posso arriscar tudo. É mesmo isso, não tenho nada.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Faz um ano...

"Faz um ano" era eu uma pessoa diferente.
"Faz um ano" morava em Londres, ou pelo menos gostava da ideia de "morada" em Londres, fazia vida de residente, acordava cedo, calçava as pantufas e ia comprar o jornal e o pão... lá este tipo de coisas fazia sentido.
"Faz um ano" estava a conhecer uma nova amiga, trocávamos "emílios" extensos que criávamos para que o tempo passasse ( eu eu agora até que gostava que ele tivesse parado), percebíamos a cada frase que líamos que já nos devíamos ter conhecido noutra linha paralela qualquer, entendiamo-nos sem esforço algum, os vocábulos encontravam-se simplesmente nas sinédoques cerebrais, sabíamos que ainda tínhamos um ano para nos conhecer melhor...mal sabíamos que só íamos precisar de um mês, uma ida ao cinema na qual nos divertiríamos que nem duas perdidas por causa de uma incursão no fabuloso mundo da caça, eu de luva de cabedal e de máquina fotográfica em punho pronta a assustar qualquer perdiz desgovernada!
O ano passado por esta altura queria lá ficar, atrasei ao máximo a inscrição na faculdade, "tenho tanto tempo" pensei eu.
Volvido um ano, sei que a máquina que faz avançar os segundos não pára sequer para descansar, que o vento do Inverno instala-se sem por isso nos darmos conta, volvido um ano aprecio um final de tarde na praia, uma sesta debaixo de uma árvore, uma onda que me assusta e me surpreende de costas deitada na areia quente, um pêssego peludo e fresco acabado de lavar e que chega à boca frio, doce e molhado, um bloco de notas abandonado ao pé da cesta de verga, aprecio o "não aguentar ficar muito tempo deitada na toalha", um ano volvido sei que só vivemos enquanto o coração bate.
Volvido um ano, percebo que tudo isto faz parte.
As idas e os regressos cansados no lugar do pendura com a cabeça encostada à janela aberta e os cabelos a esvoaçar à velocidade do carro, as consultas, os exames, os diagnósticos, as ausências, o cheiro a desinfectante, as batas brancas, "as boas notícias", os aventais azuis, a marquesa (eu tinha de ter alguma pompa real no meio disto tudo), a palavra "biopsia", a palavra "quimio" (ainda que tímida) assustadora e sem possibilidade de verbalizar, a aceitação, a alegria das conquistas, os suspiros pelas derrotas, o telefonema da médica que disse que só o faria se os exames acusassem algo de errado e perigoso, o telefone que tocou, o soco na barriga: a voz doce e simpática do outro lado a dizer "é só para saber como vai a Leila!", as palavras reconfortantes, a necessidade de solidão para me encontrar comigo mesma... só para não me perder, as noites mal dormidas, os livros que ficaram por ler, os filmes por ver, a falta de objectivos, porque o objectivo é viver, os sorrisos nas fotos para que não façam muitas perguntas, a descaracterização da persona grata, a dificuldade de expressão, os planos adiados, o "não atender" por não saber o que dizer, o desconhecimento das causas, o deixar de pensar "não é justo", a necessidade de fazer birras porque achava mesmo que aquilo era azul esverdeado e não verde azulado, a desconcentração, faz tudo parte de um processo de aprendizagem.
E o resto, é cicatrizar uma ferida ausente para os demais, é sorrir sempre porque se sorrirmos ninguém nos faz perguntas dificeis, é pensar no futuro mesmo sabendo que nada posso fazer para alterar o passado, é acreditar que a paz de alma começa dentro de mim. O resto é acreditar que não tenho nada, que já passou, que já posso aprender a nadar, que tenho de ter cuidado com os doces, que com anemia não se brinca, que "a parvinha" aprendeu a lição da mana mais velha, que o truque é não ter medo, que esse "come por dentro", e que só me falta perceber do que é que gosto, se é que já não sei de antemão.
O resto é saber que o dinheiro não importa e acaba até por estorvar porque fico sem vontade de o gastar, que gosto de casacos com padrão inglês, Weekend da Burberrys, óculos Dior, e carteira Furla, e que isso não faz de mim uma má ou boa pessoa, faz apenas a pessoa que sou, que gosta do material (como me disse alguém numa mesa de restaurante) porque esse me permite chegar ao meu espiritual.
Não não sou católica, sou mesmo caótica. Não arrumo o quarto faz dois meses, não encontro o meu diário que me foi oferecido pela amiga que fiz estava eu "de férias em casa", ainda não comecei a tomar as vitaminas, ainda não recomecei o tratamento, apetece-me ir a Veneza antes que se afunde, tenho de esvaziar a carteira que está cheia de papéis do multibanco.
Apetece-me ir à praia porque me negaram esse direito.
Apetece-me comer gelado de baunilha regado a molho de chocolate porque me proibiram.
Apetece-me andar muito porque me aconselharam a não o fazer para "que cicatrize mais depressa".
Apetece-me voltar a sítios os quais vislumbrei muito efemeramente, porque estava tão tão feliz, e quando assim estou esqueço-me de certas coisas.
Apetece-me ter coragem para lá não querer voltar.
Apetece-me abandonar uma ideia.
Apetece-me querer tudo porque só o Tudo parece ser impossível de alcançar.
Apetece-me desaparecer por aqui e por ali, aparecer ali e além.
Apetece-me ser eterna e estender esse meu estado aos momentos alegres.
Apetece-me que a minha mãe chegue nos próximos 5 minutos porque me ficou de trazer um gelado do café aqui ao lado de casa.
Enfim apetece-me
...e nem sinal da minha mãe e do dito gelado!
(a foto??...bem continuo a julgar-me uma princesa)

terça-feira, julho 15, 2008

O burro e a Virgem

Eis "Burro" o melhor amigo de...
" Maria", mais conhecida na vizinhança por "a mami do JC".
Segue-se a narrativa:
Vinha eu hoje feliz e contente da vida a caminho de casa com a minha mais nova aquisição o Bosch 1800 W modelo PHD5560 (leia-se "coisa potente e capaz de secar num ápice todas as cabeças da força militar infantil fundada por Angelina e Brad") e que noto eu? Esta potente máquina tem um botão que à partida é "cool" e faz uma coisa que é a "ionisation"...estão cismados hein?? Imaginem eu que o adquiri!! Mas este meu post não é sobre o meu novo brinquedo, não senhora, e sim tenho um problema com essa coisa que é "ser objectiva"...mas prosseguindo que isto tem um propósito e não me cortem o fio à meada, e sim Londres ficou mais triste agora que a deixei, e sim amanhã recomeço a trabalhar ah e não não aquele shampoo para cabelos castanhos é uma treta...voltando ao tema:
Vinha ainda eu (ainda) no metro... e vejo uma rapariga (uma moçoila proveniente ali dos lados das Olaias) a ser tratada pelo seu cônjugue com rédea curta, muito respeitinho e "um sopapo nessa fronha"...sim estou a citar! Já me aconteceram coisas giras nesta linha do metro, mas isto de facto nunca. Quis armar-me da minha 5560 e ionizar coolmente aquele indivíduo, mas um outro senhor não munido de nenhum electrodmésico adiantou-se e tomou conta da situação. Pensava que coisas assim já não aconteciam, sim a naive da Leila, sim há países em que a Mulher não pode caminhar à frente do seu marido, sim há mulheres que se submetem ao trabalho doméstico abdicando de sonhos e alegrias por uma vida a dois, sim há mulheres que preferem uma casa, uma anilha e um cãozinho ( e uma catreflada de filhos) que levam consigo ao Continente aos domingos de manhã) sim há essas mulheres todas, mas também que poderíamos nós querer? Somos frutos (ah eu sou uma ameixa) de uma sociedade e de uma cultura baseada numa religião mentirosa, assassina, ah e estúpida (não procurem consolo em Deus que ele está-se nas tintas para vocês e para o segredo de justiça, e também deve de comprar coisas no Ikea, e quem vai ao Ikea é parvo porque compra coisas baratas, por montar e que possuem uma curta (vá mínima) existência na Terra e nas nossas vidas).Ah querem uma estante para arrumar bibelots? Então é pegar no machado, arregaçar as mangas e cortar ali uma árvore na Tapada de Mafra, levar para casa e "monte você mesmo" (neste caso quem pegaria no machado era a moça de Olaias)...mas queria falar desta estúpida religião que vê na mulher uma Virgem (pois..."é o que todas dizem"), que tadita vai-me montada num burro a caminho de Jerusalem (leia-se "Jesus está além") ja embuxada (por uma pomba também ela bimba e "estúpida"...diria Pessoa), para casar com um tal de José que mais não é que carpinteiro (olhe não se meta no Ikea) e tudo o que lhe pode oferecer é Amor e uma cabana (literalmente)...ah e vá lá o mais avançado sistema de aquecimento central proporcionado por uma vaca (que pasta e dorme, dorme e pasta para fazer bom queijo) e um burro esse animal gracioso e que no fundo é um grande amigo! Esta é a mulher ideal da religião católica: uma parva (leia-se uma ténue analogia com o significado conferido à palavra que dá nome ao animal) vestida de azul, montada num burro que volta e meia surge a criancinhas em cima de uma árvore e que não se importa que as suas seguidoras apanhem dos cônjugues em pleno metro de Lisboa. Porque há problemas de maior, sei lá a fome em África e a falta de hospitais...mas sobre isso não se preocupem que enquanto a Santa Jolie viver não faltarão criancinhas que farão capas exclusivas de revistas por milhões de dólares...enquanto ela tiver forças África terá esperança! E pensar nas voltas que dei para mostrar apenas e somente a minha indignação. Não sou femininista, não isso é o meu Pai. Sou só Mulher. Viva a Angelina.

domingo, julho 06, 2008

Londres

dia 1: a chegada
Pois bem estou em Londres pela trigesima quinta vez (va talvez um numero um pouco menor..), a viagem foi muito rapida, vim num belo aviao TAP com o nome de Luisa Todi, um tal de voo 358 cujo piloto era tambem um acrobata dos ceus!
"E que fez ele?"- perguntam vossemeces
"Ui maravilhas!"- respondo eu!
Brindou-me com uma bela vista "de lado" porque o aviao decidiu que tinha de mudar de direccao e vi toda uma zona magnifica da capital assim meio para o atravessado, mas a noite caia, as luzes iluminavam e eu ia estarrecida, sentadinha a janela naquilo a que muitos chamam "os lugares dos malucos" (ou seja, the very last ones of the plane!).
Londres e a minha cidade, o meu mundo, a minha fonte de energia, se eu fosse um girassol Londres seria o meu "sol", se eu fosse uma rua seria Sloane Street, se eu fosse a algum lado ia a Londres, se eu tivesse de abandonar algum lugar de lagrimas de olhos, choraria por Londres, Londres e o meu porto seguro, e a minha Tara qual Scarlett O'Hara decidida a reconquistar o seu Rhett Butler, e o lugar que me acolhe quando lugares lusos me trazem a memoria coisas que prefiro esquecer, a vontade de partir...o medo de voltar.
Mas dizia eu que quase me perdia em divagacoes romanticamente exacerbadas: Vi o Big Ben and the Houses of parliament, Tower bridge, toda a zona financeira da capital, London eye com luzes fluorescentes, o Tamisa que me acenava corajosamente lambendo as suas varias pontes transbordantes de autocarros vermelhos que circulam por rotundas de tamanhho de caricas, e vi as luzes neon de Piccadilly...London is my Zion!
Fonte de cultura e diversidades, arrufos e memorias futuras, palacios frente a edificios colossais, e Harvey Nichols, motoristas de mau humor, muffin de chocolate servido por italianos simpaticos, sao conversas que se ouvem sobre doenca bipolar e tumores malignos, sao risos de criancas brancas e louras com impermeaveis amarelos (porque ca faz frio em Julho).
Londres e magia feita realidade, e em Londres que fica o flat que vou arrendar, o jardim nas traseiras onde vou ver os meus filhos crescer, e o balouco entre arvores onde os vou adormecer, e a vontade de ir mais alem, e a griff ao lado do pedinte de viola na mao entoando drogadamente "stairway to Heaven", Londres e onde me encontro sempre que me acho perdida, e a reconciliacao comigo mesma, e a inspiracao nascente na ponta dos dedos, no fio da navalha, nos rios de sangue que esvaziam o coracao e enchem a alma, nos anjos que olham para o outro lado, nas horas do dia feliz, no abracar de maos que deixamos de dar.
6 de Julho, Londres
(quanto a acentuacao, pouco posso fazer, os igleses nao os usam, e os teclados dos computadores nao fogem a regra)

sábado, julho 05, 2008

Gosto do Verão, gosto dele sim.

Gosto do Verão. O Verão é o momento da fruta fresca, molhada e sumarenta a escorrer na saliva dos sentidos. É tempo quente, em corpo húmido. Gosto do Verão. Gosto do som das crianças a brincar na rua até à hora de jantar, as mães à janela a gritar aos filhos que se metam na banheira. Gosto de me encostar na soleira da porta da varanda a respirar o ar quente vindo do sul, o vento nos cabelos, o arrepio da pele, a ausência do toque. Gosto da promessa que o Verão traz acorrentada, a da correria à beira mar, as promessas feitas em areia salgada de amar, a vontade de ver e falar, a decisão de fugir para não sentir... disso não gosto, mas é Verão. Gosto do Verão, do sabor a gelado de baunilha partilhado como quem revela um sonho, gosto de acreditar que a vida sendo curta é cheia e feita de momentos eternos, sim sinto-me eterna: eternizemos as manhãs laranjas de Verão, os quartos escuros, os lençois que não cobrem. Correr como quem adormece nos braços fortes de alguém, sonhar para apaziguar, descobrir as pequenas coisas, recordar as velhas, ah felicidade parva ganha com esforço e perdida num ápice, maldito remoinho verbal, e malditas palavras que não expressam sentimentos, apenas verdades invisíveis para quem não deseja ver, porque cegamente quer acreditar. Eu acreditei, acredito. Gosto do Verão. Gosto de chocolate frio, manteiga mole em pão fresco, gosto de olhar, olhar sempre, erradicar a fome, tocar a derme flutuante, saborear o cheiro humano, gosto do Verão. Gosto de trocar de roupa na praia, não usar a "parte de cima", fugir das ondas do mar porque a “água está gelada”, gosto de.... de pensar que a guerra terminou, que perdi a maioria das batalhas, que cortei, dilacerei e empalei seres odiosos, gosto de me ver sair vituriosa, subir ao Olimpo, acenar ao povo e descansar no leito marmóreo, e vê-lo chegar fingindo que durmo para ser falsamente acordada, secretamente desvendada, desalinhada, uma mão que se fecha, um tronco que se enche, um peito que inflama, uma luz subtil e esquecida, um suspiro profundo, um ritmo furtivamente calmo, a saudade que teima, a perda que aumenta, o ódio que não sinto, a verdade? Gosto do Verão, gosto dele sim. Um ciclo que se fecha. Uma princesa sem príncepe e que reclama pela sua aurora. Gosto do Verão, gosto dele sim.

quinta-feira, junho 26, 2008

Expiação em Dvd»»»»» FINALMENTE

Foi lançado finalmente o dvd do filme Atonement, na Fnac existem duas versões disponíveis, o filme em si ou então um pack que junta Atonement a Pride and prejudice, é de aproveitar, são duas linhdas maravilhas cinematográficas: do primeiro fica o vestido verde de Cecilia, do segundo a cena da passagem do tempo enquanto Elizabetr roda no baloiço!
( e já que é Verão aconselho como livro de cabeceira o romance de Ian McEwan)

A palavra mais bonita do mundo : "FOLGA"

e é assim que planeio passá-la!
...aliás, é assim que a estou a passar (qual plano qual quê!)

quarta-feira, junho 18, 2008

Escreveram-me isto

(...) mas acredito que a paz voltará a esse teu reino e em breve apreciarás novamente o nascer do sol pela janela do teu castelo, enquanto os raios de luz iluminam essa tua pena que tão bem sabe desenhar palavras. O meu muito obrigada senhor Nuno Luz também conhecido por Lucas

sexta-feira, junho 13, 2008

Fui eu a única a notar?

Aqui está o (bom do) Shia Laboeuf.....
e aqui está o Marlon Brando:
Fui ver o nosso bom e velho Indy, e tenho mil e uma coisas a dizer, mas como de momento não tenho tempo, (terei muito mais na semana qye vem!! eheheh), deixo só esta coisinha boa: o Shia surge no filme e eis o que me recordo Marlon Brando montado numa motinha, é que o Shia levava a boina e tudo, e o olhar de mauzão, e o motão a fazer VUM VUM, ai GOSTO!
Agora a questão que se impõe é a seguinte, terá sido isto escolha do moço, ou antes coordenadas do Senhor Spielberg...inclino-me mais para a segunda, é que desta vez o nosso realizador fez um grande TPC no que toca à reciclagem de ideias e visões de outros cineastas, aliás reciclou até a sua própria obra: "ET phone home!".
Na semana que vem escrevo mais sobre isto, sobre Sex and The city e o "buying labels, buying Love", sobre Dangerous liaissons e sobre quimioterapia...de facto isto é um blog onde há espaço para tudo.
Ah perguntam-me se tenho saudades?
A resposta é como a da avó do menino do Sexto sentido: "Todos os dias!"

quarta-feira, junho 11, 2008

A pedido de muitas (vá, algumas...) famílias (monoparentais)

"(...) uma das coisas que mais me lisonjeiam é um ataque vivo e bem feito, no qual tudo se sucede com ordem embora com rapidez, que não nos põe nunca naquela penosa confusão de termos nós próprias um desacerto de que ao contrário devíamos aproveitar; sabe manter o ar de violência até nas coisas que concedemos, e lisonjear com habilidade as nossas duas paixões favoritas: a glória da defesa e o prazer da derrota.(...)"
Carta de Madame de Merteuil a Valmont, Dangerous Liasions
A Princesa alterou os planos, não eles não se alteraram sózinhos, vendo-me tentada a optar pela desistência do trabalho de investigação sobre Tim Burton (por razões maiores, a saúde meus caros tem desses desígnios...)optei por um trabalho que me pareceu mais ligeiro, mas não por isso menos tentador e criativo: e que tal escrever sobre uma adaptação cinematográfica de um romance, o acima referido como devem calcular!
A Princesa está de volta, num novo reino, com uma nova carruagem, novos desejos e caprichos, muitos e muitos vestidos por estrear, leques para abanar, e a saúde quase restabelecida (a parte que ainda me denuncia é só mesmo perder o nascer do Sol e adormecer em locais públicos)...mais tarde, quando refelectir melhor sobre tudo falo do assunto e sobre a minha amiga "Kim"!

sábado, maio 17, 2008

Colisão

Lembram-se das frases iniciais do filme Crash de Paul Haggis??
Não não é o do Cronenberg!!
Recordo-vos então, são talvez as palavras que mais me marcaram nos últimos tempos (cinematograficamente falando): I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something. Tenho sempre a sensação de quetêm todos medo de toda a gente, e por isso fingimos para com os que conhecemos e somos verdadeiros para com os estranhos. O Amor desaparece. Tal como a brisa, e passa tal como ela, os atentos dançam com a brisa, apreciam a sua frescura e fragrância, e ela passa e eles não ficam tristes. Outra virá tão fresca como a passada, melhor se possível, nova e passageira, passageira porque insegura e enquanto insegura, provocadora. Gostamos tanto da brisa, que fechamos todas as portas, todas as janelas para que ela não escape. Mas ela escapa, ela escapa sempre, e nesta vida nada pode ser feito prisioneiro porque cada dia deve ser diferente, é bom entardecer de modo desigual a cada dia, é bom que cada manhã não seja a reprodução da anterior, é bom que os cabelos cresçam, que a fruta amadureça, que o mar se revolte, é bom querermos ser perfeitos...basta haver qualquer possibilidade de perfeição. E Reagir é errado, devíamos todos Responder. Reagir é repetir um padrão, fazer aquilo que nos foi feito. Responder é procurar novas formas, é dar aquilo que não se teve e que mais nos fez falta, é pensar no Hoje como o Momento e no Amanhã como uma impossibilidade. Reagir é usar o Passado como chave que abre portas com fechaduras já forçadas. Responder é destruir as portas e substitui-las por janelas sem grades. Por isso, e tomando de novo a frase, não tenham medo de chocar com pessoas, e não se esqueçam que vemos sempre aquilo que os outros estão a ver! Amem. Façam do Amor (que é uma Canção) uma verdadeira Dança!

quinta-feira, maio 15, 2008

ESCURIDÃO, ou ausência de Luz

Se para o Rei a frase de marca é "Elvis has left the building" aqui para a Princesa a frase que se impõe é : The Princess is back in town!
Bem sei que tenho deixado o meu blog, sem Luz, a mesma Luz que anuncio querer na mente de todos aqueles que respiram Cinema, mas a princesa das fitas de 8 mm está apta para sumarentos e caprichados comentários a tudo o que sirva de assunto: leia-se também a primeira página do 24 horas qur é capaz de produzir o mesmo efeito crítico.
O Tempo é uma coisa curiosa, o dito "cronos" pauta-nos a vida, ridiculariza as coisas mais importantes e impõe-se como ditador, quando devia de ser o oposto a acontecer.
Ou seja, de momento sofro de cronopendicite aguda, para nada tenho tempo e acabo por ter tempo para tudo, no fundo é uma coisa crónica que se cura com uns quantos placebos!
E por isso mesmo: prometo muito em breve novidades quentes e boas ( boas como os bolos da fábrica de Odivelas que papo em carros alheios aí por volta das 4 da manhã.."pla fresquinha")!
Quanto à arte cinéfila, convém não esquecer que já está entre nós Iron Man, chega entretanto o nosso bom e velho Indy, há ainda tempo para o Cavaleiro das trevas, e esta semana chega o dramalhão Reservation Road...ah e a 5 de Junho para as mais fúteis (Cof) o aguardadíssimo e "gossipadíssimo" Sex and the city...eu cá persisto na ideia...todas querem ser "Samantas" mas no fundo são todas uma cambada de "Charlottes"!
Mais coisas, ah o trabalho de investigação sobre Tim Burton...lá vai...ia a passo de caracol, mas o bicho levou agorinha uma injecção de red bull ganhou asas e voa já na minha mente em voltas e reviravoltas..é a questão do Tempo, arranja-se sempre que se quer!
Tal como diz o realizador numa entrevista:
The monster is supposed to die in a monster film right?
- Yeah bu they never die. It's part of the mythology that they do. But they are always coming back. They're always fighting.They fight through the system, the system of bland B- actors.
retirado de entrevista a Tim Burton em 91 sobre o seu fascínio por bestiários

segunda-feira, maio 05, 2008

Citação para falar da "pessoa"

::Citando::
Homem de que eu goste cobre-me no frio e vai à porta beijar-me quando saio de madrugada. Fala com paixão dos meu pés pequeninos, diz as palavras que eu gosto de dizer e está disposto a tudo para me ouvir gritar na cama. Homem de que eu goste nunca vai dizer "Cuidado, que te podem ouvir.", pelo contrário dirá antes: "Grita mais, que eu gosto. Para as caracteristicas físicas estou-me sinceramente nas tintas. Nem pernas boas, nem músculos, nem peitorais, nadinha disto tem cabimento na minha cabeça. Ou seja, ele até pode vir com isto tudo, mas vai ter de me apertar as coxas e rir-se das minhas estrias. Homem de que eu goste está-se a marimbar para que os outros pensem se é gay ou é do Benfica. (...) Nunca gostei de um homem com bigode, mas como posso negar à partida um bigodista que desconheço??Também nunca me senti atraída por nenhum louro de olhos azuis ("not my cup of tea" adciciona Leila), mas sei lá se o meu futuro será ao lado de um dos filhos de D. Duarte?? Homem de que eu goste não tem de ser de forma nenhuma, nem de estar em forma. Nem tem de ser preto ou branco, mas tem de ter raça. E coragem, porque o amor é sempre um acto de coragem. Quanto a conselhos a jornalista que se denomina "Cidália" - essa embaixadora dos clichés satisfatórios - diz: Era bom se procurássemos pessoas em vez de ideias em vez de continuarmos a perseguir ideais. Os ideais servem a todos os que encontram na impossibilidade o conforto. Lá está, existe a pessoa ideal, a "certa", "the one" qual Neo a ser seduzido pelo charme de Morpheus e do comprimido vermelho, aquela pessoa que possui todas as características, todas as boas vontades, todas as qualidades, que nos quer, e nos quer fazer feliz, que é bonita e inteligente, doce e preocupada... e depois há "a outra pessoa". Aquela pessoa. A que nos arrebatou sem mais nem menos, a que entrou sem pedir, a que nos tomou num início de tarde cálido, que pode ser tudo e nada, a que é o "Tudo" e nunca o "Nada". Não é a pessoa certa como se canta por aí, mas sim a pessoa de quem gostamos e não há nada a fazer, não há armas, textos confusos e madrugadores, comprimidos vermelhos, homens com óculos sem hastes que nos acudam, nem há certezas sobre absolutamente nada, há o agora, o momento, e a ideia de um passado recente. Sabemos apenas que precisamos dela e que dela não queremos prescindir, não não a pessoa não preenche "a lista", preenche outra coisa: o coração. Sim preenches-me o coração (e desculpa extravasar isto para o domínio bloguista), mas são 8 da manhã e sabes que a esta hora sou perigosa com as palavras.

sábado, maio 03, 2008

Um 'trendy' fica-me tão bem!

Justificação

Diz-lhes que a chama se extinguiu - por saberes que é agora mais forte que nunca- que o corpo deixou de lutar - por saberes que a luta só agora começou- e diz-lhes que és Estrela e não Universo, és margem e não rio, parte e não todo. Eternizemos o Ontem na cascata das memórias puras - que não são puras porque já estamos a pensar nelas e eu até já as estou a escrever, dá-me algo de real que eu possa explorar ou ignorar, dá-me e eu mostro-te tudo aquilo que já vi, dá-me algo que tenhas e não saibas e dá-me ainda tudo aquilo que te faz falta. Quanto tempo dura um momento fugaz? Um dia, um segundo, uma ausência...quanto mais simples, mais particular, quanto mais perto mais trascendente, e sempre no seu devido lugar, no seu lugar de sempre, no seu novo lugar, já não é o mesmo lugar, notaste? Mas não deixa de ser o seu lugar. Porque HOJE as palavras perdem o significado, fogem-me da boca habituada a pronunciar, se me perguntares porquê , não te preocupes porque eu calo-me. Sejamos parte do Todo, e não Todo, porque no Todo não há lugar para nós, e na parte ele está sempre à nossa espera, com ou sem palavras, com ou sem expectativas, com ou sem presença, é mais fácil perder-me numa casa que no Universo. De facto somos a Luz que viaja por entre os poros da malha da atmosfera. Diz-lhes que tens um coração sempre disposto, que a trizteza é coisa de velhos, que fazes sesta como peixes, que caminhas por entre searas em fins de tarde de Verão, sozinho contigo mesmo, tendo os assobios do vento como companheiros longíquos, diz-lhes que passas as pontas dos dedos pelas superfícies moles, que as absorves como língua quente e viva, repleta de sangue invisível, o mesmo sangue que corre nas veias das tuas mãos que estendes a alguém que não sabes se existe.
Escuta o som do silêncio, aprecia o bailado gratuito dos ramos de árvores, olha, olha sempre, que este mundo é feito de olhares, de palavras vãs ( e disso percebo eu bem), de momentos simples, de gelados de baunilha e bolos de chocolate, de vestidos rodados e normalidade feita folha de papel amachucada.
Sonho que durmo profundamente, e ao acordar percebo que ainda sonho- fecho os olhos - sinto o corpo que está em contacto com algo, adormeço, volto a sonhar, acordo depois do sono profundo e dou comigo a perceber que não me cheguei a deitar. E como não sei explicar ou justificar algumas coisas que faço, escondo-me por detrás disto: escrever ajuda-me a abrandar os meus pensamentos que querem ir de encontro aos meus sentimentos. Acho que não serve, que nada justifica, não chega eu sei, mas prometo crescer em breve.

quinta-feira, abril 24, 2008

And the blade never stops running

Corram às (poucas) salas, vejam, revejam, relembrem. Não deixem que os vossos sonhos se desfaçam como lágrimas na chuva!!

domingo, abril 13, 2008

I'm not there

I'm not he.
I'm not her.
São as frases de abertura do filme de Todd Haynes que se sucedem dando lugar à frase chave da obra: uma definição onírica do trabalho deste realizador, I'm not there. É estranho iniciar algo de modo negativo, seja numa frase ou numa atitude, mas esta obra faz-se assim, de negações sucessivas, e a palavra "not" é uma constante que se afirma (passo a antítese). Mas de que se trata este filme? Parece ser uma questão perfeitamente normal de se colocar e a resposta que me assalta agora que já pude reflectir sobre o que vi é de que se trata de uma ficção biográfica, ou seja, é a revelação de um artista de modo livre, pessoal e descomprometido, feito de retalhos e de possibilidades que nos são propostas cabendo-nos a nós aceitar, acreditar ou rejeitar. Aceitei-as a todas, pela sua comicidade, pela sua faceta transposta, e pela sua incisão profunda em temas com os quais também nós tantas vezes lidamos (mas sem os Beatles a bricar connosco, e sem a droga e sem os malditos paparazzis à nossa volta). Ora vejamos, nunca fui conhecedora credenciada da obra de Bob Dylan, mas agora sei que além de ser o cantor mais citado da História (não me parece que esteja a exceder na ideia) foi alguém que em vez de seguir uma linha, se reinventou consecutivamente, abandonando uma vida e abraçando outra, procurando encontrar algo se não melhor pelos menos libertador. Deste modo temos um Dylan estrela do rock eléctrico e uma mártir da mesma cena (numa outra interpretação), Dylan Profeta, Dylan poeta, Dylan Cristão novo, e um Dylan envelhecido e fora da lei. São todas as interpretações louváveis, destacando-se a de Cate Blanchet que por ser a que à partida teria a tarefa mais complicada, é na realidade a interpretação a nível físico que mais se aproxima da figura icónica deste artista, a mais cómica também e a mais destacada. A banda sonora transporta-nos para os lugares, os estados de alma e de corpo do cantor, são preciosas informações na construção da biografia, que aliadas aos diferentes modos de captação de imagem usados no contar da estória de cada Dylan fazem desta obra um quase documentário, mas isso é enveredar já por um outro caminho, e neste momento prefiro a palavra "ficção". É uma obra bem humorada, com momentos memoráveis e com interpretações notáveis, devo destacar Blanchet e Bale, mas a de Ben Wishaw impressionou-me bastante, talvez pela precisão das palavras: never create anything, it will be misinterpreted, it will chain you and follow you for the rest of your life. Não podendo ser de momento maior o meu contributo na visão da obra, termino este texto com uma nota extremamente positiva ao filme que a meu ver merecia ter tido uma data diferente de estreia no nosso país, bem como uma maior estreia nas nossas salas, mas disso não posso conversar com Dylan...aliás se ele eu falasse com ele hoje, com qual dos Dylan o estaria a fazer? Ah e fica a frase (não citada) que mais me marcou (não não é a do "Astronauta!"): Aquilo que o homem mais teme é o Silêncio!

quarta-feira, abril 09, 2008

O que têm Ingmar Bergman e Barbara Streisand em comum?

RIGOROSAMENTE NADA!
Na manhã seguinte recebo um telefonema de Barbara Streisend, a perguntar se nós queríamos ir a um pequeno "party" que teria lugar à volta da sua piscina. Se quiséssemos ir, que levássemos os fatos de banho. Agadeci-lhe a amabilidade, pousei o auscultador, voltei-me para a minha mulher e disse: "Vamos partir imediatamente para a nossa casa de Faró e passar lá o Verão. Vão escarnecer de nós, mas teremos e aguentar mais isso." Umas horas depois estávamos a caminho da Suécia.
Lanterna mágica, Ingmar Bergman

domingo, abril 06, 2008

Mais ou menos isto

Se calhar vai ser hoje.
E a conversa lá seguiu o seu rumo próprio de duas almas que não sendo gémeas, querem ser qualquer coisa, provavelmente querem ser corpo.
Cidália

quinta-feira, abril 03, 2008

Boas intenções

Já alguém pensou que a nossa capacidade de escrever abranda a rapidez dos pensamentos e ajuda-nos a ir de encontro aos nossos sentimentos.
Eu já.
Sejamos justos, vivemos num mundo no qual a acção se sobrepõe à intenção e ainda bem que assim é.
Ao escrevermos podemos acreditar que estamos a abrandar, que podíamos estar a fazer outras coisas, mas no fundo mais não estamos a fazer que a compreender-nos: apontar num post-it um número de telemóvel, fazer a lista das compras, escrever uma carta de amor, um apontamento na margem do nosso livro preferido, assinar um contrato. Tudo são marcas da nossa passagem, são documentos biográficos.
Quando escrevem?
Quando estão felizes, com tempo, sem ele?
Escrevem quando estão tristes, escrevem na secretária, escrevem durante uma palestra enfandonha, no vosso canto, à noite, a meio da manhã quando vão beber café a algum lado?
Gosto de escrever independentemente de todas estas condições, não sei porque o faço, mas sei que é a força de expressão que me move e talvez a expressão pela qual melhor me revelo, pelo menos a escrever sai tudo da garganta secante...tic-tac, tic-tac...claro que existe muita coisa que não se escreve, essas prefiro dizê-las para que estranhos não as leiam algures.
O que acho realmente é que não devemos escrever somente quando temos coisas para dizer, isso é errado e não foi para isso que se fizeram as palavras, as palavras sob a forma escrita servem para nos ajudar a reflectir, fazer com que a roldana do pensamento não encrave.
Nos filme, nas canções, nas obras de arte, nas cartas que são lidas silenciosmanete embora lá dentro estejamos a proferir cada sílabazinha. Nos filmes quando se lê um poema para si mesmo ouvimos a voz do actor, se tivermos de salvar a vida de alguém e esse alguém seguir à nossa frente e estiver de costas temos de falar, até gritar, pois não há tempo para escrevinhar um aviso no bloco de notas.
Ler é bom. Escrever é melhor. Falar é imprescendível.
Quero deixar esta ideia porque às vezes fico com a noção de que ao escrevermos nos escondemos por detrás de uma cortina qualquer, como se nos tivéssemos a desculpar por algo, escrever faz parte de mim e longe desta minha pessoa renegar ou tentar impedir tal acção, preciso de escrever como quem precisa de beber água quando tem sede (e já notaram que às vezes não percebemos que temos sede e no entanto o nosso organismo está sedento...)

segunda-feira, março 31, 2008

Se conseguir sonhá-lo.
Consegue fazê-lo!
,Walt Disney

quinta-feira, março 27, 2008

Página 1 (do romance, do argumento, da estória, da anedota, da crónica, de qualquer coisa...)

"Rodar com numa espiral que não tem pricípio nem fim, como uma bola de neve montanha abaixo, como numa carruagem de carrossel que faz uma curva apertada em redor da Lua, como os ponteiros de um relógio cujo dono deixa as horas passar, e o mundo todo feito numa rolha de cortiça a bailar silenciosamente pelo Universo, tal como os remoinhos que encontras na minha mente quando penso em ti."
E ele continua: " Como se entrasses num túnel e o seguisses, e o túnel não tivesse fim, e o túnel nunca tivesse sido visitado, e o túnel ganhasse vida com a tua entrada, e o túnel nunca tivesse visto a luz do Sol, como uma porta que está sempre meio aberta, como que num sonho que ainda não foi sonhado. São chaves que dançam no teu bolso, palavras invasoras a meio da noite, imagens que te perseguem e que queres voltar a ver, "Porque é que o Verão passou tão depressa?", "Foi alguma coisa que eu disse?", são amantes que caminham pela praia e deixam na areia as suas pegadas culpadas.
E ele pensa: "o toque das mãos dela fizeram o meu coração estremecer...ou seriam tambores a soar a milares e milhares de quilómetros?...".
Fotografias por tirar emolduradas numa parede vermelha, e um fragmento deste texto que se perde na espuma formadas nas encostas rochosas, e as palavras enfurecem-se, porque recordam-se da pessoa que estão a recordar, percebem que deixaram de ser livres, que já estão destinadas e esperam pelo fim da folha que deixou de estar em branco. E as palavras estão cientes de que o Outono foi transformado numa miragem bem como as cores que lhe dão vida, cores essas que o recordam do tom dos cabelos dela.
(texto vergonhosamente inspirado no poema Windmills of your mind, posso ir presa por isto?)

sábado, março 22, 2008

Primavera! Qual Primavera!??

Não estou a apreciar minimamente o início desta nova estação. Diria mesmo que estou indigada, sinto-me ultrajada e um pouco até irritada. Uma coisa é não haver Primavera para ninguém, assim com muito frio e muita chuva, outra é sermos abençoados com belos dias solarengos e um vento desgraçado que corta a carne e parece que estala os ossos. Mas que vem a ser isto? Nem cogumelos vejo ali na relva, e o mais perto que estou da estação do ano é o facto se estar de férias da Páscoa e poder ver o Bob o construtor em paz (RTP2 aí por volta do meio dia, para os mais despistados). Eu que sou uma doce devota das novas estações e com isso das "novas colecções" vejo-me impossibilitada de estrear a minha nova gabardine, porque tenho de continuar a envergar os casacões pesados, não posso usar sabrinas porque me magoam os pés (pronto tudo bem isso é uma deficiência só minha), camisas finas nem pensar que deixam passar o frio e "depois constipa". Logo este ano que se vão usar vestidos padronizados assim a puxar para o étnico chic, daqueles compridões e esvoaçantes, este ano que o amarelo será usado em força, e as block colors, e os tops que disfarçam as barriguinhas, e as calças de cintura subida voltaram eheheheh, e os colares compridos, não acho bem o tempo estar a fazer estas coisas feias e eu com o armário cheio de roupa etiquetada. Lá teremos de esperar mais um pouco. Eu cá já estou, alguém quer um chocolate?

terça-feira, março 18, 2008

Morreu o homem que cinematizou o Principezinho

Eu sei que não é bem assim, mas é como o recordo, e não consigo olhar para o filme e não pensar no livro de Saint Exupéry: pela visão, pelo dourado, pelas "asas", pela lindíssima história de amor, pela fantástica direcção, pela magia, pela vida liberta e que se esvaiu.

segunda-feira, março 17, 2008

no meios dos estudos...

instaura-se toda uma nova tradição na vida desta princesa, chama-se Os scones das 4 e meia! ( e sem passas): num Magnólia do Campo Pequeno perto de si!
(com borbotos à mistura)))))))

sábado, março 15, 2008

Merci por esta "Mercy"

"I'm gonna put myself à escuta" foi assim que reagi aos primeiros acordes desta podersosa canção da loura Duffy ( a mim parece-me um cruzamento entre Amy Whinehouse e Nancy Sinatra) vá sem a heroína e sem a visita a Portugal no dia 30 de Maio! E o videoclip é giro também e o refrão não me sai da cabeça, esta moça jeitosa assim habilita-se! Já não vivemos o revivalismo dos 80's meus caros, vijámos até aos 70's (escuto ali qualquer coisa de The doors, algum instrumento talvez...!!) Aqui fica então!

segunda-feira, março 10, 2008

Sô Burton

É sobre ele que me tentarei debruçar no trabalho que realizarei no meu Seminário, falta-me só "vender" a ideia à minha professora coordenadora.
Aqui fica o link (clicar na imagem) do Stick boy e Match girl para passar os olhos por todas as estórias criadas por ele num livro bem apetitoso e falsamente infantil...está assim como Lewis Carroll para Alice no país das maravilhas, este Tim Burton e a morte melancólica do rapaz Ostra.

domingo, março 09, 2008

domingo, março 02, 2008

Uma rapariga que eu conheço

Ela nem sempre sabe o que faz, nem se o como e quando o faz estão a ser feitos do melhor modo.
Ela sabe que sente, e se sentir em demasia é motivo de condenação então ela dá-se como culpada, sim ela é rapariga para o fazer.
Ela não é segura e por isso gosta tanto das mãos dos outros: da sua força, da sua grandeza, da muralha que constroem à sua volta.
Ela não se satisfaz facilmente, e nem sempre compreende os sinais, não diz tudo porque sabe que não sabe tudo, e se aprender a motiva, ser ensinada é regra de ouro para o seu contentamento.
Ela gosta de se sentir lembrada, relembrada...puxada e agarrada, e gosta da doçura que há por detrás de um acto de violência: um abraço apertado, uma mão no pescoço, uma marca no ombro esquerdo ( a memória que persiste em ficar marcada na carne).
Ela liga-se a tudo, sem se ligar a nada, aprecia tanto a escuridão da noite como a luz que teima em espreitar pelas frechas das janelas fechadas ao nascer de um novo dia, gosta tanto do cheiro a roupa lavada como o do corpo suado, se ri então é porque tem vontade de rir, e se chora talvez lhe tenha entrado uma coisa para o olho.
Se se silencia é porque o silêncio não a incomoda quando está a seu lado, basta olhá-lo quando ele não está a ver, e percorrer as linhas do seu rosto, ou tocar-lhe na mão para saber que está vivo, basta subir ao seu peito e escutar o bater do seu coração enquanto o seu dono dorme adormecido.
"Porque é que foges?", pergunta.
"Um dia deixo de fugir.", pensamento.
Ela sabe que bastam uns breves segundos (porque os segundos são sempre breves) para que as duas vontades se cumpram num mesmo desejo, e para que se chegue ao centro da terra quente e em erupção, ela sabe que é como no poema da canção:
" I'm thinking back to the last day we had/ Old moon fades into the new/ Soon I know I’ll be back with you/ I’m nearly with you/ I’me nearly with you"
E ela sabe que regressará a casa mais uma vez, será deixada à porta para querer voltar à paragem do autocarro e fazer com que o dia anterior regresse, que regresse, e se o autocarro teimar em não passar, então ela corre atrás do carro "I'll fly, I'll fly..."
E assim sendo esta rapariga que eu conheço (mas sobre a qual nada sei verdadeiramente)...esta rapariga dizia eu, sabe que a viagem é longa, o percurso árduo, está ciente de que o tempo a pode abandonar e que deve estar preparada para perder. Caso ganhe, então fica tudo bem porque a vida é feita de pequenos nadas que são o tudo, e o tudo para esta rapariga tem sabor a sumo de laranja acabada de espremer.
Alguém conhece esta rapariga?

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

"Como nos filmes"

(imagem 'aprisionada' do filme, From here to Eternity)
Fazemos parte de uma geração que encontra no Cinema o seu modelo de vida.
Actuamos em público, temos práticas e até amamos "como nos filmes".
O nosso beijo é inspirado nos beijos dos actores norte americanos à chuva, bebemos café enquanto pensamos na vida porque vimos um leque enormérrimo de actores a fazer o mesmo - alguém sentado num balcão ao cair da noite e a ver a sua vida em flashback- na vida real só nós vemos os flashbacks e são bem menos perfeitos.
Imaginamo-nos a rodar em película num écran gigante e temos toda uma sala repleta a torcer por nós porque somos os bons da fita e não fizémos nada para merecermos aquilo que nos está a contecer, ou será que fizémos?
O Cinema ilude, sempre o fez e sempre o fará, 'cinema realista' é coisa que não existe, porque tudo é falso, estudado, pensado e criado, e tem a espessura de uma folha de papel refinado.
O Cinema ilude e mesmo assim moldamos a nossa vida às expectativas que dele criamos, a grande diferença é que no Cinema o amor faz-se poeticamente e nós sabemos que na realidade é institivo e por isso animal, a diferença é que um beijo no cinema é longo, pode ser dado à chuva e captado com uma câmara digital enfiada nuns carris de modo a filmá-lo em movimentos circulares em redor dos dois amantes, a diferença é que nos filmes a pessoa que amamos quando chega é em slow motion.
Nos filmes as pessoas traem-se para perceber o quanto amam a pessoa que acabaram de trair, e na vida real as pessoas traem e traem e magoam e assim perpetuam a dor dos que são traídos, e não há happy ending para os dois.
Nos filmes a estória esgota-se na última página do argumento, a vida é um livro aberto.
Nos filmes o amor da nossa vida é enquadrado no écran a partir de um close-up, as coincidências são motor da acção (e da ficção), e na vida as coincidências que tanto queremos que aconteçam tardam.
A diferença é que o Cinema aprisiona e imortaliza, a vida liberta e esvai-se.
E por isso fica, o beijo entre Steve Mcqueen e Faye Dunaway em The Thomas Crown affair, fica o tema de Shigeru Umembayasia em In the mood for love, fica a conversa entre Clive Owen e Julia Roberts em Closer, fica a cena das escadas entre Viggo Mortensen e Maria Bello em History of violence, e fica isto...

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

And now someone is fuc*ing Ben Affleck

(clicar na imagem para visionar vídeo) Jimmy Kimmel achou por bem responder a Sarah Silverman quanto à questão "Matt Damon" e resolveu a situação recorrendo ao seu melhor amigo Ben Affleck, num vídeo muscial que conta com as participações de ilustres como Brad Pitt, Robin Williams,Josh Groban, Cameron Diaz, entre muitos outros!

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

I knew it!

Para meu contentamento foi o nome de Marion Cotillard que saiu de dentro do envelope pelo seu magnífico desempenho em La môme! Se Daniel Day Lewis não foi uma surpresa, muito menos foi o "bravíssimo" Javier Bardem que é outro que parece que não sabe fazer nada mal feito já desde os tempos do Before night falls, e finalmente Tilda Swinton vê o seu talento reconhecido pela Indústria. No country for old men foi o grande vencedor da noite, mas não me posso aventurar que ainda não tive a oportunidade de ver a obra. Tristeza? Sim por Atonement que é um dos grandes derrotados do ano. Ah e Ratatouille também levou a estatueta, todos dizem que não havia maneira de ter sido outro o resultado...devo dizer que ainda não o vi... shame on me (como diz o outro)! Mas Cotillard ganhou é bom não esquecer!

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Houve sangue e de que maneira

O galardoadíssimo de Paul Thomas Anderson é obra para ficar na mente, e lá permanece durante tempo indeterminado feito zumbido nos nos nossos ouvidos...como outrora ficara Magnolia.
There will be blood apodera-se dos nossos sentidos, seja pela ausência inicial de palavras, seja pela luz intensa do sol que nos encadeia, seja pelo negro do petróleo, seja pelo vermelho escuro e espesso do sangue.
Tudo é inesperado nesta obra aparentemente simples, desde a banda sonora diegética que nos envolve através da poderosa composição de John Greenwood, através do som explosivo das forças que provêm do subsolo, do vazio sonoro de H.W, do poder sonoro das palavras: inesperado e poderoso são os termos.
São muitos os elementos que identificam esta obra como pertencente a este realizador: quer sejam as explicações que ficam para depois, as alusões à religião católica, os símbolos dos nomes, desde Plainview a Sunday passando por Mary a Abel, os pormenores visuais, o momento brechtiano por excelência (aqui não há chuva de sapos mas há homicídio na pista de bowling), o humor negro... One night, i'm gonna come inside your house, wherever you're sleeping, and i'm gonna cut your throat...eu cá ri-me à custa disto, é a noção de parábola feita às custas de uma estória na qual capitalismo, religião, ganância e humanidade (ou falta dela) se conjugam para nos brindar com um exercício deveras perturbador.
O argumento consubstancia-se na vida de Daniel Plainview, um homem que começa do nada e conquista tudo através de alguma sorte, palavreado forte, a crença na família e na educação (palavreado disse eu...), bem como nos progressos sociais e tecnológicos, mas acima de tudo através do ódio que esta mesma personagem vai alimentando a partir do seu desprezo pelo ser humano, aliás é neste momento que faço a minha vénia ao fenomenal Daniel Day Lewis o actor mais cool de Hollywood que faz o que quer, quando quer e fá-lo sempre, mas sempre de modo irrepreensível e esmagador, pondo todos os outros num chinelo.
Também elogios devem ser tecidos a Paul Dano de quem pouco se ouve falar e que dá aqui provas de que se torna a passos largos num promissor actor (para quem viu Little miss sunshine), com o seu desempenho este jovem actor "ajuda" o protagonista, não lhe faz sombra mas também não fica encoberto no papel do jovem fervoroso que nos proporciona, a meu ver, alguns dos momentos mais desconfortáveis da obra.
"Haverá sangue" pois, a promessa é cumprida bem no final, embora toda a obra seja feita como que de um ritual se tratasse, um sangramento de duas horas e meia, da Terra, dos laços familiares, da Fé, da carne humana, e do Tempo que vai de 1898 a 1927.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Até logo filha!

E é grande a força que no início da minha recuperação emprego na mão que empurra a caneta que espalha a tinta sobre a folha na qual imortalizo este meu estado de espírito. Apercebi-me de que não temo a Morte, temo sim a Dor, a dor de perder. Não quero perder a minha Mãe, tomei consciência disso nestas últimas noites em que a olhei enquanto ela dormia na minha cama para estar mais perto de mim, ela dormia e eu olhava-a enquanto esperava que o meu medicamento fizesse efeito. Tenho medo de não a voltar a ver a não ser quando fechar os meu olhos, tenho medo de me esquecer do cheiro do peito dela, das suas rugas que começam onde terminam os lábios finos e rosa- pálida, da fraqueza dos seus dedos, dos seus bolos de iogurte queimados, da forma redonda das suas unhas, do sinal que ela tem no queixo que eu beijo, do sabor do pão com manteiga que comia no emprego dela quando era menina. A minha mãe sempre foi atenciosa e carinhosa, sempre me abraçou, sempre entrelaçou as pernas dela nas minhas na cama fria deixada pelo meu pai de madrugada em dia de feira, a minha mãe sempre me beijou os olhos para eu adormecer, a minha mãe é a única que me faz chorar só de pensar nela, é só ela e mais ninguém. A minha mãe é a lutadora que tudo faz para me ver sorrir, a minha mãe é aquela que diz "vai passar" olhando para o outro lado parecendo divagar em busca de soluções, a minha mãe é aquela que me deseja toda a felicidade e toda a felicidade é sempre pouca para todo o amor que sente. A minha mãe é aquela a quem nao consigo mentir, posso até fazê-lo mas ela sabe sempre e sabe sempre tudo, ela sente lá dentro, a pequenina que mostro já não ser sai para fora, vai ter com ela puxa-lhe a manga da camisa e sussurra-lhe a verdade ao ouvido, a pequenina dá uma risadinha e sai a correr, e a minha mãe fica a saber de tudo e eu de nada. A minha mãe é quem me faz torradas com muita manteiga e o café na própria chávena onde bebeu o dela. Não, não a quero perder, não estou preparada, a minha mãe é aquela que ainda hoje de manhã me deu um beijinho na bochecha e disse "até logo filha", o dia em que não ouvir isto significará que todo o meu mundo desabou, que parte de mim morreu, e que a outra, a que a recordará nunca mais será a mesma, só os que amamos verdadeiramente deixam pégadas na areia da praia da nossa memória, "até logo mãe".

terça-feira, fevereiro 19, 2008

A corda

A minha corda é feita de muitos fios, fios longos e brancos que se entrelaçam, dão voltas, abraçam-se, multiplicam-se em desencontros apertados, procuram a luz que em cima se quer coberta; a minha corda é feita num nó grosseiro e rogoso por um marinheiro sábio e gasto pela efemeridade do tempo que ainda está por passar.
Se eu cortar a minha corda ou deixar que alguém a corte por mim, será como pregar uma sensação num pedaço de madeira tosco e húmido, como cravar pedaços de vidro na planta do meu pé, abafar um grito com uma mão suada a meio da noite, uma vontade cega de gritar pela boca que contém a língua viva, vermelha e quente.
É a corda que me deixa saltar. Sem corda não tenho coragem de olhar para baixo quando estou bem lá em cima, a corda deixa-me sonhar como ave que quero ser, ave que arranha o peito no topo das árvores, que se deixa arrepiar com as gotas frias de água da chuva, que foge do Sol enquanto se dirige para Ele.
Sem a corda não conseguia partir sabendo que a volta não seria possível, a corda estica até onde eu quiser, não temo a falta da sua consistência, ela é como um amigo imaginário, pode ter todas as qualidades, todos os defeitos, todas as belezas, todas as cores e feitios, todas as formas, a minha corda pode ser feita de papel, de aço, de algodão, de carne, de ar, de aroma a jasmim, de poesia de Wordsworth, de estrelas cadentes, de erva daninha, a minha corda pode ser tudo feito em nada, pode ser corpo feito em cinza, cinza renascida em corpo e penas, água feita nuvem, galho feito ninho.
A minha corda estica sempre, até onde eu quiser, faço um lacinho na ponta do meu dedo escondido no bolso roto do casaco de lã cinzento, e lá vou eu com a minha corda, ninguém a vê, nem eu mesma, mas sei que está bem ali e que se algo de mal acontecer, o caminho para casa é certo, se algo de pior tomar o lugar de algo de bom, tenho alguém à espera, se morrer, ela leva-me ao Monte mais alto dos Tempos mais antigos, das cores mais mágicas, dos cheiros mais intensos, das pessoas mais verdadeiras, dos corações mais selvagens, das ilusões mais lindas, dos ventos mais frescos, dos tecidos mais esvoaçantes, das águas mais cristalinas, e Monte onde não descansarei, apenas permancerei eterna e por toda a eternidade.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Cateter heart Bobby forever

De facto eu e o "Nosso Senhor" não somos os melhores amigos deste mundo.
Agora que tinha entrado de férias e planeava ter uns dias passados "na paz do Senhor" com muita jovial e colorida fanfarra, eis que "o Senhor" me faz um laço de marinheiro à vida e me faz ondear numa cama adoentada.
Uma coisa é planear férias "ena vou fazer assim e assim", "ena tanto tempo, agora é que vai ser"....para no fim nos resignarmos à grande verdade: a malta não sabe o que fazer com tempo livre, e como a malta não sabe, a Leila pensou "eh pah e se eu adoecesse, apetece-me ter uma pielonefrite" e pronto cá estou eu a recuperar da dita cuja.
Felizmente o pior já passou, depois da febre,do calafrio, da dor de cabeça, da maldita dor lombar (foi a pior parte), da muita posição desconfortável, e da não menos muita proibição a torto e direito de tudo aquilo de que gosto mesmo.
Acho mesmo que dormi mais nos últimos dias que em todo o último mês de Janeiro de 2008, e a incursão às Urgências do Hospital do Santa Maria- a coroação real desta Princesa incapacitada- fez de mim uma pessoa "realmente" doente (sim porque só é "doente" quem vai ao Hopsital).
Mas vá lá, só posso dizer bem daquela gente, médicas portuguesas e espanholas, enfermeiras e enfermeiros sorridentes e capazes, ok a senhora da Ecografia era horrível, e só podia mesmo trabalhar num sítio escuro onde passa o dia a procurar coisas até ficar vesga num écran todo manhoso, meio Matrix do tempo do Indiana Jones.
E foi naqueles corredores que aprendi (sentindo-o na pele) o que é um "cateter", e aprendi também o que é um "Bobby" e são os dois: termos médicos.
Não posso dizer que o saldo seja positivo, porque com a saúde não se brinca e eu até gosto de ter dois rins e também gosto do da direita que por acaso é aquele que dói, e porque estou proibida de ingerir leite e derivados durante o tempo em que estiver a tomar antibiótico, oh pah estou-me maribando para o Leite, mas e os DERIVADOS?? O que é que eu faço da minha vida sem a boa da manteiga da vaquinha, e o queijinho fresco da vizinha (não é ela que é a vaca atenção), o que é que eu faço sem a minha torrada lambida a manteiga e o meu galão a meio da tarde??

domingo, fevereiro 10, 2008

Lenny Kravitz e James Morrison No Rock In Rio Lisboa

Para mais informações, clicar no logo e acedem ao site oficial do evento, e se clicarem nas fotos dos senhores visionam um videozinho dos artistas!

sábado, fevereiro 09, 2008

I'm f*cking Matt Damon

Sarah Silverman simplesmente (vá e uma ajudinha do Matt Damon)

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Irritações parvas num post muito irritante

Não posso dizer que seja uma pessoa facilmente irritável, aliás tenho aquilo a que muito boa gente chama de "paciência de Santa", mas existe certamente uma ou outra coisa que me irrita cá com uma pinta que "vou va vous contar"!!
A primeira coisa que me irrita é levar encontrões na rua (principalmente no metro e nesse grande lugar que é o Chiado) e não ouvir um "Xculpe" ou "perdão", depois irrita-me que havendo todo um autocarro por ocupar a senhora idosa resolva sentar-me mesmo ao meu lado e querer conversa da boa que se inicia no "reumatismo e termina ah o eu pai faleceu com cancro" e ainda não contente pedir "oh menina podia puxar a cortina é que os velhos já não aguentam com tanto sol", logo eu que gosto tanto do Sol.
Irrita-me não haver pão fresco em casa quando chego cansada da faculdade, instiuição na qual e pela qual "dou o litro" e não vejo retorno nenhum.
Irrita-me solenemente que façam barulhos estranhos com a boca, estão a ver o donkey do Shrek?? Pois bem eu sou o irritado ogre verde.
Irritam-me os aranhiços, irritam-me os intelectualóides de esquerda, não há nada pior que essa raça abelhuda, se é comuna ao menos que seja terra a terra, não é à toa que envergam como logotipo uma foice e uma martelo.
Irritam-me as pessoas que não se sabem comportar segundo as regras (não as sociais, apenas aquelas que dizem "estou a dar atenção ao que diz, posso não concordar mas estou a seguir o seu raciocínio") e por isso irritam-me alunos que em conversa com professsores numa sala de aula não parem de teclar ao telemóvel.
Irrita-me que tenham retirado do mercado o grande iogurte com pedaços de ananás light do Plus. Choro um pouquinho por ele a toda a primeira Terça e Sexta feira de cada mês.
Irrita-me o preço irritante dos bilhetes de cinema, o preço dos bilhetes de Teatro, irrita-me ter frio e desejar o Verão, irrita-me não encontrar outra palavra para colocar no lugar de "irrita-me". Irrita-me ponto final.
Como dá para ver até não sou das pessoas mais irritáveis deste mundo, ah e irrita-me querer agrafar alguma coisa e dar com o agrafador sequinho, sequinho, eu aguento muita coisa mas um agrafador sem agrafos irrita-me exponencialmente, e querer depois um clips e não dar com ele....
Da próxima dedico umas linhas fartas às coisas de que gosto e que felizmente são infinitamente mais dos que as que me IRRITAM. Aliás a palavra IRRITAR está a irritar-me, é melhor terminar esta coisa, oh Alá deixa-me parar, estou a tornar-me compulsiva e ainda tenho toda uma matéria para rever de um teste que farei amanhã!
Fui!
Ah e irrita-me o facto de todo o mundo agora ser doutor porque vai à internet: pergunta ao tio Google o que fazer com determinados sintomas e ele cospe uma mezinha toda genial, da última vez que fiz isso o tio Google disse-me que o meu problema era "próstata"...fiquei irritada? Fiquei sim senhora!

domingo, fevereiro 03, 2008

Para ti (1)

Para ti (2)

Did you know that true love asks for nothing/ Her acceptance is the way we pay/ Did you know that life has given love a guarantee/ To last through forever and another day/ ((As, George Michael feat Mary J Blige, lyrics by Stevie Wonder))