sábado, maio 17, 2008

Colisão

Lembram-se das frases iniciais do filme Crash de Paul Haggis??
Não não é o do Cronenberg!!
Recordo-vos então, são talvez as palavras que mais me marcaram nos últimos tempos (cinematograficamente falando): I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something. Tenho sempre a sensação de quetêm todos medo de toda a gente, e por isso fingimos para com os que conhecemos e somos verdadeiros para com os estranhos. O Amor desaparece. Tal como a brisa, e passa tal como ela, os atentos dançam com a brisa, apreciam a sua frescura e fragrância, e ela passa e eles não ficam tristes. Outra virá tão fresca como a passada, melhor se possível, nova e passageira, passageira porque insegura e enquanto insegura, provocadora. Gostamos tanto da brisa, que fechamos todas as portas, todas as janelas para que ela não escape. Mas ela escapa, ela escapa sempre, e nesta vida nada pode ser feito prisioneiro porque cada dia deve ser diferente, é bom entardecer de modo desigual a cada dia, é bom que cada manhã não seja a reprodução da anterior, é bom que os cabelos cresçam, que a fruta amadureça, que o mar se revolte, é bom querermos ser perfeitos...basta haver qualquer possibilidade de perfeição. E Reagir é errado, devíamos todos Responder. Reagir é repetir um padrão, fazer aquilo que nos foi feito. Responder é procurar novas formas, é dar aquilo que não se teve e que mais nos fez falta, é pensar no Hoje como o Momento e no Amanhã como uma impossibilidade. Reagir é usar o Passado como chave que abre portas com fechaduras já forçadas. Responder é destruir as portas e substitui-las por janelas sem grades. Por isso, e tomando de novo a frase, não tenham medo de chocar com pessoas, e não se esqueçam que vemos sempre aquilo que os outros estão a ver! Amem. Façam do Amor (que é uma Canção) uma verdadeira Dança!

quinta-feira, maio 15, 2008

ESCURIDÃO, ou ausência de Luz

Se para o Rei a frase de marca é "Elvis has left the building" aqui para a Princesa a frase que se impõe é : The Princess is back in town!
Bem sei que tenho deixado o meu blog, sem Luz, a mesma Luz que anuncio querer na mente de todos aqueles que respiram Cinema, mas a princesa das fitas de 8 mm está apta para sumarentos e caprichados comentários a tudo o que sirva de assunto: leia-se também a primeira página do 24 horas qur é capaz de produzir o mesmo efeito crítico.
O Tempo é uma coisa curiosa, o dito "cronos" pauta-nos a vida, ridiculariza as coisas mais importantes e impõe-se como ditador, quando devia de ser o oposto a acontecer.
Ou seja, de momento sofro de cronopendicite aguda, para nada tenho tempo e acabo por ter tempo para tudo, no fundo é uma coisa crónica que se cura com uns quantos placebos!
E por isso mesmo: prometo muito em breve novidades quentes e boas ( boas como os bolos da fábrica de Odivelas que papo em carros alheios aí por volta das 4 da manhã.."pla fresquinha")!
Quanto à arte cinéfila, convém não esquecer que já está entre nós Iron Man, chega entretanto o nosso bom e velho Indy, há ainda tempo para o Cavaleiro das trevas, e esta semana chega o dramalhão Reservation Road...ah e a 5 de Junho para as mais fúteis (Cof) o aguardadíssimo e "gossipadíssimo" Sex and the city...eu cá persisto na ideia...todas querem ser "Samantas" mas no fundo são todas uma cambada de "Charlottes"!
Mais coisas, ah o trabalho de investigação sobre Tim Burton...lá vai...ia a passo de caracol, mas o bicho levou agorinha uma injecção de red bull ganhou asas e voa já na minha mente em voltas e reviravoltas..é a questão do Tempo, arranja-se sempre que se quer!
Tal como diz o realizador numa entrevista:
The monster is supposed to die in a monster film right?
- Yeah bu they never die. It's part of the mythology that they do. But they are always coming back. They're always fighting.They fight through the system, the system of bland B- actors.
retirado de entrevista a Tim Burton em 91 sobre o seu fascínio por bestiários

segunda-feira, maio 05, 2008

Citação para falar da "pessoa"

::Citando::
Homem de que eu goste cobre-me no frio e vai à porta beijar-me quando saio de madrugada. Fala com paixão dos meu pés pequeninos, diz as palavras que eu gosto de dizer e está disposto a tudo para me ouvir gritar na cama. Homem de que eu goste nunca vai dizer "Cuidado, que te podem ouvir.", pelo contrário dirá antes: "Grita mais, que eu gosto. Para as caracteristicas físicas estou-me sinceramente nas tintas. Nem pernas boas, nem músculos, nem peitorais, nadinha disto tem cabimento na minha cabeça. Ou seja, ele até pode vir com isto tudo, mas vai ter de me apertar as coxas e rir-se das minhas estrias. Homem de que eu goste está-se a marimbar para que os outros pensem se é gay ou é do Benfica. (...) Nunca gostei de um homem com bigode, mas como posso negar à partida um bigodista que desconheço??Também nunca me senti atraída por nenhum louro de olhos azuis ("not my cup of tea" adciciona Leila), mas sei lá se o meu futuro será ao lado de um dos filhos de D. Duarte?? Homem de que eu goste não tem de ser de forma nenhuma, nem de estar em forma. Nem tem de ser preto ou branco, mas tem de ter raça. E coragem, porque o amor é sempre um acto de coragem. Quanto a conselhos a jornalista que se denomina "Cidália" - essa embaixadora dos clichés satisfatórios - diz: Era bom se procurássemos pessoas em vez de ideias em vez de continuarmos a perseguir ideais. Os ideais servem a todos os que encontram na impossibilidade o conforto. Lá está, existe a pessoa ideal, a "certa", "the one" qual Neo a ser seduzido pelo charme de Morpheus e do comprimido vermelho, aquela pessoa que possui todas as características, todas as boas vontades, todas as qualidades, que nos quer, e nos quer fazer feliz, que é bonita e inteligente, doce e preocupada... e depois há "a outra pessoa". Aquela pessoa. A que nos arrebatou sem mais nem menos, a que entrou sem pedir, a que nos tomou num início de tarde cálido, que pode ser tudo e nada, a que é o "Tudo" e nunca o "Nada". Não é a pessoa certa como se canta por aí, mas sim a pessoa de quem gostamos e não há nada a fazer, não há armas, textos confusos e madrugadores, comprimidos vermelhos, homens com óculos sem hastes que nos acudam, nem há certezas sobre absolutamente nada, há o agora, o momento, e a ideia de um passado recente. Sabemos apenas que precisamos dela e que dela não queremos prescindir, não não a pessoa não preenche "a lista", preenche outra coisa: o coração. Sim preenches-me o coração (e desculpa extravasar isto para o domínio bloguista), mas são 8 da manhã e sabes que a esta hora sou perigosa com as palavras.

sábado, maio 03, 2008

Um 'trendy' fica-me tão bem!

Justificação

Diz-lhes que a chama se extinguiu - por saberes que é agora mais forte que nunca- que o corpo deixou de lutar - por saberes que a luta só agora começou- e diz-lhes que és Estrela e não Universo, és margem e não rio, parte e não todo. Eternizemos o Ontem na cascata das memórias puras - que não são puras porque já estamos a pensar nelas e eu até já as estou a escrever, dá-me algo de real que eu possa explorar ou ignorar, dá-me e eu mostro-te tudo aquilo que já vi, dá-me algo que tenhas e não saibas e dá-me ainda tudo aquilo que te faz falta. Quanto tempo dura um momento fugaz? Um dia, um segundo, uma ausência...quanto mais simples, mais particular, quanto mais perto mais trascendente, e sempre no seu devido lugar, no seu lugar de sempre, no seu novo lugar, já não é o mesmo lugar, notaste? Mas não deixa de ser o seu lugar. Porque HOJE as palavras perdem o significado, fogem-me da boca habituada a pronunciar, se me perguntares porquê , não te preocupes porque eu calo-me. Sejamos parte do Todo, e não Todo, porque no Todo não há lugar para nós, e na parte ele está sempre à nossa espera, com ou sem palavras, com ou sem expectativas, com ou sem presença, é mais fácil perder-me numa casa que no Universo. De facto somos a Luz que viaja por entre os poros da malha da atmosfera. Diz-lhes que tens um coração sempre disposto, que a trizteza é coisa de velhos, que fazes sesta como peixes, que caminhas por entre searas em fins de tarde de Verão, sozinho contigo mesmo, tendo os assobios do vento como companheiros longíquos, diz-lhes que passas as pontas dos dedos pelas superfícies moles, que as absorves como língua quente e viva, repleta de sangue invisível, o mesmo sangue que corre nas veias das tuas mãos que estendes a alguém que não sabes se existe.
Escuta o som do silêncio, aprecia o bailado gratuito dos ramos de árvores, olha, olha sempre, que este mundo é feito de olhares, de palavras vãs ( e disso percebo eu bem), de momentos simples, de gelados de baunilha e bolos de chocolate, de vestidos rodados e normalidade feita folha de papel amachucada.
Sonho que durmo profundamente, e ao acordar percebo que ainda sonho- fecho os olhos - sinto o corpo que está em contacto com algo, adormeço, volto a sonhar, acordo depois do sono profundo e dou comigo a perceber que não me cheguei a deitar. E como não sei explicar ou justificar algumas coisas que faço, escondo-me por detrás disto: escrever ajuda-me a abrandar os meus pensamentos que querem ir de encontro aos meus sentimentos. Acho que não serve, que nada justifica, não chega eu sei, mas prometo crescer em breve.

quinta-feira, abril 24, 2008

And the blade never stops running

Corram às (poucas) salas, vejam, revejam, relembrem. Não deixem que os vossos sonhos se desfaçam como lágrimas na chuva!!

domingo, abril 13, 2008

I'm not there

I'm not he.
I'm not her.
São as frases de abertura do filme de Todd Haynes que se sucedem dando lugar à frase chave da obra: uma definição onírica do trabalho deste realizador, I'm not there. É estranho iniciar algo de modo negativo, seja numa frase ou numa atitude, mas esta obra faz-se assim, de negações sucessivas, e a palavra "not" é uma constante que se afirma (passo a antítese). Mas de que se trata este filme? Parece ser uma questão perfeitamente normal de se colocar e a resposta que me assalta agora que já pude reflectir sobre o que vi é de que se trata de uma ficção biográfica, ou seja, é a revelação de um artista de modo livre, pessoal e descomprometido, feito de retalhos e de possibilidades que nos são propostas cabendo-nos a nós aceitar, acreditar ou rejeitar. Aceitei-as a todas, pela sua comicidade, pela sua faceta transposta, e pela sua incisão profunda em temas com os quais também nós tantas vezes lidamos (mas sem os Beatles a bricar connosco, e sem a droga e sem os malditos paparazzis à nossa volta). Ora vejamos, nunca fui conhecedora credenciada da obra de Bob Dylan, mas agora sei que além de ser o cantor mais citado da História (não me parece que esteja a exceder na ideia) foi alguém que em vez de seguir uma linha, se reinventou consecutivamente, abandonando uma vida e abraçando outra, procurando encontrar algo se não melhor pelos menos libertador. Deste modo temos um Dylan estrela do rock eléctrico e uma mártir da mesma cena (numa outra interpretação), Dylan Profeta, Dylan poeta, Dylan Cristão novo, e um Dylan envelhecido e fora da lei. São todas as interpretações louváveis, destacando-se a de Cate Blanchet que por ser a que à partida teria a tarefa mais complicada, é na realidade a interpretação a nível físico que mais se aproxima da figura icónica deste artista, a mais cómica também e a mais destacada. A banda sonora transporta-nos para os lugares, os estados de alma e de corpo do cantor, são preciosas informações na construção da biografia, que aliadas aos diferentes modos de captação de imagem usados no contar da estória de cada Dylan fazem desta obra um quase documentário, mas isso é enveredar já por um outro caminho, e neste momento prefiro a palavra "ficção". É uma obra bem humorada, com momentos memoráveis e com interpretações notáveis, devo destacar Blanchet e Bale, mas a de Ben Wishaw impressionou-me bastante, talvez pela precisão das palavras: never create anything, it will be misinterpreted, it will chain you and follow you for the rest of your life. Não podendo ser de momento maior o meu contributo na visão da obra, termino este texto com uma nota extremamente positiva ao filme que a meu ver merecia ter tido uma data diferente de estreia no nosso país, bem como uma maior estreia nas nossas salas, mas disso não posso conversar com Dylan...aliás se ele eu falasse com ele hoje, com qual dos Dylan o estaria a fazer? Ah e fica a frase (não citada) que mais me marcou (não não é a do "Astronauta!"): Aquilo que o homem mais teme é o Silêncio!

quarta-feira, abril 09, 2008

O que têm Ingmar Bergman e Barbara Streisand em comum?

RIGOROSAMENTE NADA!
Na manhã seguinte recebo um telefonema de Barbara Streisend, a perguntar se nós queríamos ir a um pequeno "party" que teria lugar à volta da sua piscina. Se quiséssemos ir, que levássemos os fatos de banho. Agadeci-lhe a amabilidade, pousei o auscultador, voltei-me para a minha mulher e disse: "Vamos partir imediatamente para a nossa casa de Faró e passar lá o Verão. Vão escarnecer de nós, mas teremos e aguentar mais isso." Umas horas depois estávamos a caminho da Suécia.
Lanterna mágica, Ingmar Bergman

domingo, abril 06, 2008

Mais ou menos isto

Se calhar vai ser hoje.
E a conversa lá seguiu o seu rumo próprio de duas almas que não sendo gémeas, querem ser qualquer coisa, provavelmente querem ser corpo.
Cidália

quinta-feira, abril 03, 2008

Boas intenções

Já alguém pensou que a nossa capacidade de escrever abranda a rapidez dos pensamentos e ajuda-nos a ir de encontro aos nossos sentimentos.
Eu já.
Sejamos justos, vivemos num mundo no qual a acção se sobrepõe à intenção e ainda bem que assim é.
Ao escrevermos podemos acreditar que estamos a abrandar, que podíamos estar a fazer outras coisas, mas no fundo mais não estamos a fazer que a compreender-nos: apontar num post-it um número de telemóvel, fazer a lista das compras, escrever uma carta de amor, um apontamento na margem do nosso livro preferido, assinar um contrato. Tudo são marcas da nossa passagem, são documentos biográficos.
Quando escrevem?
Quando estão felizes, com tempo, sem ele?
Escrevem quando estão tristes, escrevem na secretária, escrevem durante uma palestra enfandonha, no vosso canto, à noite, a meio da manhã quando vão beber café a algum lado?
Gosto de escrever independentemente de todas estas condições, não sei porque o faço, mas sei que é a força de expressão que me move e talvez a expressão pela qual melhor me revelo, pelo menos a escrever sai tudo da garganta secante...tic-tac, tic-tac...claro que existe muita coisa que não se escreve, essas prefiro dizê-las para que estranhos não as leiam algures.
O que acho realmente é que não devemos escrever somente quando temos coisas para dizer, isso é errado e não foi para isso que se fizeram as palavras, as palavras sob a forma escrita servem para nos ajudar a reflectir, fazer com que a roldana do pensamento não encrave.
Nos filme, nas canções, nas obras de arte, nas cartas que são lidas silenciosmanete embora lá dentro estejamos a proferir cada sílabazinha. Nos filmes quando se lê um poema para si mesmo ouvimos a voz do actor, se tivermos de salvar a vida de alguém e esse alguém seguir à nossa frente e estiver de costas temos de falar, até gritar, pois não há tempo para escrevinhar um aviso no bloco de notas.
Ler é bom. Escrever é melhor. Falar é imprescendível.
Quero deixar esta ideia porque às vezes fico com a noção de que ao escrevermos nos escondemos por detrás de uma cortina qualquer, como se nos tivéssemos a desculpar por algo, escrever faz parte de mim e longe desta minha pessoa renegar ou tentar impedir tal acção, preciso de escrever como quem precisa de beber água quando tem sede (e já notaram que às vezes não percebemos que temos sede e no entanto o nosso organismo está sedento...)

segunda-feira, março 31, 2008

Se conseguir sonhá-lo.
Consegue fazê-lo!
,Walt Disney

quinta-feira, março 27, 2008

Página 1 (do romance, do argumento, da estória, da anedota, da crónica, de qualquer coisa...)

"Rodar com numa espiral que não tem pricípio nem fim, como uma bola de neve montanha abaixo, como numa carruagem de carrossel que faz uma curva apertada em redor da Lua, como os ponteiros de um relógio cujo dono deixa as horas passar, e o mundo todo feito numa rolha de cortiça a bailar silenciosamente pelo Universo, tal como os remoinhos que encontras na minha mente quando penso em ti."
E ele continua: " Como se entrasses num túnel e o seguisses, e o túnel não tivesse fim, e o túnel nunca tivesse sido visitado, e o túnel ganhasse vida com a tua entrada, e o túnel nunca tivesse visto a luz do Sol, como uma porta que está sempre meio aberta, como que num sonho que ainda não foi sonhado. São chaves que dançam no teu bolso, palavras invasoras a meio da noite, imagens que te perseguem e que queres voltar a ver, "Porque é que o Verão passou tão depressa?", "Foi alguma coisa que eu disse?", são amantes que caminham pela praia e deixam na areia as suas pegadas culpadas.
E ele pensa: "o toque das mãos dela fizeram o meu coração estremecer...ou seriam tambores a soar a milares e milhares de quilómetros?...".
Fotografias por tirar emolduradas numa parede vermelha, e um fragmento deste texto que se perde na espuma formadas nas encostas rochosas, e as palavras enfurecem-se, porque recordam-se da pessoa que estão a recordar, percebem que deixaram de ser livres, que já estão destinadas e esperam pelo fim da folha que deixou de estar em branco. E as palavras estão cientes de que o Outono foi transformado numa miragem bem como as cores que lhe dão vida, cores essas que o recordam do tom dos cabelos dela.
(texto vergonhosamente inspirado no poema Windmills of your mind, posso ir presa por isto?)

sábado, março 22, 2008

Primavera! Qual Primavera!??

Não estou a apreciar minimamente o início desta nova estação. Diria mesmo que estou indigada, sinto-me ultrajada e um pouco até irritada. Uma coisa é não haver Primavera para ninguém, assim com muito frio e muita chuva, outra é sermos abençoados com belos dias solarengos e um vento desgraçado que corta a carne e parece que estala os ossos. Mas que vem a ser isto? Nem cogumelos vejo ali na relva, e o mais perto que estou da estação do ano é o facto se estar de férias da Páscoa e poder ver o Bob o construtor em paz (RTP2 aí por volta do meio dia, para os mais despistados). Eu que sou uma doce devota das novas estações e com isso das "novas colecções" vejo-me impossibilitada de estrear a minha nova gabardine, porque tenho de continuar a envergar os casacões pesados, não posso usar sabrinas porque me magoam os pés (pronto tudo bem isso é uma deficiência só minha), camisas finas nem pensar que deixam passar o frio e "depois constipa". Logo este ano que se vão usar vestidos padronizados assim a puxar para o étnico chic, daqueles compridões e esvoaçantes, este ano que o amarelo será usado em força, e as block colors, e os tops que disfarçam as barriguinhas, e as calças de cintura subida voltaram eheheheh, e os colares compridos, não acho bem o tempo estar a fazer estas coisas feias e eu com o armário cheio de roupa etiquetada. Lá teremos de esperar mais um pouco. Eu cá já estou, alguém quer um chocolate?

terça-feira, março 18, 2008

Morreu o homem que cinematizou o Principezinho

Eu sei que não é bem assim, mas é como o recordo, e não consigo olhar para o filme e não pensar no livro de Saint Exupéry: pela visão, pelo dourado, pelas "asas", pela lindíssima história de amor, pela fantástica direcção, pela magia, pela vida liberta e que se esvaiu.

segunda-feira, março 17, 2008

no meios dos estudos...

instaura-se toda uma nova tradição na vida desta princesa, chama-se Os scones das 4 e meia! ( e sem passas): num Magnólia do Campo Pequeno perto de si!
(com borbotos à mistura)))))))

sábado, março 15, 2008

Merci por esta "Mercy"

"I'm gonna put myself à escuta" foi assim que reagi aos primeiros acordes desta podersosa canção da loura Duffy ( a mim parece-me um cruzamento entre Amy Whinehouse e Nancy Sinatra) vá sem a heroína e sem a visita a Portugal no dia 30 de Maio! E o videoclip é giro também e o refrão não me sai da cabeça, esta moça jeitosa assim habilita-se! Já não vivemos o revivalismo dos 80's meus caros, vijámos até aos 70's (escuto ali qualquer coisa de The doors, algum instrumento talvez...!!) Aqui fica então!

segunda-feira, março 10, 2008

Sô Burton

É sobre ele que me tentarei debruçar no trabalho que realizarei no meu Seminário, falta-me só "vender" a ideia à minha professora coordenadora.
Aqui fica o link (clicar na imagem) do Stick boy e Match girl para passar os olhos por todas as estórias criadas por ele num livro bem apetitoso e falsamente infantil...está assim como Lewis Carroll para Alice no país das maravilhas, este Tim Burton e a morte melancólica do rapaz Ostra.

domingo, março 09, 2008

domingo, março 02, 2008

Uma rapariga que eu conheço

Ela nem sempre sabe o que faz, nem se o como e quando o faz estão a ser feitos do melhor modo.
Ela sabe que sente, e se sentir em demasia é motivo de condenação então ela dá-se como culpada, sim ela é rapariga para o fazer.
Ela não é segura e por isso gosta tanto das mãos dos outros: da sua força, da sua grandeza, da muralha que constroem à sua volta.
Ela não se satisfaz facilmente, e nem sempre compreende os sinais, não diz tudo porque sabe que não sabe tudo, e se aprender a motiva, ser ensinada é regra de ouro para o seu contentamento.
Ela gosta de se sentir lembrada, relembrada...puxada e agarrada, e gosta da doçura que há por detrás de um acto de violência: um abraço apertado, uma mão no pescoço, uma marca no ombro esquerdo ( a memória que persiste em ficar marcada na carne).
Ela liga-se a tudo, sem se ligar a nada, aprecia tanto a escuridão da noite como a luz que teima em espreitar pelas frechas das janelas fechadas ao nascer de um novo dia, gosta tanto do cheiro a roupa lavada como o do corpo suado, se ri então é porque tem vontade de rir, e se chora talvez lhe tenha entrado uma coisa para o olho.
Se se silencia é porque o silêncio não a incomoda quando está a seu lado, basta olhá-lo quando ele não está a ver, e percorrer as linhas do seu rosto, ou tocar-lhe na mão para saber que está vivo, basta subir ao seu peito e escutar o bater do seu coração enquanto o seu dono dorme adormecido.
"Porque é que foges?", pergunta.
"Um dia deixo de fugir.", pensamento.
Ela sabe que bastam uns breves segundos (porque os segundos são sempre breves) para que as duas vontades se cumpram num mesmo desejo, e para que se chegue ao centro da terra quente e em erupção, ela sabe que é como no poema da canção:
" I'm thinking back to the last day we had/ Old moon fades into the new/ Soon I know I’ll be back with you/ I’m nearly with you/ I’me nearly with you"
E ela sabe que regressará a casa mais uma vez, será deixada à porta para querer voltar à paragem do autocarro e fazer com que o dia anterior regresse, que regresse, e se o autocarro teimar em não passar, então ela corre atrás do carro "I'll fly, I'll fly..."
E assim sendo esta rapariga que eu conheço (mas sobre a qual nada sei verdadeiramente)...esta rapariga dizia eu, sabe que a viagem é longa, o percurso árduo, está ciente de que o tempo a pode abandonar e que deve estar preparada para perder. Caso ganhe, então fica tudo bem porque a vida é feita de pequenos nadas que são o tudo, e o tudo para esta rapariga tem sabor a sumo de laranja acabada de espremer.
Alguém conhece esta rapariga?

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

"Como nos filmes"

(imagem 'aprisionada' do filme, From here to Eternity)
Fazemos parte de uma geração que encontra no Cinema o seu modelo de vida.
Actuamos em público, temos práticas e até amamos "como nos filmes".
O nosso beijo é inspirado nos beijos dos actores norte americanos à chuva, bebemos café enquanto pensamos na vida porque vimos um leque enormérrimo de actores a fazer o mesmo - alguém sentado num balcão ao cair da noite e a ver a sua vida em flashback- na vida real só nós vemos os flashbacks e são bem menos perfeitos.
Imaginamo-nos a rodar em película num écran gigante e temos toda uma sala repleta a torcer por nós porque somos os bons da fita e não fizémos nada para merecermos aquilo que nos está a contecer, ou será que fizémos?
O Cinema ilude, sempre o fez e sempre o fará, 'cinema realista' é coisa que não existe, porque tudo é falso, estudado, pensado e criado, e tem a espessura de uma folha de papel refinado.
O Cinema ilude e mesmo assim moldamos a nossa vida às expectativas que dele criamos, a grande diferença é que no Cinema o amor faz-se poeticamente e nós sabemos que na realidade é institivo e por isso animal, a diferença é que um beijo no cinema é longo, pode ser dado à chuva e captado com uma câmara digital enfiada nuns carris de modo a filmá-lo em movimentos circulares em redor dos dois amantes, a diferença é que nos filmes a pessoa que amamos quando chega é em slow motion.
Nos filmes as pessoas traem-se para perceber o quanto amam a pessoa que acabaram de trair, e na vida real as pessoas traem e traem e magoam e assim perpetuam a dor dos que são traídos, e não há happy ending para os dois.
Nos filmes a estória esgota-se na última página do argumento, a vida é um livro aberto.
Nos filmes o amor da nossa vida é enquadrado no écran a partir de um close-up, as coincidências são motor da acção (e da ficção), e na vida as coincidências que tanto queremos que aconteçam tardam.
A diferença é que o Cinema aprisiona e imortaliza, a vida liberta e esvai-se.
E por isso fica, o beijo entre Steve Mcqueen e Faye Dunaway em The Thomas Crown affair, fica o tema de Shigeru Umembayasia em In the mood for love, fica a conversa entre Clive Owen e Julia Roberts em Closer, fica a cena das escadas entre Viggo Mortensen e Maria Bello em History of violence, e fica isto...

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

And now someone is fuc*ing Ben Affleck

(clicar na imagem para visionar vídeo) Jimmy Kimmel achou por bem responder a Sarah Silverman quanto à questão "Matt Damon" e resolveu a situação recorrendo ao seu melhor amigo Ben Affleck, num vídeo muscial que conta com as participações de ilustres como Brad Pitt, Robin Williams,Josh Groban, Cameron Diaz, entre muitos outros!

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

I knew it!

Para meu contentamento foi o nome de Marion Cotillard que saiu de dentro do envelope pelo seu magnífico desempenho em La môme! Se Daniel Day Lewis não foi uma surpresa, muito menos foi o "bravíssimo" Javier Bardem que é outro que parece que não sabe fazer nada mal feito já desde os tempos do Before night falls, e finalmente Tilda Swinton vê o seu talento reconhecido pela Indústria. No country for old men foi o grande vencedor da noite, mas não me posso aventurar que ainda não tive a oportunidade de ver a obra. Tristeza? Sim por Atonement que é um dos grandes derrotados do ano. Ah e Ratatouille também levou a estatueta, todos dizem que não havia maneira de ter sido outro o resultado...devo dizer que ainda não o vi... shame on me (como diz o outro)! Mas Cotillard ganhou é bom não esquecer!

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Houve sangue e de que maneira

O galardoadíssimo de Paul Thomas Anderson é obra para ficar na mente, e lá permanece durante tempo indeterminado feito zumbido nos nos nossos ouvidos...como outrora ficara Magnolia.
There will be blood apodera-se dos nossos sentidos, seja pela ausência inicial de palavras, seja pela luz intensa do sol que nos encadeia, seja pelo negro do petróleo, seja pelo vermelho escuro e espesso do sangue.
Tudo é inesperado nesta obra aparentemente simples, desde a banda sonora diegética que nos envolve através da poderosa composição de John Greenwood, através do som explosivo das forças que provêm do subsolo, do vazio sonoro de H.W, do poder sonoro das palavras: inesperado e poderoso são os termos.
São muitos os elementos que identificam esta obra como pertencente a este realizador: quer sejam as explicações que ficam para depois, as alusões à religião católica, os símbolos dos nomes, desde Plainview a Sunday passando por Mary a Abel, os pormenores visuais, o momento brechtiano por excelência (aqui não há chuva de sapos mas há homicídio na pista de bowling), o humor negro... One night, i'm gonna come inside your house, wherever you're sleeping, and i'm gonna cut your throat...eu cá ri-me à custa disto, é a noção de parábola feita às custas de uma estória na qual capitalismo, religião, ganância e humanidade (ou falta dela) se conjugam para nos brindar com um exercício deveras perturbador.
O argumento consubstancia-se na vida de Daniel Plainview, um homem que começa do nada e conquista tudo através de alguma sorte, palavreado forte, a crença na família e na educação (palavreado disse eu...), bem como nos progressos sociais e tecnológicos, mas acima de tudo através do ódio que esta mesma personagem vai alimentando a partir do seu desprezo pelo ser humano, aliás é neste momento que faço a minha vénia ao fenomenal Daniel Day Lewis o actor mais cool de Hollywood que faz o que quer, quando quer e fá-lo sempre, mas sempre de modo irrepreensível e esmagador, pondo todos os outros num chinelo.
Também elogios devem ser tecidos a Paul Dano de quem pouco se ouve falar e que dá aqui provas de que se torna a passos largos num promissor actor (para quem viu Little miss sunshine), com o seu desempenho este jovem actor "ajuda" o protagonista, não lhe faz sombra mas também não fica encoberto no papel do jovem fervoroso que nos proporciona, a meu ver, alguns dos momentos mais desconfortáveis da obra.
"Haverá sangue" pois, a promessa é cumprida bem no final, embora toda a obra seja feita como que de um ritual se tratasse, um sangramento de duas horas e meia, da Terra, dos laços familiares, da Fé, da carne humana, e do Tempo que vai de 1898 a 1927.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Até logo filha!

E é grande a força que no início da minha recuperação emprego na mão que empurra a caneta que espalha a tinta sobre a folha na qual imortalizo este meu estado de espírito. Apercebi-me de que não temo a Morte, temo sim a Dor, a dor de perder. Não quero perder a minha Mãe, tomei consciência disso nestas últimas noites em que a olhei enquanto ela dormia na minha cama para estar mais perto de mim, ela dormia e eu olhava-a enquanto esperava que o meu medicamento fizesse efeito. Tenho medo de não a voltar a ver a não ser quando fechar os meu olhos, tenho medo de me esquecer do cheiro do peito dela, das suas rugas que começam onde terminam os lábios finos e rosa- pálida, da fraqueza dos seus dedos, dos seus bolos de iogurte queimados, da forma redonda das suas unhas, do sinal que ela tem no queixo que eu beijo, do sabor do pão com manteiga que comia no emprego dela quando era menina. A minha mãe sempre foi atenciosa e carinhosa, sempre me abraçou, sempre entrelaçou as pernas dela nas minhas na cama fria deixada pelo meu pai de madrugada em dia de feira, a minha mãe sempre me beijou os olhos para eu adormecer, a minha mãe é a única que me faz chorar só de pensar nela, é só ela e mais ninguém. A minha mãe é a lutadora que tudo faz para me ver sorrir, a minha mãe é aquela que diz "vai passar" olhando para o outro lado parecendo divagar em busca de soluções, a minha mãe é aquela que me deseja toda a felicidade e toda a felicidade é sempre pouca para todo o amor que sente. A minha mãe é aquela a quem nao consigo mentir, posso até fazê-lo mas ela sabe sempre e sabe sempre tudo, ela sente lá dentro, a pequenina que mostro já não ser sai para fora, vai ter com ela puxa-lhe a manga da camisa e sussurra-lhe a verdade ao ouvido, a pequenina dá uma risadinha e sai a correr, e a minha mãe fica a saber de tudo e eu de nada. A minha mãe é quem me faz torradas com muita manteiga e o café na própria chávena onde bebeu o dela. Não, não a quero perder, não estou preparada, a minha mãe é aquela que ainda hoje de manhã me deu um beijinho na bochecha e disse "até logo filha", o dia em que não ouvir isto significará que todo o meu mundo desabou, que parte de mim morreu, e que a outra, a que a recordará nunca mais será a mesma, só os que amamos verdadeiramente deixam pégadas na areia da praia da nossa memória, "até logo mãe".

terça-feira, fevereiro 19, 2008

A corda

A minha corda é feita de muitos fios, fios longos e brancos que se entrelaçam, dão voltas, abraçam-se, multiplicam-se em desencontros apertados, procuram a luz que em cima se quer coberta; a minha corda é feita num nó grosseiro e rogoso por um marinheiro sábio e gasto pela efemeridade do tempo que ainda está por passar.
Se eu cortar a minha corda ou deixar que alguém a corte por mim, será como pregar uma sensação num pedaço de madeira tosco e húmido, como cravar pedaços de vidro na planta do meu pé, abafar um grito com uma mão suada a meio da noite, uma vontade cega de gritar pela boca que contém a língua viva, vermelha e quente.
É a corda que me deixa saltar. Sem corda não tenho coragem de olhar para baixo quando estou bem lá em cima, a corda deixa-me sonhar como ave que quero ser, ave que arranha o peito no topo das árvores, que se deixa arrepiar com as gotas frias de água da chuva, que foge do Sol enquanto se dirige para Ele.
Sem a corda não conseguia partir sabendo que a volta não seria possível, a corda estica até onde eu quiser, não temo a falta da sua consistência, ela é como um amigo imaginário, pode ter todas as qualidades, todos os defeitos, todas as belezas, todas as cores e feitios, todas as formas, a minha corda pode ser feita de papel, de aço, de algodão, de carne, de ar, de aroma a jasmim, de poesia de Wordsworth, de estrelas cadentes, de erva daninha, a minha corda pode ser tudo feito em nada, pode ser corpo feito em cinza, cinza renascida em corpo e penas, água feita nuvem, galho feito ninho.
A minha corda estica sempre, até onde eu quiser, faço um lacinho na ponta do meu dedo escondido no bolso roto do casaco de lã cinzento, e lá vou eu com a minha corda, ninguém a vê, nem eu mesma, mas sei que está bem ali e que se algo de mal acontecer, o caminho para casa é certo, se algo de pior tomar o lugar de algo de bom, tenho alguém à espera, se morrer, ela leva-me ao Monte mais alto dos Tempos mais antigos, das cores mais mágicas, dos cheiros mais intensos, das pessoas mais verdadeiras, dos corações mais selvagens, das ilusões mais lindas, dos ventos mais frescos, dos tecidos mais esvoaçantes, das águas mais cristalinas, e Monte onde não descansarei, apenas permancerei eterna e por toda a eternidade.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Cateter heart Bobby forever

De facto eu e o "Nosso Senhor" não somos os melhores amigos deste mundo.
Agora que tinha entrado de férias e planeava ter uns dias passados "na paz do Senhor" com muita jovial e colorida fanfarra, eis que "o Senhor" me faz um laço de marinheiro à vida e me faz ondear numa cama adoentada.
Uma coisa é planear férias "ena vou fazer assim e assim", "ena tanto tempo, agora é que vai ser"....para no fim nos resignarmos à grande verdade: a malta não sabe o que fazer com tempo livre, e como a malta não sabe, a Leila pensou "eh pah e se eu adoecesse, apetece-me ter uma pielonefrite" e pronto cá estou eu a recuperar da dita cuja.
Felizmente o pior já passou, depois da febre,do calafrio, da dor de cabeça, da maldita dor lombar (foi a pior parte), da muita posição desconfortável, e da não menos muita proibição a torto e direito de tudo aquilo de que gosto mesmo.
Acho mesmo que dormi mais nos últimos dias que em todo o último mês de Janeiro de 2008, e a incursão às Urgências do Hospital do Santa Maria- a coroação real desta Princesa incapacitada- fez de mim uma pessoa "realmente" doente (sim porque só é "doente" quem vai ao Hopsital).
Mas vá lá, só posso dizer bem daquela gente, médicas portuguesas e espanholas, enfermeiras e enfermeiros sorridentes e capazes, ok a senhora da Ecografia era horrível, e só podia mesmo trabalhar num sítio escuro onde passa o dia a procurar coisas até ficar vesga num écran todo manhoso, meio Matrix do tempo do Indiana Jones.
E foi naqueles corredores que aprendi (sentindo-o na pele) o que é um "cateter", e aprendi também o que é um "Bobby" e são os dois: termos médicos.
Não posso dizer que o saldo seja positivo, porque com a saúde não se brinca e eu até gosto de ter dois rins e também gosto do da direita que por acaso é aquele que dói, e porque estou proibida de ingerir leite e derivados durante o tempo em que estiver a tomar antibiótico, oh pah estou-me maribando para o Leite, mas e os DERIVADOS?? O que é que eu faço da minha vida sem a boa da manteiga da vaquinha, e o queijinho fresco da vizinha (não é ela que é a vaca atenção), o que é que eu faço sem a minha torrada lambida a manteiga e o meu galão a meio da tarde??

domingo, fevereiro 10, 2008

Lenny Kravitz e James Morrison No Rock In Rio Lisboa

Para mais informações, clicar no logo e acedem ao site oficial do evento, e se clicarem nas fotos dos senhores visionam um videozinho dos artistas!

sábado, fevereiro 09, 2008

I'm f*cking Matt Damon

Sarah Silverman simplesmente (vá e uma ajudinha do Matt Damon)

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Irritações parvas num post muito irritante

Não posso dizer que seja uma pessoa facilmente irritável, aliás tenho aquilo a que muito boa gente chama de "paciência de Santa", mas existe certamente uma ou outra coisa que me irrita cá com uma pinta que "vou va vous contar"!!
A primeira coisa que me irrita é levar encontrões na rua (principalmente no metro e nesse grande lugar que é o Chiado) e não ouvir um "Xculpe" ou "perdão", depois irrita-me que havendo todo um autocarro por ocupar a senhora idosa resolva sentar-me mesmo ao meu lado e querer conversa da boa que se inicia no "reumatismo e termina ah o eu pai faleceu com cancro" e ainda não contente pedir "oh menina podia puxar a cortina é que os velhos já não aguentam com tanto sol", logo eu que gosto tanto do Sol.
Irrita-me não haver pão fresco em casa quando chego cansada da faculdade, instiuição na qual e pela qual "dou o litro" e não vejo retorno nenhum.
Irrita-me solenemente que façam barulhos estranhos com a boca, estão a ver o donkey do Shrek?? Pois bem eu sou o irritado ogre verde.
Irritam-me os aranhiços, irritam-me os intelectualóides de esquerda, não há nada pior que essa raça abelhuda, se é comuna ao menos que seja terra a terra, não é à toa que envergam como logotipo uma foice e uma martelo.
Irritam-me as pessoas que não se sabem comportar segundo as regras (não as sociais, apenas aquelas que dizem "estou a dar atenção ao que diz, posso não concordar mas estou a seguir o seu raciocínio") e por isso irritam-me alunos que em conversa com professsores numa sala de aula não parem de teclar ao telemóvel.
Irrita-me que tenham retirado do mercado o grande iogurte com pedaços de ananás light do Plus. Choro um pouquinho por ele a toda a primeira Terça e Sexta feira de cada mês.
Irrita-me o preço irritante dos bilhetes de cinema, o preço dos bilhetes de Teatro, irrita-me ter frio e desejar o Verão, irrita-me não encontrar outra palavra para colocar no lugar de "irrita-me". Irrita-me ponto final.
Como dá para ver até não sou das pessoas mais irritáveis deste mundo, ah e irrita-me querer agrafar alguma coisa e dar com o agrafador sequinho, sequinho, eu aguento muita coisa mas um agrafador sem agrafos irrita-me exponencialmente, e querer depois um clips e não dar com ele....
Da próxima dedico umas linhas fartas às coisas de que gosto e que felizmente são infinitamente mais dos que as que me IRRITAM. Aliás a palavra IRRITAR está a irritar-me, é melhor terminar esta coisa, oh Alá deixa-me parar, estou a tornar-me compulsiva e ainda tenho toda uma matéria para rever de um teste que farei amanhã!
Fui!
Ah e irrita-me o facto de todo o mundo agora ser doutor porque vai à internet: pergunta ao tio Google o que fazer com determinados sintomas e ele cospe uma mezinha toda genial, da última vez que fiz isso o tio Google disse-me que o meu problema era "próstata"...fiquei irritada? Fiquei sim senhora!

domingo, fevereiro 03, 2008

Para ti (1)

Para ti (2)

Did you know that true love asks for nothing/ Her acceptance is the way we pay/ Did you know that life has given love a guarantee/ To last through forever and another day/ ((As, George Michael feat Mary J Blige, lyrics by Stevie Wonder))

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Ricardo Araujo Pereira e o INEM

A "hot line" do INEM (acabada de ser copiada do blog do "looker")!

domingo, janeiro 27, 2008

Pôr do Sol

Este é muito bonito.
Mas não é melhor do que aquele que eu vi ontem!

sábado, janeiro 26, 2008

ATONEMENT

Falar bem de Atonement é já um 'lugar-comum' entre críticos e aspirantes a, mas não será por isso que deixarei de o fazer juntando-me ao grupo, aliás é por isso mesmo que também eu o irei fazer.
Joe Wright aprendeu bem a lição e brinda-nos com a sua aprendizagem feita obra-prima, que podendo ter sido um exercício frustrado dada a complicação do material narrativo a ser tocado, e cuja circularidade literária se estende ao longo de todo o romance, se transforma numa bela e fiel adaptação, uma transição perfeita da palavra íntima à imagem que se quer partilhada.
Dario Marianelli ( Orgulho e preconceito e V de Vingança) através da sua espantosa composição musical leva-nos a percorrer todos os espaços físicos e psicológicos, seguimos os pezinhos da pequena Briony, o olhar vago de Robbie, a pena de Cecilia pela jovem irmã e por si mesma. A música de Marianelli deve ser focada exactamente pela sua fluidez, rapidez e envolvência e quase mecanicismo, compassada ao ritmo de uma máquina de escrever, pautada por pausas, reticências, pela força da imaginação, pela força da culpa e pela força própria de uma máquina Corona.
A música serve ainda de elo de ligação, nos longos e audazes travellings que acompanham o caminhar de Briony pela casa, pelo campo, pelo hospital e pelas ruas de Londres; este realizador monta assim uma estrutura impulsiva mas pensada ao pormenor, tudo ali é filmicamente verdadeiro e realmente falso: sejam os enquandreamentos, os valores icónicos, a "crucificação" de Cecilia em dois momentos da obra (uma na biblioteca e outra no final da obra), o apriosionamneto de Briony num vitral onde se pode ler "Matilda", a mesma do poema cujo início é Matilda told such dreadful lies, it made one gasp and stretch one's eyes.
Joe Wright é um verdadeiro plantador de imagens fortes na nossa memória, assim ficam Robbie numa bela panorâmica num campo de papoilas, fica o encontro dos amantes num salão de chá e o jovem Turner a tremer por saber que terá apenas 30 minutos com Cee, (e aqui uma ponta de raiva da minha parte por não ver o nome de James Macavoy na lista dos Óscares de nomeados a melhor actor) fica a sua aura angelical ao ver-se numa luta que não lhe pertence, com um passado que não forjou e com um futuro que não planeou, na memória fica uma Keira Knightley inicialmente selvagem e que se vai decompondo num ser frágil e amargurado, na memória fica Saoirse Ronan de olhar determinado e diabolicamente infantil, bem como Romola Garai cuja frase "There is no Briony" marca efectivamente um momento importante do filme.
Se posso acusar Atonement de algo, é do uso excessivo de citações cinematográficas (a mim não me incomodaram minimamente), ou o uso algo cansativo de longos planos- sequência (que fazem todo o sentido para um antes de espectador, leitor), bem como a cena de Robbie frente a uma tela de cinema clássico.
Mas a memória, essa fatalidade dos deuses, deixa ainda a fantástica reconstrução histórica na praia de Dunkirk, o vestido verde de Cee, o acabamento perfeito com Claire de Lune de Debussy e a expiação de uma mentira que levou toda uma vida a ser revelada, injustiçando um Amor entre um Homem e uma Mulher, empenhando a vida de ambos nas "amarras" daquilo que foram uns breves momentos passados numa biblioteca escura numa quentíssima noite de Verão.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

À la grande et a la française!

Em reunião de esclarecimento aos alunos da Faculdae de Letras da Universidade de Lisboa convocada pelo senhor Reitor, os visados foram informados de que os "rumores" que apontavam para o encerramento da Faculdade foram efectivamente negados.
Falou-se (sim pouco se discutiu) numa reestruturação da orgânica da instituição, do plano de mobilidade que quando instaurado serviria para reforçar os conhecimentos dos alunos, podendo estes ter a oportunidade ( e já agora a honra, o privilégio) de ususfruir de cadeiras completas e precisas para o curso ao qual se candidatam.
Ou seja, inscrevemo-nos numa Faculdade mas as coisas que interessam aprendemos noutros sítios, só temos de nos deslocar até lá, pagar os transportes e usufruir, ah e depois voltar à nossa Faculdade para aprender o resto.
Parece que vão assim "parir" (é o termo) mais dois cursos deveras importantes para o desenvolvimento do país: Estudos asiáticos e Estudos eslavos, dois cursos que formarão jovens enérgicos a ingressar numa qualquer cadeira de supermercados do país, trabalhando como operadores de caixa, empacotadores, e afins.
Melhorar as infraestruturas já existentes, não consta, reorganizar os departamentos dos cursos que sobrevivem mal e timidamente, não está nos planos, proporcionar bem-estar e esperança nos jovens finalistas, nem sequer se pondera, docentes aptos para leccionar cadeiras de Artes tendo eles formação em Línguas, cada um faz o que pode, VIVA A POLIVALÊNCIA!
Pago 700 euros de propinas numa instituiçã pública e não posso mesmo pagar mais, levo ainda grátis uma reunião que mais não é do que uma ode à capacidade de verborrear, passando por termos como "repto", "Senado" e "paridade" que se sucediam a uma velocidade extraordinária, lá está domina-se a Língua Portuguesa na perfeição, mesmo seguindo-se o modelo francês!
A ver se os rumores não são justificados.
repto: provocação, desafio
paridade: qualidade de par ou igual, semelhança
Senado, do Lat, Senatu assembleia dos velhos (Senex) = reunião de corpo docente de uma Universidade
Ou seja: a reunião foi um repto cujas ideias circulares eram uma paridade proferidas pelo Senado!
Assina: Leila Gato aluna da faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, finalista do (agora) curso de Estudos artíticos- variante de Artes do Espectáculo.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

4/04/79.22/01/2008

Nunca me custou tanto dizer o que me vai na alma, a confusão que se gerou na minha cabeça quando recebi a notícia: "morreu".
Mesmo agora estou a esforçar-me muito para fazer deste post algo de sentido e correcto. Há já algum tempo que me apercebi de que as pessoas morrem. Não é justo, nunca foi e nunca será quando gostamos delas, não é justo podermos apenas eternizá-las nos nossos corações, queremo-las sempre connosco, é um egoísmo sim, que todo o egoísmo deste mundo fosse esse.
Heath Ledger achou (parece) que merecia algo melhor, ou pelo menos que temporariamente merecia alguma paz, será que se arrependeu no último instante?Será que...
Era jovem, era bonito e era talentoso (como se com isto estivesse a dizer algo de importante que o descrevesse realmente), arriscava-se a tornar um grande artista (os artistas são perigosos), digo arriscava, porque num mundo como o de Hollywood ter talento é um risco. As chamadas "estrelas" têm tudo ao seu alcance, rodeiam-se de pessoas, de coisas, alacançam-nos e afastam-se de tudo o resto, fica tudo falsamente próximo, fica a faltar o principal, o essencial, o primordial, algo que não se verbaliza, que se sente e que se deseja mais do que tudo, sem qualquer possibilidade de nomeação .
O problema de Heath é o problema mais normal do mundo, sentimo-nos deslocados, com tanto para dar e pouca vontade de enfrentar os demónios que nos apoquentam, escrevo e falo na segunda pessoa do plural porque no fundo somos todos assim, estamos todos uns para os outros, todos nós temos medo, tanto medo que nalgum momento uma coisa dessas pode passar-nos pela cabeça, podemos perfeitamente deixar de acreditar, e sem esperança, sem nada com que sonhar, então mais vale parar, ficar por ali, dormir mais um pouco.
Corajoso o que tenta, cobarde o que o faz?
Escolhi uma foto onde fosse visível o seu belo sorriso, é assim que o vou recordar, a sorrir. Relembrar os seus bons trabalhos, antecipar duas obras que estão a aparecer, tentar perceber?Acho que todos nós percebemos, James Dean falava em "conquistar a Eternidade", não creio que seja esse o nosso projecto, prefiro acreditar que seja antes essa palavra FELICIDADE: aquilo que nos anima, a palavra está gasta bem sei, não é um estado permanente, não é o início de nada, são pequenos nadas, e às vezes nem nos apercebemos do quão felizes somos, só olhando para trás é que se torna claro!
Um sorriso por Heath Ledger.
Façam o favor de serem felizes.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Sul coreanos ao ataque!!!

Na mesma semana em que toda uma Cidade Universitária é evacuada porque alguém achou por bem mandar janela fora uma coisa que metia enxofre e mais não sei o quê, dou comigo a folhear em plena livraria no Saldanha um livro pouco maior do que a minha mão direita (e/ou esquerda separadamente) e que custava aproximadamente 9 euros, livro esse que tinha como título algo como Simpatias e mezinhas, abri-o no capítulo que me ensinava a " Como evitar perder-se numa mata Virgem", até aqui tudo bem!
Pois, e quando euzinha pensava que já nada poderia superar o poder desta magnífica obra literária (a não ser o visionamento do filme Inland Empire e os consequentes sonhos que tive com anões e com a mãe da laura Palmer e com homens com cabeças de coelhos), eis que sou aboradada na rua ( a caminho da Faculdade de Letras que fica onde? Sim na mesma zona onde são deitados fora resíduos estranhos em jeito de "água vai") por um casal de sul coreanos que queriam o quê?
Informações?
Não nada disso.
Queria somente envangelizar-me.
(Pausa sentida desta que abusa do abuso do efeito surpresa)
Não só me prometiam o descanso eterno como me queriam baptizar uma segunda vez (como se a primeira não e tivesse já bastado..), leram-me partes GRANDES da Bíblia traduzida para português, e ouvi-los foi nervosamente esgotante, e pediram-me ainda que tentasse ir buscar a Salvação na Igreja do reino de Deus na Avenida de Roma.
Perguntam vocês?
"Já lá foste?
Ainda não fui não senhora, mas é que eu e o Nosso Senhor nem sempre nos mantemos em contacto, às vezes eu ligo e ele diz que está ocupado e tentar resolver isto e aquilo, depois ele liga-me a mim e eu ignoro as chamadas em atitude de protesto pelas nóticias do jornal da noite do dia passado, e a modos que eu e Ele, Ele e eu não somos as pessoas mais próximas.
Eu até gosto dele e tal, mas ele é como o outro "fala fala e eu não o vejo a fazer nada!", e eu é claro que fico revoltada!!

domingo, janeiro 20, 2008

Sem inspiração para títulos

Depois de um dia como o dia 18 (dia esse que jamais arrancarei das páginas do meu calendário) dou comigo a tentar clarificar o sentido da palavra "escuridão". Não me vou pôr a procurar a origem etimológica da palavra, nem o seu significado no dicionário de Lingua Portuguesa da Porto Editora (passo a publicidade), tentarei eu própria inventar um. A caneca de café (hoje saiu-me fraco não sei bem porquê) aquece-me as 4 entradas do coração que se quiseram fechar ao contemplar-te. Será a escuridão um simples apagamento da luz, a morte da Aurora, será Vida adormecida, Morte alertada, Claridade enraivecida, Espectro pecador, Profundidade esvaziada, Voo estéril, Veneno injectado, Elíxir refrescante, Poesia enegrecida, Narrativa fechada, Vício, Força, Descanso ou Agonia? Ainda sem resposta e já sem café, factos que contribuem grandemente para o meu duplo embaraçamento, vejo-me na obrigação de te entregar uma "folha" em branco, não tenho resposta, mas minha AMIGA quero que saibas que em momentos de escuridão como este, estou mesmo aqui ao teu lado, podes não me ver por causa da escuridão (lá está, sempre ela), mas cá estou eu, e sentir-me-às sempre na imensa Escuridão. Continuo a saber muito pouco sobre muita coisa, mas ao ver-te no dia 18 a guiar aquele carro daquele modo, percebi que não nascemos para nenhum fim determinado, isto a que chamamos de "Vida" não tem significado algum, aliás o seu significado é o acto de viver em si mesmo. Portanto como vês, enquanto buscava o significado de uma coisa encontrei o de outra, o de algo que de facto vale a pena lutar por.

Two figures by a fountain

Dearest Cecilia,
the story can resume. The one I had been planning on that evening walk. I can become again the man who once crossed the surrey park at dusk, in my best suit, swaggering on the promise of life. The man who, with the clarity of passion, made love to you in the library. The story can resume. I will return. Find you, love you, marry you and live without shame.

sábado, janeiro 19, 2008

Porque não quero um "Antes do anoitecer" só meu

Visionei o filme que todos já visionaram e revisionaram, todos menos esta pessoinha detestável.
Before sunest é doce como uma cereja colhida em pleno Abril (peço desculpa pela reminescência primaveril), é tocante, falsamente naive, e ao mesmo tempo uma pequena elegia ao amor adiado.
Os 77 minutos nos quais decoore o reencontro do par romântico relembra-me algo que ainda não vivi, e temo só de pensar que o posso vir a viver.
Tantas e tantas vezes me passa pela cabeça e pela ponta dos dedos que não tenho a força para dizer o que é preciso dizer a quem é de direito!
Dou por mim a tentar imaginar-me com trinta e poucos anos ( e tenho quase a idade dos membros do par romântico aquando de Before Sunrise ) a dizer as mesmas coisas timidamente, a agir nobremente a favor das aparências e contra os meus desejos mais íntimos, a fugir modesta e falsamente através de olhares evasivos porque "no fundo não foi nada de especial, aquilo que senti, ou que pensei sentir, ou que quis sentir, ou que pensei que seria genial sentir, afinal eu nem sequer me recordo da cor do refelexo da pequena barba dele iluminada pelo Sol, nem nada, afinal eu era uma jovem...".
Não quero dar comigo a aparentar numa funesta simplicidade que há sempre Tempo para me tornar adulta, e dar comigo a acordar ao lado de alguém que respeito e porém não amo, a trabalhar nalgo que justifico e porém não desejo, e querer estar em qualquer lugar, e em lado nenhum (porque sou de todo o mundo e e de nenhuma parte ao mesmo tempo).
Não, não é pecado querermos alguém e entregarmo-nos a outro noite após noite lutuosamente, se é desculpável é porque não é pecado, é só castigo, só castigo comumente aceite.
Fica a faltar o reencontro aos trinta e poucos anos nestas mesmas condições, porque felizmente para o mal de muitos há a esperança de podermos ter o nosso "momento Casablanca" e dizer que teremos sempre Paris.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Vou daqui a nada encaminhar-me para um teste de Análise fílmica, tentei estudar Alá sabe bem como, mas em vão. Acho que é daquelas coisas que só quando nos são realmente apresentadas é que percebemos se "ah tanta coisa para isto" ou pelo contrário "eh pah alguém que me espete o lobo parietal com um aramezinho por favor..."! Agora agradecimentos e pedidos: a) Obrigada Senhor João pela dica quanto às palavras iniciais. b) E claro que comentarei a frase deixada no último 'post', fá-lo-ei assim que desencarcerar o dito do arame do não menos dito do lobo! Porque raio estou a ouvir Jamiroquai às 8 e meia da manhã??!!..

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Imagina apenas

"Imaginar", (persisto na ideia de que os artistas são seres perigosos simplesmente porque o fazem)
Bem Dani agora que já o terminaste já podemos discutir a coisa como deve de ser, vai ser um belo almoço de tertúlia, com um (hmmm talves dois) I Padrino a assistir! (é impressão minha ou esta última frase ganha contornos bizarros colocada nestes termos...)
E dia 17: a estreia de Expiação, nunca é demais lembrar!

terça-feira, janeiro 15, 2008

Perante o arco íris

Nada de extraordinário aconteceu, ou sim, consoante as prioridades que queremos que façam parte dos nossos desejos. Mas normalmente a caminho de casa, nada de especial acontece: reconhecemos as caras, sabemos o caminho, as poças de água que queremos evitar, as pessoas com quem não nos queremos cruzar, admiramo-nos por termos chegado uns minutos mais cedo. Mas a caminho de casa dão-se as coisas mais fascinantes, invisíveis na vida dos demais e essenciais na minha.
A caminho de casa fui acompanhada por um arco-íris (por acaso ele alguma vez voz fez isso a vocês?), ia ali juntinho a mim, era capz de o tocar se me apetecesse, íamos lado a lado como duas crianças a brincar a beira rio num final da tarde, eu voava sobre rodas estrada fora e ele ali a suster o céu que de tanta vergonha havia acabado de chorar compulsivamente uns dois minutos, dois minutos e meios antes.
Chego a casa, já sem o arco a meu lado, e vejo que não está ninguém em casa, não tenho chave e não posso entrar, nem sequer fiquei chateada, com o escuro não me apeteceu não conseguir ver as minhas mãos no escuro e saí para a rua.
Olhei para longe e vi algo para o qual olho todos os dias, sem nunca realmente (re)ver, senti arrepios de frio...ou terão sido de saudade?
O que quer que tenha sido desejei o Verão a partir desse arrepio.
As noites abafadas pelos calor, a "apanhada" inocente mato fora, as cigarras cantantes, a luz das estrelas, o cheiro a melão fresco acabado de talhar, a brisa do campo, o fresco da arca frigorífica.
Olho para longe, a noite depressa acorda.
Lá ao longe, aquele mesmo longe da infância, vejo nuvens cor de rosa, vagarosas, estendidas sobre o firmamento. Firmamento esse ocupado por árvores, as mesmas que receava aos 8 anos, e que de tão longíquas e tão altas me pareciam poderem picar as inocentes nuvéns cor de rosa, as mesmas árvores que eu julgava abrigarem bruxas que passavam as manhãs a colher maças vermelhas e a tarde a envenená-las.
O meu Verão cheira a vestidos aos quadradinhos, a dias passados na praia a comer sandes de fiambre, cheira a gomos de laranja, a sonhos a preto e branco, a areia corada pelo sol, salgada pelo mar, e pele quente, a uvas molhadas, a beijos peganhentos de vizinhas, o meu Verão sabe a gelado de baunilha, a dores de barriga, escuto o velho carro do meu pai, as bruxas continuarão lá?

Podia ter sido eu a primeira a dizer...mas foi Bergman

Filme como sonho, filme como música. Nenhuma outra forma de expressão artística é capaz de, como o cinema, vir ao ao encontro dos nossos sentimentos, penetrar nos recantos mais obscuros da nossa alma. E tudo graças a um efeito de choque no nosso nervo óptico: vinte e quatro quadradinhos por segundo, iluminados, separados pelo escuro que o nosso nervo não regista.
Lanterna mágica, Ingmar Bergman

sábado, janeiro 12, 2008

Para o nosso próprio bem far-se-ão sempre grandes filmes, e longos também. Felizmente fui ver The assassination of Jesse James by the coward Robert Ford num final de tarde e que bem que me soube sair daquela sala na qual passei perto de 3 horas (três horas assim compensam a valer). Este é um daqueles filmes que tem tantos pontos positivos que é injusto escrever sobre eles, as palavras faltam neste tipo de situações, porém arriscarei a parte mais fácil e para já deixo a mensagem de que esta é uma obra onde imperam os dourado das cearas de trigo, o azul do céu, o branco da neve e o preto do sangue, e vemos todas estas cores em planos-sequência de uma ausência transpirada de beleza e harmonia que extasiam os sentidos do espectador.
No fundo são manifestações de uma Natureza presente que pondera por nós (e só para nós numa comunhão
intima) sobre o que acabámos de ver e ouvir, são separadores "naturais" que fazem o filme evoluir no tempo da intriga. O mais próximo que vi desta grandiosidade foi no The New world, quem o visionou percebe e alcança o que tento dizer. Quanto à intriga, não há muito a dizer apenas que está tudo no título, é um pouco como pegar na peça A morte de uma caixeiro viajante..sim é o mesmo tipo de exercício: não há o factor surpresa, não há nenhum twist no final, não há acidentes de percurso, é apenas a história de um homem que fazia sombra a outro, ou a história de um que sentia simplesmente na sombra de alguém. Os homens: Brad Pitt, arrisco-me a dizer que tem aqui o seu melhor desempenho de sempre, capaz de numa mesma cena revelar extrema tristeza como logo a seguir se mostrar o homem mais alegre à face da terra, estados depressivos têm destas coisas. Vislumbramos depois um nada coward Casey Aflleck, com um desempenho soberbamente desequilibrado, este Senhor opta por um registo nervoso e maquievélico, capaz de nos fazer duvidar na nossa própria bondade, e... limita-se a falar no filme, pouco mais faz que isso. Aliás se faz mais alguma coisa no filme é matar um tal de Jesse James e arrepender-se desse feito para o resto dos seus tristes e vazios dias. A obra do quase estreante Andrew Dominik é um caminhar vagaroso pelos últimos dias da vida de Jesse James: as pessoas com quem se cruzou, a melancolia de uma Netureza beijada por acordes de violinos e pianadas que parecem chorar as pedras da calçada fria e cortante a cargo de um tal Senhor chamado Nick Cave e outro Warren Ellis. São as cearas de trigo que dão passagem a Jesse James, a neve que lhe gela o peito, o passar do tempo que teima em não se mostrar caridoso com uma alma atordoada, um caminho pela mente de um fã perigoso que muda de opinião porque a inveja é coisa feia e muito pouco saudável. Feitas as contas, vemo-nos inundados por uma esmagadora onda de poesia cinematográfica, a arte tem dessas coisas, não se faz só de si mesma, preferindo alimentar-se de tudo o que sirva para justificar este mundo. The assassination of Jesse James by the coward Robert Ford não é um filme de accção, não é uma comédia e para drama falta-lhe o tal "dramatismo", aqui nada acontece por acontecer, tudo é explicado, tudo flui como as águas do rio e Brad Pitt brilha emoldurado pela soleira de uma porta , enquanto que Casey Affleck entra sorrateiramente pela mesma, e devo dizer é esta a beleza deste primeiro grande filme de 2008!

Os dois primeiros pares de 2008

bem como os dois primeiros filmes do mesmo ano!
Brad & Casey
Tom & Julia
à custa de Jesse James tive a minha primeira overdose de poesia cinematográfica do ano e sobre ela debruçar-me-ei ainda hoje.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Êstano ná' globo pa' ninguém

À semelhança do que aconteceu com o Lisboa-Dakar o Golden globe awards foi cancelado.
Pelo menos a cerimónia que marca o acontecimento.
Ou seja ,vão haver globos sim senhora (o título é só para chocar os leitores, e... enganá-los, como tão bem se faz nas capas dos nosso jornais e revistas bem dispostos): monta-se-se um estaminé meio Feira do Bombarral, meio Feira do Livro, meio Feirão do Feira Nova, e serão anunciados os nomes vencedores em cada uma das categorias, coisa que levará aí uma hora fazer-se, salvaguardando-se as celebridades do possível confronto com as odes grevistas, raivosas e com alguma razão!
Não haverá o discurso da noite, muito menos bebedeira, nem o vestido Valentino, nem o actor todo coiso e tal que leva a mãe em vez de uma brasileira toda jeitosa e praticamente nua, não meus senhores não haverá nada disso, ah nem a nossa amiga do AXN a fazer a cobertura do evento com os seus comentários altamente frutíferos...
A ver o que acontece com os Óscares...é a crise meus caros (dos argumentistas).

domingo, janeiro 06, 2008

Isto aqui fuma-se?

Ontem tomei pequeno almoço numa pastelaria já ao abrigo da nova lei do tabaco que entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2008, e eis que um senhor conhecedor desta lei pousa os óculos sobre o jornal deitado na mesa na qual lia e bebia café e levanta-se de cigarro na mão e pergunta ao criado mais próximo:
Onde é que fica a sala de chuto?

sexta-feira, janeiro 04, 2008

OLHA-ME SÓ ISTO

Tirei uma carta ao acaso e sai-se-me esta coisa, e eu "Eh lá saiu-me uma carta com bonecos!!"..só que depois li o conselho do dia: Momento de recuar. Recuar? Passamos o ano todo a recuar, logo agora que estava a juntar-me ao grupo dos cool (malta perseguida é malta cool) fumadores, apetece-me ser contra o sistema, pertencer a clubes privados, andar com uma fita no braço a identificar-me pelas minhas acções e pelas minhas escolhas, ter alguém ou algo a dizer que se está a fazer isto e aquilo pela minha rica e santíssima saúde, e a dar razões a pessoas para serem ainda mais mal educadas, porque agora o Estado dá-lhes razão, ah e Andreia a partir de agora não nos podemos ver mais, "pah tu fumas e eu não", nunca iria dar certo. É uma relação condenada desde o início, e condenada pelo Estado. O Estado!! Andreia como estamos mal de massas se marcarmos os nossos rendez-vous nos casinos a coisa faz-se, aí ao menos posso fingir que sou a Lauren Bacall e apostar umas coins nas slots! E vão ver que agora os saudavelzinhos é que nos vão dar umas lições de civismo, o poder confere isso ao ser humano, arrogância, meus amigos arrogância feia, fingida, intolerante e não- fumadora! Mas agora esta carta...alguém tem para a troca? Troco a Lua pelo o Enforcado!!

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Love in the time of cholera

Baseado no romance de Gabriel Garcia Márquez de 1985, Amor em tempos de cólera é o novo filme de Mike Newel, com Javier Bardem (essa coisa imperdível), Giovanna Mezzogiorno (l'último bacio), Benjamin Bratt, Fernanda Montenegro, entre outros.
Persisto na ideia de que adaptar um romance deste escritor é coisa impossível de se fazer, se é que existem impossíveis neste mundo, mas reforço a ideia de que escrever e ler 'relva azul' não é o mesmo que a ver, pelo menos a minha "relva azul" não.
A crítica dá forte e feio nesta ideia e arrasta a obra fílmica pelas ruelas mais porcas e feias:
Estreia prevista a 24 de Janeiro (IMDB), leiam o livro depois!