quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Irritações parvas num post muito irritante

Não posso dizer que seja uma pessoa facilmente irritável, aliás tenho aquilo a que muito boa gente chama de "paciência de Santa", mas existe certamente uma ou outra coisa que me irrita cá com uma pinta que "vou va vous contar"!!
A primeira coisa que me irrita é levar encontrões na rua (principalmente no metro e nesse grande lugar que é o Chiado) e não ouvir um "Xculpe" ou "perdão", depois irrita-me que havendo todo um autocarro por ocupar a senhora idosa resolva sentar-me mesmo ao meu lado e querer conversa da boa que se inicia no "reumatismo e termina ah o eu pai faleceu com cancro" e ainda não contente pedir "oh menina podia puxar a cortina é que os velhos já não aguentam com tanto sol", logo eu que gosto tanto do Sol.
Irrita-me não haver pão fresco em casa quando chego cansada da faculdade, instiuição na qual e pela qual "dou o litro" e não vejo retorno nenhum.
Irrita-me solenemente que façam barulhos estranhos com a boca, estão a ver o donkey do Shrek?? Pois bem eu sou o irritado ogre verde.
Irritam-me os aranhiços, irritam-me os intelectualóides de esquerda, não há nada pior que essa raça abelhuda, se é comuna ao menos que seja terra a terra, não é à toa que envergam como logotipo uma foice e uma martelo.
Irritam-me as pessoas que não se sabem comportar segundo as regras (não as sociais, apenas aquelas que dizem "estou a dar atenção ao que diz, posso não concordar mas estou a seguir o seu raciocínio") e por isso irritam-me alunos que em conversa com professsores numa sala de aula não parem de teclar ao telemóvel.
Irrita-me que tenham retirado do mercado o grande iogurte com pedaços de ananás light do Plus. Choro um pouquinho por ele a toda a primeira Terça e Sexta feira de cada mês.
Irrita-me o preço irritante dos bilhetes de cinema, o preço dos bilhetes de Teatro, irrita-me ter frio e desejar o Verão, irrita-me não encontrar outra palavra para colocar no lugar de "irrita-me". Irrita-me ponto final.
Como dá para ver até não sou das pessoas mais irritáveis deste mundo, ah e irrita-me querer agrafar alguma coisa e dar com o agrafador sequinho, sequinho, eu aguento muita coisa mas um agrafador sem agrafos irrita-me exponencialmente, e querer depois um clips e não dar com ele....
Da próxima dedico umas linhas fartas às coisas de que gosto e que felizmente são infinitamente mais dos que as que me IRRITAM. Aliás a palavra IRRITAR está a irritar-me, é melhor terminar esta coisa, oh Alá deixa-me parar, estou a tornar-me compulsiva e ainda tenho toda uma matéria para rever de um teste que farei amanhã!
Fui!
Ah e irrita-me o facto de todo o mundo agora ser doutor porque vai à internet: pergunta ao tio Google o que fazer com determinados sintomas e ele cospe uma mezinha toda genial, da última vez que fiz isso o tio Google disse-me que o meu problema era "próstata"...fiquei irritada? Fiquei sim senhora!

domingo, fevereiro 03, 2008

Para ti (1)

Para ti (2)

Did you know that true love asks for nothing/ Her acceptance is the way we pay/ Did you know that life has given love a guarantee/ To last through forever and another day/ ((As, George Michael feat Mary J Blige, lyrics by Stevie Wonder))

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Ricardo Araujo Pereira e o INEM

A "hot line" do INEM (acabada de ser copiada do blog do "looker")!

domingo, janeiro 27, 2008

Pôr do Sol

Este é muito bonito.
Mas não é melhor do que aquele que eu vi ontem!

sábado, janeiro 26, 2008

ATONEMENT

Falar bem de Atonement é já um 'lugar-comum' entre críticos e aspirantes a, mas não será por isso que deixarei de o fazer juntando-me ao grupo, aliás é por isso mesmo que também eu o irei fazer.
Joe Wright aprendeu bem a lição e brinda-nos com a sua aprendizagem feita obra-prima, que podendo ter sido um exercício frustrado dada a complicação do material narrativo a ser tocado, e cuja circularidade literária se estende ao longo de todo o romance, se transforma numa bela e fiel adaptação, uma transição perfeita da palavra íntima à imagem que se quer partilhada.
Dario Marianelli ( Orgulho e preconceito e V de Vingança) através da sua espantosa composição musical leva-nos a percorrer todos os espaços físicos e psicológicos, seguimos os pezinhos da pequena Briony, o olhar vago de Robbie, a pena de Cecilia pela jovem irmã e por si mesma. A música de Marianelli deve ser focada exactamente pela sua fluidez, rapidez e envolvência e quase mecanicismo, compassada ao ritmo de uma máquina de escrever, pautada por pausas, reticências, pela força da imaginação, pela força da culpa e pela força própria de uma máquina Corona.
A música serve ainda de elo de ligação, nos longos e audazes travellings que acompanham o caminhar de Briony pela casa, pelo campo, pelo hospital e pelas ruas de Londres; este realizador monta assim uma estrutura impulsiva mas pensada ao pormenor, tudo ali é filmicamente verdadeiro e realmente falso: sejam os enquandreamentos, os valores icónicos, a "crucificação" de Cecilia em dois momentos da obra (uma na biblioteca e outra no final da obra), o apriosionamneto de Briony num vitral onde se pode ler "Matilda", a mesma do poema cujo início é Matilda told such dreadful lies, it made one gasp and stretch one's eyes.
Joe Wright é um verdadeiro plantador de imagens fortes na nossa memória, assim ficam Robbie numa bela panorâmica num campo de papoilas, fica o encontro dos amantes num salão de chá e o jovem Turner a tremer por saber que terá apenas 30 minutos com Cee, (e aqui uma ponta de raiva da minha parte por não ver o nome de James Macavoy na lista dos Óscares de nomeados a melhor actor) fica a sua aura angelical ao ver-se numa luta que não lhe pertence, com um passado que não forjou e com um futuro que não planeou, na memória fica uma Keira Knightley inicialmente selvagem e que se vai decompondo num ser frágil e amargurado, na memória fica Saoirse Ronan de olhar determinado e diabolicamente infantil, bem como Romola Garai cuja frase "There is no Briony" marca efectivamente um momento importante do filme.
Se posso acusar Atonement de algo, é do uso excessivo de citações cinematográficas (a mim não me incomodaram minimamente), ou o uso algo cansativo de longos planos- sequência (que fazem todo o sentido para um antes de espectador, leitor), bem como a cena de Robbie frente a uma tela de cinema clássico.
Mas a memória, essa fatalidade dos deuses, deixa ainda a fantástica reconstrução histórica na praia de Dunkirk, o vestido verde de Cee, o acabamento perfeito com Claire de Lune de Debussy e a expiação de uma mentira que levou toda uma vida a ser revelada, injustiçando um Amor entre um Homem e uma Mulher, empenhando a vida de ambos nas "amarras" daquilo que foram uns breves momentos passados numa biblioteca escura numa quentíssima noite de Verão.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

À la grande et a la française!

Em reunião de esclarecimento aos alunos da Faculdae de Letras da Universidade de Lisboa convocada pelo senhor Reitor, os visados foram informados de que os "rumores" que apontavam para o encerramento da Faculdade foram efectivamente negados.
Falou-se (sim pouco se discutiu) numa reestruturação da orgânica da instituição, do plano de mobilidade que quando instaurado serviria para reforçar os conhecimentos dos alunos, podendo estes ter a oportunidade ( e já agora a honra, o privilégio) de ususfruir de cadeiras completas e precisas para o curso ao qual se candidatam.
Ou seja, inscrevemo-nos numa Faculdade mas as coisas que interessam aprendemos noutros sítios, só temos de nos deslocar até lá, pagar os transportes e usufruir, ah e depois voltar à nossa Faculdade para aprender o resto.
Parece que vão assim "parir" (é o termo) mais dois cursos deveras importantes para o desenvolvimento do país: Estudos asiáticos e Estudos eslavos, dois cursos que formarão jovens enérgicos a ingressar numa qualquer cadeira de supermercados do país, trabalhando como operadores de caixa, empacotadores, e afins.
Melhorar as infraestruturas já existentes, não consta, reorganizar os departamentos dos cursos que sobrevivem mal e timidamente, não está nos planos, proporcionar bem-estar e esperança nos jovens finalistas, nem sequer se pondera, docentes aptos para leccionar cadeiras de Artes tendo eles formação em Línguas, cada um faz o que pode, VIVA A POLIVALÊNCIA!
Pago 700 euros de propinas numa instituiçã pública e não posso mesmo pagar mais, levo ainda grátis uma reunião que mais não é do que uma ode à capacidade de verborrear, passando por termos como "repto", "Senado" e "paridade" que se sucediam a uma velocidade extraordinária, lá está domina-se a Língua Portuguesa na perfeição, mesmo seguindo-se o modelo francês!
A ver se os rumores não são justificados.
repto: provocação, desafio
paridade: qualidade de par ou igual, semelhança
Senado, do Lat, Senatu assembleia dos velhos (Senex) = reunião de corpo docente de uma Universidade
Ou seja: a reunião foi um repto cujas ideias circulares eram uma paridade proferidas pelo Senado!
Assina: Leila Gato aluna da faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, finalista do (agora) curso de Estudos artíticos- variante de Artes do Espectáculo.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

4/04/79.22/01/2008

Nunca me custou tanto dizer o que me vai na alma, a confusão que se gerou na minha cabeça quando recebi a notícia: "morreu".
Mesmo agora estou a esforçar-me muito para fazer deste post algo de sentido e correcto. Há já algum tempo que me apercebi de que as pessoas morrem. Não é justo, nunca foi e nunca será quando gostamos delas, não é justo podermos apenas eternizá-las nos nossos corações, queremo-las sempre connosco, é um egoísmo sim, que todo o egoísmo deste mundo fosse esse.
Heath Ledger achou (parece) que merecia algo melhor, ou pelo menos que temporariamente merecia alguma paz, será que se arrependeu no último instante?Será que...
Era jovem, era bonito e era talentoso (como se com isto estivesse a dizer algo de importante que o descrevesse realmente), arriscava-se a tornar um grande artista (os artistas são perigosos), digo arriscava, porque num mundo como o de Hollywood ter talento é um risco. As chamadas "estrelas" têm tudo ao seu alcance, rodeiam-se de pessoas, de coisas, alacançam-nos e afastam-se de tudo o resto, fica tudo falsamente próximo, fica a faltar o principal, o essencial, o primordial, algo que não se verbaliza, que se sente e que se deseja mais do que tudo, sem qualquer possibilidade de nomeação .
O problema de Heath é o problema mais normal do mundo, sentimo-nos deslocados, com tanto para dar e pouca vontade de enfrentar os demónios que nos apoquentam, escrevo e falo na segunda pessoa do plural porque no fundo somos todos assim, estamos todos uns para os outros, todos nós temos medo, tanto medo que nalgum momento uma coisa dessas pode passar-nos pela cabeça, podemos perfeitamente deixar de acreditar, e sem esperança, sem nada com que sonhar, então mais vale parar, ficar por ali, dormir mais um pouco.
Corajoso o que tenta, cobarde o que o faz?
Escolhi uma foto onde fosse visível o seu belo sorriso, é assim que o vou recordar, a sorrir. Relembrar os seus bons trabalhos, antecipar duas obras que estão a aparecer, tentar perceber?Acho que todos nós percebemos, James Dean falava em "conquistar a Eternidade", não creio que seja esse o nosso projecto, prefiro acreditar que seja antes essa palavra FELICIDADE: aquilo que nos anima, a palavra está gasta bem sei, não é um estado permanente, não é o início de nada, são pequenos nadas, e às vezes nem nos apercebemos do quão felizes somos, só olhando para trás é que se torna claro!
Um sorriso por Heath Ledger.
Façam o favor de serem felizes.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Sul coreanos ao ataque!!!

Na mesma semana em que toda uma Cidade Universitária é evacuada porque alguém achou por bem mandar janela fora uma coisa que metia enxofre e mais não sei o quê, dou comigo a folhear em plena livraria no Saldanha um livro pouco maior do que a minha mão direita (e/ou esquerda separadamente) e que custava aproximadamente 9 euros, livro esse que tinha como título algo como Simpatias e mezinhas, abri-o no capítulo que me ensinava a " Como evitar perder-se numa mata Virgem", até aqui tudo bem!
Pois, e quando euzinha pensava que já nada poderia superar o poder desta magnífica obra literária (a não ser o visionamento do filme Inland Empire e os consequentes sonhos que tive com anões e com a mãe da laura Palmer e com homens com cabeças de coelhos), eis que sou aboradada na rua ( a caminho da Faculdade de Letras que fica onde? Sim na mesma zona onde são deitados fora resíduos estranhos em jeito de "água vai") por um casal de sul coreanos que queriam o quê?
Informações?
Não nada disso.
Queria somente envangelizar-me.
(Pausa sentida desta que abusa do abuso do efeito surpresa)
Não só me prometiam o descanso eterno como me queriam baptizar uma segunda vez (como se a primeira não e tivesse já bastado..), leram-me partes GRANDES da Bíblia traduzida para português, e ouvi-los foi nervosamente esgotante, e pediram-me ainda que tentasse ir buscar a Salvação na Igreja do reino de Deus na Avenida de Roma.
Perguntam vocês?
"Já lá foste?
Ainda não fui não senhora, mas é que eu e o Nosso Senhor nem sempre nos mantemos em contacto, às vezes eu ligo e ele diz que está ocupado e tentar resolver isto e aquilo, depois ele liga-me a mim e eu ignoro as chamadas em atitude de protesto pelas nóticias do jornal da noite do dia passado, e a modos que eu e Ele, Ele e eu não somos as pessoas mais próximas.
Eu até gosto dele e tal, mas ele é como o outro "fala fala e eu não o vejo a fazer nada!", e eu é claro que fico revoltada!!

domingo, janeiro 20, 2008

Sem inspiração para títulos

Depois de um dia como o dia 18 (dia esse que jamais arrancarei das páginas do meu calendário) dou comigo a tentar clarificar o sentido da palavra "escuridão". Não me vou pôr a procurar a origem etimológica da palavra, nem o seu significado no dicionário de Lingua Portuguesa da Porto Editora (passo a publicidade), tentarei eu própria inventar um. A caneca de café (hoje saiu-me fraco não sei bem porquê) aquece-me as 4 entradas do coração que se quiseram fechar ao contemplar-te. Será a escuridão um simples apagamento da luz, a morte da Aurora, será Vida adormecida, Morte alertada, Claridade enraivecida, Espectro pecador, Profundidade esvaziada, Voo estéril, Veneno injectado, Elíxir refrescante, Poesia enegrecida, Narrativa fechada, Vício, Força, Descanso ou Agonia? Ainda sem resposta e já sem café, factos que contribuem grandemente para o meu duplo embaraçamento, vejo-me na obrigação de te entregar uma "folha" em branco, não tenho resposta, mas minha AMIGA quero que saibas que em momentos de escuridão como este, estou mesmo aqui ao teu lado, podes não me ver por causa da escuridão (lá está, sempre ela), mas cá estou eu, e sentir-me-às sempre na imensa Escuridão. Continuo a saber muito pouco sobre muita coisa, mas ao ver-te no dia 18 a guiar aquele carro daquele modo, percebi que não nascemos para nenhum fim determinado, isto a que chamamos de "Vida" não tem significado algum, aliás o seu significado é o acto de viver em si mesmo. Portanto como vês, enquanto buscava o significado de uma coisa encontrei o de outra, o de algo que de facto vale a pena lutar por.

Two figures by a fountain

Dearest Cecilia,
the story can resume. The one I had been planning on that evening walk. I can become again the man who once crossed the surrey park at dusk, in my best suit, swaggering on the promise of life. The man who, with the clarity of passion, made love to you in the library. The story can resume. I will return. Find you, love you, marry you and live without shame.

sábado, janeiro 19, 2008

Porque não quero um "Antes do anoitecer" só meu

Visionei o filme que todos já visionaram e revisionaram, todos menos esta pessoinha detestável.
Before sunest é doce como uma cereja colhida em pleno Abril (peço desculpa pela reminescência primaveril), é tocante, falsamente naive, e ao mesmo tempo uma pequena elegia ao amor adiado.
Os 77 minutos nos quais decoore o reencontro do par romântico relembra-me algo que ainda não vivi, e temo só de pensar que o posso vir a viver.
Tantas e tantas vezes me passa pela cabeça e pela ponta dos dedos que não tenho a força para dizer o que é preciso dizer a quem é de direito!
Dou por mim a tentar imaginar-me com trinta e poucos anos ( e tenho quase a idade dos membros do par romântico aquando de Before Sunrise ) a dizer as mesmas coisas timidamente, a agir nobremente a favor das aparências e contra os meus desejos mais íntimos, a fugir modesta e falsamente através de olhares evasivos porque "no fundo não foi nada de especial, aquilo que senti, ou que pensei sentir, ou que quis sentir, ou que pensei que seria genial sentir, afinal eu nem sequer me recordo da cor do refelexo da pequena barba dele iluminada pelo Sol, nem nada, afinal eu era uma jovem...".
Não quero dar comigo a aparentar numa funesta simplicidade que há sempre Tempo para me tornar adulta, e dar comigo a acordar ao lado de alguém que respeito e porém não amo, a trabalhar nalgo que justifico e porém não desejo, e querer estar em qualquer lugar, e em lado nenhum (porque sou de todo o mundo e e de nenhuma parte ao mesmo tempo).
Não, não é pecado querermos alguém e entregarmo-nos a outro noite após noite lutuosamente, se é desculpável é porque não é pecado, é só castigo, só castigo comumente aceite.
Fica a faltar o reencontro aos trinta e poucos anos nestas mesmas condições, porque felizmente para o mal de muitos há a esperança de podermos ter o nosso "momento Casablanca" e dizer que teremos sempre Paris.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Vou daqui a nada encaminhar-me para um teste de Análise fílmica, tentei estudar Alá sabe bem como, mas em vão. Acho que é daquelas coisas que só quando nos são realmente apresentadas é que percebemos se "ah tanta coisa para isto" ou pelo contrário "eh pah alguém que me espete o lobo parietal com um aramezinho por favor..."! Agora agradecimentos e pedidos: a) Obrigada Senhor João pela dica quanto às palavras iniciais. b) E claro que comentarei a frase deixada no último 'post', fá-lo-ei assim que desencarcerar o dito do arame do não menos dito do lobo! Porque raio estou a ouvir Jamiroquai às 8 e meia da manhã??!!..

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Imagina apenas

"Imaginar", (persisto na ideia de que os artistas são seres perigosos simplesmente porque o fazem)
Bem Dani agora que já o terminaste já podemos discutir a coisa como deve de ser, vai ser um belo almoço de tertúlia, com um (hmmm talves dois) I Padrino a assistir! (é impressão minha ou esta última frase ganha contornos bizarros colocada nestes termos...)
E dia 17: a estreia de Expiação, nunca é demais lembrar!

terça-feira, janeiro 15, 2008

Perante o arco íris

Nada de extraordinário aconteceu, ou sim, consoante as prioridades que queremos que façam parte dos nossos desejos. Mas normalmente a caminho de casa, nada de especial acontece: reconhecemos as caras, sabemos o caminho, as poças de água que queremos evitar, as pessoas com quem não nos queremos cruzar, admiramo-nos por termos chegado uns minutos mais cedo. Mas a caminho de casa dão-se as coisas mais fascinantes, invisíveis na vida dos demais e essenciais na minha.
A caminho de casa fui acompanhada por um arco-íris (por acaso ele alguma vez voz fez isso a vocês?), ia ali juntinho a mim, era capz de o tocar se me apetecesse, íamos lado a lado como duas crianças a brincar a beira rio num final da tarde, eu voava sobre rodas estrada fora e ele ali a suster o céu que de tanta vergonha havia acabado de chorar compulsivamente uns dois minutos, dois minutos e meios antes.
Chego a casa, já sem o arco a meu lado, e vejo que não está ninguém em casa, não tenho chave e não posso entrar, nem sequer fiquei chateada, com o escuro não me apeteceu não conseguir ver as minhas mãos no escuro e saí para a rua.
Olhei para longe e vi algo para o qual olho todos os dias, sem nunca realmente (re)ver, senti arrepios de frio...ou terão sido de saudade?
O que quer que tenha sido desejei o Verão a partir desse arrepio.
As noites abafadas pelos calor, a "apanhada" inocente mato fora, as cigarras cantantes, a luz das estrelas, o cheiro a melão fresco acabado de talhar, a brisa do campo, o fresco da arca frigorífica.
Olho para longe, a noite depressa acorda.
Lá ao longe, aquele mesmo longe da infância, vejo nuvens cor de rosa, vagarosas, estendidas sobre o firmamento. Firmamento esse ocupado por árvores, as mesmas que receava aos 8 anos, e que de tão longíquas e tão altas me pareciam poderem picar as inocentes nuvéns cor de rosa, as mesmas árvores que eu julgava abrigarem bruxas que passavam as manhãs a colher maças vermelhas e a tarde a envenená-las.
O meu Verão cheira a vestidos aos quadradinhos, a dias passados na praia a comer sandes de fiambre, cheira a gomos de laranja, a sonhos a preto e branco, a areia corada pelo sol, salgada pelo mar, e pele quente, a uvas molhadas, a beijos peganhentos de vizinhas, o meu Verão sabe a gelado de baunilha, a dores de barriga, escuto o velho carro do meu pai, as bruxas continuarão lá?

Podia ter sido eu a primeira a dizer...mas foi Bergman

Filme como sonho, filme como música. Nenhuma outra forma de expressão artística é capaz de, como o cinema, vir ao ao encontro dos nossos sentimentos, penetrar nos recantos mais obscuros da nossa alma. E tudo graças a um efeito de choque no nosso nervo óptico: vinte e quatro quadradinhos por segundo, iluminados, separados pelo escuro que o nosso nervo não regista.
Lanterna mágica, Ingmar Bergman

sábado, janeiro 12, 2008

Para o nosso próprio bem far-se-ão sempre grandes filmes, e longos também. Felizmente fui ver The assassination of Jesse James by the coward Robert Ford num final de tarde e que bem que me soube sair daquela sala na qual passei perto de 3 horas (três horas assim compensam a valer). Este é um daqueles filmes que tem tantos pontos positivos que é injusto escrever sobre eles, as palavras faltam neste tipo de situações, porém arriscarei a parte mais fácil e para já deixo a mensagem de que esta é uma obra onde imperam os dourado das cearas de trigo, o azul do céu, o branco da neve e o preto do sangue, e vemos todas estas cores em planos-sequência de uma ausência transpirada de beleza e harmonia que extasiam os sentidos do espectador.
No fundo são manifestações de uma Natureza presente que pondera por nós (e só para nós numa comunhão
intima) sobre o que acabámos de ver e ouvir, são separadores "naturais" que fazem o filme evoluir no tempo da intriga. O mais próximo que vi desta grandiosidade foi no The New world, quem o visionou percebe e alcança o que tento dizer. Quanto à intriga, não há muito a dizer apenas que está tudo no título, é um pouco como pegar na peça A morte de uma caixeiro viajante..sim é o mesmo tipo de exercício: não há o factor surpresa, não há nenhum twist no final, não há acidentes de percurso, é apenas a história de um homem que fazia sombra a outro, ou a história de um que sentia simplesmente na sombra de alguém. Os homens: Brad Pitt, arrisco-me a dizer que tem aqui o seu melhor desempenho de sempre, capaz de numa mesma cena revelar extrema tristeza como logo a seguir se mostrar o homem mais alegre à face da terra, estados depressivos têm destas coisas. Vislumbramos depois um nada coward Casey Aflleck, com um desempenho soberbamente desequilibrado, este Senhor opta por um registo nervoso e maquievélico, capaz de nos fazer duvidar na nossa própria bondade, e... limita-se a falar no filme, pouco mais faz que isso. Aliás se faz mais alguma coisa no filme é matar um tal de Jesse James e arrepender-se desse feito para o resto dos seus tristes e vazios dias. A obra do quase estreante Andrew Dominik é um caminhar vagaroso pelos últimos dias da vida de Jesse James: as pessoas com quem se cruzou, a melancolia de uma Netureza beijada por acordes de violinos e pianadas que parecem chorar as pedras da calçada fria e cortante a cargo de um tal Senhor chamado Nick Cave e outro Warren Ellis. São as cearas de trigo que dão passagem a Jesse James, a neve que lhe gela o peito, o passar do tempo que teima em não se mostrar caridoso com uma alma atordoada, um caminho pela mente de um fã perigoso que muda de opinião porque a inveja é coisa feia e muito pouco saudável. Feitas as contas, vemo-nos inundados por uma esmagadora onda de poesia cinematográfica, a arte tem dessas coisas, não se faz só de si mesma, preferindo alimentar-se de tudo o que sirva para justificar este mundo. The assassination of Jesse James by the coward Robert Ford não é um filme de accção, não é uma comédia e para drama falta-lhe o tal "dramatismo", aqui nada acontece por acontecer, tudo é explicado, tudo flui como as águas do rio e Brad Pitt brilha emoldurado pela soleira de uma porta , enquanto que Casey Affleck entra sorrateiramente pela mesma, e devo dizer é esta a beleza deste primeiro grande filme de 2008!

Os dois primeiros pares de 2008

bem como os dois primeiros filmes do mesmo ano!
Brad & Casey
Tom & Julia
à custa de Jesse James tive a minha primeira overdose de poesia cinematográfica do ano e sobre ela debruçar-me-ei ainda hoje.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Êstano ná' globo pa' ninguém

À semelhança do que aconteceu com o Lisboa-Dakar o Golden globe awards foi cancelado.
Pelo menos a cerimónia que marca o acontecimento.
Ou seja ,vão haver globos sim senhora (o título é só para chocar os leitores, e... enganá-los, como tão bem se faz nas capas dos nosso jornais e revistas bem dispostos): monta-se-se um estaminé meio Feira do Bombarral, meio Feira do Livro, meio Feirão do Feira Nova, e serão anunciados os nomes vencedores em cada uma das categorias, coisa que levará aí uma hora fazer-se, salvaguardando-se as celebridades do possível confronto com as odes grevistas, raivosas e com alguma razão!
Não haverá o discurso da noite, muito menos bebedeira, nem o vestido Valentino, nem o actor todo coiso e tal que leva a mãe em vez de uma brasileira toda jeitosa e praticamente nua, não meus senhores não haverá nada disso, ah nem a nossa amiga do AXN a fazer a cobertura do evento com os seus comentários altamente frutíferos...
A ver o que acontece com os Óscares...é a crise meus caros (dos argumentistas).

domingo, janeiro 06, 2008

Isto aqui fuma-se?

Ontem tomei pequeno almoço numa pastelaria já ao abrigo da nova lei do tabaco que entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2008, e eis que um senhor conhecedor desta lei pousa os óculos sobre o jornal deitado na mesa na qual lia e bebia café e levanta-se de cigarro na mão e pergunta ao criado mais próximo:
Onde é que fica a sala de chuto?

sexta-feira, janeiro 04, 2008

OLHA-ME SÓ ISTO

Tirei uma carta ao acaso e sai-se-me esta coisa, e eu "Eh lá saiu-me uma carta com bonecos!!"..só que depois li o conselho do dia: Momento de recuar. Recuar? Passamos o ano todo a recuar, logo agora que estava a juntar-me ao grupo dos cool (malta perseguida é malta cool) fumadores, apetece-me ser contra o sistema, pertencer a clubes privados, andar com uma fita no braço a identificar-me pelas minhas acções e pelas minhas escolhas, ter alguém ou algo a dizer que se está a fazer isto e aquilo pela minha rica e santíssima saúde, e a dar razões a pessoas para serem ainda mais mal educadas, porque agora o Estado dá-lhes razão, ah e Andreia a partir de agora não nos podemos ver mais, "pah tu fumas e eu não", nunca iria dar certo. É uma relação condenada desde o início, e condenada pelo Estado. O Estado!! Andreia como estamos mal de massas se marcarmos os nossos rendez-vous nos casinos a coisa faz-se, aí ao menos posso fingir que sou a Lauren Bacall e apostar umas coins nas slots! E vão ver que agora os saudavelzinhos é que nos vão dar umas lições de civismo, o poder confere isso ao ser humano, arrogância, meus amigos arrogância feia, fingida, intolerante e não- fumadora! Mas agora esta carta...alguém tem para a troca? Troco a Lua pelo o Enforcado!!

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Love in the time of cholera

Baseado no romance de Gabriel Garcia Márquez de 1985, Amor em tempos de cólera é o novo filme de Mike Newel, com Javier Bardem (essa coisa imperdível), Giovanna Mezzogiorno (l'último bacio), Benjamin Bratt, Fernanda Montenegro, entre outros.
Persisto na ideia de que adaptar um romance deste escritor é coisa impossível de se fazer, se é que existem impossíveis neste mundo, mas reforço a ideia de que escrever e ler 'relva azul' não é o mesmo que a ver, pelo menos a minha "relva azul" não.
A crítica dá forte e feio nesta ideia e arrasta a obra fílmica pelas ruelas mais porcas e feias:
Estreia prevista a 24 de Janeiro (IMDB), leiam o livro depois!

segunda-feira, dezembro 31, 2007

De que são feitos os sonhos

O mal da revisitação de um ano que adormece para dar lugar a um que quer acordar, é chegar à conclusão de que por melhores ou piores que algumas coisas tenham sido, a verdade é que já não estão a fazer-nos companhia. As boas lá estão elas sorridentes e gloriosas acenando com coroas de louro num pedestal de mármore; as más quietas e sisudas e infelizes por já não nos poderem amedrontar mais, as pobrezinhas. Decidi hoje de manhã que este dia não seria o último de nada, mas antes a continuação de algo que teima em principiar-se! Se hoje é dia para ficar pensativa, que seja só pelas coisas boas que estão para vir e não pelas más que vieram cobrar uma vistinha rápida, deixar uma lembrança e enfim obrigar-nos a dar uma volta maior àquela prevista. O que me interessa, hoje, esta manhã e esta noite é exactamente- o momento: este estado de permanente ansiedade que me faz pular da cama todas as manhãs e apreciar o nascer do dia e o céu cor de rosa. Esse "nascer" que quero ver até ao momento derradeiro, porque se ele nasce todos os dias não é de bom tom não o ver, "o sol quando nasce é para todos" certo? São os projectos fáceis aqueles que transformo em "resoluções", são esses que me confortam, que me transmitem a ideia de "tarefa cumprida", gosto de metas perfeitamente transponíveis que me possibilitam os sonhos que ficam por sonhar, tenho para mim que são esses os que mais queremos ver realizados...são os sonhos que nem imaginamos que temos! São esses sonhos que que fazem de nós pessoas felizes. E cada filme não será em vão, nem cada fuga, nem cada ausência, nem cada sorriso, nem cada abalo à normalidade, nem cada conspiração estrelar para que os nossos caminhos turtuosos se alinhem, nem cada descoberta, nem o "oops" da minha cara amiga ao imaginar que estava a destruir a manga da minha camisola roxa, nem a cara de felicidade daquele menino que tinha mais chocolate e chantily na cara que na caneca, nem terá sido em vão o sol a fazer brilhar o azul infantil do céu do meio dia, nem as nuvens na presença da ausência de estrelas no meu regresso a casa, nem as mensagens trocadas com o amigo que não se importa de ler o que as melgas escrevem. Se as coisas fossem fáceis o que seria de nós? O momento. O regresso. O cair da noite. A música. O fogo. A face alva. As pequenas coisas. O anel gigantesco. A floresta encantada. O adeus. O Olá. O 2007 e o 2008! Foi um bom ano? Será com certeza!

Depedindo-me sem o fazer realmente

e já que coloco o maravilhoso labirinto no topo da minha lista deste ano, deixo aqui o teaser do próximo filme (espanhol)do mesmo cineasta: 'The orphanage', o melhor é mesmo não criar grandes expectativas!

domingo, dezembro 30, 2007

Top 6 de 2007

Costuma ser o top 3, 5 ou 10, pois bem o meu é o top 6 e refere-se a filmes visionados nas nossas salas (independentemnete do ano de produção): 1. Pan's labyrinth, Guilhermo del Toro 2. Eastern Promises, David Cronenberg 3. Zodiac, David Fincher 4. Rescue Dawn, Werner Herzog 5. Les chansons d'amour, Christophe Honoré 6. Elizabeth: the golden age, Shekhar Kapur

sábado, dezembro 29, 2007

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Despojos de um Natal fílmico

Quanto ao último post, não há muito a dizer apenas que ainda não a preparei como deve de ser, é que tenho de arranjar uma música de coro, uns cartazes gigantes e tentar captar a inocência maquievélica do olhar de Andrew Lincoln, ah e este tipo de coisas só tem piada no Natal com neve e assim, por isso para o ano que vem a coisa faz-se, por isso é bom que neve no Natal de 2008! Mas devo dizer que ontem foi um dia altamente produtivo, dia 26 de Dezembro é o dia mais deprimente do ano, ficamos com aquela sensação de "Oh já acabou..", a mim apetece-me ficar de molho na cama a contemplar o tecto, e a pensar que "para o ano há mais", quase que me apetece tirar prazer de um cigarro. Ontem fiquei mesmo muito deprimida, arrasei com tudo o que era essa grande fatalidade do pós Natal chamada RESTOS, comi mais ontem que nos dias 24 e 25, e não sei se ria, se chore ou se fuja para a Suiça (Su queres-me aí?) é que pelo menos lá usamos roupa para lá de larga e bem que podemos estar grávidas de trigémeos que ninguém dá pelos putos! Agora mais a sério, ontem como estava a empaturrar-me de doces (ah Nini obrigada pela caixa de chocolates Garoto sua ORDINÁRIA, sim eram muitos bons, não já não há chocolates, sim a caixa tenho-a ali cheia de papéis vazios, GOrda és tu!). Mas como ia a dizer, uma Princesa deprimida que faz ela? Pousa a sua pança nobiliárquica no seu leito real, tapa-se com os gordos (até eles) cobertores, rebola para a esquerda e para a direita para chegar aos comandos e vê filmes! O primeiro da lista foi o maravilhoso Conto de Natal dos Marretas Logo a seguir à meia caixa de Ferrero Rocher veio este Serenata à chuva que foi uma estreia para mim, não não nunca tinha vsito e...gostei. Mas logo a seguir veio aquele que é o MEU FILME DE NATAL, posso mesmo dizer que este é o único filme (e reparem que é tão grande que tenho de virar o dvd para o LADO B a meio) que ainda não está a acabar e eu já estou a recuar uns quantos capítulos (fazendo batota..diria o meu sábio irmão) e a desejar que ele não termine nunca. Ah e sim choro sempre com a Scarlett a dizer "Tomorrow is another day!", ah e acho que este como é enorme o acompanhei com uma sandes (quem mandou comprar pão fresco a meio do dia) e comi aquelas coisas horríveis chamadas frutos secos... "um bocadinho de sal para cortar o doce" (diria a Vanessa)! E tudo vento levou E não contente, e já batendo as 10 e meia da noite, saco do cd para fora do leitor, e mudo para a rtp "só naquela" e que vejo eu? Charlie e a fábrica de chocolates Sim isto...Era Deus Nosso senhor e o filho recém nascido juntos a dizer "PECADORA, pensas que não te topámos sua leitoa mal assada, agora levas com o Willy Wonka (salvo seja) e nem mies"...e eu lá o vi com um sorriso nos lábios e algum medo do Todo Poderoso! Palavars finais, algumas. Foi bom rever o filme do sô Burton porque já não me lembrava das duas homenagens a senhores como Kubrik e Hitchcock (parodiando-os claro) e Busby Berkeley nas cenas musicais! Foi pena ter de levar com (outra vez esta falaciosa expressão) o Die Hard na tarde de 24, enquanto já me podia estar a deliciar com o meu Charlie (talvez dia 26 tivesse sido um dia diferente). Ah e palavra final, NÁUSEA!

terça-feira, dezembro 25, 2007

segunda-feira, dezembro 24, 2007

O Natal da Princesa

Nunca tive um Natal diferente do anterior. O que é curioso porque eu mudo de ano para ano. Com estas duas ideias apercebmo-me da razão pela qual esta época é tão especial e tão chegada à caixinha mágica de música que é o meu coração. No fim, este dia mais não é do que todo o tempo que o antecede e o nosso desejo caprichoso de que ele páre para que de lá não saiamos sequer por um momentinho. Pois bem, o Natal não é o momento mas sim todo o que lhe antecede, o Natal é esta precisa hora, é a passagem da tarde com a chegada daquels que amamos, são as refeições fartas de sorrisos e boas vontades, é a espera, a espera. O Natal é a minha ilusão da chamada Noite Branca envolta em criaturas selvagens que se tornam dóceis ao cair da escuridão, são os postais feitos à mão ostentando casas feitas de pedra perdidas num manto também ele branco, tão branco que parece cinzento azulado, tão branco que se torna inantigível, tão branco que se perde no fumo da chaminé que é só minimazada porque a luminosa Lua espaçosa e soberba reluz solitariamente. Para lá do postal, o Natal são as atitudes, é o respeito das vontades dos outros, são os sorrisos nos olhos dos mais velhos, a esperteza arisca nos mais novos, é a saudade daqueles que já não estando comnosco são aqueles que realmente nunca nos deixam. ...Voltando ao postal ou ao filme, ou ao conto, lá no longe permance o castelo, pano de fundo esmagado pela noite estrelada, habitado pela alegria, reinado pela paz e graciosidade, e aí reside toda a sua poesia, e felizes daqueles que abrem os postais, lêem os contos, abrem os postais( vejam sempre os "postais" que vos são oferecidos), reparem na letra em que são escritos!! ...E no castelo é aguardada a Princesa, atrasada e ofegante, de capa vermelha e vestido esvoaçante, corre ela por entre as árvores escuramente protectoras, corre para junto da lareira alumiada e que faz "dos cabelos louros ouro e das barbas brancas prata". A Princesa é aguardada ansiosamente, manda os passarinhos voarem na sua direcção para que avisem os que a aguardam, que os acalmem "ela vem aí, ela vem aí", e ela com os presentes no regaço feitos vermelhos em flor, eis que chega a Princesa que vê o seu mundo "finalmente", o mundo dela. A princesa abranda, arranja o vestido, deixa cair a capa nos ombros, passa as portas gigantes e diz de si para si "valeu mesmo a pena, toda a pena...", e emociona-se com a felicidade dos outros. O Natal é uma tiara banhada de amor- ouro, cravejada de brilhantes- luz e fechada com beijos- mil, coroa uma cabeça livre, forte e encantada. Feliz Natal a todos, voltem também vocês aos vossos castelos porque sem eles nada faz sentido, voltem enquanto ainda podem voltar.
Agora sim, um natal perfeito.

domingo, dezembro 23, 2007

ए इस्तो é पर टी!

Ontem regressei a casa depois de um longo, mas não muito frio dia. Saí cedo e voltei tarde, tal como se quer. Pelas ruas de Lisboa deliciei-me no meio de multidões felizes a fazer compras, a procurar desejos encantados nas prateleiras que são repostas à velocidade da luz. Caras cansadas, cores fortes, luzes que vão para lá da nossa percepção, uma espiral mágica que só um ser com uma grande capacidade de nos arreliar não se consegue deixar sensibilizar. Matei as saudades da minha irmã, almoçámos dois kilos de sushi enquanto conversávamos sobre os Natais passados: "Lembras-te?" gosto tanto dessa expressão, dá-me a sensação de uma existência feliz na Linha do Tempo fiado pelas Parcas, aquele aprisionado nas fotografias meio dobradas. Seguiu-se um último adeus a alguém especial (sim, sim "já lhes falei sobre nós e reagiram bem"),falámos do Futuro (essa incerteza, os planos, os sonhos, a cidade), recordámos o Passado mais pobre e não menos alegre, apenas diferente, onde algo se perdeu e algo se deixou ficar na nossa memória ecoando nos nossos actos, e falámos do Presente, mas esse passa tão depressa que mais vale vivê-lo. Fazes-me bem! É incrível como frases como "está bem, está bem" colocam tudo a perder e frases como "mãos de fada" e "ai uma passadeira" nos fazem emergir do subsolo e nos fazer ascender a uma existência mais plástica, mais concreta, mais próxima daquilo que queremos para nós, mais longe dos afectos mas mais perto de tudo o resto. É incrível como um mesmo lugar nos pode trazer boas e más memórias, as boas para nos fazer prosseguir, as más para nos ajudar a crescer. Este post vai inundado de borbotos e por isso sabes que é para ti. Se nem sempre vemos aquilo que olhamos, sei também que não é fácil olharmos para aquilo que vemos. Eu vejo aquilo que quero, olho muito pouco, mas vejo sempre, e tu estás sempre lá, no meu lado esquerdo.

Não resisti...

David Fonseca sings "Amazing Grace" O melhor videoclip deste Natal de um músico português (só orgulho)

sábado, dezembro 22, 2007

Um dia de cada vez

Refeita do sonho, debruço-me sobre um problema que apoquenta silenciosamente um elevado número de pessoas neste alterado mundo. Sabemos que existem coisas absolutamente desnecessárias e sem as quais já não conseguimos imaginar as nossas vidinhas, existe o telemóvel (esse cada vez mais complexo aparelho que além de fazer telefonemas, manda palavras indecifráveis para os telemóveis dos outros, permite fazer contas complicadas, tira fotografias, e eu acho mesmo que vem aí um novo modelo que tira umas tostas mistas ui, ui!). Mas não é só o telemóvel, existem os cartões disto e daquilo (nenhum deles com dinheiro corrente), os porta chaves mais estranhos e bizarros,e eu devo admitir que possuo mesmo um relógio despertador que projecta a hora na parede, enfim..ninguém disse que eu era perfeita, já tentaram mas eu refuto a ideia com este belo post! Ele há pessoas que temem coisas como não fazer depilação e logo nesse dia partir uma perna e ir direitinha (ou direitinho) ao hospital, ou usarem as suas piores meias ( e rotas) no dia em que tiveram um valente acidente rodoviário, e digo sobre isto que são medos perfeitamente justificáveis, há coisas toleráveis, mas acidentados com roupa interior para lá de medíocre é do piorio. Mas meus caros, devo confessar que o medo com o qual convivo todos os dias tem outro nome, e ele é O MEU MP3. Vá eu onde vá, não me consigo imaginar sem dois fios brancos a sair-me pelos ouvidos, já tentei sair de casa mas voltei atrás para os ir buscar, e quando me faltam as pilhas..ui fico danadinha!! E sei que não estou sozinha nesta luta contra a dependênncia, já me foi adiantado que é um processo gradual, cada dia é uma vitória, mas com a ajuda daqueles que me amam sei que vou conseguir. Sei bem que este é um problema geral do qual muitos padecem, a sociedade emaranha-nos nas suas astutas teias e é de lá muito difícil de sair diria aquele psicólogo que às vezes vai ao telejornal da Sic, mas meus caros o meu grande medo não são "as meias rotas", ou a lingerie cor de carne (sem lacinhos nem nada), nem muito menos a depilação por fazer...e se os paramédicos me vão escutar o MP3? "Perdida" meus caros é como ficarei, dirão algo como " Eh pá esta gaja é caso perdido, desliguem mas é as máquinas, salvemos quem quer ser ajudado!", meus caros e eu morrerei vítima de uso e absorção sonora e abusiva de MP3. O MP3 é perigoso porque não ouvimos coisas como "A linha amarela está temporariamente encerrada", ou " A menina sabe onde fica a sala 2.1?", e isto é o início da nossa alienação social, e vocês sabem como é que terminam os casos de alienamento social! Tomei uma decisão, entrei na sala, puxei duma cadeira e disse "Olá eu sou a Leila e sofro de uso abusivo de Mp3!" e escutei do outro lado "Olá Leila!" A lista do MP3 (a razão porque os paramédicos me chamaram de CASO PERDIDO: All That she wants- Ace of Base Enchanted Melody-The Righteous Brothers Un'altra te- Eros Ramazzotti I saw the sign- Ace of base No rancho fundo- Tieta The first Noel- Elvis Presley Bem Bom- Doce Macarena- Alvin and the chipmonks Roseira Brava- Paco bandeira Sobe, sobe balão sobe- Manuela Bravo

quinta-feira, dezembro 20, 2007

A luz na (e da) cidade dos meus sonhos...

... e enquanto vou aguradando impacientemente pela hora do brownie e da chávena de chá Earl Grey procuro uma imagem que reflicta uma pequena, pequena imagem que reflicta uma grande, grande sensação do que é estar na minha cidade! As ideias são leves como folhas amontoadas nas beiras dos passeios esquecidos, as imagens âncoras que não nos deixam fugir para lado nenhum, são corações feitos de sonhos que nos enfeitiçam e nos deixam lá ficar e me fazem dizer que este ano voltando, fico lá.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Eu adoro os senhores da Amazon

(A preciosidade pela módica quantia de 9 euros e picos) E obrigada Bu pelo encaminhamento do processo!

Let's put a smile on that face!

sábado, dezembro 15, 2007

O fim da aventura

Estou neste preciso momento a abraçar carinhosamante um trabalho a que me propus fazer. A ideia é simples: uma análise comparativa entre dois filmes, o original e o que lhe seguiu, o chamado remake. Se no ano passado me deleitei a fazer um trabalho do género, mas com vista a um romance e a sua respectiva adaptação fílmica, desta vez não são duas obras a relacionar, mas sim três porque resolvi complicar um pouco a coisa, e assim tratarei dois filme e o livro que lhes deu origem. Tenho então encontros marcados com The end of the affair de 1955 e The end of the affair de 1999 que serão os meus objectos de estudo e sim o de 1999 é um dos filmes da minha vida, e ambos baseados num dos mais tocantes e perturbadores romances que já li, The end of the affair de Graham Greene. A história é simples, uma mulher casada mantém um romance com um outro homem, entre os dois surge a guerra que lhes possibilita os encontros furtuitos, e um outro ser mais presente que tudo, surge Ele e todos os seus esmagadores valores, que faz lembrar, lembrar e nunca esquecer. Ele que devia unir as pessoas e mais não faz que as separar, que as obriga a fazer promessas e a corromper as suas almas ancorando os seus sentimentos, Ele que diz que o desejo é quando satisfeito é sinal de que merecemos ser castigados, Ele que que fala em Amor e não acredita em coincidências, Ele que levou Sarah apenas porque Sarah O amava, e porque ela trocou a sua Paz pela Paz dele. O que deveria ser um romance sobre o ódio a Deus consubstancia-se num texto (talvez O texto) mais angustiante que já li e que tem o poder de se transformar na mais bela declaração de amor feita por um homem perdido na Terra a uma mulher perdida no Céu. Porém ao terminá-lo percebi que este livro não é sobre ódio, e sim sobre Amor,e só odeia quem é capaz de amar seja o que for, Bendrix tinha medo de não ter conseguido amar Sarah, mas Bendrix consegue odiar Deus. E Sarah viu-se obrigada a desejar a morte daquele a quem mais amou, Sarah partiu numa tarde de bombardeamentos em Londres e nunca mais voltou, passando o resto dos seus dias a tentar encontrá-Lo em vão:
Perdi a Paz. Quero Maurice. Quero o vulgar e corrupto amor humano. Ó meu Deus, bem sabes quanto desejo desejar a dor que me ofereces, mas, neste momento não. Afasta-a de mim por um instante, oferece-ma noutra altura.
Deus não escutou Sarah.
Sarah: Love does not end just because you stop seeing each other.
Bendrix: That's not my kind of love.
Sarah: Maybe there's no other kind.
Gosto de fazer trabalhos assim.

O que é bom é para ser visitado pela princesa!!

E portanto aqui ficam os links de:

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Globos de Ouro

Ui este ano é caso para dizer "há pó menino e pá a menina!", pois que este ano choveram nomeações para aquele lado do globo, dilataram-se as correntes de nomes que coroam cada categoria e prevejo já muito filme a ganhar numa ou duas categorias. Sim este ano será difícil haver "o grande vencedor da gala".
De qualquer modo,a minha felicidade ao ver Atonement na frente, algum desagrado pela omissão de nomes como Joaquin Phoenix, Daniel Day Lewis e Russel Crowe (eu não gosto dele, mas não posso deixar que o ódio me domine nestas situações), Christian Bale também é com pena que não o vejo por lá, e a ausência de Vincent Cassel na categoria de melhor actor secundário também me custa um pouco,
O certo é que entre mortos e feridos, são mesmo assim bem jeitosinhos os sobreviventes, para o resto da lista..já sabem o que fazer!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

That's how you know...

que não há nada como um filme inocente para brindar ao Natal!
Mas também ajuda ouvir o Patrick Dempsey a dizer:
I don't dance.
And I really don't sing.
Já não se fazem Príncipes como antigamente.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Qualquer semelhança (não) é pura coincidência

Quando me preparava para deixar umas palavras sobre Funny games e sobre a sua colagem inspirativa em Clockwork Orange, não só pelo tema (ou melhor uma simples cena do filme de Kudbrik), pela cor, pelo "mind games", pela parecença física entre Michael Pitt e Malcolm Macdowell e pela violência explícita, eis que me deparo com a verdade Funny games é um ramake shot by shot do filme com o mesmo nome de 97 de Michael Haneke.
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Assim vejo-me na obrigação de reformular a minha ideia, Funny games com Naomi Watts, Michael Pitt e Tim Roth é um remake shot by shot do filme de 97 com o mesmo nome, mas com todas as influências do filme de Stanely Kubrick. Deste modo trata-se de um remake que nasce declaradamente de um outro filme (uma homengagem portanto como Gus Van Sant fez com Psycho) e nasce também para não fazer esquecer a ultra violência de 1971!
É por isto que gosto de cinema, porque aqui nada é coincidência!

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Hi Tekk feat Nikkfurie

Todos dizem que dos três o douze é o pior, mas eu cá como gosto mais de ver o que de melhor um filme tem do que o que de pior (acho mesmo que há gente paga para o efeito)!
Aqui fica Thé à la Menthe do duo francês La caution, "a fantástica cena dos lasers do Ocean's 12"....Enjoy (clicar na imagem)
Sim, porque não é só a Nini que posta "as malhas" de que gosta!!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Hoje a caminho de casa

Hoje a caminho de casa, decidi apanhar o metro, nem sempre o faço, prefiro caminhar demoradamente pelas ruas nestes dias, são frios mas têm um encanto especial, o chão é cama feita para as atordoadas folhas secas das árvores que se abanam para delas se verem livres, e os pássaros corajosos voam vagarosa e destemidamente pelos céus mais próximos a nós. Hoje a caminho de casa, decidi apanhar o metro, tinha tempo, tinha bastante tempo mas fi-lo.
No metro também acontecem coisas. Entrei na carruagem que me escolheu na estação, e encontrei facilmente um lugar que me foi cedido pela ausência de alguém. Entrou também uma senhora, devia ter uns quarenta anos, era activa, mala às cotas, botas altas, camisa fina (“fina demais” achei eu). A senhora cativou-me. Não por ser bonita. Também não era feia, mas sentou-se estacionando o carro de uma criança à sua frente, notei que a senhora falava com alguém mas não percebi com quem, também não percebi o que dizia ao certo, eu ia de fones, esse vício irritante e pouco estético (não há nada mais sem graça que uma pessoa com dois fios a sair dos ouvidos). Como dizia, não percebi o que dizia mas percebi do que falava: era do seu filho. Era um menino ainda mais cativante, de olhar vago, que movia a cabeça de modo lento e pouco preciso, o olhar dele era compenetrado, tudo o chamava a atenção, desde a luz da carruagem ao vermelho dos bancos, e ele parecia oscilar entre uma presença ausente e um sono acordado. O menino é um daqueles meninos que “não é normal”, as mãozinhas dele também eram sinal dessa desobediência aos parâmetros mais sociais que humanos, os dedos pareciam querer agarrar algo que lá não estava (ou se calhar estava, e eu não conseguia ver). Hoje a caminho de casa, aquela mãe que enquanto falava e gesticulava (era tão engraçado vê-la do meu lugarzinho encostada à janela, eu uma “sua espia acidental“ ), ela não largava o seu menino que a olhava repetidamente pedindo-lhe atenção (pensei eu), talvez não, porque sempre que ele o fazia, ela retribua o olhar e fazia-lhe festinhas no nariz e nas bochechas. Hoje a caminho de casa, quando pensava que nada mais faria deste dia um”dia normal”, eis que chego ao meu destino. Levanto-me do meu lugar, e dirijo-me à porta para sair da carruagem, não pude evitar, e olhei o menino, quis despedir-me sem o conhecer, por coincidência (ou simplesmente porque alguém percebeu que este não era um dia normal) o menino olhou também, eu sorri (faço-o quando me sinto numa situação embaraçosa..pois não o queria olhar como todos os outros o olham) ele retribuiu, tal como fez com a mãe, e tal como ela fez com ele. Hoje a caminho de casa aprendi que se tivermos o coração aberto, tudo nele pode entrar, que as asas que julgamos cortadas nos permitem voar em todas as direcções, que a alegria dos outros é a nossa alegria, que se os planos que fazemos não se concretizam é preciso acreditar e dar lugar a outros…a dignidade nada tem a ver o “não saber cair” nem com “o saber levantar-se“, a dignidade tem a ver com o amor incondicional pela vida humana. Hoje a caminho de casa, e depois de apanhar o metro, seguiu-se o carro familiar (com familiares e tudo), e enquanto deixava o Campo Grande para trás reparei num avião que aterrava, qual pena que descai pelos ares em linhas horizontais: senti paz no meu regresso a paz, estou em paz.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Put the blame on me boys

THE DARK NIGHT

Ainda sobre "Eastern promises"

Refeita do duplo visionamento da obra, sento-me finalmente em frente ao écran do computador e arrisco umas linhas, que mais não serão que uma mera constatação de factos e uma mera exposição de sensações obtidas após o acontecimento.
Raramente me sucede semelhente coisa, como é que se costuma dizer mesmo "choque pós traumático"? é assim?
Pois aconteceu comigo na passada sexta feira, voltei para casa sem saber o que pensar, dizer, sentir... e demorou-se-me cinco dias a passar uma caneta por um pedaço de papel (um recibo de multibanco), mas ainda não contente com o resultado fiz como os pais mandam aos seus filhos "ultrapassar os medos", "enfrentar o bicho papão", sabem aquela sensação de adrenalina, aquela de antecipação de dor, vais custar, e mesmo assim não lhe conseguimos fazer frente e deixamo-nos sucumbir; entregamo-nos de mãos atadas e assim fui eu de novo à mesma sala de cinema para rever a obra. E agora que já vos escrevi umas tantas linhas sobre mim, deixem que me redima:
Cronenberg resolveu pegar num argumento no qual o dedo pudesse ser colcado profunda e demoradamente na ferida "dói não dói?", essa ferida é feita sangrar fazendo-nos perder os sentidos e é depois sarada aquando do genérico final, o mesmo tempo que uma tatuagem leva a sarar, com efeito são os tais cinco dias que referi atrás, os mesmos que me levaram ao início deste texto.
Sempre gostei do modo como este homem revela os seus argumentos, gosto dele portanto como contador de histórias, e atenção porque aqui calhou-lhe um argumento dos bons!
Mas em Promessas perigosas, gosto do modo como são filtradas as sensações, os crimes, os esquemas, os silêncios, as festividades, a injustiça, o tráfico de mulheres e a paralela violação dos seus direitos.
O que fica é o compasso de espera, uma espécie de limbo "russolondrino" no qual os russos se queixam do tempo de Londres "nunca neva, nunca faz sol" agudizados com o som de violinos feitos tocar até fazer "a madeira chorar", a madeira somos nós claro.
O que fica também é a persistência dos protagonistas masculinos lacónicos, Viggo Mortensen é contido e tem aqui a sua melhor interpretação, Naomi Watts está bem (como sempre) e a sua vulnerabilidade é já um paradigma das protagonistas femininas deste realizador, mas para brilhar chamemos Vincent Cassel, essa luz francesa que em contraste com o protagonista, nos enamora pela sua impulsividade, a sua exuberância, o seu exagero que não é porém categorizável, nada parece ser caricaturado, tudo flui do actor em direcção a nós.
Se é um filme violento?
É sim senhor.
Se é melhor que Uma história de violência?
É sim senhor.
Porquê?
Não sei, porque não se explica (sente-se).
Aprendi alguma coisa?
Que o confronto com a verdade é atrasado de dia para dia, e que vítimas esperam por ela: "mantém-te viva."
Que o chauffer de uma família de mafiosos faz mais do que guiar carros.
Que todas as tatuagens devem contar uma história.
Que um homem sentado sozinho à mesa numa noite de Natal tem uma verdade para revelar, verdade essa "atrasada" por uma mentira necessária "mantém-te viva".
(queria que fosse um post mais técnico, mas desta vez não consigo)

domingo, dezembro 02, 2007

Coisas bem feitas? Eastern Promises é uma delas!

Se não choverem nomeações, a estes dois senhores, mais ao argumentista e ao compositor, então está na altura de me atirarem de um sexto andar, espetar-me um pauzinho no cérebro e tardar em chamar o tinóni...(texto crítico para breve, mas há que recuperar o fôlego)