quarta-feira, setembro 26, 2007

Não há vez como a primeira

Pânico. Suores frios. Susto. "Isto devo ser eu cheia de sono." Pânico renovado. " Ah isto é a brincar certo?"..." Mas afinal que m**** é esta!!??" Foi este o desfile de reacções que deixei flutuar pela passadeira vermelha dos meus receios mais profundos ao ler notícia de tal gravidade " A última Premiere sai a 4 de Outubro". Sempre me disseram que quando um projecto já não tem asas para voar, é cortá-las, para que novas crescam saudavelmente e ainda mais belas e resitentes, mas aqui a parte da frase em que se lê " já não tem" é uma afirmação falsa. Posso não ficar admirada por saber que não se trata esta a revista que mais se vendeu no nosso país, mas que p***a é a única que posso consultar de modo a inteirar-me do panorama nacional e internacional no que toca a cinema e festivais, e de grande importância: é onde leio as críticas feitas aos filmes, críticas essas que tantas vezes me enfureceram, me suspreenderam, me fizeram apreciar novos pormenores, me fizeram rever filmes para poder contestar à vontade, e me fizeram perceber que mais do que gostar de ver filmes, podemos também gostar de gostar de filmes, e agora que tenho eu? Eu digo-vos o que é que eu tenho: RAIVA! De facto como escrevi algures, tudo o que é bom neste país é sol de pouca dura, agora sem revista de cinema continuarei a recorrer a revistas internacionais, à internet (pois claro), mas gosto de folhear revistas, adorava o meu ritual no qual comprava a Premiere, me sentava numa mesa de café e a folheava, uma primeira vez de relance, e depois uma segunda, uma terceira com verdadeira atenção. Agora continuarei a beber o dito café, mas vai faltar a companhia sagrada. Tristemente será agora mais difícil ficar a par do que se faz no nosso país, do empenho luso numa indústria que ao contrário do que se pensa, é rentável por terras lusas, e que vai ganhando forma de modo lento mas preciso, incisivo e artístico. Dificilmente lerei numa Premiere de edição francesa, ou numa Empire de edição inglesa o que se faz por aqui. Ironicamente, li há umas duas semanas um artigo numa Film sobre o que conteceu ao elenco de Pulp Fiction, sabemos tudo sobre a bela Uma Thurman ou sobre "o meu" John Travolta, e o que se diz sobre Maria de Medeiros meus senhores é o seguinte, e passo a citar: " Before: Lots of obscure subtitled stuff (She´s Lisbon-born)" "After: Went fore more of the obscure subtitled stuff." Precisam de mais? O incentivo numa arte como a sétima tem de ser interno, e isto trata-se de um direito e não de um dever, não quero vir aqui com patriotismos de tijela meio vazia, mas não se pode esperar que outros façam coisas por nós, e se por acaso em pouco tempo se fizer outro Alice, pode ser que eu venha a saber disso num jornal da noite, porque passará no rodapé, entretanto vou matando as saudades nas minhas Premieres empoeiradas que tantas vezes folheio ao adormecer dizendo para mim "olha afinal este papel acabou por ir para o tipo do Fight Club!". O blog da revista Premiere permanece, felizmente. Desta vez sacrifica-se o Pai em vez do Filho, a História nem semper se repete.

domingo, setembro 23, 2007

Venha de lá essa Aurora

" Já terminou, está feito, é uma maneira triste de pôr as coisas, mas lá está, não há outra, por isso é que não gosto de catolicisses e "isses" do género, manifestações banais de mentes pouco ilucidadas e amedrontadas, por isso é que quando eu morrer quero uma festa em grande, cheia de comes e bebes, um caixão pintado a verniz e que brilhe tanto como um piano acabadinho de lhe ser puxado o lustro, ah e quero ir de vermelho, não quero cá lutos (porque o preto não precisa de ocasião para ser usado), não quro cá lágrimas (só se forem de crocodilo), e quero flores, montanhas de flores (peço desculpa aos senhores da Green peace e mais não sei o quê), e cartas presas nas coroas celestiais, cartas que lerei lá em cima enquanto bebo um cházinho earl grey e papo uns valentes biscoitos de manteiga na mesma mesa que a rainha Elizabeth I, isso é que vai ser vida...morte.(...)"
(Foi assim que iniciei uma carta a um amigo depois de dois dias menos felizes)
Não percebo a Igreja católica: a religião que me escraviza em convenções inumanas e pouco leais. O padre que disse uma palavras no velório disse umas palavras para reconfortar.
E o que é que eu senti?
Absolutamente nada. Apenas e vazio e uma pontinha de raiva.
O senhor padre às tantas disse "Deus concede na morte a Aurora do eterno descanso", quem precisa da Aurora depois de morto, "venha de lá essa Aurora" mas de preferência enquanto ainda temos a capacidade para a ver cá de baixo, encará-la de frente sempre, como se fosse a última!
Descansa em paz tio.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Is this for real??!!

Nao deve para ler nas melhores condicoes, mas copiem a foto e devem conseguir ampliar ai nos vossos computadorzinhos!! (De momento estou a mil e nao posso transcrever o texto.)

segunda-feira, setembro 10, 2007

sábado, setembro 08, 2007

Lullaby

William Adolphe Bourguereau, 1875
"When you need me, but do not want me, then I will stay.
When you want me, but do not need me, then I have to go."
Nanny McPhee
As vezes inspiramo-nos a ouvir cancoes melosas, cheias de pianadas e acordes de viola tristes e vagarosos, outra vezes inspiramo-nos a ver comedias infantis ternas e moralistas, foi o que me aconteceu. Nem sempre nos apercebemos da falta que as pessoas nos fazem, seja porque nos fazem lembrar de outras, seja porque gostamos do seu cheiro, do seu sorriso, seja porque gostamos de nos zangar com elas, seja porque gostamos de sentir a sua falta. Correndo eu na direccao oposta, vou deixando de me sentir a vontade, como se o mundo- esse velho vagabundo- continuasse a rodar e nos permanecessemos dentro de uma gigantesco aquario, impavidos a ver a vida passar, porque estamos a fazer mil e uma coisa, mas no final nada se passa de concreto, e estamos ali, dentro de agua com os dedos enrugados, os labios roxos e a esquecermo-nos do nosso proprio nome de 4 em 4 segundos (amnesia marinha). Outras sao as vezes que optamos por fingir nao sentir a falta, e e desta mania nossa que me quero debrucar, qual sereia na rocha entrancando os seus longos cabelos lisos, esperando pelo marinheiro que teima em nao chegar, porque gosta do sol e odeia aquarios... Escuto incessantemente a melodia ecoada pelo buzio cristalino da memoria e nada me faz mais feliz, percebo agora que ja nao posso voltar atras, agora que a areia da praia me corta a planta dos pes como agulhas finas e prateadas e que a bruxa malvada me roubou a lingua para que eu nao falasse nunca mais, e as pedras da calcada ja nada de novo tem para me contar. Eu escrevi um poema novo, e lindo, lindo, mas a minha caixa de musica avariou-se, o marinheiro que gosta de sol e que gosta de ter razao nao lhe vai repor o seu real valor e eu nao vou poder adormecer no seu peito embalada pela batida do seu coracao. Como eu queria uma nova caixa de musica! As estrelas estao a espera. O marinheiro que se apresse porque eu sofro sem a sua melodia. Porque e sempre assim: "Quando precisares de mim, mas nao me quiseres, ficarei. Quando me quiseres mas ja nao precisares de mim, entao partirei."
E nao sei se quem escreve sou eu ou a sereia...

quarta-feira, setembro 05, 2007

Nina!

A dama nao tem videoclip mas esta pequena homenagem esta bem bonita " Sleep in peace when day is done, you know what I mean..."

Muse - Feeling Good

Longe vao os tempos em que Bridget Fonda dizia ao charmosissimo Gabriel Byrne no filme "Point of no return" (um remake de Nikita produzido por Luc Besson) que amava Nina Simone. Vai-se la saber nunca esqueci essa cena, nem a voz de Nina Simone. Foi ela a primeira a cantar "Feeling good", seguiu-se o Michael Bubble com uma versao bem catita, e a cereja no topo do bolo com cobertura glace e este grandioso cover dos Muse. Enjoy this marvelous cherry!

sábado, setembro 01, 2007

Um ultimo abraco e podes ir

O tempo tudo destroi. O tempo tudo destroi. O tempo tudo destroi.
E nao porque me faz esquecer,
e nao porque nos deixa morrer,
e nao porque o tempo demora muito tempo.
O tempo tudo destroi porque nos faz chegar depois de outro alguem ter chegado e ocupado o nosso lugar " um feroz adeus".
O tempo tudo destroi porque mente, distorce, inverte,
o tempo tudo destroi porque se deixa desfazer na chuva sem que o possamos contabilizar.
O tempo tudo destroi porque numa noite fria num lugar quente, um olhar nao bastou para que fosse trocado adoradamente.
O tempo tudo destroi porque porque e com Ele que aqueles de quem gostamos partem, e e com eles que passamos o tempo quando eles estao ao nosso lado.
O tempo tudo destroi porque o tempo fez o carro dele andar mais depressa quando eu corria a pe, implorando-lhe que ficasse comigo "so hoje, so hoje", implorando-lhe que pusesse o pe no travao e deixasse de me ver cada vez mais longiqua no retrovisor.
O tempo tudo destroi porque numa tarde de fim de Verao fi-lo prometer-me que nao olhasse para tras enquanto se afastava de mim e seguia na direccao oposta a do meu corpo tremeluzente e gelido, porque assim eu saberia o quanto "ele me amava" e eu estava a ama-lo ainda mais por deixa-lo ir passar o seu tempo com aquela que chegou antes de mim.
O tempo tudo destroi,
e por mais violinos que toquem ao vento,
e por mais pianos pregados ao chao que eu escute presa por fios,
ficarei sempre a sos com o tempo,
eternamente abracada a ele, eternamente afastada daquilo que ele prometeu aproximar.

sexta-feira, agosto 31, 2007

If men edited a woman's magazine

Ao ler atentamente um pequeno artigo de uma revista de moda britanica, deparei-me com o seguinte titulo: If Men edited Glamour, by top mag editor Dylan Jones. Como nao poderia deixar de ser o dito titulo chamou toda a minha atencao e sublinhei partes como as que se seguem:
...as you find out the most bizarre things about what women think about sex, men, work and clothes(...)Not only do women talk about it with their friends more but also, men tend exaggerate or simply lie. All GQ's sex columnists are women, not just because they are funnier and more explanatory about sex, but because they're more honest.(...)
We love finding out what women think and a quiz is an easy way of finding this out without actually having to ask a woman.
Ou seja, numa altura em que as mulheres ja perceberam que esses quiz nao servem para rigorosamente nada,( a nao ser estimular alguns neuronios na area da matematica, porque no fim temos de somar uns pontos e tal) it makes me wonder : estao entao os homens a recorrer as cabulas, e ainda por cima cedidas por mentes que ao rebentar da hora de um fecho nao distinguem um lapis de um hipopotamo verde!?
Estarao as revistas masculinas a preparar os homens para que estes percebam finalmente as mulheres em geral e nenhuma em particular? E se assim e nao podem as mulheres fazer batota?
So temos de ler as revistas deles, antes deles!
Isto e...se eles fizessem a mais pequena ideia do que e que estao a escrever, escrever sobre o sexo opsoto e percorrer uma estrada deveras sinuosa, e la como diz o outro "Wisdom is a woman, listen and love her".
Gerara sempre enorme controversia um tema como este, mas ao ler as palavras deste senhor (louvado seja) fiquei com a sensacao, sei la, de que os homens estao a anos luz de perceber o que quer que seja do que e ser uma mulher, seja neste ou no proximo seculo.
E ainda bem que assim e, assim podemos brincar com eles (porque so brincamos com quem e aquilo que nos estimula) e vivermos felizes para sempre!

Bourne Ultimatum

Bourne Ultimatum e possivelmente o melhor filme de accao que vi este ano, possivelmente o melhor que ja vi na minha vida.
Depois de um Verao descabido e oh tao "silly", eis que nos despedimos desta amarga estacao de uma maneira triunfal e majestosa. David Greengrass e esmagador na sua visao simplista e concentrada da trama, deixando de lado todo e qualquer cliche do comum filme de accao e espionagem norte americano-que convenhamos- fez de Bourne identity o mais fraco dos tres filmes.
A camara levada pela mao de Greengrass movimenta-se freneticamente, por entre ruas e ruelas, telhados de casas caiadas, saltos de/ para e contra janelas, alucinantes perseguicoes de carros, embates, colisoes e tudo feito de modo credivel, e nao como nos estamos a habituar a ver: pessoas pequeninas a saltar no ar e carrinhos de brincar a rolar cinco e seis vezes ate embaterem numa ponte, ou num predio ou em coisa nenhuma, apenas para que nos deixemos levar pelo fantastico e pela explosao que normalmente coroa estas tipicas cenas.
O terminar da trilogia e feito de modo credivel, consciente e manifestamente concentrado em si mesmo. Thank God a peca final do puzzle nao cai na piada facil de Hollywood, que a cada cena de pancadaria em slow motion (para engrandecer a forca e heroicidade do protagonista) este se sai com frases como "that's what I call an Entry with style" e coisas parvas do genero, como se uma pessoa numa situacao dessas tivesse sequer pachorra para brincar com o facto de quase ter perdido a vida. Porque Bourne identity e tambem sobre culpa, sobre erros humanos, sobre o pavor da morte, de notar a cena emotiva em que a personagem de Julia Stiles se ve frente a frente com o homem que a tentou matar assassinado, ou a cena em que Jason se mostra corroido pela culpla consequente dos seus feitos passados "i remember all their faces but not their names".
Fiquei espantada com o ritmo alucinante da obra, a rapidez com que tudo acontece, a sucessao de locais onde se desenvolve a accao, a entrada e saida planeada de cada personagem, e cada uma fantasticamente interpretada, como se o seu "tempo de antena" seja tanto quanto baste para nao nos cansar, nem nos deixar afeicoar realmente a qualquer uma delas, adorei a nao existencia de twists e de beijos apaixonadaos, concluindo: adorei o facto de este ser um filme audaz e que como se vem a comprovar pelo box office, o publico necessita desesperadamente de coisas diferentes, simples e serias.
Cinco estrelas para a banda sonora que acompanha a trama, bem como a cereja no topo do bolo, o extreme ways de Moby que acompanha a saga desde o primeiro dia e que vira a ultima pagina do livro agora concluido.
Cinco estrelas para a bestialidade do agente Bourne, a contencao dos seus movimentos durante cada cena de luta (nao sou expert, mas consigo perceber quando nao se perde tempo com exibicoes do "toma la da ca", e do" rodopia para aqui enquanto eu rodopio para ali", e "so mais uma pirueta e bracinhos no ar") aqui cada soco, cada pontape so e dado porque ser estritamente necessario, um livro pode ser uma arma mortal e um lencol uma preciosa ajuda para se sair de um lugar menos seguro.
Bourne Ultimatum vence tudo e todos porque nada foi deixado ao acaso, o complot armado a volta da personagem e complicado de tao simples que e, e e extraordinario ver e rever um filme que se fez milimetricamente, fazendo do publico um ser inteligente e digno de respeito.
Cheers para este Bourne Ultimatum
Cheers para a escolha dos titulos de cada um dos filmes que compoe a trilogia
E espero voltar a dizer Cheers quando chegar (espero que la para Janeiro) uma caixa com os tres colossos, recheadinha de extras e coisas bonitas para a malta ver no aconchego do lar!

terça-feira, agosto 28, 2007

Isto sim e Arte!

( imagem retirada da revista Hello de 21 Agosto de 2007)

O nome da nova fragancia da Britney nao podia ser mais adequado "believe" sim minha querida so mesmo com muita fe e que acreditamos que es tu na foto!!

E como se o novo do perfume fosse um manifesto ao publico, mas e ja agora que moda e esta das "estrelas" lancarem perfumes?

Elas percebem alguma coisa de misturas de aromas?

"Gosto de lavanda e rosas porque desperta a docura que existe em cada mulher, e quero que se sintam bem na sua pele e confiantes para enfrentarem os problemas que se aprsentam na correria do dia a dia"

Ah entao e assim, compramos um perfume e tornamo-nos independentes, pensava que para isso era so preciso sei la...estuudar, perceber e talvez trabalhar nao sei...hmmm, nao nada disso, comprem "Believe the new fragrance by Britney Spears!"

Bom bom era o anuncio da Isabella Rossellini "questo e il mio nuvo perfumo Manifesto!"Ela pelo menos nao se dava ao trabalho de dizer o que e que vinha dentro do frasco, se calhar porque nem fazia ideia, mas as estrelas agora sao "oh tao inteligentes!"

domingo, agosto 26, 2007

o tal trailer "deveras apelativo"

3:10 to Yuma

La mais para o fim do ano

O bom do Verao, para o cinema, e que esta mesmo a terminar, o que significa: bom cinema a caminho depois das trilogias, dos blockbusters e dos filmes dos jovens ensaguentados e sovados ate a morte...coitadinhos, segue-se a epoca da fruta amadurecida, das historias que merecem ser contadas, das boas interpretacoes e daquele cheirinho a oscar tao caracteristico e rebuscado e facilmente confundido com o arima da bela da castanha assada do Senhor Alfredo.
Comeco pelo tao aguardado Elizabeth: the golden age, e dizer isto e dizer tudo, e rever Shekhar Kapur a dirigir a fantastica Cathe Blanchet mais uma vez, retomando personagem e progredindo agora no contexto historico- o do seu longo reinado. O filme conta ainda com o brilhante Clive Owen,o genio Geoffrey Rush e a candida Samantha Morton.
Segue-se depois o filme que atendendo a um desejo intimo desta cinefila destemida, junta os seus dois actores, filhos de uma mesma geracao e que sabem mesmo o que fazem, eles sao Mark Ruffalo e Joaquin Phoenix, a eles juntam-se ainda Jennifer Connely e Mira Sorvino. Trata-se de um dramalhao a Hollywood ( a expressao nao quer descriminar o genero), no qual a dor pela perda de um filho se transforma numa luta desenfreada pela recomposicao de algo que nao se pode fazer renascer, e ficar atento a Reservation Road.
Os dois que se seguem sao ambos interpretados por Christian Bale, se Rescue Dawn um biopic sobre Dieter Dengler e a sua luta pela sobrevivencia durante a guerra no Vietnam (nada a que o senhor Bale nao esteja habituado)que o podem muito bem levar a oscar, temos por outro lado 3:10 to Yuma, um western realizado por James Mangold, que com um trailer deveras apelativo pode relancar Russel Crowe (esse canastrao) depois de uns tempos mortos na area da interpretacao (mas ele alguma vez esteve acordado depois do The insider??).
E esperar portanto!

Escrita por encomenda

O que e que e preferivel?
Escrever sobre o que sinto, ou antes sobre aquilo que me apetece sentir. Apercebi-me agora mesmo (ou talvez me tenha ja apercebido conseguindo apenas agora literarizar) de que sempre que me preparo para escrever sobre o que me arrepia os sentidos, deixo de sentir com efeito. Portanto quando me pedem para escrever, e eu nao tenho assunto para realizar esse desejo, remeto para momentos proximos que me envolvem num cortinado purpura e brilhante.
Escrevo agora sobre algo que, porque ja vivido e agora impossivel de materializar por palavras, e nao possuindo eu outra maneira de os fazer retornar a vida, remeto-os antes para uma nao vida. E como tentar apanhar a propria sombra numa manha de Verao por entre um caminho arido numa terra inospita, ou ainda melhor (ou pior, consoante a perspectiva) e como tentar ultrapassar a propria sombra...porque nao tentar sempre o impossivel?
Ha uns dias decepcionei-me e fi-lo de modo intencional, queria experimentar a sensacao, ja que todos o fazem porque nao eu, afinal que tenho eu a mais ou a menos do que todas as outras pessoas que conheco ou das quais faco apenas uma palida ideia. Porem so hoje escrevo sobre o assunto, porque so hoje o consigo fazer, emaranho entao palavras e ideias e sonhos camuflo-os a todos com pele de lobo para que em Novembro possa enfim carregar a minha espingarda e os cacar numa floresta fria, negra e densa nas primeiras horas de uma manha qualquer desse mesmo mes, e talvez ja na minha patria.
Ha uns dias depois de me decepcionar, tive na mesma noite uma forte indisposicao, preferi a morte do corpo a vida do espirito, se e que isso tambem nao e impossivel (quero sempre coisas inconciliaveis com a minha condicao), senti-me desintegrar, desfalecer tres a quatro vezes, percebi o que Platao definiu como "corpo e alma", pois ambas foram separadas nessa noite, afinal Platao refria-se a "quebras de tensao" induzidas por uma dor muito forte que quando sentida, alerta o organismo a ripostar. Ripostei de facto e dormi depois um sono calmo e abencoado.
A luz da recuperacao das forcas e dos sonhos que me identificam nao constando estes porem no cartao plastificado que me identifica, e das faculdades mentais que me sao possibilitadas pelo simples proposito da minha existencia, e agora que ja consigo escrever sobre o assunto, brilha mais fortemente a explicacao helenica para o que se me sucedeu (passo a expressao reflexiva e nem sempre acente entre os deocentes academicos): o corpo ressentiu-se do mal da alma.
Alma triste, corpo doente.
Nao e uma definicao, nao e uma filosofia barata, cara a tantas pessoas estudiosas, e apenas uma constatacao pessoal. De facto, a alma, tenha la ela a composicao astral que tiver, se se entristece, faz adoecer o corpo, lanca-o na miseria anatomica, congela parte do cerebro (a tal ponta do iceberg psicologico).
Felizmente a recuperacao revela-se melhor que o estado saudavel anterior, e mostra-nos que o nosso dever antes daquele onde impera a felicidade, e o de cuidarmos de nos, somos demasiadamente preciosos para nos entristecermos, demasiadamente fortes para sermos eliminados, somos eternamente pereciveis e eis que encontramos a formula da nossa beleza: somos fracos, e nao ha maior beleza do que a admissao da nossa fraqueza.
Se eu olhar agora mesmo pela minha janela, verei um tempo ameno, um ceu frondoso em nuvens que mereciam estar numa enorme taca de barros a serem batidas em castelo!
A decepcao ficou la muito atras, lado a lado com a doenca, nao me atrevo a dizer que vou lutar, lutar para que? E ignorar a guerra, fazer dela uma accao deploravel e inimitavel, e mimar o corpo e abrilhantar a alma...e beber muita agua!
Escrever nao faz nada, e de momento escrevo por encomenda, e gosto de o fazer, escrever e para mim como redigir uma acta de uma reuniao, as palavras situam-se no plano das intencoes e nao das accoes, as palavras nao fazem mudar o rumo da Historia (so se se tratar de tratados aldrabados como o mapa cor de rosa), as palavras nao fazem a verdade vir ao de cima, nao faz dos poetas pessoas virtuosas, nao faz dos politicos gente menos corrupta e nao faz do cinema uma arte mais bela, apenas uma arte mais pensada.
Escrever nao faz de Londres a cidade mais bela do mundo, as accoes essas sim mudam as coisas, dai eu escrever sobre o que sinto: nao magoa ninguem, ou pelo menos nao as altera no plano fisico, escrever sobre o facto de ter eu enfrentado a dor de uma doenca temporaria nao a torna mais ou menos dolorosa, apenas a partilha.
Escrevo agora porque reencontrei as faculdades que me permitem tal acto e essa a razao que basta, nao importando sequer sobre o que escrevo, no fundo nao escrvo sobre nada, escrevo apenas sobre algo que ja nao se pode reviver...e uma impossibilidade fisica, uma hipotese temporalmente inconcebivel, eu e a minha adoracao pelo impossivel.
Espero que gostes!

domingo, agosto 19, 2007

Scent of a woman

Qual a melhor fragancia numa mulher? Rosas, Jasmim? Algo doce, parcialmente forte... intoxicante, hipnotizante, um "Delirium", um "Beverly Hills"? Ou algo mais suave, um "Miracle"...desde que se saiba dancar um tango!

segunda-feira, agosto 13, 2007

Reencarnem o Leo!

A virgem dos rochedos, 1303-1306
Quem dera a imagem fornecer a essencia do sentimento ao admirar a obra prima: pregada numa parede cinzenta, isolada entre as demais (perdao aos outros estimados contemporaneos), "embrulhada" numa nuvem de escuridao e misterio, ah...agora posso descansar em paz, agora que ja "privei" com o senhor que ilumina uma tela produzindo um enigma, que lhe confere vida e nos rouba a nossa com um beijo em forma de suspiro inevitavel. Tambem eu sai dali "iluminada" e com os olhos banhados em lagrimas, mas foi de alegria, sejam elas sempre assim nascidas. E por isto que nao acredito que possam nascer mais genios.

domingo, agosto 12, 2007

A magia do Musical

The phantom of the opera: fantastico espectaulo, sala nao tao fantastica. Aqui fica um pedacinho da obra, enjoy..."The phantom of the Opera is there, inside my mind"

sábado, agosto 11, 2007

(2008) Be Kind, Rewind Trailer

tem andado um zum zum por esta net fora sobre esta verdadeira beleza cinematografica! Como diz o senhor Markl e um Paraiso Filmes a americana!

sexta-feira, agosto 10, 2007

Donnie is back and not affraid of the dark

Sometimes I'm affraid that you tell me that this is not a work of fiction. I can only hope that the answers will come to me in my sleep. I hope that when the world comes to an end, I can breathe a sigh of relief, because there will be so much to look forward to.
Sou pessima no que toca a primeiras impressoes.
O mais certo e estar sempre errada.
Dai ter escolhido uma imagem como esta que se ve ao abrir a pagina do meu LuzCamaraAccao. Trata-se de uma imagem "usurpada" de uma mitica cena do nao menos mitico Donnie Darko, se tenho um top de filmes "nao sei das quantas", este inclui-se la definitivamente.
Lembro-me bem da primeira vez que assisti a obra e lembro-me tambem da minha expressao no final do visionamento, ou talvez nao me lembre na totalidade, mas "sinto" a sensacao, ui se me lembro. Algo que entre extase e profunda confusao, estados consequentes um do outro nao manifestados seguidamente, mas em conjunto e em unissono, me fizerm acordar para algo.
Ao terminar de ler um livro recentemente reti uma frase, dizia " la por nao ter acontecido, nao quer dizer que nao seja real...". Gosto do filme de Richard Kelly porque prima pelo azul, essa cor que me desperta tanto entusiasmo quando invade uma tela, quando dela se apodera, e quando dela a expulsa para que a possamos absorver.
Donnie Darko e uma viagem no tempo, "jamais verei um filme com um coelho diabolico" dizia eu quando soube de um estranho filme que andava a surpreender tudo e todos. Enganei-me meus caros. Para variar, enganei-me, e afeicoei-me ao bicho ja que "nos somos os coelhos!".
Assistimos portanto nao a um filme cujo complexo argumento mistifica um tema tao prolifero em incongruencias: Donnie e um jovem que apos escapar a morte, comeca a cometer os mais variados crimes no local onde vive de modo a repor o bem, mesmo que esses mesmo feitos exponham terriveis segredos humanos. Donnie vagueia assim numa America dos anos 80 dividida em mundos paralelos, cenas surreais (como a na sala de cinema, na mesma altura em que estreava The last temptation of Christ), mudancas abruptas no rumo da historia de toda uma comunidade e tudo isto conseguido atraves da desdobragem entre som e imagem, de notar a cena em que Donnie sobe as escadas de sua casa ao som de Ave Maria.
The search of God is absurd?
It is if everyone dies alone.
Filofisses a parte, Donnie Darko nao pretende moralizar, para isso assista-se ao "cheezy" The butterfly effect em que o jovem atormentado pela dor que causa aos de quem gosta decide auto abortar-se...enfim...
Donnie Darko debruca-se sobre o orgao mais futurista que possuimos, o cerebro humano, a incompreensao face a nao obediencia a regras (ditas basicas da sociedade). Mas o que mais me prende na trama e a alianca entre o humor negro e o profundo existencialimo proferido pelas suas personagens que nunca se chegam a dar conta do que se passa realmente ( o pulico e o unico que sabe, e por isso a possibilidade de se perder e grande, ja que nao ha ninguem para o ajudar, a nao ser Darko, o confuso Donnie).
28 days...6 hours...42 minutes...12 seconds...is when the world will end...
agora facam la as contas! Somem la os numeros, da 88 nao e??
Pois a accao do filme passa-se em outubro de 1988, curioso quanto baste?
You're weird.
Sorry.
No, that was a compliment.
Felizmente a banda sonora faz parte da magia dos filmes, e aqui nao e excepcao, desde INXS, a Gary Jules com o solucante Mad World, ate The church, uma simbiose perfeita.
O apocalispse aproxima-se, Donnie foi avisado por Frank que o avisa daquilo que ainda esta para vir, basta fazer o que deve ser feito, seja o apocalispe a morte da humanidade, ou de apenas uma pessoa, porque para mim, quando morre uma pessoa, nao ha nascimento que recompense essa perda, a Humanidade fica sempre a perder, tal como cada ser que a compoe, como num jogo de azar.
Se ja viram Donnie Darko percebem o que quero dizer, se nao viram: vejam, se ja tiveram essa honra, revejam e procurem "sinais", estao em todos os lugares, e se virem o Donnie Darko the director's cut...wow, agora sim uma verdadeira honra.
Se nao gostaram tambem e aceitavel.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Best pop cd (at least it got style)

Ele optou pelo fantastico titulo FutureSex/LoveSounds, e fez uma bela opcao. Quando se sabe trabalhar com grandes produtores o resultado e este, Justin arrisca-se a tornar-se a Madonna no masculino, so tem de se aliar aos grandes do momento, no momento certo, e nao parar de evoluir. Por agora parece que ele esta a trabalhar com a rainha da Pop, a licao esta aprendida:

She looks like a model, except she's got a little more ass.

Love stoned

Sounds good to me!

quarta-feira, agosto 08, 2007

ah e esta e a sala de cinema...

Harry Potter and the order of the Phoenix

"Vou ou nao vou", pensei e repensei eu nessa quente tarde de Domingo, uma tarde igual a da cena de abrtura deste Harry Potter, ate que decidi pegar na minha madrinha e fazer-me a caminho do cinema.
Regra numero um: se forem a um cinema em Londres, e se esse cinema pertencer a cadeia Odeon, por favor nao liguem a hora marcada, porque como eu sempre digo "o exemplo vem de cima e cai aos trambolhoes", pois e que em Portugal, o filme comeca 8 minutos depois da hora anunciada devido a mostra cansativa de publicidade, pois por aqui meus caros, sao uns 20 a 30 minutos (sem exagero). Regra numero 2: ok quando comeca e a serio!
Fui ver o Harry Potter, ai como gosto de ir ver filmes sem expectativa, e que saio sempre feliz da vida, mesmo pagando 10 libras pela porra do "ticket".
Havia ficado deveras desiludida com a investida cinemtaografica anterior, muito do mesmo, apenas bom para quem quer ver realizada as suas fantasias literarias, mesmo que consumadas por uma outra mente!
Mas desta vez fiquei "satisfeita".
De David Yates receio conhecer apenas o telefilme The girl in the Cafe que vi um dia no BBc Prime, e na altura fiquei "satisfeita", com o nosso amigo Harry fiquei um bocado mais "satisfeita", mas tembem nada de entusiasmos mais exaltados.
Este pareceu-me um filme mais estlizado que os anteriores, ate um pouco mais simples, porque como as novidades maiores nasceram em Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, agora e fazer copy/paste e tentar fazer a coisa mais dark, o que enste filme so se evidencia um pouco mais para o final, e porque a estoria se move nesses parametros e nao por escolhas do realizador. Claro que adaptar e coisa dificilima, ou e uma personagem que sofre as consequencias, ou e uma sequencia imaginada pelo leitor que depois se ve muito pouco ou mesmo nada dessa mesma sequencia, ou e um dialogo aguardado que nao emociona, ou sao os abracos entre o trio maravilha que soa a falso, sao olhos que nao se fecham descompremetidamente.
O facto de ter lido o livro ha ja algum tempo e de ter ainda muito presente o setimo livro da saga, tanbem ajuda a distanciar-me do produto imaginado por mim do produto oferecido por Yates.
Acho porem que:
- Emma Watson, nao convence nem o menino Jesus ( e olhem que ele e um puto esperto)
- O Dumbledore dos filmes e tao "ausente"
- Luna Lovegood e personagem marcadamente acarinhadas em ambos universos: cinematografico e literario
- O jovem Potter quando crescer facilmente se demarcara de Daniel Radcliffe (o inverso tambem se aplica)
e...
- "De linda" a cena em que professor Snape diz "No" seca e sarcasticamente a professora Umbridge
e...
- E bom ver que actores de renome nao se importam de ver o seu nome e talento ligados a tamanho mundo de ilusao e fantasia!
Ah e Snape eu sabia que nao me ias desiludir!!!

E eles sentados no alpendre abrigados da chuva...

- Estou tao cheia!
- Tambem eu.
-Tambem eu.
-Quem me dera que nevasse. - A mim tambem. -A mim tambem -Mas tambem adoro a chuva. - Eu tanbem. -Eu tambem. Retirado do filme A love song for Bobby Long

quarta-feira, julho 25, 2007

A aurora que nasce na cidade dos meus sonhos

Fico-me por "magicamente indescritivel" ao tentar definir o sonho de Segunda feira, nao possuindo eu simplesmente palavras para o descrever. Foi Paz, Preencimento, Alegria muda, Calor espiritamente humano, uma dor profunda ao acordar, um arrepio ao sentir que algo me abandonava, de novo a dor profunda ao aperceber-me que toda a alegria gerada foi apenas um eco vivo enquanto dormia, e desfeito ao despertar. Aquilo que sonhei, na sua importancia: fruto da fugacidade, nao consigo, nem vou tentar decifrar, desfazer o feitico seria improvavelmente discutivel, nem ha enciclopedia onirica que alcance a exterioridade do impacto interior. Talvez tenha sido somente algo que desejei ver, a minha alma ousou talvez ir mais longe do que aquilo a que eu jamais me atreverei a ir. Uma casa enorme e sombria. Um ilustre estranho conhecido. Um longo dia de palavras mudas, olhares trocados, gestos nervosos, sensacoes sobejamente acalentadas e questionadas quanto a sua reciprocidade, e confusao na porta giratoria que da para a janela do meu coracao. Foi neste estado que atravessei uma longa inexistencia de vida, ausencia de morte, um estado por compreender. Chega a noite ( o sonho), o sonho foi assim longo. Uma conversa a quatro, (que passadas duas manhas e uma noite) me parece mesmo a quatro, eu, ele e outros dois seres irrevelantes na quadricidade da tertulia. Durante a conversa entre os seres irrelevantes, ele pareceu-me pensativo (conheco-o bem, sem o conhecer), torturado, incontrolavelmente fragil, com olhos clamantes por Paz, a mesma que senti ao acoradar. Olhou-me como nunca ninguem me olhou (pelo menos que eu notasse) e saiu. E eu ali fiquei, a remoer sobre o que fazer a seguir, " Fico aqui sentada ou vou procura-lo? Mas ja passou tanto tempo. Ja nao o vou encontrar, e tarde...". Sai da mesa, os outros dois la ficaram, sem se aperceberem da nossa saida inconscientemente planejada. Chego a um corredor repleto de portas, um corredor enriquecido pelo escuridao, digna de um pesadelo enganador, e foi um pesadelo dar por mim ali sozinha... Abri a primeira porta com um medo tremendo do que para la da porta iria encontrar: uma mulher sentada a beira da sua cama expulsa-me dali, fechei a porta e abri uma outra, ninguem, abro uma terceira e entro numa sala na qual uma senhora se balanca adormecida numa rede sem dar pela minha presenca, abandono-a e abro uma ultima porta (as restantes foram ignoradas), fui trespassada, perdida por perde-lo para senpre. Mas eis que esta porta da para uma varanda, uma varanda inexplicavelmente fresca, uma varanda que fica no topo da casa (casa essa arquitetonicamente sonhada), da varanda vislumbrei a aurora que emoldurava a paisagem, o nevoeiro que subia da erva orvalhada, um misto de verde a branco azulado, aquilo sim, aquilo foi Paz. "Mas ele nao esta aqui", e eis quando me viro para a mesma porta por onde entrei segundos revolvidos pelas parcas do tempo, e ele entra, calado, sem sorrir e vem na minha direccao. E engracado e desconsolador como por mais palavras que conhecamos ou inventemos, elas parecem nunca bastar para exprimir a beleza, a tristeza parece conseguir definir-se por palavras, o mesmo nao acontece com a felicidade, e infinitamente incaracterizavel. Nao ha codigo, nao ha linguagem, apenas sentidos. Ele gagueja, diz que "ele", que "eu", que "tu", e nao o deixo terminar, ele afasta-me carinhosamente, mas ainda o sinto, diz apenas "Eu amo-te" e ali ficamos pele com pele a contemplar do alto da varanda o nascer de um novo dia, um dia que acredito ter sido concebido durante a noite so para que pudessemos ve-lo juntos, ali naquela varanda bem la no alto. Nao ousarei colocar nenhuma imagem com este texto, pois nenhuma fara jus a beleza inqualificavel do meu sonho sonhado durante uma noite sonhada. Sonho assim na cidade dos meus sonhos.

quinta-feira, julho 19, 2007

Londres ( nao me consigo cansar de ti )

Ainda alguem se lembra da cancao English man in New York, lembro-me sempre dela, embora nao partlhe da mesma nacionalidade de Sting, e eu esteja numa outra cidade, mas o sentimento, esse e o mesmo. A alegria de acordar num pais que nao o nosso, a surpresa por percorrer um teclado de computador e nao encontrar a cedilha, ou o acento grave, ou o agudo. Aqui a fruta nao se poe em sacos de plastico mas nuns de papel que se carregam encostados ao peito, daqui ouve-se as badaladas do Relogio de Westminster, a roda gigante faz a sua volta vezes, chamam-lhe de "olho" porque ve mais do que nos... e vezes sem conta mostra uma paisagem longiqua aos turistas de maquinas digitais em punho. Ali para Picadilly o Jay Kay veste-se de astronauta e grava um videoclip, aqui o Harry Potter sente-se em casa e ninguem, ninguem ousa saber o final da saga antes do dia anunciado: o respeitinho e muito bonito nestas terras de reis e rainhas, divorcio e separacoes de Roma, musica pop que paga a renda num luxuoso flat em Chelsea, onde celebridades se suicidam com as cinzas dos seus falecidos maridos em cima da mesa de jantar. Aqui comeca-se o dia com bacon e ovo estrelado acompanhado com torradas, aqui qualquer pessoa no matter what clothes is wearing entra numa loja dita cara, e mexe, experimenta e sai sem levar nada e sem ser corrido a pontape. Aqui o turista sente-se em casa e o estrangeiro ve-lhe a vida facilitada. Aqui estamos em Julho e os meninos e meninas ainda usam os uniformes da escola. Aqui nao consigo estar triste, nao consigo pensar na vida, so consigo apreciar as manhas cinzentas enquanto como scones ou bebo cha Earl Gray, aqui penso em Charles Dickens e Oscar Wilde, aqui leio de momento a Casa dos espiritos so para passar o tempo, porque estou de ferias e posso fazer o que me apetecer e porque o Harry Potter so sai daqui a menos de 48 horas. Aqui toda a gente diz Hello e Bye com um sorriso na cara, seja ele sentido ou nao, o que conta e que inda o dizem! Aqui tiram-se fotografias a caixotes de lixo e come-se a melhor comida chinesa gordurosa do mundo (se excluirmos a China), aqui os sundaes de chocolate sao reis, e eu princesa quero viver com eles happily ever after , aqui a princesa passa em frente de Kensington ou Buckingham palace e ja vai atrasada para o seu 5 o'clock tea e por isso corre ainda mais (mas com muita graciosidade!), entrando num dos dois palacios (aquele que lhe apetecer, porque sou uma princesa) sendo recebida com toda a pompa e circunstancia, e volta para casa de barriga cheia por se ver num mundo que cabe todo numa lata gigante de Quality Street!

quinta-feira, julho 05, 2007

Rufus Wainwright - Everybody Knows

e por falar em adaptações, será possível fazer disto um filme?

quarta-feira, julho 04, 2007

Só ama aquele que na felicidade dos outros encontra a sua

Quando a sabedoria de nada me servia, e a filosofia me parecia árida, e as máximas e frases daqueles que procuravam consolar-me me sabiam a pó e cinzas, a lembrança daquele pequeno e silencioso acto de Amor abria-me todos os poços da piedade, fazia que o deserto florisse como uma rosa, e tirava-me da amargura do exílio silencioso para me harmonizar com o grande coração ferido e despedaçado dodo mundo.
Oscar Wilde, De profundis
Será que alguém acredita no Amor?
Toda a minha vida me confrontei com pessoas conhecedoras do mundo e todas me têm vindo a dizer que esta bola terrestre é regida por um par de forças, qual canção enamorada por uma clave de Sol através de um compasso binário.
Sei portanto ( acreditando no conhecimento destes senhores que após refutar os voltei a aceitar) que esta coisa preciosa à qual damos o nome de Vida possui dois pólos que se repelem atraindo-se, gerando equlíbrio e fazendo de nós uma só força, força essa que se esgueira entre o mau e o bom. Deste modo nada mais simples, até uma criança, que digo eu...principalmente uma criança percebe isto:
O contrário de Preto é Branco.
O contrário de Mentira é Verdade.
O contrário de Um é Dois.
O contrário de Não é Sim.
O contrário de Ódio é Amor.
Que o Ódio existe já todos nós sabemos.
Agora que o Amor também, isso já é novidade para muita boa gente.
Eu acredito.

segunda-feira, julho 02, 2007

Eu é mais filmes!

Tenho um teste sobre Cinema na próxima Quarta-feira.
Será um teste sobre uma matéria da qual gosto muito, muitíssimo, mas não sei o que estudar, não sei que palavras procurar para escrever sobre esse quadro pintado que mais não faz que imitar a vida.
E dou então por mim a questionar-me: Será para mim o Cinema uma onda de tão grande felicidade, como aquela que provém de um grande amor (uma grande paixão, ou uma outra qualquer manifestção psicológica mascarada por um batimento cardíaco altamente acelerado)?
Quando estou muito apaixonada, assim daquelas paixões de encher uma boca para gritar "Bom dia!" não consigo escrever. As palavras voam para outras folhas que não as minhas, a felicidade ocupa o lugar da intelectualidade (a pouca que possuo) e escrever prazer nenhum me dá, porque não há nada para pensar e dizer, apenas sentir.
O Cinema tem o mesmo efeito sobre mim, escrever o quê, sobre o quê?
Está tudo lá, cinematizado, adaptado, transformado, é poesia para o pensamento, cor para os olhos, música para os ouvidos!
Na quarta tenho o tal teste, este semestre estudei adaptações cinematográficas de obras literárias, mais ou menos "de caras", e outras mais reservadas.
Confundi-me com o Bobo, fiquei triste com Uma abelha na Chuva,ri-me com a "filha da mãe da gaivota" d'a Caixa, iludi-me com o cheiro do Verão em à flor do mar, de tanto sal e azul, azul e sal, e entrei no quaro onde Campos escreveu a sua Ode triunfal em Conversa acabada.
Adaptar é ver para lá, é transformar um objecto naquilo que queremos ver, e quano leio que Cathy de Monte dos vendavais, tinha os cabelos negros e despenteados, imagino-os de um preto muito escuro, enquanto que outros imaginam apenas castanho muito escuro, e quando penso n'O paciente Inglês imagino O principezinho crescido, e quando vejo Dracula sorrio ao ver o vestido de Lucy da mesma cor dos lábios de Nina.
O Cinema é isso, é ver e imaginar depois, por esta ordem e não por outra.
Amar é isso, é ver e imaginar depois, a outra ordem aqui também se aplica. Vejam Cinema, amem muito.
Gosto desta frase: "the angels look the other way", uma dia adapto-a, fica prometido.

sexta-feira, junho 29, 2007

o efeito do café

Dediquei o meu penúltimo post à marca que (na grande maioria das vezes)me acompanha pela manhã ao acordar.
Não se trata apenas de café, é muito mais do que isso, não um mero vício açucarado e encanecado, não é uma refeição, não é um ritual, é o café pela manhã.
Bebo-o lentamente, aqueço primeiramente a água, acabo sempre por deixá-la ferver, pó castanho no fundo da caneca (que tem um gatinho cor de laranja agarrado à pega) e junto-lhe a água fervida, o açucar qual cristal partido em infinitos grãos e bebo, bebo, e bebo...fecho os olhos, e sou inundada por incontáveis sensações, centenas de canções entoadas por vozes aladas e tocadas por instrumentos que ainda não foram inventados, vejo lugares, longíquos de tão perto que se tornam.
Abro então os olhos, vejo da janela da minha varanda aquilo que está do lado de lá, e percebo que há todo um mundo por descobrir, uma vontade de prosseguir e de ficar ao mesmo tempo, abro a janela ainda de caneca em punho, regozijo-me porque ainda me falta metade do café para acabar.
Janela aberta, brisa que entra, aroma que sai, aceno à idosa com o alguidar da roupa, ao senhor do pão, à vizinha que rega as flores, olho para trás e já nada importa, só o Bom vem por aí, só o Bom , porque o Mau não entra pela minha janela, porque o Mau nunca é assim tão Mau e o Bom é sempre ainda melhor.
Nao tenho fome, só sede pela vida, muitas janelas se abrirão, muitas águas ferverei, sou feliz porque me insatisfaço e não permito que ninguém o contrário me queira fazzer crer.
A felicidade é um momento. A insatisfação uma constante. E é assim que tem de ser, porque acomodados, tornamo-nos prisioneiros de nós mesmo, e a morte já instalada corre-nos nas veias.
Sou insatisfeita, sim muito insatisfeita, e quando não sorrio é porque vejo o quão satisfeitos os outros estão, estagnados, de janela fechada.
Não é o café da manhã, é o café: pela manhã!

quinta-feira, junho 28, 2007

Vou estar ali!

...no mar, e não no pára pente, porque a princesa é aventureira, mas também não exageremos, que das 7 já só tenho 5 vidas, e ainda não passei das duas décadas de existência!

sexta-feira, junho 22, 2007

Open Up Open Up

Um dos meus anúncios preferidos de todos os tempos, por acaso tem uma das músicas mais amorosas que já ouvi...há outro anúncio da mesma marca com uma canção bem mais conhecida, mas esta tem qualquer coisa que me afecta...Open Up, Nescafe :
You can be rich with no money to spend,
you can be everything when you understand,
you can be mother when you are a man,
open up - you know that you can.
Open your eyes,
open your mind,
open your thoughts - Don’t stay behind!
(Open up, open up, open up, open up)
Nescafé(Open up, open up, open up, open up)
The key is inside you to open your mind,
you know what is helping (outhere???)
- your heart can’t be blind,
open your eyes and open your mind,
open your thoughts - Don’t stay behind!
Open your eyes,
open your mind,
open your thoughts
Don’t stay behind!(Open up, open up, open up, open up)
Nescafé(Open up, open up)
You race all the boarders and start in your head,
open your mind to thoughts out and say,
open your eyes and open your mind,
open your thoughts and don’t stay behind.
Open your eyes,
open your mind,
open your thoughts
Don’t stay behind!(Open up, open up, open up, open up)
Nescafé(Open up, open up, open up, open upOpen up, open up,Open up, open up
Nescafé)
By Laurie Anderson

domingo, junho 17, 2007

Pechincha deste Verão!

Só me pergunto qual é a alma sábia e campista que levará uma sanita às costas e a colocará estrategicamente ao lado da sua tenda de três lugares, que comprará pela módica quantia de 29 euros e 99 cêntimos num outro qualquer supermercado, e a tenda ainda fica mais barata que a pecincha anunciada. Vêmo-nos em Tavira, ou lá se vemos! imagem: cortesia do supermercado Plus

sexta-feira, junho 15, 2007

se fizesse um filme era assim

É o bonde do dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam
Nas asas do bem desse mundo
Carregam um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue
A sede de ti...

Marisa Monte, O bonde do dom

terça-feira, junho 12, 2007

"I'm not Avery" (alguns spoilers, eu aviso sempre!)

Ontem assisti à mais longa investigação criminal de David Fincher.
Zodiac é longo, mas cada minuto da obra é de um pormenorismo incrível, não se tratam de cenas vagas feitas ao desvario, e atenções a belas paisagens, muito pelo contrário, tudo o que não é "conversa" no filme são vistas de São Francisco, o passar dos anos, as construções a ganhar forma, a manipulação da imagem para melhor nos dar a ilsuão (real) de que se passa muito tempo sem nada de relevante acontecer.
Os diálogos entre as personagems por serem tão bem interpretadas prendem-nos, envolvem-nos na teia, extremamente bem tecida e desfeita lenta e eficazmente durante mais de 20 anos.
O filme de Fincher foge ao seu estilo, mas de Fincher o que é de Fincher, este é um exercício livre e artístico sobre os anos 60, e 70 principalmente. A tendência noir é uma constante, ali qualquer um pode ser The Zodiac, até mesmo a intoxicante Chloe Sevingny podia, podia!! Esta obra revela-se como cinema dentro de cinema, o assassino e a ligação ao cinema mudo é brilhantemente tratada na obra, bem como a cena na cave, o clímax do filme em que a personagem que guia o cartonista nos faz lembrar um senhor de nome Nosferatu, esta reminiscência surge nos gestos, no movimento e na postura.
Os desempenhos são brilhantes, há um belo trabalho na composição das personagens, Jake Gyllenahll (um dos grandes da sua geração),Robert Downey Jr e Mark Ruffalo , e os secundários mas fortíssimos Brian Cox, Antony Edwards e Dermot Mulreony. Estão todos genias, e dizer isto é pouco mas muito, porque hoje em dia enfim é complicado ver filme em que os actores desempenham papéis ( e é para isso que são pagos).
A recriação de época torna Zodiac num bilhete postal, tudo é 70's: guarda roupa, música, Dirty Harry, cenários, pormenores como o pin do presidente Nixon na redacção, o logo da Warner Bros a preto e branco que foi possivelme encontrado nas gavetas da distribuidora, por vezes a excessiva obsessão por esta recriação fiel torna-se um pouco irrealista, um pouco caricatural até, mas resulta tão bem.
Ena gostei mesmo do filme, fiquei mesmo contente, as cadeiras reclináveis é que me tramaram o pescoço, ah e intervalo para quê?
Ah e agora Robert Downey Jr, acho por bem escrever umas linhas sobre este mal amado e "bom actor que sa farta", no filme faz de jornalista que no rodopio dos anos 70 se deixa envolver em dois turbilhões, o da investigação sobre o serial killer que se torna próxima demais, e o outro turbilhão aquele que envolve álcool e drogas, não sei se estão a ver qual é...
A sua personagem muito activa numa fase inicial, vai-se ausentando dando lugar ao também grande Mark Ruffalo notável no papel de polícia que tudo o que quer fazer é encontrar o assassino e "fazer o seu trabalho".
Robert Downey Jr, tem aqui possivelmente o papel mais autobiográfico da sua carrira, uma das suas últimas cenas é hilariante sentado num banco de bar com uma bomba de oxigénio, vemos a sua decadência de Avery e a sua entrega ao medo e à frustração de não encontrar o culpado, e que aparecendo fugazmente transmite o pouco humor do filme.
Em tom conclusivo, Zodiac é definitivamente um filme a ter em atenção, David Fincher não desilude não senhor, o que faz é abrir caminho, e mostrar que faz muitas coisas e tudo o que faz (oops.. Panic Room) fá-lo bem!

sábado, junho 09, 2007

"...sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura"

Bruno Nogueira é provavelmente um dos grandes comediantes do momento no panorama português, poderia eu ficar aqui a cravejar de diamantes linhas a fio elogiando o rapaz, afirmando a pés juntos o quão bom ele é, e o quão inteligente se mostra no como tem dirigindo a sua carreira no caminho turtusoso, que é a comédia por estas bandas.
O jardim de inverno é brindado até dia 30 de Junho, sugiro que se apressem porque o espectáculo esgota "que é uma coisa parva", a hora e meia passa voando pelo início da madrugada e de lá saímos com aquela ideia de que o humor é uma coisa muito, muito difícil de fazer, e que actores há muitos, poucos são os que com a simplicidade da sua presença e textos bem articulados e actuais nos entusiasmam, nos fazem rir e pensar "eh pá de facto somos mesmo uma cambada de insensíveis".
O Bruno Nogueira faz-nos pensar que de facto ridendo castigat mores, e que não se trata de uma questão de tamanho ou altura, de cultura ou laisser passer, basta apenas pôr a mão na consciência, ver as coisas como elas são e que o facto de nada fazermos para mudar o mundo não siginifica que não nos apercebamos exactamente do que é que o faz rodar!
Riam-se com os estrábicos, com a fome em África, com o the falling man, com a irmã Lúcia (agora reunida com Xico e Jacinta) , e com os anões, está lá tudo, o raio do puto topou-nos a todos!

Os 13 do Oceano!

Até que enfim que saí de uma sala de cinema feliz e contente!
É isso que acontece quando criamos expectativas ligeirinhas e nos aventuramos no início do Verão a ver alguma coisa que não possua a alcunha de "Bloco enorme", que é mais ou menos blockbuster em português (é melhor tirar isto da net, não vá nenhuma alminha importante ler isto e mandar esta dica para cima de uma mesa de reuniões, daquelas em que são decididos os nomes a dar a coisas que já têm nome nos outros países).
Para fãs do hilariante Ocens's 11 , este desfecho, que não é um desfecho, porque não se trata de uma trilogia, é totalmente do meu agrado. Os ingredientes mágicos estão todos lá, as privates jokes entre amigos, o guarda roupa, as personagens estilosas interpretdadas por actores que se sentem bem nessa pele, e o cheiro do gambling, e das slots a girar!
A premissa não é nova, o gang prepara mais um roubo a uma colossal casino, desta vez não porque precisem de dinheiro (embora venha sempre a calhar), mas antes para vingar um grande amigo! Claro que o casino tem um dono muito mau e rezingão (ou não fosse ele interpretado por Al Pacino), claro que vilões antigos regressam para o bem e para o mal ( Andy Garcia e Vicent Cassel) e há ainda um vislumbre do feminino, que a meu ver é a única peça que não encaixa no puzzle, desta vez muito simples montado por Soderbergh.
Ocean's 13 tem comopor base, uma ideia : diversão, não há papelões, mas sim reminiscências do Cinema antigo, o uso da cor quase obsessivo que parece pintado à la mode dos anos 80 (aquilo que fizeram com o Casablanca!!), cores vivas, muito vivas, realisticamnete irreais.
De juntar a tudo isto uma banda sonora do meu agrado, muito disco sound e muito "saxofonizada" (a partir de agora tenho uma nova palavra preferida em português!).
Se querem sair (nem que seja por um bocadinho) do marasmo próprio da explosividade desta época do ano, vão ver Matt Damon, Brad Pitt, George Clooney, Casey Affleck, Don Cheadle e quem sabe Oprah numa sala próxima de vocês.
É que não vão perder mesmo nada!
(Ah e sim fui ver o filme ao Alvaláxia, e sim a imagem é tirada do folhete semanal, cortesia Cinemas Millenium)

quarta-feira, junho 06, 2007

"Jazuj"

Num meio dia de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
(...)
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pesoa da Trindade
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
(...)
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
(...)
O seu pai era duas pessoas...
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
(...)
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
(...)
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
o espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
(...)
E esta é a história do meu Menino Jesus.
Isto é Pessoa meus caros!
Guardador de rebanhos, Alberto Caeiro

sábado, junho 02, 2007

Esta pérola já cá canta!

"QUEM DÁ MAIS?" MAIS UMA PÉROLA CINEMATOGRÁFICA PARA A PAREDE DO QUARTO NO MEU PALÁCIO!

Parabéns!!

Lá fora (refiro-me a Inglaterra) as revistas de cinema trazem suplementos assim!! Picture from Collector's suplement, FILM magazine

Piaratas, piratinhas...e essas coisas do mar!

Mas também diz a bélica excelência
Nas armas e na paz, da gente estranha
Será tal, que no mundo ouvido
O vencedor, por glória do vencido
Os Lusíadas, est 56, canto VIII, v.5 a 8
Velhos truques, por vezes não passam de truques e velhos, coisas da idade. E num universo como é o cinema, coisa do ano passado é também coisa desse mesmo passado.
Sou fã incondicional de Johnny Depp, mas às vezes não chega o carisma do Homem mais versatilmente duvidoso da História do Cinema Contemporâneo. Nem chega mesmo o facto de o du, tri, quaduplicarem na tela...nem sempre cola, por maior que seja a geniosidade deste Johnny from wonderland!
Parece encerrada a história dos piratas, ou não...( para quem assistiu à pérola final) http://www.youtube.com/watch?v=b5FI4ZnHhnA), Orlando Bloom diz que o final desta trilogia é digno de uma grande epopeia, eu cá acho, Senhor Bloom que o melhor é esticar bem as velas que a nau precisa de abrandar (peço desculpa mas domino muito mal o vocabulários das lides marítimas). De facto a história do Capitão Sparrow terminou ( e é aqui que fazemos buáaaaaaaaaaaaa), mas por agora não faz sentido algum prosseguir.
Quanto a outras personagens, sim pode-se arranjar qualquer coisita, mas por favor esperem mais um pouco, aí uns 10 aninhos ou coisa do género!
O mar navegado por Gore Verbinsky, banhou todo um mundo, atingiu as metas comerciais a que se comprometeu, manteve um belo elenco, uma bela filosofia visual, a argumentativa, essa sim uma verdadeira banhada.
Não consegui deixar de notar grande cansaço (não, não do público, esse ficava 4 horas na sala se preciso), mas dos actores fulcrais à trama, nomeadamente o par romântico que numa de "ele ama-me, ele não me ama" não atava nem desatava, com diálogos fracos e olhares desviados.
A estrela da companhia é inantigível, não há critica negativa no meu horizonte, ele são os desequílibrios, os olhares estrambólicos, a peruca que de tão falsa só podemos dizer "ena pá parece memo verdadeira".
De louvar, está o guarda roupa, os cenários e os efeitos especiais, principalmente na cena envolvente (não pelo par) mas pela fusão de céu e mar ambos esterlados, entre Will e Elizabeth, uma mar reflectido no céu...ou seria o contrário (também quero uma noite assim!!).
Outra cena a referir é a esmagadora cena em que é descoberta a forma de alcançar os confins do mundo, e a entrada nesse mesmo lugar.
O bom deste franschise é o casamento entre Acção e Humor, da qual nasce o logotipo da Disney: brilhantismo cómico que já nos havia habituado nos dois primeiros filmes da trilogia, aqui o humor torna-se mais físico e feio, voam piratas, olhos, dedos congelados, e o resto fica a cabo do "you know who"!!
Mas, e este ano estão a haver muitos "mas", este Piratas não prende do início ao fim, o fogo é apagado a meio, nos "mares nunca navegados", nem as alusões odisseicas a ninfas Calipsos asseguram a frescura, nem a aparição da pedra rolante cuja esposa se assemelha ironicamente a um coco, nem Ken Watanabe, nem Jack Sparrow, ele multiplica-se mas não é (ainda) Deus!
Para dar estrelas, em 5 dou 4 (numa constelação puramente blockbusteriana)
e aqui estão elas
****

quarta-feira, maio 30, 2007

Parece-me bem,

parece-me muito bem! Produções fictícias em grande, como sempre.

quarta-feira, maio 23, 2007

A passagem do tempo

"- Preciso de comprar uma agenda filho! - Mas tu já não tens uma agenda mãe? - Ai filho, mas a que eu tenho, é que até tenho vergonha..." Escuto conversas todos os dias. Escuto os meus pais a conversar com o meu irmão; as senhoras na televisão; eu converso com o meu cão enquanto engomo roupa na varanda, a minha mãe sussura palavras frescas às plantas que rega. E quando não escuto, imagino conversas, escuto as cordas do violão a dialogar com as teclas do piano ao som de Miles DAvis, escuto Eça a ditar as palavras que verte para folhas amareladas na sua escrevaninha, Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável, escuto a moldura enquanto se espreneia gritando-me que gostava mais da fotografia antiga que lá havia feito refém. Imagino o que escuto, mas nem sempre escuto o que imagino. E hoje escutei uma mãe a dizer a um filho que precisava de comprar uma agenda nova. Uma agenda. Já ninguém usa agendas. Sim aquelas agendas com sepradores de letras, uma letra para cada nome, para cada cara conhecida ou irreconhecível, para cada vizinha, para cada vivo e falecido, para cada membro da família, para que não seja ninguém deixado ao abandono por não ter uma morada e um número de telefone. Eu também tenho uma agenda, as pessoas que conheço é que já não têm morada, já ninguém diz onde vive, eu se calhar sou "à moda antiga", tudo comigo é à moda antiga, daí que goste de princesas. A mãe deste filho, tem uma agenda nova, comprou-a, mas não era aquela que ela queria relamente, ao que parece tem só duas folhas para cada letra, " não cabe quase ninguém". Até os comerciantes, acham que as agendas já não fazem sentido, tornou-se um bem desnecessário, e pouco avançado. Para quê uma agenda, se já ninguém mora? Se o correio hoje é electrónico e nem necessita de selo??! Que é feito do anúncio em que se cantava :" A minha agenda, a minha agenda!!"

segunda-feira, maio 21, 2007

Muito barulho para nada

A pequena e frágil Madelaine desapreceu. As equipas televisivas inglesas estão a "desmontar o estaminé" na Luz, parece que a possibilidade de fotografar sangue e fazer capas e capas de jornais sensacionalistas já não é uma realidade próxima. Coisas da vida. Mas o que importa é encontrar a criança. O que mais se me infiltra nas veias é ver tanta coisa em tanto lado e só ouvir falar da "caça ao raptor", a Madelaine fica melhor nos cartazes do que o retrato robô do dito raptor baseado em não sei o quê, que não sei quem achou que talvez lhe tenha parecido com... Coisas da vida. Tanta informação cruzada, tanto profissional da imprensa, e ninguém (repito ninguém) soube informar ( o uso da palvra "info" flexionada é intencional) que o russo afinal tem 22 e não 30 anos como passou em todos os rodapés de todos os canais televisivos...seria a polícia a querer enganar alguém na tentativa de salvaguardar informações preciosas que a levarão à recuperação do raptor, quer dizer da pequena Madelaine? Tanta informação revelada e não passa pela cabeça de ninguém que o dito raptor também deve ter uma televisão e que a ele lhe deve dar um jeitaço saber todos os "pums" dados pela PJ?? Entristecem-me injustiças e falsas modéstias, entristece-me a pedófilia, a prostituição inafantil e o tráfico de orgãos, entristece-me o esquecimento. Entristece-me que usem a imagem de uma criança para fazer "upa-upa" às audiências, entristece-me saber que foi feito um clip com imagens da Madelaine ao som de Simple minds e que isso seja também notícia na Sic...don't you forget about me... Não se esqueçam que todos os dias, e nos 10 minutos que levei a escrever este texto (tento escrever o mais depressa possível para diminuir o tempo e o número...falso consolo) dezenas de crianças despareceram. Hipermercados, cadeias e fast-food, gasolineiras vão afixar fotos de Madelaine para que não se esqueçam dela, quem dera que se tivessem lembrado disto antes, ou entao juntem a Madelaine as fotos de outras crianças, vítimas de todas as horas, de todos os anos, de todos os pesadelos. Sou cruel, mas só queria que aparecessem todas, as fotos e as crianças.

domingo, maio 20, 2007

Insensível

Muito, muito antigamente era assim...
Tornámo-nos nuns insensíveis.
Antigamente, ou há coisa de uns 4 ou 5 anos atrás, ver um filme ou seguir uma série televisiva era algo digno e respeitável, um ritual semanal!
Hoje?
Hoje, não é mais que um hábito desprovido de qualquer excitação. A quantidade iguala a qualidade dos produtos, o problema não são as séries em questão, o problema é o público. Antigamente, ou há coisa de uns 4 ou 5 anos atrás, uma em dez séries era boa e seguia em frente.
Hoje?
Hoje, dez em dez são tão boas que duram uma média de 5 temporadas.
Nós somos quem vê tudo sôfrega e desconfortavelmente na cadeira, com pouca ou nenhuma qualidade de imagem, com som desfasado e legendas em hebraico, nós que falamos tanto na qualidade das séries, não nos importamos nem um pouco de as seguir nestes propósitos, os artistas devem adorar ser aplaudidos vaziamente numa sala escura num écran do tamanho de um envelope!
E não nos ficamos por aqui, além de termos deixado escapar qualquer pingo de dignidade televisiva, escapou também aquela ansiedade de "cenas do próximo espisódio", já não conversamos com os nossos amigos (e uns quantos desconhecidos) sobre detalhes do último episódio exibido, sobre a possibilidade de virmos adquirir um desencaroçador de maçãs da teleshop que vimos no intervalo. Agora, falamos antes sobre qual o novo site onde já esta online a seguinte temporada, e extasiados comentamos "wow, ainda nem estreou nos EUA!".
É como ver um Guernica na net, e dizer o que nos vai na alma ao contemplá-lo (online), é tão poderoso como ler frases desconexas no messenger, frases descompensadas, com piscar de olhos e smiles marados, privates jokes tão privadas que não se dirigem sequer aos "privates".
Cadê a magia da caixa que mudou o mundo?

quarta-feira, maio 16, 2007

Coimbra 12 de Maio de 2007

Ladies and Gentleman Mr George Michael!
Someone has to shoot the dog!!
Nunca imaginei possível ver nascer o Sol às 11 horas da noite...

quarta-feira, maio 09, 2007

B.A.S.T.A

Ao folhear o Diário de Notícias de dia 8 de Maio de 2007 na parte inferior da página 28 deparei-me com uma das incontáveis atrocidades cometidas diariamente neste inóspito mundo, governado por homens tristes e autênticas bestas humanas, (passo a expressão).
Estou cada vez mais triste por saber que faço parte da raça humana, é triste mas é a verdade. Não sei se tenho o direito de mostrar no meu blog imagens e texto retirados de um jornal, se não tenho esse direito peço desculpa e caso me seja pedido retirarei ambos o mais depressa possível, mas tinha de mostar a minha revolta, o meu desespero, como criança que fui, mulher que sou, e humana que cada vez mais tenho vergonha de ser.