E porque tudo o que vejo, vejo como nos filmes. E porque tudo o que fazemos e sentimos pode ser recordado nas asas de um caleidoscópio em pleno movimento. Se há "acção" eu revelo por aqui.
quarta-feira, julho 25, 2007
A aurora que nasce na cidade dos meus sonhos
Fico-me por "magicamente indescritivel" ao tentar definir o sonho de Segunda feira, nao possuindo eu simplesmente palavras para o descrever.
Foi Paz, Preencimento, Alegria muda, Calor espiritamente humano, uma dor profunda ao acordar, um arrepio ao sentir que algo me abandonava, de novo a dor profunda ao aperceber-me que toda a alegria gerada foi apenas um eco vivo enquanto dormia, e desfeito ao despertar.
Aquilo que sonhei, na sua importancia: fruto da fugacidade, nao consigo, nem vou tentar decifrar, desfazer o feitico seria improvavelmente discutivel, nem ha enciclopedia onirica que alcance a exterioridade do impacto interior. Talvez tenha sido somente algo que desejei ver, a minha alma ousou talvez ir mais longe do que aquilo a que eu jamais me atreverei a ir.
Uma casa enorme e sombria.
Um ilustre estranho conhecido.
Um longo dia de palavras mudas, olhares trocados, gestos nervosos, sensacoes sobejamente acalentadas e questionadas quanto a sua reciprocidade, e confusao na porta giratoria que da para a janela do meu coracao.
Foi neste estado que atravessei uma longa inexistencia de vida, ausencia de morte, um estado por compreender.
Chega a noite ( o sonho), o sonho foi assim longo.
Uma conversa a quatro, (que passadas duas manhas e uma noite) me parece mesmo a quatro, eu, ele e outros dois seres irrevelantes na quadricidade da tertulia.
Durante a conversa entre os seres irrelevantes, ele pareceu-me pensativo (conheco-o bem, sem o conhecer), torturado, incontrolavelmente fragil, com olhos clamantes por Paz, a mesma que senti ao acoradar.
Olhou-me como nunca ninguem me olhou (pelo menos que eu notasse) e saiu. E eu ali fiquei, a remoer sobre o que fazer a seguir, " Fico aqui sentada ou vou procura-lo? Mas ja passou tanto tempo. Ja nao o vou encontrar, e tarde...".
Sai da mesa, os outros dois la ficaram, sem se aperceberem da nossa saida inconscientemente planejada.
Chego a um corredor repleto de portas, um corredor enriquecido pelo escuridao, digna de um pesadelo enganador, e foi um pesadelo dar por mim ali sozinha...
Abri a primeira porta com um medo tremendo do que para la da porta iria encontrar: uma mulher sentada a beira da sua cama expulsa-me dali, fechei a porta e abri uma outra, ninguem, abro uma terceira e entro numa sala na qual uma senhora se balanca adormecida numa rede sem dar pela minha presenca, abandono-a e abro uma ultima porta (as restantes foram ignoradas), fui trespassada, perdida por perde-lo para senpre. Mas eis que esta porta da para uma varanda, uma varanda inexplicavelmente fresca, uma varanda que fica no topo da casa (casa essa arquitetonicamente sonhada), da varanda vislumbrei a aurora que emoldurava a paisagem, o nevoeiro que subia da erva orvalhada, um misto de verde a branco azulado, aquilo sim, aquilo foi Paz.
"Mas ele nao esta aqui", e eis quando me viro para a mesma porta por onde entrei segundos revolvidos pelas parcas do tempo, e ele entra, calado, sem sorrir e vem na minha direccao.
E engracado e desconsolador como por mais palavras que conhecamos ou inventemos, elas parecem nunca bastar para exprimir a beleza, a tristeza parece conseguir definir-se por palavras, o mesmo nao acontece com a felicidade, e infinitamente incaracterizavel.
Nao ha codigo, nao ha linguagem, apenas sentidos.
Ele gagueja, diz que "ele", que "eu", que "tu", e nao o deixo terminar, ele afasta-me carinhosamente, mas ainda o sinto, diz apenas "Eu amo-te" e ali ficamos pele com pele a contemplar do alto da varanda o nascer de um novo dia, um dia que acredito ter sido concebido durante a noite so para que pudessemos ve-lo juntos, ali naquela varanda bem la no alto.
Nao ousarei colocar nenhuma imagem com este texto, pois nenhuma fara jus a beleza inqualificavel do meu sonho sonhado durante uma noite sonhada.
Sonho assim na cidade dos meus sonhos.
quinta-feira, julho 19, 2007
Londres ( nao me consigo cansar de ti )
Ainda alguem se lembra da cancao English man in New York, lembro-me sempre dela, embora nao partlhe da mesma nacionalidade de Sting, e eu esteja numa outra cidade, mas o sentimento, esse e o mesmo.
A alegria de acordar num pais que nao o nosso, a surpresa por percorrer um teclado de computador e nao encontrar a cedilha, ou o acento grave, ou o agudo.
Aqui a fruta nao se poe em sacos de plastico mas nuns de papel que se carregam encostados ao peito, daqui ouve-se as badaladas do Relogio de Westminster, a roda gigante faz a sua volta vezes, chamam-lhe de "olho" porque ve mais do que nos... e vezes sem conta mostra uma paisagem longiqua aos turistas de maquinas digitais em punho.
Ali para Picadilly o Jay Kay veste-se de astronauta e grava um videoclip, aqui o Harry Potter sente-se em casa e ninguem, ninguem ousa saber o final da saga antes do dia anunciado: o respeitinho e muito bonito nestas terras de reis e rainhas, divorcio e separacoes de Roma, musica pop que paga a renda num luxuoso flat em Chelsea, onde celebridades se suicidam com as cinzas dos seus falecidos maridos em cima da mesa de jantar.
Aqui comeca-se o dia com bacon e ovo estrelado acompanhado com torradas, aqui qualquer pessoa no matter what clothes is wearing entra numa loja dita cara, e mexe, experimenta e sai sem levar nada e sem ser corrido a pontape.
Aqui o turista sente-se em casa e o estrangeiro ve-lhe a vida facilitada. Aqui estamos em Julho e os meninos e meninas ainda usam os uniformes da escola. Aqui nao consigo estar triste, nao consigo pensar na vida, so consigo apreciar as manhas cinzentas enquanto como scones ou bebo cha Earl Gray, aqui penso em Charles Dickens e Oscar Wilde, aqui leio de momento a Casa dos espiritos so para passar o tempo, porque estou de ferias e posso fazer o que me apetecer e porque o Harry Potter so sai daqui a menos de 48 horas.
Aqui toda a gente diz Hello e Bye com um sorriso na cara, seja ele sentido ou nao, o que conta e que inda o dizem!
Aqui tiram-se fotografias a caixotes de lixo e come-se a melhor comida chinesa gordurosa do mundo (se excluirmos a China), aqui os sundaes de chocolate sao reis, e eu princesa quero viver com eles happily ever after , aqui a princesa passa em frente de Kensington ou Buckingham palace e ja vai atrasada para o seu 5 o'clock tea e por isso corre ainda mais (mas com muita graciosidade!), entrando num dos dois palacios (aquele que lhe apetecer, porque sou uma princesa) sendo recebida com toda a pompa e circunstancia, e volta para casa de barriga cheia por se ver num mundo que cabe todo numa lata gigante de Quality Street!
quinta-feira, julho 05, 2007
quarta-feira, julho 04, 2007
Só ama aquele que na felicidade dos outros encontra a sua
Quando a sabedoria de nada me servia, e a filosofia me parecia árida, e as máximas e frases daqueles que procuravam consolar-me me sabiam a pó e cinzas, a lembrança daquele pequeno e silencioso acto de Amor abria-me todos os poços da piedade, fazia que o deserto florisse como uma rosa, e tirava-me da amargura do exílio silencioso para me harmonizar com o grande coração ferido e despedaçado dodo mundo.
Oscar Wilde, De profundis
Será que alguém acredita no Amor?
Toda a minha vida me confrontei com pessoas conhecedoras do mundo e todas me têm vindo a dizer que esta bola terrestre é regida por um par de forças, qual canção enamorada por uma clave de Sol através de um compasso binário.
Sei portanto ( acreditando no conhecimento destes senhores que após refutar os voltei a aceitar) que esta coisa preciosa à qual damos o nome de Vida possui dois pólos que se repelem atraindo-se, gerando equlíbrio e fazendo de nós uma só força, força essa que se esgueira entre o mau e o bom. Deste modo nada mais simples, até uma criança, que digo eu...principalmente uma criança percebe isto:
O contrário de Preto é Branco.
O contrário de Mentira é Verdade.
O contrário de Um é Dois.
O contrário de Não é Sim.
O contrário de Ódio é Amor.
Que o Ódio existe já todos nós sabemos.
Agora que o Amor também, isso já é novidade para muita boa gente.
Eu acredito.
segunda-feira, julho 02, 2007
Eu é mais filmes!
Tenho um teste sobre Cinema na próxima Quarta-feira.
Será um teste sobre uma matéria da qual gosto muito, muitíssimo, mas não sei o que estudar, não sei que palavras procurar para escrever sobre esse quadro pintado que mais não faz que imitar a vida.
E dou então por mim a questionar-me: Será para mim o Cinema uma onda de tão grande felicidade, como aquela que provém de um grande amor (uma grande paixão, ou uma outra qualquer manifestção psicológica mascarada por um batimento cardíaco altamente acelerado)?
Quando estou muito apaixonada, assim daquelas paixões de encher uma boca para gritar "Bom dia!" não consigo escrever. As palavras voam para outras folhas que não as minhas, a felicidade ocupa o lugar da intelectualidade (a pouca que possuo) e escrever prazer nenhum me dá, porque não há nada para pensar e dizer, apenas sentir.
O Cinema tem o mesmo efeito sobre mim, escrever o quê, sobre o quê?
Está tudo lá, cinematizado, adaptado, transformado, é poesia para o pensamento, cor para os olhos, música para os ouvidos!
Na quarta tenho o tal teste, este semestre estudei adaptações cinematográficas de obras literárias, mais ou menos "de caras", e outras mais reservadas.
Confundi-me com o Bobo, fiquei triste com Uma abelha na Chuva,ri-me com a "filha da mãe da gaivota" d'a Caixa, iludi-me com o cheiro do Verão em à flor do mar, de tanto sal e azul, azul e sal, e entrei no quaro onde Campos escreveu a sua Ode triunfal em Conversa acabada.
Adaptar é ver para lá, é transformar um objecto naquilo que queremos ver, e quano leio que Cathy de Monte dos vendavais, tinha os cabelos negros e despenteados, imagino-os de um preto muito escuro, enquanto que outros imaginam apenas castanho muito escuro, e quando penso n'O paciente Inglês imagino O principezinho crescido, e quando vejo Dracula sorrio ao ver o vestido de Lucy da mesma cor dos lábios de Nina.
O Cinema é isso, é ver e imaginar depois, por esta ordem e não por outra.
Amar é isso, é ver e imaginar depois, a outra ordem aqui também se aplica.
Vejam Cinema, amem muito.
Gosto desta frase: "the angels look the other way", uma dia adapto-a, fica prometido.
sexta-feira, junho 29, 2007
o efeito do café
Dediquei o meu penúltimo post à marca que (na grande maioria das vezes)me acompanha pela manhã ao acordar.
Não se trata apenas de café, é muito mais do que isso, não um mero vício açucarado e encanecado, não é uma refeição, não é um ritual, é o café pela manhã.
Bebo-o lentamente, aqueço primeiramente a água, acabo sempre por deixá-la ferver, pó castanho no fundo da caneca (que tem um gatinho cor de laranja agarrado à pega) e junto-lhe a água fervida, o açucar qual cristal partido em infinitos grãos e bebo, bebo, e bebo...fecho os olhos, e sou inundada por incontáveis sensações, centenas de canções entoadas por vozes aladas e tocadas por instrumentos que ainda não foram inventados, vejo lugares, longíquos de tão perto que se tornam.
Abro então os olhos, vejo da janela da minha varanda aquilo que está do lado de lá, e percebo que há todo um mundo por descobrir, uma vontade de prosseguir e de ficar ao mesmo tempo, abro a janela ainda de caneca em punho, regozijo-me porque ainda me falta metade do café para acabar.
Janela aberta, brisa que entra, aroma que sai, aceno à idosa com o alguidar da roupa, ao senhor do pão, à vizinha que rega as flores, olho para trás e já nada importa, só o Bom vem por aí, só o Bom , porque o Mau não entra pela minha janela, porque o Mau nunca é assim tão Mau e o Bom é sempre ainda melhor.
Nao tenho fome, só sede pela vida, muitas janelas se abrirão, muitas águas ferverei, sou feliz porque me insatisfaço e não permito que ninguém o contrário me queira fazzer crer.
A felicidade é um momento. A insatisfação uma constante. E é assim que tem de ser, porque acomodados, tornamo-nos prisioneiros de nós mesmo, e a morte já instalada corre-nos nas veias.
Sou insatisfeita, sim muito insatisfeita, e quando não sorrio é porque vejo o quão satisfeitos os outros estão, estagnados, de janela fechada.
Não é o café da manhã, é o café: pela manhã!
quinta-feira, junho 28, 2007
Vou estar ali!
sexta-feira, junho 22, 2007
Open Up Open Up
Um dos meus anúncios preferidos de todos os tempos, por acaso tem uma das músicas mais amorosas que já ouvi...há outro anúncio da mesma marca com uma canção bem mais conhecida, mas esta tem qualquer coisa que me afecta...Open Up, Nescafe :
You can be rich with no money to spend,
you can be everything when you understand,
you can be mother when you are a man,
open up - you know that you can.
Open your eyes,
open your mind,
open your thoughts - Don’t stay behind!
(Open up, open up, open up, open up)
Nescafé(Open up, open up, open up, open up)
The key is inside you to open your mind,
you know what is helping (outhere???)
- your heart can’t be blind,
open your eyes and open your mind,
open your thoughts - Don’t stay behind!
Open your eyes,
open your mind,
open your thoughts
Don’t stay behind!(Open up, open up, open up, open up)
Nescafé(Open up, open up)
You race all the boarders and start in your head,
open your mind to thoughts out and say,
open your eyes and open your mind,
open your thoughts and don’t stay behind.
Open your eyes,
open your mind,
open your thoughts
Don’t stay behind!(Open up, open up, open up, open up)
Nescafé(Open up, open up, open up, open upOpen up, open up,Open up, open up
Nescafé)
By Laurie Anderson
domingo, junho 17, 2007
Pechincha deste Verão!
Só me pergunto qual é a alma sábia e campista que levará uma sanita às costas e a colocará estrategicamente ao lado da sua tenda de três lugares, que comprará pela módica quantia de 29 euros e 99 cêntimos num outro qualquer supermercado, e a tenda ainda fica mais barata que a pecincha anunciada.
Vêmo-nos em Tavira, ou lá se vemos!
imagem: cortesia do supermercado Plus
sexta-feira, junho 15, 2007
se fizesse um filme era assim
terça-feira, junho 12, 2007
"I'm not Avery" (alguns spoilers, eu aviso sempre!)
Ontem assisti à mais longa investigação criminal de David Fincher.
Zodiac é longo, mas cada minuto da obra é de um pormenorismo incrível, não se tratam de cenas vagas feitas ao desvario, e atenções a belas paisagens, muito pelo contrário, tudo o que não é "conversa" no filme são vistas de São Francisco, o passar dos anos, as construções a ganhar forma, a manipulação da imagem para melhor nos dar a ilsuão (real) de que se passa muito tempo sem nada de relevante acontecer.
Os diálogos entre as personagems por serem tão bem interpretadas prendem-nos, envolvem-nos na teia, extremamente bem tecida e desfeita lenta e eficazmente durante mais de 20 anos.
O filme de Fincher foge ao seu estilo, mas de Fincher o que é de Fincher, este é um exercício livre e artístico sobre os anos 60, e 70 principalmente. A tendência noir é uma constante, ali qualquer um pode ser The Zodiac, até mesmo a intoxicante Chloe Sevingny podia, podia!! Esta obra revela-se como cinema dentro de cinema, o assassino e a ligação ao cinema mudo é brilhantemente tratada na obra, bem como a cena na cave, o clímax do filme em que a personagem que guia o cartonista nos faz lembrar um senhor de nome Nosferatu, esta reminiscência surge nos gestos, no movimento e na postura.
Os desempenhos são brilhantes, há um belo trabalho na composição das personagens, Jake Gyllenahll (um dos grandes da sua geração),Robert Downey Jr e Mark Ruffalo , e os secundários mas fortíssimos Brian Cox, Antony Edwards e Dermot Mulreony. Estão todos genias, e dizer isto é pouco mas muito, porque hoje em dia enfim é complicado ver filme em que os actores desempenham papéis ( e é para isso que são pagos).
A recriação de época torna Zodiac num bilhete postal, tudo é 70's: guarda roupa, música, Dirty Harry, cenários, pormenores como o pin do presidente Nixon na redacção, o logo da Warner Bros a preto e branco que foi possivelme encontrado nas gavetas da distribuidora, por vezes a excessiva obsessão por esta recriação fiel torna-se um pouco irrealista, um pouco caricatural até, mas resulta tão bem.
Ena gostei mesmo do filme, fiquei mesmo contente, as cadeiras reclináveis é que me tramaram o pescoço, ah e intervalo para quê?
Ah e agora Robert Downey Jr, acho por bem escrever umas linhas sobre este mal amado e "bom actor que sa farta", no filme faz de jornalista que no rodopio dos anos 70 se deixa envolver em dois turbilhões, o da investigação sobre o serial killer que se torna próxima demais, e o outro turbilhão aquele que envolve álcool e drogas, não sei se estão a ver qual é...
A sua personagem muito activa numa fase inicial, vai-se ausentando dando lugar ao também grande Mark Ruffalo notável no papel de polícia que tudo o que quer fazer é encontrar o assassino e "fazer o seu trabalho".
Robert Downey Jr, tem aqui possivelmente o papel mais autobiográfico da sua carrira, uma das suas últimas cenas é hilariante sentado num banco de bar com uma bomba de oxigénio, vemos a sua decadência de Avery e a sua entrega ao medo e à frustração de não encontrar o culpado, e que aparecendo fugazmente transmite o pouco humor do filme.
Em tom conclusivo, Zodiac é definitivamente um filme a ter em atenção, David Fincher não desilude não senhor, o que faz é abrir caminho, e mostrar que faz muitas coisas e tudo o que faz (oops.. Panic Room) fá-lo bem!
sábado, junho 09, 2007
"...sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura"
Bruno Nogueira é provavelmente um dos grandes comediantes do momento no panorama português, poderia eu ficar aqui a cravejar de diamantes linhas a fio elogiando o rapaz, afirmando a pés juntos o quão bom ele é, e o quão inteligente se mostra no como tem dirigindo a sua carreira no caminho turtusoso, que é a comédia por estas bandas.
O jardim de inverno é brindado até dia 30 de Junho, sugiro que se apressem porque o espectáculo esgota "que é uma coisa parva", a hora e meia passa voando pelo início da madrugada e de lá saímos com aquela ideia de que o humor é uma coisa muito, muito difícil de fazer, e que actores há muitos, poucos são os que com a simplicidade da sua presença e textos bem articulados e actuais nos entusiasmam, nos fazem rir e pensar "eh pá de facto somos mesmo uma cambada de insensíveis".
O Bruno Nogueira faz-nos pensar que de facto ridendo castigat mores, e que não se trata de uma questão de tamanho ou altura, de cultura ou laisser passer, basta apenas pôr a mão na consciência, ver as coisas como elas são e que o facto de nada fazermos para mudar o mundo não siginifica que não nos apercebamos exactamente do que é que o faz rodar!
Riam-se com os estrábicos, com a fome em África, com o the falling man, com a irmã Lúcia (agora reunida com Xico e Jacinta) , e com os anões, está lá tudo, o raio do puto topou-nos a todos!
Os 13 do Oceano!
Até que enfim que saí de uma sala de cinema feliz e contente!
É isso que acontece quando criamos expectativas ligeirinhas e nos aventuramos no início do Verão a ver alguma coisa que não possua a alcunha de "Bloco enorme", que é mais ou menos blockbuster em português (é melhor tirar isto da net, não vá nenhuma alminha importante ler isto e mandar esta dica para cima de uma mesa de reuniões, daquelas em que são decididos os nomes a dar a coisas que já têm nome nos outros países).
Para fãs do hilariante Ocens's 11 , este desfecho, que não é um desfecho, porque não se trata de uma trilogia, é totalmente do meu agrado. Os ingredientes mágicos estão todos lá, as privates jokes entre amigos, o guarda roupa, as personagens estilosas interpretdadas por actores que se sentem bem nessa pele, e o cheiro do gambling, e das slots a girar!
A premissa não é nova, o gang prepara mais um roubo a uma colossal casino, desta vez não porque precisem de dinheiro (embora venha sempre a calhar), mas antes para vingar um grande amigo! Claro que o casino tem um dono muito mau e rezingão (ou não fosse ele interpretado por Al Pacino), claro que vilões antigos regressam para o bem e para o mal ( Andy Garcia e Vicent Cassel) e há ainda um vislumbre do feminino, que a meu ver é a única peça que não encaixa no puzzle, desta vez muito simples montado por Soderbergh.
Ocean's 13 tem comopor base, uma ideia : diversão, não há papelões, mas sim reminiscências do Cinema antigo, o uso da cor quase obsessivo que parece pintado à la mode dos anos 80 (aquilo que fizeram com o Casablanca!!), cores vivas, muito vivas, realisticamnete irreais.
De juntar a tudo isto uma banda sonora do meu agrado, muito disco sound e muito "saxofonizada" (a partir de agora tenho uma nova palavra preferida em português!).
Se querem sair (nem que seja por um bocadinho) do marasmo próprio da explosividade desta época do ano, vão ver Matt Damon, Brad Pitt, George Clooney, Casey Affleck, Don Cheadle e quem sabe Oprah numa sala próxima de vocês.
É que não vão perder mesmo nada!
(Ah e sim fui ver o filme ao Alvaláxia, e sim a imagem é tirada do folhete semanal, cortesia Cinemas Millenium)
quarta-feira, junho 06, 2007
"Jazuj"
Num meio dia de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
(...)
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pesoa da Trindade
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
(...)
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
(...)
O seu pai era duas pessoas...
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
(...)
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
(...)
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
o espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
(...)
E esta é a história do meu Menino Jesus.
Isto é Pessoa meus caros!
Guardador de rebanhos, Alberto Caeiro
sábado, junho 02, 2007
Parabéns!!
Piaratas, piratinhas...e essas coisas do mar!
Mas também diz a bélica excelência
Nas armas e na paz, da gente estranha
Será tal, que no mundo ouvido
O vencedor, por glória do vencido
Os Lusíadas, est 56, canto VIII, v.5 a 8

Velhos truques, por vezes não passam de truques e velhos, coisas da idade. E num universo como é o cinema, coisa do ano passado é também coisa desse mesmo passado.
Sou fã incondicional de Johnny Depp, mas às vezes não chega o carisma do Homem mais versatilmente duvidoso da História do Cinema Contemporâneo. Nem chega mesmo o facto de o du, tri, quaduplicarem na tela...nem sempre cola, por maior que seja a geniosidade deste Johnny from wonderland!
Parece encerrada a história dos piratas, ou não...( para quem assistiu à pérola final) http://www.youtube.com/watch?v=b5FI4ZnHhnA), Orlando Bloom diz que o final desta trilogia é digno de uma grande epopeia, eu cá acho, Senhor Bloom que o melhor é esticar bem as velas que a nau precisa de abrandar (peço desculpa mas domino muito mal o vocabulários das lides marítimas). De facto a história do Capitão Sparrow terminou ( e é aqui que fazemos buáaaaaaaaaaaaa), mas por agora não faz sentido algum prosseguir.
Quanto a outras personagens, sim pode-se arranjar qualquer coisita, mas por favor esperem mais um pouco, aí uns 10 aninhos ou coisa do género!
O mar navegado por Gore Verbinsky, banhou todo um mundo, atingiu as metas comerciais a que se comprometeu, manteve um belo elenco, uma bela filosofia visual, a argumentativa, essa sim uma verdadeira banhada.
Não consegui deixar de notar grande cansaço (não, não do público, esse ficava 4 horas na sala se preciso), mas dos actores fulcrais à trama, nomeadamente o par romântico que numa de "ele ama-me, ele não me ama" não atava nem desatava, com diálogos fracos e olhares desviados.
A estrela da companhia é inantigível, não há critica negativa no meu horizonte, ele são os desequílibrios, os olhares estrambólicos, a peruca que de tão falsa só podemos dizer "ena pá parece memo verdadeira".
De louvar, está o guarda roupa, os cenários e os efeitos especiais, principalmente na cena envolvente (não pelo par) mas pela fusão de céu e mar ambos esterlados, entre Will e Elizabeth, uma mar reflectido no céu...ou seria o contrário (também quero uma noite assim!!).
Outra cena a referir é a esmagadora cena em que é descoberta a forma de alcançar os confins do mundo, e a entrada nesse mesmo lugar.
O bom deste franschise é o casamento entre Acção e Humor, da qual nasce o logotipo da Disney: brilhantismo cómico que já nos havia habituado nos dois primeiros filmes da trilogia, aqui o humor torna-se mais físico e feio, voam piratas, olhos, dedos congelados, e o resto fica a cabo do "you know who"!!
Mas, e este ano estão a haver muitos "mas", este Piratas não prende do início ao fim, o fogo é apagado a meio, nos "mares nunca navegados", nem as alusões odisseicas a ninfas Calipsos asseguram a frescura, nem a aparição da pedra rolante cuja esposa se assemelha ironicamente a um coco, nem Ken Watanabe, nem Jack Sparrow, ele multiplica-se mas não é (ainda) Deus!
Para dar estrelas, em 5 dou 4 (numa constelação puramente blockbusteriana)
e aqui estão elas
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quarta-feira, maio 30, 2007
quarta-feira, maio 23, 2007
A passagem do tempo
"- Preciso de comprar uma agenda filho!
- Mas tu já não tens uma agenda mãe?
- Ai filho, mas a que eu tenho, é que até tenho vergonha..."
Escuto conversas todos os dias.
Escuto os meus pais a conversar com o meu irmão; as senhoras na televisão; eu converso com o meu cão enquanto engomo roupa na varanda, a minha mãe sussura palavras frescas às plantas que rega. E quando não escuto, imagino conversas, escuto as cordas do violão a dialogar com as teclas do piano ao som de Miles DAvis, escuto Eça a ditar as palavras que verte para folhas amareladas na sua escrevaninha, Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável, escuto a moldura enquanto se espreneia gritando-me que gostava mais da fotografia antiga que lá havia feito refém.
Imagino o que escuto, mas nem sempre escuto o que imagino.
E hoje escutei uma mãe a dizer a um filho que precisava de comprar uma agenda nova.
Uma agenda. Já ninguém usa agendas. Sim aquelas agendas com sepradores de letras, uma letra para cada nome, para cada cara conhecida ou irreconhecível, para cada vizinha, para cada vivo e falecido, para cada membro da família, para que não seja ninguém deixado ao abandono por não ter uma morada e um número de telefone.
Eu também tenho uma agenda, as pessoas que conheço é que já não têm morada, já ninguém diz onde vive, eu se calhar sou "à moda antiga", tudo comigo é à moda antiga, daí que goste de princesas.
A mãe deste filho, tem uma agenda nova, comprou-a, mas não era aquela que ela queria relamente, ao que parece tem só duas folhas para cada letra, " não cabe quase ninguém". Até os comerciantes, acham que as agendas já não fazem sentido, tornou-se um bem desnecessário, e pouco avançado. Para quê uma agenda, se já ninguém mora? Se o correio hoje é electrónico e nem necessita de selo??!
Que é feito do anúncio em que se cantava :" A minha agenda, a minha agenda!!"
segunda-feira, maio 21, 2007
Muito barulho para nada
A pequena e frágil Madelaine desapreceu.
As equipas televisivas inglesas estão a "desmontar o estaminé" na Luz, parece que a possibilidade de fotografar sangue e fazer capas e capas de jornais sensacionalistas já não é uma realidade próxima.
Coisas da vida.
Mas o que importa é encontrar a criança.
O que mais se me infiltra nas veias é ver tanta coisa em tanto lado e só ouvir falar da "caça ao raptor", a Madelaine fica melhor nos cartazes do que o retrato robô do dito raptor baseado em não sei o quê, que não sei quem achou que talvez lhe tenha parecido com...
Coisas da vida.
Tanta informação cruzada, tanto profissional da imprensa, e ninguém (repito ninguém) soube informar ( o uso da palvra "info" flexionada é intencional) que o russo afinal tem 22 e não 30 anos como passou em todos os rodapés de todos os canais televisivos...seria a polícia a querer enganar alguém na tentativa de salvaguardar informações preciosas que a levarão à recuperação do raptor, quer dizer da pequena Madelaine?
Tanta informação revelada e não passa pela cabeça de ninguém que o dito raptor também deve ter uma televisão e que a ele lhe deve dar um jeitaço saber todos os "pums" dados pela PJ??
Entristecem-me injustiças e falsas modéstias, entristece-me a pedófilia, a prostituição inafantil e o tráfico de orgãos, entristece-me o esquecimento. Entristece-me que usem a imagem de uma criança para fazer "upa-upa" às audiências, entristece-me saber que foi feito um clip com imagens da Madelaine ao som de Simple minds e que isso seja também notícia na Sic...don't you forget about me...
Não se esqueçam que todos os dias, e nos 10 minutos que levei a escrever este texto (tento escrever o mais depressa possível para diminuir o tempo e o número...falso consolo) dezenas de crianças despareceram.
Hipermercados, cadeias e fast-food, gasolineiras vão afixar fotos de Madelaine para que não se esqueçam dela, quem dera que se tivessem lembrado disto antes, ou entao juntem a Madelaine as fotos de outras crianças, vítimas de todas as horas, de todos os anos, de todos os pesadelos.
Sou cruel, mas só queria que aparecessem todas, as fotos e as crianças.
domingo, maio 20, 2007
Insensível
Muito, muito antigamente era assim...
Tornámo-nos nuns insensíveis.
Antigamente, ou há coisa de uns 4 ou 5 anos atrás, ver um filme ou seguir uma série televisiva era algo digno e respeitável, um ritual semanal!
Hoje?
Hoje, não é mais que um hábito desprovido de qualquer excitação. A quantidade iguala a qualidade dos produtos, o problema não são as séries em questão, o problema é o público. Antigamente, ou há coisa de uns 4 ou 5 anos atrás, uma em dez séries era boa e seguia em frente.
Hoje?
Hoje, dez em dez são tão boas que duram uma média de 5 temporadas.
Nós somos quem vê tudo sôfrega e desconfortavelmente na cadeira, com pouca ou nenhuma qualidade de imagem, com som desfasado e legendas em hebraico, nós que falamos tanto na qualidade das séries, não nos importamos nem um pouco de as seguir nestes propósitos, os artistas devem adorar ser aplaudidos vaziamente numa sala escura num écran do tamanho de um envelope!
E não nos ficamos por aqui, além de termos deixado escapar qualquer pingo de dignidade televisiva, escapou também aquela ansiedade de "cenas do próximo espisódio", já não conversamos com os nossos amigos (e uns quantos desconhecidos) sobre detalhes do último episódio exibido, sobre a possibilidade de virmos adquirir um desencaroçador de maçãs da teleshop que vimos no intervalo. Agora, falamos antes sobre qual o novo site onde já esta online a seguinte temporada, e extasiados comentamos "wow, ainda nem estreou nos EUA!".
É como ver um Guernica na net, e dizer o que nos vai na alma ao contemplá-lo (online), é tão poderoso como ler frases desconexas no messenger, frases descompensadas, com piscar de olhos e smiles marados, privates jokes tão privadas que não se dirigem sequer aos "privates".
Cadê a magia da caixa que mudou o mundo?
sexta-feira, maio 18, 2007
quarta-feira, maio 16, 2007
quarta-feira, maio 09, 2007
B.A.S.T.A
Ao folhear o Diário de Notícias de dia 8 de Maio de 2007 na parte inferior da página 28 deparei-me com uma das incontáveis atrocidades cometidas diariamente neste inóspito mundo, governado por homens tristes e autênticas bestas humanas, (passo a expressão).
Estou cada vez mais triste por saber que faço parte da raça humana, é triste mas é a verdade. Não sei se tenho o direito de mostrar no meu blog imagens e texto retirados de um jornal, se não tenho esse direito peço desculpa e caso me seja pedido retirarei ambos o mais depressa possível, mas tinha de mostar a minha revolta, o meu desespero, como criança que fui, mulher que sou, e humana que cada vez mais tenho vergonha de ser.
sábado, abril 28, 2007
Um deus que não pode decidir
Seres frustrados são aqueles que não toleram sequer por um minutos a felicidade dos que os rodeiam, tornando-lhes a vida num real inferno. Tornam-se seres amorfos e são mais ou menos assim...
Uma janela que não se pode abrir
Um poeta que não sabe rimar
Uma pena que não consegue escrever
Uma criança que não é deixada brincar
Um fugitivo que não tem para onde fugir
Um lamento que não consegue magoar
Um mágico que não ilude
Uma batalha que não se pode travar
Um professor que já não pode aprender
Um dado que não se pode lançar
Uma montanha que não se pode subir
Uma agulha que já não fere
Um bailarino que já não pode dançar
Uma mão que não se pode fechar
Um fio que não se pode partir
Uma sombra que não se pode matar
Uma dor que não se pode sentir
Um aplauso que não se pode agradecer
Um instante que não se pode viver
Uma flor que deixou de crescer
Um amante que não pode amar
terça-feira, abril 24, 2007
ÉS GRANDE
E o sábio diz:
"Take a look at the girl next door, she's a player and a downright Whore, Jesus loves her but she wants more, oh bad girls get you down."
e prossegue:
"I went walking with my mama one day, when she warned me what people say, live your life until love is found, or love's gonna get you down. "
Lollipop, Mika
quarta-feira, abril 18, 2007
Três horas, um amor (monólogo, porque falava com um morto)
Noite fria. Não. Noite muito fria. Uma cama fria. Uma cama muito, muito fria. O relógio diz em tom silencioso que são cinco e seis da manha, e nem mais um minuto, talvez mais alguns segundos, segundos, segundos, segundos, segundo.
Faço contas à vida, e eu que nunca fui muito boa de contas. Nunca gostei de números, nunca me senti uma privilegiada pelos números, nunca lhes fui fiel, e tanto quanto sei nem eles a mim, nem tu a mim, e nem eu a ti, por isso estamos quites e não pensemos mais nisso.
Penso em ti, sei que não és o ser mais maravilhoso do mundo, mas são tantos os maus seres, que a tua bondade, vejo-a como uma luz ténue e apaziguadora, és bom, e nada mais interessa.
Olho para ti, não me vês, dormes profundamente, dormes ainda?
Não interessa, não vejo a tua sombra, não interessa, é melhor prosseguir.
Apetece-me falar, gosto muito de falar, às vezes não parece mas gosto muito, quero falar contigo, acorda estúpido! É tempo! Acorda estúpido quero conversar, não me interessa que amanhã tenhamos de acordar cedo, amanhã? Não, hoje ainda daqui a pouco temos de acordar. Pelas oito da manhã, é esse o nosso tempo, e falta muito pouco tempo para esse tempo chegar.
Quero falar. Quero falar contigo, quero falar sobre nada, quero falar do passado, quero falar do tempo em que dormia no ventre da minha mãe, quero falar do susto que ela apanhou quando confrontada com a verdade, quero falar do tempo de reis e majestades, quero falar de campos verdejantes, praias desertas, batas azuis, quero falar de impaciência, de bilhetes esgotados, da minha camisola de lã preferida encolhida na máquina, quero falar da agenda que perdi, do diário que escrevi, quero falar das coisas que nunca te disse, e das que sei que nunca me dirás.
Queres falar?
Dormes tão profundamente, jazes a meu lado, não vejo a tua sombra, morreste há muito tempo. Passou algum tempo, consegui preencher com ideias cerca de três minutos terrenos, mas quero mais. Oh como quero muito mais. Farta de ideias estou eu, comigo são só ideias, apetece-me verbalizá-las gritá-las em voz alta, tão alto quanto a minha alma desejar. Não vejo a tua sombra.
sexta-feira, abril 13, 2007
Irritabilidade literária
Muito se tem escrito e dito nos últimos dias sobre o universo dos blogues.
A mim só me apetece dizer, escrever que, enfim gosto de escrever e ninguém é obrigado a ler, por isso também não me venham com aquela máxima que tanto me irrita e tanta vontade me dá, de correr toda uma sala de arma em punho e espetar um balázio numa dezena de convencidos e com a mania das grandezas... porque já publicaram um livro!
Até me esqueci da máxima, ah já me lembro, " então mais valia estar quietinha!", ai estas coisinhas que se dizem são tão passivas, tão mesquinhas, tal como muitas pessoas que se dizem "amantes da Literatura", tenham calma, há espaço para todos, se de facto metade destes blogues "pretensiosos", como já por aí li, não possuirem conteúdo algum, todos nós sabemos o que lhes acontecerá, o mal não é fazer-se mal feito, tenho cá para mim que o problema é mesmo acreditar que não se sabe e fazer e preferir ficar quietinho!
Escrevam muito, com erros, sem erros, com elogios e desdenhices baratas, critiquem, escrever mais não é do que libertar letrinhas pequeninas acorrentadas a um orgão esponjoso e oh tão feio como é o cérebro humano!!
Escrevam no metro, no quarto, num encontro romântico, na praia, num encontro romântico daqueles mesmo muito, mas mesmo muito chatos, numa aula leccionada ao ritmo da lesma: daquelas que nem com uma dose cavalar de alguma substância mais energética vos servirá para alguma coisa...escrevam, mesmo que seja a fingir, escrevam!
E os senhores das letras, continuem a invejar mas deixem de ser invejosos, que esse sentimento álem de envelhecer a pele, causa muito sofrimento e solidão!
Ai!
sábado, abril 07, 2007
Tal como diz o coelhinho
sexta-feira, abril 06, 2007
This is Sparta!!
Como não tenho vindo a rechear linhas com pensamento cinéfilos, hoje parece-me um bom dia para tal efeito. Diz-se que esta Sexta feira é diferente das outras, diz-se que é Santa, pois eu não me apercebi, não me lembro bem do que é que ela fez para ser canonizada, mas também não é sobre isso que vou debruçar(por agora).
Muito se tem já dito e escrito sobre 300.
Graças a esse "zum zum" proporcionado por um trailer apelativo, uma banda sonora entusiasmante e uma falsa modéstia tão própria do nosso tempo " pois nós fizémos este filme com um orçamento muito reduzido!", obtém-se como resultado algo não muito mau, fazendo com que só se possa dizer bem, o que acaba por iludir.
Assiste-se a duas horas que passam num ápice, graças a um grande ritmo próprio do campo de uma batalha, não se perdem minutos precioso a pensar grandes planos de ataque e defesa, não o Rei Leónidas tem o seu papel bem decorado.
Está lá tudo, violência (que não é brutal), sangue (que não jorra como é de esperar), e muitas frases feitas, há também a amostra exageradamente heróica dos 300 frente a um rei que se vê como a um Deus, que tudo o que quer é que se ajoelhem a seus pés...mas os espartanos também só querem andar de cabeça bem erguida, daí a guerra.
A mensagem política de que tanto se tem falado por fora dos circuitos cimatográficos, torna-se um aspecto importante e que vem trazer ainda mais publicidade à película, fala-se muito de "liberdade" ao longo de 300, um povo que não se quer subjugar a um outro só porque este é maior e porque se acha no direito divino de mandar e desmandar onde muito bem lhe entender. O rei Xerxes menciona "trocas culturais" e "económicas", mas Leónidas percebe "escravidão" e vazio pessoal, O rei Bush menciona "educação" e o Médio Oriente percebe Jesus Cristo em vez de Maomé...se ao menos fizesse sentido...
Incompreensão. Poder. Domínio. Morte. Religião. Petróleo. São as palavras de ordem, no passado a última não se usava, mas também não se faziam pastilhas elásticas na altura.
Esquecendo a "mensagem", fiquei com aquela sensação de dejà vu ao ver 300, percebi-o como um híbrido entre Gladiador ( as cenas idílicas nas cearas de trigo) e Sin City (mas a isso não podemos criticar, trata-se do Universo Frank Miller). Não vi nada de novo, não me entusiasmei, não cheguei a torcer pelos espartanos, não senti o pulso forte do seu rei, não me emocionei com aquela rainha sensível e inteligente ( pelo menos era isso que queria dar a entender), e não saí satisfeita da sala, apenas minimamente confortada.
Dourado e vermelho são cores bem combinadas, 300 usa-as como estandarte, mas água que as dissolveu foi muito mal engarrafada por Zach Snyder, e ateção não é por falhar a fidelidaded ao comics, pelo contrário, talvez por uma colagem tão desavergonhada que a tentativa de superação não vai álem do efeito visual e esse sim esmagador. Não deixa de ser um dos filme de 2007, pelo menos muito se dirá sobre ele!
"Alguma mensagem para a Rainha?
Nenhuma que deva ser dita."
sexta-feira, março 30, 2007
Pediram-me que escrevesse qualquer coisa
"Apresentações feitas" e apetece-me pensar que não nos tratamos de pessoas assim tão diferentes.
A minha irmã disse-me outrora: "Crescer custa!", e custa, custa parece-me a mim, mais a uns que a outros, os outros porque não pensam nisto crescem simplesmente para cima sem procurar o sol, crescem rectos e sem propósito, e os "uns", esses alegram-se por crescer, procuram o sol por quererem ultrapassá-lo, crescem tortos, para mais tarde se endireitarem!
E nada mais prazer me dá que
Comer finas lascas de chocolate de leite
Sentir a ansiedade pela chegada da última palavra escrita de um livro
Olhar o céu estrelado durante um apagão na cidade
Ouvir o canto das andorinhas numa fresca manhã de Primavera
Adormecer com a minha cabeça pousada numa almofada de penas molemente endeusada
Acordar leve porque sonhei com a resolução de todos os meus problemas
Escutar a canção preferida como se fosse hoje decretado o fim da existência da Música
Saborear café pela manhã envolto em duas colheres de açucar, abraçado a pão lambido com manteiga
Receber uma carta, um postal, um "olá" que não seja seguido de @mail.com...
Quem disse que "quem torto nasce nunca se endireita"??
quinta-feira, março 22, 2007
domingo, março 18, 2007
sexta-feira, março 16, 2007
"Mano quero ver passarinhos!!"
Dizia ela com a sua voz inocentemente imperativa, contestatária, doce e irrepreensível, teimosa e inesgotável.
O lume do Céu rasgava os panos do Tempo, a viagem leva anos a percorrer, talvez quinze, talvez catorze, pedindo às Parcas para fazer um recuo imaginário, é recorada a descida leve da Primavera daquele ano...talvez o de 1991, talvez o de 1992, o pólen invisível pairava sobre a menina, e o alpendre vazio.
Um pouco mais longe, água cristalizada consolava as amendoeiras mais próximas, pareciam diamantes finamente delapidados à espera que ela crescesse e os usasse orgulhosamnete nas suas orelhas finas e escondidas pelos seus cabelos cor de ébano, furiosos tentáculos que reinavam na sua cabeça e que só ela conseguia domar.
"Vamos pôr pão molhado no alpendre!"
Disse ele, numa tentativa de acalmar a menina, de fazer sorrir os seus olhos,de acalmar se possível os furiosos, enfim numa tentativa de satisfazer a vontade dela e sua (secretamente sentida). O pão, esse manjar, colocaria um fim à espera maldita, um início de algo maior.
Amanheceu frescamente. Ela acordou, despertou insatisfeita como sempre, os seus pés finos tocaram o ladrilho frio cortando como agulhas a base do seu corpo alado, frágil, macio...obrigando a tocá-lo minimamente, fingiu ser bailarina nessa manhã.
Ele disse, "Agora, agora!"
Ela sorriu como só uma criança o sabe fazer.
Quanta emoção aquele passarinho lhe proporcionou, aquele ser tão ou mais frágil que ela, dádiva dos Céus, porque só a ele pertence, maravilha natural, pequena e mole aninhada na palma de uma mão protectora e contente. Comendo o pão comprado no dia anterior na padaria da D.Emíla.
Devolvidos os anos às Parcas, (porque só a elas pertence), numa manhã de Primavera como a de hoje, a menina de outrora olhou o alpendre e nada do que era continua a ser, não há passarinho, não há amendoeira, há o alpendre nú...e eis que de repente, como se algo maior e mais forte que ela percebesse a sua perda, o Ser surge, o alpendre foi coberto momentanemente. Que felicidade, que inesgotável alegria ela teve naqueles segundos breves e fugidios, tantos e tão poucos enquanto o passarinho lá ficou, voou para outro alpendre, foi beijar os olhos de outras meninas como ela!
Horas depois, ela procurou o mano e disse:
"Esteve um passarinho tão bonito no nosso alpendre.", disse ela hoje já com uma voz firme, mas ainda adocicada como outrora.
Ele: "Temos de pôr pão molhado!"
Ela sorriu, virou-lhe as costas e silenciosamente alegrou-se. "Ele lembrou-se." Tudo faz sentido, aquilo que senti não foi uma ilusão, a vida faz sempre sentido, seja para quem for. O passarinho guiar-nos-à no sentido certo, eles sabem sempre o caminho em direcção ao nosso alpendre!
Estou feliz.
Já não sou criança, nem a menina de outrora mas continuo a gostar de passarinnhos.
sábado, março 10, 2007
É difícil nomear coisas
Se se procurar ao longo de toda uma curta vida o caminho mais fácil, encurtamos ainda mais a nossa passagem por esta Terra desavergonhadamente atraente.
Escolhe-se o menos sinuoso, por vezes o menos sombrio...e tudo isto na esperança de alcançá-la num curto fragmento temporal, tanto quanto um pássaro leva a bater uma asa frágil e pequena, bela e fina...como se a felicidade fosse trivial.
Encontro-a em pequenas insignificâncias, mas não é por isso ninharia, pelo contrário, tomara muitos perceber o quão majestosa ela se torna quando contemplada e vivida segundo a segundo. Por vezes sinto-a chegar por entre bolhas de ar azuis claras que a brisa carrega no seu ventre inquebrável trazendo palavras sussuradas até aos ouvidos cândidos.
Encontro-a no Amor, tome Ele a forma que mais lhe convir, tome Ele a forma que mais deseje, tome Ele a forma que um capricho mais caprichoso, vivido porque se quer vivo, esse agente secreto que segue as pistas mais contraditórias, ilusionista de sentidos falíveis. E se eu disser que o amor não é o caminho, nem tão pouco o destino?...
Materializamo-lo ortograficamente, desenhamos símbolos virtuosos, divinizamos nomes, repetindo-os furtuitamente em linhas de cadernos já repletos de palavras vãs, colorimos folhas brancas, que agora tingidas com uma cor que nós pensamos ser a do sangue (não é tão vivo no entanto) são também elas agora escravas dum sentimento atribuido ao coração...como se ele tivesse culpa.
Focar-me-ei no caminho, gosto muito de caminhos, de andar quando o Sol me beija os cabelos e o aclara sem para isso pedir permissão. Caso o caminho se torne difícil e eu não tiver vontade de desistir, levarei a bússola. O caminho solitário não tem piada, é muito silencioso, mais lento, se ao menos levar a bússola, pode ser que com sorte eu não me perca, pode ser que desfrute mais por ao menos me sentir descansada, sem pressões e com tempo, todo o que o mundo me quiser oferecer...
E se a bússola for a outra metade a tal que tanto procuramos desviando-nos do caminho??
Talvez só com a bússola chegemos a tempo de sermos felizes (verdadeiramente felizes), talvez com ela tracemos uma rota que nos permita de facto encontrar o sentimento.
Ainda estou a construir a minha bússola, peça a peça, umas compro, as outras troco com alguém que já as usou e danificou...(os que uns estragam os outros arranjam)...as outras peças encontramos por acaso, ao acaso, recolhemos de sítios abandonados já que outros não as puseram usar. Depois quando reunidas durante o caminho, tentamos astuta e secretamente que se encaixem umas nas outras.
Estamos todos a fabricar as nossas bússolas, umas são mais perfeitas que outras, mais ricamente compostas, mais funcionais, mais enganosas, e outras por mais que arranjemos, precisam sempre de revisão.
E como qualquer apetrecho fabricado, nem sempre funciona, por vezess com uma abanão...mas não muito forte que se estraga para sempre.
Sei sabiamente que a bússola levar-me-á "tempo e dinheiro" a construir, podemos pedir a outros para a fazer, mas não tem o mesmo valor, disso estou segura.
E quando miraculosamente construída pelas mãos da princesa incansável, bafejada pelo sopro celestial das fadas, a bússola funcionará, o coração indecifrável no centro espalhará as vértices da rosa, o caminho surgirá claro como lágrima percorrendo a face alva da figura feminina...
........a Norte e a Sul, Tu......a Este e Oeste, Eu.....
sábado, fevereiro 24, 2007
Diário de um tal Jesus
A premissa:
Nas profundezas das terras arídas de Jerusalém foram descobertos manuscritos intocados. Alguns suspeitam que se trata de uma verdadeira "aldrabice" outros afirmam ser a prova que faltava no puzzle. Transcrever-se-ão aqui algumas passagens do diário encontrado, sabemos que se trata de uma liberdade assegurada, não pretendemos ferir quaisqueres susceptibilidades, não pretendemos brincar com nenhuma fé.
A verdade:
Trata-se de um exercício livre, uma combinação imaginativa daquilo que poderia ter sido, e se calhar foi.
Qualquer crítica, por favor batam na consciência desta pobre alma que escreve ao sabor da insatisfação e cujos dedos se movem involuntariamente guiados apenas pelas leis da ortografia.
Os autores destes texto são uma e uma só pessoa, o uso da segunda pessoa do plural exige-se por um qualquer capricho da autora, talvez uma vontade de se sentir "universal".
Se existe uma bíblia que se diz regedora de leis e moralidades, porque não um diário aladrabado e sentido, se o Vaticano pode dizer como devemos viver e aquilo em que devemos acreditar desde que o façamos de consciência limpa, pois bem, a minha consciência está imaculada, escrevo sem reservas e medos de represálias.
A fé essa está intacta e não serão palavras que a minimizarão, se pensarmos assim, então a liberdade deixa ser condicionada, e encontramos o verdadeiro caminho para a felicidade.
27 de Dezembro de 0000
Nasci há dois dias!
Parece que no dia 25 vieram 3 senhores que exigiram um teste de paternidade à minha mãe, mas ela pôs-se a dizer que o que interessa é o que está no coração. Mulheres!!
Ela continua a dizer-se "virgem" e o meu pai, esse passa o dia a adorar-me e a limpar o estábulo.
O Baltasar diz que eu puxei à mãe, o Belchior diz que eu ao José não saio de certezinha, e os vizinhos dizem que eu tenho mas é cara de terrorista...
Parece também que têm todos grandes planos para o menino: "Salvador" e blá blá blá.
Eu só sei é que toda a gente me quer fazer favores, e oferecer-me fraldas todas limpas, vou mas é a proveitar esta maré de devoção, antes que se esgote.
Por agora fico-me por aqui, a mamã já se alambazou com o baú que tinha escrito "ouro", as outras deu-as ao Zézinho ( é como ela chama o meu papá) alegando que ele não tinha carregado nada durante 9 meses que não sabia bem o que era, ele disse baixinho "não sabias não".
É engraçado ver como funcionam as relações amorosas, o Amor é uma coisa muito bonita de se ver, e é impressionante como percebo aquela coisa do " ler nas entrelinhas" acho que isso define qualquer ligação entre humanos.
Bem vou mas é pedir o almoço, que isto de ser o "tal" é espiritualmente esgotante. quinta-feira, fevereiro 15, 2007
É tempo!
(não é um prado de daffodils, mas um lago de Monet. Entusiasmo: a Arte existe!)
Em dias de consumismo desenfreado como o dia dos Namorados, acontecem imprevisbilidades previsíveis, frustrações apelativas, dramas "arrufados", o amor (ah) o amor também acontece: ao virar da esquina, nas escadas rolantes de uma qualquer centro comercial, na fila na loja do cidadão, na sala de aula, na paragem do autocarro, na sala de espera do dentista, enfim tanto lugar, tanto amor!!
Num dia como este é de esperar que o nosso "mais que tudo" nos brinde com um sorriso especial, um swatch horroroso comemorativo da data, um peluche detestável da Bunny's, uma caixa de chocolates em tons vermellhos e em forma de coração. Já não se oferecem cd's (sacam-se), dvd's (sacam-se), cartas de amor (messenger, e sms estão cá para quê?), jantar à luz das velas (McDonald's please!!), romantismo moderno?
Pena que já não possamos ler livros a falar do amor( correspondido ou não), em que amantes se conhecem sem nunca se ter visto, que se procuram inconscientemente, misto de desenganos, bilhetes entregues por conhecidos, uma flor "esquecida" à nossa porta, um beijo roubado numa carruagem de terceira, um reino repleto de "daffodils" amarelas (para quem viu Big Fish faz sentido).
Num dia como este espero sempre caras alegres nas ruas, mas deparo-me com pessoas FEIAS e SOMBRIAS, saídas de uma obra de Munch, e porquê ?
Estava eu numa fila da florista, sim havia uma grande fila na florista, (eles não podem passar o dia com elas mas ofererecem umas rosas jeitosas) a fila era um desânimo para qualquer monge de nome Valentim ou para qualquer Cupido barroco, não vi uma expressão de felicidade, de emoção...nada, e nisto olho para a beira do passeio e vislumbro uma pomba branca e etérea num universo tão pouco lírico, a pomba esse símbolo estava lá, agora aquilo que ela simboliza longe, longe e ela ali tão perto!
Não espero que se amem mais no dia de São Valentim, eu própria o que amo faz mais sentido num "dia normal", espero que continuem felizes como nos outros dias, e se não o são, comecem a fazer por isso, é tempo!
E se por acaso "meninas" algum moço excitar os vossos neurónio afectivos, não se façam de desentendidas, aquela de ah "fazer-se de difícil" é um jogo astucioso, mas meninas astutas essas são poucas, acham-se mas enfim...!! E meninos não se ponham já a pensar que "está no papo" porque não está..nunca está!
sábado, fevereiro 10, 2007
Pietà
(Michelangelo, Pietà)
Texto surdo a um comentário audível
Há coisas para o qual estamos preparados, outras para as quais nunca nos prepararemos, só vivendo essas mesmas situações "recolhidas na tranquilidade", como já dizia um tal de William Wordsworth.
Afirmar hoje que se tem pena de alguém é já um lugar comum, tivesse eu a capacidade, a oportunidade, a vontade sequer de sentir pena de alguém, mas não consigo.
Acredito que "ter pena" de alguém é simplesmente algo que nos protege...e muitas vezes o que dizemos não é o que sentimos...protege-nos fazendo com que não tenhamos mais pena de nós próprios, e isso sentimos mas nunca dizemos.
Vejo fome, guerra, morte e não sinto pena, aliás ninguém sente, segue o seu caminho, desses ninguèm diz "tenho pena" ou então diz, mas só porque se não o fizer foge aos cânones morais da boa educação.
Eu não sei sentir pena de ninguém, não preciso de o fazer para me sentir superior, porque no fundo trata-se de um jogo de equilíbrios, dois pesos desiguais em dois pratos da balança, o mais forte tem pena, o mais fraco é aquele sobre a qual a piedade é exercida.
Ponhamos mão nas nossas consciências, e percamos essa necessidade mesquinha e trivial, porque a vida é mais do que isso, muito mais...pena (e uso agora a palavra propositadamente) que só consigamos ver aquilo que queremos ver, e aquilo que mais nos convém. Triste, é vermos más caras por entre a multidão, como se o mundo fosse nosso inimigo. minha vontade faço por segui-la, quero "voar mais, e mais alto", nem que para isso esse voo seja sobre terras mais altas!
Bem hajam
terça-feira, janeiro 30, 2007
AlegriaS e DecepçõeS
(from The queen, 2006)
Depois de uma ausência não premeditada e muito menos consentida pela voz da consciência, farei os possíveis para recuperar o tempo perdido ( impossibilidade óbvia) ou pelo menos tornar o presente aprazível e consequentemente o futuro sorridente e florido!
Tristemente assisti à emissão do AXN da gala dos Golden Globen: o atentado cultural do século?
Mas infelizmente o público, esse sabedor pouco ou nada pode fazer quanto às "caras da TV", é que aquela jornalista (se é que não é antes filha de algum conhecido) não teve o mínimo de profssionalismo, o mínimo de gosto, o mínimo de tacto para o trabalho que executou...e ainda executa, para mal dos nosso pecados.
MAs falando de coisas mais positivas!
Agora que os dados estão lançados, é com grande alegria que vejo alguns dos nomeados que interiormente professava naqueles écranzinhos rodeados de estatuetas douradas!!
Fico feliz pela senhora, que é uma rainha e que me adocicou o coração de forma magistral: Grande Helen Mirren, é a ele que quero ver subir as escadas para receber o belo troféu, fico agradada pela nomeação de Penélope Cruz (num Volver inexplicavelmente esquecido), fico contente com Mark Wahlberg numa interpretação de encher o olho (e a boca)!!
Fico ainda mais satisfeita em ver que tanto Babel (embora não aprecie a mensagem do "politicamente correcto" para a qual remete) e Little miss sunshine estão na luta pela estatueta, mas não me espantaria ver The queen a levar o prémio dourado, convenhamos que Stepehen Frears (esse eclético bravo) também não se importaria, mas shhhhh que quero mesmo é ver o Little miss sunshine a brilhar nesta noite!!
Scorcese para melhor realizador, já ia sendo tempo, para melhor actor...só me pronuncio depois de ver Dreamgirls e Venus que ainda não tive o prazer, para melhor actriz secundária escolho a menina Abigail Breslin...can't touch this!!
(A ordem está sem lógica, mas é que o dia ainda é longo e a mente...bem essa anda a vaguear num mundo paralelo muito frio e sombrio, sinto-me como se estivesse dentro dum daqueles bibelots muito bonitos e coloridos que abanamos e vemos os flocos de neve a cair...não estou lá dentro parada, sou um desses flocos, embrulhados num turbilhão vivo e musical!)
Folgo em saber que Children of men não foi esquecido de todo, mas decepciono-me com as ausencias de Volver como já referi, Marie Antoinette, Inside man, mas enfim nobody's perfect...
E se hoje não faço sentido...assim que me resolver a ver o Sol a brilhar e voltar a comer cerejas o cenário muda....e como muda!!
A vida anda triste, que ganhe uma comédia o prémio mais esperado!
quarta-feira, janeiro 10, 2007
domingo, janeiro 07, 2007
Open up your heart as well as your eyes
(imagens do filme)
"A stones's throw from Jerusalem
I walked a lonely mile in the moonlight
And though a million stars were shining
My heart was lost on a distant planet
That whirls around the April moon
Whirling in an arc of sadness
(...)
And from the dark secluded valleys
I heard the ancient songs of sadness
(...)
They say a city in the desert lies
The vanity of an ancient king
But the city lies in broken pieces
Where the wind howls and the vultures sing
These are the works of man
This is the sun of our ambition(...)" ,Mad about you by Sting
O novo de Alejandro González Iñárritu estreou há pouco.
Foi um estranho visionamento para mim, não sei se gostei ou se simplesmente me senti incomodada e por isso o detestei. Acho que um misto dos dois.
Ao abandonar a sala percebi que ainda vivo na torre de Babel e de lá nunca sairei, estou feita prisioneira não de uma barreira liguística, mas de sentimentos, são eles (ou a falta deles) que nos aprisionam, os nossos preconceitos, as nossa situações-limite, os nossos receios, os nossos costumes, o nosso amor pelos outros finito...muito finito, a linguagem não é barreira, nunca foi, não nos percamos.
Mais uma vez este realizador traça uma linha cheia de curvas e estradas paralelas, que se cruzam (chocam) apenas quando o espectador já sabe exactamente e já se encontra preoparado para o pior, e quando o pior não acontece o espectador fica impaciente, a acção alonga-se, e o espírito inquieta-se.
Passando pelo Japão, Marrocos e a fronteira do México, são nos dadas a ver diferentes estórias quase em sinal de protesto silencioso, "Páre, escute, perceba, sinta..." parecem estas as ordens que o realizador deu ao seus actores e não actores nesta obra, e eles como bons alunos aplicaram-se e o resultado a nível de interpretações é assombroso, não é preciso "muito tempo de antena" basta um segundo para o conceito "Babel" ser construido.
Lindos são muitos dos momentos no filme, seja a dedicatória final do realizador, seja a visão de um Japão estigmatizado pela luz e isolamento...dançar sem ouvir música, falar sem mover os lábios...uma fenomenal Yuko Murata...um provocador de angústia Gustavo Santaolalla, que parece escolher notas musicais e acordes de violino cegos de tanta dor.
Babel pode nunca ter sido construída, mas somos sem dúvida prisioneiros de uma torre de afectos"...se quer ser entendido...escute."
quarta-feira, janeiro 03, 2007
A lista
E para começar 2007 com pensamentos ainda não muito profundos, depois da ressaca das horas e das passas, aqui vai a minha lista de 2006, aquilo de que gostei e aquilo que não passou do "por aí além"...de notar que muitos dos filmes não são do ano passado, mas isso tem a ver com os atrasos das estreias em território do Senhor Cavaco Silva (respeitosamente), é este ano amigo, é este ano que a coisa se compõe!!
Top 10 (filmes)
1 Litle Miss Sunshine
2 Volver
3 Thank you for smoking
4 The departed
5 Brokeback mountain
6 Inside man
7 Matchpoint
8 Walk the line
9 Children of Men
10 Marie Antoinette
E as outras coisas...
Maior gargalhada o "pão de forma" de Little miss sunshine
Maior lágrima o silêncio da montanha Brokeback
Não estava mesmo à espera Mark Wahlberg dirigido por Scorcese
Acriz Penelope Cruz em Volver
Actor Clive Owen em Inside man e vá lá Marky Mark em The departed
Não me sai da cabeça O porco insuflável ao ar livre em Children of men
Canção Can't touch this
So fashion that hurts Meryl Streep em The devil wears Prada
Mauzinho Casa na Lagoa
Muito mau Casa na lagoa
Visão O feminino para Almodovar
Bom ano!!
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