sexta-feira, maio 18, 2007

Cascata de Fogo de artifício, cortesia Rock in RIO

quarta-feira, maio 16, 2007

Coimbra 12 de Maio de 2007

Ladies and Gentleman Mr George Michael!
Someone has to shoot the dog!!
Nunca imaginei possível ver nascer o Sol às 11 horas da noite...

quarta-feira, maio 09, 2007

B.A.S.T.A

Ao folhear o Diário de Notícias de dia 8 de Maio de 2007 na parte inferior da página 28 deparei-me com uma das incontáveis atrocidades cometidas diariamente neste inóspito mundo, governado por homens tristes e autênticas bestas humanas, (passo a expressão).
Estou cada vez mais triste por saber que faço parte da raça humana, é triste mas é a verdade. Não sei se tenho o direito de mostrar no meu blog imagens e texto retirados de um jornal, se não tenho esse direito peço desculpa e caso me seja pedido retirarei ambos o mais depressa possível, mas tinha de mostar a minha revolta, o meu desespero, como criança que fui, mulher que sou, e humana que cada vez mais tenho vergonha de ser.

sábado, abril 28, 2007

Um deus que não pode decidir

Seres frustrados são aqueles que não toleram sequer por um minutos a felicidade dos que os rodeiam, tornando-lhes a vida num real inferno. Tornam-se seres amorfos e são mais ou menos assim... Uma janela que não se pode abrir Um poeta que não sabe rimar Uma pena que não consegue escrever Uma criança que não é deixada brincar Um fugitivo que não tem para onde fugir Um lamento que não consegue magoar Um mágico que não ilude Uma batalha que não se pode travar Um professor que já não pode aprender Um dado que não se pode lançar Uma montanha que não se pode subir Uma agulha que já não fere Um bailarino que já não pode dançar Uma mão que não se pode fechar Um fio que não se pode partir Uma sombra que não se pode matar Uma dor que não se pode sentir Um aplauso que não se pode agradecer Um instante que não se pode viver Uma flor que deixou de crescer Um amante que não pode amar

terça-feira, abril 24, 2007

ÉS GRANDE

E o sábio diz:
"Take a look at the girl next door, she's a player and a downright Whore, Jesus loves her but she wants more, oh bad girls get you down." e prossegue: "I went walking with my mama one day, when she warned me what people say, live your life until love is found, or love's gonna get you down. " Lollipop, Mika

quarta-feira, abril 18, 2007

Três horas, um amor (monólogo, porque falava com um morto)

Noite fria. Não. Noite muito fria. Uma cama fria. Uma cama muito, muito fria. O relógio diz em tom silencioso que são cinco e seis da manha, e nem mais um minuto, talvez mais alguns segundos, segundos, segundos, segundos, segundo. Faço contas à vida, e eu que nunca fui muito boa de contas. Nunca gostei de números, nunca me senti uma privilegiada pelos números, nunca lhes fui fiel, e tanto quanto sei nem eles a mim, nem tu a mim, e nem eu a ti, por isso estamos quites e não pensemos mais nisso. Penso em ti, sei que não és o ser mais maravilhoso do mundo, mas são tantos os maus seres, que a tua bondade, vejo-a como uma luz ténue e apaziguadora, és bom, e nada mais interessa. Olho para ti, não me vês, dormes profundamente, dormes ainda? Não interessa, não vejo a tua sombra, não interessa, é melhor prosseguir. Apetece-me falar, gosto muito de falar, às vezes não parece mas gosto muito, quero falar contigo, acorda estúpido! É tempo! Acorda estúpido quero conversar, não me interessa que amanhã tenhamos de acordar cedo, amanhã? Não, hoje ainda daqui a pouco temos de acordar. Pelas oito da manhã, é esse o nosso tempo, e falta muito pouco tempo para esse tempo chegar. Quero falar. Quero falar contigo, quero falar sobre nada, quero falar do passado, quero falar do tempo em que dormia no ventre da minha mãe, quero falar do susto que ela apanhou quando confrontada com a verdade, quero falar do tempo de reis e majestades, quero falar de campos verdejantes, praias desertas, batas azuis, quero falar de impaciência, de bilhetes esgotados, da minha camisola de lã preferida encolhida na máquina, quero falar da agenda que perdi, do diário que escrevi, quero falar das coisas que nunca te disse, e das que sei que nunca me dirás. Queres falar? Dormes tão profundamente, jazes a meu lado, não vejo a tua sombra, morreste há muito tempo. Passou algum tempo, consegui preencher com ideias cerca de três minutos terrenos, mas quero mais. Oh como quero muito mais. Farta de ideias estou eu, comigo são só ideias, apetece-me verbalizá-las gritá-las em voz alta, tão alto quanto a minha alma desejar. Não vejo a tua sombra.

sexta-feira, abril 13, 2007

Irritabilidade literária

Muito se tem escrito e dito nos últimos dias sobre o universo dos blogues. A mim só me apetece dizer, escrever que, enfim gosto de escrever e ninguém é obrigado a ler, por isso também não me venham com aquela máxima que tanto me irrita e tanta vontade me dá, de correr toda uma sala de arma em punho e espetar um balázio numa dezena de convencidos e com a mania das grandezas... porque já publicaram um livro! Até me esqueci da máxima, ah já me lembro, " então mais valia estar quietinha!", ai estas coisinhas que se dizem são tão passivas, tão mesquinhas, tal como muitas pessoas que se dizem "amantes da Literatura", tenham calma, há espaço para todos, se de facto metade destes blogues "pretensiosos", como já por aí li, não possuirem conteúdo algum, todos nós sabemos o que lhes acontecerá, o mal não é fazer-se mal feito, tenho cá para mim que o problema é mesmo acreditar que não se sabe e fazer e preferir ficar quietinho! Escrevam muito, com erros, sem erros, com elogios e desdenhices baratas, critiquem, escrever mais não é do que libertar letrinhas pequeninas acorrentadas a um orgão esponjoso e oh tão feio como é o cérebro humano!! Escrevam no metro, no quarto, num encontro romântico, na praia, num encontro romântico daqueles mesmo muito, mas mesmo muito chatos, numa aula leccionada ao ritmo da lesma: daquelas que nem com uma dose cavalar de alguma substância mais energética vos servirá para alguma coisa...escrevam, mesmo que seja a fingir, escrevam! E os senhores das letras, continuem a invejar mas deixem de ser invejosos, que esse sentimento álem de envelhecer a pele, causa muito sofrimento e solidão! Ai!

sábado, abril 07, 2007

Tal como diz o coelhinho

Façam o favor de ser e fazer os outros felizes...a Páscoa não passa de um pretexto para reforçar a ideia!

sexta-feira, abril 06, 2007

This is Sparta!!

Como não tenho vindo a rechear linhas com pensamento cinéfilos, hoje parece-me um bom dia para tal efeito. Diz-se que esta Sexta feira é diferente das outras, diz-se que é Santa, pois eu não me apercebi, não me lembro bem do que é que ela fez para ser canonizada, mas também não é sobre isso que vou debruçar(por agora).
Muito se tem já dito e escrito sobre 300.
Graças a esse "zum zum" proporcionado por um trailer apelativo, uma banda sonora entusiasmante e uma falsa modéstia tão própria do nosso tempo " pois nós fizémos este filme com um orçamento muito reduzido!", obtém-se como resultado algo não muito mau, fazendo com que só se possa dizer bem, o que acaba por iludir.
Assiste-se a duas horas que passam num ápice, graças a um grande ritmo próprio do campo de uma batalha, não se perdem minutos precioso a pensar grandes planos de ataque e defesa, não o Rei Leónidas tem o seu papel bem decorado.
Está lá tudo, violência (que não é brutal), sangue (que não jorra como é de esperar), e muitas frases feitas, há também a amostra exageradamente heróica dos 300 frente a um rei que se vê como a um Deus, que tudo o que quer é que se ajoelhem a seus pés...mas os espartanos também só querem andar de cabeça bem erguida, daí a guerra.
A mensagem política de que tanto se tem falado por fora dos circuitos cimatográficos, torna-se um aspecto importante e que vem trazer ainda mais publicidade à película, fala-se muito de "liberdade" ao longo de 300, um povo que não se quer subjugar a um outro só porque este é maior e porque se acha no direito divino de mandar e desmandar onde muito bem lhe entender. O rei Xerxes menciona "trocas culturais" e "económicas", mas Leónidas percebe "escravidão" e vazio pessoal, O rei Bush menciona "educação" e o Médio Oriente percebe Jesus Cristo em vez de Maomé...se ao menos fizesse sentido...
Incompreensão. Poder. Domínio. Morte. Religião. Petróleo. São as palavras de ordem, no passado a última não se usava, mas também não se faziam pastilhas elásticas na altura.
Esquecendo a "mensagem", fiquei com aquela sensação de dejà vu ao ver 300, percebi-o como um híbrido entre Gladiador ( as cenas idílicas nas cearas de trigo) e Sin City (mas a isso não podemos criticar, trata-se do Universo Frank Miller). Não vi nada de novo, não me entusiasmei, não cheguei a torcer pelos espartanos, não senti o pulso forte do seu rei, não me emocionei com aquela rainha sensível e inteligente ( pelo menos era isso que queria dar a entender), e não saí satisfeita da sala, apenas minimamente confortada.
Dourado e vermelho são cores bem combinadas, 300 usa-as como estandarte, mas água que as dissolveu foi muito mal engarrafada por Zach Snyder, e ateção não é por falhar a fidelidaded ao comics, pelo contrário, talvez por uma colagem tão desavergonhada que a tentativa de superação não vai álem do efeito visual e esse sim esmagador. Não deixa de ser um dos filme de 2007, pelo menos muito se dirá sobre ele!
"Alguma mensagem para a Rainha?
Nenhuma que deva ser dita."

sexta-feira, março 30, 2007

Pediram-me que escrevesse qualquer coisa

"Apresentações feitas" e apetece-me pensar que não nos tratamos de pessoas assim tão diferentes.
A minha irmã disse-me outrora: "Crescer custa!", e custa, custa parece-me a mim, mais a uns que a outros, os outros porque não pensam nisto crescem simplesmente para cima sem procurar o sol, crescem rectos e sem propósito, e os "uns", esses alegram-se por crescer, procuram o sol por quererem ultrapassá-lo, crescem tortos, para mais tarde se endireitarem!
E nada mais prazer me dá que Comer finas lascas de chocolate de leite Sentir a ansiedade pela chegada da última palavra escrita de um livro Olhar o céu estrelado durante um apagão na cidade Ouvir o canto das andorinhas numa fresca manhã de Primavera Adormecer com a minha cabeça pousada numa almofada de penas molemente endeusada Acordar leve porque sonhei com a resolução de todos os meus problemas Escutar a canção preferida como se fosse hoje decretado o fim da existência da Música Saborear café pela manhã envolto em duas colheres de açucar, abraçado a pão lambido com manteiga Receber uma carta, um postal, um "olá" que não seja seguido de @mail.com...
Quem disse que "quem torto nasce nunca se endireita"??

quinta-feira, março 22, 2007

BEM VINDA PRIMAVERA!

I am your for the walk, and specially when I walk away.
William Shakespeare

domingo, março 18, 2007

Quantas e quantas vezes...........

....me senti no lugar da gaivota faladora.

sexta-feira, março 16, 2007

"Mano quero ver passarinhos!!"
Dizia ela com a sua voz inocentemente imperativa, contestatária, doce e irrepreensível, teimosa e inesgotável.
O lume do Céu rasgava os panos do Tempo, a viagem leva anos a percorrer, talvez quinze, talvez catorze, pedindo às Parcas para fazer um recuo imaginário, é recorada a descida leve da Primavera daquele ano...talvez o de 1991, talvez o de 1992, o pólen invisível pairava sobre a menina, e o alpendre vazio.
Um pouco mais longe, água cristalizada consolava as amendoeiras mais próximas, pareciam diamantes finamente delapidados à espera que ela crescesse e os usasse orgulhosamnete nas suas orelhas finas e escondidas pelos seus cabelos cor de ébano, furiosos tentáculos que reinavam na sua cabeça e que só ela conseguia domar.
"Vamos pôr pão molhado no alpendre!"
Disse ele, numa tentativa de acalmar a menina, de fazer sorrir os seus olhos,de acalmar se possível os furiosos, enfim numa tentativa de satisfazer a vontade dela e sua (secretamente sentida). O pão, esse manjar, colocaria um fim à espera maldita, um início de algo maior.
Amanheceu frescamente. Ela acordou, despertou insatisfeita como sempre, os seus pés finos tocaram o ladrilho frio cortando como agulhas a base do seu corpo alado, frágil, macio...obrigando a tocá-lo minimamente, fingiu ser bailarina nessa manhã.
Ele disse, "Agora, agora!"
Ela sorriu como só uma criança o sabe fazer.
Quanta emoção aquele passarinho lhe proporcionou, aquele ser tão ou mais frágil que ela, dádiva dos Céus, porque só a ele pertence, maravilha natural, pequena e mole aninhada na palma de uma mão protectora e contente. Comendo o pão comprado no dia anterior na padaria da D.Emíla.
Devolvidos os anos às Parcas, (porque só a elas pertence), numa manhã de Primavera como a de hoje, a menina de outrora olhou o alpendre e nada do que era continua a ser, não há passarinho, não há amendoeira, há o alpendre nú...e eis que de repente, como se algo maior e mais forte que ela percebesse a sua perda, o Ser surge, o alpendre foi coberto momentanemente. Que felicidade, que inesgotável alegria ela teve naqueles segundos breves e fugidios, tantos e tão poucos enquanto o passarinho lá ficou, voou para outro alpendre, foi beijar os olhos de outras meninas como ela!
Horas depois, ela procurou o mano e disse:
"Esteve um passarinho tão bonito no nosso alpendre.", disse ela hoje já com uma voz firme, mas ainda adocicada como outrora.
Ele: "Temos de pôr pão molhado!"
Ela sorriu, virou-lhe as costas e silenciosamente alegrou-se. "Ele lembrou-se." Tudo faz sentido, aquilo que senti não foi uma ilusão, a vida faz sempre sentido, seja para quem for. O passarinho guiar-nos-à no sentido certo, eles sabem sempre o caminho em direcção ao nosso alpendre!
Estou feliz.
Já não sou criança, nem a menina de outrora mas continuo a gostar de passarinnhos.

sábado, março 10, 2007

É difícil nomear coisas

Se se procurar ao longo de toda uma curta vida o caminho mais fácil, encurtamos ainda mais a nossa passagem por esta Terra desavergonhadamente atraente.
Escolhe-se o menos sinuoso, por vezes o menos sombrio...e tudo isto na esperança de alcançá-la num curto fragmento temporal, tanto quanto um pássaro leva a bater uma asa frágil e pequena, bela e fina...como se a felicidade fosse trivial. Encontro-a em pequenas insignificâncias, mas não é por isso ninharia, pelo contrário, tomara muitos perceber o quão majestosa ela se torna quando contemplada e vivida segundo a segundo. Por vezes sinto-a chegar por entre bolhas de ar azuis claras que a brisa carrega no seu ventre inquebrável trazendo palavras sussuradas até aos ouvidos cândidos. Encontro-a no Amor, tome Ele a forma que mais lhe convir, tome Ele a forma que mais deseje, tome Ele a forma que um capricho mais caprichoso, vivido porque se quer vivo, esse agente secreto que segue as pistas mais contraditórias, ilusionista de sentidos falíveis. E se eu disser que o amor não é o caminho, nem tão pouco o destino?... Materializamo-lo ortograficamente, desenhamos símbolos virtuosos, divinizamos nomes, repetindo-os furtuitamente em linhas de cadernos já repletos de palavras vãs, colorimos folhas brancas, que agora tingidas com uma cor que nós pensamos ser a do sangue (não é tão vivo no entanto) são também elas agora escravas dum sentimento atribuido ao coração...como se ele tivesse culpa. Focar-me-ei no caminho, gosto muito de caminhos, de andar quando o Sol me beija os cabelos e o aclara sem para isso pedir permissão. Caso o caminho se torne difícil e eu não tiver vontade de desistir, levarei a bússola. O caminho solitário não tem piada, é muito silencioso, mais lento, se ao menos levar a bússola, pode ser que com sorte eu não me perca, pode ser que desfrute mais por ao menos me sentir descansada, sem pressões e com tempo, todo o que o mundo me quiser oferecer... E se a bússola for a outra metade a tal que tanto procuramos desviando-nos do caminho?? Talvez só com a bússola chegemos a tempo de sermos felizes (verdadeiramente felizes), talvez com ela tracemos uma rota que nos permita de facto encontrar o sentimento. Ainda estou a construir a minha bússola, peça a peça, umas compro, as outras troco com alguém que já as usou e danificou...(os que uns estragam os outros arranjam)...as outras peças encontramos por acaso, ao acaso, recolhemos de sítios abandonados já que outros não as puseram usar. Depois quando reunidas durante o caminho, tentamos astuta e secretamente que se encaixem umas nas outras. Estamos todos a fabricar as nossas bússolas, umas são mais perfeitas que outras, mais ricamente compostas, mais funcionais, mais enganosas, e outras por mais que arranjemos, precisam sempre de revisão. E como qualquer apetrecho fabricado, nem sempre funciona, por vezess com uma abanão...mas não muito forte que se estraga para sempre. Sei sabiamente que a bússola levar-me-á "tempo e dinheiro" a construir, podemos pedir a outros para a fazer, mas não tem o mesmo valor, disso estou segura. E quando miraculosamente construída pelas mãos da princesa incansável, bafejada pelo sopro celestial das fadas, a bússola funcionará, o coração indecifrável no centro espalhará as vértices da rosa, o caminho surgirá claro como lágrima percorrendo a face alva da figura feminina... ........a Norte e a Sul, Tu......a Este e Oeste, Eu.....

sábado, fevereiro 24, 2007

Diário de um tal Jesus

A premissa:
Nas profundezas das terras arídas de Jerusalém foram descobertos manuscritos intocados. Alguns suspeitam que se trata de uma verdadeira "aldrabice" outros afirmam ser a prova que faltava no puzzle. Transcrever-se-ão aqui algumas passagens do diário encontrado, sabemos que se trata de uma liberdade assegurada, não pretendemos ferir quaisqueres susceptibilidades, não pretendemos brincar com nenhuma fé. A verdade: Trata-se de um exercício livre, uma combinação imaginativa daquilo que poderia ter sido, e se calhar foi. Qualquer crítica, por favor batam na consciência desta pobre alma que escreve ao sabor da insatisfação e cujos dedos se movem involuntariamente guiados apenas pelas leis da ortografia. Os autores destes texto são uma e uma só pessoa, o uso da segunda pessoa do plural exige-se por um qualquer capricho da autora, talvez uma vontade de se sentir "universal". Se existe uma bíblia que se diz regedora de leis e moralidades, porque não um diário aladrabado e sentido, se o Vaticano pode dizer como devemos viver e aquilo em que devemos acreditar desde que o façamos de consciência limpa, pois bem, a minha consciência está imaculada, escrevo sem reservas e medos de represálias. A fé essa está intacta e não serão palavras que a minimizarão, se pensarmos assim, então a liberdade deixa ser condicionada, e encontramos o verdadeiro caminho para a felicidade. 27 de Dezembro de 0000 Nasci há dois dias! Parece que no dia 25 vieram 3 senhores que exigiram um teste de paternidade à minha mãe, mas ela pôs-se a dizer que o que interessa é o que está no coração. Mulheres!! Ela continua a dizer-se "virgem" e o meu pai, esse passa o dia a adorar-me e a limpar o estábulo. O Baltasar diz que eu puxei à mãe, o Belchior diz que eu ao José não saio de certezinha, e os vizinhos dizem que eu tenho mas é cara de terrorista... Parece também que têm todos grandes planos para o menino: "Salvador" e blá blá blá. Eu só sei é que toda a gente me quer fazer favores, e oferecer-me fraldas todas limpas, vou mas é a proveitar esta maré de devoção, antes que se esgote. Por agora fico-me por aqui, a mamã já se alambazou com o baú que tinha escrito "ouro", as outras deu-as ao Zézinho ( é como ela chama o meu papá) alegando que ele não tinha carregado nada durante 9 meses que não sabia bem o que era, ele disse baixinho "não sabias não". É engraçado ver como funcionam as relações amorosas, o Amor é uma coisa muito bonita de se ver, e é impressionante como percebo aquela coisa do " ler nas entrelinhas" acho que isso define qualquer ligação entre humanos. Bem vou mas é pedir o almoço, que isto de ser o "tal" é espiritualmente esgotante.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

É tempo!

(não é um prado de daffodils, mas um lago de Monet. Entusiasmo: a Arte existe!)
Em dias de consumismo desenfreado como o dia dos Namorados, acontecem imprevisbilidades previsíveis, frustrações apelativas, dramas "arrufados", o amor (ah) o amor também acontece: ao virar da esquina, nas escadas rolantes de uma qualquer centro comercial, na fila na loja do cidadão, na sala de aula, na paragem do autocarro, na sala de espera do dentista, enfim tanto lugar, tanto amor!!
Num dia como este é de esperar que o nosso "mais que tudo" nos brinde com um sorriso especial, um swatch horroroso comemorativo da data, um peluche detestável da Bunny's, uma caixa de chocolates em tons vermellhos e em forma de coração. Já não se oferecem cd's (sacam-se), dvd's (sacam-se), cartas de amor (messenger, e sms estão cá para quê?), jantar à luz das velas (McDonald's please!!), romantismo moderno?
Pena que já não possamos ler livros a falar do amor( correspondido ou não), em que amantes se conhecem sem nunca se ter visto, que se procuram inconscientemente, misto de desenganos, bilhetes entregues por conhecidos, uma flor "esquecida" à nossa porta, um beijo roubado numa carruagem de terceira, um reino repleto de "daffodils" amarelas (para quem viu Big Fish faz sentido).
Num dia como este espero sempre caras alegres nas ruas, mas deparo-me com pessoas FEIAS e SOMBRIAS, saídas de uma obra de Munch, e porquê ?
Estava eu numa fila da florista, sim havia uma grande fila na florista, (eles não podem passar o dia com elas mas ofererecem umas rosas jeitosas) a fila era um desânimo para qualquer monge de nome Valentim ou para qualquer Cupido barroco, não vi uma expressão de felicidade, de emoção...nada, e nisto olho para a beira do passeio e vislumbro uma pomba branca e etérea num universo tão pouco lírico, a pomba esse símbolo estava lá, agora aquilo que ela simboliza longe, longe e ela ali tão perto!
Não espero que se amem mais no dia de São Valentim, eu própria o que amo faz mais sentido num "dia normal", espero que continuem felizes como nos outros dias, e se não o são, comecem a fazer por isso, é tempo!
E se por acaso "meninas" algum moço excitar os vossos neurónio afectivos, não se façam de desentendidas, aquela de ah "fazer-se de difícil" é um jogo astucioso, mas meninas astutas essas são poucas, acham-se mas enfim...!! E meninos não se ponham já a pensar que "está no papo" porque não está..nunca está!

sábado, fevereiro 10, 2007

Pietà

(Michelangelo, Pietà)
Texto surdo a um comentário audível
Há coisas para o qual estamos preparados, outras para as quais nunca nos prepararemos, só vivendo essas mesmas situações "recolhidas na tranquilidade", como já dizia um tal de William Wordsworth.
Afirmar hoje que se tem pena de alguém é já um lugar comum, tivesse eu a capacidade, a oportunidade, a vontade sequer de sentir pena de alguém, mas não consigo.
Acredito que "ter pena" de alguém é simplesmente algo que nos protege...e muitas vezes o que dizemos não é o que sentimos...protege-nos fazendo com que não tenhamos mais pena de nós próprios, e isso sentimos mas nunca dizemos.
Vejo fome, guerra, morte e não sinto pena, aliás ninguém sente, segue o seu caminho, desses ninguèm diz "tenho pena" ou então diz, mas só porque se não o fizer foge aos cânones morais da boa educação.
Eu não sei sentir pena de ninguém, não preciso de o fazer para me sentir superior, porque no fundo trata-se de um jogo de equilíbrios, dois pesos desiguais em dois pratos da balança, o mais forte tem pena, o mais fraco é aquele sobre a qual a piedade é exercida.
Ponhamos mão nas nossas consciências, e percamos essa necessidade mesquinha e trivial, porque a vida é mais do que isso, muito mais...pena (e uso agora a palavra propositadamente) que só consigamos ver aquilo que queremos ver, e aquilo que mais nos convém. Triste, é vermos más caras por entre a multidão, como se o mundo fosse nosso inimigo. minha vontade faço por segui-la, quero "voar mais, e mais alto", nem que para isso esse voo seja sobre terras mais altas!
Bem hajam

terça-feira, janeiro 30, 2007

AlegriaS e DecepçõeS

(from The queen, 2006)
Depois de uma ausência não premeditada e muito menos consentida pela voz da consciência, farei os possíveis para recuperar o tempo perdido ( impossibilidade óbvia) ou pelo menos tornar o presente aprazível e consequentemente o futuro sorridente e florido!
Tristemente assisti à emissão do AXN da gala dos Golden Globen: o atentado cultural do século?
Mas infelizmente o público, esse sabedor pouco ou nada pode fazer quanto às "caras da TV", é que aquela jornalista (se é que não é antes filha de algum conhecido) não teve o mínimo de profssionalismo, o mínimo de gosto, o mínimo de tacto para o trabalho que executou...e ainda executa, para mal dos nosso pecados.
MAs falando de coisas mais positivas!
Agora que os dados estão lançados, é com grande alegria que vejo alguns dos nomeados que interiormente professava naqueles écranzinhos rodeados de estatuetas douradas!!
Fico feliz pela senhora, que é uma rainha e que me adocicou o coração de forma magistral: Grande Helen Mirren, é a ele que quero ver subir as escadas para receber o belo troféu, fico agradada pela nomeação de Penélope Cruz (num Volver inexplicavelmente esquecido), fico contente com Mark Wahlberg numa interpretação de encher o olho (e a boca)!!
Fico ainda mais satisfeita em ver que tanto Babel (embora não aprecie a mensagem do "politicamente correcto" para a qual remete) e Little miss sunshine estão na luta pela estatueta, mas não me espantaria ver The queen a levar o prémio dourado, convenhamos que Stepehen Frears (esse eclético bravo) também não se importaria, mas shhhhh que quero mesmo é ver o Little miss sunshine a brilhar nesta noite!!
Scorcese para melhor realizador, já ia sendo tempo, para melhor actor...só me pronuncio depois de ver Dreamgirls e Venus que ainda não tive o prazer, para melhor actriz secundária escolho a menina Abigail Breslin...can't touch this!!
(A ordem está sem lógica, mas é que o dia ainda é longo e a mente...bem essa anda a vaguear num mundo paralelo muito frio e sombrio, sinto-me como se estivesse dentro dum daqueles bibelots muito bonitos e coloridos que abanamos e vemos os flocos de neve a cair...não estou lá dentro parada, sou um desses flocos, embrulhados num turbilhão vivo e musical!)
Folgo em saber que Children of men não foi esquecido de todo, mas decepciono-me com as ausencias de Volver como já referi, Marie Antoinette, Inside man, mas enfim nobody's perfect...
E se hoje não faço sentido...assim que me resolver a ver o Sol a brilhar e voltar a comer cerejas o cenário muda....e como muda!!
A vida anda triste, que ganhe uma comédia o prémio mais esperado!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

domingo, janeiro 07, 2007

Open up your heart as well as your eyes

(imagens do filme)
"A stones's throw from Jerusalem
I walked a lonely mile in the moonlight
And though a million stars were shining
My heart was lost on a distant planet
That whirls around the April moon
Whirling in an arc of sadness
(...)
And from the dark secluded valleys
I heard the ancient songs of sadness
(...)
They say a city in the desert lies
The vanity of an ancient king
But the city lies in broken pieces
Where the wind howls and the vultures sing
These are the works of man
This is the sun of our ambition(...)" ,Mad about you by Sting
O novo de Alejandro González Iñárritu estreou há pouco.
Foi um estranho visionamento para mim, não sei se gostei ou se simplesmente me senti incomodada e por isso o detestei. Acho que um misto dos dois.
Ao abandonar a sala percebi que ainda vivo na torre de Babel e de lá nunca sairei, estou feita prisioneira não de uma barreira liguística, mas de sentimentos, são eles (ou a falta deles) que nos aprisionam, os nossos preconceitos, as nossa situações-limite, os nossos receios, os nossos costumes, o nosso amor pelos outros finito...muito finito, a linguagem não é barreira, nunca foi, não nos percamos.
Mais uma vez este realizador traça uma linha cheia de curvas e estradas paralelas, que se cruzam (chocam) apenas quando o espectador já sabe exactamente e já se encontra preoparado para o pior, e quando o pior não acontece o espectador fica impaciente, a acção alonga-se, e o espírito inquieta-se.
Passando pelo Japão, Marrocos e a fronteira do México, são nos dadas a ver diferentes estórias quase em sinal de protesto silencioso, "Páre, escute, perceba, sinta..." parecem estas as ordens que o realizador deu ao seus actores e não actores nesta obra, e eles como bons alunos aplicaram-se e o resultado a nível de interpretações é assombroso, não é preciso "muito tempo de antena" basta um segundo para o conceito "Babel" ser construido.
Lindos são muitos dos momentos no filme, seja a dedicatória final do realizador, seja a visão de um Japão estigmatizado pela luz e isolamento...dançar sem ouvir música, falar sem mover os lábios...uma fenomenal Yuko Murata...um provocador de angústia Gustavo Santaolalla, que parece escolher notas musicais e acordes de violino cegos de tanta dor.
Babel pode nunca ter sido construída, mas somos sem dúvida prisioneiros de uma torre de afectos"...se quer ser entendido...escute."

quarta-feira, janeiro 03, 2007

A lista

E para começar 2007 com pensamentos ainda não muito profundos, depois da ressaca das horas e das passas, aqui vai a minha lista de 2006, aquilo de que gostei e aquilo que não passou do "por aí além"...de notar que muitos dos filmes não são do ano passado, mas isso tem a ver com os atrasos das estreias em território do Senhor Cavaco Silva (respeitosamente), é este ano amigo, é este ano que a coisa se compõe!!
Top 10 (filmes)
1 Litle Miss Sunshine
2 Volver
3 Thank you for smoking
4 The departed
5 Brokeback mountain
6 Inside man
7 Matchpoint
8 Walk the line
9 Children of Men
10 Marie Antoinette
E as outras coisas...
Maior gargalhada o "pão de forma" de Little miss sunshine
Maior lágrima o silêncio da montanha Brokeback
Não estava mesmo à espera Mark Wahlberg dirigido por Scorcese
Acriz Penelope Cruz em Volver
Actor Clive Owen em Inside man e vá lá Marky Mark em The departed
Não me sai da cabeça O porco insuflável ao ar livre em Children of men
Canção Can't touch this
So fashion that hurts Meryl Streep em The devil wears Prada
Mauzinho Casa na Lagoa
Muito mau Casa na lagoa
Visão O feminino para Almodovar
Bom ano!!

sábado, dezembro 30, 2006

E para 2007...

...o sabor de eleição é o sabor a limão!!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Agora que voltaste à casa que construi para nós

Frio, muito frio tanto que quse sinto o gelo nas pontas dos meus dedos, quais estalactites valiosas. Noite, noite fria, mais uma, uns chamam a este frio de "Inverno" eu chamo de "Ausência", a minha ausência.
Gritam por mim...tu não ouves, ouviste?
Tremo mas não pela "baixeza" da temperatura, antes pelo medo: calculado, premeditado, suor frio, um véu esbranquiçado, uma dor prazerosa.
És mesmo tu?
Porque me persegues?
Porque te busco?
Estás comigo mas não estás, dormes comigo mas não te sinto, magoar-te não consigo, só não quero sofrer....
Ofereceste-me vermelho, mas tudo o que tenho é negro, e eu prefiro vermelho, e tu possivelmente azul, tenho azul para ti se quiseres, se ainda quiseres, se ainda me quiseres. Sei fazer todas as cores, sou perita em magia cromática, nunca te contei? Não tive tempo...dá-me tempo, rouba-o se for preciso, arranja o relógio, dá-lhe corda, estica-a, há tempo, houve...e esse não volta mais.
E tu a mim, que me fazes?
Vendas-me os olhos, corrompes o chão com rosas brancas arrancadas da terra húmida, trespasas-me o corpo com os teus lábios, catapultas os teus braços em direcção ao meu pescoço, e consomes-me numa dança aprofundada pelo teu aroma, fragrância desconhecida, um veneno, um elixir, um enigma, uma vontade incontrolável de ser controlada por ti: paixão dizem eles...o amor, espero que não seja isto.
Continuo aqui, fechei, abri, voltei a fechar e a abrir os olhos, e tu...dormes profundamente, vives iluminado por outro Sol, contemplas uma outra Lua, choras ao ver outro mar, fere-te um outro vento, partilhas uma outra janela.
Eu era para morrer ontem, velada na neblina sepulcral da casa que mandei construir no monte esguio e macio, sepultada no seu topo: "Aqui jaz a tela pintada por ti". Tu havias pedido mil violinos a tocar ao vento, e eu os teria ouvido por debaixo do véu com que me cobriste a face alva e ainda morna por te sentir.
Virás sempre.
Virás sempre e eu sempre aqui permanecerei, a minha pele rosada ficará branca, os meus cabelos negros mais negros ficarão, os meus olhos jamais se voltarão a abrir...mas ver-te-ei, sim, incesante e apaixonadamente. O meu coração não voltará a bater, mas escutará o bater do teu.
Tu subirás o monte todas as manhãs, ao raiar do sol, lerás a frase, chorarás duas lágrimas, uma por mim...a outra por ti. Vais desejar-me mais do que nunca, lembrar-te-ás do quão felizes fomos e do quão seremos quando eu voltar, eu voltarei, nos teus sonhos far-te-ei sorrir, e ao acordares tornarei a tua sombra o meu amante, o ar que respiras ficará frio, vais sentir-me sem me sentir, desejarás a vida, a morte, o meu corpo: tudo aquilo que te foi negado.
E eu lá dentro suavizarei os teus dias até ao do nosso casamento...será Novembro próximo, choverá de tarde, corvos carregarão o meu véu, não haverá altar, nem cúpula gótica, só tu e eu, o monte e a brisa dourada, teremos gatos vadios como testemunhas.
Além do nosso casamento celebraremos a felicidade terrestre, no nosso leito conceberemos a paz e ofertá-la-emos aos deuses para que eles a façam molhar as cabeças dos homens, adormecendo o ódio num sono profundo e amaldiçoado, escondido e aniquilado.
Faremos os outros felizes, para isso voltarei, serei feliz só por te fazer feliz.
Casa comigo. Em Novembro próximo. No monte londrino, depois da floresta, de lá ouviremos as badaladas do gigante de pedra: serão três, uma atrás da outra, uma por ti, uma por mim...a outra para que tudo seja perfeito.
Tu vais trazer-me de volta à vida.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

The pursuit of happyness

Se esta é uma época de mensagens bonitas e valores que espelham as atitudes dos outros, chega-me aos ouvidos (e aos olhos) um novo filme que estreará em breve: The pusruit of happyness.
Este filme conta com Will Smith como protagonista, interpretação que lhe valeu já uma nomeação aos golden globes, "this man can act" (when he wants).
A estória trata a relação entre um pai e um filho, relação familiar transportada da vida real para a película, uma relação já forte mas que se alicerça como nunca, em momentos mais difíceis: o que fazer se ele tiver fome e eu não tiver como o saciar, o que fazer se ele tiver frio e eu não o poder aquecer, o que fazer se ele não sorrir??
Podia trazer ao meu blog a antecipação de Babel, um grande, grande filme, mas muitos o farão e eu fiquei tão sensibilizada com a estória deste "nouveaux" de Gabriele Mucino, que já me suavizou uma vez a alma (recentemente) com o seu L'ultimo bacio (2001), dois anos amis tarde com o magnetizante Ricardati di me (2003), e agora entra em terras do Tio Sam para mostrar a italianada "à la arrabiata" que nos comove, faz pensar, responsabiliza!
Afinal o amor, tome ele a forma que tomar, só faz sentido se a partir dele fizermos o outro sorrir, se o pusermos à nossa frente, se antecipar-mos os seus sentimentos, se as nossas mãos falarem mais que as nossas bocas, se os nossos olhares espreitarem para lá do poço e virem uma luz amarela gelada!
Vão ao cinema, vejam Babel, vejam L'ultimo bacio (em dvd)...e percebam que o amor não morre com a rotina dos dias, mas é exactamente nesse moemnto que dá provas da sua grandeza, vejam The pusruit of Happyness (18 de Janeiro- estreia nacional), veja, escutem, felicitem, sorriam, peçam um desejo, e talvez ele se realize...não fosse esse muitas vezes o nosso maior medo!
http://www.sonypictures.com/movies/thepursuitofhappyness/

domingo, dezembro 24, 2006

***Ho ho ho***

E como disse hoje um senhor na "télévisão"...
Hoje que se calem as armas que o tempo é de paz!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Querido Pai NataL:

Desde aquela noite fria e limpa que tudo mudou.
A ansiedade pelas doze badaladas, a cozinha a ferver pela multidão que de lá entrava e saía e "que só quer ajudar", o colinho à mesa com os olhos virados para o tronco doce e o bolo a que chamam de "rei"...
Andei o ano todo a sonhar com este dia, como se tivesse medo, muito medo que não chegasse nunca, idealizei cenários paisagistas ingleses cravados a neve e bolinhos de gengibre, a árvore gigantesca e luminosa, esse monstro da floresta, o chão branco, o céu azul escuro cravejado de jóias de ouro.
Andei o ano todo a sonhar com um só dia, a família que se une mais que nunca, numa azáfama incompreendida por alheios ao ritual, o cheiro a café e a pão torrado lambido com quilos de manteiga num beijo delicioso...não passam de descrições, é disto que eu gosto!
E não me digam que o Natal é comércio.
E não me digam que no Natal não devemos comer muito.
E não me digam que no Natal ninguém perde tempo a dizer "amo-te".
E não me digam que neste Natal não vai nevar (mais uma vez).
E não me digam que neste Natal tudo passará a voar.
E não me digam que é só no Natal que nos lembramos de ajudar
....pelo menos no Natal lembramo-nos....
E não em digam que não acreditam no Pai Natal.
E não me digam que afinal o menino Jesus nasceu num outro dia (lá para a altura do Verão).
Desde aquela noite fria e limpa tudo mudou, eu vi-te, sim eras tu, eu sei que eras, por mais que digam o contrário, terei sempre de lutar contra as opiniões dos outros (eles só não te viram como eu vi), se o sei é porque é só para eu saber.
Já fiz a minha lista ao Pai Natal, já pedi aquilo que queria, e pedir mais é injusto para o meu coração, que hoje está mais esponjoso que nunca emaranhado em fios de prata acorrentado a uma visão, escondida num cadeado, cuja chave tens tu!
Agora basta-me seguir a estrela até ao infinito.
Neste Natal pedi uma chave para abrir o meu coração!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

É bom saber que não sou a única

L'ultimo bacio de Gabriello Muccino, 2001
(...) l'eroico coraggio di un feroce addio sono lacrime mentre piove, piove (...)

sábado, dezembro 16, 2006

Boneca de trapos

Alison Lonham, in Big Fish (2003)
Ontem vi-te!
Não quero acreditar que eras tu, mas acho que eras, e se eras, despedaçaste-me o coração feito de linhas azuis e vermelhas, frágeis como qualquer linha azul e vermelha!
Estava eu no meio da multidão, andando por andar, e vi-te, acho que eras tu!
E tu viste-me a mim, se eras tu.
Não pude dizer "olá!", e tu não me disseste "muito prazer!".
Por mais incrível que pareça não me recordo da tua cara, mas tenho a certeza de que te reconheceria em qualquer parte do mundo, eu reconheci-te.
Passaste, e eu virei-me para trás.O tempo parou como no Big fish, em que a personagem do Ewan Mcgregor teve de afastar as pipocas suspensas no ar para se mover melhor, eu não movi pipocas, mas olhei para trás, tu prosseguiste e não restribuiste a paragem.
Segui em frente, virada para Oriente ( onde tudo parece acontecer no meio de nuvens vermelhas espumosas)...
Mais tarde entrei na mesma carruagem de sempre, fazia frio, muito frio, a noite estava parada como se nunca tivesse existido outra igual, e eu vim para casa, sem sorrisos, sem esperanças, só comigo mesma.
Agora sei que me sinto como uma boneca de trapos desfiados, aquela que depois da idade dos carinhos às coisas simples, é lançada para o fundo do baú numa posição sentada, com a cabeça baixa e os olhos cingidos ao colo, nós nunca conseguimos ver a cara das bonecas de trapos por estarem nesta posição.
Ainda bem, porque na maioria das vezes elas estão a chorar por mal de amores, porque não passam de bonecas feitas de trapos, com duas tranças negras, um vestido colorido e um coração despedaçado.
A princesa que se torna numa comum mortal.
A comum mortal que se torna numa linda boneca de trapos.
Não deixem as vossas bonecas fechadas nos baús.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

A feiticeira

Numa troca de correio electrónico recentissímo debrucei-me sobre os temas preferidos das cartas de Amor: a felicidade e o Amor, a vida e o sonho...pares sempre abraçados, alianças trocadas numa catedral sem muros de pedra, sem pombas brancas, sem laços vermelhos a esvoaçar.
Não preciso das pombas nem do laço vermelho.
Se por algum (a)caso nos cruzarmos com a Felicidade, essa feiticeira de cabelos escuros e vestido branco como a neve, de mãos finas como galhos nús de árvores e voz doce como açucar fresco da cana, não a percamos de vista, não a afugentemos, não a silenciemos, deixemo-la rastejar, andar, correr e voar comnosco.
Tenho por vezes a sensação de que ela é só um momento na vida, não é um estado permanente... a feiticeira é como um espelho que se parte.Cai no chão e nós pensamos: "Tudo perdido!"...
... mas não, o que quebra pode ser colado, com cola feita de amadurecimento e cor (para dar consistência).
A feiticeira quando se parte, espalha no chão todos os momentos felizes, todas as alegrias, e ao serem reunidas de novo são como que réplicas que ecoarão para sempre nas nossas mentes.
São pedaços de vidros maiores uns que os outros, outros mais cortantes, outros mais escondidos por debaixo do tapete, outros mais visíveis.
O vento roçou agora o vidro da minha janela.
Por isso acho que ninguém pode ser feliz todos os dias da sua vida, acredito antes que só valorizamos a felicidade, porque a sabemos frágil e efémera e por isso tão valiosa, não a queiram dentro de uma caixa dourada e fechada a 7 chaves...arriscam-se a perder a chave, e depois só se podem fiar na vossa memória...e ela falha tantas vezes.
Quanto ao outro tema das cartas: a vida e o sonho. Não os consigo distinguir é só isso. Não acho o sonho um filme que invade a minha cabeça quando a encosto na almofada (que esta semana é verde) e descanso durante intermináveis horas. Não. O sonho é para mim vida. É o seu seguimento, é a sua Natureza. O sonho existe para dar seguimento àquilo que vivo acordada, eu preciso dos sonhos para que a vida faça sentido, se tivesse que viver sem sonhar ou sonhar sem viver diria ao meu raptor: "Mas como é que eu faria tal coisa?..Prefiro que me mate antes!Talvez morta continuasse a sonhar!O que me pede é perverso".
E ele deixa-me ir, e eu sigo para Oriente.
A realidade. Gosto dela. Ao menos é verdadeira.
Não me lembro dos passos. Lembro-me da linha: era vermelha como o laço de que não preciso.
Lá fora há luzes de natal a piscar. A Lua parece presa e não consegue sair. O gato que passou é seguido por outro. As estrelas já não caem como antigamente.
Estás à espera de quê? Vai, leva a Lua, ela pede, ela impõe, ela dança, ela seduz, ela vive aprisionada à noite. Ela não quer a noite. Ela quer o Sol, mas o Dia roubou-a e não a devolve. Antigamente, muito antigamente, a Lua aparecia de Dia e o Sol de Noite...depois vieram os alquimistas e agora é tudo o que temos.
Ouço um miar, qual dos gatos será?

quarta-feira, novembro 29, 2006

O estranho do Oriente

Uma cena digna de filme.
Um metro que perdi.Estava cansada e desanimada, estranhamente desalinhada, mas impecavelmente em sintonia com os meus pensamentos.Achei melhor sentar-me, não fosse o banco sentir outro corpo e eu ter de repensar tudo de novo...em pé.
Entretanto dois polícias distintamente endireitados e de bastão na mão inspeccionavam suspeitamente a estação, e as linhas dos carris, olham um para o outro e vão embora, para surpresa e desalento de todo o público "das 17"na estação.
Um grupo de três chama-me a atenção, conversam alegremente sobre auto-rádios enquanto comem gelados em copos de plástico.
E o metro sem chegar....
De repente..............................................................
Passa alguém, não o conheço nem ele a mim suspeito seguramente.Ele move-se apreensivo, seria o bombista o carteirista, o furagido??Não, não devia ser.
Percebi que me olhava há algum tempo, percebi-o quando ergui os meus olhos e ele nervosamente desviou o olhar...vocês sabem como é. Mexe atrapalhadamente no telemével, não consegue estabelecer comunicação.Baixo os olhos, mas percebo que ele se move de um lado para o outro. Sinto-o no meio do barulho dos anúncios musicais com músicas natalícias e ofertas de cd's de bandas sonoras às melhores cinco frases a concorrer: "Eu até podia tentar!"...
Virou as costas: "Já posso olhar?"...enverga um blazer de bombazine não sei se verde seco ou castanho claro, sei que conjuga ambas as cores, já só não me lembro do como...consegue finalmente falar...ao telemóvel, parece-me aliviado.
O metro chega.
Ele podia chegar-se à frente para entrar primeiro, mas prefere ceder-me o lugar em pé encostada à porta.Ele continua a falar, parece estar a resolver um qualquer problema de trabalho, mudanças na casa nova, projecto para entregar...por aí...por ali...eu olho para tudo e não vejo nada, ele olha enquanto fala pelo vidro das portas que se abrem consoante a paragem e o arranque sem solavancos do transporte rápido e fantasmagórico, acaba o telefonema, e se eu, e se ele..ninguém diz nada, que tristes que somos, também dizer o quê?
Chegámos, ele sai primeiro, mas caminha devagar, eu ultrapasso-o e ele percebe e sorri..eu subo as escadas apressada, ele prefere as rolantes, eu não gosto das rolantes...percebo também que ele vai sair da estação,a viagem dele está no fim, a minha vai continuar...foi na Alameda que deixei de o ver.E nem sequer nos despedimos.
Que nome terá ele?
Espero voltar a ver-te e dizer "Prazer em conhecer-te!", e tu "O prazer foi meu!"
Porque é que há tanto por onde escolher?
Prometo que da próxima vez descubro o teu nome.
Ah o meu é Leila.
E ao pensaer nisto, a única coisa que em vem à cabeça é "You're beautiful..", parece que o tenho a cantar-me isto ao ouvido, há coisas que acontecem a toda a gente não é?

segunda-feira, novembro 27, 2006

MãosFriasCoraçãoQuente

(faz sentido ler e ouvir Jem ao mesmo tempo)
Ontem apaguei parte do meu passado.
Recolhi todos os pedaços, outrora estilhaços de um espelho azarento, juntei-os numa capa amarela que nunca tocarei, e mandei-a para longe, para terra de ninguém.Alguém que dela se encarregue, que eu faço como o outro lá "na terra onde se crucifica depressa" e lavo as minhas mãos.
É destes momentos decididos e decisivos (gosto de palavras semelhantes graficamente mas com sentido não tão assemelhado) que se compõe a minha vida: uma ideia brilhante, um impulso gratificante, uma acção motora, uma batida cardíaca irregular, um folha de papel que voa ao vento, um cordel áspero, um "delete" apreciável...delicioso.
Soube tão bem.A liberdade de facto só tem valor e sabor porque é algo que se conquista, porém só o é quando para ela se está preparado: e eu estou, fi-lo sozinha, confiança pequenina, confiança. Não é de um dia para o outro mas também não demora assim tanto quanto isso, é uma questão não de tempo, mas de improviso, e muita, muita imaginação.
Uma receita fácil para donas de casa desesperadas por algo maior que uma casa sem amor. Afinal de contas, qual o gozo de se fazer um bolo se não podemos lamber as taça de onde o vertemos para a forma...
Ah desgraçado, tanto que tens a aprender. Eu também, a isso não quero fugir, mas felizmente o meu Ego tem dois ou três dedos de testa e não se importa de usar uma saia às pregas com muita convicção, e se de facto não tem a quem idolatrar, tem a quem amar!
Sua alteza não queira ser mais do que não é, seja carne, sangue, espírito e ferro, harmonia e brilho, água e terra, ar e fogo, como todos os outros.
Renda-se às evidências, o amor é dar e receber não é o que se diz por aí...então acho que há alguem que sabe bem tirar, mas tem alguns problemas em dar...resolve-se, mas um passo a mais e a ponte que me unia a mim mesma partia-se, e isso já não se resolvia assim tao facilmente.
Nem sei bem porque escrevo isto, acho que porque estou feliz, morbidamente feliz por saber que matei alguém...eu outra vez com as ideias de um gótico remoto, feito de catedrais e vitrais iluminados por artistas escondidos em mosteiros austeros, eu não sou vidro...sou vitral!
Estou feliz, quero que os que à minha volta dançam o sejam também...ah e tu que dizes que a vida às vezes tem "toques de malvadez", sim tu companheiro recente de uma ida à Suiça...sim a vida tem os seus dias malvados, sim às vezes é de uma ironia arrepiante, mas olha que nós também temos os nossos caprichos, quais princípes duma corte absolutista, e ela só é assim para nós, para nos chamar à atenção...é que ás vezes ela sente a nossa falta!Nunca reparaste que a vida gosta de nós?
Sabes bem porque digo isto, porque acordei de noite com a garganta seca, bebi um copo de água "del cano" e fui à varanda: céu escuro e sem estrelas "Que pena!" pensei eu, chuva nem vê-la, apenas vestígios "pocianos" espalhados pelo chão, voltou a calma temporal, um frio fino e tocante cola-se à minha cara, as mãos têm frio, mas ironia das ironias o coração também, e eu nao tenho nem bolsos nem sono, hoje é o aniversário de alguém "Parabéns!", e sabes quem é que nasce também daqui a nada??
A aurora nem mais.
O Sol espreita por cima do meu ombro esquerdo.Faz sentido nascer assim!
(Se virem uma Aurora qualquer a passear pelas ruas do Chiado, shhhhhhhhhiu...)

sexta-feira, novembro 24, 2006

"The name's Bond...James Bond"

Sangue novo, jogo melhorado e com bluff à mistura, vilão minimalista mas que sangra de um dos olhos aquando de uma qualquer excitação, bond-girl ambígua, Bond prepotente, forte, selvagem, carismático, e torturado até á exaustão, de fazer parar o coração!
"Ah" de satisfação.Até que enfim.Foi por um 007 como este que tenho estado à espera.
Não sendo uma grande fã da saga, não lhe sou totalmente indiferente, como se fosse possível eu ficar indiferente a um espião secreto e ainda por cima inglês, e ainda por cima com fatos feitos à medida!!
Casino Royale está á altura das minhas expectativas.
Brincando um pouco com o nosso imaginário Bond( entre Martini's assassinos, clichés usados nos momentos certos, mas não nos momentos esperados, the car que não é o primeiro a ser aprsentado,Rolex transformado em Omega) . Martin Campbell usa com astúcia o nosso conhecimento sobre o universo da saga, e dá-se ao luxo de se render ao humor fácil, mas que delicia, porque não se trata de uma comédia negra, mas sim de um filme de acção que tem como base o realismo e quem sabe um drama romântico.
Uma viagem por paraísos emblemáticos, cenas de acção simples, masculinas, animalescas, nada coreografadas, sem qualquer pudor de mostrar o quão iguais os seres humanos são no que toca a tentar sobreviver a um duro golpe.
Não são muitos os gadgets desta nova incursão e ainda bem, mas não se pense por isso que o nosso Bond não está a par das novas tecnologias, nada disso, está a par puramente, não está à frente, não há cá maquinetas futuristas que daqui a um mês, toda a gente já sacrifica cabras pelo modelo a seguir!
É um Bond de 2006, em 2006.
E não, o meu fôlego não se fez notar pela sua ausência, o fôlego que nos é tirado por um qualquer arrepio aquando do momento em que Daniel Craig sai da água na praia, não esse momento verificou-se aquando sou apresentada ao belo Aston Martin DBS cortesia de miss M (o qual Jorge Costa, esse vulto azul é incessantemente copiado pelo James, e não o contrário)... aqueles porta-luvas, aqueles estofos Dear God!
Agora Daniel Craig:o actor faz deste James Bond um humano frio, calculista, de frase pronta para toda a situação, rude por vezes, e educado ao extremo quando a situação assim o exige, de olhar não enignático, algo mais crú, talvez perverso, sim perverso.Manequim pelo porte e não por não saber representar, porque este senhor sabe e duvido muito que se fique por James Bond no seu leque de personagens num futuro próximo.
Este novo agente continua brilhantemente intuitivo, numa rede apostas de milhões, lucros do terrorismo que não não mete árabes, mas o que importa é fazer dinheiro e não governar o mundo...finally!
O "não" do filme, não não é o tema de Chris Cornell que o senhor do Diário de Notícias diz ser o pior" da História do Bond, pior é o senhor escrever sobre um filme e contar a história quase toda, pelo menos avise "spoilers ahead"... o mau é mesmo o genérico inicial de Casino Royale, que envolto num imaginário de gambling não seduz por aí além; esperava bem mais, e a longa duração da película, estende-se por 144 minutos, talvez fosse possível dizer o mesmo em menos tempo.
E para o público feminino, ponham os olhos em Vesper Lynd (mas não em Eva Green, que lhe falta qualquer coisa) e para o público masculino, depois de ver casino Royale pensem duas vezes antes de vos ser cedida uma cadeira para se sentarem...ai que sensíveis que eles são!

quinta-feira, novembro 23, 2006

Doença

Não avisa porquê, não avisa quando, não avisa que vai avisar, instala-se apressadamente, como se fugisse de algo, como se corresse para algo, dói demoradamente, a princesa cai, é levada para o leito real, chegam-se todos um pouco..."vai passar, logo, logo!".
Podemos pensar que nos enfraquece, mas não o creio.Com ela sinto-me mais viva, mais capaz, de certo modo mais alerta e mais solicitadora de interferências.
Dói.Dói bastante, à custa disso dou mais valor ao estado contrário, sei que não me limito a respirar, a roubar o ar dos outros, a usurpar o perfume lilás do frasco transparente. Primeiro um cansaço repreensível. Um suor frio. Ignora.Um pressentimento calculado.Uma noite passada em sobressalto.Um desejo por realizar...e finalemnte a primeira dor, física, carnal, dilacerante, quase vislumbro um bisturi cortando finamente a camada exterior de pele, o corte é firme e preciso, a carne rija e esticada, o arrepio é controlado, chamem-me naturalista. Ignora. Acordo. Os ponteiros do relógio esperneiam quatro e meia da manhã em sinal de protesto por ter aceso a luz.Que faço eu? Deixo-me ficar, mexo na barriga, não há sinal de nenhum corte, sangue não há, bisturi nem vê-lo: "talvez debaixo da cama??!...", não não está lá nada, apaga a luz!Ignora.
Amanhã o dia é longo, tanto por fazer.Continua a doer.E se eu chamar...e se eu apenas me deixar estar, assim quieta, quieta, no vazio da escuridão, sozinha comigo mesma. O que me apetecia mesmo era ficar inconsciente, latente, nobremente adormecida.Ignora.
Eu ignoro, não te preocupes.
Oito da manhã e mais não consigo, sinto uma mão fria na testa real, que por ela passa mais do que uma vez, em movimentos ternos e macios...vou sentir tanto a tua falta...a mão está docemente aflita, vou sentir tanta falta...Gosto de ti, é verdade que sim, tens uma mão tão bonita e presente, é a mão mais bonita do mundo.A palma rosada, as unhas por limar, são insubstituíveis, vou sentir tanto a tua falta. Ignora.
Desta vez não consigo.
Não estou aliviada mas tenho quase tudo o que preciso, amanhã há mais.Hoje já não tenho forças.Não tenho que fazer, até tenho, mas só me apetece fazer aquilo que não é urgente, aquilo que pode esperar, ah vejo-te outra vez, minha cidade amiga, minha confiante sedutora, minha tranquilidade citadinha, minha neve em Fevereiro, minha friorenta em pleno jardim das traseiras, volto um dia!Ignora.

Chorar não, não preciso, se o quisesse já o teria feito, não acredito na intelectualização da sensação que se transforma em sentimento, parece um processo científico, elaborado entre tubos de ensaios e experiências mal pensadas, feitas por cientistas loucos e filósofos frustrados, acredito sim na expressão do sentimento em palavras, na intuição, no estalar dos dedos como se se espalhasse brilho por entre eles, acredito no olhar, e que as minhas palavras cantem tudo o que não disse, o que não digo ou o que nunca direi...um dia digo-as e deixo as palvaras escritas esquecidas numa caixa de Pandora!

Dias tão diferentes, uns tão bons e outros tão maus. Ir para longe...ignora.Vou ficar, cobrir-me até ao pescoço, beber o chá de limão quente e doce, amarelo e forte, que não sei se faz bem, só sei que sabe bem.A dor vai dissipar, dissipa sempre.

"Dorme mais um bocadinho menina, a mãe chega mais cedo hoje e traz a fruta que pediste."

Acendo a luz, está um fio de cabelo na mesa de mármore, deixa ver melhor (o que eu faço para não sentir)...acho que é meu, infelizmente não tenho comigo o estojo do C.S.I que o Horatio me deu de presente de aniversário. Quando terá ele caído..porque é que caíu em primeiro lugar?

Ainda bem que sirvo para mais do que isso.Ignora.Ignora. Quando doer menos sento-me ao computador e passo estas linhas para o écran.

Até lá, ignora.

domingo, novembro 19, 2006

Grandes expectativas

"Comer ou não comer.Eis a questão." parafraseia Strindberg. No fundo tudo se resume a isso: fazer ou não fazer, ir ou não ir, descer ou subir, entrar ou sair, rodar ou balançar, preto e branco..sempre pólos mais ou menos positivos, mais ou menos negativos.
No fundo vivemos numa qualquer órbita binária, feita de escolhas e vontades, certezas e arrependimentos.É o pensar no "mais tarde", tão errado, o "mais tarde" simplesmente não existe, já passou...e nem dei por isso.O alfa e o ómega.O humano e inumano.
Sinto-me inumana.Como se tivesse prestes a arder, a fazer um sorriso de uma gota de agua fresca, quase, perto, perto..longe, muito longe.
Inumana pelo egoísmo da minha vontade, por não amar os demais e preferir antes a sombra da minha existência, ferindo os que comigo se cruzam e abraçando-os num género de última dança...
Não quero decepcionar ninguém, mais do que isso não me quero decepcionar, o andar que não é ritmado, a noite que não é fria, os olhos que não se encontram.
É com tristeza profunda que a tinta azul chora estas palavras e penetra a parte superior destas linhas gravadas nas finas folhas de papel não reciclado, e por isso mais branco e por isso gosto mais. Eu não queria que assim fosse..ele sabe que eu não queria.
Eu queria, mas não é, não tinha de ser, não tem de...ser...Felizes os que não pensam. " Eu
sou daquelas"(lembras-te? odiei quando me disseste isto naquela noite) que se questiona, faço-o todos os dias e afasto de mim os que não se querem questionar, prosseguir comigo, preferiste a competição "no love , no glory" diz Damien Rice, não não és tu é um outro "tu".
Questiono-me hoje em plena Avenida Augusta por entre o cheiro a castanhas assadas e transeuntes cinza-azul, evito os olhares dos estranhos, baixo a cabeça e procuro a minha sombra, como se ela me seguisse num final de tarde escuro.
É a perversão dos sentidos, a fogueira da desilusão, a feira dos suspiros.
Sartre disse "l'infern c'est les autres", ele não sabia o quão errado estava, não são "les autres" somos nós mesmos...Sartre não se questionou no como os outros se sentem por causa de "nous".
Não queria iludir...não mesmo, não quero ser a águia...

sexta-feira, novembro 17, 2006

.................................desculpa

Hoje vou dormir sonhar prosseguir pensar não muito hoje para não ficar triste...

terça-feira, novembro 14, 2006

"Um ano especial"

Os outros não têm de perceber não é?... Foi com muito gosto que entrei de rompante à famosa AE no corredor de Hogwarts para me debater "educadamente" com a senhora que lá estava: "Por acaso não tem nada para uma tal de Aurora?", "não" foi a resposta, "oh procure lá bem, a mim falaram-me numa gaveta...sim eu sou a Aurora.." e assim foi que consegui a correspondência do Prometheus!! Foi também com muito agrado que li a folha "GENERIS" escrita com a caneta "que escreve bem" dada numa conferência de Imunolgia (como gostava de saber mais sobre imunologia). Foi também com agrado que automaticamente respondi "sim" ao convite feito de forma tão delicada...a Princesa só tem um pequeno problema. A princesa nunca foi ao local "algures não sei onde" mais tarde dado como (Fórum Lx)...a princesa precisava de ser guiada até ao loco!! A princesa entra muito cedo amanha, às oito horas da manhã mais propriamente, a princesa espera que o Prometheus leia a tempo estas palavras e arranje um loco de encontro, a princesa está "livre" das amarras académicas a partir das dezoito e trinta. A princesa mandou outra mensagem ao Prometheus, uma menos visível a leituras alheias, espero que o Prometheus a receba. E porque agora tornei este meu espaço numa troca de correspondência, uma última constatação: o nevoeiro de hoje maravilhou-me, parece que um tal de Prometheus fez das suas e roubou o fogo mais uma vez, desta vez um fogo maior, não se contentando com pouco, o Prometheus levou o Sol.

domingo, novembro 12, 2006

Porque é que há de ser azul?

River Bend, Winter Tenho tanto para fazer, por fazer...a cabeça dói, a noite ficou mal resolvida, não cheguei ao sétimo céu...primeiro, segundo, terceiro, quarto...fiquei por aí, e mais nao fui capaz, o elevador não quis subir, a porta nao quis abrir, e o meu sonho ficou por sonhar, mas nada de lamentos, ha muitas noites pelas frente, muitos prédios modernos com elevadores super sónicos que me levarão à torre mais alta, da montanha mais fria, do castelo mais luminoso!! Hoje dormi mal, tinha sono, mas as vezes isso não chega...eu sei que me percebem. Acordei cedo, não tinha café, saí à rua, manhã cinzenta,asseguro-me que trouxe tudo o que preciso...o novelo no bolso, o fio sai pela parte inferior da porta,e não se partiu, vidros embaciados, um Sol ao fundo dourado e delirante, enfim o café desceu pela minha garganta, um "ah" de satisfação, contento-me com tão pouco, no que toca a pequenas coisas, agora tudo o que for o "resto" quero mais, maior, mais forte, mais alto, mais rico, mais feliz, mais vivo, mais contemplativo, mais sonhador...o carro não deu problemas, o coração bate mais forte. A camisola vai ficar bonita não duvidemos! Nem sei ao que escrevo, nem o porquê, pouco interessa, não escrevo por obrigação, não sou escrava agrilhoada das palavras, sou princesa do som da grafia, escrevo porque me imponho a mim mesma, escrevo porque me faz bem, escrevo porque faz parte dos sentimentos inatos,tento imaginar um mundo sem palavras...perdida! Escrevo por se não o fizesse daria em lúcida e odeio a lucidez, a lucidez é mesquinha, caíamos antes na inconsciência, rememos antes num mar prateado, porque é que há de ser azul?

quinta-feira, novembro 09, 2006

Quando o Sol brilha

Caspar David Friederich
Quando o Sol brilha tudo se relativiza, suaviza, ameniza, e tudo aquilo que terminar em "izas" que normalmente são só coisas boas, se não pensar em palavras como "inferniza" ou agora faltou-me a outra...acontece-me muito!
É nestes dias (em que o Sol brilha) que não devemos pensar nos que nos faz mal, não devemos pensar ponto. Apenas sentir, acreditar e sorrir. Esperar, agir e reagir, esperar, interiorizar e exteriorizar.
Cada vez mais, percebo que damos atenção a coisas sem o minímo de interesse, talvez para não sabermos o que realmente interessa, por receio de nos virmos a esperançar por algo de infinitamente melhor.
Um jantar à luz das velas.Uma dança corpo a corpo lenta e compassada. Uma flor num vaso cor de tijolo. Um beijo roubado debaixo da chuva. Um olhar que podia ser só mais um, mas não, porque é aquele e só aquele, e porque nenhum outro o pode igualar... repetir, e o fio que não se parte.
Vivo todos os dias coisas novas, sublimes dignas de espalhar ao mundo, vou ao Japão copiar as modas, ao Chiado jantar com o meu amigo Eça, à Lua contemplar a Terra, ao porta bagagens buscar qualquer coisa que caiu dum saco...tudo grandioso, formidável, e tenho tanto para dar!
A vida às vezes proporciona-me felicidade tal que sinto como se me tirassem o chão que piso, que fizessem com que as escads que subo descer, que baixassem a cortina sobre mim, que me empurram do precipício e me soprassem da terra para voltar ao topo. E gosto tanto de sentir tudo isto.
É por isso que gosto do amanhecer, de espreitar pela janela e ver o Sol a romper as largas nuvens num misto rosa e azul, tenho tanto. Se o dia nasce sempre é porque também eu devo nascer, não seria justo de mim para com ele, não o posso desapontar, e o fio que não se parte.
Gosto da sensação se não poder tirar os olhos de alguém, gosto da sensação de tentar e não obter sucesso, amo a vontade que tenho em chegar a um ponto onde já não posso voltar atrás, porque ainda percorro esse caminho largando o novelo de lã para poder voltar atrás arrepender, e o fio que não se parte.E continuando a enumerar, gosto da sensação de saber que vou chorar e mesmo assim usar rímel (esse inimigo da emoção), gosto de sentir a dificuldade em me exprimir e mesmo assim continuar a olhar nos olhos do que se me opõe, gosto de sentir a garganta seca por não ter de beber, gosto de desembrulhar presentes com laços dourados, gosto de gostar, e o fio que não se parte. E como me aproximo a passo-corrida para essa época de amor e e bolas vermelhas, luzes brancas, pinheiros verdes e cheiro a tangerina, não posso deixar de o fazer.
Hoje dormi com o novelo debaixo da almofada, ao acordar o Sol vai brilhar e eu vou levá-lo no meu bolso, um dia largo-o e alguém segue o fio que não se partiu.

terça-feira, novembro 07, 2006

Sombras Vs (...)

Quem é o meu "antigo colega de carteira de francês"??
Surgiu-me esta dúvida ao ler um dos ultimos comments deixados neste inglório e inconscientemente apaziguador blog...Quem és?
ACUSA-TE!!!
Eu sei que sei quem és, apenas não te consigo vislumbrar já que o iceberg da minha mente esta completamente submerso de momento...hmm então de momento nao é um iceberg, por agora é algo invisível (porque está debaixo de água portanto)...
Não sei se sentem o mesmo, mas ao observar esta imagem é como se me empurrassem para um lugar longe, longe, muito longe, mas presente algures, em todos os dias frios que se adivinham, na brancura dos nossos pensamentos, na linhagem dos nossos ideias, nas lágrimas das senhoras que esperam por outra coisa na paragem que não o autocarro, nos sorrisos que não mostramos porque nos comportamos como sombras...
...mas nós não somos sombras, somos muitos mais que isso, somos aquilo pelo qual vale a pena lutar.