domingo, novembro 12, 2006

Porque é que há de ser azul?

River Bend, Winter Tenho tanto para fazer, por fazer...a cabeça dói, a noite ficou mal resolvida, não cheguei ao sétimo céu...primeiro, segundo, terceiro, quarto...fiquei por aí, e mais nao fui capaz, o elevador não quis subir, a porta nao quis abrir, e o meu sonho ficou por sonhar, mas nada de lamentos, ha muitas noites pelas frente, muitos prédios modernos com elevadores super sónicos que me levarão à torre mais alta, da montanha mais fria, do castelo mais luminoso!! Hoje dormi mal, tinha sono, mas as vezes isso não chega...eu sei que me percebem. Acordei cedo, não tinha café, saí à rua, manhã cinzenta,asseguro-me que trouxe tudo o que preciso...o novelo no bolso, o fio sai pela parte inferior da porta,e não se partiu, vidros embaciados, um Sol ao fundo dourado e delirante, enfim o café desceu pela minha garganta, um "ah" de satisfação, contento-me com tão pouco, no que toca a pequenas coisas, agora tudo o que for o "resto" quero mais, maior, mais forte, mais alto, mais rico, mais feliz, mais vivo, mais contemplativo, mais sonhador...o carro não deu problemas, o coração bate mais forte. A camisola vai ficar bonita não duvidemos! Nem sei ao que escrevo, nem o porquê, pouco interessa, não escrevo por obrigação, não sou escrava agrilhoada das palavras, sou princesa do som da grafia, escrevo porque me imponho a mim mesma, escrevo porque me faz bem, escrevo porque faz parte dos sentimentos inatos,tento imaginar um mundo sem palavras...perdida! Escrevo por se não o fizesse daria em lúcida e odeio a lucidez, a lucidez é mesquinha, caíamos antes na inconsciência, rememos antes num mar prateado, porque é que há de ser azul?

quinta-feira, novembro 09, 2006

Quando o Sol brilha

Caspar David Friederich
Quando o Sol brilha tudo se relativiza, suaviza, ameniza, e tudo aquilo que terminar em "izas" que normalmente são só coisas boas, se não pensar em palavras como "inferniza" ou agora faltou-me a outra...acontece-me muito!
É nestes dias (em que o Sol brilha) que não devemos pensar nos que nos faz mal, não devemos pensar ponto. Apenas sentir, acreditar e sorrir. Esperar, agir e reagir, esperar, interiorizar e exteriorizar.
Cada vez mais, percebo que damos atenção a coisas sem o minímo de interesse, talvez para não sabermos o que realmente interessa, por receio de nos virmos a esperançar por algo de infinitamente melhor.
Um jantar à luz das velas.Uma dança corpo a corpo lenta e compassada. Uma flor num vaso cor de tijolo. Um beijo roubado debaixo da chuva. Um olhar que podia ser só mais um, mas não, porque é aquele e só aquele, e porque nenhum outro o pode igualar... repetir, e o fio que não se parte.
Vivo todos os dias coisas novas, sublimes dignas de espalhar ao mundo, vou ao Japão copiar as modas, ao Chiado jantar com o meu amigo Eça, à Lua contemplar a Terra, ao porta bagagens buscar qualquer coisa que caiu dum saco...tudo grandioso, formidável, e tenho tanto para dar!
A vida às vezes proporciona-me felicidade tal que sinto como se me tirassem o chão que piso, que fizessem com que as escads que subo descer, que baixassem a cortina sobre mim, que me empurram do precipício e me soprassem da terra para voltar ao topo. E gosto tanto de sentir tudo isto.
É por isso que gosto do amanhecer, de espreitar pela janela e ver o Sol a romper as largas nuvens num misto rosa e azul, tenho tanto. Se o dia nasce sempre é porque também eu devo nascer, não seria justo de mim para com ele, não o posso desapontar, e o fio que não se parte.
Gosto da sensação se não poder tirar os olhos de alguém, gosto da sensação de tentar e não obter sucesso, amo a vontade que tenho em chegar a um ponto onde já não posso voltar atrás, porque ainda percorro esse caminho largando o novelo de lã para poder voltar atrás arrepender, e o fio que não se parte.E continuando a enumerar, gosto da sensação de saber que vou chorar e mesmo assim usar rímel (esse inimigo da emoção), gosto de sentir a dificuldade em me exprimir e mesmo assim continuar a olhar nos olhos do que se me opõe, gosto de sentir a garganta seca por não ter de beber, gosto de desembrulhar presentes com laços dourados, gosto de gostar, e o fio que não se parte. E como me aproximo a passo-corrida para essa época de amor e e bolas vermelhas, luzes brancas, pinheiros verdes e cheiro a tangerina, não posso deixar de o fazer.
Hoje dormi com o novelo debaixo da almofada, ao acordar o Sol vai brilhar e eu vou levá-lo no meu bolso, um dia largo-o e alguém segue o fio que não se partiu.

terça-feira, novembro 07, 2006

Sombras Vs (...)

Quem é o meu "antigo colega de carteira de francês"??
Surgiu-me esta dúvida ao ler um dos ultimos comments deixados neste inglório e inconscientemente apaziguador blog...Quem és?
ACUSA-TE!!!
Eu sei que sei quem és, apenas não te consigo vislumbrar já que o iceberg da minha mente esta completamente submerso de momento...hmm então de momento nao é um iceberg, por agora é algo invisível (porque está debaixo de água portanto)...
Não sei se sentem o mesmo, mas ao observar esta imagem é como se me empurrassem para um lugar longe, longe, muito longe, mas presente algures, em todos os dias frios que se adivinham, na brancura dos nossos pensamentos, na linhagem dos nossos ideias, nas lágrimas das senhoras que esperam por outra coisa na paragem que não o autocarro, nos sorrisos que não mostramos porque nos comportamos como sombras...
...mas nós não somos sombras, somos muitos mais que isso, somos aquilo pelo qual vale a pena lutar.

segunda-feira, outubro 30, 2006

A escolha da imagem tendo em vista o "assunto" do qual se escreve

Apetece-me escrever hoje, Segunda feira de manhã, e dou comigo a chegar à conclusão de que estou sem assunto. Mas e não posso escrever sobre o facto de não ter assunto?Não é isso no fundo um assunto: o "não ter assunto". Eu acho que sim, e a parte de mim que já bebeu café concorda, e por vontade da maioria temos assunto: "não ter assunto", ao fim e ao cabo é legítimo... ... (EU OLHANDO INCRÉDULA PARA O MONITOR) ... Ah! Ontem ouvi uma música que me ficou no ouvido, às tantas coisa e tal a voz feminina dizia na língua dos bretões: "Chega-te mais um pouco...eu tomo conta de ti..." e continuava " ...a tua reacção á minha acção, era tudo o que eu queria ver...", não soa muito bem traduzido à letra bem sei, por isso é que me encontro neste exacto momento a escrever sobre coisa alguma. Mas e porque raio é que no messenger, em vez de escrevermos o nosso nome seja ele "Maria" ou "Bonifácia"( como a minha piriquita, que já enterrou dois seus semelhantes), optamos antes por escrever alcunhas idiotas e sem significado algum, coisas vazias, aquelas frases clichés (em inglês), ou frases diga-se assim, um bocado, vá lá...PARVAS! Eu própria dou comigo a escrevê-las: chama-se partilha de pensamentos. Bem deixa-me lá ver as horas, incrível passaram-se exactamente cinco minutos e ainda não consegui produzir nada de de produtivo efectivamente ( uma redundância usada propositadamente que realizei no intuito de "queimar"( mais uma figura de estilo) alguns caracteres), ah e o uso de advérbios de modo é consciente, tornam o texto mais válido. Estou eu aqui a blá, blá, blá, a ver se tenho piada, mas ah no outro dia estava eu no Alvaláxia e deu-me assim vontade de ir a um, como é que se diz?? WC, que naquele lugar parecem umas salas de tortura soviéticas mas em "amarelo canário" que servem de anestesia visual, e que quase, eu diria que quase, nos fazem perder a vontade de lá ir fazer (seja o que for)..diazia eu, que ía para entrar e nisto vejo uma senhora (reformada) à porta, eu igonorei-a como tão bem sei fazer, e comecei a abrir a dita da porta, então nisto a senhora demove-me com todo o seu emepnho e engenho "Oh menina está ocupada!Entrou lá UMA senhora"...silêncio ( ) da minha parte, naquele preciso momento apeteceu-me escalfar um ovo ( a mente tem destes preciosismos), "mas minha senhora existe mais do que UMA casa de banho lá dentro, pode comprová-lo se tentar rodar a maçaneta, vá agora sem medos..", a senhora incrédula mas infinitamente espantada face a tamanha circunstância, lá foi à sua vida..eu, entretanto fui atacada pelo amarelo e pensei: "oh que se lixe, fica para a próxima". Veêm? Mais um bocadinho e escrevo sobre qualquer coisa de carácter filosófico-político, numa de pseudo-intelectual de esquerda tão próprio da minha geração. Quem me dera terminar com uma tirada de génio, qualquer coisa como: "O propósito do Amor é amar.", citação de Oscar Wilde em De Profundis. Mas o máximo que consigo hoje é: José Cid tem um álbum de rock progressivo. Deixo-vos agora com este meu pensamento que certamento escreverei no messenger, espero que reflictam muito, tanto até também a vós vos apetecer escalfar um ovo, tomem banhinho, cuidado com as castanhas podres, e como dizia uma sábia amiga "façam o favor de serem felizes!" e se vos fiz perder tempo, oh pelo amor da santa não me vão culpar por isso também!! Assim sim. Deuce. Deucement. Lg

sábado, outubro 28, 2006

Children Of Men ("the last one to die please turn out the light")

Distopia é a existência de um mundo onde tudo é negativo.
Alfonso Cuáron leva-nos a ver o nosso mundo negativamente, retirando tudo o que dele no poderia fazer sorrir. Amar quem? Amar porquê? Amar a quem?
Sentimos a tristeza no vaguear de uma população triste e cansada, sentimos a tristeza da terra infértil e seca pelos pés de Clive Owen. Revoltei-me comigo própria, com os filhos que ainda não tive, com os filhos que nunca serão pais, com os pais que nunca serão filhos, revoltei-me com a ideia de que um dia me tirarão a razão de viver... "creseci e multiplicai-vos", de que nao terei a oportunidade de ver a minha carne nas feições de um outro ser, de não sentir as suas mãozinhas a puxar-me o dedo indicador, de não ouvir o seu riso, de não o poder proteger dos males do mundo, de ter o poder para afugentar os pesadelos, de lhe ler a estória antes de dormir. No fundo revoltei-me com o facto de me dizerem "The last one to die please turn out the light"...vazio..., o som do silêncio que perturba, a venda do "quietus" como resposta profunda e consoladora, o ranger da porta como destabilizador catalizante de sensações...arrepio na coluna. A fé que se perde, a camara que não limpa o sangue, o grito de dor, o choro pelos 18 anos que mais uma vez despedaçam o coração fraco de lutar, mais uma batalha perdida, mais uma lágrima que não se chora..." ele tinha os teus olhos.." Pára, recomeça.. "Eu tive uma irmã!" Children of men é poderosamente poderoso, perturbador e realista, uma realidade à qual não percebemos que lugar ocupar, que não queremos ocupar. Prefiro pensar que o meu futuro se condensará numa utopia na qual caminho para a perfeição, no qual as maçãs são vermelhas, na qual posso profetizar a minha fé no meu sangue, no qual posso optar e partilhar, partilhar sabe tão bem. Alfonso Cuáron ( o meu próximo génio) faz algo que para mim era até ontem inimaginável, conjugar medo, milagre, arte enclausurada, autocarros londrinos futuristas mas curiosamente iguais aos dos nossos dias, e um porco insufável que vagueia na janela de um ministro...a arte aprisionada, mutilada, "animals" de outrora, para quem ainda se recorda, ou para os que nunca esqueceram. Saí da sala atordoda, acho que com dores de cabeça, pensativa e curiosamente hoje numa igreja enquanto assistia a uma dessas consagrações da nossa cultura religiosa, dei comigo a pensar.."no mundo de Theodore isto jamais aconteceria...", perdidos! Não me deixem perder a esperança, não me deixem esperar pelo barco na manhã enovoada, nao me deixem sozinha num apartamento a beber café, não me deixem...não vão...não me deixem apagar a luz.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Little miss Sunshine

Estanhamente traduzido para "uma famíla à beira de um atque de nervos" Little miss Sunshine é até agora a minha comédia do ano: simples, inteligente, prática e disfuncionalmente coordenada.
O elenco parece escolhido a dedo, são só actores a quem os papéis oferecidos costumam ser secundários, um tantas vezes menosprezado Greg Kinnear (toda a gente já viu um filme com ele) , a calma vibrante Tonni Colette, uma pequena grande menina chamada Abigail Breslin,Steve Carell "O Grande" depois do Alexandre...
E todos eles num filme onde não há protagonistas, ironia do destino, cada personagem vive o seu drama pessoal numa família muito pouco ortodoxa: um adolescente que não diz uma palavra há 9 meses, um paí rígido e controlador, um avó viciado em heroína, um tio homossexual e que à conta da má sorte tentou o suicídio e para mal dos seus pecados...falhou, uma mãe que só quer proteger quem ama, e uma Little miss Sunshine, com um sonho grande demais, mas que concretiza mais ou menos...mesmo adorando gelados de chocolate:
"Can't touch this!"
E todos metido numa viatura, numa longa viagem, muito atribulada, que tem como único propósito um concurso de misses infantis, que mostra tão bem a mentalidade americana, "o sonho americano" ou melhor, aquilo que as mães ambicionam para as suas filhas, a plasticidade, os sorrisos, o reconhecimento e muita, muita laca!!Mas lá está o grande objectico do filme não é espelhar a América, mas sim resolver os problemas latentes numa família, o concurso Little miss sunshine, não é o fim, mas sim o meio!
Gostei desta obra, por ser simples e caricata, muito pouco estereotipada, o humor é retirado da simplicidade das acções e hilariedade das situações, uma "pão de forma" que só mete a partir da terceira e que com o calor queimou a bozina que agora toca initerruptamente ao longo da auto estrada.
No fundo Little miss sunshine é daquelas lufadas de ar que surgem, numa altura em que o que está a dar são filmes para adolescentes, cheios de hormonas, sangue e porrada da boa e da grossa...vem esta coisa amarela, a destoar, a iluminar..e a fazer-nos ver que se calhar a nossa família até é bastante "normal".E não há nada que o amor e um bloco de notas não resolva...mesmo quando no meio da confusão alguém fica parta trás...
Não me surpreende nada em ver esta obra de algum modo não esquecida nos óscares deste ano, não é que hoje em dia a nomeação tenha muito valor, porque há muita coisa em jogo, mas que merecia, merecia...mas como é uma comédia o melhor é não contar com muito..
Não quero entrar em pormenores, mas vão ao cinema, vejam por vocês próprios, nao quero estar aqui a debitar isto e aquilo sobre as coisas de que gosto, o que quero mesmo é que vão ao cinema, ou não..mas vejam coisas que dão que pensar, que enchem uma tarde ou uma noite..essa é a magia do cinema, é deixar-nos entrar num mundo diferente que nos faça ver o nosso com outros olhos...é para isso que ele existe..é para isso que a Arte existe, se não fosse a arte (seja qual for o seu suporte) a vida era tão monótoma e as nossas mentes estavam já tão atrofiadas.

terça-feira, outubro 24, 2006

Chegou o carteiro!!

E é tão bom ouvir: "-Chegou o carteiro!!Cartinha para a menina!!" Não foi bem isto que aconteceu comigo, mas faz de conta..eu faço muito de conta. O envelope branco, sozinho na caixa escura que nem sequer abre como deve de ser..os olhos a procurar-me por entre as grades inferiores, eu a lutar sofregamente com o garfo (vá-se lá perceber) para os retirar da mulralha!! O carteiro não chegou a tempo, mas chegou, aliás melhor que ele, chegaste TU, só tu, e és tudo o que me inetressa, tudo o que interessa. Eu a salvadora! Quem diria!! "Nunca a palavra Amo-te fez tão sentido!!" Tu sabes... Por ti.Por mim.Pelo mundo.Pelo postal. Pelo vento que hoje está revigorado. Pelos anjos bons que exijo como menina grande para que sigam os teus passos, pelos anjos maus para que não se alimentem da tristeza que possa por vezes atravessar-se pelo nosso caminho. Por tudo isto não te preocupes que eu nunca perderei a esperança, prometo.

domingo, outubro 22, 2006

Feliz Aniversário

Há relativamente pouco tempo disse a um alguém que na presença das suas palavras me via como um vitral de uma igreja gótica, enquanto o via a ele como um simples vidro de uma janela, límpido e claro como água, eu escura como vinho...
E nisto pensei durante muito tempo...tempo que não volta, que se perdeu a cada instante que passou, e que já não pode ser vivido.
Ontem celebrei duzentas e dez mil, quatrocentas e quarenta horas de vida, são horas respiratórias, de renovação de tecidos, parte das quais não tenho consciência, memória tresloucada, vagabunda e inerte.
Não temam, porque aquilo de que se lembram mais não são que lembranças vagas, fumadas, parques de diversões subterrâneos e abandonados.
Ontem celebrei setenta e um mil e trezentos dias de vida, não são muitos dias, feitas as contas, nem sei bem porque é que me pus a contá-los..ah já me lembro, já não tinha nada para fazer, os amigos já tinham saído, o bolo já estava cortado e partilhado, as velas mordidas depois do desejo pedido, os papeís de embrulho improvisados, os restos espalhados pela casa, os meus restos imortais no chão da sala, à janela fria e uivante, o copo meio cheio de um líquido parecido com o sangue vomitado pelo conde Drácula.
Faz frio lá fora, é noite...o vento grita como se tivesse sido aprisionado numa ampulheta de vidro, e ninguèm para o salvar..talvez a chuva, a sua eterna noiva. O meu irmão de sangue dorme profundamente, o dia foi longo, mas eu não tenho sono, porque as palavras não me deixam adormecer, atordoam-me, compulsionam-me, escrevo letras nas linhas do caderno, não tenho luz, mas não me importo, nunca precisei de muita claridade para escrever, nunca precisei de muito para escrever, são só palavras que tintam as paredes do meu cérebro e ecoam de dentro de mim, claro que só eu as escuto, os outros deixaram-me de me olhar, ja passa da meia noite..a ilusão do aniversário acabou, perdeu-se a magia, é como a manhã de 26 de Dezembro..foi tudo uma miragem, a contagem decrescente para o próximo já se reiniciou.
Obrigada dos que se lembraram, obrigada aos que se esqueceram, obrigada aos que se lembraram e fizeram-se esquecer, obrigada pelo "Miracle", pelo amor incondicional, o gatinho no cartão, o beijinho doce e familiar.
Sou feliz e nem me apercebo o quanto.
Vou fazer de conta, gosto de fazer de conta, só tenho pena de me aperceber que não sou louca, porque se fosse era tudo tão menos complicado..."Vejam o que o vosso Deus me fez!", diz ele antes de morrer, cansado e ferido em frente a ela...ele um espelho, ela um vitral medieval, filhos de uma mesma religião, ele devoto por coração, ela a igreja alta e fechada.

quinta-feira, outubro 19, 2006

ODiaQueMorreuAoNascer

Chove lá fora, brisa enublada, o tempo parece impaciente, e hoje não podia estar em maior contraste comigo, não estou bem mas pelo menos sinto-me infinitamente não mal.
O amor vejo-o como algo pequeno (maior incoerência), mas perdoem-me.. possuo hoje o coração na ponta dos dedos e escrevendo freneticamente à meia luz cinza das pesadas nuvens, a mente contorce-se, esfrega algo e sai isto.
"Há tempo" dizem os coerentes, eles devem conhecer as parcas fiadoras , eu nunca as vi, podia jurar que as senti, subindo a minha coluna, arrepanhando a carne e silenciado o grito, que não gritei porque vi que um e um são dois, mas de dois tira-se um e fica um, que dividindo ao meio, fica meio e com meio não faço nada, com meio sou metade, para me completar, há que somar e multiplicar e eu ainda só sei subtrair e dividir.
Sentir o amor, falar do amor, sempre o amor, é sempre ele e mais ninguém, como se não houvesse mais nada, como se fosse o ponto de partida e de chegada e o próprio caminho...qual caminho, que seta seguir, parar para recuperar, onde, quando, porquê, hoje?
Amanhã. Amanha respondo ao amante ( aquele que ama, não o que se compadece com o prazer).
Agir, agir sempre, institiva...furtuitamente...egoísta sacana, está à espreita, "andas a seguir-me", escuto os teus paços, associo-os à tua sombra, desiste, não, não, não desistas, fica sempre, olha-me ao adormecer, canta-me o canto da melodia inglesa que ouviste através das linhas mundias que descarregam milhares, milhoes, ao segundo, à centésima do segundo e expelem o som, como se de poros se libertassem...
É um vício. Um ciclo acrílico de cheiro intoxicante, que queima os pulmões, entope as veias, agúa os olhos, magoa o peito, rasga a carne e corrompe a alma, com complacência, disciplina.
E quando eu não estiver, é porque sumi da cara redonda da terra, entrei na crosta profunda e ardente, laranja e castanha, hibernei para o fogo, cometi um ataque terrorista em mim mesma...se não o fiz é porque então fui antes apanhar o metro e entrei numa carruagem repleta de ovelhas tatuadas a lerem as páginas de um qualquer papel reciclado gratuito.
As árvores são cortadas, os homens enterrados, da árvore nasce o papel do Homem um fruto igual cada vez mais igual, cinzento, triste como este dia que repito, não podia estar em maior contraste comigo.
Feliz o que não tem internet. Feliz o que não vê o que eu vejo.

segunda-feira, outubro 09, 2006

O femininíssimo Almodóvar

"As pessoas andam doidas deve de ser do vento de Leste."
Assim dizia Raimunda ao longo do novíssimo Volver, uma deliciosa comédia a meu ver, com um toque primaveril de cor e elegância popular.
Almodóvar trata o feminino como ninguém, talvez como Valentino desenha os seus vestidos, Almodóvar filma a mulher em toda a sua esplendorosa simplicidade, que por mais carregada que seja a maquilhagem, por mais garrida que seja a cor do top, por mais justa que seja a saia não conseguimos deixar de pensar que não há beleza maior que uma silhueta feminina, seja ela gorda ou magra, de bata e touca no cabelo, de camisa de dormir, de bata de hopsital, não interessa é sempre bela, singular, envolvente.
A estória de Volver é tal como o nome indica, uma estória sobre o regresso, "voltar" ao pasasdo, à aldeia, à familia, à dor, à morte...trata o drama (ou a comédia consoante a perspectiva) de um percurso familiar e de todos segredos por detrás de um incêndio de Verão.
O emebelezamento final é fruto de diálogos simples e quase folclóricos, olhares trocados, e uma cova à beira rio que encerra um ciclo, ou fecha a aresta de um quadrado.
Almodóvar deixa-se levar por argumentos sólidos, e deixa o resto nas mãos do seu elenco, dirige-os como ninguém, quase que conseguimos ver Almodóvar atrás de Penélope Cruz sussurrando-lhe como dizer esta ou outra frase, como se baixar para elegentemente esfregar o chão onde se deu um homícidio ou até mesmo como dar a ver ao espectador uma sensação, como se se pudesse ver uma sensação, como se a sensação fizesse parte do domínio visual.
Abandonei a sala contente e motivada, o que nem sempre me acontece por me deixar levar pela magia do cinema, normalmente fico pensativa, mas desta vez algo de diferente se passou, uma magia maior tomou conta da minha consciência tantas vezes inconsciente, uma magia espanhola, gritante, mordaz...porque a morte não tem de ser necessariamente o fim, às vezes trata-se apenas de um intervalo, uma necessidade: "morrer para o mundo" e Volver (voltar) quando ele ganha a capacidade de nos poder acolher de novo.
Há pouco tempo li algures que Portugal candidatava "Alice" aos Óscares, uma boa notícia sim senhora, a má...Espanha candidata Volver.

domingo, outubro 08, 2006

O relógio avariado

Hoje ao olhar uma fotografia antiga, fiquei inundada num poço profundo e escuro de tristeza e nostálgia, foi isso que pensei sentir, como se não conseguisse respirar de tanto que a água translucida me empurrava para baixo... e eu sem pé..
Retirei a fotografia do suporte de cartão empoeirado, toquei-a com o meu dedo indicador e com a ponta do meu polegar, como se acariciasse a testa de um recem nascido.
Olhei-a de soslaio como se a quisesse desnortear e afastar,( em vão, percebi num ápice) olhei-a mais um pouco, tentei recordar algo, mas tudo o que senti foi um misto de perda e saudade, doçura e paz, paradoxo e horizonte. Como se esntrasse numa loja de doces e não me deixassem escolher nenhum, e eles ali à minha frente, tão longe e tão perto.
Acho que estávamos os dois dentro de uma muralha de problemas na altura em que o momento foi aprisionado, e pensar que estava protegida pelo meu príncipe!
O beijinho sempre que chegava a casa.
A camisa vermelha com quadrados pretos.
A voz firme e elevada.
A mão grande que segurava a minha pequenina e ainda curiosa.
Ele era tudo isso.
Ele era tudo para mim.
A doença afastou-o da menina dos seus olhos.
Ao pegar a fotografia, ele voltou por breves momentos, para de novo me abandonar.
Apeteceu-me chorar, mas ferrei os olhos, comprimi os labios, respirei fundo, não fui capaz, mais tarde, tenho muito tempo.
Agora sei porque é que as coisas mudaram, não foi porque o vento correu mais depressa, nem porque assim tinha de ser, foi porque eu sou egoísta e mimada.
Agora sei porque é que preciso da fotografia para o amar. É simples: Ele desiludiu-me.
Perdi-o, e jamais o perdoarei por isso. O que sou hoje, são os restos dum coração destroçado, o coração sa menina do papá.
Receio tanto essa ilusão infantil que não deixo que o passado se entranhe na minha actividade cerebral, preferi desligá-lo e acorrentar as celulas num espelho ensanguentado e quebrado.
Ironicamente o passado reencontrou-me num momento de fragilidade feroz e bastou o tal pedaço de papel fotográfico para que tudo voltasse.
O papel de parede.
A camisa vermelha com quadrados pretos.
A bica depois do jantar na chícara amarela torrada.
O despertar para as 5 da manhã.
O cansaço do final do dia.
O olhar perdido que se perde na lente da máquina.
Os "bibelots" esquematicamente expostos na prateleira...aquilo era o meu mundo, aquele que tenho hoje em nada se assemelha. Tenho-o mas não me chega, e quero tudo menos saber aquilo que sei hoje: que um dia fui iludida por um senhor que descia a escadaria de um palácio nos meus sonhos, que passava por um relógio gigante guardado num cubo de vidro e o fazia trabalhar, que fazia adormecer toda uma aldeia caiada de branco banhada por um rio calmo e fresco numa noite de fim de Verão. A aldeia continua a dormir desconhecendo que escrevo sobre ela.
Sonhamos todos os dias mas poucos sao os sonhos que guardamos no coração, eu guardei este e acabei de vos contar, apenas a fotografia é real.

domingo, setembro 24, 2006

2046

Já não é a primeira vez que menciono esta pérola tão bem delapidada...e o site oficial coroa a pérola e aguça a curiosidade, para os ainda assim descrentes do cinema de Wong Kar Wai, atrevam-se a aceder:

sábado, setembro 23, 2006

Cultural learnings of America for make benefit glorious nation of Kazakhistan

A mítica personagem de Sacha Baron Cohen, Borat, vem desta vez até nós na sua própria longa metragem, para os menos atentos o nome Sacha Baron Cohen pode não fazer suscitar a mínima ideia, mas se Ali G for mencionado aí é feita a luz, seja ou não feita justiça ao seu trabalho.
Aos que mesmo assim não estão a ver a peça, mas que assistiram aos prémios MTV do ano passado transmitidos a partir de Lisboa, ele foi o apresentador do evento, e fê-lo bem, diga-se de passagem.Ainda nada? Então é porque este post não vai de encontro ao vosso gosto. Ide!Vão com Deus Nosso senhor..
Ainda aí estão? Persistentes...aqui vai...
Desta vez o pivot mais conhecido do seu país natal vai a esse grande país que é os Estados Unidos da América, fazer uma grande reportagem...o resultado será um misto de humor grosseiro, personagens bizarras, costumes culturais grotescos, crítica feroz, uma simbiose agridoce, mas que mostra mal ou bem a precaridade da vida de muitos e o orgulho de pertencer a uma grande Nação, por mais porcos com os quais co-habitemos, mais familiares que se prostituam, and so on...
Esta personagem transforama-se assim não em actor de filme, mas mais em interveniente televisivo que procura Pamela Anderson incessantemente, e transmite aos seus espectadores um universo cultural paralelo, a partir de jantares com diplomatas e vox pops trascendentais!
Mas convenhamos, os subsídios sao norte americanos para Cultural learnings of America for make benefit glorious natio of Kazakhistan, logo a vontade de ridicularizar perde, para o bem do orçamento, porque sem dólares não há filmezinho e Borat ainda não tem o estatuto de Michael Moore, nem é bem disso que ele anda à procura, se bem percebo.
O filme estreou no festival de Toronto, mas nos EUA parece so chegar dia 3 de Novembro deste ano, já por aqui lá para 2007 será o mais provável.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Aguardando, aguardando..

E enquanto não chega Novembro e muito menos esse belo ano que é 2008, aqui deixo um cheirinho daqueles que são os filmes que lançam as minhas expectativas la no alto e me fazem rezar aos deuses dessa religião profana chamada "Cinema", para que os meus desejos se realizem na máxima da perfeição.*
"Bond. James Bond."
A 23 de Novembro chega o emblemático agente, nesta vez interpretado pelo Daniel Craig (Munique, A mãe), e temos uma bond girl chamada Eva Green ( Reino dos Céus e os Sonhadores). O trailer é promissor, a canção chamariz vem desta voz num envelope de ouro na voz de Chris Cornell. Os americanos que já viram o filme num circuito muito apertado dizem que o plot é fraquinho, mas que há lá qualquer coisa que faz deste comeback do agente 007 algo a prestar atenção.
E no início foi assim:
Bartender: "Mr Bond, shaken not stirred?"
James Bond: "As if I care!"
Let's see what the future brings by the hands of Martin Campbell.
Para 2008, Chris Nolan de momento a braços com o filme The Prestige com Christian Bale(American Psycho, Equilibrium), Hugh Jackman (The fountain), "Escaralte Joana" (como diz um compatriota amigo) e David Bowie, uma estória baseada na luta entre dois mágicos que se divertem a brincar com magia, nem mais...mas, parece que este já está no forno e por isso o Nolan trabalha já na sequela de Batman Begins, de novo com os mesmos actores, juntando ainda Heath Ledger na pele do enigmático Joker. Mas há muita coisa que pode não resultar neste filme, o deixar-se levar por clichés ou pressões da Warner Bros, para tornar The dark knight, (assim se chamará a sequela), num filme mais ao jeito de outros como Spider man.Mas confiemos em Nolan e na sua vontade de salvar o franchise abalado por Schumacher, e em 2008 tiramos a prova dos 9.
Nolan parece mais interessado em fazer deste novo Batman algo mais hardcore (palavras do próprio), já que Begins pouco tem de fantasioso ou irreal. Continuo a afirmar que é um dos filmes de 2005, seguramente, mas eu sou fã deste herói por isso a minha opninião nada mais é que tendenciosa...
*os trailers do The Prestige e do 007 Casino Royale estao ambos disponíveis no site da apple, o link está à vossa esquerda!
Ah já agora V for Vendetta edição especial está a um preço apetecível na Fnac, bem como Insideman, embora este segundo não traga nenhum extra digno de apontamento, o que é uma pena.

terça-feira, setembro 19, 2006

O fiel jardineiro

Avassalador. cruel: Frio. Dilacerante. Perturbador. Apaziguador.
O fiel jardineiro é mais uma obra prima de Walter Salles, que retira o melhor de assuntos tão sérios, como o egoísmo político, a ambição das farmacêuticas, o não envolvimento com as gentes de África, as conspirações assassinas, as mentiras públicas, os discursos falsos, e um amor que luta sem armas.
Engraçado como eu em refiro às "gentes de África" como se eles fossem diferentes de mim, se calhar são, porque nós os tornamos diferentes, porque preferimos não pensar neles de modo a não nos comovermos, já que "eles" não pensam em nós simplesmente porque desconhecem a nossa complicada existência.
Se calhar não somos todos feitos do mesmo.
Ou fomos, mas "eles" ainda estão no Paraíso.
E "nós", "nós" já destruímos o nosso.
Tess, uma jovem britânica e lutadora, comovida durante as suas viagens a África na companhia do seu marido, com a precaridade das condições de vida no continente e perturbada com situações clínicas que testemunha, enverga uma luta quase solitária contra um poder sem rosto que enriquece dia após dia à custa da morte de pessoas (mais uma, menos uma, quem é que dá por isso mesmo?).
Esta sua "viagem" custar-lhe -à a própria vida, e é entao a vez de Justin, um diplomata inglês amante de botânica, lutar não por aquilo pelo qual Tess lutou, mas pela sua lembrança, e pela verdade que parece tão incómoda.
Tenho dito que depois que de Mystic river, estou preparada para tudo...pois enganei-me, O fiel jardineiro fez-me adoecer.
Não é que já não saibamos (ou tenhamos suspeita) que existem muitas doenças para as quais não há cura (à partida) porque também dá para perceber que assim as farmacêuticas ganham milhões e milhões à custa dos medicamentos para os tratamentos enquanto a dita da cura não é encontrada. N' O fiel jardineiro, aquilo a que assistimos é simplesmente a uma mega operação de poupança, assim como uma conta poupança a curto prazo: as farmacêuticas não gastam porque não lhes apetece "refazer" medicamentos e então fica-lhes mais baratuxo ir administrando aquilo que têm, valendo-se disso ás organizações humanitárias...mas no fundo mais não são que meros assassinos sem escrúpulos.
Em suma: as cobaias são silenciosas, porque "os mortos não falam" e a ONU ainda dá uma ajudinha.
É esta a grande denúncia, a verdade incoveniente, e só sei que me despedaçou o coração, ver aquilo que já receava e que agora se tornou tão clarividente com a impetuosidade das imagens.
Vi o filme como se estivesse a ler um poema, em que para perceber o seu todo, há que ler e reler estrofes, juntá-las, fazer analogias, procurar símbolos, interpretar, interiorizar.
A musicalidade da película é deslumbrante e envolvente, a cor é feita de ouro de África e vermelho do sangue, o que fica é desalento e decepção, mas no coração fica a esperança silenciada pela esmagadora compressa do dia a dia.
Não é um filme longo, nem leve, nem romântico é apenas repleto de mensagens e bocas ás entidades envolvidas e já agora um pequeno lembrete a países como os EUA, a França, a Inglaterra, Portugal...vocês estão lá a ajudar não se esqueçam...
África será o eterno diamante laminado sem esquadro e régua porque na areia de nada valem, e só uma flor lá poderá nascer um dia, se nesse dia os deixarmos em paz. Eles precisam de mais do que da nossa "ajuda", eles precisam deles mesmos, porque nós fizémos com que eles se perdessem, fomos nós não tenham dúvidas.
Podemos amá-los mas não nos podemos envolver dizem n'O fiel jardineiro, se os amarmos verdadeiramente (como ninguém o faz) eles congratulam-se, o nosso envolvimento tem de ser desprendido: amar a cor, o cheiro, a luz, a pessoa e não voltar nunca mais.
E muitas flores nascerão daqueles desertos, das terras áridas, dos desertos de ouro, das águas límpidas, dos animais selvagens, e o Justin volta ao seu jardim, e Tess regressa a casa. Porque Tess era a "casa" de Justin e quando Justin ficou sem casa, Tess foi ter com ele ao cimo da montanha.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Dondoca à força (Antestreia) no Open Air

A não perder hoje, dondoca à força com Catherine Deneuve, Lambert Wilson e Valérie Lemercier. Para mais informações clique no link do Optimus open air que se encontra no lado esquerdo do blog.
Muitas têm sido as pessoas que não perderam a oportunidade de ver grandes êxitos do Cinema de 2006 neste evento, bem organizado e acolhedor!
Não percam tempo!Nem filmes!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Marie antoinette (A Ante-estreia)

"- Estás a apreciar a alameda de Limoeiros?"
"- Não. Estou a despedir-me deles!" (diz Marie ao Daulphine a caminho da execução)
Marie Antoinette é daqueles filmes que tudo tem para dar certo..ou muito errado, é o peso Coppola assinado a cada canto do filme (realização, produção e afins..a família arranjou toda emprego), é a Kirsten Dunst que se vem a revelar uma senhora actriz, a recriação de uma época bem como de uma figura histórica polémica, e gravação autorizada em Versailles, a aposta, o orçamento, como disse atrás...tem tudo!
Aquilo que sei foi aquilo que vi, e entre tudo e o nada eu vi o tudo, achei sem dúvida esta película uma visão interessante de uma visionária também ela interessante. É a desconstrução negativa de uma personagem que tanta tinta fez escorrer nos livros de História.Aprendi eu em salas de aula que Maria Antonieta foi uma mulher maquievélica, fria, esbanjadora num período caótico da História francesa, mas Coppola acha que não..ela era no fundo uma menina deslumbrante e deslumbrada, uma austríaca capaz de seduzir todos em seu redor, todos menos o seu fiel esposo, uma menina que chorou pelas intrigas, amou a vida e não dispensava uma bela festa, amava a vida boémia e comia chocolate antes de adormecer.
Não é essa a definição de mulher casada dos nosso dias!!??
A película é toda ela um delírio visual, é burlesca, fascinante, romântica, gulosa, humorística, sensível, estes elementos estão todos presentes e Kirsten brilha numa redoma, cresce, amadurece sem nunca perder o sorriso de criança, mesmo enquanto mãe, a vida se tornou madrasta para com a Rainha de França.
A banda sonora provoca uma multiplicidade de sensações: desanuvia mas também envolve e es
bofeteia o espectador..new Order é assim...e quando se diz "I want candy!" porque não cantar!!??Uma anacronia musical e temporal que para nosso deleite não nos retira da época, acreditamos mesmo que New Order são intemporais( já não eram?) e que tocavam em praça pública em vésperas da Revlução francesa, se é que não foram eles que tomaram a Bastilha!!
Com este filme mudamos a posição das coisas, alteramos a perspectiva, os monarcas são os bons (as vítimas) e o povo faminto (os vilões), e só por isso já vale a pena ver, nem que seja para experimentar coisas novas, diferentes daquilo que a História nos diz..o cinema é isso, é uma refazer de coisas, inovar o velho, atormentar, abalar, comover, sonhar...alterar.
Marie Antoinette é a personificação de uma criança a quem tudo foi oferecido e que tão bem soube reagir a quando do momento da sua perda.
E durante a projecção deste enigmático filme, cor de rosa por sinal, ouvi comentários repletos de ignorância: "Não percebo nada deste filme..", que há a perceber, se calhar se a menina de cor de laranja não fizesse gazeta nas aulas de História e coisa dava-se, mas a menina teve a oportunidade de aprender qualquer coisa no Open Air, não soube foi aproveitar, mesmo (eu) estando ciente de que não nos podemos fiar a cem por cento numa obra de Arte, a Arte também engana, é matreira a senhora!!
Marie Antoinette boa ou má?
Vocês escolhem.
Eu acho-a humana.
" This is Stupid!"
"This is Versailles!!"

quarta-feira, setembro 06, 2006

Optimus Open Air..let's look at the trailer!

O evento começa já dia 8 de Setembro, e a lista segue-se já (mais informações sobre o evento, encontram-se no post seguinte deste blog!) Dia 8 Marie Antoinette Dia 9 Havana Dia 10 O fiel jardieniro Dia 11 Missão impossível 3 Dia 12 Terapaia do Amor Dia 13 Armadilha em alto amr Dia 14 O código de Da Vinci Dia 15 Dondoca à força Dia 16 Carros Dia 17 Super homem: o regresso Dia 18 A Dália negra Dia 19 Dick e Jane Dia 20 V de Vingança Dia 21 Scary movie 4 Dia 22 Poseidon Dia 23 Filme da treta Dia 24 Matchpoint os bilhetes podem ser adquiridos no local e no dia, ou nas bilheteiras Fnac, e ainda na loja Optimus do Colombo. Se preferir www.ticketline.pt, ou faça reservas ligando 707 234 234.

Optimus Open Air

Imagine um prédio de 6 andares, are you getting the picture?? Agora imagine que esse mesmo prédio se converte (em tamanho) a uma tela de cinema na qual poderá assistir a alguns dos melhores filmes deste ano, bem como a alguns dos mais comerciais. Assim será, já a partir de dia 8 de Setembro na Doca de Santos em Lisboa. Pagando 9 euros por dia, temos direito a participar numa espantosa viagem ao mundo cinematográfico, com direito a pipocas e tudo! Mas não só da sessão de cinema se faz este evento, não, não, não...Olivier e Chacal cozinham para si, pode usufruir de um espaço chill out, beber um copo com amigos e tudo isto fará certamente o seu serão mais glamoroso e confortável. O tempo a isso convida, chegou Setembro, o Verão está no fim, as férias para muitos já é só uma miragem, e para muitos outros não houve a oportunidade de ver este ou aquele, e este e este outro filmes quando estrearam...agora só em Dvd... ou não! A Optimus dá-lhe mais uma oportunidade: veja os filmes que quer num pouff com os seus amigos e amigas, ou só com o seu amigo ou só coma sua amiga, leve o pai e a mãe se quiser. Quem participou o ano passado regressa este ano com certeza, as condições a isso convidam, de salientar ainda que o evento possui parque de estacionamento, casas de banho , lugares especiais para deficientes, e uma lotação de 1500 pessoas. A lista dos filmes bem como o modo para os adquirir encontram-se tambem aqui disponíveis ou então veja por si mesmo: http://optimusopenair.pt Não perca esta oportunidade, despeça-se deste Verão em grande. Vá ao cinema!

domingo, setembro 03, 2006

A t-shirt da moda

E quando todos pensávamos que ninguém ía notar....

No belo do BUS

Vai a rapariga muito bem sentada no belo do Bus em hora de ponta, depois de enganar 3 idosos e ter ganho a corrida silenciosa a duas senhoras de idade desconhecida (mas que eu suspeito que se situe entre os 35 a 50 anos). Cansada de mais um dia universitário pouco produtivo, onde o único ponto positivo foi na cartada no bar dos "junkies", o que ela mais queria era chegar viva da Silva a casa e desfrutar de um belo jantar seguido de um belo serão na companhia não da Floribela ou morangada , mas antes dos seus amigos imaginários, outros quaisqueres que não eles. Mas Deus tinha outros planos. Eis que entra aquela que ela não aguenta, mas que não a larga por nada deste ou do outro mundo (seja também ele afectado pela camada do ozono ou não), a sua lapa pessoal, que no fundo é o mesmo que representa o chamado "personal Jesus" para os Depeche Mode, está pertinho, pertinho. A lapa não arranja lugar e permanece ao lado da rapariga: "Porquê??" E começa então a sua sessão de tortura, sem mais rodeios: "- Sabes uma coisa? Um amigo meu disse-me que não tomar banho todos os dias fazia mal..." (pára tudo no belo do Bus, fosse lá o que fosse que estivessem a fazer) A vítima em questão continuava a teclar nervosamente no telemovel dando o seu ar de extrema e preocupadamente ocupada. "La tortura" continua... " É que eu não tenho tomado banho e estou um pouco preocupada." .............................Twilight Zone.......................... " O que achas?" Entretanto ela, a torturadora de serviço, toca acampainha, despede-se da rapariga como se fosse voltar ao Ultramar e sai na paragem seguinte, deixando perceber que não queria uma resposta, mas antes desabafar da sua grande preocupação, pobre torturadora, uma alma atormentada. A rapariga ainda sentada, sente uma multidão a olhá-la, será que também alguns dos membros daquele ajuntamento tinham razões para se preocupar?? Pior que isso, será que mais de 90 por cento da população portuguesa se prepara hoje para enfrentar uma grave e terrível doença, futuramnete conhecida como "DFB" ( ou doença da falta de banhoca). Ou muito me engano, ou o investigador Grissom e a sua equipa ( sim o surdo, a loura boazona, a morena chata, o tipo do anúncio do shampoo e o fashion da coisa), já se ocuparam de um caso semelhante, no qual uma portadora de "DFB" morre depois de acidentalmente provocar também a morte de todos os membros da sua famíla por contágio. Nini esta é em tua honra!

Always London...

Hoje disseram-me que ía chover em Londres. Fiquei triste. Não sei porquê.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Jack Sparrow and the horizon he brought us

Neste que é um Verão como outro qualquer, quente, pegajoso, abafado, enfadonho e inundado, nao por água, mas por obras de arte dirigidas a um público devorador de pipocas doces e salgadas...que é tão digno e merecedor de respeito como aquele que as não ingere por "preferir prestar toda a sua atenção à fita pela qual pagou alguns euros" e porque comer pipocas não é "in" ou whathever, os blockbusters aqui estão sentadinhos à nossa frente:Os piratas estão de volta!!! Mais aventuras, lucros para a Disney, e humor gerado do bom desempenho dos actores que se divertem à fartasana a fazê-lo. Abram alas ao Johnny! Johnny!! Este sim é um grande Senhor. Um génio para muitos, e continua a ser, porque convenhamos...só um génio para convencer Marlon Brando a fazer "O bravo"!!, para mim um homem que devia ser idolatrado qual Che, era de valor ver a cara dele estampada em tudo o que é t-shirt e afins expostos com orgulho e pompa! É a partir dele que os piratas ganham vida, aliás a vida no filme nasce do sangue que este actor doa durante as 2 horas e 40 minutos, um pouco longo não? Esta é a meu ver a falha e bónus do filme, falha porque as cenas prolongam-se demasiado, desencadeando estórias paralelas até certo ponto, mas não durante muito tempo, já que a sua intersecção está sempre eminente, e estórias essas que por vezes podem demorar a fazer todo o sentido ao espectador, mas isso é uma questão sobre a qual não me vou alongar já que é só a minha opinião e talvez neste dia os meu neurónios não estivessem ao nível máximo das suas capacidades já de si limitadas.O bónus, bem os fãs gostam de tudo, e quanto mais tempo para se deixarem levar no espírito dos mares e dos bandidos, melhor! Mas o grande problema do filme, o único veradeiramente falando, é o facto deste não ser o primeiro, não cheira a novidade, Os piratas das Caraíbas lavou a alma aos filmes do género, este não lava, apenas passa por água, e por mais extraordinário que seja, por mais (ainda mais) emocionante e por mais alta que seja a fasquia, não é o primeiro. Para se perceber melhor digamos que, a interpretação de Johnny Depp é tao ou melhor como no primeiro filme, a diferença é que destra vez ele não vai ser nomeado a Óscar..acho que me faço entender! De assombro é o universo recriado, as maravilhas das novas tecnólogias no que toca à personagem de Davi Jones e respectiva tripulação, bem como o espaço variado e complexo no qual a trama se desenvolve. A surpresa do (re) aparecimento de personagens que vêm remeter para o pasasdo e para o futuro...o drama amoroso que se adensa, mas repito a minha opinião quanto a mr Bloom, ele ainda não é leading man, ainda terá que "crescer" pelo menos por enquanto, falta qualquer coisa para ser aquilo que ele pode vir a ser, a fama e o poder que este franchise lhe trouxe, a ele e a Keira, trarão os seus frutos, mas a seu tempo. Por isso, 3 cheers para os piratas: 1 porque voltaram 2 porque voltam para o ano, e 3 porque não vai haver o 4( que é o novo preto, pois tanto Indiana Jones e Die Hard estão confirmados e talvez Missão Impossível, isto claro se entretanto o Tom Cruise quiser casar com a Katie Holmes!!))

quarta-feira, agosto 23, 2006

(TA)VIRAr da página prateada

Fugir do mundo, é conquista árdua. Partir para longe é louvável, mas resta sempre algo de nós, de esperança, de sonho, de espuma, uma acendelha à espera de um sopro que teima em arder. E eu fugi nas asas de um pássaro terrestre, veloz e de voo firme que contemplava a minha tristeza cansada, o meu alívio solitário na companhia dos outros... e ouvir o som das asas que balançam. Os dias passaram: quentes, frios, chuvosos, com ou sem vento, com ou sem gaivotas assassinas. Campismo selvagem porque não? Há tentos que fazem mentalizados, convictos...a minha convicção nasceu da força da circunstância...o improviso faz maravilhas, e a mim ofereceu-me o céu estrelado, todo e inteiro, que me beijou os olhos ensonados e me deixou entregar nas delícias dos sonhos encantados, queimando tempo. Seguiram-se mais dias, silêncios, palavras, sorrisos, caminhos trespasasdos por espadas do passado capazes de desmoronar baralhos de cartas que são mais, muito mais do que um jogo. Falou-se, escutou-se, falou-se, aconselhou-se, desafiou-se, desentedeu-se? Enquanto houver confiança. O tempo que passou num ápice, assim é quando se gosta verdadeiramente, quando se reina sem poder concedido pelos deuses e crucifixos. E no último dia , na manhã do farol ouvi o silêncio do mar, escutei o que ele tinha para me dizer, o segredo murmurado que vem por debaixo do chão. Canção incessante que do azul se faz prata, que me ensurdeceu, cegou, calou, e os ossos das mãos que congelaram, nessa manhã de brisa fina. E sabes o que te digo??: Luta. Se perderes. Luta mais. Sangra, se for preciso, dá o teu sangue a beber à vampira que dele precisa sem saber. E se morrer, mais vale uma boa morte que uma não vida. Não queiras pouco, exige tudo, porque tudo é o que a vida exige de ti e ela escorre como lava apressada, e nós não ficamos senão, na memória dos outros enquanto a também eles, ela não faltar. Eu vou lutar, qual guerreira revigorada, qual dama afortunada sem o saber, qual mulher que arde num fogo intenso, e se perder..ou morrer, a memória ( a dos outros) manter-me-à viva, ou pelo menos não morta.

segunda-feira, agosto 21, 2006

And "He" returned (finally)

Foi com agrado que vi regressar o extraterrestre mais querido do mundo do cinema (logo atrás do E.T, pois claro). O responsável por esta experiência extremamente dedicada e humana é Brian Singer, que após muitas voltas e reviravoltas conseguiu fazer renascer das cinzas mais um grande franchise...é agora ver t- shirts com um "S" estampado tamanho XL, por essa Lisboa fora, enfim mais super heróis por esse mudo. Facilmente se percebe a razão pela qual a crítica se mantém tão favorável ao eterno Kal-El, enquanto que as bilheteiras se mostram um pouco mais reticentes, pelo menos da parte norte americana. É que quem está à espera de assistir a lutas desenfreadas, entre bons e maus da fita, amores de novela extraídas do sex appeal dos actores, e clichês dignos do livro "as mais bonitas frases do mundo", bem pode tirar o cavalinho da chuva...mas é que bem pode mesmo. A nível de frases, vá, deixamos passar as palavras de Marlon Brando no papel de de pai de Kal El, frases paternais essas repetidas pelo próprio herói mais lá para o final ad pélícula! Sexo não há. Acção também não. Resultado: menos vendas. O máximo que se vê é Kal El a ser sovado como nunca, depois de exposto ao seu pior inimigo natural, e mais não conto. Brandon Routh , tem talento e seguramente um futuro no mundo cinematográfico, é carismático e expressivo tanto como Clark Kent ou Kal El, fazendo mesmo pensar num possível James Dean (sem um final trágico e precoce rezemos) dos nossos dias, mas isso já sou eu a premeditar coisas!! O actor em causa transmite sem dúvida humanidade através do olhar algo perdido e incompreendido um "outcast" como ele próprio se julga. E arrepia vê-lo e pensar em Christopher Reeves por breves momentos, mesmo sabendo que aquele azul intenso mais não é que um adereço e quem sabe algum trabalhinho de pós produção..as maravilhas das novas tecnologias, tecnologias essas com a devida publicidade no belo do movie não é Samsung??!! Há uma certa névoa em toda a fita que paira não como uma sombra de um fantasma mas mais como uma brisa apaziguadora que assegura a comunhão entre enredo e espectador, algo entre tradição e pertença, entre harmonia e saudade. Lex Luthor esse vilão na pele de Kevin Spacey ou vice versa!!, é arrasador, bem como a sua fiel Cocô Chanel, interpretada pela versátil Parker Posey, tão deslumbrada e mal amada, enfim é difícil amar quem não ama. Os efeitos especiais elevam a película a voos maiores que por mais ceguinhos que estejamos deixamo-nos levitar pelas acrobacias do Super-herói moldável como um pedaço de plasticina vermelha e azul. Superman returns foi feito com o coração , demorou, custou muito, mas compensa sem dúvida,é dinheiro bem empregue num Verão impregnado (ao qual já nos habituámos) de piratas e polícias à caça de barões da droga, vestido à Boss e afins. As cores deste fim de Verão são o azul e o vermelho (deixei o preto e o cinzento para o Inverno). A vénia deve ser feita, o esforço recompensado. É tocante a dedicação final a Christopher e Dana, esses sim os verdadeiros heróis face a uma vida difícil e confusa, temida e vazia. É sempre bom recordarmo-nos e que a morte de facto pouco poder deve possuir e que em casos destes não é ela quem se deve recordar, celebremos antes a vida, essa luz que não se extingue nunca e que existe para nos apercebermos que os sonhos devem ser sempre uma realidade.

quarta-feira, agosto 02, 2006

As palavras sao como pólvora, e estas como os nossos sentimentos

...Porque não existe melhor caracteristica própria do Homem que a insatisfação, e não percebo qual o real propósito que me põe aqui neste determinado ponto do mundo.Porque é que nos sentimos únicos nesta enorme esfera, porque é que parecemos amar, e fazer do amor a nossa primordial e viva chama.. Os sentimentos alimentam aquilo a que chamamos de vida, e quanto mais intensamente sentirmos, mais sangue fazemos correr, mais gestos aprendemos, mais (enfim) vivemos. E viver mais nao é que esticar uma linha à espera que ela não rompa, viver mais não é que espreitar para lá da linha do horizonte, viver mais não é correr ate não poder mais enquanto procuramos o fim do mundo. Choro ao pensar nas estrelas, invejo-as sem se me sentir invejosa, elas que contemplam a passagem do tempo, elas cada vez mais novas e nós cada vez mais velhos, elas cada vez mais brilhantes e nós ofuscados. Parto para longe, como se fosse a primeira da última vez, parto para respirar, para invejar as estrelas, para correr, para balançar nas ondas do mar, para abraçar a brisa que com dois beijos frescos me saúda a cada manhã abençoada, que eu ignorei por tantas vezes. Basta de lamentos e coisas por dizer, basta de medos de luas assombradas e alabatrozes esfomeados, basta de pesadelos e olhos raivosos, basta...recomeça, pára, ondula, os cabelos negros ao sabor do vento, a pele macia a saber a maçã. Aquilo que sinto, faço-o hoje porque amanhã é outro dia, nova pólvora, novo sentimento, o mesmo sangue, novo tiro, novo olhar, amanha recomeço. A mala está feita, as ideias guardads, os sentimentos num baú fechado a sete chaves e perdidos no fundo do mar, revisitado pela sereia muda que os trás logo pela manhã enquanto deixo as minhas marcas na areia que o mar irá beber. Porque o mar apaga e a sereia não tem língua para contar.

domingo, julho 23, 2006

Peça

Nervos à flor da pele. A estreia que não se quer que estreie nunca. Suor em cursos de água regulares. Garganta seca com tanto para dizer. E se eu calasse para não mais falar. E se eu falasse para não mais chorar. E se eu chorasse para não mais sorrir. E se eu sorrisse para não mais esconder. E se eu escondesse para não mais encontrar. E se eu dissesse que... ...que fiz tudo dentro da carne e nada fora dela. E que cada raio de Sol despertou em mim sentimentos que eu julgara já ardidos. E que cada rajada de vento faz esvoaçar os esqueletos dos bailarinos assombrados. E se. Se eu e tu também. Eu não quis, tu não pediste. Eu não pedi, tu não quiseste. E tinha sido tudo tão fácil, agradável. Mas não, nunca foi, e nunca será. Fim do primeiro acto. Cortinas de veludo vermelho entre os amantes. Véus brancos em cascatas transparentes. Estofos azuis confundidos com a noite. E a brisa que teima em trespassar a alma, a alma doce e quente que já não te afaga. Feliz o que deixou de tentar. Infeliz o que tudo fez para se salvar. Salvação que mais não é que perdição. Corropios de sons em espiral de emoções. Palmas. O "tu" esse mudou, é tempo. O "eu" permance mudado, é tempo. Desculpa mas o protagonista teve de morrer. Tive de o matar, não não morreu de morte natural. A naturalidade da morte fui eu quem a criou. Eu não morro nunca, o meu egoísmo não o permite. Desculpa-me mais uma vez. É o espectáculo do "nós". Amanhã, começa de novo à mesma hora. Novo público, os mesmos actores, a mesma solidão. O vazio na sala cheia. Mais palmas.

quarta-feira, julho 19, 2006

Clave de Sol

Hoje fazia calor. Os raios de Sol encurralados na clave e nas linhas espaçadas milimetricamente espreitavam por entre as persianas sem licença, o ar quente bebia-se como limonada quente, os movimentos dolentes e calados...um inferno na casa. A casa é aquele lugar onde sabemos que nada nos pode acontecer, mesmo quando acontece e tudo não parece mais do que um pesadelo ou uma lembrança longíqua, ambos encurralados por entre quatro paredes brancas caiadas pela tinta da nossa imaginação.A casa é a clave de Sol no início da mais bela das melodias, é a nota apagada pelo professor que a trocou por uma semi-colcheia, por ser mais breve. Está quente, a casa queima, o meu centro de gravidade desintegra-se, a minha vontade desmotiva-me, os meus actos são irreflectidos. Verão. esse inimigo. Esse inimigo das palavras. Apagador, atenção não é corrector. Corrigir mais não é que cobrir co pasta branca aquilo que não se quer ler, não vemos mas está presente e mais tarde ou mais cedo, a camada desfaz-se em pó, e nós relembramos o quanto perdidos nos encontramos. Se apagramos está feito! Não há como voltar atrás...descobertos. Estou ciente de que o mais saudável é corrigir, como todos dizem ser o correcto, ams porque não apagar?Não seria ebm mais fácil? A resposta é não. Não nos esqueçamos que possuímos memória. Esse incansável "post-it" amarelo (ou cor de rosa) , que aquando da sua inoportuna tarefa tudo o que faz é ofuscar-nos, tornar-nos humanos. Sem nunca percebermos se alguma vez tivémos ou iremos ter a hipótese de optar, será que ser inumano é ser maldoso? Não o somso todos os dias? Não nos damos ao luxo de não sentir todos os dias. Não é sentir mais do que uma acção irrfelctida que ecoa no nosso ser cada vez mais distante? Sentir... Não me considero má, quando criança questionava-me, hoje já não o faço, hoje afirmo-o, sei-o no mais fundo da minha essência: Sou boa. E a minha maldade existe, é ela quem alimenta o meu lado bom, é a mladade que me dá força... a uns consome, a outros direcciona e aos que sobram, bem a esses dá sangue...em mim faz com que ele corra com mais força. Sou boa. Sinto-o. Ponto.

domingo, julho 09, 2006

Nevar no Verão

Busco-te na fina neblina, encontro-te por breves instantes...e eu tento mais uma vez, fujo à fera, que se esconde e ataca, e tu ris-te de mim uma outra vez. A manhã é sem dúvida uma feiticeira, a noite, a sua capa, o seu refúgio, um embuste. Já a noite é traiçoeira e nada clarividente, gosta de passear pelo labirinto da minha mente, só gosto da noite de Inverno, não gosto da de Verão, porque nem sempre me percebe, é cor a mais, som a mais, não ha possibilidade de fusão. A manhã é verdadeira, pura..eu sou a manhã...tu és a noite.Por isso fomos condenados a tocar-nos apenas por breves instantes, tu a és a capa e eu a feiticeira sem poder, tu o embuste e eu a Aurora. Os meu poderes jamais te alcançarão, já tu... fa-lo todos os dias, proteges-me magoando, dilaceras-me a carne, partes-me os ossos, contrarias-me, fazes-me feliz, obrigas-me a escrever, mas o meu nome fica...alguns segundos...dois ou três minutos, para depois se desfazer, qual lágrima no oceano dispersa no véu da memória. Dor? Não. Há muito que deixei de sentir. Tudo o que me resta são fragmentos, tinta preta, folha manchada, sentimento nobre em câmara lenta. E se algum dia eu fizesse sentido, o mínimo que fosse...por favor faz-me desistir. Vem ter comigo e mata-me sulplico-te. Costumo fugir nos meus sonhos. Sonhos? Todos os dias, costumas sonhar? É aquilo que acontece quando vivemos uma vida que não a nossa. É aquilo que acontece quando nos vemos a realizar acções inacabadas, acontece quando subimos a escadaria de uma palácio, voamos sobre uma aldeia branca, choramos ao ver o verde da relva, sentimos o tic-tac de um relógio gigante...a cidade que chama, a badalada que ecoa. Consegues ouvir? Cala-te é uma ordem!Cala-te...ela chama-me. O sonho? Tive-o quando era menina pequenina, pequenina demais para sofrer, pequenina demais para perceber o quão sábia era. Belos tempos que já não voltam. Era tão feliz sem saber, tão humana, tão quante. Agora sou carne, olhos, mãos, e tão única que eu era naquela casinha cor de rosa, banhos no rio, cantos an chuva, volta, volta que preciso de ti. Contigo? Perdida. Sem ti...inacabada, desgraçada. Sou a insatisfação, nunca serei plena, nunca durará, isso é coisa que não existe. O que há são momentos, fragmentos, cores de aguarelas, pó de giz branco...a felicidade é isso...um...e pensar que muitos se não todos morrem sem nunca perceber quando a sentiram. Ainda não a senti, se senti, sou mais uma dessas pessoas...temos tempo...sou tão frágil, até a chuva já o percebeu que já nem ela em brinda com a sua frescura.Amanhã vai nevar. Quero ser feliz para o resto da vida, o entardecer será vermelho, os pássaros pousarão no parapeito da minha jenela, a música perderá o compasso, a lua cantará de dentro da minha caixa de música, a minha sombra cobrirá a minha aura, a minha voz ultrapassará o limite do som, tu evaporarás, serás espuma azul, gumes de faca a sangrar-me as plantas dos pés, serás a bruxa má que me corta a língua e a esconde num fraco de vidro, serás a capa. Lembras-te? Noite. Manhã. Capa.Feiticeira.Neve. Aguarela. Relógio. Sonho. Tu. Eu. Tu. Eu. Tu. Eu. Tu. Eu.

terça-feira, junho 20, 2006

The New world

Mãe?? Terra.. Porque é que ele foi? Porque é que só me sinto completa com ele? Porque me sinto ele... O cheiro, o som, o zumbido, as folhagens arrastadas, os pássaros a levantar voo, o curso do rio, o ancorar da nau, o aço a cortar madeira, a doença a estragar as carnes...o silêncio, o pó...o silêncio. The New World, o novíssimo e elaboradíssimo de Terrence Malick é um festival de sensações absorvidas lenta e harmoniosamente. Fiquei completamente estarrecida com tamanha obra de arte, um verdadeiro festival natural, fruto de trabalho local, anos de produção, e mestria do realizador. De notar também o envolvimento do actores no filme, porque protagonizar O novo mundo imagino não ser uma tarefa fácil, ainda por cima quando se tem poucos diálogos e temos que dizer tudo com um simples olhar, um silmpes saudar do sol, ou um simples adeus ou ainda uma simples vénia: "Encontraste as tuas Índias?" "Acho que lhe passei ao largo." (Ela faz uma vénia digna da sociedade inglesa do século XVI e vira as costas) Palmas e palmas para a brilhante Q'Orianka Kilcher (16 anos) e eu duvido que tão cedo encontre outro trabalho em Hollywood e Christian Bale (um dos meslhores da sua geração). Já Colin Farrell nao encanta, digamsos que ele é um bom actor, não acho que não, mas que nunca chegou a evoluir, a aperfeiçoar e isso vê-se nos seus últimos trabalhos. Absolutamente fascinada foi como fiquei com esta obra, a banda sonoro é envolvente mas sem roubar o lugar e protagonismo aos sons da Natureza, Ode a James Horner por isso. E a entrada no genérico final...absolutamente divina(nao revelarei para não estragar surpresas). Mas mais do que Naturexa neste filme somos confontados com o Amor e a barreira de culturas, a barreira da língua que se vê desmistificada e insignificante, mas a transponibilidade do vazio e o silêncio...o amor parece ser feito desses dois aspectos, e quando estes são preenchidos, há como que um voltar para outros horizontes "outras Índias"...procurar outras crenças, outras razões de viver, no fundo uma morte do Amor (que é imortal) e de todas as crenças que nos rodeiam... " He has killed the God within me" No fundo The new world poderá ser uma profecia de um velho mundo, um mundo ideal, longe de tudo aquilo que repudiamos onde só pode existir um amor puro, essencial, desinteressado, comunicativo nas pegadas deixadas na terra molhada, tal como diz o capitão John Smith: "They are gentle, loving, faithful, lacking in all guile and trickery. The words denoting lying, deceit, greed, envy, slander, and forgiveness have never been heard. They have no jealousy, no sense of possesion. Real, what I thought a dream. " E o sonho começou... Os anos passaram. A morte morreu. O luto deu lugar à cor. Ele voltou...a morte voltou...ele partiu...a morte ficou. "Tudo o que nasce tem de morrer." Ela morreu. Pocahontas morreu.

domingo, maio 14, 2006

Le petit Prince

Perdido num novo mundo. Maior, perigoso, só, louco, estranho, longíquo e esquecido. E tu meu pequenino, eu só queria fazer como ele o fez, pegar-te ao colo, balançar-te, cantar-te baixinho ao ouvido, esperando a tua estrela que não partiria primeiro sem uma lágrima minha. Feliz ele que te viu no deserto, que procurou contigo um poço, e que só acreditando o encontrou, que te viu encantar uma serpente venenosa...que ilusão, tu eras o veneno dela. A mim só me resta procurar uma seara e procurar-te por entre o trigo, acariciar-te o cabelo ao sabor do vento cálido numa tarde quente de Verão, enquanto escuto os cânticos dos anciões. A mim só me resta cuidar da flor, que sendo igual a todas as outras, me cativou...e espera por mim naquela que é a sua sepultura terrena ou pela raposa que a rapte e a sepulte noutro paraíso. Meu menino adorado, foste tu quem me ensinou a viver, a amar, a perceber o que no fundo já sabia, mas esqueci, porque infelizmente nos esquecemos daquilo que de mais puro alguma vez já tivémos, aquela coisa curta, e vivida longamente, mágica, curiosa, sagrada, colorida, a cheirar a rebuçados de limão e da cor dos cogumelos vermelhos com bolas brancas. Infância. Queria casar contigo, ser a tua princezinha, viver no teu reino que nunca será teu porque nunca serás adulto, admirá-lo, coberta pela tua capa e avistá-lo por entre os teus cachos de cabelos doirados que seriam a minha luz no mais escuro dos universos. E se não voltas?...tu prometeste que vinhas. Tu vens. Eu sei. Só os adultos é que não cumprem promessas. Vai ao deserto Principezinho, ajudar a alma do aviador.

quarta-feira, maio 10, 2006

HOSPITAL

By Frida Kahlo Ao nascer lembrei-me que já havia algum tempo que não morria, curiosamente todos dizem ou pensam que morremos sem precisar de nascer (os vencidos da vida), mas o que no fundo queremos é nascer sem precisar de morrer, queremos aquilo que não podemos ter..e não é sempre assim? ...odeio aquele sítio, o cheiro, a cor, a energia mórbida da espera, as conversas vazias entre desconhecidos, porque ali o nome não é importante, apenas o autocolante colocado em local visível, e a audição em plena sintonia com a voz esganiçada do altifalante que pronunciará sim o nome, de modo seco e arrogante, como se o doente fosse culpado do mal que padece. A sala é um espectáculo triste, quase como um jogo cinzento em que tenhamos que adivinhar por onde é que a sombra da morte vai pairar... Entretanto voltei e não sei por onde queria ir, mas recordo-me enquanto vou para lá que tenho medo deste caminho, medo desta calçada e destas árvores, lembro-me do gelo na barriga que sentia ao subir a rampa ampla e barulhenta, e entrar no edificio grande e cinzento, do qual só conhecia parte, a parte que menos gostava, calma, asseada, sem alma, o corpo inerte do meu pai numa cama fina e opaca de metal, o tic-tic-tic da máquina azul com luzes verdes a piscar initerruptamente...ditando vida... a parede de borracha, o vaso com flores de plástico..dálias, vejo eu. A conversa seca e metódica do momento, com frases de circunstância e expressões de boa vontade lançadas no calor do momento. A alegria momentânea e a beleza da vida fracamente apreendida, nem pelo mais talentoso dos pintores impressionistas...apenas o helicóptero pousado no espaço que lhe era reservado aguaradando a fraqueza de mais alguma alma em sopro desistente. Há dois dias voltei lá, e senti o mesmo, repeti o sentimento por mais estranho e inexplicável que pareça (porque não acredito em sentimentos repetidos), estarei a mudar, a desistir, a chorar..................quando lá iá fazia frio e o vento reunia-se todo no meu tronco a fim de sair pelos meus olhos, no outro dia fazia calor e em vez de vento era o sol que se encolhia todo dentro de mim, senti-me queimar friamente, mas o sol não me saiu pelos olhos, está ainda aqui a queimar. Vou ser fria para ele não me magoar mais.

sexta-feira, abril 28, 2006

(entre) tanto

(Entre) tanto fico sem perceber se sou uma força do Mal ou se sou apenas uma vítima dele?... Tanto (entre) as luzes que se escondem por entre os véus da deusa obscura que não me deixa ver e adormecer, porque eu vejo em sonhos, e nós nunca daríamos certo porque eu sou muito ganaciosa e tu cioso da minha ganância, não te deixas dormir. Eu não quero dormir, apenas adormecer, não quero ser a continuidade da inexistência, os suspiros lamentosos de uma cria ensaguentada, o uivo de um vulto esbranquiçado que se esquece de soprar e vive para me ver chorar. Eu quero matar para não morrer, embora ao fazê-lo estou também eu já morta, se é que alguma vez vivi. Quero? A vontade é-me estranha, por vezes perco-a, alimento-me da dos outros, renego os sentidos e deixo-me absorver pela manifestação física do corpo. Confusão? Não. Perfeição. Na noite, a vida torna-se morte. E apraz-me, seduz-me a ideia de inexistência mantida por breves longos momentos, como se algo de dentro de mim deixasse de ser, como se o ar deixasse de me entrar nos pulmões, um sussurro, um arfar, um momento breve, longo, rápido, lento, frio, morno, um coração...qual? Um, dois, nenhum, será preciso o coração?Já ninguém o usa. O perfume intoxicante começa a fazer efeito, vejo tudo de uma cor nova, é tudo feito de um amarelo gelado...e eu voltei a abrir os olhos. Que vejo eu? Tudo. Nada.O gelo do amarelo. Que vês? Não responde. Não vê? Não quer ver. Não sinto. Não o sinto. Perdida. Entretanto volta, mas a cor essa mudou. Já não gosto dela. Tanto entre ela e eu que já me esqueci de que cor é o amarelo gelado.

segunda-feira, abril 24, 2006

Parabéns meu Anjo

E há dias em que me sinto positivamente feliz, sem medos, como se a sombra já lá fosse longe e me tivesse desprendido para eu poder enfim respirar, voar, desmaterializar! Fim do desabafo... Mas o que me leva hoje a escrever não é uma sombra, é um anjo, um anjo que como todos os anjos, caiu, mas que cedo se ergueu. Ele sabe que é um anjo, ja lho disse, mas ainda não tinha partilhado. A queda dos anjos é algo fundamental e miraculoso: um estrondo, uma cratera manifesta-se na escura e fria terra, um jacto de luz, e um homem, ja não é anjo porque as asas cairam, desintegraram-se, e voltam a nascer em breve rápida e docemente. Eu já vi um anjo a cair, mas melhor que isso, vi-o a voar, e um anjo quando voa é algo de maravilhoso, tão ou mais maravilhoso do que todas as belezas deste universo. Não chorar, não baixar os braços, lutar, lutar, é esta a mensagem que lanço ao mundo dos homens, é esta a mensagem que te deixo este dia tão feliz, que eu quero que seja feliz para ti, memorável, digno de recordação, de celebração! Oh meu anjo querido se tiveres que cair de novo, chama pela tua aurora, grita pela Humanidade, diz o que tens a dizer, esgota as tuas forças, queima as folhas de papel, lava a tua alma, anda pelo teu caminho...porque tens um mesmo à tua frente, só tens que o descobrir por entre os arvoredos. Se nada disto te apaziguar sussura-me que eu apareço, choras no meu ombro, mas por pouco tempo, porque quero ver-te sorrir, sempre, hoje, amanhã e por todos os aniversários da tua vida! **Feliz vigésimo primeiro aniversário** (a imagem escolhida não é descabida de todo)

quarta-feira, abril 19, 2006

Enquanto puder

"This is the end... my dear friend..." já dizia Jim Morrison numa das suas noites de criação, noites altas, enfumaradas e alcoolizadas, noites de inspiração, de sonhos, de voos mais altos do que aquilo que as asas muitas vezes nos permitem alcançar. Quanto mais voamos, mais vivos nos sentimos, as crias ganham essência e independência, caiem do nosso regaço, ganham forma e libertam-se de nós, é agora delas a vez de voar. Todos temos a isso direito, não nos deve ser negado, não nos deve ser tirado.Porque pior do que não ter é deixar de ter, não há nada de pior para o Homem do que ter algo, e no momento seguinte perdê-lo. O sentimento de perda é das piores coisas de que tenho ideia, escrevo por experiência própria, porque mentir e escrever não é uma combinação saudável, embora como já dissesse Pessoa:" O poeta é um fingidor", talvez no fundo não seja só o poeta aquele que finge, o poeta somos todos. Todos nós somos poetas mal ou bem, todos nós sentimos, por isso de poetas todos temos um pouco, tal como de loucos. Mas não confundamos os conceitos, o poeta é quele que sente as palavras a brotar de dentro de si, acorda de noite para apontar duas ou três linhas que se vão transformar, ou não, que ficaram guardadas como que fósseis se à espera de serem encontrados por debaixo da terra e mostrar ao mundo todo o seu esplendor. Comecei o texto com dois versos ou uma linha (consoante a métrica a adoptar) de Jim Morrison porque ele era um poeta e um louco e por ser isto não tenho dúvidas de que ele sentia (todos nós sentimos), mas Jim sentia aquilo que o mundo não o deixava espelhar. Usou a excentricidade e as modas da época (algumas que ele ditou), para revelar o seu interior, interior esse que mesmo assim se mantém preservado numa concha (outro fóssil). Jim incendiava, encadeava, renascia, bebia da vida os líquidos funestos, poetizava. E se as asas gritam "És louca!", eu respondo "Enquanto puder..."

segunda-feira, abril 17, 2006

2006 vai já no seu quarto mês e só agora surge algo de refrescante nas salas portuguesas. Spike Lee é o culpado desta proeza, diga-se de passagem porque este não é mais um filme de mindgames (obrigado Pedro por essa), de twists, e intrigas policiais.Não senhor. Inside man ou Infiltrado como preferirem é uma comédia...a meu ver com laivos de triller e joguinhos(psicológicos...).Comédia porque não esxiste um diálogo nesta obra que não seja inteligente, não existe um diálogo que não nos faça rir, e não há um diálogo que não seja provavelmente indicador de algo. O mesmo se aplica a cenas, acções (por mais pequenas que sejam), cenários, pormenores, enfim tudo o que se possa imaginar. A cena de abertura é genial e de facto está lá tudo, claro que o público (que nunca é estúpido) só se apercebe disso no fim, ao som da voz de Clive Owen (voz colocada e calma como convém a um assaltante de bancos) que se repete mas agora com uma linha de entendimento que o público (aquele que não é estúpido) já pode seguir e fá-lo inevitavelmente. É sem dúvida um filme de interpretações, o incontornável Denzel Washington brilha inescapavelmente nesta obra, ofuscado em momento pelo não menos brilhante Clive Owen e pela sempre correcta e implacável Jodie Foster (como lhe ficam bem papéis de Senhora poderosa!), ah e Christopher Plummer embora um pouco "apagado" também dá as suas cartadas. Ainda relativamnete ao elenco uma pequeno achega...num papel secundariozíssimo temos Willem Daffoe...mas porque é que sempre que eu vejo este homem o imagino com uma coroa de espinhos??!! Mas deixando esta parte de lado, falemos de música de fundo, a película brilha magestralmente aos acordes de sons meio árabes e hip-hop (uma misturada que resulta na perfeição), contrastados com sons "à la Hollywood" de suspense. O tema de fundo que à partida é um assalto, à partida repito, tarnsforma-se numa incursão numa América (ainda) pós 11 de Setembro "we never forget", movida por forças exteriores a ela e que sobrevive graças a elas, essas forças são pessoas diferentes, mas pessoas que podem ser ladrões ou reféns...e as canetas podem ser preciosas durante 30 minutos.... Uma reflexão sobre os conflitos raciais de um país que os promove recriminado-os e os recrimina promovendo-os..uma e outra não são a mesma coisa! Ah e não esquecer que profissionais de alta qualidade e que escolhem cuidadosamente as palavras que usam, só abandonam o local de trabalho quando o trabalho está feito.Done.

sábado, abril 15, 2006

A beleza ao nascer do dia

...e eu não me lembro do meu nome. Vivo porque escuto o bater do coração, essa preciosíssima caixa de música (in)quebrável, essa melodia para ouvidos meus, essa calma... ...e eu não... E o rio segue o caminho lenta e sanguinariamente, enquanto rasga a terra profunda e esquecida. E eu sigo o rio por pensar que ele me leva onde quero ir, mas não...ele sem querer sabe para onde vai, eu querendo não sei para onde sou levada. Quero ser vermelho e banhar de sangue as caras feias do mundo, incomodar as almas dos melévolos, aliviar a dor dos que sofrem em silêncio(porque em silêncio não se faz sofrer mais ninguém). ... me lembro do meu nome... Quero ser como ela, morrer a tempo de me ver (re) nascer, quero arder...melhor quero que me vejam arder e (re) erguer-me das cinzas ardidas que alguma coisa purificaram. Quero ser tela, sentir o artista a vislumbrar-me por entre as linhas do pano branco, ver-me em noites acordado porque o enfeitiço, o confundo, o transtorno, o satisfaço. Quero ser manhã e amanhecer na beleza dos sentidos, na exactidão dos raios de Sol, no amarelo da aguarela que ao se misturar com água se amantiza com o toque e se esvai sofregamente. Quero esgotar-me, sentir exaustão, e continuar porque esgotamento e exaustão acalmam. ...e eu não me lembro do meu... Esquecer.Esquecido. Esquecimento.Esquecida.Esquecidamente. ...nome...que chamam, que não é meu, que não sou eu, que sou outro que choro por dentro (em silêncio)...porque toda a beleza tem um fim.

domingo, abril 09, 2006

Operação coelhinho da Páscoa (continuação)

- Daqui gatinha do matagal escuto! - Branca de neve agente 277 escuto. Aguardo coordenadas superiores para começar a busca, escuto. - As coordenadas são: descida de rampa a velocidade bastante moderada a fim de visualizar o veículo suspeito de matrícula shsksskshssksksdhh.... (interferencia) - Escuto, mensagem mal recebida, abortar missão? - Abortar missão (era então não era?), fora de questão, as ordens foram bem claras, procurar até à exaustão, não vá o suspeito contactar com o inimigo, escuto. - Escuto, fico então a aguradar novas coordenadas, só mudo de turno às 4 da manhã até lá há muitos mapas a analisar e situações a prever, over and out. À vontade, gatinha do matagal agente 278, over and out!

sábado, abril 08, 2006

"...a tua alma alegre que patina no meu vapor..."

Existem dias que nascem só para nos enriquecerem, ontem fui muito rica para a cama(que de si não é nada de especial: apenas o facto de ser a minha cama). Sabia lá eu que o encontro com uma pessoa (conhecida há tantas eternidades, que relógios comprados não serviam para contar todos os segundos), ela emprestou-me um livro que a partir de agora fica retido na minha memória por todo o devir, a obra chama-se No dia em fugimos tu não estavas em casa da autoria de Fernando Alvim...esse Senhor! Sempre engracei com o rapaz, com o seu humor fora dos parâmetros, o seu cabelo algo desalinhado e estranho (convenhamos), as suas piadas que parecm fugir aos cânones do bom gosto mas que intimamente fazem rir o nosso âmago, mas desconhecia redondamente, ou será quadradamente(?) esta sua faceta pura e vivida. "Quero que saibas que a minha paixão por ti é orfã de pai e de mãe mas vive feliz na casa do Gaiato." F. Alvim Ai pessoa que me deu o livro a ler...Bem hajas, apetece-me dizer-te mil e duas coisas mas as palavras às vezes são assim marotas e parecem ter vontade própria fugindo da ponta dos nossos dedos escondendo-se nas membranas dos hemisférios do nosso cérebro...há que aguardá-las e zás usá-las e usá-las, sim porque não acredito em escrita por pré esquematização, a escrita surge, do nada e do tudo, podemos sentar-nos à frente de uma folha branca sem ideia alguma, e no segundo que se segue imediatamente, termos tantas ideias capazes de nos dar uma valente senhora dor de cabeça, e aí é mau, é árduo conciliar beleza a organização...quando isso acontece é respirar fundo e contrariar as palavras, fazermo-nos de difíceis e saber dizer "Não!"...elas gostam disso!!(private joke) Claro que não podia deixar de mencionar os 2 Cd's desse filósofo optimista céptico dos nossos tempos...ouvir aquilo que já sabemos em composições haroniosas ritmadas e esgalhadas (adoro esta palavra) com rimas e vogais que só um Deus musical poderia criar! Sim ele é um Deus! Mais uma vez o meu muito obrigada. Tu minha linda pessoa, és isso mesmo linda, forte e senhora de sim mesmo, tens planos, sonhos, medos e manias, tudo isto faz de ti um ser único (ok cada ser humano é único) mas a tua unicidade não se resume a caracteristicas estereotipadas que nos habituamos a realizar mentalmente e a escrever mecanicamente nos profile comments do Hi 5..do you know what I mean?? Se agora é um momento menos bom, o que acho que está verdaeiramente no final dos seus dias, "enquanto houver estrada para andar", tu só tens que seguir um caminho seja ele qual for,"...sempre em frente não se pode ir muito longe..." seja qual for o resultado que daí nasça, pensa assim: tudo tem um propósito(cada dia penso e acredito mais nisso), talvez tenhas algo de grandioso à tua espera, aqui ou ali, ali ou acolá, se tiver que ser lá a vida encaminhar-se-á de te lá levar, tal como o vento leva o pólen de uma flor para a outra sem fazer qualquer tipo de perguntas sobre a paternidade do rebento ou sequer se ele tem condições para a sustentar! O vento sabe por onde seguir, ninguém lhe diz nada, tu não precisas que ninguém te diga nada, segue, faz isso...já diz o outro "viver todos os dias cansa", se o faz é porque não vive, limita-se a estar e isso cansa porque não te chega! (citações de Fernando Alvim, Jorge Palma, Pedro Paixão e Saint Exupèry)

segunda-feira, abril 03, 2006

Paragem no tempo

...o som ritmado ao compasso do bater do coração que bate, bate, cada ves mais e mais depressa. Conegues ouvi-lo? Retém a respiração, retém, retém...suspira, o olhar que se se fecha, o movimento que se repete, o rodopio de luzes apagadas, pára. Recomeça e pára, esvai-se e pára de novo. O cheiro que se entranha na pele como se dela nunca tivesse saído e que teima em não desaparecer, o cheiro que fica e que recorda...ah como o faz tão bem. O toque pausado, e suave, que se contrai e foge, escorre e harmoniza. ...eu sei que voo para cair, e que caio para voar, que me calo para cantar, que canto para me calar ( canto quando estou feliz, e estou feliz quando canto), espero para ter, e tenho para esperar, ouço para (re) agir, e (re)ajo para ouvir, dou para receber, e recebo para dar, dou para ver a felicidade nos olhos do outro e saber que sim, ele sopra-me nas pálpebras no vazio( private joke, can't help it)...e saber, tenho um plano maior do que viver. ...o início, é bom começar pelo início, parece já tão longíquo...tão vago, tão bem amado... ...os planos, as horas, os minutos, os segundos...tic-tac,tic-tac..já nenhum efeito tem. ...o meio, o momento, a adoração, a alegria da hora chegada, o silêncio que tudo diz... ...o azul do céu e do mar, a inconstância do corpo, a calma aparente, o respeito, o valor... ...o fim, não até nunca mais, e pensar... Não quero pensar, quero ficar inconsciente, quero que este seja o último dia em que penso, ou pelo menos o último em que ultimo este penasamento. Confusão? Algo entre... Entre algo... Acreditar... Eu acredito, sim todos os dias, ao entrar em casa.

domingo, março 26, 2006

J

E já não tenho palavras, porque o silêncio impera. Porque eu não temo o silêncio porque contigo o silêncio é o tudo, depois de roubadas as palavras, que não digo porque só as sinto a invadirem-me o coração quente. E foste tu quem fez isso. E és tu quem eu quero que mo faça. E serás tu, só tu. "...Strong hold on his affections, were to him A pleasure feeling of blind love, The pleasure which there is in life itself. "...The evening star"...More from instinctive tenderness, the same fond spirit that blindly works in the blood of all... "...From the Boy there came Feelings and emanations- things which were Light to the sun and music to the wind." William Wordsworth, Michael (adaptado a ti)

domingo, março 12, 2006

Aurora no crepúsculo

E os primeiros raios de Sol escorrem por entre o fino véu de água que me cobre os olhos. Não estranho a ausência da felicidade, estranho-a quando a sinto, porque por mais que a queira ela obriga-me a flutuar no futuro, como seu eu soubesse secreta e ocultamente que lá acaba e que se vai rir de mim por pensar que não, porque todos pensamos que não. Isto é tao real. Quando estou infeliz sou a primeira a perguntar "Porquê?", mas quando feliz é o meu estado de alma, não me recordo de me questionar a mim ou o que quer que seja, o porquê...o Homem é tão inexplicavelmente explicável. Nao deveríamos ser o grande segredo da humanidade. O cofre da vida, a questão inquestionável, a prisão num Hades imaginado? Talvez não. O Homem é simples...demasiadamente simples, ele não se considera, mas é. A complicação descende da nossa mente, essa cortina de veludo vermelho que insiste em nos obrigar a viver num mundo que não percebemos, porque somo nós que o criamos, somos nós que o complicamos e somos nós que nos escondemos por entre as cortinas, enviando apenas mensagens indecifráveis para quem as quiser ouvir, quem as quiser decifrar...quem as quiser esquecer. Hoje sou feliz, por quanto tempo não sei. Sigo as passadas da minha sombra que inadvertidamente caminha à minha fente antecipando todos os meus movimentos. Tudo é mais fácil quando temos uma sombra, tudo é mais fácil quando somos só nós, e a nossa sombra. Hoje tenho sombra. Hoje é um dia feliz, amanhã espero ao acordar, vê-la sentada ao meu lado a contemplar-me, qual deusa do Olimpo no seu trono branco a coroar heróis com coroas de folha de oliveira. E eu fujo da Terra, Como se não houvesse mais Fogo Como se não houvesse mais Ar Como se não houvesse mais Água Como se não houvesses mais Tu. Obrigada, por saber que um dia pararei de fugir.