quinta-feira, agosto 24, 2006

Jack Sparrow and the horizon he brought us

Neste que é um Verão como outro qualquer, quente, pegajoso, abafado, enfadonho e inundado, nao por água, mas por obras de arte dirigidas a um público devorador de pipocas doces e salgadas...que é tão digno e merecedor de respeito como aquele que as não ingere por "preferir prestar toda a sua atenção à fita pela qual pagou alguns euros" e porque comer pipocas não é "in" ou whathever, os blockbusters aqui estão sentadinhos à nossa frente:Os piratas estão de volta!!! Mais aventuras, lucros para a Disney, e humor gerado do bom desempenho dos actores que se divertem à fartasana a fazê-lo. Abram alas ao Johnny! Johnny!! Este sim é um grande Senhor. Um génio para muitos, e continua a ser, porque convenhamos...só um génio para convencer Marlon Brando a fazer "O bravo"!!, para mim um homem que devia ser idolatrado qual Che, era de valor ver a cara dele estampada em tudo o que é t-shirt e afins expostos com orgulho e pompa! É a partir dele que os piratas ganham vida, aliás a vida no filme nasce do sangue que este actor doa durante as 2 horas e 40 minutos, um pouco longo não? Esta é a meu ver a falha e bónus do filme, falha porque as cenas prolongam-se demasiado, desencadeando estórias paralelas até certo ponto, mas não durante muito tempo, já que a sua intersecção está sempre eminente, e estórias essas que por vezes podem demorar a fazer todo o sentido ao espectador, mas isso é uma questão sobre a qual não me vou alongar já que é só a minha opinião e talvez neste dia os meu neurónios não estivessem ao nível máximo das suas capacidades já de si limitadas.O bónus, bem os fãs gostam de tudo, e quanto mais tempo para se deixarem levar no espírito dos mares e dos bandidos, melhor! Mas o grande problema do filme, o único veradeiramente falando, é o facto deste não ser o primeiro, não cheira a novidade, Os piratas das Caraíbas lavou a alma aos filmes do género, este não lava, apenas passa por água, e por mais extraordinário que seja, por mais (ainda mais) emocionante e por mais alta que seja a fasquia, não é o primeiro. Para se perceber melhor digamos que, a interpretação de Johnny Depp é tao ou melhor como no primeiro filme, a diferença é que destra vez ele não vai ser nomeado a Óscar..acho que me faço entender! De assombro é o universo recriado, as maravilhas das novas tecnólogias no que toca à personagem de Davi Jones e respectiva tripulação, bem como o espaço variado e complexo no qual a trama se desenvolve. A surpresa do (re) aparecimento de personagens que vêm remeter para o pasasdo e para o futuro...o drama amoroso que se adensa, mas repito a minha opinião quanto a mr Bloom, ele ainda não é leading man, ainda terá que "crescer" pelo menos por enquanto, falta qualquer coisa para ser aquilo que ele pode vir a ser, a fama e o poder que este franchise lhe trouxe, a ele e a Keira, trarão os seus frutos, mas a seu tempo. Por isso, 3 cheers para os piratas: 1 porque voltaram 2 porque voltam para o ano, e 3 porque não vai haver o 4( que é o novo preto, pois tanto Indiana Jones e Die Hard estão confirmados e talvez Missão Impossível, isto claro se entretanto o Tom Cruise quiser casar com a Katie Holmes!!))

quarta-feira, agosto 23, 2006

(TA)VIRAr da página prateada

Fugir do mundo, é conquista árdua. Partir para longe é louvável, mas resta sempre algo de nós, de esperança, de sonho, de espuma, uma acendelha à espera de um sopro que teima em arder. E eu fugi nas asas de um pássaro terrestre, veloz e de voo firme que contemplava a minha tristeza cansada, o meu alívio solitário na companhia dos outros... e ouvir o som das asas que balançam. Os dias passaram: quentes, frios, chuvosos, com ou sem vento, com ou sem gaivotas assassinas. Campismo selvagem porque não? Há tentos que fazem mentalizados, convictos...a minha convicção nasceu da força da circunstância...o improviso faz maravilhas, e a mim ofereceu-me o céu estrelado, todo e inteiro, que me beijou os olhos ensonados e me deixou entregar nas delícias dos sonhos encantados, queimando tempo. Seguiram-se mais dias, silêncios, palavras, sorrisos, caminhos trespasasdos por espadas do passado capazes de desmoronar baralhos de cartas que são mais, muito mais do que um jogo. Falou-se, escutou-se, falou-se, aconselhou-se, desafiou-se, desentedeu-se? Enquanto houver confiança. O tempo que passou num ápice, assim é quando se gosta verdadeiramente, quando se reina sem poder concedido pelos deuses e crucifixos. E no último dia , na manhã do farol ouvi o silêncio do mar, escutei o que ele tinha para me dizer, o segredo murmurado que vem por debaixo do chão. Canção incessante que do azul se faz prata, que me ensurdeceu, cegou, calou, e os ossos das mãos que congelaram, nessa manhã de brisa fina. E sabes o que te digo??: Luta. Se perderes. Luta mais. Sangra, se for preciso, dá o teu sangue a beber à vampira que dele precisa sem saber. E se morrer, mais vale uma boa morte que uma não vida. Não queiras pouco, exige tudo, porque tudo é o que a vida exige de ti e ela escorre como lava apressada, e nós não ficamos senão, na memória dos outros enquanto a também eles, ela não faltar. Eu vou lutar, qual guerreira revigorada, qual dama afortunada sem o saber, qual mulher que arde num fogo intenso, e se perder..ou morrer, a memória ( a dos outros) manter-me-à viva, ou pelo menos não morta.

segunda-feira, agosto 21, 2006

And "He" returned (finally)

Foi com agrado que vi regressar o extraterrestre mais querido do mundo do cinema (logo atrás do E.T, pois claro). O responsável por esta experiência extremamente dedicada e humana é Brian Singer, que após muitas voltas e reviravoltas conseguiu fazer renascer das cinzas mais um grande franchise...é agora ver t- shirts com um "S" estampado tamanho XL, por essa Lisboa fora, enfim mais super heróis por esse mudo. Facilmente se percebe a razão pela qual a crítica se mantém tão favorável ao eterno Kal-El, enquanto que as bilheteiras se mostram um pouco mais reticentes, pelo menos da parte norte americana. É que quem está à espera de assistir a lutas desenfreadas, entre bons e maus da fita, amores de novela extraídas do sex appeal dos actores, e clichês dignos do livro "as mais bonitas frases do mundo", bem pode tirar o cavalinho da chuva...mas é que bem pode mesmo. A nível de frases, vá, deixamos passar as palavras de Marlon Brando no papel de de pai de Kal El, frases paternais essas repetidas pelo próprio herói mais lá para o final ad pélícula! Sexo não há. Acção também não. Resultado: menos vendas. O máximo que se vê é Kal El a ser sovado como nunca, depois de exposto ao seu pior inimigo natural, e mais não conto. Brandon Routh , tem talento e seguramente um futuro no mundo cinematográfico, é carismático e expressivo tanto como Clark Kent ou Kal El, fazendo mesmo pensar num possível James Dean (sem um final trágico e precoce rezemos) dos nossos dias, mas isso já sou eu a premeditar coisas!! O actor em causa transmite sem dúvida humanidade através do olhar algo perdido e incompreendido um "outcast" como ele próprio se julga. E arrepia vê-lo e pensar em Christopher Reeves por breves momentos, mesmo sabendo que aquele azul intenso mais não é que um adereço e quem sabe algum trabalhinho de pós produção..as maravilhas das novas tecnologias, tecnologias essas com a devida publicidade no belo do movie não é Samsung??!! Há uma certa névoa em toda a fita que paira não como uma sombra de um fantasma mas mais como uma brisa apaziguadora que assegura a comunhão entre enredo e espectador, algo entre tradição e pertença, entre harmonia e saudade. Lex Luthor esse vilão na pele de Kevin Spacey ou vice versa!!, é arrasador, bem como a sua fiel Cocô Chanel, interpretada pela versátil Parker Posey, tão deslumbrada e mal amada, enfim é difícil amar quem não ama. Os efeitos especiais elevam a película a voos maiores que por mais ceguinhos que estejamos deixamo-nos levitar pelas acrobacias do Super-herói moldável como um pedaço de plasticina vermelha e azul. Superman returns foi feito com o coração , demorou, custou muito, mas compensa sem dúvida,é dinheiro bem empregue num Verão impregnado (ao qual já nos habituámos) de piratas e polícias à caça de barões da droga, vestido à Boss e afins. As cores deste fim de Verão são o azul e o vermelho (deixei o preto e o cinzento para o Inverno). A vénia deve ser feita, o esforço recompensado. É tocante a dedicação final a Christopher e Dana, esses sim os verdadeiros heróis face a uma vida difícil e confusa, temida e vazia. É sempre bom recordarmo-nos e que a morte de facto pouco poder deve possuir e que em casos destes não é ela quem se deve recordar, celebremos antes a vida, essa luz que não se extingue nunca e que existe para nos apercebermos que os sonhos devem ser sempre uma realidade.

quarta-feira, agosto 02, 2006

As palavras sao como pólvora, e estas como os nossos sentimentos

...Porque não existe melhor caracteristica própria do Homem que a insatisfação, e não percebo qual o real propósito que me põe aqui neste determinado ponto do mundo.Porque é que nos sentimos únicos nesta enorme esfera, porque é que parecemos amar, e fazer do amor a nossa primordial e viva chama.. Os sentimentos alimentam aquilo a que chamamos de vida, e quanto mais intensamente sentirmos, mais sangue fazemos correr, mais gestos aprendemos, mais (enfim) vivemos. E viver mais nao é que esticar uma linha à espera que ela não rompa, viver mais não é que espreitar para lá da linha do horizonte, viver mais não é correr ate não poder mais enquanto procuramos o fim do mundo. Choro ao pensar nas estrelas, invejo-as sem se me sentir invejosa, elas que contemplam a passagem do tempo, elas cada vez mais novas e nós cada vez mais velhos, elas cada vez mais brilhantes e nós ofuscados. Parto para longe, como se fosse a primeira da última vez, parto para respirar, para invejar as estrelas, para correr, para balançar nas ondas do mar, para abraçar a brisa que com dois beijos frescos me saúda a cada manhã abençoada, que eu ignorei por tantas vezes. Basta de lamentos e coisas por dizer, basta de medos de luas assombradas e alabatrozes esfomeados, basta de pesadelos e olhos raivosos, basta...recomeça, pára, ondula, os cabelos negros ao sabor do vento, a pele macia a saber a maçã. Aquilo que sinto, faço-o hoje porque amanhã é outro dia, nova pólvora, novo sentimento, o mesmo sangue, novo tiro, novo olhar, amanha recomeço. A mala está feita, as ideias guardads, os sentimentos num baú fechado a sete chaves e perdidos no fundo do mar, revisitado pela sereia muda que os trás logo pela manhã enquanto deixo as minhas marcas na areia que o mar irá beber. Porque o mar apaga e a sereia não tem língua para contar.

domingo, julho 23, 2006

Peça

Nervos à flor da pele. A estreia que não se quer que estreie nunca. Suor em cursos de água regulares. Garganta seca com tanto para dizer. E se eu calasse para não mais falar. E se eu falasse para não mais chorar. E se eu chorasse para não mais sorrir. E se eu sorrisse para não mais esconder. E se eu escondesse para não mais encontrar. E se eu dissesse que... ...que fiz tudo dentro da carne e nada fora dela. E que cada raio de Sol despertou em mim sentimentos que eu julgara já ardidos. E que cada rajada de vento faz esvoaçar os esqueletos dos bailarinos assombrados. E se. Se eu e tu também. Eu não quis, tu não pediste. Eu não pedi, tu não quiseste. E tinha sido tudo tão fácil, agradável. Mas não, nunca foi, e nunca será. Fim do primeiro acto. Cortinas de veludo vermelho entre os amantes. Véus brancos em cascatas transparentes. Estofos azuis confundidos com a noite. E a brisa que teima em trespassar a alma, a alma doce e quente que já não te afaga. Feliz o que deixou de tentar. Infeliz o que tudo fez para se salvar. Salvação que mais não é que perdição. Corropios de sons em espiral de emoções. Palmas. O "tu" esse mudou, é tempo. O "eu" permance mudado, é tempo. Desculpa mas o protagonista teve de morrer. Tive de o matar, não não morreu de morte natural. A naturalidade da morte fui eu quem a criou. Eu não morro nunca, o meu egoísmo não o permite. Desculpa-me mais uma vez. É o espectáculo do "nós". Amanhã, começa de novo à mesma hora. Novo público, os mesmos actores, a mesma solidão. O vazio na sala cheia. Mais palmas.

quarta-feira, julho 19, 2006

Clave de Sol

Hoje fazia calor. Os raios de Sol encurralados na clave e nas linhas espaçadas milimetricamente espreitavam por entre as persianas sem licença, o ar quente bebia-se como limonada quente, os movimentos dolentes e calados...um inferno na casa. A casa é aquele lugar onde sabemos que nada nos pode acontecer, mesmo quando acontece e tudo não parece mais do que um pesadelo ou uma lembrança longíqua, ambos encurralados por entre quatro paredes brancas caiadas pela tinta da nossa imaginação.A casa é a clave de Sol no início da mais bela das melodias, é a nota apagada pelo professor que a trocou por uma semi-colcheia, por ser mais breve. Está quente, a casa queima, o meu centro de gravidade desintegra-se, a minha vontade desmotiva-me, os meus actos são irreflectidos. Verão. esse inimigo. Esse inimigo das palavras. Apagador, atenção não é corrector. Corrigir mais não é que cobrir co pasta branca aquilo que não se quer ler, não vemos mas está presente e mais tarde ou mais cedo, a camada desfaz-se em pó, e nós relembramos o quanto perdidos nos encontramos. Se apagramos está feito! Não há como voltar atrás...descobertos. Estou ciente de que o mais saudável é corrigir, como todos dizem ser o correcto, ams porque não apagar?Não seria ebm mais fácil? A resposta é não. Não nos esqueçamos que possuímos memória. Esse incansável "post-it" amarelo (ou cor de rosa) , que aquando da sua inoportuna tarefa tudo o que faz é ofuscar-nos, tornar-nos humanos. Sem nunca percebermos se alguma vez tivémos ou iremos ter a hipótese de optar, será que ser inumano é ser maldoso? Não o somso todos os dias? Não nos damos ao luxo de não sentir todos os dias. Não é sentir mais do que uma acção irrfelctida que ecoa no nosso ser cada vez mais distante? Sentir... Não me considero má, quando criança questionava-me, hoje já não o faço, hoje afirmo-o, sei-o no mais fundo da minha essência: Sou boa. E a minha maldade existe, é ela quem alimenta o meu lado bom, é a mladade que me dá força... a uns consome, a outros direcciona e aos que sobram, bem a esses dá sangue...em mim faz com que ele corra com mais força. Sou boa. Sinto-o. Ponto.

domingo, julho 09, 2006

Nevar no Verão

Busco-te na fina neblina, encontro-te por breves instantes...e eu tento mais uma vez, fujo à fera, que se esconde e ataca, e tu ris-te de mim uma outra vez. A manhã é sem dúvida uma feiticeira, a noite, a sua capa, o seu refúgio, um embuste. Já a noite é traiçoeira e nada clarividente, gosta de passear pelo labirinto da minha mente, só gosto da noite de Inverno, não gosto da de Verão, porque nem sempre me percebe, é cor a mais, som a mais, não ha possibilidade de fusão. A manhã é verdadeira, pura..eu sou a manhã...tu és a noite.Por isso fomos condenados a tocar-nos apenas por breves instantes, tu a és a capa e eu a feiticeira sem poder, tu o embuste e eu a Aurora. Os meu poderes jamais te alcançarão, já tu... fa-lo todos os dias, proteges-me magoando, dilaceras-me a carne, partes-me os ossos, contrarias-me, fazes-me feliz, obrigas-me a escrever, mas o meu nome fica...alguns segundos...dois ou três minutos, para depois se desfazer, qual lágrima no oceano dispersa no véu da memória. Dor? Não. Há muito que deixei de sentir. Tudo o que me resta são fragmentos, tinta preta, folha manchada, sentimento nobre em câmara lenta. E se algum dia eu fizesse sentido, o mínimo que fosse...por favor faz-me desistir. Vem ter comigo e mata-me sulplico-te. Costumo fugir nos meus sonhos. Sonhos? Todos os dias, costumas sonhar? É aquilo que acontece quando vivemos uma vida que não a nossa. É aquilo que acontece quando nos vemos a realizar acções inacabadas, acontece quando subimos a escadaria de uma palácio, voamos sobre uma aldeia branca, choramos ao ver o verde da relva, sentimos o tic-tac de um relógio gigante...a cidade que chama, a badalada que ecoa. Consegues ouvir? Cala-te é uma ordem!Cala-te...ela chama-me. O sonho? Tive-o quando era menina pequenina, pequenina demais para sofrer, pequenina demais para perceber o quão sábia era. Belos tempos que já não voltam. Era tão feliz sem saber, tão humana, tão quante. Agora sou carne, olhos, mãos, e tão única que eu era naquela casinha cor de rosa, banhos no rio, cantos an chuva, volta, volta que preciso de ti. Contigo? Perdida. Sem ti...inacabada, desgraçada. Sou a insatisfação, nunca serei plena, nunca durará, isso é coisa que não existe. O que há são momentos, fragmentos, cores de aguarelas, pó de giz branco...a felicidade é isso...um...e pensar que muitos se não todos morrem sem nunca perceber quando a sentiram. Ainda não a senti, se senti, sou mais uma dessas pessoas...temos tempo...sou tão frágil, até a chuva já o percebeu que já nem ela em brinda com a sua frescura.Amanhã vai nevar. Quero ser feliz para o resto da vida, o entardecer será vermelho, os pássaros pousarão no parapeito da minha jenela, a música perderá o compasso, a lua cantará de dentro da minha caixa de música, a minha sombra cobrirá a minha aura, a minha voz ultrapassará o limite do som, tu evaporarás, serás espuma azul, gumes de faca a sangrar-me as plantas dos pés, serás a bruxa má que me corta a língua e a esconde num fraco de vidro, serás a capa. Lembras-te? Noite. Manhã. Capa.Feiticeira.Neve. Aguarela. Relógio. Sonho. Tu. Eu. Tu. Eu. Tu. Eu. Tu. Eu.

terça-feira, junho 20, 2006

The New world

Mãe?? Terra.. Porque é que ele foi? Porque é que só me sinto completa com ele? Porque me sinto ele... O cheiro, o som, o zumbido, as folhagens arrastadas, os pássaros a levantar voo, o curso do rio, o ancorar da nau, o aço a cortar madeira, a doença a estragar as carnes...o silêncio, o pó...o silêncio. The New World, o novíssimo e elaboradíssimo de Terrence Malick é um festival de sensações absorvidas lenta e harmoniosamente. Fiquei completamente estarrecida com tamanha obra de arte, um verdadeiro festival natural, fruto de trabalho local, anos de produção, e mestria do realizador. De notar também o envolvimento do actores no filme, porque protagonizar O novo mundo imagino não ser uma tarefa fácil, ainda por cima quando se tem poucos diálogos e temos que dizer tudo com um simples olhar, um silmpes saudar do sol, ou um simples adeus ou ainda uma simples vénia: "Encontraste as tuas Índias?" "Acho que lhe passei ao largo." (Ela faz uma vénia digna da sociedade inglesa do século XVI e vira as costas) Palmas e palmas para a brilhante Q'Orianka Kilcher (16 anos) e eu duvido que tão cedo encontre outro trabalho em Hollywood e Christian Bale (um dos meslhores da sua geração). Já Colin Farrell nao encanta, digamsos que ele é um bom actor, não acho que não, mas que nunca chegou a evoluir, a aperfeiçoar e isso vê-se nos seus últimos trabalhos. Absolutamente fascinada foi como fiquei com esta obra, a banda sonoro é envolvente mas sem roubar o lugar e protagonismo aos sons da Natureza, Ode a James Horner por isso. E a entrada no genérico final...absolutamente divina(nao revelarei para não estragar surpresas). Mas mais do que Naturexa neste filme somos confontados com o Amor e a barreira de culturas, a barreira da língua que se vê desmistificada e insignificante, mas a transponibilidade do vazio e o silêncio...o amor parece ser feito desses dois aspectos, e quando estes são preenchidos, há como que um voltar para outros horizontes "outras Índias"...procurar outras crenças, outras razões de viver, no fundo uma morte do Amor (que é imortal) e de todas as crenças que nos rodeiam... " He has killed the God within me" No fundo The new world poderá ser uma profecia de um velho mundo, um mundo ideal, longe de tudo aquilo que repudiamos onde só pode existir um amor puro, essencial, desinteressado, comunicativo nas pegadas deixadas na terra molhada, tal como diz o capitão John Smith: "They are gentle, loving, faithful, lacking in all guile and trickery. The words denoting lying, deceit, greed, envy, slander, and forgiveness have never been heard. They have no jealousy, no sense of possesion. Real, what I thought a dream. " E o sonho começou... Os anos passaram. A morte morreu. O luto deu lugar à cor. Ele voltou...a morte voltou...ele partiu...a morte ficou. "Tudo o que nasce tem de morrer." Ela morreu. Pocahontas morreu.

domingo, maio 14, 2006

Le petit Prince

Perdido num novo mundo. Maior, perigoso, só, louco, estranho, longíquo e esquecido. E tu meu pequenino, eu só queria fazer como ele o fez, pegar-te ao colo, balançar-te, cantar-te baixinho ao ouvido, esperando a tua estrela que não partiria primeiro sem uma lágrima minha. Feliz ele que te viu no deserto, que procurou contigo um poço, e que só acreditando o encontrou, que te viu encantar uma serpente venenosa...que ilusão, tu eras o veneno dela. A mim só me resta procurar uma seara e procurar-te por entre o trigo, acariciar-te o cabelo ao sabor do vento cálido numa tarde quente de Verão, enquanto escuto os cânticos dos anciões. A mim só me resta cuidar da flor, que sendo igual a todas as outras, me cativou...e espera por mim naquela que é a sua sepultura terrena ou pela raposa que a rapte e a sepulte noutro paraíso. Meu menino adorado, foste tu quem me ensinou a viver, a amar, a perceber o que no fundo já sabia, mas esqueci, porque infelizmente nos esquecemos daquilo que de mais puro alguma vez já tivémos, aquela coisa curta, e vivida longamente, mágica, curiosa, sagrada, colorida, a cheirar a rebuçados de limão e da cor dos cogumelos vermelhos com bolas brancas. Infância. Queria casar contigo, ser a tua princezinha, viver no teu reino que nunca será teu porque nunca serás adulto, admirá-lo, coberta pela tua capa e avistá-lo por entre os teus cachos de cabelos doirados que seriam a minha luz no mais escuro dos universos. E se não voltas?...tu prometeste que vinhas. Tu vens. Eu sei. Só os adultos é que não cumprem promessas. Vai ao deserto Principezinho, ajudar a alma do aviador.

quarta-feira, maio 10, 2006

HOSPITAL

By Frida Kahlo Ao nascer lembrei-me que já havia algum tempo que não morria, curiosamente todos dizem ou pensam que morremos sem precisar de nascer (os vencidos da vida), mas o que no fundo queremos é nascer sem precisar de morrer, queremos aquilo que não podemos ter..e não é sempre assim? ...odeio aquele sítio, o cheiro, a cor, a energia mórbida da espera, as conversas vazias entre desconhecidos, porque ali o nome não é importante, apenas o autocolante colocado em local visível, e a audição em plena sintonia com a voz esganiçada do altifalante que pronunciará sim o nome, de modo seco e arrogante, como se o doente fosse culpado do mal que padece. A sala é um espectáculo triste, quase como um jogo cinzento em que tenhamos que adivinhar por onde é que a sombra da morte vai pairar... Entretanto voltei e não sei por onde queria ir, mas recordo-me enquanto vou para lá que tenho medo deste caminho, medo desta calçada e destas árvores, lembro-me do gelo na barriga que sentia ao subir a rampa ampla e barulhenta, e entrar no edificio grande e cinzento, do qual só conhecia parte, a parte que menos gostava, calma, asseada, sem alma, o corpo inerte do meu pai numa cama fina e opaca de metal, o tic-tic-tic da máquina azul com luzes verdes a piscar initerruptamente...ditando vida... a parede de borracha, o vaso com flores de plástico..dálias, vejo eu. A conversa seca e metódica do momento, com frases de circunstância e expressões de boa vontade lançadas no calor do momento. A alegria momentânea e a beleza da vida fracamente apreendida, nem pelo mais talentoso dos pintores impressionistas...apenas o helicóptero pousado no espaço que lhe era reservado aguaradando a fraqueza de mais alguma alma em sopro desistente. Há dois dias voltei lá, e senti o mesmo, repeti o sentimento por mais estranho e inexplicável que pareça (porque não acredito em sentimentos repetidos), estarei a mudar, a desistir, a chorar..................quando lá iá fazia frio e o vento reunia-se todo no meu tronco a fim de sair pelos meus olhos, no outro dia fazia calor e em vez de vento era o sol que se encolhia todo dentro de mim, senti-me queimar friamente, mas o sol não me saiu pelos olhos, está ainda aqui a queimar. Vou ser fria para ele não me magoar mais.

sexta-feira, abril 28, 2006

(entre) tanto

(Entre) tanto fico sem perceber se sou uma força do Mal ou se sou apenas uma vítima dele?... Tanto (entre) as luzes que se escondem por entre os véus da deusa obscura que não me deixa ver e adormecer, porque eu vejo em sonhos, e nós nunca daríamos certo porque eu sou muito ganaciosa e tu cioso da minha ganância, não te deixas dormir. Eu não quero dormir, apenas adormecer, não quero ser a continuidade da inexistência, os suspiros lamentosos de uma cria ensaguentada, o uivo de um vulto esbranquiçado que se esquece de soprar e vive para me ver chorar. Eu quero matar para não morrer, embora ao fazê-lo estou também eu já morta, se é que alguma vez vivi. Quero? A vontade é-me estranha, por vezes perco-a, alimento-me da dos outros, renego os sentidos e deixo-me absorver pela manifestação física do corpo. Confusão? Não. Perfeição. Na noite, a vida torna-se morte. E apraz-me, seduz-me a ideia de inexistência mantida por breves longos momentos, como se algo de dentro de mim deixasse de ser, como se o ar deixasse de me entrar nos pulmões, um sussurro, um arfar, um momento breve, longo, rápido, lento, frio, morno, um coração...qual? Um, dois, nenhum, será preciso o coração?Já ninguém o usa. O perfume intoxicante começa a fazer efeito, vejo tudo de uma cor nova, é tudo feito de um amarelo gelado...e eu voltei a abrir os olhos. Que vejo eu? Tudo. Nada.O gelo do amarelo. Que vês? Não responde. Não vê? Não quer ver. Não sinto. Não o sinto. Perdida. Entretanto volta, mas a cor essa mudou. Já não gosto dela. Tanto entre ela e eu que já me esqueci de que cor é o amarelo gelado.

segunda-feira, abril 24, 2006

Parabéns meu Anjo

E há dias em que me sinto positivamente feliz, sem medos, como se a sombra já lá fosse longe e me tivesse desprendido para eu poder enfim respirar, voar, desmaterializar! Fim do desabafo... Mas o que me leva hoje a escrever não é uma sombra, é um anjo, um anjo que como todos os anjos, caiu, mas que cedo se ergueu. Ele sabe que é um anjo, ja lho disse, mas ainda não tinha partilhado. A queda dos anjos é algo fundamental e miraculoso: um estrondo, uma cratera manifesta-se na escura e fria terra, um jacto de luz, e um homem, ja não é anjo porque as asas cairam, desintegraram-se, e voltam a nascer em breve rápida e docemente. Eu já vi um anjo a cair, mas melhor que isso, vi-o a voar, e um anjo quando voa é algo de maravilhoso, tão ou mais maravilhoso do que todas as belezas deste universo. Não chorar, não baixar os braços, lutar, lutar, é esta a mensagem que lanço ao mundo dos homens, é esta a mensagem que te deixo este dia tão feliz, que eu quero que seja feliz para ti, memorável, digno de recordação, de celebração! Oh meu anjo querido se tiveres que cair de novo, chama pela tua aurora, grita pela Humanidade, diz o que tens a dizer, esgota as tuas forças, queima as folhas de papel, lava a tua alma, anda pelo teu caminho...porque tens um mesmo à tua frente, só tens que o descobrir por entre os arvoredos. Se nada disto te apaziguar sussura-me que eu apareço, choras no meu ombro, mas por pouco tempo, porque quero ver-te sorrir, sempre, hoje, amanhã e por todos os aniversários da tua vida! **Feliz vigésimo primeiro aniversário** (a imagem escolhida não é descabida de todo)

quarta-feira, abril 19, 2006

Enquanto puder

"This is the end... my dear friend..." já dizia Jim Morrison numa das suas noites de criação, noites altas, enfumaradas e alcoolizadas, noites de inspiração, de sonhos, de voos mais altos do que aquilo que as asas muitas vezes nos permitem alcançar. Quanto mais voamos, mais vivos nos sentimos, as crias ganham essência e independência, caiem do nosso regaço, ganham forma e libertam-se de nós, é agora delas a vez de voar. Todos temos a isso direito, não nos deve ser negado, não nos deve ser tirado.Porque pior do que não ter é deixar de ter, não há nada de pior para o Homem do que ter algo, e no momento seguinte perdê-lo. O sentimento de perda é das piores coisas de que tenho ideia, escrevo por experiência própria, porque mentir e escrever não é uma combinação saudável, embora como já dissesse Pessoa:" O poeta é um fingidor", talvez no fundo não seja só o poeta aquele que finge, o poeta somos todos. Todos nós somos poetas mal ou bem, todos nós sentimos, por isso de poetas todos temos um pouco, tal como de loucos. Mas não confundamos os conceitos, o poeta é quele que sente as palavras a brotar de dentro de si, acorda de noite para apontar duas ou três linhas que se vão transformar, ou não, que ficaram guardadas como que fósseis se à espera de serem encontrados por debaixo da terra e mostrar ao mundo todo o seu esplendor. Comecei o texto com dois versos ou uma linha (consoante a métrica a adoptar) de Jim Morrison porque ele era um poeta e um louco e por ser isto não tenho dúvidas de que ele sentia (todos nós sentimos), mas Jim sentia aquilo que o mundo não o deixava espelhar. Usou a excentricidade e as modas da época (algumas que ele ditou), para revelar o seu interior, interior esse que mesmo assim se mantém preservado numa concha (outro fóssil). Jim incendiava, encadeava, renascia, bebia da vida os líquidos funestos, poetizava. E se as asas gritam "És louca!", eu respondo "Enquanto puder..."

segunda-feira, abril 17, 2006

2006 vai já no seu quarto mês e só agora surge algo de refrescante nas salas portuguesas. Spike Lee é o culpado desta proeza, diga-se de passagem porque este não é mais um filme de mindgames (obrigado Pedro por essa), de twists, e intrigas policiais.Não senhor. Inside man ou Infiltrado como preferirem é uma comédia...a meu ver com laivos de triller e joguinhos(psicológicos...).Comédia porque não esxiste um diálogo nesta obra que não seja inteligente, não existe um diálogo que não nos faça rir, e não há um diálogo que não seja provavelmente indicador de algo. O mesmo se aplica a cenas, acções (por mais pequenas que sejam), cenários, pormenores, enfim tudo o que se possa imaginar. A cena de abertura é genial e de facto está lá tudo, claro que o público (que nunca é estúpido) só se apercebe disso no fim, ao som da voz de Clive Owen (voz colocada e calma como convém a um assaltante de bancos) que se repete mas agora com uma linha de entendimento que o público (aquele que não é estúpido) já pode seguir e fá-lo inevitavelmente. É sem dúvida um filme de interpretações, o incontornável Denzel Washington brilha inescapavelmente nesta obra, ofuscado em momento pelo não menos brilhante Clive Owen e pela sempre correcta e implacável Jodie Foster (como lhe ficam bem papéis de Senhora poderosa!), ah e Christopher Plummer embora um pouco "apagado" também dá as suas cartadas. Ainda relativamnete ao elenco uma pequeno achega...num papel secundariozíssimo temos Willem Daffoe...mas porque é que sempre que eu vejo este homem o imagino com uma coroa de espinhos??!! Mas deixando esta parte de lado, falemos de música de fundo, a película brilha magestralmente aos acordes de sons meio árabes e hip-hop (uma misturada que resulta na perfeição), contrastados com sons "à la Hollywood" de suspense. O tema de fundo que à partida é um assalto, à partida repito, tarnsforma-se numa incursão numa América (ainda) pós 11 de Setembro "we never forget", movida por forças exteriores a ela e que sobrevive graças a elas, essas forças são pessoas diferentes, mas pessoas que podem ser ladrões ou reféns...e as canetas podem ser preciosas durante 30 minutos.... Uma reflexão sobre os conflitos raciais de um país que os promove recriminado-os e os recrimina promovendo-os..uma e outra não são a mesma coisa! Ah e não esquecer que profissionais de alta qualidade e que escolhem cuidadosamente as palavras que usam, só abandonam o local de trabalho quando o trabalho está feito.Done.

sábado, abril 15, 2006

A beleza ao nascer do dia

...e eu não me lembro do meu nome. Vivo porque escuto o bater do coração, essa preciosíssima caixa de música (in)quebrável, essa melodia para ouvidos meus, essa calma... ...e eu não... E o rio segue o caminho lenta e sanguinariamente, enquanto rasga a terra profunda e esquecida. E eu sigo o rio por pensar que ele me leva onde quero ir, mas não...ele sem querer sabe para onde vai, eu querendo não sei para onde sou levada. Quero ser vermelho e banhar de sangue as caras feias do mundo, incomodar as almas dos melévolos, aliviar a dor dos que sofrem em silêncio(porque em silêncio não se faz sofrer mais ninguém). ... me lembro do meu nome... Quero ser como ela, morrer a tempo de me ver (re) nascer, quero arder...melhor quero que me vejam arder e (re) erguer-me das cinzas ardidas que alguma coisa purificaram. Quero ser tela, sentir o artista a vislumbrar-me por entre as linhas do pano branco, ver-me em noites acordado porque o enfeitiço, o confundo, o transtorno, o satisfaço. Quero ser manhã e amanhecer na beleza dos sentidos, na exactidão dos raios de Sol, no amarelo da aguarela que ao se misturar com água se amantiza com o toque e se esvai sofregamente. Quero esgotar-me, sentir exaustão, e continuar porque esgotamento e exaustão acalmam. ...e eu não me lembro do meu... Esquecer.Esquecido. Esquecimento.Esquecida.Esquecidamente. ...nome...que chamam, que não é meu, que não sou eu, que sou outro que choro por dentro (em silêncio)...porque toda a beleza tem um fim.

domingo, abril 09, 2006

Operação coelhinho da Páscoa (continuação)

- Daqui gatinha do matagal escuto! - Branca de neve agente 277 escuto. Aguardo coordenadas superiores para começar a busca, escuto. - As coordenadas são: descida de rampa a velocidade bastante moderada a fim de visualizar o veículo suspeito de matrícula shsksskshssksksdhh.... (interferencia) - Escuto, mensagem mal recebida, abortar missão? - Abortar missão (era então não era?), fora de questão, as ordens foram bem claras, procurar até à exaustão, não vá o suspeito contactar com o inimigo, escuto. - Escuto, fico então a aguradar novas coordenadas, só mudo de turno às 4 da manhã até lá há muitos mapas a analisar e situações a prever, over and out. À vontade, gatinha do matagal agente 278, over and out!

sábado, abril 08, 2006

"...a tua alma alegre que patina no meu vapor..."

Existem dias que nascem só para nos enriquecerem, ontem fui muito rica para a cama(que de si não é nada de especial: apenas o facto de ser a minha cama). Sabia lá eu que o encontro com uma pessoa (conhecida há tantas eternidades, que relógios comprados não serviam para contar todos os segundos), ela emprestou-me um livro que a partir de agora fica retido na minha memória por todo o devir, a obra chama-se No dia em fugimos tu não estavas em casa da autoria de Fernando Alvim...esse Senhor! Sempre engracei com o rapaz, com o seu humor fora dos parâmetros, o seu cabelo algo desalinhado e estranho (convenhamos), as suas piadas que parecm fugir aos cânones do bom gosto mas que intimamente fazem rir o nosso âmago, mas desconhecia redondamente, ou será quadradamente(?) esta sua faceta pura e vivida. "Quero que saibas que a minha paixão por ti é orfã de pai e de mãe mas vive feliz na casa do Gaiato." F. Alvim Ai pessoa que me deu o livro a ler...Bem hajas, apetece-me dizer-te mil e duas coisas mas as palavras às vezes são assim marotas e parecem ter vontade própria fugindo da ponta dos nossos dedos escondendo-se nas membranas dos hemisférios do nosso cérebro...há que aguardá-las e zás usá-las e usá-las, sim porque não acredito em escrita por pré esquematização, a escrita surge, do nada e do tudo, podemos sentar-nos à frente de uma folha branca sem ideia alguma, e no segundo que se segue imediatamente, termos tantas ideias capazes de nos dar uma valente senhora dor de cabeça, e aí é mau, é árduo conciliar beleza a organização...quando isso acontece é respirar fundo e contrariar as palavras, fazermo-nos de difíceis e saber dizer "Não!"...elas gostam disso!!(private joke) Claro que não podia deixar de mencionar os 2 Cd's desse filósofo optimista céptico dos nossos tempos...ouvir aquilo que já sabemos em composições haroniosas ritmadas e esgalhadas (adoro esta palavra) com rimas e vogais que só um Deus musical poderia criar! Sim ele é um Deus! Mais uma vez o meu muito obrigada. Tu minha linda pessoa, és isso mesmo linda, forte e senhora de sim mesmo, tens planos, sonhos, medos e manias, tudo isto faz de ti um ser único (ok cada ser humano é único) mas a tua unicidade não se resume a caracteristicas estereotipadas que nos habituamos a realizar mentalmente e a escrever mecanicamente nos profile comments do Hi 5..do you know what I mean?? Se agora é um momento menos bom, o que acho que está verdaeiramente no final dos seus dias, "enquanto houver estrada para andar", tu só tens que seguir um caminho seja ele qual for,"...sempre em frente não se pode ir muito longe..." seja qual for o resultado que daí nasça, pensa assim: tudo tem um propósito(cada dia penso e acredito mais nisso), talvez tenhas algo de grandioso à tua espera, aqui ou ali, ali ou acolá, se tiver que ser lá a vida encaminhar-se-á de te lá levar, tal como o vento leva o pólen de uma flor para a outra sem fazer qualquer tipo de perguntas sobre a paternidade do rebento ou sequer se ele tem condições para a sustentar! O vento sabe por onde seguir, ninguém lhe diz nada, tu não precisas que ninguém te diga nada, segue, faz isso...já diz o outro "viver todos os dias cansa", se o faz é porque não vive, limita-se a estar e isso cansa porque não te chega! (citações de Fernando Alvim, Jorge Palma, Pedro Paixão e Saint Exupèry)

segunda-feira, abril 03, 2006

Paragem no tempo

...o som ritmado ao compasso do bater do coração que bate, bate, cada ves mais e mais depressa. Conegues ouvi-lo? Retém a respiração, retém, retém...suspira, o olhar que se se fecha, o movimento que se repete, o rodopio de luzes apagadas, pára. Recomeça e pára, esvai-se e pára de novo. O cheiro que se entranha na pele como se dela nunca tivesse saído e que teima em não desaparecer, o cheiro que fica e que recorda...ah como o faz tão bem. O toque pausado, e suave, que se contrai e foge, escorre e harmoniza. ...eu sei que voo para cair, e que caio para voar, que me calo para cantar, que canto para me calar ( canto quando estou feliz, e estou feliz quando canto), espero para ter, e tenho para esperar, ouço para (re) agir, e (re)ajo para ouvir, dou para receber, e recebo para dar, dou para ver a felicidade nos olhos do outro e saber que sim, ele sopra-me nas pálpebras no vazio( private joke, can't help it)...e saber, tenho um plano maior do que viver. ...o início, é bom começar pelo início, parece já tão longíquo...tão vago, tão bem amado... ...os planos, as horas, os minutos, os segundos...tic-tac,tic-tac..já nenhum efeito tem. ...o meio, o momento, a adoração, a alegria da hora chegada, o silêncio que tudo diz... ...o azul do céu e do mar, a inconstância do corpo, a calma aparente, o respeito, o valor... ...o fim, não até nunca mais, e pensar... Não quero pensar, quero ficar inconsciente, quero que este seja o último dia em que penso, ou pelo menos o último em que ultimo este penasamento. Confusão? Algo entre... Entre algo... Acreditar... Eu acredito, sim todos os dias, ao entrar em casa.

domingo, março 26, 2006

J

E já não tenho palavras, porque o silêncio impera. Porque eu não temo o silêncio porque contigo o silêncio é o tudo, depois de roubadas as palavras, que não digo porque só as sinto a invadirem-me o coração quente. E foste tu quem fez isso. E és tu quem eu quero que mo faça. E serás tu, só tu. "...Strong hold on his affections, were to him A pleasure feeling of blind love, The pleasure which there is in life itself. "...The evening star"...More from instinctive tenderness, the same fond spirit that blindly works in the blood of all... "...From the Boy there came Feelings and emanations- things which were Light to the sun and music to the wind." William Wordsworth, Michael (adaptado a ti)

domingo, março 12, 2006

Aurora no crepúsculo

E os primeiros raios de Sol escorrem por entre o fino véu de água que me cobre os olhos. Não estranho a ausência da felicidade, estranho-a quando a sinto, porque por mais que a queira ela obriga-me a flutuar no futuro, como seu eu soubesse secreta e ocultamente que lá acaba e que se vai rir de mim por pensar que não, porque todos pensamos que não. Isto é tao real. Quando estou infeliz sou a primeira a perguntar "Porquê?", mas quando feliz é o meu estado de alma, não me recordo de me questionar a mim ou o que quer que seja, o porquê...o Homem é tão inexplicavelmente explicável. Nao deveríamos ser o grande segredo da humanidade. O cofre da vida, a questão inquestionável, a prisão num Hades imaginado? Talvez não. O Homem é simples...demasiadamente simples, ele não se considera, mas é. A complicação descende da nossa mente, essa cortina de veludo vermelho que insiste em nos obrigar a viver num mundo que não percebemos, porque somo nós que o criamos, somos nós que o complicamos e somos nós que nos escondemos por entre as cortinas, enviando apenas mensagens indecifráveis para quem as quiser ouvir, quem as quiser decifrar...quem as quiser esquecer. Hoje sou feliz, por quanto tempo não sei. Sigo as passadas da minha sombra que inadvertidamente caminha à minha fente antecipando todos os meus movimentos. Tudo é mais fácil quando temos uma sombra, tudo é mais fácil quando somos só nós, e a nossa sombra. Hoje tenho sombra. Hoje é um dia feliz, amanhã espero ao acordar, vê-la sentada ao meu lado a contemplar-me, qual deusa do Olimpo no seu trono branco a coroar heróis com coroas de folha de oliveira. E eu fujo da Terra, Como se não houvesse mais Fogo Como se não houvesse mais Ar Como se não houvesse mais Água Como se não houvesses mais Tu. Obrigada, por saber que um dia pararei de fugir.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Walk the line (from London)

"My momma told me so: Son, don't you mess around with guns! But I shot a man in Reno just to watch him die!" J Cash Walk the line e definitivamente um filme a ver por aqueles que conhecem a musica de Cash e por aqueles que nao conhecem e ainda querem ver bom cinema, como ha muito nao acontece. Quem me conhece ja sabe que eu so podia tecer elogios a um filme onde entra o insuperavel Joaquin Phoenix, e verdade eu amo o trabalho deste rapaz e este filme vem apenas consolidar ainda mais a minha opiniao e a dos criticos que este ano o elegeram um dos 5 melhores actores de Hollywwod do ano de 2005. Aqueles que me conhecem sabem ainda que prefiro que ele nao ganhe o premio pois nao o quero ver a chafurdar na lama como os ultimos vencedores, dos ultimos anos. E que sinceramente dou mais valor a nomeacao em si do que a estatueta na mao. Voltando a pelicula, o filme e a simbiose perfeita entre dedicacao de Mangold, Witherspoon e Phoenix, os desempenhos de ambos sao brilhantes bem como as suas interpretacoes das musicas. E não é que os putos até cantam, já sei, já sei, com muito trabalhinho e arranjos vocais a melhorar a coisa, mas convenhamos...Phoenix e Witherspoon aprenderam bem a lição. Walk the line conta uma estoria. Ok e um biopic (que esta cada vez mais na moda), mas ha amor na estoria do filme, um relato de uma epoca, o renascer de um heroi, um explicar dos acontecimentos, o filme em sim digamos que "light", nao ha nada que fira sensibilidades, e se calhar esse e o unico dedo a apontar, o facto de se querer ver um Cash hiper revoltoso e agressivo, tal como a sua musica!! Cash e uma figura como poucas, pela sua individualidade e pela su musica, pelas suas letras e pela sua presenca em palco. Esta tudo no filme, agora e so ver e deliciar-se! "Love is a burning thing! I fell in love in a ring of fire!" James Mangold esforçou-se por contar uma estoria digna de ser contada, foram cerca de 10 anos de pesquisa sobre Cash que sao passados para a tela a transbordar de amor por todos os lados. O guarda roupa do filme é digno de nota, bem como a banda sonora que claro so podia ficar a cargo do Man in black em si (nao fosse a venda da banda sonora pagar quase os cutos de producao do filme), música essa que nao deixa ninguem indiferente, musica que essa que caiu talvez no esquecimento e é agora relancada para a ribalta; as letras sao altamente tocantes e ate mesmo perturbadoras, tudo o que se quer no momento! O climax do filme e condensado numa cena incrivel em que Cash faz o seu comeback em Folsom prison depois de tempos dificeis, cenas essa que e deixada no ar logo no incio do filme...mais uma ode a Mangold, pela sua inteligencia em repartir os acontecimentos e em seguida estes nos serem oferecidos espaçada e inteligentemente!! Por favor vejam o filme, apreciei cada minuto, cada segundo, deixem-se levar e ofuscar, porque somos ofuscados por filmes como estes!! (Mas torçam antes por Philip Seymour Hoffman, ele sim deve ganhar o oscar por melhor actor este ano!! ) Peco desculpa pela falta de acentos e que o teclado british nao os tem, pura e simplesmente(em manutenção...)!

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Brokeback mountain

Cada dia sem gozo não foi teu (Dia em que não gozaste não foi teu) Foi só durares nele.Quanto vivas Sem que o gozes, não vives. Odes, Ricardo Reis Como é que se pode invadir um espaço, se nunca se deixou de fazer parte dele? A estória de Brokeback mountain é simplesmente umas das mais belas estórias de Amor no mundo do cinema.Um amor tão elevado como uma montanha, tão branco como a neve tão secreto, e tão mudo como todos os amores deveriam ser. Mais que sentimentos Brokeback é verdade acima de tudo, uma verdade que os outros não entendem porque não podem ou simplesmente porque não querem, ..." mas nós vivemos na prisão, e em cujas vidas o único acontecimento é a tristeza, temos de medir o tempo pelas palpitações da dor e pela recordação dos momentos amargos."...já dizia Oscar Wilde em De Profundis. O Amor não é nem nunca foi a plenitude da felicidade. O amor é violento quando sentido, é arrebatador, é consumidor...manipulador, é dor, é ausência...é carne, segredo, paz inalcancável, isso é o Amor.É o saber que nunca será como se deseja, por quem se deseja, porque quando o é quer-se fugaz para que possa ser todos apreciado no mínimo tempo/espaço possível.É fazer juras a quem já não está para nos ouvir, é sentir o seu cheiro na sua ausência e chorar para que se prolongue a sua existência. Não me vou alongar sobre a obra cinematográfica em si, fui de tal maneira envenenada pela sua beleza que tudo à minha volta perdeu quelquer significado e sinto-me incapaz de reproduzir qualquer momento ou carcaterística da obra de arte..raras são as vezes que isto acontece, infelizmente. Acoselho apenas a todos que o vejam. Não percam a oportunidade de perceber finalmente o que o Amor é. Fazem-se tantos filmes , tantos romances trabalhados em série, tantas canções lamechas e tão poucos Brokeback(s). Finalmente faz-se justiça a essa palavra tão banal, sem que por uma única vez que seja, se profira a frase mais célebre do mundo: "I love you.", fica portanto provado que as palvras são nada e o que elas dizem tudo. Vejam e percebam.

sábado, fevereiro 11, 2006

Munich e a vontade de chegar aos oscares

Im nin'alu Dal thae na di vim Dal thae na di vim Dal thae ma di rom Staring up into the heavens In this hell that binds your hands Will you sacrifice your comfort? Make your way in a foreign land? Whrestle with your darkness Angels call your name Can you hear what the're saying? Will you ever be the same? Isaac Para variar spielberg faz uma filme sobre a família. Sim disse famíla e não sobre a questão palestiniana e sobre a guerra que os Eua travam desde sempre com vista ao fim do terrorismo, um contrasenso eu sei... não será antes o desejo dos Eua de se tornarem num género de nova "terra prometida"?. Não quererão eles ser a nova jersusálem de outros tempos, até onde é bom ser patriota...patriotismo náo será mais que a germinação de um vírus chamado nacionalismo.... E quando me refiro a família, refiro-me àquilo a que chamamos de lar, pátria, coração, bandeira, sangue...pó... Não se pode dizer que Munich seja um filme de interpretações como Lista de Schindler, nem tão pouco um filme "à la Spielberg", com tudo a que temos de direito, não é mesmo. Eric Bana ( por muito que este actor me agrade) não convence...o ilustre Geoffrey Rush não desmotiva, funcionando não como a consciência do assassino com causa justa ( algo que nunca entenderei), mas mais como a voz da pátria que teima em exigir algo que jamais deveria ser exigível...carne humana. Como secundário, Daniel Craig resulta bem, uma personagem algo estereotipada como convém a Spielberg e ao grupo em questão, mas está sem dúvida à altura- o nosso nouveux Bond. A acção de Munich é lenta..diria eu mesmo muito lenta, é uma viagem pela Europa à procura dos senhores da acção terrorista, enquanto o grupo pelo qual torcemos (ou não) se mantém unido, e vive cada dia na esperança de que tudo termine pelo melhor...como se fosse possível, com muita jantarada à mistura, o drama familiar da praxe, e a vontade de acordar em casa. A banda sonora é para variar do majestoso John Williams, que eleva Munich a um nível compensante mas não profundamente satisfatório, que nos faz sorrir com as alusões musicais è época em questão, músicas de sempre..a música sempre a música. O realizador já sabemos que há muito que queria levar o assunto à tela, mas foi sem dúvida um erro dirigi-lo com um único objectivo: o dos Óscares- em tempo record, com uma pré e pró produção relâmpago (foi o que me constou), Munich tem falhas detectáveis até pelo olho menos treinado...e refiro-me ao meu, porque nem sempre reparo...mas...enquanto chove lá fora, sair de casa já molhado é gozar com os 5 euros e 20 centimos que nos custam os olhos da cara. Queria muito fazer desta minha visão do filme algo mais poético, mas não consigo, revela-se muito difícil, primeiro porque não me agradou de todo e segundo porque para variar é mostrada uma visão das coisas que não é nem pode ser a visão imparcial dos factos, mas vá lá desta vez não é a história de um americano a salvar o dia, porque não dava mesmo claro... Nomeaação a melhor filme...vai-se lá entender, o Spielberg que me perdoe porque admiro-o abbastaza bene, mas até os grandes se esquecem de coisas no momento da condenação política, mesmo quando esta é usada a nível particular de modo a expressar o mundial...aquele que volta vai sempre voltar...e quem mata, morre muito antes de premir o gatilho. E não esquecer que pappa was a Rolling stone!!

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

O outro lado do mundo

É possível chover de dentro de nós? Acredito que sim, tenho chovido nos últimos dias, uma chuva fria e ácida, irreflectida mas consciente, se é que é possível tal barbaridade. Por vezes preferia não ser consciente, não ser chamada à atenção à razão, habitar o meu mundo, o mundo perfeito o tal das maravilhas eternas. Mas depois penso... e depois? Se as maravilhas fossem sempre presentes como poderia eu dar-lhes algum valor...só temos falta daquilo quando "aquilo" começa a ser "aquilo" porque nunca foi "isto", nunca foi atingindo ou se o foi, efémera e inconscientemente, e vaziamente desfrutado, graciosamnete dispensado. No fim é tarde de mais, não há retorno possível, não há a quem pedir perdão, nem a nós mesmos, porque amanhã somos outros e o que fica são as memórias trazidas pelo tempo...porque o tempo é a única coisa que temos de genuinamente, esse é maior que Deus, mais implacável, mais ditador, mais e Deus nada. Estou segura de que Deus não existe, não pode, não quero. Estou segura de que Deus é uma manifestação do tempo, que demora a passar e que só preciso quando preciso, porque o tempo de nada precisa e nunca termina. Deus é esquecimento, é entrega a algo de que não me lembro, é uma ponte que me leva ao outro lado do mundo, é uma janela aberta que nunca fecho na esperança de ver o Sol, sempre. Não preciso de Deus para ver o Sol, não preciso de Deus, não preciso de Deus para lembrar, não preciso de querer, não quero precisar, e a vontade é minha, não preciso de Deus para ver as horas a passar, não preciso de Deus, preciso de tempo. Tempo para ver o outro lado do mundo.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

From another point of view

Trata-se de Sorte! O novíssimo filme de Woody Allen é um filme sobre Amor...acho que não se pode chamar bem amor ao que asistimos, mas convenhamos, que filme do Woody Allen trata o Amor puro? Pois eu também não me recordo. É que o que acontece para o nosso amigo Woody é que o que ele chama de Amor nos trailers não é senão Fascínio. O fascínio que alguém exerce sobre o outro, a igualdade que o outro nos transmite por ser tão diferente, o equílibrio por nos recoradr de onde vimos, enfim não é Amor. Matchpoint surpreendeu-me por se vislumbrar pouco Woody na tela. Primeiro porque desta vez ele não é a personagem perdida na ponta do pião lançado por uma mulher que o desarma, segundamente porque podemos dizer que este filme é noir, e não filme noir...se me é permitida a expressão. Não consigo enquadrá-la em nada do que já vi deste realizador, apenas no que toca aos laivos de imprevisiblidade levado a cabo pelos estupendos Jonathan Rhys-Meyers e Scarlett Joansson (a menina menos hollywoodesca que tenho em mente, por ser dotadíssima de talento e beleza, e convicta nas palvaras "You're a liar!!!", e por isso tão invejada ...podem invejar desde que não sejam invejosos). A imprevisibilidade chega também das personagens tão banais na nossa sociedade e pelas sitiações que desencadeiam. E é isto que eu adoro no filme, o não saber ao certo o que se segue...saber apenas que será algo simplesmente simples, que provoca o riso da plateia porque nada poderia ser menos apropriado... Assisti ao filme numa sala do Monumental, ou seja, nem sempre é um público fácil no que toca a americanadas e foi ouvir risos do início ao fim...não sei bem se pelo filme em si, ou por se reverem no anti-herói do filme, porque todos nós consciente ou inconscientemente já pensámos aquilo..."Era tão mais fácil se ela m*******!","Era tão mais fácil se eu tivesse aquilo!" e por aí fora. Matchpoint é como se diz no ínício, uma questão de Sorte ( ou aquilo a que muitos chama Destino...e para outros o seu fatalismo), é uma questão de querer aquilo que está mesmo ao lado pondo a perder aquilo que está dentro de portas, é uma questão de dinheiro, de poder, de persuasão, de sorrisos falsos, de caçadeiras com canos cortados, de de esperança, de espera, de Inglaterra, de promessas, de acasos, de música clássica, de branco, de beijos à chuva, de Arte, de chamadas furtivas, de casa com vista para o Big Ben, da vizinha do lado, é um caso de polícia, de sonhos premonitórios, é uma quaestão de Woody Allen. O filme é também um caso de "não está tudo bem!", é o que me parece pelo menos, a noção que tenho é que para o senhor quando estamos apaixonados a obra reflecte-nos e Matchpoint reflecte alguma amargura com a vida e com o amor pois claro. Mas que fazer quando somos ultrapassados e esmagados pela bola de neve que desce a colina branca a duzentos à hora?? Podemos simplesmente esperar que passe e no próximo Inverno como sabemos o que nos espera, já lá não voltamos!! Era bom não era?? Para o ano lá estamos de novo, com novo fogo, esmagados talvez por uma bola ainda maior e mais rápida, ou então recorremos à caçadeira de canos cortados...porque não?? Ou então optamos por uma partidinha de ténis e esperamos que a bola caia para o campo do jogador adversário, que também com sorte será muito melhor que nós e uma vez na vida não tenhamos que fazer tudo! Tenho dito.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Sala DeCinema

Quanto menos faz, menos o Homem quer realizar, como se se deixasse envolver num turbilhão de tédio e passividade,( porque um leva ao outro), culminando no pessimismo do ser e da espécie. É contra isto que eu luto todos os dias, nem que seja arrastando-me para uma sala escura e vazia de cinema onde me espera uma bobina gasta e pesadamente desenvolvida, cujas falhas na imagem me lembram o que é o cinema. Gosto disso. Fui há pouco levada pela corrente e não sei. Fui há pouco levada a ver algo de que gostei, não queria, não me apetecia...mas fui e hoje sou melhor. Não interessa que horas são, o relógio foi inventado para que me pudesse atrasar, tenho sono, travo uma luta sanguinárea com as minhas pálpebras,elas dominam as minhas pestanas e teimam em derrotá-las...mas elas não cedem...são como eu...levantam-se impunemente de bandeira hasteada e ânimo renovado e banhado pela lágrimas que não choro, porque não preciso, ainda. Ás vezes acho que as lágrimas não foram feitas para chorar mas para serem vistas...e eu dessas fujo, escondo-me: só quero chorar as minhas lágrimas e se possível sozinha, triste, feliz, parada, em movimento, em raiva calma e doce. A sala de cinema é o lugar ideal para o fazer, estou sozinha mas não estou, está escuro mas não está, reconheço todos mas não os conheço...que mais quero eu?? O filme é solidão, é um exercício solitário que orgulhosamente se impõe na minha vida. E eu gosto.

sábado, janeiro 07, 2006

Guerra

A Virgem com os anjos Adolphe William Bouguereau( 1825-1905) Sacrificar a plenitude e enfrentar os céus, fazendo do meu caminho uma estrada longíqua. E descortinar os véus da escuridão e ver os anjos que chamam pelosos corpos espalhados no chão ensaguentado, e por mim. Alguém escuta os murmúrios? Alguma vez seremos os mesmos? Recordar, recordar para não esquecer que a vida é uma árdua tarefa esmagadoramente compensadora. E encontrar uma porta aberta para o meu espírito quebrantado. Fechar os olhos na corrente salgada e mover os lábios para jamais falar, ver uma estrela que flutua do céu nas asas de uma Mãe adorada. E os Generais que vêem a queda sem a perceber e encerram as portas da liberdade não descobrindo o céu e os anjos e como eles se sentam e sustém a paz. É disto que se trata.

sábado, dezembro 31, 2005

Prece

Não me queria despedir deste importuno 2005 sem deixar mais umas palavras. Tenho a tendência para ficar algo nostálgica nas passagens de ano, acho que desde pequena. Não me lembro muito bem, ou talvez lembre e não queira partilhar isso com outro humano. Curiosamente dou comigo a pensar não no futuro...como era de esperar... mas no passado, na infância, na importância desmesurada que damos ao tempo ( ao tempo que já passou), porque o futuro esse é desejado num misto de esperança e felicidade envoltos em falsos clichés. Também hoje dei comigo a olhar as árvores húmidas das gotas de água que teimavam em cair do céu e envolver tudo o que por elas fosse tocado.E lembrei-me... ...lembrei-me que li outrora palavras da Florbela Espanca que diziam que as árvores assemelhavam-se a mãos em posição de prece em direcção a Deus. Sorri ao ler, e reti na minha confusamente clara memória esta analogia. Não sei ao certo se todos terão a mesma imagem que ela, mas lembrei-me... e é tão bom lembrar, mas será que me lembro convenientemente, será que não estou a deturpar as palavras dessa sábia?? É melhor parar. Vou abandonar por hoje as palavras, vou guardá-las na minha gaveta mágica e deixá-la entreaberta, não vá a minha alma precisar de consolo literário. Vou rir de noite, recordar velhas imagens ( aquelas que não nos abandonam nunca, e que vemos mais quando fechamos os olhos), deliciar-me com o aroma festivo da noite, o brilho a incendiar o céu naquele fogo multicolor, a família a desejar de mil e um modos a felicidades daqueles que por eles são amados...acho que é daqui que vem a minha nostalgia na despedida do velho ano ( que é velho porque esteve connosco durante trezentos e sessenta e cinco dias consecutivos). Agora, neste momento fiquei sem palavras...e continuo a escrever, a sensação é incrível, escrever sem guia, sem ponteiro na mente, compulsiva e freneticamente...acabo de me lembrar de duas, três coisas, não me quero esquecer de as escrever, sinto a minha mente a querer voar para longe... Primeiro (e peço desculpa se nada disto estiver a fazer sentido), se quando fechamos os olhos continuamos a ver, será que quando morremos e o espiríto( quero acreditar nele) continua a respirar, será que continuo a ver...eu quero ver quando morrer, quero ver as árvores em posição de prece mas não a Deus, não quero pedir nada a Deus, pelo menos uma vez na vida. Mas pedir o quê? A quem se não o fizer a Deus? As ovelhas vão para o paraíso e os carneiros vão para o Inferno. From Cake (ainda não faz sentido? Não era essa a intenção)

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Eça é que é Eça ( by Halley)

Bem sei que felizmente o meu espaço é reservado a cinema, mas felizmente também tenho outra grande paixão...um senhor chamado Eça de Queirós, que escreveu há muito uma carta a alguém sobre o Natal. Acho incrível como este génio da literatura ( e por isso génio) mantém-se tão fresco, tão único, tão fascinante, tão verdadeiro e tão cruelmente lúcido. Vou transcrever parte da carta (que eu desejaria que tivesse sido escrita para mim), espero que o que eu vou fazer não se revele crime: " O Natal, a grande festa doméstica da Inglaterra(...)As desgraças públicas nunca impedem que os cidadãos jantem com apetite: e misérias da pátria, enquanto não são tangíveis e se não apresentam sob a forma flamejante de obuses rebentando numa cidade sitiada, não tirarão jamais o sono do patriota(...). O que estragou o Natal foi simplesmente a falta de neve(...), com um sol(...),deslizando timidamente sobre uma imensa peça de seda azul desbotada;(...)Um desapontamento nacional!(...) O assunto não varia na paisagem repetida: é sempre a mesma entrada de um parque, de aparência feudal, por vésperas de Natal, antes da meia- noite;(...) e a perder de vista tudo está coberto da neve caída, uma neve branca, fofa, alta, que faz nos campos um grande silêncio (...) felizes aqueles para quem essas portas difíceis se abrem.(...) - Merry Christmas! Merry Christamas! (...) Sob a chaminé estala e dança a grande fogueira do Natal: a sua luz rica faz parecer de ouro os cabelos louros, e de prata as barbas brancas.(...) E o piano não se cala nestas noites! É alguma velha canção inglesa, em que se fala de torneios e cavaleiros, ou uma dança da Escócia, que se baila com o gentil cerimonial do passado(...) as crianças(...) correm, cantam, riem vão a cada momento espreitar os ponteiros do relógio monumental, porque à meia noite chega o Santo Claus, (...) e que já a esa hora vem caminhando pela neve da estrada.(...) Amável santo Claus! Por um tempo tão frio, naquela idade, deixar a cabana de algodão que ele habita no País da Legenda, e vir por sobre ondas do mar e ramagens de florestas trazer a estes bebés o seu Natal!(...) O respeitável ancião, com o seu capuz até aos olhos, todo salpicado de neve, as mãos escondidas nas largas mangas de frade(...) Todas as crianças o querem abraçar, e ele não se recusa, porque é indulgente(...) as bochechas reluzem-lhe de escralates, as barbas, parecem crescer-lhe, e ali está bonacheirão, com a importância de um deus tutelar e amado, como a encarnação sacramental da alegria doméstica.(...) E as pobres crianças cantam as loas: e elas sabem que não serão esquecidas(...) porque Santo laus é um democrata ,e , se enche os seus alforges para os ricos, gosta sobretudo de os ver esvaziados nos regaço dos pobres. Tudo isto é encantador. Mas tire-se-lhe a neve, e fica tudo estragado. O Natal com uma lua cor de manteiga, a bater numa terra tépida de Primavera, torna-se apenas uma data no calendário.(...) Resta a consolação de que os pobres tiveram menos frio.(...) Nem eu sei realmente como a ceia faustosa possa saber bem - quando se considere que lá fora há quem regele(...). É justamente nestas horas de festa íntima, quando pára por um momento o furioso galope do nosso egoísmo - que a alma se abre a sentimentos melhores de fraternidade e de simpatia universal, e que a consciência da miséria em que se debatem tantos milhares de criaturas volta com uma margura maior(...) - para que se chegue à fácil conclusão que isto é um mundo abominável. Deste sentimento nascem algumas caridades de Natal, mas findas as consoadas, o egoísmo parte à desfilada, ninguém torna amis a pensar nos pobres...) e a miséria continua a gemer ao seu canto!(...) Jesus(...) ameaçou-nos, que teríamos sempre pobres entre nós. Tem-se procurado com revoluções sucessivas fazre falhar esta sinistra profecia - mas as revoluções passam e os pobres ficam.(...) Não é possível mudar. O esforço humano consegue, quando muito, converter um prolterariado faminto numa burguesia farta; mas surge logo das entranhas da sociedade um proletariado pior. Jesus tinha razão; haverá sempre pobres entre nós. Donde se prova que esta humanidade é o maior erro que jamais Deus cometeu.(...) Nos dois ou três primeiros mil anos de existência trepámos a uma certa altura de civilização, mas depois temos vindo rolando para baixo numa camabalhota secular.(...) Já não falo dos gregos e romanos: ninguém hoje tem bastante génio para compor um coro de Ésquilo ou uma página de Virgílio; como escultura e arquitectura somos grotescos; nenhum milionário é capaz de jantar com Lúculo; agitavam-se em atenas ou Roma mais ideais superiores num só dia do que nós invetámos num século,(...) e o escravo, essa miséria da antiguidade, não era mais desgraçado do que o proletário moderno.(...) Deus tem só uma medida a tomar com esta humanidade inútil: afogá-la num dilúvio.(...) sem repetir a fatal indulgência que o levou a poupar Noé; se não fosse o esgoísmo senil desse patriarca borracho, que queria continuar a viver, para continuar a saber, nós hoje gozaríamos a felicidade inefável de não sermos..." ( De Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres) Um mágico Natal a todos os que lerem, dias felizes com efeito.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

A minha mãe mudou a posição das coisas da sala

The river of light A minha mãe mudou a posição das coisas da sala, é como se me tivesse mudado também, e eu gosto, mas não mudei verdadeiramente, as coisas são as mesmas, eu é que talvez tenha mudado porque estou consciente de que sou alterada todos os dias permanecendo sempre . Ao acordar, acordo sempre outra, alguém feliz ao acordar, e não sei o porquê. Essa felicidade vai-se desvanecendo ao longo do dia, culminando com a tristeza da noite, uma tristeza interesseira e antecipadora de uma felicidade plena que aguardo laboriosamente, a felicidade da manhã (aquela de há pouco). A minha mãe mudou a posição das coisas da sala. Agora há uma divisão aparente entre "jantar" e "de estar", e eu gosto. Gosto principalmente do facto do meu adorado sofá azul (aquele que depois de 15 minutos nos oferece uma ligeira e languida dor nas costas) ficar de fronte à janela. ... A janela que fica virada para Norte, o Norte que é tocado pelo campo, o campo que é beijado pelo verde, o verde que é lavado pela água da chuva, a chuva que vejo cair do céu como lágrimas de um Deus velho e cansado, um Deus que eu não vejo, não sinto, não falo, que não dá por saber que vai tirar, um Eu que crê na beleza da vida e na tristeza do Homem, um Homem que respira o ar compassado e necessário, todos os dias, até que o último chegue sem ele saber, porque o Homem nunca sabe e feliz é aquele que sabe que não sabe.

domingo, dezembro 18, 2005

Be careful with King

...It was the beauty that killed the beast...ou foi o facto de haver muito dinheiro para ideias pequenas?? E perguntam vocês: "Mas não é isso que resulta em Hollywood?" e eu respondo: "De facto é. Mas não quando se fala de Peter Jackson.". DESILUSÃO. Era essa a palavra marcada na minha testa quando saí da sala de cinema, exausta de três horas longas e devastadoramente massivas de King Kong. Sei perfeitamente quando um filme não me agrada, basta a caminho de casa eu não pensar nele uma única vez, foi o que me aconteceu. Só me lembrei do Kong agora que quero escrever sobre ele. Bem sei que o filme é um remake, mas a verdade é que continuo a achar que há algo que não resulta. Tudo acontece neste filme, lutas, amor( ou qualquer coisa que se compare), gritos (muitos), então e novidades?? O Kong é a novidade, e o polegar para cima do filme, está fantasticamente criado, e mais uma vez fizeram um bom trabalho no que toca a a gerar expressões facias naquele grande ser. Lembram-se de Gollum?? Devem ter sido os mesmo artistas, porque podemos sentir com o Kong o amor pela Ann, o isolamento na ilha e o sofrimento em plena New York, que diga-se de passagem está muito bem recriada. Acção há muita, pena é que as cenas na selva se prolonguem por mais de duas horas repetitivas, onde vemos não um, não dois, mas três T- rex que lutam com Kong, morcegos gigantes que também lutam com Kong, mais os homens do navio que levam a equipa nas filmagens que também lutam com ele, e pensamos nós: "Mas o Kong não tem amigos?", claro que tem! Um: a Ann interpretada por Naomi Watts, uma actriz apaixonada recentemente, alguém que sente que lhe falta ver, ter algo na sua vida e não sabe o que é...será o gorila?? Faz isto sentido?? É isto que eu não gosto em King Kong, não me parece real, as personagens são construídas pela metade, ficamos sem saber ao certo quem é Jimmy o mais novo marinheiro do navio, aliás existem muitas personagens que se perdem pelo caminho, ou porque sã0 comidas por algum ser fantástico da selva ou porque simplesmente desaparecem na espuma do guião. Peter Jackson parece repetir uma fórmula que não resulta a meu ver, 3 horas para Senhor do Aneis é totalmente compreensível mas não par King Kong, seres fantásticos também não se percebem muito bem, os seres humanos da ilha parecem soldados de Sauron um pouco mais velhos, parece até que reutilizaram cenários da trilogia, e neste caso há algo mais que se vira contra o feiticeiro sem ser o seu próprio feitiço, são os efeitos especias que são excessivos e que acabam por retirar grande parte da verosimilhança da obra, isto porque ainda não atingiram a perfeição esperada, e o público espera mais e não estabilidade, Jackson já devia saber mais depois de 9 horas de obra de arte( sem contar com cenas adicionais). Interpretação, não posso deixar de pensar em Jack Black que sobressai, ele é irritavelmente irresistível e penasativamnet apaixonante, não pr ser bonito...que não é, não por ser um herói, que também não é mas por ser o vilão ganacioso, símbolo da indústria cinematográfica da época que tudo fazia,não olhando a vidas humanas para atingir o seu sonho, tudo isto enquadrado numa New York em plena depressão, com pobreza por todos os lados, na qual os valores se perdem e o amor parece não ter lugar, a não ser no topo do Empire State building no qual o pôr do sol pode ser tão bonito como o da selva, porque o sol é o mesmo, o sentimento também, o que muda é que aqui as pessoas divertem-se com o sofrimento dos outros e só pagam 25 centimos por isso. Vejamos depois qual o veredicto dos Oscares.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

E o Natal dos hospitais??

E pensemos no Natal... Quem não gosta de pensar no Natal?? Passamos todo o santo ano a pensar no Natal, os familiares que chegam carregados de coisinhas da Terra, os primos que não víamos há que tempos, os irmãos que se reunem depois da grande discussão por causa da fiação do carro, a papinha deliciosa que as nossas mães cozinham. A fartura à mesa, a árvore decorada com 1 mês de antecedência, o presépio ( que se for como o meu é composto por: uma ovelha, um burro, uma nossa senhora branca, um José que é nada mais nada menos que um rei mago e um mennino Jesus chinês - chamo a isto Globalização) e todas aquelas coisas bonitinhas, pequeninas e rechochundinhas!!! Mas o Natal são dois dias e a vida três!! E culpem-me mas eu gosto do Natal, não me venham com as estórioas do consumismo, e da hipocrisia e afins. Sinceramente acho que o Natal é das poucas coisas boas criadas pela nossa religião. Tudo bem as pessoas não se lembram dos mendigos no resto do ano, não se lembram da fome em África nem dos milhões de famílias vítimas de guerras que não as suas e que vivem em perfeito estado de miséria. Mas pelo menos lembram-se no Natal e é para isso que ele serve, para que as pessoas muito más ou simplesmete aquelas mais "esquecidas" não o sejam pelo menos uma vez em todo o ano. Imaginem agora a tristeza frustrante que seria um ano sem Natal, sem o já tão repassado Natal dos hospitais ou episódio do Mr Bean and the Christmas na RtP 1?? O natal dos hospitais é um marco na nossa televisão, ver toda aquela alegria nos doentes acamados e ligados ao soro a ponto de quase apanahrem uma pneumonia só para verem o Marco Paulo!!! É Natal é a tradição...e o nosso gosto em ver que existem sempre uns piores que nós, o Natal lembra-nos isso faz-nos também recordar de que o mesmo nos pode acontecer a nós, por isso o melhor é sermos de facto bons un para os outros. Até o Mr Bean que é o britânico mais triste alguma vez criado em televisão ama o Natal e nós pobres mas sortudos mortais rimos da sua solidão::: o Mr Bean é aquele senhor que envia cartões de Natal a si próprio, oferece olhos ao seu único amigo e recebe uma única prenda de Natal: o seu parzinho de meias!! Não é tudo isto triste?? E não ficamos nós logo com muita vontade de festejar a época, de dar, de sorrir, de comer, de chorar, de recordar, de ajudar?? Que seja pelo menos uma vez no ano todo. Que seja pelo menos no Natal. Párem de dizer que o Natal é comércio, porque os senhores que vendem na rua, não jantavam se não fosse o nosso Natal consumista...se pensarmos assim já não somos tão maus pois não??

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Escravidão

"...Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele..." José Luis Peixoto, Morreste-me E não é reconfortante imaginar que a noite pinta um quadro para apreciar pela manhã? E não é apaziguador saber que o frio que sentimos nos relembra o quanto estamos vivos? E não é angustiante pensar que nunca penso nisto? Hoje fazia frio de manhã e eu pensei. Ao fazer o meu caminho habitual, parei por um instante para admirar os galhos das árvores que choravam lágrimas cristalizadas sem sal ... como me comprazi na dor daqueles seres, a minha alegria é a sua tristeza. Olhei a erva orvalhada de uma brancura esverdeada - pura magia! Senti o vento nos olhos e nos lábios que fechei ao mesmo tempo, esse vento cortante e arrepiante, esse vento sussurrador de silêncios, pareço estar a ouvi-lo agora...................................................................................................................... (Estranhamente) esta tela que devia ser pintada um dia nunca desaparece, mas eu só a vejo, a vi, hoje, ontem , amanhã...E quero lá voltar. Quero sentar-me na relva. Ouvir o que o vento tem para me contar. Perceber como é que os pássaros ensaiam aquelas coreografias voadoras por entre as nuvens. Ai! Como quero voar para nunca mais voltar. Porque eu volto todos os dias. Sigo o meu caminho sem medo, porque ele espera por mim numa doce indolência. A noite, essa deusa agora exclusiva dos românticos, foi outrora minha escrava, hoje, ontem, amanhã, a escrava dos meus sonhos, a minha escrava fazedora de paz que me abandonou, deixando-me apenas a paisagem da manhã, os seus restos mortais, como se a noite morresse todos os dias com o nascer do Sol. Amanhã volto seguramente.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Everything will change now!! (possíveis spoilers)

Regra número 1: Nunca gerar grandes expectativas relativamente a um filme ou a qualquer outra coisa que seja. Estejam cientes de que a nossa mente é demasiadamente grandiosa para se contentar com aquilo que a mentes dos outros são capazes de criar. Foi assim que na passada semana corri às salas de cinema para ver o novíssimo Harry Potter e o cálice de fogo, e claro desiludi-me. Acontece sempre com as adaptações ao cinema, lemos e sonhamos tão alto que depois na tela o sonho é esquartejado e ficamos com aquela leve impressão de que não foi exactamente aquilo que li!! Também não se pense que é tudo mau, não, pelo contrário, este é o melhor filme da saga ( também não era dificil fazer melhor). Faltam coisas como sempre, o pior para mim é sermos privados de ver o Harry a sofrer às mãos dos tios Dursley; os actores não estão maus, cresceram, individualizaram-se no grupo, não fosse só a pequena Hermione um pouco histérica demais para o meu gosto. Outra coisa que não entendo é como é que a relação de Harry com Dumbledore é uma coisa nos livros e nos filmes é algo tão fria e distante, tudo bem que os actores são ingleses mas é preciso calor humano, já que até este ponto da saga Dumbledore é o que de mais parecido com um pai que Harry tem (a relação com Sirius vem mudar isso), deviam pensar melhor nisso no próximo Harry Potter e Ordem de Fénix, o meu preferido depois do prisioneiro de Azkaban... Quem tiver pequenada watch out! este filme é muito mais dark que todos os outros, mais sombrio, o Voldemort é terrível e maravilhoso ao mesmo tempo Salve Ralph Fiennes, e Snape continua a ser o meu professor preferido embora Moody esteja estupendo e a sua caracterização muito bem conseguida com o seu olho louco!! Os cenários são desta vez menos "Hogwarts" que nos outros filmes, sendo muitas das cenas filmadas nos exterior, mas também muitos credíveis. Este filme inova , não tanto como em Azkaban mas de um modo ainda mais assustador. Quanto a Daniel Radcliffe, bem ele é Harry Potter, não há nada a fazer, era um erro fatal trocá-lo neste momento, por mal ou bem que faça vai ser sempre Harry, e por mim ele fá-lo muito bem( não estou a ser irónica). Esperemos que no próximo filme a sua faceta de adolescente em turbulência se manifeste positivamente e ele consiga a aclamação da crítica, que lhe vai fazendo falta, porque os milhões de libras ele já conquistou... Por isso já sabem, se são fãs e ainda não viram, vão com algumas reservas, para se poderem deliciar com a obra, que são 2 horas e tal bem empregues sim senhora. Só vos peço que limitem um pouco as vossas capacidades imaginativas, só para que não saiam da sala e digam :" Tanta coisa para isto!!" É tudo uma questão de perspectiva. Ah é verdade e não atendam telemóveis na sala!! Para mais visões interessantes de filmes visitem: http://www.zoomlight.blogspot.com

quinta-feira, novembro 17, 2005

Lembrar

E se eu disser que sou o que sinto? Se sinto medo, sou medo. Se sinto fome, sou fome. Se sinto amor, sou amor. Se não sinto, não sou? O mundo que crio é a minha realidade, os outros só a percebem quando nela entram, limitam-se a vaguear que nem simples sombras e : "Louca"- dizem eles, não sabendo eles que é mútua a loucura que se prolonga nessa estranha linha que nos une. São eles meras marionetas que manipulo com o meu fio de pesca e que retiro de cena no momento em que deixo de precisar deles, e se os mato não é por não gostar deles (pois gosto mais do que imaginam) é porque a sua ausência magnifica a minha gratidão, ou então é simplesmente porque já não fazem sentido, já me ultrapassaram. Faço-o sabendo na inconsciência das minhas premeditações que também eles criam, manipulam, riem, matam...matam-me. Será que não me podem deixar em paz? Claro que não. Porque eu nunca os deixo. Quero dormir tenho tanto sono. Não me lembro do início e foi há tão pouco tempo. Mas o tempo é corpo, porque é o corpo que sente o tempo, e o meu corpo quer descanso, quer não pensar na criação...esse monstro no armário da roupa velha do criador, esse dador de almas. Com isto pareço ser infeliz, mas não. Sou tão ou mais feliz que os outros, aquilo que me separa é o facto de eu me lembrar. Sinto felicidade, sou felicidade. Lembram-se?

sábado, novembro 12, 2005

China clowns

Based on an almost true story: " Hi. My name is John. I'm 50 years old and this is my first time here, in this therapy group. Well, when I married 25 years ago, I never imagined things would get so bad. I'm not speaking about my job, nor about my wife's chocolate cake, which is terrible, just for the record, nor about my kids who refused to to their Philosophy homework because they go against their Socialist ideas. No. What happened was that when I agreed to marry my present wife, I simply ignored those 18 giant pasteboard boxes that she brought home. The word "FRAGILE" written on them also in giant words didn't catch my attention at all, and those were the boxes that would change my life forever. Crystal glasses! I thought. ..it's always good to have glasses, and if they're crystal. Lucky me! Dead bodies?! Why not? At least I would have some fun...for a while. No. ORNAMENTS. My wife is a compulsive ornament collector, and I am the one who is here. Name the collection, she owns it. "The one hundred and one plates of the royal family", she bought them. "The seventy seven Russian dolls", she bought them. "The eighty eight handamade China clowns", well there's one to complete that collection, oh Thank You Lord! And she even has the nerve to say:" Honey, the kids love my collections!!" Yeah right! And I say to her: " Honey, "the kids" are seventeen, they're probably communists, so they must just love China clowns. And my friends, do you know who cleans the dust off those collections?That would be me. I'm the man who spends all his Sunday mornings cleaning the dust off those China clowns and whathever!!!.... Why on Earth didn't I pay attention to those 18 boxes when I had the time? Because if I had...if I had, they would have probably have...accidently fallen out of our window. Thank you all for listening. I feel much better now." Monolgue by LG

sábado, novembro 05, 2005

O inexistente Dalí nos EMA 2005

Foi no passado dia 3 que Portugal se fez passar por um dos "grandes", não é que o nosso país não o tente todos os dias, mas é que desta vez fê-lo à frente de todos, e pior do que isso, admitio-o em público. Acho muito triste quando figuras públicas vêm, portanto a público, dizer: " Portugal mostrou que também tem capacidades para esta e aquela"...ah tem?? Então se tem, vamos a fazer as 'ditas' coisas e não ficar à espera que os outros nos venham dizer "menino bonito" e afagar-nos o pêlo...tomemos as iniciativas, lutemos com as nossas armas, (eu sei que são poucas e made in China) mas pelo menos vamos...não tenhamos medo de nos agregar astuciosamente aos gigantes porque se eles o são devem-nos a nós ( "porque nos dominam", diz o inteligente), mas nós precisamos dos mestres, e só é grande aquele que excede o seu modelo já dizia Aristóteles no tempo em que os prémios MTV ainda exibiam artistas com máscaras em vez de operações plásticas tapadas com óculos Dior com lentes gigantescas...aqueles da moda!! Não foi um mau espectáculo, não senhor, mas pareceu-me como hei-de dizer...uma lágrima perdida na imensa chuva. Sim é isso. Os artistas, para variar, pareciam menos interessados em actuar do que em promover os seus últimos trabalhos...ouvi o título do cd da Shakira aí umas 10 vezes e o quanto ela estava contente em cá estar e como os portugueses são bonitos.... Espanquem-me! O espectáculo começou com uns largos minutos de atraso à la bonne mode du bon Portugal, e os prémios pareciam ser recebidos como mais uma banalidade do showbusiness. Devo admitir que gostei da apresentação que coube a Borat, o pivot do Cazaquistão, que numa época como a nossa parece-me uma crítica bem mais inteligente e interessante do que a feita pelo Jared Leto na sua apresentação numa de actor jovem, e por isso rebelde, que só o fez porque está a milhas do seu país natal, onde o Bush está longe de adivinhar o que é se passa na cidade espanhola Lisboa...só se algum empregado do empregado da White House que é filho do filho que era casado com a filha de um tal Ferreira o disser ao senhor, enquanto lhe apara um charuto cubano, que a este o Fidel não lhe pôs as mãos. Borat representa bem melhor o mundo daqueles que vivem na miséria porque os outros lá no fim do mundo assim o desejam, não tendo eles nada a ver com uma coisa chamada poder porque nunca a possuiram, sendo eles apenas leves carnes para canhão, carne a viver num tempo errado, num local deslocalizado. Eles são apenas o produto de um mundo humanamente entristecedor e ganacioso. Não haviam eles de querer fugir do seu país natal numa avioneta amarela em direcção a Tires. Torturem-me com ácido! Quanto a performances, bem não há muito a dizer...ou haverá?? Se tivesse que eleger uma, seria Foo Fighters, que não são o MEU grupo mas estiveram bastante bem a meu ver. A eterna Madonna, e eu aprecio muito a senhora, como não está em época de tournée ainda não aqueceu o corpinho, por isso dou-lhe um desconto, mas ficou far far away das minhas expectativas. Portugueses, portugueses...cadê?? Só mesmo os encarregados de limpeza e uns gatos pingados no público. Era no mínimo surreal encontrar descendentes d'El rei D. Afonso Henriques a defender o seu território valentemente. Uma actuaçãozita... afinal quem é que ía ligar? Se por muitas vezes nem mesmo nós permanecemos no mesmo canal onde eles estão, havia de ser os outros...era então não era... A malta queria era Robbie e este e aquel'outro, os portugueses no palco íam destoar o cenário, como acabaram por fazer no final aquando da entrega do prémio portugês. Uma actuação portuguesa era para a esmagadora maioria do público estrangeirado como dar Dalí a neoclacissistas!! Era desequilibrar todo um sistema já de si, tão pobremente estruturado e era vê-los a fugir do olho visionário. Sirvam-me cianeto num copo alto! Mas como já disse, Portugal ainda não é aquele destino. Um dia quem sabe?? Vamos pensar que sim. eu quero pensar que sim, para quando for velha não ser uma exilada ou pior, uma emigrante toda saudosista do mau que afinal era tão bom!! Queria antes dourar a minha velhice numa quinta em Sintra sentada na minha cadeira de Balouço em pleno Outono a mirar as folhas caídas das árvores a jogar à apanhada numa roda viva.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Entrevista de emprego

Primeiramente perguntam:"Como está? Prazer em conhecer!" bla bla bla, mas eis que começam as perguntas traiçoeiras.... - "Então e você (vamos sublinhar o você ao longo da conversa) tem experiência neste ramo?" - "Bem claro que sim", quem é que neste mundo respondia numa entrevista de emprego não ter qualquer tipo de experiência (mesmo que não tivesse) se quisesse trabalhar num banco??? - E em que banco? - Portanto num banco que por acaso fica aqui na zona...mas o ambiente sabe,não era dos melhores, achei que estava na altura de mudar de valores...percebe?" Nesta linha a entrevista cotinua num modo calmo mas fascinantemente ritmado. - "E diga-me quanto é que gostava de ganhar?"-Quanto é que QUERO ganhar??!! Devo dizer que esta é A pergunta, aquela que me mata. Quanto é que EU QUERO ganhar??!! Bem estamos num banco não estamos? Até quanto está interessado em gastar com uma competente e EXPERIENTE funcionária??!!- pensei eu. Nesse momento respondi numa voz muito profunda e quase honesta: - "O dinheiro não é importante senhor, o que eu QUERO é fazer parte de um grupo tão importante como este." O entrevistador vidrou os olhos em mim de um modo estupendamente dramático ( ou seria ironia?) e perguntou: - "Você está disponível?" - Nesse momento devolvi o mesmo olhar dramático( para ele não pensar que era o único que o sabia fazer) embora cá dentro estivesse com uma vontade de rir desbravada, porque estava a tentar pensar numa única pessoa no mundo que se dignasse a ir a uma entrevista de emprego sem estar propriamente disponível, quem é que faz isso? Serão muitos e eu não sei, andarão eles espalhados pelo país a comprar jornais na esperança de que as páginas centrais possuam algum quadrado mialgroso que possivelmente irá pagar a luz, a água e a renda que por acaso já estão em atraso??... Talvez este entrevistador estivesse habituado a falar com pessoas INDISPONÌVEIS NO MOMENTO. Então eu respondi: - "Estou disponível no momento.", e rematei com um belíssimo "claro". Enquanto o senhor falava sobre o banco, a competência, o rigor...comecei a pensar que ele nunca mais se despachava e que eu tinha que estar na pizaria ás 10 para começar o meu turno. -"Nós ligamos." disse ele. "Ligam?" pensei eu?? Isto foi há 2 meses, e eu continuo a trabalhar na mesma pizaria, o telefone não tocou, às vezes o rigor não se aplica, o exemplo vem de cima mas cai ao trambolhões, se calhar mandam-me uma mesnsagem escrita ou assim... No fim disto tudo fico com a ideia de que o banco e a pizaria não são duas coisas muito distintas, é que ambas sobrevivem do mesmo: Dos pobres. Com sorte o pobre vai ao banco, deposita o ordenado na conta e 95% é gasto na prestação do empréstimo - o banco sobrevive- e seguidamente com os 5% pensa onde os vai gastar enquanto se refastela com uma fatia de piza aviada pela minha pessoa. É um ciclo como qualquer outro.